Lily:Um rápido bate papo sobre Rammstein n.n — Eu conheci a banda por acaso, enquanto baixava musicas do game Resident Evil, quando acabei pegando uma chamada "Haleluia" que definitivamente não era dos jogos. A música, descobri depois, fazia parte da trilha sonora do filme do jogo, onde o riff da guitarra anunciava o ataque dos zumbis... O que importa mesmo é que foi amor à primeira vista. O som era maravilhoso, o vocal perfeito e as musicas lindas...
Tala: U.U Esqueceu de mencionar que as letras da maioria das músicas falam de estupros, abusos, pedofilia entre outras perversões...
Lily:n.n Também tem músicas sobre suicídio, mas isso não vem ao caso... Antes de começar o capítulo gostaria de pedir desculpas a Dana Norram, minha beta, por não ter colocado os créditos por ela ter revisado a fic e muito obrigada por ter ficado uma hora comigo no MSN me ensinando a postar o capítulo. Obrigada e desculpe n.n
Bryan: ¬.¬ minha diabete...
Lily:Humf... Beyblade e os trechos das músicas no início dos capítulos não me pertencem e caso fossem... tenham certeza de que eu faria bom uso ...IT'S SHOW TIME!
Bestiário By Lily Carroll
Bestiario: Gênero literário medieval, que consistia no estudo, descriçãoe filosofia dos animais míticos que habitavam o mundo e o imaginário popular
Eles me dizem
abra essa porta
a curiosidade se torna um grito
o que pode estar ali
atrás dessa porta?
Klavier ( Rammstein)
Capitulo 2: Serpente
"A serpente é a mais sutil das bestas do campo."
Tomo emprestadas as palavras de Jonh Milton para iniciar, agora, o estudo de outro habitante do meu sinistro bestiário.
Serpente.
Aquela que rasteja no campo sem diferenciar o bem e o mau.
Mortal e silenciosamente habita as campinas convidativas onde brincam as crianças e os desertos escaldantes onde corre o camelo.
Adaptando-se as adversidades ao seu redor.
Nenhuma outra criatura, também, tem tanta presença na literatura quanto esse peçonhento reptil.
Rastejando desde a queda do homem na gênesis da bíblia, onde enganou a submissa Eva, a serpente que marcou os hieróglifos egípcios como um Deus mau ou como instrumento da poderosa Ísis.
Símbolos de deuses gregos nas epopéias .
Nas aventuras do inocente pequeno príncipe viajante de mundo, sua inofensiva aparência despertava as dúvidas da doce criança. De maneira polida alegava poder resolver todos os enigmas do príncipe.
O quão mortal são esses seres traiçoeiros? Em sua aparente fragilidade encontra-se a morte disfarçada em lábia.
Pequeno e frágil, assim vemos Ian Semenov.
Após o incidente de Black Dranzer, todos nossos planos foram alterados.
Kai se fora, e parte de nossos avanços agora jaziam sobre pedras e entulhos.
Um novo time precisava ser formado, aguardando o retorno da Phoenix e a retomada de nossas experiências.
Novos recrutas foram convocados para uma nova geração de lutadores.
E entre os muitos candidatos ele era o mais improvável.
Tento ingressado a pouco mais de um ano na abadia e competindo contra internos muito mais velhos e experientes, a pequena criança de olhos vermelhos conquistou vitorias subjugando todos que menosprezassem suas técnicas e força.
Seu potencial era admirável e invejado por muitos.
Resolvi, então recompensar aquele pequeno assombro com um presente inesperado. Seu peito se encheu de orgulho quando eu lhe entreguei a medalha de sua ferabit, a temível serpente Wilborg. A própria medalha reluzia agora na beyblade de seu novo mestre.
Desde as primeiras disputas, juntos na cuia, eles já demonstravam sua força e a incapacidade sentir piedade pelo adversário.
Feitos um para o outro, eu ousaria dizer.Vencendo cada obstáculo, Ian trilhou o caminho até se tornar o mais jovem membro da equipe principal dos projetos da Biovolt, os Demolitions Boys. Ele foi acolhido pelos demais sócios e sorri ao perceber que meu zoológico ganhara um membro tão forte...
Nada abatia sua obstinação, nada parecia afetá-lo.
Mas isso, na verdade, não me surpreende.
Afinal Ian é, acima de tudo, um sobrevivente.
Eu nunca esperei menos dele, desde que ele fora entregue a mim.
A recente história russa produziu inúmeros órfãos. Pilhas de cadáveres apodreciam enquanto seus filhos choravam aos seus pés.
E Ian foi um desses órfãos.
Nos últimos dez anos, a Rússia assistiu a queda de um regime, um sonho, e o início de uma nova vida a qual não estávamos preparados e no meio de tantas mudanças houve o estouro de inúmeros movimentos separatistas.
Com o fim da União Soviética todo o império entrou em colapso e todas as pequenas repúblicas que formavam o grande bloco socialista quiseram sua independência e que o mundo as reconhecessem como nações.
Óbvio que a mãe Rússia não iria perder seus domínios tão facilmente.
As guerras separatistas se arrastavam alimentando os vermes com os corpos de soldados russos, guerrilheiros, e é claro, de civis inocentes em meio ao fogo cruzado.
E foi numa tarde de verão, quando as nuvens pesadas tomavam o céu, que uma visita inesperada veio até meu escritório com um pedido interessante e uma história peculiar.
Não pude precisar sua idade a primeira vista, talvez trinta e cinco ou quarenta anos, um olhar inquisidor e claro, mas sem nenhum atrativo especial o que fazia de Alexander Malofeyev um tipo perfeitamente normal que não chamaria a atenção numa estação de metrô.
Indo direto ao ponto, ele fez o seu pedido. Queria que eu aceitasse em minha instituição uma criança que estava sobre seus cuidados. Encarei o garoto ao seu lado com seu rosto pequeno, observando a nossa conversa silenciosamente. Seus olhos corriam de mim para Alexander que tentava sempre sorrir, passando uma falsa sensação de conforto enquanto narrava o primeiro encontro com Ian Semenov.
Alexander era um oficial de comunicações do exército russo e há alguns meses fora enviado em uma missão numa aldeia afastada do sul, onde suas fontes diziam ser um dos esconderijos de um dos mais crescentes facções rebeldes.
As informações estavam corretas e ainda mais alarmantes, uma vez que os guerrilheiros haviam tomado os habitantes de uma vila como reféns.
Junto com grupo armado, Alexander recebeu ordens de invadir e retomar a vila, e libertar as vítimas.
Os guerrilheiros estavam por toda o lugar, mas o fator surpresa favoreceu o grupo de Malofeyev. Foi uma operação rápida e com poucas baixas.
Mas algo não estava certo para ele. Onde estavam os moradores da vila? Onde estavam as mulheres e idosos ou mesmo os outros homens?
Todas as pequenas casas eram revistadas inutilmente e uma sensação de desconforto tomou a todos quando se aproximaram do único casebre restante.
O cheiro do lugar era repugnante e moscas zumbiam, grandes e irritantes.
O horror tomou os presentes ao permitir que a luz iluminasse o lugar.
Espalhados pelo único cômodo do casebre, estavam os corpos dos moradores da vila. Mulheres, idosos, crianças e homens. Era impossível dizer a quantos dias estavam ali. Sangue escuro e pegajoso manchava o assoalho velho e as paredes.
Um choro abafado e debilitado.
Num canto, Alexander viu, a figura agachada de uma criança agarrada ao corpo do que parecia ser uma mulher, fraco demais para se mexer.
Um sentimento frio congelou o sangue dos oficiais. Toda a família e vizinhos do pequeno tinham sido mortos dias antes, e seus algozes o trancaram para morrer junto a eles.
Seguiram-se dias de medicação e assistência e Alexander sempre estava próximo a pequena criança e conseguiu saber o nome. Ian.
Tentava consolá-lo e acalentá-lo, mas havia algo que ele não podia fazer. Todas as noites ou mesmo durante o dia, no mais leve dos sonos, pesadelos aterrorizavam o garoto que gritava e chorava implorando para não ser deixado sozinho.
O tempo passou e Ian pode sair do hospital, mas Alexander se perguntava o que seria da mente do silencioso garoto e dos pesadelos que o atormentavam.
E as dúvidas sobre o destino dele também pesavam. Ele não tinha mais família e ninguém havia solicitado sua guarda.
Malofeyev pediu um afastamento temporário do exército e tentava resolver o que fazer com seu jovem amigo.
Nas pequenas conversas que tinham, uma vez que uma amizade havia surgido entre eles, Ian mencionava o amor pelo beyblade e de que sua mãe dizia que ele poderia ser um campeão se ele não desistisse nunca. Ele havia prometido que nunca iria desistir.
Os meses passaram e logo Alexander teria que retomar seu trabalho, mas ele não queria abandonar Ian numa instituição qualquer, abarrotada de crianças de olhar quebrado e futuro incerto.
Ele se dirigiu até mim para que eu pudesse aceitar a criança uma vez que a fama de escola para lutadores de beyblade era muito conhecida.
Eu não tinha motivos para recusar a vinda de Ian, e Alexander sorriu feliz se voltando para o garoto ao seu lado dizendo que ele poderia alcançar seus sonhos agora.
O garoto soluçou, lágrimas mornas escorriam pelo seu rosto. Ele não entendia o que estava acontecendo, porque eles tinham que se separar, mas as palavras do adulto sempre se repetiam. Você vai conquistar seus sonhos aqui, ele dizia, vai ser um campeão como sua mãe queria. Esse lugar vai te fazer forte.
Ele se despediu e entregou para Ian um pequeno embrulho. Disse que aquilo era uma pequena lembrança que lhe traria sorte. Ele se levantou me cumprimentou, prometendo visitá-lo sempre que estivesse em Moscou e após um último abraço no garoto, partiu.
Alexander nunca retornou.
Baleado numa emboscada, morreu três meses após deixar Ian aos meus cuidados.
A guerra o deixara só mais uma vez, e nas tristezas e pesadelos que lhe tomavam era no pequeno presente de Alexander que ele encontrava apoio. Ele havia dado óculos de proteção do exército e logo Ian começou a usá-lo, como um amuleto durante todo o tempo.
O falecido oficial havia mencionado os pesadelos. E eles iam e vinham, noite após noite, atormentado o garoto como logo viemos a constatar. Ele nunca menciona o conteúdo dos sonhos. Se deixando consumir pelos enigmas que sua própria mente lhe criava.
Diferentes profissionais da abadia especulam sobre o conteúdo de seus sonhos. Memórias dos dias em que se viu cercado pelos familiares mortos ou qualquer outro trauma sofrido antes da chegada do exército. Alguns se indagam se a rotina da abadia não lhe deu novos demônios para torturá-lo.
Independente disso ele prossegue, lutando preso a promessas feita aos mortos, vivendo cada dia independente do futuro e dos pesadelos que sua alma possa encobrir.
Ele permanece silencioso e mortal. Seus olhos e sua mente são um permanente enigma para mim.
Mas quem melhor que uma serpente para resolver os próprios enigmas?
Continua.
Lily:Creio que esse capítulo me deu um pouco de dor de cabeça, por ter tido dificuldades com as datas de confrontos armados entre os russos e os Tchetchênios...
Ian: (Com um tom de voz cheio de sarcasmo) Ficamos felizes em te ajudar ¬.¬
Lily:(Ignorando o comentário do Ian) Muito obrigada a todos que comentaram a fic. Dana Norram, Kaoro, Dih Doug, Littledark, Ninfa Camaleão, Xia-thebladegirl e Shaka Dirk. Realmente muito obrigada pelos comentários, pelo apoio, declarações de ódio e pedidos de continuação n.n
Tala: Sádicos ¬¬
Lily:Alexander Malofeyev é outro defunto que me pertence, logo não o use sem minha autorização, ou eu ficarei zangada com você e o mutilarei com uma serra-elétrica. Deixem uma review, você me fará uma zumbi feliz e ganhará pontos com o coelho da páscoa! Garanta seus ovos do ano que vem!
