Capítulo VIII
Cumprindo uma Promessa.
No dia seguinte Snape aparatou bem nos portões da Mansão Malfoy. Calmamente subiu o caminho que passava pelos jardins e iria sair na porta principal. Ele já o percorrera muitas vezes, mas estava absorto em seus pensamentos e não ouviu um barulho as suas costas. Um instante depois sentia alguma coisa puxar-lhe as vestes, ele olhou para baixo e viu uma coisa pequena com olhos e orelhas grandes dirigir-lhe a palavra.
- Bom Dia, Professor Snape. - falou a figura a seus pés - Posso anunciá-lo, sr?
- Sim, Gorky. - disse interromper seus caminhar e acrescentou: - Agora suma.
- Gorky vai, senhor - dizendo isso estalou os dedos e sumiu.
Depois que Harry libertara Dobby de seu senhor, Malfoy havia adquirido outro elfo doméstico. Snape não suportava esse tipo de coisa, logo não suportava as criaturas também, que sempre estavam vestidas com trapos. Algumas vezes tinha vontade de fazer igual ao pirralho do Potter. Afastou esses pensamentos, tinha chegado a entrada da Mansão.
Não precisou bater, a porta simplesmente se abriu e ele entrou. Lá dentro a atmosfera era mais quente e confortável. Para sua surpresa uma radiante Leohnora entrou pela sala e atirou-se em seus braços, beijando-lhe os lábios. Ele não conseguiu se manter indiferente ao beijo que ela lhe deu e a prendeu em seus braços sufocando-a de carinhos. Snape a soltou pouco depois, percebendo onde estava e a fez sentar no sofá ao seu lado.
- Você está bem pelo que vejo.- ele sorriu.
- Estou - e segurou suas mãos - Lu... Malfoy não deixa faltar nada.
- Lucius é fantástico - ele crispou os lábios - Imagino que tenha sido dele a idéia de lhe trazer para cá depois da alta, não?
- Não, a idéia foi minha - o encarou e ele retirou suas mãos das dela - Achei que daria mais veracidade a nossa mentira .
- Achou? - seu rosto adquiriu um expressão dura - Sozinha, não é? Por que se importar comigo? - levantou-se - Bom, se precisar de mim sabe onde me encontrar...
- Eu preciso de você - ela se pôs de pé e o fitou - E William também.
- Malfoy gostou do nome que você escolheu, suponho? – ironizou.
- Achei que... - ela se calou, fechou os olhos e disse: - Não adianta, você não consegue acreditar que isso tudo é uma mentira.
- Não, eu acredito...- ele havia se virado para sair quando viu Malfoy entrando na sala. – Vocês desempenham muito bem seus papéis.
- Minha querida, eu...- suas palavras morreram - Ah...- e sorriu - Severus, como está?
Snape se virou e foi na direção dele com os olhos cintilando de raiva, fechou a mão direita e acertou-lhe um golpe no nariz. Leohnora observava a cena incrédula, levou as mãos aos lábios, e atônita, não sabia se corria para Lucius que sangrava pelo nariz ou para Snape que dava um passo para trás, voltando com a varinha em punho. Lucius por sua vez também empunhara sua varinha e a apontou na direção de Severus. Leohnora se meteu no meio deles e falou autoritária:
- Parem vocês dois - correndo seus olhos de um para outro - Que diabos vocês acham que estão fazendo? Vocês não tem mais quinze anos!
Draco entrara sala correndo com toda aquela gritaria e olhava para os três confuso.
- O que há aqui? - ele perguntou e nenhum dos presentes parecia conseguir expressar uma palavra - Pai, o que foi? Seu nariz... o que aconteceu?
- Nada - enquanto guardava a varinha e ajeitava as vestes - Vá para seu quarto, Draco... Já.
O rapaz não fez mais nenhuma pergunta e saiu como havia entrado. Malfoy olhou para Severus que também guardara a varinha e para Leohnora que continuava chocada com a cena.
- Só não o ponho para fora de minha casa, porque a saúde de Leoh é muito mais importante que suas crises de ciúmes. – tentou limpar o nariz com as mãos e foi na mesma direção de Draco - Com licença, Leohnora.
Severus bufou e tomou a direção da porta, enquanto Leohnora partia em seu encalço. Numa certa altura do caminho, ele interrompeu seus passos e virou-se bruscamente quase fazendo-a bater de encontro a ele.
- Volte! – rosnou e recomeçou a andar. – Seu lugar é lá, Leoh – disse sem olhar para trás.
- Meu lugar é ao seu lado. – rebateu.
- O que quer aqui? – Ele parou mais uma vez sem fitá-la - Fazer com que eu perca a cabeça de vez? – Uma chuva fina começara a cair, ensopando-lhes as vestes, e como não obtivesse resposta, se virou e a encarou.
- Vou com você - ela estava toda molhada, a silhueta marcada pela veste grudada ao corpo - Eu não devia ter vindo sem lhe consultar, fui muito egoísta. Eu o amo e sabe muito bem que não quis magoá-lo.
- Eu sei. – crispou os lábios, e se aproximando dela, passou as mãos em seu rosto - Só não suporto a idéia de que outro homem faça o meu papel.
- Me espere aqui. Vou pegar minhas roupas e me despedir de Lucius e Draco. Não posso sair assim...- ela viu seu olhar de reprovação, mas sabia que ele a esperaria.
Snape a viu entrar na Mansão e voltar segundos depois com uma valhise. Enrolou seu braço no dele e desceram o caminho até os portões. Leohnora o fitou e disse mordendo os lábios inferiores.
- Quero que conheça um lugar, se importa?
- Não - Snape não se importava mesmo desde que estivesse ao seu lado - Aonde vamos?
- À minha casa - ela sorriu - a Mansão SaintClair
Aparataram no mesmo instante.
Leohnora respirou fundo, estava nos jardins de sua infância. Ela largou a mão de Snape e correu entre os campos floridos. O sol saía por entre as nuvens e iluminava palidamente sua figura. Leoh parou a meia distância da casa e virando-se para ele sorriu. Severus a acompanhava com os olhos, ela parecia uma criança de dez anos brincando entre as roseiras. Ele olhou a sua volta, o lugar era realmente bonito e em nada lembrava a Mansão Malfoy.
Aquele lugar tinha vida própria e Leohnora o iluminava. Entraram na casa e cada aposento era mais aconchegante que o outro. Ela subiu as escadas e Snape fez o mesmo. Virou no corredor a esquerda e abriu a porta a direita. Era seu quarto, Leoh se atirou na cama esquecendo totalmente sua condição e teve que agüentar um olhar reprovador dele.
- Moro aqui desde que nasci - ela fitou o teto - O que achou, Sevie?
- È muito bonito - olhou-a brincar com alguma coisa na cabeceira - Parece com você.
- Quero vir morar aqui, se importa? - ela esperou a resposta
- Não - completou - Espero que possa vir. Não contei que consegui as lembranças de Dumbledore?
- Não - ela disse
- Estão com Minerva - ele se sentou na cama ao seu lado - Está tudo lá, Leoh. Nos mínimos detalhes...
- Vamos para Hogwarts, Severus - ele se levantou rapidamente - Quero ver isso já.
A superfície da Penseira brilhava a sua frente e Leohnora podia ver as cenas tão claras como as vira a três anos atrás. Minerva recolheu-os devolta ao frasco e entregou-o a Leoh .
- A audiência é depois de amanhã - disse McGonagall
- Eu vou inocentá-lo - e abraçou Snape - Tenho certeza absoluta. Onde está Trelawney?
- Na Torre de Astronomia - disse ele - Achei mais seguro mantê-la aqui e pedi para McGonagall que a chamasse de volta.
- E eu o fiz. - sorriu a diretora - A propósito já arranjei um substituto para você.
- Quem é? - disse Leoh.
- Prof . Remo Lupin – explicou a diretora e fitou Snape - Já lecionou aqui antes.
- Terei que preparar novamente aquelas poções? - disse o professor num escárnio.
- Poções? - Leohnora olhou para ambos curiosa - Que poções?
- Ele é um lobisomem, Leoh - explicou Snape.
- Entendo .Nunca percebi nada de errado com ele quando freqüentei a Ordem - e sorrindo - È uma boa pessoa... Gostei da escolha, Minerva.- virou-se para Severus - Vamos, estou exausta. Amanhã terei uma breve entrevista com Sibylla.
Saíram do escritório do diretor em direção aos aposentos de Leohnora.
O dia do julgamento chegou. Leohnora iria com Lucius para o Ministério e Severus, com Minerva e Trelawney. Ele não demonstrava nervoso e Leoh o beijou ternamente antes de sair.
Ao chegar ao Ministério, Rufus a encarou, mas não se atreveu a chegar perto dessa vez. Malfoy a conduziu até o tribunal como fizera da outra vez e sentou nos bancos acima. Ela desceu as escadas vagarosamente para não desequilibrar, pois eram estreitas e se sentou na cadeira que ocupara a alguns dias atrás. Scrimgeour sentou no seu lugar. A mesa de acusação estava completa. Severus foi trazido para a cadeira grande no centro da sala.
Rufus declarou aberta a sessão e o coração de Leohnora acelerou. Testemunhas foram chamadas, sucedendo uma ás outras. Quando Sibylla entrou, os olhos de todos se concentraram nela . A acusação tentou desacreditá-la, sem sucesso e a testemunha foi passada á defesa .Leohnora se levantou e foi até ela.
- Professora poderia nos dizer se conhece o réu aqui presente? - disse ela.
- Sim - Trelawney o olhava com seus óculos de lentes grossas - Ele é professor de poções em Hogwarts. Entramos para lá praticamente na mesma época.
- Professora, é verdade que foi avalista de um Voto Perpétuo entre o réu e o então diretor da escola, Albus Dumbledore?
- Sim, é verdade - disse enquanto exalava um cheiro de xerez barato.
- Foi a pedido de Albus Dumbledore que fez isso, Sibylla ?- a voz de Leoh era calma.
- Correto.- ela encarou Leoh - Fui chamada a sala do diretor com esse propósito.
- Está com sua varinha, professora?- Leohnora perguntou.
- Aqui está - e estendeu-lhe o objeto.
- Gostaria de saber se presenciou alguma vez o diretor mencionar ao réu que faria valer as condições desse Voto Perpétuo. - ela fitou Severus que continuava impassível.
- Uma vez. - olhou a sua volta - Pouco antes de morrer. Havia alguma relação com o garoto dos Malfoy. Eu cheguei em seu escritório numa hora imprópria e pude ouvir uma parte da conversa, apesar de não ser essa a minha intenção.
- Obrigada, professora Trelawney. Assim que acabarem os testes devolveremos sua varinha - e virando-se para Scrimgeour disse - Sem mais perguntas.
Leohnora foi até Rufus e colocou um frasco com um conteúdo prateado a sua frente. Ele a fitou segurando o frasco entre as mãos.
- Quero que seja anexado agora ao caso como prova, e visto imediatamente pela mesa de acusação.- ela o encarava.
- Não será possível, srta. - sorriu com deboche - Precisamos de uma Penseira para vê-las e não dispomos de uma no momento.
- Mesmo? - Leoh devolveu-lhe o sorriso e virou-se para o Auror parado a sua direita - Traga-me o objeto que lhe dei - voltou-se para Scrimgeour que estava beterraba - Podemos fazer uma exposição á todos os presentes, creio que será até melhor.
O auror trouxe a Penseira, colocou-a sobre a mesa indicada e um por um dos bruxos da mesa de acusação olhou cada memória de Dumbledore. Acabada a exposição da defesa, a Penseira foi retirada e o Auror que levara a varinha para testes retornou com o resultado num pergaminho. Foi direto a Scrimgeour e passou-lhe o papel. Devolveu a varinha para Trelawney que a guardou. Snape não olhava para ninguém, estava sério e um pouco abatido.
Scrimgeour leu o resultado do teste da varinha, que corroborava com a afirmação da professora sobra avalisação do Voto Perpétuo entre Snape e Dumbledore. E sem mais testemunhas passou as deliberações gerais sobre o caso e seu discurso de acusação. Logo que terminou, foi a vez de Leohnora fazer o seu discurso de defesa. Ela caminhou até o meio da sala com fez da outra vez e fitou Severus antes de falar.
- Já estive aqui nesse mesmo lugar defendendo um jovem de uma acusação infundada. Agora volto aqui para pedir que avaliem as ações de um velho bruxo que já não está entre nós. Um bruxo respeitado por todos, inclusive por seus inimigos. Um homem íntegro e idôneo - todos ouviam com atenção redobrada - Talvez queiram me perguntar porque avaliar Albus Dumbledore.- ela sorriu - Porque ele era um grande homem, sábio, e sempre nos conduziu ao caminho certo. Se não fosse assim, ele não teria protegido suas memórias para inocentar seu algoz, não é mesmo? - os olhos de todos ali presentes estavam sob ela -. E foi esse homem, a quem todos aqui devem o fim de Lord Voldemort, porque descobriu seu plano com as Horcruxes e na sua busca por elas sofreu um golpe fatal... - a respiração de todos parou – Foi esse bruxo que esteve aqui hoje defendendo seu homem de confiança. O homem a quem ele deu a pior das tarefas e que a cumpriu a risca. Um homem preso a um Voto Perpétuo e que não tinha escolha... a escolha que ele, Albus fez ao entregar sua vida para salvar a de Harry Potter numa caverna escura. Fechem seus olhos - ela pediu suavemente - Agora imaginem um homem velho agonizando, sabendo que iria morrer de qualquer forma naquela noite, e um outro homem obrigado a cometer um ato hediondo, e ainda, um menino que deveria ter virado um assassino.- Leohnora virou-se para a mesa de acusação - Se esse tribunal não pode condenar um menino por amar, não pode condenar este homem por ser leal e salvar a vida de uma outra pessoa. Severus Snape não matou Dumbledore, ele impediu que um rapaz se tornasse um assassino.- as lágrimas romperam de seus olhos e sua voz embargou - Srs e Sras deste tribunal, eu peço em nome de Albus Dumbledore a absolvição, baseada em fatos concretos, do réu aqui presente. Obrigada
As pessoas permaneceram em silêncio, enquanto os bruxos da mesa de acusação se retiraram para deliberarem sobre o veredicto. Scrimgeour não se movia na cadeira, seus olhos Leohnora diretamente. Ele sentia o gosto amargo da derrota.
Leohnora tentou em vão procurar os olhos de Severus, ele os abaixara e fitava suas próprias mãos. Ela não se atreveu a chegar mais próximo e se sentou em sua cadeira para aguardar o desfecho não do julgamento, mas do que poderia lhes acontecer. Uma hora depois, conforme as leis, os bruxos da mesa de acusação voltaram. O mais velho, o mesmo que presidira a mesa no julgamento de Draco, se aproximou de Rufus Scrimgeour e entregou-lhe um pergaminho. Ele abriu, leu, crispou os lábios e levantou-se.
- Esse tribunal declara o réu aqui presente, Severus Prince Snape, inocente da acusação de assassinato do diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Albus Dumbledore. - sentenciou contrariado.
Os olhos de Leohnora posaram sobre Severus, que a encarava. O Auror o soltou e ele foi ao encontro de Leoh, enquanto isso Scrimgeour dirigia-se á ela também.
- Parece que eu perdi, não? - fitou-a.
- Não, Rufus... A justiça venceu. - e se retirou seguida por Severus que era parado a todo instante cedendo apertos de mãos acalorados. Ela estava quase na porta do tribunal quando Minerva e Trelawney a alcançaram.
- Sua defesa foi explêndida, Leohnora - disse McGonagall enxugando os olhos com um lencinho - Albus teria orgulho.
- Foi brilhante, srta SaintClair - disse a professora Trelawney.
- Obrigada, eu não teria feito nada sem vocês duas. - abraçou-as.
As duas sorriram e se retiraram. Leoh viu que Severus ainda apertava as mãos de algumas pessoa a sua volta. E procurou Malfoy com os olhos, mas não o encontrou ali e saiu para o corredor. A sua frente um bruxo de vestes escuras e cabelos loiros sumia na multidão. Ela correu e o segurou pelo braço.
- Lucius - ela murmurou.
- Leohnora - ele se virou encarando-a com seus olhos azuis - Meus parabéns, você é realmente muito boa no que faz.
- Obrigada - ela deu-lhe um beijo na face – Obrigada por tudo que fez por mim e por Severus... E por William – finalizou acariciando a barriga.
- Sempre encantadora, srta.SaintClair - Lucius passou seus dedos pelo rosto dela - Não precisa me agradecer, foi um prazer - ele chegou bem perto, puxou-a de repente e deu-lhe um beijo arrebatador. Sem ter como se livrar de seus lábios, Leohnora foi arrastada para longe pelo gosto dele. Malfoy assimilou cada instante daquela possessão sobre a mulher que amava, e soltou-a logo em seguida, Fixando seus olhos azuis nos dela, disse: - Pena que esta seja minha única lembrança... Adeus, Leoh - fez uma mesura e sumiu na multidão.
Severus chegou naquele momento e segurou-lhe a mão.
- Vamos, antes que mais alguém queira me apertar a mão - e sorriu - Aonde está Malfoy?
- Não sei - ela respondeu.
Eles aparataram na entrada do Ministério e em pouco tempo estavam na casa de Leohnora. Snape a pegou nos braço e levou para cima, deitando-a na cama.
- Obrigado, Leoh... - ele havia deitado ao seu lado - por me inocentar (deu-lhe um beijo), por acreditar em mim (outro beijo) e por me tornar o mais feliz dos bruxos (outro beijo).
Ela sorriu e beijou-lhe ardentemente os lábios. Snape virou-se para o lado onde ela estava e a cobriu de beijos. Desabotou-lhe as vestes e recomeçou a beijá-la mais intensamente e ficaram assim a noite toda.
O casamento de Leohonra e Severus se deu nos primeiros dias de maio. A barriga da noiva não deixava dúvidas sobre sua condição eminente, e menos ainda, o sorriso bobo do pai. A cerimônia foi realizada nos Jardins da Mansão SaintClair e envolveu quase toda a comunidade bruxa. Muitos dos convidados, no entanto, alegam ter visto um homem vestido de negro rondando a festa... se é fato, ninguém sabe.
Aos sete dias do mês de julho nasceu, Willian SaintClair Snape. Um lindo menino de cabelos negros lisos e olhos castanhos, mãosinhas rechonchudas e um sorriso cativante. Seu pai, Severus Snape continua lecionando em Hogwarts e acumula o cargo de diretor da instituição. Sua mãe, Leohnora Snape... Bom, sua mãe se tornou a primeira Ministra da Magia da Inglaterra.
FIM
