Aviso: Este capítulo contém cenas explícitas de yaoi entre Máscara da Morte e Afrodite. Caso sinta-se ofendido(a) por esse tipo de cena, não recomendo a leitura. Aos demais, boa leitura!


Capítulo 2 – Risco de Vida

Máscara da Morte e Dohko partiram do 13º templo rumo às escadarias sem chamar atenção de nenhum guarda. Iniciaram a descida e logo estavam chegando à casa de Peixes. A única que, na opinião do chinês, deveria ser ignorada. Se pudessem passar por teletransporte, se houvesse algum meio de evitar aquela casa...

– O que foi, Dohko? Parece nervoso... – comentou o italiano, sem parar de correr.

– É só que... – o chinês hesitava, ligeiramente. Sentia-se realmente estranho por estar naquela situação inconcebível. Queria que fosse sonho... Queria escapar daquilo! – Eu não quero que mais pessoas me vejam desse jeito! – comentou em tom de pesar, tocando o cachecol com a ponta dos seus dedos. Ainda não estava plenamente convencido de que aquilo realmente escondia o objeto de sua vergonha, a prova de que tivera mais uma insana noite de amor com Shion. Era a primeira vez na sua vida que desejava voltar aos 5 picos antigos, um lugar inabitado e esmo o suficiente para que ninguém pudesse vê-lo naquele estado.

– Já conseguimos passar pelos guardas sem que ninguém percebesse, não conseguimos? – perguntou num sorriso confiante, colocando a mão direita no ombro esquerdo do outro. – Logo esse pesadelo estará acabado e você ficará me devendo uma. – o italiano ainda tentou brincar perante a situação.

– Sim, mas... – Respondeu ainda mais inseguro. Sentia a coleira apertando o seu pescoço e teve vontade de colocar a mão no pequeno vão entre sua pele e o objeto de couro para poder arrancá-la à força, mas conteve o impulso – Afrodite é bastante observador. Não é como aqueles homens lá atrás que dormem ao invés de vigiar alguma coisa...

– O Dite? – o cavaleiro de Câncer não conteve uma risada baixa. – Aquele lá não acorda antes das 11 em tempos de paz!

– Tem certeza? – Questionou com as mãos ligeiramente suadas, devido ao nervosismo e ao stress imposto pela situação.

– Tenho. – afirmou convicto. – E, mesmo se não tivesse, já estamos na porta... – comentou, indicando a casa à sua frente.

Dohko sabia que já não havia outra alternativa. Realmente, já estavam na porta da casa de Peixes e, se Afrodite tivesse que aparecer, o faria de qualquer forma. Seria pior se começasse a correr agora... chamaria a atenção e atrairia encontros indesejados. Talvez fosse melhor encarar o dono da décima segunda casa. Talvez, se explicasse tudo em detalhes, o sueco ficaria penalizado com aquele embaraço que o antigo mestre do Shiryu estava tendo que enfrentar e não espalharia a fofoca pelo Santuário. Talvez ele até pudesse ajudá-lo. Sim, precisava ser otimista, precisava seguir em frente!

– Sabe, ser visto desta forma não está na minha lista de preferências! Só o que me falta são pessoas me taxando de velho tarado... – comentou tentando fazer piada daquilo. – Bem, se não tem volta, lá vamos nós...

Os dois cavaleiros entraram sorrateiramente na casa de Peixes. Não havia sinal de vida! Máscara da Morte, em silêncio, guiava o amigo rumo à saída quando teve uma idéia.

– Dohko, antes de sairmos daqui precisamos dar um jeito nessa meleca que você fez na coleira... Para isso, vou pegar um talco do Afrodite. É excelente contra a oleosidade! Na verdade, esta foi a única forma que o Dite encontrou para eliminar as espinhas e todas aquelas frescuras que as esteticistas dizem haver em pele oleosa, mas que eu nunca liguei. – comentou, dando de ombros e tentando convencê-lo da eficácia do produto.

– Bem, se você diz... – o mestre ancião respondeu com suavidade e um pouco de descaso. Já lhe bastava o que ele havia feito consigo mesmo por causa de suas "brilhantes" deduções. Não arriscava a dar um novo palpite! Se bem que... em sua opinião, pior não tinha como ficar. "Que fosse o que tiver de ser!", pensou antes de pedir – Faça o que for possível!

– Sente-se no sofá e me espere! Acho que estamos mais perto da solução do que imaginamos.

– Atena te ouça, rapaz! – respondeu com suavidade e um tom levemente suplicante. "Queria ver se isso fosse com Shion! Como ele agiria? Bem... Provavelmente ele daria um jeito de se virar sozinho...", Dohko resmungava mentalmente. Era melhor atacar do que ser atacado.

Máscara da Morte pediu licença e dirigiu-se rapidamente aos aposentos internos da casa que conhecia tão bem. Iria ao banheiro da suíte, onde adquiriria a fórmula de sua salvação e, quiçá, alguma barganha nos horários de treinamento para que pudesse ficar mais à vontade com o namorado. Não demorou a encontrar o frasco negro com letras prateadas e voltar ao mesmo local onde havia deixado Dohko esperando.

O moço de verdíssimos olhos aguardou pacientemente. Não tinha muitas opções. Na verdade, não tinha nenhuma outra escolha. Que outro jeito teria? Que situação sofrível! Ainda mais para ele, que sempre detestara depender da ajuda alheia. Parecia uma bela de uma lição que a vida lhe pregava, mas o que havia feito pra sofrer daquela forma? Já não pagara os seus pecados ficando sentado nas montanhas por anos e anos a fio?

– Demorei?

O chinês mal acreditou quando ouviu a voz máscula. Quando menos esperava, ele já estava de volta. Era como se o italiano tivesse ido na velocidade da luz, como se nunca houvesse se ausentado daquele recinto.

– Definitivamente não! – Sorriu com suavidade, tentando pensar o mais positivamente possível. Finalmente se livraria daquela tralha! Estaria livre e feliz para rasgar as roupas do namorado em vingança. – Agora, se não se incomodar, será que poderia me ajudar aqui? – perguntou, desenrolando o cachecol de seu pescoço e jogando-o em uma direção aleatória. Depois o recuperaria. No momento, o mais importante era ganhar pontos a seu favor.

– Mas é claro que eu ajudo! Eu imagino o quão difícil seja retirar uma armadilha como essa do próprio pescoço sem a ajuda de ninguém. Além do mais, não estou a fim de levar uma bronca do Dite se ele ver este talco espalhado pelo chão. – comentou entre suspiros e aproximou-se. Ele aplicou o talco com uma espécie esponja específica para esse fim, que por sinal viera com o pote. Afastou-se, soprou o pó branco e apalpou a tira de couro – Bom, felizmente a coleira não foi danificada e a oleosidade diminui bastante...

– Graças aos céus! – Aliviou-se ligeiramente com tais palavras. Mas será que isso garantiria que a coleira fosse retirada com sucesso? Esperava que sim. Ou melhor, precisava acreditar que sim! Dohko tossiu levemente com o pó de cheiro ligeiramente agradável que inalou casualmente – Mas ainda precisamos de armas para tentar retirá-la, não é?

O italiano abriu a boca para responder, mas não conseguiu. Um forte ruído havia anunciado o provável despertar do dono daquela casa. Máscara da Morte sentiu sua espinha congelando e, em voz baixa, ordenou ao visitante:

– Esconda-se atrás do sofá! O Dite acordou.

– Droga! – redargüiu simplesmente perante o fato. Impressão sua ou o cavaleiro de Peixes acordara mais cedo que o horário que Máscara indicara? É... Hoje não era o seu dia de sorte! O pisciano não devia vê-lo e por isso apenas acatou o conselho do rapaz e jogou-se atrás do sofá, rezando para todos os santos que conhecia para que Afrodite sequer se aproximasse do móvel. Mas... "Será que o cheiro do talco lhe passará despercebido? Logo ele que possui tão bom olfato...", o chinês sentiu o coração acelerar-se ante tais pensamentos.

Máscara da Morte disfarçou, escondeu o pote de talco atrás de suas costas e rumou em direção à suíte principal da casa. Na pior das hipóteses, ganharia tempo e faria Dohko prosseguir a viagem sozinho. Quando chegou ao recinto, respirou fundo preparando-se para enfrentar a fera. Ainda estava com a prova do crime em suas mãos!

O cavaleiro de Libra observou-o sumir em direção aos aposentos de Afrodite. O que ele estava planejando? Será que queria ganhar algum tempo para que fugisse? Se sim, essa era a hora de sair o mais agilmente possível dali. Afinal, sabia o quanto o pisciano prezava seus produtos de beleza e Máscara estava se sacrificando pelo seu bem. Algo lhe dizia que deveria prosseguir sua jornada sem a ajuda do canceriano ou então, ao menos, arranjar um esconderijo melhor.

Na suíte principal da 12ª casa, Afrodite ainda estava deitado, lutando contra as cobertas que serpenteavam seu corpo. Havia derrubado uma pequena estátua de um anjo rodeado por rosas. Um objeto do qual Máscara da Morte nunca havia gostado, mas pelo qual o sueco nutria grandes ciúmes.

Dohko não ouviu nenhum som. Talvez seria melhor que fosse de uma vez! Desta forma faria jus à coragem do italiano. E, com isso em mente, saiu do templo de Peixes e escondeu-se em um arbusto próximo à moradia para assim esperar Máscara da Morte.

O cavaleiro de Câncer devolveu o pote ao seu devido local e aproveitou para pegar um rolo de esparadrapo. Seria importante se quisessem manter o segredo. Afinal, o tilintar das correntes chamava a atenção de longe e, somente agora, o italiano entendia o que a vítima dessa tragédia queria dizer quando afirmara que os soldados estavam dormindo em serviço.

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Ainda sentia o torpor leve da sonolência. Quase como se estivesse dormindo, porém acordado. Era a sensação dos músculos pesados, da vista embaçada e da demora da ordenação dos pensamentos. Decididamente não era hora habitual do seu despertar. Entretanto, não podia ignorar. Infelizmente, tinha obrigações. Caso contrário, nada justificaria sua estadia no 12° templo.

E para tal, era suposto que estivesse sempre em guarda. Não estava. Falha dele, deveria admitir. Contudo, era uma espécie de compensação por sempre ser o último de todos os cavaleiros a ir dormir. Bem, talvez o penúltimo... Máscara da Morte, às vezes adormecia depois!

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O italiano saiu nas pontas dos pés e sentiu-se como uma verdadeira bailarina de ponta. Era o único meio de não acordar seu amado! Teria que voltar à sala, levar Dohko a algum lugar seguro e descer o quanto antes. Quanto mais demorassem, maior seria o número de cavaleiros despertos no meio do caminho.

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Havia um barulho... Algo que lhe chamou a atenção! E isso forçara seu despertar! Haviam duas presenças... Não! Uma. Talvez o seu estado entorpecido estivesse lhe turvando os sentidos. De toda forma, por mais que a presença lhe fosse conhecida, era melhor verificar. Não custava nada, afinal! "Olheiras, talvez!", pensou com vagar. Sem suas nove horas de sono diário, sempre tinha-se o risco de um leve arroxeamento debaixo dos olhos!

Ligeiramente contrariado por ter que sair debaixo das quentíssimas cobertas, começou a empurrá-las para longe de si, mas... No momento elas pareciam ter ganhado vida! Poderia ter cometido outro erro ao identificar o provável dono daquele cosmo, pois sentiu que a presença se esvaía de seu aposento. Certamente seu inimigo controlava o tecido para impedir, ou, pelo menos, retardar a reação do protetor daquela casa.

– Parado aí, espertinho! – Gritou, antes que o invasor pudesse escapar. Obviamente se fosse quem esperava, pararia. Caso contrário, teria de se livrar das cobertas de todo jeito e colocar-se em guarda.

– Dite... Amore mio! Você acordou... – a grossa voz o cumprimentava de forma melosa, como sempre fazia ao tentar acalmá-lo. Desta vez tinha o objetivo de esconder o seu nervosismo. – Desculpe por tê-lo acordado a essa hora, mas... como você sabe, hoje eu sou o responsável pelos treinamentos na arena e havia esquecido de pegar alguns objetos pessoais...

– Hum... Obviamente acordei! – Seus olhos estreitaram com desconfiança ao dirigir-se ao amado. De alguma forma, sentia que ele estava especialmente estranho. O italiano estava tramando alguma ou então não o estaria agradando daquela forma. Após finalmente ter se livrado das cobertas, tateou em busca do roupão. Estava claro, mas não queria perder o outro de vista – Então... Onde estão os objetos? Não vejo nada em suas mãos!

– Estão aqui! – declarou calmamente, retirando não só o rolo de esparadrapo como também uma escova de dentes própria para viagem e um pequeno tubo de pasta de dente do bolso de sua calça. O morador da 4ª casa zodiacal conhecia o outro muito bem e, apesar de parecer um pouco distraído por vezes, não deixaria nada passar despercebido. Recolocou os objetos no mesmo bolso. – Viu? Não há com o que se preocupar! Por que não aproveita e dorme mais um pouco? Você só vai ter que comparecer à arena na parte da tarde... – comentou num tom levemente dengoso, abraçando e beijando o sueco. Iria desvencilhar-se do namorado, teria que cumprir a promessa que havia feito ao cavaleiro de Libra!

– Hum... – Ainda não estava totalmente convencido. Embora acreditasse que Máscara da Morte pudesse apenas estar agindo estranho pela surpresa de ter sido parado. – É verdade... Talvez eu devesse dormir mais um pouco.

O sueco resolveu render-se ao sentir os grossos lábios em contato com os seus. Um abraço e um beijo do italiano sempre seriam capazes de fazer com que Afrodite esquecesse de tudo. Essa demonstração de afeto era a única coisa da qual o sueco precisava para esquecer-se de uma discussão, de uma rixa, de uma lembrança triste.

– Uma pena você não poder ficar aqui comigo... – comentou, puxando-o de volta para cama. Acariciou-lhe os cabelos e as costas. Antes de dar-lhe um novo beijo, comentou com um sorriso nada inocente desenhado nos lábios finos – De repente, acho que perdi o sono.

– Dite... você sabe que eu não posso! – declarou, tentando sair dos braços de seu amado. – Sei que está precisando de mim, mas... estou atrasado. Você sabe muito bem que, apesar de tudo, ainda não somos vistos com bons olhos no Santuário. Se eu faltar a esse meu compromisso... começarão os boatos e posso até ser considerado um traidor. – observou com veracidade, sentindo agora também o peso da culpa por não estar cumprindo seu dever. Pelo menos o fazia por uma boa causa...

– Vá! – Soltou-o com uma voz fria e embrulhou-se de volta nas cobertas. Sabia que ele tinha razão. Contudo, não queria dar seu braço a torcer. Não tão cedo! Não depois de ter sido acordado e desenvolvido possíveis olheiras por causa dele. – Não quero ser eu o culpado por algo que possa vir a lhe acontecer.

– Amore... por que você não tenta relaxar? Vou colocar uma música, um perfume suave... – declarou, colocando uma música instrumental, própria para relaxamento e espirrou um suave perfume de florais pelo quarto. Beijou o pisciano novamente, abraçou-lhe e acariciou seus cabelos num gesto leve. – Agora durma, descanse em paz e sonhe comigo!

Afrodite suspirou longamente. Não tinha como se irritar com ele, por mais que quisesse.

– Dormirei sim, mas juro que à noite você não me escapa! – Sorriu com suavidade, lutando contra a vontade de amarrá-lo à cama e fazer com que ficasse a manhã toda consigo. Estava decidido a ensiná-lo a sempre terminar algo que devia ter começado. Por fim, beijou-lhe avidamente, tentando assim, enfatizar tais palavras – Vai pagar caro por ter me acordado!

"Já estou pagando e muito caro por todos os meus pecados...", pensou o italiano ao separar-se dele. – Você pode fazer o que quiser comigo! – declarou e, por um segundo, arrependeu-se. Não queria ter que passar pelo mesmo drama do chinês, mas, se comentasse algo, seria pior. – Agora estou atrasado. Ciao, Dite! Durma muito bem e descanse por nós... Alguém precisa estar inteiro. – ainda conseguiu declarar com um sorriso pervertido e saiu do quarto, encostando a porta.

O homem de longuíssimos cabelos azuis claros e olhos de tom azul-piscina sorriu, jogando-lhe um beijo. Uma promessa era sempre uma promessa e a sua imaginação já estava a fervilhar. Quase sentiu pena de seu amado. Entretanto, agora era hora de descansar! Tentaria estar o melhor possível para agir à noite e colocar em prática todos os seus planos.

Máscara da Morte dirigiu-se à sala e estranhou a ausência de Dohko no ambiente. Chamou-o com a voz baixa, procurou-o por todos os cantos, inclusive embaixo do sofá, mas não haviam rastros! Um leve tilintar chamou a sua atenção. Vinha de fora... o chinês havia saído e procurado um esconderijo.

Ao sentir que Máscara da Morte estava se aproximando cada vez mais da saída de Peixes, o tigre saiu de sua "toca" e chamou a atenção de seu aliado com um leve aceno.

Máscara da Morte percebeu o aceno que lhe fora dirigido e logo estava ao lado do chinês. A neve ainda cobria boa parte do cenário e, decididamente, não entendia como o outro agüentara permanecer ali por todo aquele tempo. Ofereceu sua mão para que o amigo pudesse levantar-se e comentou, num tom informal:

– Consegui trazer um rolo de esparadrapo para evitar que o tilintar das correntes continue chamando a atenção das pessoas.

– Obrigado! – Agradeceu gentilmente, oferecendo-lhe um sorriso – Pelo menos ninguém mais vai poder pensar que é um daqueles fantasmas arrastando correntes para assustá-las.

– Você não perde seu bom-humor! – comentou, entre sorrisos, levantando a roupa dele e enrolando a corrente com o esparadrapo para depois prendê-la à pele. "Em geral, dizem que só existem dois esparadrapos: o que não gruda e o que não sai. Eu não tive nenhum problema para grudar. Espero também não ter na hora de retirar.", o italiano pensou consigo e logo estava ajeitando as roupas do amigo para melhor esconder as correntes. – Prontinho! Agora ninguém vai ouvir um único ruído. – declarou, animado.

– Então, continuemos... – respondeu um pouco mais animado. Sem as correntes e com a coleira escondida, tinha ainda mais esperanças de que ninguém iria perceber seu pecado! Continuaram o caminho. Haviam passado por Peixes sem problemas. Entretanto, o próximo guardião era Camus e desta vez não poderiam contar com a sorte! O francês certamente estava de pé e em alerta. – Espero, sinceramente, que Camus não perceba nada.

– Camus sempre foi o mais discreto de todos nós... Um verdadeiro lord! – comentou, confiante.

O ex-colecionador de cabeças tomou a dianteira, continuou conversando amenidades para distrair seu colega e, quando deram por si, já estava perante a Décima Primeira casa, a casa de Aquário. Seu dono estava na porta, de braços cruzados e com o olhar altivo que sempre demonstrava. Máscara da Morte travou. Sua jornada parecia ter acabado antes mesmo de iniciar.

Como sempre, Camus havia acordado cedo. Também sentira a alteração de cosmo na 13ª casa, mas diferentemente do canceriano, ele era centrado e acreditava na capacidade de cada cavaleiro resolver seus próprios problemas. Não gostava de interferir na vida alheia, mas também não queria ter a sua privacidade invadida e por isso foi à porta dos fundos receber seus visitantes.

– Bonjour. – cumprimentou num tom impassível.

– Bom dia! – Dohko respondeu prontamente com o maior sorriso forçado que já dera em sua vida. Quem conseguia ter um "bom dia" naquelas circunstâncias? Não ele! Até tentara ser agradável, mas... Não tinha como! O dia não lhe era muito favorável.

Camus sabia que hoje seria o dia de Máscara da Morte assumir seus compromissos na arena, sabia que Dohko havia se prontificado a fazer uma pesquisa em alguns documentos antigos e que nenhum dos dois deveriam estar ali. Também já havia observado a escura tira de couro no pescoço do cavaleiro de Libra, mas não iria perguntar o motivo. Não era de seu feitio, muito embora a curiosidade o consumisse internamente.

Poderia deixá-los ali, poderia cobrar-lhes as responsabilidades e poderia inquirir sobre a brincadeira de mal-gosto do mestre ancião. Era o dono da casa e, no momento, o promotor e o juiz que decidiria a sentença. Ou seja, estava com a faca e o queijo nas mãos já que nenhum de seus adversários possuía um advogado de defesa em seu favor.

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Continua...

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Nota da Nana: Hoje eu tenho uma, ou melhor, duas péssimas notícias para vocês. A primeira é que a Rovena viajou e está temporariamente com muita dificuldade para entrar na internet. A segunda é que ando doente. Estou com suspeitas de gastrite, mas só vou ao médico na véspera do meu aniversário (segunda-feira, dia 5/2). Com isso, não há previsão para que o capítulo 3 seja postado, já que nós não havíamos nem começado a defini-lo.

Em compensação... terei o maior prazer em mostrar uma cena que depois de ter sido desenvolvida, acabou sendo excluída. O motivo? Coloquei no final para não estragar a surpresa. XD


Cena Excluída

Máscara da Morte percebeu o aceno que lhe fora dirigido e assustou-se. De todos os locais que Dohko poderia ter escolhido, parara justamente ali? Bateu a mão contra a testa, revirou os olhos e tomou muito cuidado em seu caminho. Dohko realmente havia acordado com o pé esquerdo!

– Dohko... Você não deveria ter vindo para cá! – comentou, um pouco temeroso.

As feições de Máscara da Morte não exibiam seu melhor aspecto. O que seria agora? Será que Afrodite acordara e estava vindo em sua direção?

– Por quê? – perguntou-lhe um pouco apreensivo.

De súbito, Dohko sentiu uma coceira no pescoço. O que estava havendo? Não conseguia parar... Talvez fosse pelo nervosismo. Tinha que ser isso! Sem pestanejar, começou a ferir a própria pele com suas unhas no intuito de obter algum alívio. Sentia como se tivesse levado picadas de pulgas por toda a região.

– Você está atrás de uma moita de urtiga, mas creio que acaba de perceber... – o cavaleiro de Câncer comentou, sem realmente saber o que fazer.

– AH! DROGA! – o chinês saiu dali desastrosamente, tropeçando em um dos galhos e caindo de cara no chão. – Era "tudo" o que eu precisava agora!

O cavaleiro de Libra continuou coçando-se incessantemente. Agora estava explicado o motivo daquela sensação ruim que o acometera! Não podia ser! O pior era que, conforme sua mão tinha contato com a pele "contaminada", sentia que a substância urticante também passava para esta parte de seu corpo, fazendo com que sentisse também o incômodo nestas.

– Eu trouxe esparadrapo... Pensei em grudar as correntes às suas costas para que o tilintar parasse de chamar a atenção de longe. Afinal, foi assim que eu o achei e... Dohko, o que posso fazer para ajudá-lo? – perguntou, por fim, ao ver o outro fazendo as mais ousadas poses de contorcionista.

– Ajude a coçar! – Dohko pediu, desesperado. Como podia algo como aquilo incomodar tanto? Como uma simples plantinha podia fazer tanto estrago? Não demoraria para que a pele se rasgasse com os constantes arranhões que fazia. Por causa da coleira e das correntes, estava muito difícil de coçar a parte de trás das costas, bem perto da nuca. – Ou ao menos me diga uma solução para parar essa droga de coceira!

– Eu não sei! – confessou o canceriano, coçando o queixo num típico movimento de alguém que está pensando – Talvez um bom banho... Talvez... Ah! Lembrei de uma planta que tenho em minha casa. É o ingrediente principal para o antídoto! – comentou, animado. – Eu sei que vai ser difícil, mas agora precisaremos descer o quanto antes. E você, se continuar assim, só vai piorar as coisas... vou proteger suas unhas também.

Máscara da Morte pegou o rolo de esparadrapo em seu bolso, tomou uma das mãos de seu companheiro de batalha e logo começou a envolver os dedos do amigo. Lembrou-se que passariam por Aquário, que talvez Camus pudesse ajudar de alguma forma. Não falou nada! Ainda tinha que enrolar as correntes para evitar que estas continuassem chamando a atenção de outras pessoas e, se alertasse Dohko a respeito do francês, este poderia ficar ainda pior.


Motivo da exclusão: Após escrever essa última cena, eu (Nana) me toquei de que eles estavam em pleno inverno europeu, o que significa que estava nevando e, que muito provavelmente, a urtiga não sobreviva à neve. Outro detalhe... Não sei se com vocês também aconteceu, mas conforme fomos lendo (e escrevendo) essa cena, tanto eu como a Rovena acabamos tendo uma crise de coceira. Espero que vocês tenham gostado!