Disclaimer: Gundam Wing não me pertence, assim como seus personagens.
Casal: 1x2
Gênero: Yaoi, Angst, Romance.
Obrigado a Blanxe por fazer a revisão desse capitulo. \o/
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Porta Aberta
- Parte 1 -
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Duo atravessava correndo desesperadamente o corredor da escola primaria de LinKin Park, afim de chegar a tempo de dar sua primeira aula. O que seria uma tarefa meio difícil – isso para não dizer impossível - já que ele acordara uma hora depois do despertador tocar insistentemente e ser desligado violentamente. Finalmente, depois de uma volta olímpica pelo pátio do colégio, de dar inveja a qualquer queniano na corrida de São Silvestre, Duo chega ofegante a sala, onde a diretora do colégio se encontrava tentado acalmar a euforia das crianças, enquanto seu irresponsável professor não chegava.
- Bom dia crianças! O tio Duo chegou!!! - Duo dá uma risadinha desconfiada para a diretora, tentando ignorar o olhar mortal que ela lança.
- Bom dia, tio Duo!! - as crianças respondem em coro.
- Bom dia Maxwell. Você já não deveria estar aqui a meia-hora atrás? - pergunta a diretora, olhando seu relógio de pulso e constatando o atraso de Duo. - Pois bem, qual a sua desculpa de hoje?
- Ah, só meia-hora senhora Spinelli !! Ainda nem bati meu recorde. - Duo tenta disfarçar, se lembrando do porque acordou tarde aquela manhã. O motivo era que, na noite anterior, ele ficou até tarde conversando com o retrato de Heero e sonhando com o mesmo. - Bom crianças, quem está afim de desenhar?
A diretora dá um longo suspiro conformado com o atraso de seu funcionário. Ela já se acostumara aos atrasos quase freqüentes e desistira da idéia de despedir Duo, afinal, ele era o único que tinha jeito com aquela turma de "diabinhos". Ela deixou a sala, vendo o quanto dar aulas para crianças era importante para Duo.
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Toc toc- Pode entrar!
- Sr. Yuy, aqui esta o restante do relatório que me pediu! - a secretaria entrara na sala e entregava uma pasta a Heero, que se encontrava sentado a mesa, digitando em um laptop.
- Obrigado Nicole… A propósito, todos os documentos requeridos para o fim da processo de investigação do atentado terrorista a região Norte da Terra, já foram entregue? - Heero recolhe a pasta que a secretaria lhe ofereceu e a observa atentamente.
- Me desculpe senhor, mas este é um caso antigo e a maioria dos documentos ficaram com o Sr. a seis anos atrás. Infelizmente não há cópias de nenhum dos relatório nos arquivos dos Preventers.
- Certo, pode se retirar agora, Nicole.
- Com licença, senhor. - a secretaria deixou o escritório, fechando a porta atrás de si.
"- Droga vou ter que procurá-lo! Esses relatórios ficaram na nossa... hum hum... quero dizer, na casa de Duo. Estive por longos seis anos tentando evitar um encontro direto entre nós, mas agora parece inevitável. Será que ele esta sozinho ou já encontrou alguém... Ah, mas que diabos estou pensando?! É melhor eu ligar para ele logo e resolver tudo isso por telefone, assim não tenho que vê-lo."
Heero discou o numero da casa de Duo e esperou o telefone tocar. Ao terceiro toque a voz receptiva do americano disse "alô", fazendo seu coração disparar.
- Alô? Duo?
"Você ligou para a residência de Duo Maxwell. No momento não posso atendê-lo, pois não estou em casa ou estou com preguiça de ir até o telefone. Deixe seu recado após o bip, que eu retorno assim que for possível." - encerrou a voz animada de Duo na secretaria.
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Logo após o término da guerra, Heero assumiu o cargo de agente secreto dos Preventers, juntamente com os outros quatro pilotos. Duo e ele foram designados para missões na Terra e trabalhavam sempre juntos, isso contribuiu para uma maior aproximação entre os dois. Eles já tinham uma relação afetiva desde a guerra e quando a mesma acabou, puderam finalmente "viver" esse sentimento intenso que os unia; inclusive morar juntos e levar uma vida como a de casados.
Quatre e Trowa também trabalhavam como uma dupla de agentes secretos dos Prevents, porém, Quatre teve que abandonar a profissão para cuidar dos negócios do pai, pois sua irmã Iria já não estava mais conseguindo tocar o patrimônio dos Winner sozinha. A preocupação de Quatre em relação a Trowa trabalhar sozinho fez com que o latino desistisse de missões secretas para ficar mais próximo de seu companheiro e amante, assumindo um cargo administrativo na agencia e, às vezes, trabalhando no circo de sua irmã Catherine.
Wufei, por sua vez, continuou a trabalhar como agente em missões secretas juntamente com Sally, que era sua companheira e esposa. Os dois, após muitas idas e vindas, finalmente se casaram apaixonados um pelo outro. Duo, que foi um dos padrinhos de casamento, e quase acabou com a cerimônia de tanto encher a paciência do chinês.
As missões para Duo e Heero eram progressivamente mais freqüentes e, enquanto Heero se esforçava ao máximo em todas elas, Duo demonstrava cada vez menos interesse, mesmo porque, depois da guerra, ele ingressou em uma faculdade de pedagogia, e só tinha tempo para as aulas. Assim, pouco a pouco, o piloto do Deathscythe foi abandonando as missões. Isso deixava Heero incomodado, pois como ele havia sido treinado para ser um soldado toda sua vida, estava ali nos Preventers e como Duo estava tão entusiasmado com a idéia de dar aulas para crianças, este abandonou por completo as missões deixando o cargo de parceiro de Heero vago.
Como o piloto do Wing tinha "certos" problemas para se relacionar com as pessoas, não conseguiu se adaptar a nenhum novo parceiro, optando por fazer as missões sozinhos, fato que deixava Duo muito preocupado. Ele queria que Heero assumisse um cargo administrativo, assim como Trowa, mas isso seria meio difícil para o soldado perfeito, já que sua vida eram as missões. O relacionamento entre os pilotos 01 e 02 se tornou um pouco conturbado. As dificuldades e as diferenças eram muitas quando decidiram morar juntos. Duo estudava e optou por morar em uma cidade na ilha de Manhattam, próxima a New York, longe de toda a agitação da cidade grande. Já Heero, devido a sua profissão, teria que estar sempre viajando e era preferível que ele residisse em uma capital onde o fluxo de informações era maior e a capacidade de se locomover também.
Os problemas foram só aumentando e a convivência entre ambos se tornando difícil e após Heero assumir um cargo administrativo de suma importância nos Preventers e, ainda trabalhando como agente secreto nas missões mais importantes, teria que se mudar. Duo provavelmente não iria com ele. Foram coisas assim e pequenos deslizes do dia-a-dia, que separaram os dois. Coisas que Heero não percebia devido a sua incapacidade de expressar e compreender seus próprios sentimentos e os de Duo.
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- Keru? Keru?? Cadê você garoto? Duo chegou com a sua comida!!! Aonde será que esse vira-latas se meteu? No mínimo deve estar atrás da cachorra da vizinha da frente. - Duo entra em sua casa com varias sacolas de compras nas mãos a procura de seu cachorrinho. Ele empurra a porta com os pés fechando-a – Ai ai… Enfim em casa!!.
Duo passa pela sala, apertando o botão de recados da secretaria eletrônica e vai para a cozinha guardar suas compras. Enquanto desempacotava, a mensagens iam rodando.
Bip Bip"Duo, aqui é o Quatre. E ai? Como você esta? Já faz tempo que você não aparece aqui em casa. Você ainda esta me devendo aquela visita, hein!... E vê se responde aos meus telefonemas... Bom, eu tenho uma ótima noticia para te dar. Sabe aquele casal de gêmeos que eu e Trowa queríamos adotar? Pois é, a decisão judicial saiu hoje e adivinha, eu consegui a guarda das crianças! Não é o máximo!? Trowa e eu estamos transbordando de alegria! Vamos dar uma festa para comemorar e eu conto com a sua presença. Me liga, tá? Até Logo Duo..."
- Que bom para o Quatre. Eu vou ter afilhados. – risos - O Trowa deve estar pensando como foi que Quatre o convenceu dessa loucura... - Duo comentava consigo mesmo, enquanto guardava uma lata de leite condensado no armário e ouvia o novo bip da secretaria, denunciando que havia mais mensagens.
Bip Bip
"Maxwell, você esta aí, seu preguiçoso? O problema é Sally. Foi você quem deu esses conselhos malucos para ela sobre terapia para casais?! Pela milésima vez, eu não estou estressado e nem com medo de ser pai! Você quer fazer o favor de ficar bem longe da gravidez da minha mulher?! – disse Wufei, já aos berros no telefone. – Querido desliga esse telefone que o Duo não tem culpa de nada — a voz de Sally ecoou ao longe - Tudo bem, mas eu ainda me acerto com você Maxwell, até mais!!"
- Ai meu Deus, o Wufei não muda nunca. Nem quando está prestes a ser papai... Bem que eu queria ser pai também!! - Duo terminava de guardar a última sacola de legumes na geladeira e já colocava panelas no fogo para preparar o jantar.
Bip Bip
"Senhor Maxwell, quantas vezes eu vou ter que dizer para o Sr. manter o seu cachorro pulguento bem longe do meu jardim? Da próxima vez eu mato aquele vira-latas, me entendeu?"
- Essa vizinha chata de novo?! Será que esse velha não cansa de me chatear, não? Ela ta é precisando de um marido. - Duo colocava a comida do cachorro na tigela, enquanto uma criaturinha nada discreta, entrava pela entrada do cachorro e comia esfomeado.
Bip Bip
"Duo."
Essa voz na secretaria eletrônica despertou a atenção imediata de Duo, o fazendo correr para próximo do telefone para ouvir melhor e comprovar que não estava ficando louco.
"Aqui é Heero Yuy. Bem, eu estou ligando pois preciso fechar um caso antigo de terrorismo e todos os relatórios que eu preciso ficaram em nossa... humhum... ficaram em sua casa antes de eu me mudar. Será que você ainda os têm, ou já jogou no lixo? Bom, eu agradeceria se você colaborasse comigo. Estou indo para a cidade e devo chegar aí no mais tardar depois de amanhã. Espero não tomar muito o seu tempo, mas esses relatórios são de suma importância. Eu entro em contato com você depois... Obrigado."
...Fim das mensagens... - anunciou a voz da secretaria.
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- Heero esta vindo pra cá?
O coração de Duo disparou descontrolado. Após seis anos sem ter muitas notícias de Heero, não sabia que poderia ter esse tipo de reação ao simplesmente ouvir a voz do japonês.
Duo não tivera muito contato com ele depois que se separaram, apenas o vira poucas vezes nas reuniões que Quatre promovia, mas nunca fizera muita questão de se aproximar ou ficar tentando puxar assunto com Heero. Ele parecia bem até demais depois que se separaram. Duo apenas seguiu sua vida, não negava que havia sofrido, e muito, mas ficar remoendo o passado pra quê? Era assim que ele vinha pensando de três anos pra cá, após ter chorado muito e se culpado por não esta mais com Heero.
Duo era otimista por natureza. Claro que quando o assunto "Heero", ainda era algo que o deixava triste, mas havia prometido a si mesmo que não choraria, nem se abalaria de novo. Se Heero não o queria mais, o que poderia fazer? Seguir com sua vida e nada mais. Não guardaria rancor ou qualquer outro ressentimento por Heero. Ele era um adulto, não uma criança, e agiria como tal.
Mas não podia negar, a voz de Heero ainda o fazia estremecer...
Duo estava ajoelhado em frente a mesa do telefone tentando se recuperar do choque que a voz de Heero lhe causou. Sua mente mergulhou em vagas lembranças.
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Flashback
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Duo e Heero estavam em uma festa com o pessoal do escritório para comemorar o aniversario de um agente. Por Heero eles não teriam indo, mas Duo insistiu tanto, que o piloto do wing se viu obrigado a comparecer. Heero conversava com o presidente do núcleo de agentes, quando Duo se aproximou curioso para saber qual o assunto. Sua aproximação não foi percebida por Heero.
- Heero e aí? Quando vamos conhecer sua noiva? Você já está precisando se casar e deixar de morar junto com seu parceiro de missões. - comentava Kater, o presidente do departamento.
- Eu não tenho uma noiva. - Heero respondeu.
- Pois deveria. Um rapaz jovem, bonito e com uma carreira promissora como a sua, deve chover de mulheres aos seus pés, não é? - insistia animado. - A propósito, a minha filha pergunta sempre por você, me faria muito gosto se você e ela... bem você sabe... se entendessem.
- Me desculpe Kater, mas...
- Ora, por favor, Heero. Você sem uma namorada, o agente Maxwell também, vão acabar até interpretando vocês dois mal... Afinal, você não quer que eu pense que você e ele tem... você e eu sabemos que isso seria um equivoco. É um erro gostar de outro homem... além do mais, Maxwell não poderia te dar filhos...E então, o que me diz?
Heero ficou pensativo por alguns instantes.
- Bem, talvez você tenha razão... É errado gostar dele... - Heero disse, mais para si mesmo, do que para Kater, porém, essa afirmação chegou aos ouvidos de Duo como uma pedra.
Então Heero achava Duo um erro? Talvez fosse melhor para ambos se separarem...
Duo se afastou das pessoas sem ser notado, com uma enorme sombra no olhar. Após respirar um pouco de ar puro Duo concluiu.
- Não, eu não sou um erro na vida do Heero... ele me ama...eu acho… não importa! Eu não vou deixá-lo. Só se ele me... me pedir para...deixá-lo.
- Quem vai te pedir para deixar o quê, Duo? - Duo nem havia percebido quando Heero se aproximou.
- H-Heero? O que você faz aqui?
- Estive procurando por você. Venha, vamos para casa que essa festa já me encheu a paciência. Nunca mais venho a uma comemoração social. Não sirvo para essas coisas... Duo... Duo, está me ouvindo? O que aconteceu? Você está estranho.
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Fim do Flashback
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- Ah, Heero...
Duo foi desperto de suas lembranças pela voz de seu cachorro, que latia insistentemente, avisando que alguém tocava a campainha a um bom tempo. Duo rapidamente se recompôs de seu estado deplorável, devido as emoções que a voz de Heero ao telefone trouxeram de volta a seu coração. O ex-piloto do Deathscythe se dirigiu a porta e a abriu.
- Finalmente você resolveu abrir. Achei que você iria me buscar no aeroporto, afinal, não foi o que combinamos? Que foi, esqueceu? - Hilde entrou na casa, enquanto largava suas malas no chão, mantendo com um largo sorriso. Logo se abaixou para afagar o cachorrinho de Duo.
- Hilde?
- É, Duo. Sou eu, sua boa e velha amiga Hilde. Não se lembra de mim? O que aconteceu? Você parece que viu um fantasma. Está branco. - ela se levanta, encarando Duo.
- Eu não vi, ouvi um... Me desculpe, Hilde, me esqueci por completo! Eu...
- Ouviu quem?
- O quê??
- Quando eu disse que "parece que você viu um fantasma", você disse que tinha ouvido um fantasma. Acorda Shinigami! Você parece que tá no mundo da lua.
- Ah, eu tava falando do Heero. Ele me ligou hoje.
- Sério?? E aí? Vocês conversaram sobre o quê? Se acertaram? - a garota falava toda animada.
- Eu não ficaria tão animado, se fosse você. Ele disse que esta vindo para cá pra pegar uns relatórios antigos que esqueceu aqui. Só isso... nada mais...
- Ah Duo, não vem com essa. Eu sei que você tá doidinho para ver o Heero. Quando ele vem pra cá?
- Daqui a dois dias… Vamos mudar de assunto Hilde? Por favor, eu não quero falar sobre isso. Me diz como foi de viagem?
Duo desviou do assunto. Odiava quando Hilde começava a insistir que ele e Heero deviam voltar a ficar juntos. Às vezes era ela quem parecia morar no mundo da lua, não ele.
- Ok, Duo. Se você prefere fugir do assunto mais uma vez… a minha viagem foi ótima. Tirando talvez o fato do avião ter sofrido uma pane durante uma tempestade... - Hilde gesticulava, enquanto Duo estava com o pensamento longe. Ela, percebendo isso, resolveu tocar no nome de Heero - Mas dá para notar de longe que essa ligação do Heero mexeu com você. Me diz porque você não tenta uma reaproximação? Aproveita que ele ta vindo pra cá e só tenta...
- Não dá, Hilde! O Heero já é passado na minha vida, assim como eu sou passado na dele.
- Ai Duo, como você é cabeça-dura! Prefere sofrer calado a tentar! – risos - Isso me lembra quando eu descobri que você e o Heero estavam separados, e eu tentei dar em cima de você. Como fui ingênua – risos - Ainda bem que nos tornamos amigos...
- E como anda o seu namoro com o Alexander?
- Ele me pediu em casamento ontem no aeroporto e eu não sei se devo aceitar… Foi tudo tão rápido.
- Ah Hilde, como eu estou feliz por você. E a carreira de modelo? Como anda? Pelo visto está muito bem. Outro dia eu fui até a cidade e vi numa avenida um outdoor enorme com a sua foto. Você estava linda.
- Nem me lembre que sou uma modelo. Estou tão cansada desses trabalhos… Isso me lembra que eu vim a cidade a trabalho e só passei aqui para dar um abraço em você e até agora eu não dei, não é?
- Não seja por isso. - Duo abraça Hilde longamente. - Nem adianta discutir que essa noite você dorme aqui em casa, eu não vou permitir que você vá para um hotel a essa hora da noite.
- Só por hoje eu fico aqui. E onde eu durmo?
- Eu finalmente arrumei o quarto de hóspedes. Pode subir e tomar um longo banho quente, que eu sei que você tá precisando. Logo eu levo suas malas lá para cima.
- Eu vou aceitar, viu. Você adivinhou o que eu to precisando. - Hilde pega sua mala menor e sobe as escadas. - Só uma coisa Duo, você deveria pensar no que eu te disse. Tenta pelo menos uma reaproximação com o Heero, pelo menos fique... sei lá... amigo dele. Eu sei que ainda há algum sentimento entre vocês. - Hilde terminou de subir as escadas.
Hilde era maluca mesmo... foi tudo o que Duo pensou. Parecia que a garota não tinha a menor noção de tempo mesmo. Já havia se passado seis anos sem que ele tivesse qualquer tipo de contato íntimo com Heero, que não fosse um "oi, tudo bem?", nada mais. Nem podia dizer que eram amigos. Eram apenas como se fossem conhecidos, e para ele estava bom assim. Não via o porque de tanta gente ficar tentando convencê-lo de ir atrás de Heero. Parecia que ninguém via que ele e Heero estavam muito bem um sem o outro.
Duo não guardava magoa alguma de Heero e até seria amigo dele, se não fosse pela enorme distância geográfica que os separavam. Bufou mais uma vez, pensando no que Hilde lhe dissera. Não tinha a menor chance daquilo acontecer.
Duo subiu com as malas de Hilde para o quarto de hóspedes. Percebeu que a amiga tomava banho pelo barulho de água caindo que vinha do banheiro. Apenas deixou suas malas na porta e desceu novamente as escadas, onde pegou o telefone e discou o numero de Quatre.
Após alguns segundos, o telefone foi atendido.
-Alô? - A voz animada de Quatre foi ouvida.
-Quat? É o Duo. Tudo bem?
-Duo? Quanta honra receber uma ligação sua? – disse em tom de deboche. – Esqueceu dos amigos, né? – disse num tom melancólico.
-Que isso, Quat. Eu só não tive tempo de te ligar antes. – falou num pedido de desculpas
-Sei...
-Mas eu recebi o seu recado e... estou imensamente feliz.
-Pois é, eu e Trowa também estamos. Vamos dar uma festa de boas vindas neste final de semana pra receber as crianças. Você vem, não é Duo? Você é o padrinho delas, não se esqueça.
-Mas é claro que não esqueci. Vou estar ai com certeza.
-Assim espero. – Quatre advertiu, num tom brincalhão. – Agora só falta convidar o Heero, que eu nem sei se vai vir. Ultimamente ele só anda tendo tempo para o trabalho. – Quatre tinha um tom magoado na voz.
-Eu acho que ele vai poder estar ai sim, Quat. Eu recebi um recado dele e parece que ele vai estar na cidade a trabalho esse fim de semana.
-Sério? Vou ligar para ele agora mesmo.
-Ei, não se esqueça do fuso horário, hein? – Duo tentou lembrar Quatre de que Heero morava em outro país.
-É mesmo... nem tinha pensando nisso. Obrigado por me lembrar.
-Disponha. – Duo brincou. – Então até mais Quat, depois nos falamos.
-Espero que sim. Você anda sumido, hein!
Duo riu.
-Não vou sumir. Até mais.
-Sei... até mais Duo.
Duo desligou o telefone e balançou a cabeça. Não queria pensar nas idéias malucas que Hilde vinha tentando por na sua mente. Parecia que toda vez que ele estava bem e feliz, o fantasma de Heero insistia em lhe aparecer.
Sentou-se nos degraus da escada e deixou sua mente vagar por lembranças.
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Flashback
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Duo havia chegado mais cedo da faculdade e, como era de costume, Heero ainda não tinha retornado. Até que estava cedo. O sol ainda estava começando a se pôr, e Duo resolveu fazer um jantar bem caprichado para que quando Heero chegasse cansado do trabalho, pudessem jantar juntos e relaxar. Resolveu ligar para ele, apenas para avisá-lo que uma surpresa o esperava. Pegou o telefone e discou o número do celular dele, mas este tocou insistentemente até cair na caixa postal. Duo não estranhou. Talvez Heero estivesse numa reunião importante. Resolveu apenas deixar um recado.
-Oi Hee. Só liguei pra avisar que hoje eu vou preparar uma surpresa pra você, ta? Vê se chega mais cedo hoje, por favor? Beijo. Tchau. – Duo desligou o telefone após deixar o recado.
Voltou a missão de preparar o jantar. Duo não era um cozinheiro nato, mas se esforçava. Não preparou nada muito complicado, apenas uma comida simples. Fez uma salada de tomate seco para a entrada - pois sabia que Heero adorava - filé a milanesa, arroz e purê de batata para acompanhar.
Terminou de cozinhar e foi tomar um banho rápido. Já se aproximava das sete da noite e Heero já estava pra chegar. Após se arrumar, foi para a sala ajeitar a mesa para o jantar. Colocou uma toalha limpa, organizou os talheres, e esperou... esperou... e nada. Duo olhou no relógio, que ficava pendurado na parede da sala de jantar, acima do aparador. Já eram 20:00 e nada de Heero chegar.
Afastou de sua mente todos os pensamento ruins que pudesse ter, e começou a inventar mentalmente mil desculpas para Heero não ter chegado ainda. Se contentou com as desculpas que contou pra si mesmo e ainda esperou... nove horas da noite e nada... dez horas da noite e nada...
Cansado de esperar Duo, se levantou da mesa. Estava muito mais magoado, do que com raiva. Heero passava cada vez menos tempo em casa, e Duo sempre aceitando as desculpas de que era por causa de seu trabalho nos Preventers; mas via que estava caminhando em cima de uma tênue linha que ainda o permitia suportar a ausência de Heero em casa. E a qualquer momento essa linha podia ser rompida.
Pegou o prato com o pouco de comida que tinha posto e se dirigiu até a cozinha, jogando tudo no lixo. Perdera completamente a vontade de comer. Ao olhar para a mesa de jantar cuidadosamente preparada, sentiu vontade de chorar. Heero não tinha o direito de fazer isso. Não era a primeira vez que acontecia, e Duo não era um objeto inanimado com o qual o japonês podia brincar quando sentisse vontade e depois simplesmente largar pelos cantos.
Não sabia quais eram os motivos para Heero não ter aparecido, e para Duo não importava quais fossem. Ele poderia ter pelo menos ligado pra avisar, mas isso seria pedir demais.
Magoado, Duo jogou todo o resto da comida no lixo e foi se deitar. Era o melhor que podia fazer, afinal, não iria esperar acordado para ouvir as desculpas de sempre que Heero contava.
Deitado na imensa cama de casal que dividia com Heero, Duo se movia de um lado para o outro, sabia que não conseguiria dormir, enquanto o outro não chegasse. Olhou mais uma vez no relógio do despertador, que ficava em cima do criado-mudo, meia-noite e dez. Foi quando ouviu o barulho do carro chegar, e se sentiu um pouco aliviado, pois até havia passado pela sua cabeça, a idéia de que talvez alguma coisa ruim pudesse ter acontecido.
Não demorou muito para ouvir os passos de Heero, indicando que este estava subindo as escadas. Duo fechou os olhos e fingiu que estava dormindo. Não queria ter que encará-lo aquela noite, pois sabia que provavelmente iriam brigar, e já estava cansado de brigas.
Ouviu a porta do quarto ser aberta, e a respiração de Heero, Este devia estar parado na porta, pois não ouviu seus passos entrando. Pode sentir o peso dos olhos do japonês sobre si, e teve que se segurar para não se virar e perguntar o porquê dele não ter aparecido para o jantar. Então ouviu a porta ser fechada novamente.
Duo esperou mais algum tempo Heero vir para a cama dormir, mas este não veio. Resolveu se levantar e na ponta dos pés e ver o que o outro tanto fazia que não vinha se deitar. Duo andou cauteloso pelos corredores e foi encontrá-lo no escritório, digitando algo em seu laptop.
Claro... o trabalho... o que mais poderia ser? Sempre o trabalho - Duo pensou. Sem deixar que sua presença fosse notada, regressou ao seu quarto. Parecia que o trabalho para Heero vinha sempre em primeiro lugar.
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Duo sacudiu a cabeça mais uma vez, tentando afastar as lembranças. Isso já era passado, e o passado deveria continuar onde estava. Heero viria à cidade apenas a trabalho… sempre o maldito trabalho. Duo iria atendê-lo cordialmente bem e só, nada mais. Heero voltaria para seu trabalho e Duo para a sua vida sem ele, como estivera fazendo nos últimos seis anos.
Mas seus sonhos sempre o traiam, e Duo se via conversando com uma fotografia...
To see you when I wake up
Ver você quando eu acordo
Is a gift I didn't think could be real.
É um dom que eu penso não ser real.
To know that you feel the same as I do
Saber que você sente o mesmo que eu sinto por você
Is a three-fold utopian dream.
É o triplo de um sonho utópico.
Ah, Heero quantas vezes eu sonhei com você dizendo apenas essas palavras tão pequenas. Palavras que eu já disse tantas vezes para o meu coração esquecer, mas ele insiste em dizer "Eu te amo". Talvez a Hilde tenha razão. Se eu tentar, se eu dizer pra ele quantas vezes eu já acordei no meio da noite chamando seu nome, sentindo seu cheiro... eu não sei porque eu fui me apaixonar por você, mas não posso te culpar... Pois o tempo que passei sozinho só me fez enxergar o quanto eu precisava e ainda preciso de você...
You do something to me that I can't explain.
Você faz algo comigo que eu não consigo explicar.
So could I be out of line if I Said,
Então seria eu inconveniente se eu dissesse que
I miss you
Sinto sua falta
Todos os meus amigos já me disseram para tentar. Talvez eu só esteja com medo de escutar de seus lábios que você não me quer, que mesmo que eu te ame com toda minha alma, eu tenho que seguir o meu caminho sozinho, como eu fiz todos esses longos seis anos. Na verdade foram seis anos, dois meses e vinte e um dias para ser mais exato. Ah, eu tenho que parar de agir como um baka que fica criando esses diálogos imaginários com um Heero imaginário e encarar a realidade por mais dura que ela seja. Ficar conversando com uma foto... eu sou um maluco mesmo... Porque teve que ser desse jeito, Heero? Porque você fez aquela viagem sem me dizer nada...Sinto sua falta.
I see your picture,
Eu vejo sua foto
I swell your skin on the empty pillow, next to mine.
Eu sinto seu aroma no espaço vazio do travesseiro próximo ao meu.
You have only been gone tem days,
Tem apenas 10 dias que você se foi,
But already I'm wasting away.
Mas a verdade é que eu estou me acabando.
Eu tenho que te encarar. Passo meus dedos suavemente pelo seu retrato. Vai ser difícil. Mas não posso continuar a falar com um Heero imaginário. Me levanto e caminho até a janela do quarto aberta. O vento bate frio em meu rosto, então me lembro do lugar onde o encontrei pela primeira vez… aquele cais. O meu amor por você nasceu naquele dia, sem que eu me desse conta, porém, com o tempo se perdeu simplesmente... Heero, é tão difícil ter você assim distante... parecemos dois estranhos... Me afasto fechando a janela, mas meu coração sempre estará aberto esperando por você.
I know I'll see you again
Eu sei que eu verei você novamente
Whether far or soon
Quer cedo ou tarde
But I need you to know that I care.
Mas eu preciso que você saiba que eu gosto de você.
And, I miss you
E, eu sinto sua falta.
Continua...
Cantinho da autora:
Olá! Espero que tenham gostado do primeiro capítulo e continuem acompanhando a fic. A música na fic é do Incubus (I miss you), uma canção muito linda e que eu adoro.
Mas como eu sempre digo, toda história tem dois lados. Esse foi o lado do Duo. Será que o do Heero também é assim?
Karin Kamya obrigado por se tornar minha fã... Vou tentar responder sempre a todos os comentários.
Kisses for you!
By Asu-chan.
