Capítulo VI
Assumindo um erro.
A gravidez de Leohnora ficou em segredo como ela queria. Entrementes, Snape praticamente mudara-se para o quarto dela, e até que os enjôos cessassem por completo os deixando fora de suspeitas, as refeições foram feitas nos aposentos da professora. Graças aos bons magos Leorh já vivia tendo desmaios antes disso fazendo com o diagnóstico de sua doença não surpreendesse ninguém. Seu diagnóstico foi: fraqueza, e conseqüentemente uma anemia leve.
Já se passara mais um mês e a vida de Leoh, a não ser por usar vestes um pouco mais largas e escuras do que de costume que evitava mostrar-lhe a nova silhueta, voltara a regularidade. O dia do julgamento de Draco chegou e ela teve que se ausentar de Hogwarts. Leohonra havia pedido que Severus não a acompanha-se para evitar qualquer suspeita.
Assim que Scrimgeour a viu, veio em seu encontro. Seria inútil fingir que não o vira pois ficariam cara a cara no tribunal. Lucius estava ao seu lado, sentiu que ela tremeu e colocou seu braço em volta do dela. Rufus olhou a cena ao longe e se aproximou mais rápido.
- Vejo que não perdeu tempo, Leoh - e virando-se para Malfoy - Boa tarde, Lucius.
- Scrimgeour... Espero que não se importe de eu não querer tomar o tempo de uma pessoa tão desagradável como você. – Sorriu-lhe cínico e desviando o olhar para Leoh que estava pálida, disse: - Vamos sair daqui minha querida .
Foram em direção aos bancos de madeira do Tribunal deixando Rufo plantado entregue a seus pensamentos. Lucius a colocou sentada num banco próximo e tomou o lugar ao seu lado. Leohnora o olhou curiosa, ela não podia dizer que odiava Malfoy. Ele sempre fora um cavalheiro, e por incrível que possa parecer, sempre surgia em ocasiões inusitadas .
- A quanto tempo sabe? - Ela o fitou
- Para ser sincero... - seus olhos azuis posaram sobre ela com ternura - Não mais que quinze dias.
- Ele lhe contou ?- ela sorriu analisando sua reação
- Sim. Foi uma confissão arrancada. - sorriu indulgente - Não teve como negar depois que insinuei meu interesse em reatar com você.
- Lucius... Você sempre me surpreende - riu - E Narcissa?
- Ela não está nada bem, Leoh - encarou-a com um olhar frio - Conheço minha esposa. Azkaban está acabando com ela. Sabe, Narcissa nunca foi forte...
Uma campainha soou indicando o início da sessão. Leohnora se levantou para tomar seu lugar no Tribunal ao mesmo tempo que detectava uma leve nota de desespero na voz do amigo. Ela sorriu-lhe animadoramente e falou:
- Você ainda a ama, Lucius... e muito - pousou sua mão em seus ombros - Vou livrar Draco de Azkaban... Prometo.
O julgamento começou e Scrimgeour o presidia como já era de se esperar. Ele fixou seus olhos amarelos na figura que descia os degraus e um leve brilho malévolo passou por eles. Draco estava sentado no banco a frente do de Leoh. Ela sentou-se no banco e deu-lhe um sorriso confortante. O Ministro deu por aberto o trabalho do tribunal e a sessão começou.
Foram chamados dois Comensais para depor, Scrimgeour se mexeu desconfortavelmente na cadeira. O depoimento de ambos não deixava dúvidas de que na realidade Draco não participara efetivamente da morte de Dumbledore. Foi nesse momento que a voz do auror soou mais uma vez anunciando, para espanto de todos ali presente, o nome de Severus Snape como testemunha.
Leohnora tremeu, respirou fundo e encarou os olhos de Scrimgeour. Sabia que o Ministro tinha algo a ver com aquele depoimento. Ela não precisava disso para provar a inocência de Draco. A mesa de acusação procedeu em suas perguntas e os bruxos que a compunham olhavam para Snape com curiosidade mórbida. Ele, no entanto não mexia um músculo, estava impassível. Passado alguns minutos a testemunha foi liberada para as perguntas da defesa. Leoh se aproximou de Severus e evitando trocar olhares, começou a colher as informações necessárias.
- Por favor, poderia dizer seu nome completo para esse tribunal? - ela disse suave.
- Seveurs Prince Snape - respondeu seco.
- Tem consciência que está sob juramento, sr. Snape?- Leoh queria poupá-lo ao máximo.
- Plenamente – retrucou.
- Pode nos dizer se é verdade que fez um Voto Perpétuo, com a mãe do réu aqui presente, jurando protegê-lo? - a mesa acusadora evitara tocar no assunto, mas ela pretendia explorá-lo.
- Sim - ele continuou respondendo secamente.
- Esse voto foi feito com sua varinha ou a dela ? - Ela o fitou momentâneamente
- Com nenhuma das duas. - completou - Foi feito pela varinha da irmã de Narcissa, Belatrix Black Lestrange.
- Certo, isso confirma o que consta nos autos. - prosseguiu com cautela - A varinha da comensal Belatrix Balck Lestrange foi testada e confirmou-se a veracidade do que está sendo dito pela testemunha. O laudo do teste consta nos autos do processo.
Ela encarou os olhos de Rufus, que com um leve aceno de cabeça confirmou sua declaração, contrafeito.
- Senhor Snape, estava presente quando Albus Dombledore foi morto?- Ela tentou ser específica.
- Sim - Ele não a encarou.
- Poderia dizer á esse tribunal se o réu aqui presente teve relação direta com a morte do diretor?- Seus olhos procuraram os dele, que estavam fixos em um ponto distante.
- Não, Draco não fez nada - sem demonstrar qualquer reação, afirmou: - Eu fiz.
Um clamor insurgiu da platéia presente e gritos de culpado foram ouvidos. Rufus levou sua varinha ao pescoço e ordenou silêncio. Os olhos de Lucius e de Snape caíram sob Leohnora que se apoiara cambaleante na cadeira ao seu lado. A voz de Scrimgeour foi ouvida novamente.
- Isso é uma confissão, professor?- Ele o encarou como um animal espreita sua presa.
E antes que Severus pudesse responder um grito ecoou do outro lado da sala.
- Não - Leohnora o encarava e seus olhos estavam brilhando de ódio - Como a auror de defesa do Sr. Snape não dou o direito á ele de responder esta pergunta. - disse andando firmemente até Rufus - Este julgamento não é da testemunha. Ele terá o seu próprio e foi lhe dado o direito de respondê-lo em liberdade. Portanto, espero que respeite as leis, Ministro – finalizou com a voz impregnada de determinação O rosto de Scrimgeour tornou-se púrpura.
Severus ia abrir a boca para falar, mas um meneio negativo de cabeça dela o fez fechá-la novamente. Ela se aproximou dele e num sussurro disse: - Só responda as perguntas pertinentes ao julgamento do réu. Voltou ofegante para seu lugar e tentando manter o auto controle, continuou:
- Poderia nos dizer qual era o estado de espírito de Narcissa quando foi procurá-lo para pedir-lhe ajuda, Senhor? - Seu rosto se contraiu e uma dor fina percorreu-lhe a barriga.
- Total transtorno - Ele a encarou e pode ver-lhe a expressão tensa - Ela estava a beira de um ataque de nervos.
- Só mais uma pergunta, Senhor Snape - Uma nova pontada deixou-a lívida - Estava presente quando Lord Voldemort marcou o réu com a Marca Negra ?
- Sim - Snape se inquietou na cadeira, podia sentir que algo estava acontecendo com Leohnora.
- Seria correto afirmar que o reú aqui presente, e que na época era menor de idade, o fez por livre e espontânea vontade? - Ela estava branca e agarrava-se ao espaldar da cadeira com força.
- Não - ele desviou seus olhos dela e voltou-os para Rufus. - O menino estava completamente coagido por seu pai ter sido preso no ataque ao Ministério e com isso frustado os planos de Lord Voldemort, colocando a família em apuros. Ele não tinha escolha. Afirmo que Voldemort o mataria e a sua mãe também caso Draco não concordasse em assumir o lugar do pai ao lado dele.
- Obrigada, Senhor. - Virou-se para Scrimgeour que parecia atingido por um soco no estômago e disse sorridente: - Sem mais perguntas, Excia.
Ela escorregou para o assento da cadeira, enquanto Scrimgeour proferia seu discurso final pedindo a condenação de Draco. Snape foi conduzido por um auror até a saída e ao passar por Leoh a encarou, e não teve dúvidas de que ela estava muito mal. Por sua vez Leohnora fingiu não vê-lo, manteve-se fixa no discurso de Rufus. Assim que ele acabou, Leohnora andou lentamente até o centro da sala. Merlim sabia o esforço que lhe custava cada passo.
- Gostaria que cada um aqui presente - disse firme, sua voz era calma e pausada - Se não todos, fizessem um exame de consciência. Quantos de vocês tiveram sua família ameaçada de morte? - Ninguém se mexia na sala - Poderiam afirmar que colocariam a razão acima do amor e os condenariam? - fez uma pausa olhando para todos, e logo continuou - Alguém aqui se acha com direito de julgar o outro por amar? Por querer proteger sua família? - se uma mosca voasse poderiam ouvi-la naquele momento – Em todos os depoimentos ouvidos aqui, e se tiverem condições de repassá-los mentalmente, verão que em nenhum foi dito que Draco Malfoy empunhou a varinha que condenou Albus Dumbledore á morte. - Ela voltou-se para mesa acusadora – Talvez, também percebam que o réu nunca teve a postura de um Comensal, ao contrário, foi subjugado por simplesmente amar, por querer defender sua mãe. Ele não matou, não torturou, mas foi marcado. Será que não estamos fazendo uma nova marca aqui, hoje, no caráter desse rapaz? Uma marca que nunca se apagará... Uma marca feita pela mão daqueles que condenaram quem o marcou pela primeira vez. As mesmas pessoas que se dizem dispostas a serem justas! Que se faça a justiça então... Ele carrega o nome de um Comensal, mas nunca foi um.
Suas pernas falsearam e Leohnora sentiu o chão sumir ao seus pés. Respirou fundo e correndo os olhos ao redor da sala parou novamente na mesa de acusação, finalizando.
- Sendo assim, não posso pedir á esse tribunal - crispou as mãos na madeira pois a dor aumentara - Imparcial - ela frisou as palavras com toda a força que tinha - Outro veredicto que não o de inocente.
Superando qualquer dor que estivesse sentindo, Leohnora voltou para a cadeira assim que os bruxos da mesa se retiraram para deliberar sobre o veredicto. Ela procurou os olhos de Lucius que a encarou preocupado. Draco a fitou e ela sorriu tentando passar-lhe segurança. Leoh respirava com dificuldade, sua vista estava ficando turva, mas ela tentou manter-se consciente até a volta dos bruxos para a sala. Uma hora se passou até que eles voltassem, tomando seus lugares novamente. O bruxo mais velho com barbas grisalhas e vestes escarlates se aproximou do Ministro entregando-lhe um pedaço de pergaminho que continha o veredicto final.
O silêncio era total. Rufus abriu o pergaminho e encarou Leohnora. Levantou-se e pronunciou o veredicto em alto e bom tom.
- Esse tribunal declara o réu, Draco Black Malfoy - ele fez uma pausa observando a expectativa a sua volta, e concluiu: - Inocente de todas as acusações.
Lucius desceu as escadas até onde Leohnora tentava inúltimente lutar contra a dor que sentia. Scrimgeour por sua vez também estava indo naquela direção. Draco foi solto e saía do lugar onde estivera até então, indo de encontro a seu pai e Leohnora. Bastou que Lucius a amparasse para que Leohnora perdesse completamente os sentidos em seus braços.
