Gênero: Yaoi, Angst, Romance.
Obrigado a Blanxe por fazer a revisão desse capitulo. \o/
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Porta Aberta
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Parte 2
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O avião acabara de pousar no Aeroporto Internacional de New York. Os passageiros começaram a desembarcar e, junto com eles, Heero Yuy. O jovem de 25 anos trajava um sofisticado terno preto sobre uma camisa de fino linho branco, com o colarinho aberto e sem gravata; ele ainda usava óculos escuros, talvez para tentar encobrir as enormes olheiras que cercavam seus olhos, pelas noites mal dormidas.
Por debaixo de toda aquela sofisticação e máscara de frieza, o jovem estava abaixo de seu peso habitual e meio abatido, mas era um detalhe que passava desapercebido, pois ainda mantinha um porte atlético, com feições orientais e olhos azuis escuro.
O japonês desembarcou e pegou sua única mala, atravessando o aeroporto e pegando um táxi rumo ao requisitado Hotel Golden, onde havia feito reservas.
Chegando ao hotel, foi muito bem atendido pela recepcionista e levado pelo carregador a sua suíte, no décimo quinto andar. Após ficar sozinho no quarto, Heero deixou sua mala no meio do cômodo e se jogou na cama sentido-se cansado e com um enorme peso sobre os ombros.
Seis anos... Já faz seis anos que evito a todo custo voltar a este lugar e agora, por uma ironia do destino e descuido meu, eu retornei... Ele ainda vive na mesma casa que um dia dividimos juntos... Será que ele sente minha falta?
O japonês sacudiu a cabeça, jogando para longe tais pensamentos. Desde que se separou de seu companheiro, Heero mergulhou no trabalho. Ele procurava ocupar sua mente somente com esses assuntos para tentar não pensar no americano.
Sua vida se resumia a isto, de casa para o trabalho, do trabalho para casa. Jamais ia a reuniões informais, festinhas ou qualquer coisa do gênero. Até se afastou de seus amigos e ex-companheiros de guerra; não ia vê-los e mal participava de qualquer jantar ou reunião oferecido por eles, somente os via quando Quatre o forçava a isso, ligando insistentemente em sua casa, e fazendo Trowa também lhe telefonar, e quando tinha sorte conseguia fazer Wufei também insistir. Era nessas horas que agradecia a distância geográfica que os separavam.
O único que não via e nem falava há muito tempo era Duo. Apenas o vira nos três anos subseqüentes da separação, em raras ocasiões - na verdade quatro - em festas organizadas por Quatre, porém, mal trocaram algumas palavras.
Depois de algum tempo largado na cama, Heero se forçou a olhar as horas no relógio de pulso. Eram 08h33min da noite. Ainda era cedo, teria tempo de ligar para Duo e, se estivesse sorte, poderia pegar os relatórios no dia seguinte pela manhã e voltar para sua casa, para mergulhar novamente em sua existência inútil e vazia.
O japonês tirou a parte de cima do terno e a camisa, sentou-se na beirada da cama, ao lado do criado-mudo, onde ficava o telefone. Olhou várias vezes para o aparelho. Aquela tortura o estava enlouquecendo. Quantas e quantas vezes ele tivera ímpetos de ligar para o americano, nem que fosse para ouvir a sua voz dizendo "alô" ou para perguntar como ele estava, se sentia a sua falta tanto quanto ele. Passou as mãos pelo rosto e finalmente decidiu pegar o telefone e discar o número da casa de Duo.
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A hundred days had made me older
Uma centena de dias me tornaram mais velho,
since the last time that I saw your pretty face
Desde a última vez que eu vi seu lindo rosto.
A thousand lights had made me colder
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Mil luzes me tornaram mais insensível
and I don't think I can look at this the same
E eu não acho que possa parecer o mesmo.
But all the miles had separate
Mas todas as milhas que nos separam
They disappeared now when I'm dreaming of your face
Desaparecem agora enquanto estou sonhando com seu rosto
I'm here without you baby
Estou aqui sem você
but your still on my lonely mind
Mas você continua em minha mente solitária 1
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Hilde acabara de sair do banho, trajando um roupão branco e uma toalha enrolada na cabeça. A garota tinha aceitado passar a noite anterior na casa de Duo, mas ele acabou por convencê-la a ficar os três dias em que permaneceria na cidade. Ela desceu as escadas procurando pelo amigo, vasculhando por toda a casa, até parar na cozinha sem resposta alguma do americano. Quando passava pela geladeira, viu um bilhete pendurado no porta recado que lhe chamou a atenção.
"-Hilde fui ao supermercado fazer algumas comprinhas para o jantar e também comprar a ração do Keru. Não se preocupe, pois logo estarei de volta. Fique a vontade. Você sabe, comigo não tem modéstias a casa também é sua… Só não chama muito a atenção dos vizinhos, principalmente da vizinha velha chata ai do lado...
ass: Duo Maxwell "The Shinigami"
Hilde pegou o bilhete e o leu estranhando o fato de Duo ter avisado aonde iria, já que geralmente ele costumava sumir sem dar satisfações. Quando ela passava pelo hall de entrada para subir as escadas, o telefone tocou. Primeiro ela pensou em deixar a secretaria atender, depois lembrou que poderia ser o Duo metido em alguma encrenca, então atendeu a chamada.
-Alô? - Hilde atendeu ao aparelho, mas nenhuma imagem apareceu no vídeo, provavelmente a ligação era de um aparelho comum não de um vídeo-fone.
"..." - Heero estranhou ao ouvir uma voz de mulher atender a chamada, na verdade, estava decepcionado, pois esperava ouvir a voz de Duo. Ele pensou um pouco e tinha certeza de que conhecia essa voz.
-ALÔ?? - Hilde insistiu.
"- Q-Quem fala?" - Heero decidiu perguntar para que não existissem dúvidas de sobre quem era a dona da voz.
-Aqui é a casa do Duo Maxwell, quem esta falando é a Hilde, posso ajudá-lo? - Ela respondeu, tentando ser simpática.
"-Hilde ... Me desculpe eu devo ter discado o numero errado." - Heero falou rápido, tentando disfarçar a voz e com isso encerrou a ligação.
Hilde estranhou, mas colocou o telefone de volta no gancho e decidiu não pensar mais sobre o assunto. Subiu as escadas e foi para o quarto se arrumar.
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Heero estava sem expressão facial. Seu rosto não transparecia nenhum sentimento, pois ainda estava tentando conectar os fatos. Fora Hilde que atendera a ligação. Ela estava na casa de Duo... à noite... mas é claro! De repente algo estalou na mente do japonês. Como ele havia sido tolo ao pensar que Duo estaria sozinho depois de seis anos.
Como havia sido um imbecil ao imaginar que Duo sentia sua falta, afinal, quem sentiria falta de uma pessoa arrogante e fria como ele? Duo tinha o direito de estar com alguém. Ele tinha o direito de se apaixonar por outra pessoa e Heero não poderia fazer nada para impedir, ao final das contas, eles não estavam mais juntos há seis anos... Então por quê? Por que doía tanto? Por que ele sentia tanta raiva de Duo no momento? Por que ele sentia vontade de sumir da face da terra?
Duo estava bem e estava com Hilde agora. Heero se sentiu um idiota por alimentar todos esses anos, o sonho utópico de estar com Duo novamente, de pensar e sonhar que ele o havia esperado fielmente.
Trouxa! Estúpido! Heero não conseguia dar um nome a si mesmo. No fundo, ainda restava à esperança de voltar e contar a Duo onde ele esteve àqueles dias que antecederam a separação, contar porque tinha viajado sem dizer nada ou dar explicações. Jogou-se na cama olhando para o teto. Seu rosto sem expressão, não demonstrava seus verdadeiros sentimentos. Agora ele mais parecia o soldado perfeito com seu semblante frio e distante.
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I think about you baby
Eu penso em você,
and I dream about you all the time
E sonho com você o tempo todo
I'm here without you baby
Estou aqui sem você,
but your still with me in my dreams
Mas você continua em meus sonhos
And tonight it's only you and me
E está noite somos apenas você e eu
The miles just keep rolling
As milhas continuam girando,
as the people either way to say hello
Enquanto as pessoas nas duas direções dizem olá
I hear this life is overrated
Eu ouço que esta vida está muito dura,
but I hope it gets better as we go
Mas eu espero que isto melhore enquanto partimos.
I'm here without you baby
Estou aqui sem você.
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Duo acabara de chegar em casa, depois de mais um longo dia de trabalho. Dar aulas para crianças não era fácil, mas tinha que admitir que ele adorava isso. Quando entrou, foi logo recebido por seu cachorro Keru, que balançava o rabo animadamente e saltou em cima dele. Logo Hilde veio da cozinha recepcioná-lo com um abraço.
- Olá! Você parece cansado. Como foi o seu dia? - Ela perguntou, com um sorriso ajudando Duo a carregar um pouco dos papéis e pastas.
- Você esta certa, eu estou um caco. O dia foi super cheio. Ainda bem que logo eu entro de férias. -O americano alongou um pouco o corpo, após colocar as pastas sobre o sofá. – Hum, que cheiro bom é esse?
- Eu estava sem nada para fazer e resolvi preparar seu jantar. Já está quase pronto. Anda, vá tomar um banho rápido enquanto eu coloco a mesa, assim eu posso te contar as novidades enquanto comemos.
- Demorou!! Já to subindo.
Duo subiu as escadas, tomou um bom banho, colocou uma roupa confortável e logo estava na cozinha, onde encontrou a mesa pronta do jantar e Hilde o esperando para comer. Sentou-se ao lado da amiga e se serviu, enquanto ela fazia o mesmo.
- E então? Quais são as novas? -Duo perguntava de boca cheia, enquanto devorava um pedaço do peito de frango.
- Eu falei com meu agente hoje e infelizmente vou ter que deixar a sua hospitalidade, Duo. Eu tenho que tirar umas fotos e fazer um desfile na Califórnia. Terei que viajar amanhã mesmo e só volto dentro de quatro dias para terminar meu trabalho aqui.
- Ah! Que pena Hilde, eu queria tanto que você ficasse... Olha, porque não fazemos o seguinte, você tira umas férias no mesmo mês que eu, aí fazemos uma viajem juntos. O que acha? - Duo propunha todo sorridente.
- Ah! Eu acho ótimo! Está combinadíssimo! Em dezembro eu tiro umas férias e nós botamos o pé na estrada. - Hilde concordou tão animada, quanto Duo.
O jantar terminou entre risos e uma conversa descontraída. Depois Hilde ajudou Duo a arrumar a cozinha e lavar a louça, indo ambos dormir em seguida.
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No dia seguinte o americano acompanhou a amiga até o aeroporto, onde se despediram e renovaram a promessa da viagem que fariam juntos. Duo novamente chegou atrasado ao colégio e, dessa vez, ele tinha uma ótima desculpa, mas a diretora Spinelli não engoliu.
Enquanto o americano dava aula percebeu uma movimentação do lado de fora da sala quando olhou pelo vidro, viu seu amigo Quatre, que gesticulava tentando dizer que queria falar com ele.
- Crianças, continuem com o dever que o tio Duo vai resolver algo lá fora e já volta. - Duo comunicou as crianças, antes de deixar a sala para falar com Quatre no corredor.
- Q, que bom te ver! O que você faz aqui? - Duo recebeu o amigo com um enorme sorriso e o abraçou.
- É bom rever você também, Duo. - Quatre retribuiu o abraço. - Eu estava de passagem por aqui perto e resolvi trazer o convite a você pessoalmente. - O loirinho esbanjava seu tímido sorriso de sempre.
- Oba! Convite! Festa? Eu adoro festas!
- Bom, na verdade não é bem uma festa. Como eu já tinha lhe contado por telefone, este é o convite para a festa de boas vindas para recepcionar meus filhos. Eu resolvi vir pessoalmente convidá-lo para ser padrinho dos gêmeos que eu e Trowa adotamos.
- Fico lisonjeado com o convite, Q. - Duo sorriu. - É só me avisar quando vai ser a festa de batizado que eu vou com certeza.
- É bom que você não faça como das outras vezes que diz que vai aparecer e não aparece. Dessa vez você tem uma enorme responsabilidade, vai ser padrinho dos meus filhos, hein!
- Pode deixar comigo! E ai, você esta feliz? - era uma pergunta óbvia, pois a felicidade estava estampada na cara do loirinho.
- Muito feliz! Ter filhos é uma experiência nova pra mim… É como um desafio, e eu espero não falhar. - Quatre sorriu e Duo lhe retribuiu da mesma forma. Era típico do árabe sempre se cobrar o melhor e Duo sabia que ele seria um bom pai.
- Me desculpe, Q, mas é que eu estou em horário de aula e se a Sra. Spinelli me pega aqui, eu to frito! Porque não fazemos assim, você passa lá em casa hoje e nos jantamos juntos? - Duo ofertou.
- Me perdoe, Duo, é como eu disse, só estou de passagem. Estou indo viajar pra buscar os gêmeos, depois de tanto tempo tentando adotá-los... Trowa e eu estamos impacientes pra poder tê-los em nossos braços.
- Tudo bem, sem problema! Fica para outro dia então! Tchau Q. Boa sorte, eu tenho certeza que você vai ser o melhor pai do mundo. - Duo se despediu e abraçou o amigo.
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Agora Heero já não bebia mais no copo, este se tornara desnecessário. Sentado numa mesa escura no canto afastado de um bar, bebia a vodka na boca da garrafa mesmo.
Ele havia tido a estúpida idéia de ir até a casa de Duo na manhã seguinte, após sua chegada. Queria apenas ver o americano, nem que fosse de longe. Não havia tido coragem de ligar novamente avisando de sua chegada.
Quando parou o carro que havia alugado, numa esquina próxima a casa onde há seis anos atrás havia dividido com Duo, viu o americano, sorridente como sempre, sair de casa carregando algumas malas e logo atrás dele... Hilde... Heero engoliu em seco.
Duo colocava as malas no bagageiro do carro e Heero não entendeu o que significava aquilo. Duo iria viajar? Com Hilde? Mas ele tinha ligado avisando que viria. Será que Duo se esquecera?
Conseguia ver o quanto Duo parecia feliz sem ele. Estava provavelmente saindo de férias com Hilde. Era claro que não havia mais lugar para ele na vida do americano.
Depois de seguir o carro de Duo até o aeroporto, Heero constatara que apenas Hilde havia embarcado. Talvez o americano tivesse ficado para trás apenas para recebê-lo e depois se juntaria à garota em suas férias, depois que despachasse o inconveniente japonês. A cabeça de Heero ficava criando mil possibilidades e, em todas elas, Duo sempre estava melhor sem ele.
Após regressar ao hotel, havia tentado ocupar sua mente com assuntos de trabalho e tinha conseguido por um tempo, mas com a chegada da noite, sua mente insistia em vagar até Duo. Não conseguindo mais resistir à realidade de que o outro estava muito bem sem ele, Heero fora encontrar consolo em um bar.
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Duo estava sentado em sua cama, com as costas apoiadas na cabeceira. A televisão estava ligada, mas ele já nem prestava atenção na programação. Seus pensamentos voavam longe e iam pousar em um certo japonês.
O americano olhou as horas no rádio-relógio. Eram 12h06min da noite e ele precisava dormir. O dia que se seguira seria mais um cansativo dia de trabalho. Tinha que parar de pensar em Heero, que àquela hora já o estava alucinando. Heero tinha ligado e dito que chegaria em dois dias e já havia se passaram três e nada.
Duo realmente se odiava cada vez que pensava em Heero. Cada vez que o desejava, cada vez que pensava em mudar seu jeito de ser e suas manias só para agradar ao japonês. Odiava cada vez que pensava em ligar para ele, cada vez que sonhava com ele.
Pegou o controle remoto e desligou a TV. Apagou a luz do abajur, ajeitou os travesseiros e tentou dormir. Passou muito tempo se revirando de um lado para outro na cama, até conseguir pegar no sono.
Duo mal havia pregado os olhos quando o telefone tocou insistentemente. O americano se recusou a abrir os olhos e atender o chamado, mas foi vencido pela insistência acendeu a luz do abajur, olhando as horas e se levantou buscando o vídeo-fone.
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Eu queria ver no escuro do mundo
Onde está tudo no que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores
E as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa? 2
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- Mas quem diabos me ligaria às duas e quarenta e dois da madrugada? - Duo tirou o telefone do gancho. - Pois não? - Duo atendeu com uma cara nada boa.
"-Me desculpe por ligar á uma hora dessas da noite, o senhor é o Duo Maxwell?" – Uma voz masculina, que Duo não conhecia, perguntou.
-Sim sou eu por quê? Olha cara, você já olhou no relógio para ver que horas são? Eu preciso dormir, pois eu trabalho o dia inteiro. É bom que o senhor tenha um ótimo motivo para me acordar uma hora dessas! - Duo estava realmente nervoso, pois sabia que não conseguiria mais dormir.
"-Peço que realmente me perdoe... Mas é que já é tarde e estamos fechando o bar e um de nossos clientes esta aqui caindo de bêbado e... E não sabemos onde ele mora e o numero do senhor foi o único número que encontramos no celular dele na área da família e ele gritava o seu nome antes de apagar" - O homem falou pausadamente.
-Mas de quem você esta falando afinal? - Duo estava estranhando muito o fato, pois não conhecia ninguém que era alcoólatra.
"-O nome dele é Hee... Heero Yuy, é isso. Você poderia vir buscá-lo, por favor, senão teremos que deixá-lo dormir na rua."
Duo ficou catatônico, cada célula de seu corpo gelou. Será que o homem estaria falando do mesmo Heero? De seu Heero? Duo não conhecia qualquer outra pessoa com esse nome e menos ainda com o mesmo sobrenome... Então seria mesmo Heero. Quando ele havia chegado à cidade? Por que não tinha ligado? Mas ele não bebia nada alcoólico e para deixá-lo bêbado teria que ser muito bebida.
"-Senhor?" - o homem tentou chamar a atenção de Duo, já que ele congelara no lugar.
-Sim... Por favor, me dê o endereço do local que eu irei buscá-lo. - Duo rapidamente pegou a caneta e uma folha de papel, anotou com atenção o endereço que o garçom lhe ditou. Vestiu-se rapidamente, pegou as chaves de seu carro e saiu apressado.
Meu Deus porque Heero havia bebido e porque ele não tinha ligado para pegar os tais relatórios? Só agora se lembrou de um detalhe, o garçom lhe dissera que o número de Duo era o único na área de família na agenda do celular. Por que Heero colocaria seu numero na área de família? Será que ele o considerava como tal? Não, definitivamente não. Seria sonhar demais.
O americano finalmente chegou ao local. Era um bar elegante e caro. Ele já era aguardado na porta. Desceu do carro e correu para dentro do bar. No caminho sua mente trabalhava com um só pensamento, porque Heero estaria bebendo?
- Senhor, que bom que veio. Ele está ali, eu o ajudo a colocá-lo no carro, pois ele já esta dormindo e quando os bêbados resolvem dormir não há quem os acorde. - Disse o garçom, que recepcionara Duo.
- Obrigado. - Duo agradeceu.
Quando chegou onde o bêbado estava, comprovou que era mesmo Heero. No fundo, seu coração esperançoso estava ansioso por reencontrar o ex-piloto do Wing, mas sua mente racional se negava a aceitar que encontraria o japonês naquele bar.
Duo e o garçom carregaram Heero e o colocaram no banco traseiro do automóvel. O americano agradeceu a ajuda e rumou para sua casa.
Quando chegou, Duo carregou o japonês adormecido escada acima. Teria que dar um banho nele, pois estava fedendo a álcool.
Ele o arrastou até o banheiro de seu quarto. Tirou a parte de cima de cima das roupas do japonês e seus sapatos. Colocou-o no box, onde abriu o chuveiro na água fria e deixou que ela molhasse seu corpo. Heero deu um grito ao sentir à água gelada tocá-lo e tentava se levantar, mas não conseguia por estar embriagado.
Duo apenas ficou olhando com tristeza o estado deplorável de seu ex-amante. Ele estava magro, abatido e com orelhas enormes ao redor dos olhos azuis. O que teria acontecido para ele estar daquele jeito lastimável? Depois de alguns minutos Duo desligou o chuveiro e pegou Heero, que se levantou e apoiou-se em seus ombros até ser conduzido e depositado com cuidado em sua cama.
Duo rapidamente tirou as calças de Heero, senão elas molhariam o lençol. Depois foi procurar em seu armário alguma roupa que servissem no outro, o que não seria difícil, pois ele era só um pouquinho menor que o japonês.
Enquanto Duo vestia seu pijama azul marinho em Heero, o japonês balbuciava algumas palavras incompreensíveis e, às vezes, chamava por Duo, até que se acalmou e finalmente parecia ter pegado no sono. Ele passou uma das mãos suavemente no rosto de Heero, querendo pelo menos senti-lo de alguma forma. A pele estava fria, e Duo o olhava tristemente, quase não acreditando que o outro estava ali deitado em sua cama.
- Ah, Heero… Quando foi que você deixou de me amar? - A pergunta de Duo saiu como um sussurro, enquanto acariciava gentilmente a maçã do rosto do japonês.
Foi quando Heero tocou sua mão. O americano arregalou os olhos em espanto, pois acreditava que ele estava adormecido.
- Nunca... Eu nunca deixei de te amar. - Heero respondeu com uma voz sonolenta e rouca depois fechou os olhos e finalmente dormiu.
Duo estava quase sem ar, à resposta inesperada de Heero o pegou de surpresa. Sua mente girava e seu coração se afogava num turbilhão de emoções e sentimentos. O que significava aquela resposta de Heero? Por que ele estava brincando com seus sentimentos? Certamente Duo não dormiria aquela noite, apenas pensando nas palavras ditas pelo japonês.
O americano quis se levantar para ir dormir no quarto de hóspedes, mas seu corpo se recusou a obedecer. Então se aconchegou do outro lado da cama de casal e ficou olhando a face de seu amado iluminada pela luz da lua, que invadia o quarto. Olhou as horas. Eram 03h50min da madrugada e ele com certeza não dormiria, pois talvez essa fosse a última vez que poderia contemplar o rosto de quem tanto amava. Nesse momento, Duo se odiou por sua fraqueza.
Às vezes te odeio por quase um segundo
Depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
Que não me deixa em paz
Quais são as cores
E as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
Por isso te liguei
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?
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Continua...
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Cantinho da Autora:
Olá! Como sempre espero review com criticas, elogios, sugestões, ameaças, receita de bolo, enfim, qualquer comentário vindo de vocês leitores. A opinião de todos é muito importante para mim. Desde já agradeço a todos.
1 A primeira musica é do Three Doors Down o nome é Here Without you
2 A segunda musica é da Paralamas do Sucesso o nome é Quase um segundo.
Beijinhos da Asu-chan.
