Lily: Juro que nunca imaginei que iria deixar essa fic em hiatus por tanto tempo, mas foram vários os motivos que acabaram me afastando dela...

Tala: Como preguiça e vício em episódios e fanfics de Supernatural...

Lily: Eu não disse que os motivos eram nobres! E fale a verdade Tala: você e os outros Demolitions Boys estavam contentes pelos atrasos da fic!

Bryan: Por que ficaríamos chateados com a sua fic? Só porque você descreve passados e traumas sombrios e futuros incertos num mundo cruel para todos nós? #sorriso sarcástico#

Lily: Está reclamando do quê? Ao menos não tem Mary Sues e nem M-preg nas minhas fics!

Spencer: Em vez disso tempos estupros, mortes e assassinatos...

Ian: Fico imaginando uma Mary Sue da Lily...

(#Todos têm um calafrio ao imaginar#)

Lily: Vou deixar essa passar, mas depois acertamos as contas... A todos, perdoem a demora, agradeço quem tenha esperado e por todas as reviews encorajadoras e maravilhosas que recebi. Agradeço muito a Dana Norram, minha amiga e beta, por todas as vezes que cobrou por esta fic todo esse tempo. Sem mais demora... IT'S SHOW TIME!


Bestiário

By Lily Carroll


Bestiário: Gênero literário medieval que consistia no estudo, descrição e filosofia dos animais míticos que habitavam o mundo e o imaginário popular.

"Um grito ascenderá aos céus
Ele passará cortante entre rebanhos de anjos
Penas — carne cairão gritantes
Do topo das nuvens na minha infância."

(Mein Teile, Rammstein)


Capítulo 3: Falcão

Chegou a hora de apresentar aquele que certamente é um dos mais surpreendentes espécimes deste peculiar estudo. Com seu coração árido e seu sorriso desumano.

Bryan Kuznetsov, o mestre da Fera-Bit Falborg.

Uma complicada e desconexa união fragmentada de pensamentos e filosofias ditadas por gênios esquizofrênicos de corações endurecidos pela solidão e incompreensão é o que forma o caráter deste jovem, cuja personalidade é uma verdadeira colcha de retalhos de personagens vomitados dos contos de punições e crimes.

Esta é ave majestosa e austera de nosso zoológico, representada pela criança portadora do sorriso mau e zombeteiro sempre presente em seus lábios.

O falcão é um símbolo de orgulho de nossa terra natal, representando a antiga monarquia russa. Das areias do Egito, nas distantes pirâmides, os mais antigos hieróglifos mostram que já existiam adoradores deste belo animal nos mais remotos tempos. E mesmo nos dias atuais muitas vilas o respeitam por sua inteligência e altivez. Um caçador implacável que cruza os céus das planícies e pântanos, matando, se alimentando da carne dos inocentes.

Superior. Mortal. Indescritivelmente belo

Por tudo isso Falborg era uma das Feras-Bit mais disputadas entre os internos da abadia e candidatos a jogadores de beyblade russos, tanto pelo seu poder patriótico quanto pelo seu status entre os demais competidores.

Muitos foram os voluntários na disputa pela medalha ornada com a cruel ave. Todos garotos com grandes aptidões e capacidade. E para o total desgosto deles foi Bryan, justamente o ratinho de laboratório, quem domou e recebeu a alcunha de falcoeiro de nossa equipe. Para eles, era inconcebível a idéia de que um rato tivesse domado o falcão.

Mas é um erro afirmar que Bryan tenha dominado a orgulhosa Falborg. Poucos reconhecem o que realmente houve, que foi o fato de ambos terem enxergado além das barreiras e estilhaços de suas mentes, reconhecendo assim a verdade de cada um.

Ambos são instrumentos. Usados para caçar e destruir.

E isso os faz irmãos.

Existe muito que se discutir sobre Bryan, um dos mais peculiares projetos da Biovolt.

Mas todas as informações estão unidas por sangue e loucura. E estas informações meticulosamente arquivadas se deparam com grandes vácuos na rede de registros sobre o jovem. Estudá-lo é como juntar as peças de um quebra-cabeça cujo desenho representa uma sombra dos pesadelos de criança. É um intricado jogo de personagens e histórias dignos de Dostoiévsky e seus devaneios de desespero, insanidade e miséria.

Desculpem se esse relato possa parecer truncado, mas creio que isso se deve a um certo embaraço de minha parte. Embaraço esse motivado pela incapacidade de definir o que faz Bryan ser o que ele é hoje, o quanto é resultado dos meus esforços ou o que faz parte de sua natureza básica e real. Pois, desde o meu primeiro contato com esse jovem de pele pálida, um fio de loucura já marcava sua presença. Algo que se escondia em seu sorriso e seus olhos. Alguma coisa cruel e estranha que rastejava oculta sob sua forma infantil.

Seus olhos verdes e frios não cediam resposta alguma, restando somente informações que apenas geravam mais e mais dúvidas.

De sua família os registros guardam apenas os nomes dos pais, Igor e Nina Kuznetsov, anexados às respectivas datas de nascimento e morte. Assim sabe-se que Nina faleceu dois anos antes de Igor, mas as causas de ambas as mortes são desconhecidas

Sabe-se também que sua família era mais uma entre as centenas de outras a se arrastar na miséria e na fome que marcaram os anos finais da União Soviética. Anônimos que enfrentavam filas absurdas na busca por promessas vagas de emprego e comida. Que morriam sem cuidados médicos. Pessoas que se entregavam aos vícios, as bebidas e ao submundo. Duas pessoas cuja única marca no mundo eram seus nomes nos arquivos daquela criança que após o falecimento do pai foi remanejado de um orfanato a outro.

Após o incidente da Black Dranzer passamos para outras experiências e estudos, uma vez que a retomada deste projeto era algo distante e nebuloso. Assim como o destino do jovem Kai Hiwatari. O carro-chefe desta nova safra de estudos era o projeto Cyber, chefiado por mim e cujas expectativas giravam em torno de Tala Yuri Ivanov. Porém, tal projeto sofria, na época em que Bryan chegou, uma pequena crise.

Tala não estava reagindo satisfatoriamente às novas drogas e modificações psicológicas. Sua saúde e desempenho foram drasticamente afetados. Minha frustração só era superada pela impaciência de Voltarie por resultados. Por novos avanços. Mas, entre os infortúnios de alguns. se esgueiram as aves carniceiras e esperançosas de outros.

Viktor Olenova ingressara na Biovolt logo após o fim da União Soviética e era um profissional racional e frio, dono de um currículo admirável, cujas múltiplas qualificações o levariam a chefiar qualquer hospital que fosse de seu agrado. Mas, a ausência de um controle do governo sobre a nossa instituição dava-lhe a liberdade que ele realmente desejava.

Como já mencionei, o projeto Cyber passava por um período difícil e alguns especulavam se Tala resistiria a cada novo teste ou toxina que lhe eram aplicadas.

Aproveitando-se da situação, Viktor apresentou seus projetos a Voltarie que, devido ao baixo custo dos mesmos e aos constantes atrasos no projeto Cyber, deu seu aval. Viktor iniciou as pesquisas imediatamente. Seu sorriso de satisfação e vitória foi como um trago amargo para mim.

Tecnicamente, o objetivo de ambos os projetos era semelhante: a substituição de emoções por um comportamento programado. Pré-definido. Mas Viktor almejava também a suspensão de qualquer livre arbítrio e sentimento, preenchendo o vazio emocional apenas com ódio centralizado, controlado e voltado para a beyluta.

Para isso os processos e métodos utilizados por Viktor no desenvolvimento de suas pesquisas, visando a completa modificação da psiquê de suas cobaias, eram segredos tão bem guardados que eu posso apenas especular. Mesmo na posição de diretor da abadia eu não tinha acesso aos seus arquivos e progressos.

Meticuloso, Viktor visitava pessoalmente os orfanatos buscando crianças que satisfizessem os requisitos necessários para o projeto. E foi numa instituição na luminosa São Petersburgo que ele encontrou o jovem Kuznetsov.

Foi uma escolha incomum, na opinião de muitos, uma vez que Bryan não demonstrava nenhuma habilidade incomum na cuia de beyblade e seu porte franzino não o fazia uma presença intimidadora como Spencer, por exemplo.

Aqui na abadia, a princípio, Bryan não era um interno popular entre a maioria das outras crianças. Graças a seu comportamento imprevisível, freqüentemente ele precisava ser afastado do convívio público. E em silêncio, com aquele pequeno sorriso, limitava-se a observar as pessoas ao seu redor.

E sobreviver.

Dos inúmeros 'voluntários' de Viktor, com o passar dos tempos, Bryan foi o único que restou. A cada nova cirurgia, droga ou teste Bryan enfrentava o desafio e vencia enquanto outros fracassavam ou enlouqueciam. Chegava a permanecer mais tempo nos laboratórios que o próprio Tala, daí o apelido maldoso de 'rato de laboratório' que os outros garotos lhe deram. Não que Bryan se importasse com isso de verdade.

Obviamente sua perícia na beyblade aumentava, chegando a rivalizar com Ivanov em técnica e ataque. Seus movimentos passaram a ser calculados e mortais. Nunca desperdiçava uma oportunidade para ferir e destruir oponentes. Nunca vacilava. Não desistia. Mas algo mais, além de suas habilidade, evoluía. Algo errado e incomum.

Era como se aquela sombra que sempre fizera parte de seus olhos e sorrisos o estivesse envolvendo, crescendo em sua alma. Entendam. Aquela 'escuridão' sempre esteve ali, mas era como se estivesse se fortalecendo aos poucos.

Deixe-me então explicar uma teoria.

Frederic Nietzsche pregava que o ser humano tornava-se 'bom', ou seja, teria bons sentimentos, atos benevolentes e afáveis ao próximo porque em sua essência, nascia com essa predisposição de ser 'bom'. Obviamente isso implicaria que pessoas cujas mentes criavam somente pensamentos e atos cruéis para com o próximo, já nasceram assim com a sina de se tornarem 'mau'.

Logo, Bryan não teria, com ou sem o meu auxílio, se convertido irremediavelmente nessa a criança cruel e sádica que não hesita em ferir seu oponente nas batalhas?

Dúvidas no poço do silêncio.

Viktor não se debatia com teorias filosóficas ou qualquer outra questão que não fosse seu sucesso no projeto de Kuznetsov. Sem sombra de dúvidas que sua pesquisa obtivera resultados. Bryan era um protótipo perfeito, um promissor membro para os Demolition Boys e também para possuir a sua própria Fera-bit.

Mas a ambição e o gosto do sucesso é uma combinação por demais tentadora. Logo nosso bom doutor desejava mais. Mais verba, mais espaço, mais liberdade em seus estudos. Ele desejava acima de tudo meu posto de diretor da Abadia e das pesquisas gerais da Biovolt.

Tala estava se recuperando aos poucos e o projeto Cyber, apesar de obter resultados, estava claramente se desenvolvendo num ritmo mais lento que os estudos de meu rival. Assim, estava armada uma dessas situações onde todo movimento devia ser calculado e cujas apostas eram altas demais. Eu ainda possuía diversas vantagens e a lealdade de muitos na companhia, mas quanto tempo isso iria durar? Quanto tempo levaria para tudo pelo o qual eu lutei ser tirado de mim?

Eu não podia arriscar o trabalho de minha vida e dedicação escaparem assim. Tomei minha decisão pelo futuro da Abadia e dos meus planos.

E Viktor desapareceu.

Um pequeno inquérito, buscas e investigações. Todas as informações, porém, levando a caminhos sem saídas e mais perguntas sem respostas. Simples e limpo.

Logo Viktor Olenova tornou-se apenas mais uma sombra da abadia. Um nome entre duas datas friamente datilografadas nos registros de Bryan Kuznetsov.

Mas o velho bastardo tinha seus truques. Mesmo após sua morte nenhum dos arquivos, nenhum dado de suas pesquisas foi encontrado. Vasculhei cada computador, cada arquivo em busca de respostas.

E encontrei apenas o vazio. A única mostra do resultado de seus esforços eram o sorriso e a presença de Bryan.

Logo ele foi remanejado e incluído nos planos da futura equipe da Biovolt.

Bryan nunca demonstrou qualquer interesse no paradeiro de seu protetor. Nem mesmo sua transferência para minha equipe causou qualquer manifestação de contentamento ou desagrado.

Ele apenas ri.

Sem orgulho ou coragem. Uma total ausência de medo ou honra.

Hoje é somente a figura pálida que, indiferente, segue as ordens de seu capitão de time, lutando e destruindo tudo em seu caminho. Um fantasma sorridente vagando entre os outros jovens, sem nada a possuir, sem nada a desejar. Apenas seguindo.

Sorrindo.

Creio que essa é toda a resposta que Bryan dará as pessoas ao seu redor. E foi um dos motivos que ironicamente me levaram a testá-lo para possuir Falborg.

Pois no seu riso está seu total desapego à vida e ao mundo. Um riso amargo e irônico de alguém que não tem mais nada a perder.

O filósofo grego Demócrito pregava que quando o homem caia no seu mais profundo desespero só lhe restava o riso. Rir, quando todas as lágrimas já se esgotaram. O riso de Demócrito.

Brincando com essas idéias e conceitos, o pintor napolitano Salvatore Rose em seu soturno quadro Demócrito Meditando apresentou uma visão taciturna, melancólica e depressiva do filósofo pré-socrático.

Na pintura, cravado num ambiente opressor, cercado por crânios de animais, uma urna funerária e o busto de alguma heróica figura de um passado esquecido, apoiado num esquife encontra-se a figura de um Demócrito desolado, em luto. Seu rosto é uma confusão de sentimentos onde as lágrimas estão prestes a cair.

E junto a seus pés encontra-se morto um falcão.

Eu especulo: se foi preciso a morte da orgulhosa ave para devolver as lágrimas ao homem que afirmava não restar mais nada do que o riso do desespero, o que será necessário para envolver novamente o jovem Bryan Kuznetsov em seus verdadeiros sentimentos?

Continua...


Bate papo sobre Rammstein parte dois!

(Porque eu sou uma fangirl feliz XD)

A banda foi formada por volta de 1995 e o estranho nome, Rammstein, é referência ao acidente onde três jatos da força aérea italiana se chocaram em pleno ar durante um show na base americana de Rammstein.

O estilo da banda é classificado como "industrial alemão" caracterizado por um som pesado, muito uso de samplers e um visual carregado. Os shows sempre são apresentações únicas; com interpretações e cenários, roupas, pirofagia e outros elementos que já tornaram suas apresentações polêmicas, como por exemplo o 'estupro' que um dos membros da banda é vítima durante a performance da canção Bück Dich.

Os integrantes da banda são Till Lindemann (vocais), Richard Z. Kruspe (guitarra),Paul Landers (guitarra), Oliver Riedel (baixo), Christian "Flake" Lorenz (teclado) e Christoph Doom Schneider (bateria).

Bryan: O que pode ser pior que uma fã?

Lily: Uma fã escritora de fanfics oras! Já foi dito antes, mas não custa lembrar, Beyblade e seus personagens não me pertencem, mas o sádico Viktor Oleonova sim, por isso nada de usá-lo sem minha permissão, certo?

Gostou? A espera valeu a pena? Deixe uma review para eu saber o que vocês acharam desse capítulo!