CURTINDO A VIDA ADOIDADO - Ano I - Mês Outubro

Capítulo Anterior – No capítulo anterior Milo pega Mu e Shaka no maior rala-e-rola. Assustado com a presença do grego, o Ariano faz o namorado bater a cabeça e formar um belo galo. O tibetano ameaça ficar bravo com o Escorpiano, mas – apesar de fazer piada da situação - Milo consegue convencê-lo que sua intenção era proteger o Virginiano. Diana liga para o grego e o chama para conversar. Ela revela-se apaixonada por ele e diz ter descoberto o amor entre Milo e Kamus. O Escorpiano fica apreensivo, mas a amiga o tranqüiliza, prometendo não contar nada. Diana pede que o grego cuide bem do Aquariano e não o faça sofrer.

- ...Depois que você foi embora feito um furação, eu repensei cada instante da festa e vi que você só ficou com ciúme de mim quando eu estava com o Kamus. Em vários outros momentos eu tentei te fazer ciúme, mas você nunca me notava. Agora eu já sei porque, mas a concorrência é desleal, não é ?

Os dois riram bastante com o comentário.

– Mi, ele te ama muito. Cuide bem dele e não o machuque.

- Obrigado. – deu um beijo na testa da menina – Eu vou cuidar.

Apesar do papo ameno com a amiga, o Escorpiano ficou preocupado. Quantas outras pessoas notaram o relacionamento dos dois ? Milo só esperava que isso não tivesse proporções desastrosas.

Pena que estava enganado.

CVA - Semana III – Proporções Desastrosas

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Terça-feira. Início da noite. Templo de Capricórnio...

Sentado próximo à janela, o espanhol deixara o livro que estava lendo aberto e perdera-se em seus pensamentos. O protagonista da história passava por uma situação semelhante à sua. Shura tentou não se envolver, contudo foi inevitável. Tudo o que estava guardado em seu íntimo explodiu. Uma enxurrada de lembranças veio à tona. Dor, culpa e mágoa. Seus olhos arderam, a garganta arranhou. Sentiu um aperto no peito e o coração ficou pesado.

Abraçou-se com força, querendo acabar com aquela angústia, porém as negras asas do passado voaram sobre si com ares de acusação. Infelizmente não era possível esquecer. O que Milo, Aioria e Kamus fizeram consigo, consumia e devastava sua alma. Os atos impensados daqueles três cavaleiros deixaram uma enorme cicatriz em sua vida.

Colocou a mão na cabeça e apertou. Queria esquecer. Esquecer. Precisava esquecer. Se pudesse voltar no tempo. Apagar tudo o que foi feito. Se pudesse voltar. Voltar...

Os olhos marejaram. O livro escorregou de suas pernas e foi para o chão. O cavaleiro de Capricórnio jogou a cabeça para trás e uma lágrima silenciosa correu por seu rosto. Se Kamus não tivesse feito...

Secou a lágrima. Não. Agora via tudo mais claramente. Não foi pela proximidade no Inferno de Hades que o francês teve sua parcela de culpa reduzida. Também não foi por compaixão que já não sentia tanto ódio pelo cavaleiro de Leão. Era tão óbvio. Sua mente não vira a verdade durante todos estes anos, mas seu subconsciente sim. Kamus e Aioria não ficaram menos culpados. Na verdade eles não eram culpados. Suas atitudes foram afetadas por alguém execrável. Alguém ardiloso o suficiente para manipular as pessoas e levá-las a acreditar em uma grande mentira. Alguém que convenceu os dois a fazer aquilo. Alguém que os convenceu a agir daquela forma.

Seus olhos cerraram. Era este alguém o verdadeiro culpado e, portanto, imperdoável. Era este alguém o responsável por toda a destruição de sua vida. Aioria ? Não. Nunca teve culpa pelo ocorrido. Qualquer um em circunstâncias iguais agiria da mesma forma. Kamus ? Não. Ele não participara diretamente dos fatos. Seu único pecado foi deixar-se manipular.

Sua alma clamou por vingança. Socou a parede. Seu algoz não poderia ficar impune. Ele deveria sofrer. Sofrer muito. Deveria sentir dor, medo, desespero. Muito além do que fizera Shura sentir.

Pensou um pouco e sorriu. A paternidade. O que seu algoz mais queria era adotar uma criança. Sabia, obviamente, não ser fácil manchar sua reputação. Já tentara isso anteriormente, inclusive através de um strip-tease, sem sucesso. Mas desta vez era diferente. O Escorpiano dera um bom motivo para ser questionado: o escândalo no aniversário de Diana. Ali o grego mostrara-se completamente desequilibrado, a ponto de agredir fisicamente um amigo.

Fazendo as perguntas certas, às pessoas certas, conseguiria demonstrar perante o juizado que Milo não possuía equilíbrio suficiente para adotar uma criança. Precisava mostrar que o Escorpiano era incapaz de ter e educar um filho.

Isso doeria bastante.

Sorriu. Levantou-se, pegou sua carteira e deixou o templo.

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Algum tempo depois. Bar Far Frow West...

Diana sorriu para o amigo.

- Shura !! Que visita boa. – abraçou-o.

- Como vai minha loira preferida ?

- Nossa ! Deixe a Shina saber disso.

- Se você não contar, ela não vai ficar sabendo. – beijou-lhe a mão sedutoramente.

A garota riu.

- Ok. Segredo entre nós.

- Perfeito. – piscou maroto.

- Só um minuto e peço para as meninas separarem a melhor mesa. Quantos vêm ?

- Hoje não vim para beber. Vim para conversar com você.

- Nossa! Estou ficando importante. Você me dá um minuto ?

- Claro.

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- E então ? – a loira perguntou, bebericando seu drinque – A que devo a honra de um espanhol tão lindo vir me visitar ?

- Estou preocupado com você.

- Preocupado ? Por quê ?

- Preocupado com o que o Milo fez em seu aniversário.

- Aquilo ? – indagou com um sorriso – Não se preocupe. O Milo veio até aqui pedir desculpas.

- Ah, veio ?

- Veio sim.

- Então ele veio para te pedir desculpas. – disse reflexivamente, imaginando uma nova forma de atacar o Escorpiano, quando observou o nervosismo da loira ao reforçar a palavra "".

Shura cerrou um pouco os olhos. Conhecia muito bem a amiga. Sabia quando estava escondendo algo.

- Que tal me contar a verdade, Diana ?

A garota gelou.

- O quê ele veio falar com você ? – insistiu.

- Veio... fazer uma meia declaração de amor, mas eu o dispensei. - mentiu - Você sabe que não estou em fase de namoricos.

- Ele veio se declarar para você ? – surpreendeu-se.

- Bem... não exatamente. Ele apenas disse sentir algo a mais por mim. – deu uma pequena pausa – Você viu o presente que ele me deu ?

- Vi.

- Mais segundas intenções do que isso...

- É verdade. – ficou pensativo. Se Milo realmente gostasse da loira, poderia usá-la para machucá-lo.

- Mas por quê pergunta ? Vai se declarar para mim também ? – sorriu.

- Se eu não tivesse namorada.

Sua resposta fez a amiga rir.

- Então ele gosta de você. – afirmou.

- Acho que não. – disse com certo pesar.

- Não ?

A loira sentiu sua face queimar. Precisava esquecer o grego. Milo gostava de Kamus. Deveria ser esquecido para sempre. Além disso, não poderia trair sua amizade. Prometera não contar nada.

- Ora, Shura, você o conhece. Ele quer todas, mas na verdade não quer nenhuma.

- E por quê estou percebendo uma certa tristeza na sua voz ?

Fitou o Capricorniano. Não poderia trair o grego, mas se não falasse nada, Shura insistiria até arrancar alguma coisa. Era melhor falar alguma verdade ou ele não desistiria nunca.

- Sou apaixonada pelo Milo. – confessou.

- Apaixonada ? – questionou surpreso. Isso colocava seu plano em jogo. Se ela gostava do Escorpiano, não falaria nada contra ele.

- Há um bom tempo. – baixou os olhos.

- Mas se você é apaixonada por ele, por quê o dispensou quando ele confessou sentir algo a mais por você ? Isso é, você realmente o dispensou ?

- Shura, - olhou para o Capricorniano - eu observo todos os passos do Milo quando ele vem aqui no bar. As meninas fazem fila para beijá-lo e ele não dispensa nenhuma. Não quero ser mais uma na lista de conquistadas.

- Diana, eu não entendo. Se você é apaixonada por ele, por quê beijou o Kamus ?

- O presente que ele me deu me desmontou. Pensei ter alguma chance. – deu uma pausa – Mas eu precisava saber se ele realmente se interessava por mim.

- E descobriu que sim ?

- Não, Shura. Descobri que ele tem muito ciúme, porém não gosta de mim. Ele é muito possessivo. O que sente por mim é apenas ciúme, não amor. Não quer ficar comigo, mas não quer deixar nem o Kamus e nem qualquer outro ficar.

- E por quê ele não teve ciúme de mim ? Quando você sugeriu ficar comigo, ele não se importou.

- Você não conhece o Milo ? Ele não deu a mínima quando o Kamus dançou comigo. Só foi para cima quando nos beijamos. – tomou nervosamente seu drinque – Mas isso tudo é fase. Amanhã o Milo encontra uma velha conhecida, dá uns pegas e me esquece.

- Como pode ter certeza que ele não quer ficar com você ?

- Eu não quero. - explicou - Ele gosta de todas. É um Don Juan incorrigível. É um homem excitante e que chama muito a atenção, porém impossível de namorar. Sou ciumenta demais para vê-lo beijando tantas garotas em uma só noite. Duvido que consiga se prender a uma única mulher.

A mente do Capricorniano clareou. Por quê não pensara nisto antes ?

- Que pena. – disse.

- Como assim, "que pena", Shura ?

- Ora, o fato dele não ter estabilidade emocional é muito complicado. Este tipo de comentário seria muito prejudicial para o processo de adoção, mas uma criança precisa de exemplos de família, não ? – disse com certa maldade.

- O quê você quer dizer ?

- Você acha que muitas pessoas aceitariam fazer esta declaração perante o juiz ?

- Claro que não ! – replicou em tom mais forte - O Milo é muito querido. Ninguém ia querer prejudicá-lo.

- Que ótimo. – sorriu forçadamente – Me chatearia saber que alguém faria tal coisa. – mentiu.

- Ninguém faria isso.

- Talvez uma garota abandonada por ele.

- Não. Ele é muito carinhoso. Mesmo as abandonadas o adoram.

- O cara é feito de mel. – sorriu – Beija todas, acaba com o seu aniversário, bate no melhor amigo, diz que te odeia e você ainda o defende. Qual é o segredo ?

- Está com ciúmes, Shura ?

- Claro. Qualquer um estaria. – sorriu.

- Agradeço sua preocupação, mas o Mi não me odeia. Ele é um doce. Veio até me pedir desculpas.

- É. Estou vendo que não vou conseguir fazer você se apaixonar por mim. – não adiantava insistir. Diana não difamaria o Escorpiano.

A loira riu.

- Ok. - beijou o rosto da amiga – Eu só queria saber se você estava bem depois daquele barraco todo. Fico feliz que você esteja bem.

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No estacionamento, o espanhol fechou a porta do carro e olhou para o bar.

- Um dia você vai escorregar, Milo. E se você não escorregar, vou encontrar alguém para dizer que você não é o anjo de candura que todos pensam. E quando isso acontecer, você vai sentir dor. Muita dor. – ligou o veículo e tomou o caminho para o Santuário.

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Quarta-feira pela manhã. Fundação...

Preocupado com a demora do resultado da votação dos deuses, o grego nem conseguia trabalhar direito. Para piorar, Kamus faria uma viagem a trabalho entre o final de Outubro e o início de Novembro e corria o risco de não chegar a tempo para seu aniversário. Seriam de cinco a dez dias sem seu sardentinho. Se o resultado da votação fosse negativo, certamente ficaria depressivo e não teria o namorado ao seu lado para superar esta fase difícil. Se o resultado fosse positivo, de qualquer forma não teria o namorado tanto tempo ao seu lado para celebrar a alegria. Com o Aquariano longe não seria fácil. Ainda mais se ele perdesse seu aniversário.

Distraído que estava, não ouviu uma criança pedindo sua ajuda.

- Professor, Milo ? – Cardosinha chamou - Não consigo fazer isso aqui. – apontou a partitura à frente – Professor Milo ? Professor Milo ! – insistiu.

- Oi. – concentrou-se na menina – O que houve ?

- Professor, Milo, não consigo fazer isso aqui. – apontou novamente a partitura.

- É claro que consegue. Basta colocar os dedinhos nas posições corretas. Assim. – ajudou a menina a segurar as cordas.

- Mas eu não gosto de tocar guitarra. - reclamou - Gosto de tocar piano.

- Isso não é uma guitarra, sua burra. - Volpi intrometeu-se – Isso é um baixo !

Cardosinha calou-se e ficou visivelmente chateada.

- Volpi, peça desculpas. – Milo ordenou.

- Desculpa ! – disse e permaneceu emburrada.

- O que está acontecendo, Volpi ? – o Escorpiano indagou à menina – Por quê você está agindo assim ?

- Ninguém vem me visitar. – respondeu indignada - A Ia-Chan vai sair. Até a Shakinha, que era muda, arrumou mãe. Por que eu não arrumo ?

- Volpi, - disse com suavidade - estas coisas demoram.

- Não sou cega, não sou muda e nem paralítica. O que eu não tenho ? - perguntou com raiva.

Ia repreender a menina pela agressividade quando viu as lágrimas correndo por seu rostinho. Pensou um pouco. Sabia bem como era a angústia de uma longa espera. Deu a mão para a pequena e conduziu-a até a porta.

- Quando eu voltar vou cobrar a música. Não façam bagunça. – disse à classe e saiu.

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Fora da sala, o grego secou o rosto da menina.

- Volpi, não fique triste.

- A Teffy já recebeu duas visitas. Até aquele menino que não andava conseguiu mãe.

- Calma, meu anjo. Tudo vai dar certo.

- Vai ? Quando ? Quando vai dar certo ? – perguntou sem esperanças.

A pergunta o fez pensar na votação do deuses. A resposta já deveria ter saído, mas os deuses estavam demorando a apresentar o resultado.

- Na hora certa. Nem antes e nem depois.

- E quando é a hora certa ?

- Quando for a hora certa você vai saber.

- Eu queria ser um bebê. Todo mundo prefere adotar bebês.

- Você não precisa ser um bebê. Você só precisa ser você mesma. Sem fingimentos. – deu uma pequena pausa – Sem maquiagem.

- Você... ficou sabendo ?

- Fiquei.

- As loiras e bonitas saem primeiro.

- E por isso você colocou uma peruca loira e se maquiou ?

- Eu queria ficar bonita.

- Você é bonita, mas é muito nova para usar maquiagem. Isso choca os adultos. E você não precisa disso.

- Mas eu queria ficar mais bonita que todas as outras crianças.

- Acha mesmo que se escolhe um filho pela beleza ?

- Acho.

- Quem são as suas melhores amigas ?

A pequena observou-o, desconfiada com a pergunta.

- Responda. Quem são suas melhores amigas ?

- A Setsuna e a Teffy.

- E por quê as escolheu para amigas ?

- Eu não escolhi. Foram elas que me escolheram.

- E por quê você acha que te escolheram ?

A menina pensou um pouco.

- Elas dizem que me acham engraçada. Acho que gostam de mim.

- Justamente, Volpi. É assim que se escolhe alguém. – pensou no francês – Escolhemos uma pessoa porque nos sentimos bem ao seu lado. Pouco importa se ela é nova, bonita ou loira. Importa o que se sente ao seu lado. – deu uma pequena pausa - Você entende o que eu quero dizer ?

A menina baixou a cabeça.

- Você é muito bonita. – passou a mão nos cabelos da garota - Tenha certeza que os seus pais vão te achar linda. E você não precisará estar loira ou maquiada para isso. Seja mais maleável. Dê uma chance para conhecerem a verdadeira Volpi.

- E se ninguém gostar de mim ?

- Tudo tem um tempo certo para acontecer. Uma amizade leva tempo, uma adoção leva tempo. Sem conhecer as pessoas, é difícil amá-las.

A meninas aproximou-se e o abraçou.

- Se eu pudesse escolher um pai, ele seria que nem você.

O grego sorriu. Seu instinto paterno aflorou. O Escorpiano sentiu uma grande ternura e deu-lhe um abraço apertado. Só rogava aos céus que o resultado das votações saísse e fosse favorável.

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Noite do mesmo dia. Santuário...

Assim que Milo chegou ao Santuário recebeu um recado. Saori convocara todos os cavaleiros para uma reunião no Salão Dourado. Certamente falaria o resultado da votação dos deuses.

O grego ficou nervoso. Seria uma resposta positiva ? Sorriu. Imaginou-se formando uma família com o Aquariano. Kamus gostava de crianças. Se não gostasse, como conseguira conviver com Hyoga e Isaac ?

Seu sorriso se desfez. Ainda não deveria fazer planos. Aprendera duramente que a decepção só ocorre quando se espera demais. Era melhor ficar indiferente.

Como se isso fosse possível.

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Poucas horas depois. No Salão Dourado...

O salão estava repleto. Os cavaleiros conversavam um com o outro, evitando o assunto o qual os reunira ali. O Escorpiano aproximou-se do indiano.

- Oi, loirão. Como você está ?

- Agora, bem.

- Ainda está bravo comigo ?

- E dá para ficar bravo com você ?

- Você sabe que eu te faria passar uma vergonha imensa, se você não tivesse me perdoado, não é ?

- Como se eu não tivesse passado uma vergonha imensa com a sua intromissão. – comentou ligeiramente sarcástico.

- Prometo não fazer isso na próxima. – aproximou-se do ouvido do amigo – Na próxima junto-me à dupla. Um ménage à trois, talvez ? (1) – riu.

- Depravado.

- Depravado, eu ? Tenho muito mais motivos para utilizar este adjetivo em você ! – riu.

- Milo, seja discreto. Quer que todos saibam ?

- Claro que não. Melhor que não saibam. – passou a sussurrar - Assim apenas eu participo da próxima festa a dois. – sorriu.

- Poderíamos chamar o Kamus. – brincou.

- Vetado. – fechou a cara - Não vou deixá-lo fazer parte de uma pouca-vergonha daquelas.

- Possessivo. – atacou.

- Não sou possessivo. – sorriu - Apenas cuido do que me pertence. – piscou maroto.

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Os dois ainda riam com as sugestões picantes do Escorpiano para a próxima vez de Mu e Shaka quando a deusa entrou no salão.

- Boa noite, senhores. – Saori cumprimentou-os.

Todos os cavaleiros colocaram-se lado a lado e fizeram uma breve reverência.

- Obrigada por atenderem meu chamado. – disse e sentou-se – Serei bem breve.

Os cavaleiros também tomaram os seus lugares.

- Como sabem estive com os deuses para a votação que decidiria se eu e vocês poderíamos constituir família.

- Já saiu a resposta ? – o Escorpiano indagou ansioso.

- Já, Milo. – respondeu, seriamente, sem deixar transparecer quaisquer emoções.

- E... não deu certo ? – perguntou receoso.

- Aqui está o resultado. – colocou uma pasta sobre a mesa - Os deuses deliberaram durante alguns dias e nesta manhã fizeram seus votos. Como requerente, precisei abster-me do voto. – deu uma longa pausa - Antes de continuar, gostaria que vocês entendessem o resultado e, independente do mesmo, continuassem a exercer suas obrigações como cavaleiros.

- Não tenha receio, Athena. Somos seus guardiões. – Saga tomou a palavra – Daremos nossas vidas para defendê-la.

- Com certeza. - todos os outros cavaleiros assentiram.

- Obrigada. Fico muito feliz com esta demonstração de fidelidade. Sempre tive certeza do empenho de todos nesta sala e por este motivo me dediquei tanto a esta votação. Eu acredito que vocês, que tão bem me protegem, merecem a felicidade. – abriu a pasta – Por um voto de diferença, NÓS VENCEMOS !

Os cavaleiros gritaram de alegria. O Escorpiano, mais eufórico, correu até a menina e rodopiou com ela.

- Milo ! O que é isso ? – perguntou rindo.

- Obrigado. – ajoelhou-se diante da deusa e tomou sua mão – Obrigado por realizar o meu sonho.

- E obrigada por me ajudar com o meu. – replicou baixinho.

E logo os dois foram cercados pelos demais cavaleiros que deixaram a formalidade de lado para também abraçar a deusa.

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No dia seguinte. Quinta-feira...

Milo mal conseguiu dormir. Ligou para os advogados pela manhã e marcou uma reunião para a semana seguinte. No horário de almoço dirigiu-se à vara da infância a fim de sanar algumas dúvidas. Preencheu um formulário e recebeu a informação que seria chamado em breve para apresentar documentos e passar pela primeira entrevista. Não cabia em si de tanta felicidade. Agora seu sonho estava a um passo da realização. Logo poderia ter Calíope em seus braços e ouví-la chamando-o de pai.

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No outro dia. Sexta-feira...

Um grupo de empresas do ramo alimentício ofereceu-se para patrocinar o natal das crianças da Fundação. Saori convocara Shura e Kamus para participarem também. Pediu-lhes para levar os números do último ano em uma apresentação. Encontraram-se na recepção da empresa.

- Bom dia, rapazes.

- Bom dia, Saori. – responderam.

- Trouxe a pasta de investimentos captados, Kamus ?

- Sim. Fiz um levantamento dos últimos três anos, nomes dos colaboradores, espécie e destinação da verba. Já acrescentei estes dados na apresentação.

- Ótimo. Iniciaremos com o vídeo institucional e depois exibiremos os resultados.

- Quem sabe ao verem bons números não se animam, acrescentando mais euros nesta doação de fim de ano ?

- Quem sabe, Shura, - Saori sorriu – quem sabe.

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A reunião foi excelente. Os empresários impressionaram-se com o que viram. Acabaram acrescentando uma boa verba a mais ao descobrirem o "Fundo de Transbordo", um processo para reunir todos os recursos sobressalentes às necessidades da Fundação por um certo período e destiná-los a outras instituições e ongs parceiras, a exemplo do ocorrido no show.

- Parabéns senhorita, Saori. – um dos empresários falou – Sei o histórico desta instituição. Se seu avô estivesse entre nós, ficaria orgulhoso de ter uma neta tão empreendedora.

- Muito obrigada, senhor Galadeus. Agradeço o elogio, entretanto estes resultados também são fruto dos esforços de uma equipe fantástica.. – apontou os dois cavaleiros.

- Parabéns Kamus e Shura. – o homem falou – Tenho certeza que foram co-participantes desta grande vitória.

- E ainda há muito a fazer. – o espanhol manifestou-se.

- Obrigado, senhor Galadeus. – Kamus agradeceu – Estas parcerias, como a que está fazendo conosco, nos permitem alçar vôos cada vez mais ousados.

- Gosto deste rapaz, Saori. – disse para a deusa – É melhor você tomar cuidado. Se algum dia ele passar distraído em minha calçada, ofereço-lhe uma sala com um nome na porta.

- Então vou cuidar para que ele não passe. – Saori respondeu em tom de brincadeira.

O homenzarrão riu abertamente, contagiando os demais. Infelizmente ao mover os braços bateu a mão na bandeja da senhora que recolhia águas e cafés, fazendo um dos copos, quase totalmente cheio, cair sobre o Aquariano, ensopando-lhe a camisa e a gravata.

- Essa não ! Que desastrado sou. – replicou chateado – Desculpe, Kamus. Dei uma péssima primeira impressão como futuro chefe.

- Não se preocupe, senhor Galadeus. – o francês sorriu – É apenas água.

- Viu, Saori ? Isso pode ser um presságio que este jovem deve vir para cá.

- Bem, senhor Galadeus, no momento me parece um presságio para ele ir ao banheiro se secar.

Todos riram.

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- Kamus, tudo bem ? – o espanhol perguntou ao entrar no banheiro.

- Claro, Shura. É só água. – disse, secando a camisa no secador de mãos.

Quando o francês foi vestir a camisa, o Capricorniano viu algo que chamou sua atenção. Kamus utilizava uma corrente com um pingente em forma de anel. O espanhol tinha certeza que já vira um assim antes, mas não se lembrava onde.

O Aquariano terminou de se vestir e saíram.

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Mesmo dia. Durante a noite. Templo de Capricórnio...

Shura apagou a luz do quarto e virou-se de lado. Fechou os olhos e estranhamente a lembrança do dia do último show veio à sua mente. Discutira feio com o Escorpiano. Milo ficara bravo por causa da primeira música do Pearl Jam. Podia até visualizar as feições do grego. O Escorpiano ficara irritado e gesticulara muito.

O Espanhol abriu os olhos e sentou-se sobressaltado. Isso era uma loucura. Não poderia ser verdade. Fechou mais uma vez os olhos e visualizou o grego novamente.

Poderia ser uma loucura, mas agora sabia de onde conhecia o pingente que o Aquariano usava. Milo tinha um. COMPLETAMENTE igual.

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Nota da Autora – Explicações

(1) Ménage à trois – casal de três. No caso, Mu, Shaka e Milo.

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Nota da Autora - Agradecimentos

Depois de muito trabalho, mudança de área, impossibilidade de usar o computador, férias e até pane no micro, eu finalmente voltei !!! Obrigada a todos que me incentivaram a continuar. Saibam que isso foi muito importante. Beijo especial as que escreveram: Litha-chan, Virgo-chan, Cardosinha, Flor de Gelo, Anjo Setsuna, Nana Pizani, Ilía Chan, Shakinha, Hana no Yuki, Lady Yuuko, Volpi, Ophiuchus no Shaina, Deh.

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Nota da autora: Contato

Para mandar comentários, críticas, dicas, opiniões, podem me contatar no erika (ponto) patty (arroba) gmail (ponto) com (não tem o BR) ou via review neste site.

Bjos a todos.

Bela Patty

- Jul/2007 -