Mais um capítulo! Creio que o próximo seja o último... e me perdoem pela demora para postar, mas eu estou em provas... oo

As notas estão no final da fic

Boa leitura!

Ged

Sooner or Later


Capítulo 3: Desentendimento.

Roy caminhava apressadamente pelas ruas da cidade Central. Queria ver Riza para saber se ela havia dormido bem e se nenhum Havoc passara por lá.
Com passos rápidos, em pouco tempo já estava parado na frente do hospital que ainda estava fechado para visitas. Sua reação foi de ficar com raiva de si. Tão cedo na porta do hospital?
Como tinha tempo sobrando, aproveitou para perambular pela cidade. Agora, o coronel caminhava com passos lentos e sem rumo pelas ruas, olhando as lojas fechadas e suas respectivas vitrines. Seu olhar passou na banca da esquina (1), cujo, o dono estava adquirindo os jornais do dia.
Um senhor sorridente, de certo o proprietário do estabelecimento, pegava os jornais com certa dificuldade devido ao seu sobrepeso que carregava na cintura. Ele parecia estar bem acostumado com a rotina de erguer uma grande quantia de papel todas as manhãs.
Pouco tempo depois, Roy já estava dentro daquele aconchegante local, onde livros, revistas, quadrinhos reinavam. Olhava as estantes com os olhos brilhando, pois fazia muito tempo que não entrava numa revistaria, o que se considerava como um tipo de lazer.
- Oho! Bom dia! – riu o senhor, estalando as costas.
- Bom dia – o coronel assustou-se com o barulho. Não era todo dia que se ouvia alguém estalar as costas num som tão alto. Em tom de preocupação completou – O senhor está bem?
- Claro, meu filho, claro. Já é meu costume fazer isso todas as manhãs... levantar essa papelada todo dia não faz bem... nós enferrujamos bem rápido...– suspirou o simpático vendedor.
O militar o olhou. Pensar na vida não era seu forte, muito menos ficar lembrando de vidas que retirou. Roy não gostaria de ser um assassinado. Ele gostaria de enferrujar como aquele senhor... O coronel olhou para o ele e murmurou:
- A vida é curta e devemos aproveitá-la ao máximo
- Oho! Isso é o que todos falam! – riu novamente o bondoso homem – Gostaria de comprar alguma coisa?
- Mas você é mercenário (2) mesmo, hem!? – disse Roy olhando algumas revistas e colocando-as no balcão onde o dono esperava para fazer os cálculos.

Após comprar algumas revistas interessantes (3), o jovem coronel caminhou folheando uma delas rapidamente. Seus pensamentos não estavam naquelas palavras e letras impressas nos papéis, mas sim em Riza. Todavia, enquanto observava a revista com pressa, virou uma página tímida e uma propaganda que tinha uma bonita foto de uma jóia se revelou. Aquilo fez com que Roy parasse por alguns instantes na calçada.
Ele se lembrou que queria comprar algum presente para ela. Uma jóia havia sido sua decisão. Antes de voltar para o hospital, ele parou um tempinho na joalheria onde havia encontrado Jean na noite anterior. Diante a vitrine, observou seu reflexo que estava com uma expressão péssima, carregada de preocupações e de cansaço. Tratou de tentar melhorar dando um largo sorriso falso.
Mas quando sorriu, notou um espaço vazio na vitrine. Não se recordava daquilo, mas ignorou, afinal não pretendia perder muito tempo escolhendo uma jóia bonita. Logo, bateu o olho no canto oposto da prateleira de vidro. Lá havia um colar folheado a ouro com um brilhante pequeno. Simples e bonito.
- Será que Riza vai gostar? – pensou quando olhou melhor a jóia.
Não resistiu, comprou o presente, que não era caro, e queria entregá-lo ainda naquela manhã. Roy gostaria de vê-la sorrindo com a pequena lembrança. Com essa pequena aquisição, seu humor mudou... para melhor.

Caminhava com certa pressa de voltar para o hospital. Estava ansioso, queria ver a reação dela logo. Um pequeno sorriso estava claramente esboçado em seus lábios, porém, esta felicidade se esvaiu quando encontrou alguém descendo as escadas que davam para a área em que Riza estava internada.No hospital, Roy conseguiu fazer uma breve visita para Riza. Mas quando ele abriu a porta, todas as suas dúvidas pareciam ter sido confirmadas.
Ela segurava um belo par de brincos cuidadosamente. Simples, como o colar que havia acabado de comprar. Um pequeno sorriso era visível e ela parecia estar lendo (ou relendo) um cartão.
Com tudo isso, Roy teve certeza: Havoc comprou algo na noite anterior naquela joalheria. Saiu do local com raiva. Não estava a fim de encontrar seu subordinado...
Desceu as escadarias do hospital e encontrou Havoc caminhando em direção ao quartel.
- Ha-Havoc? – murmurou Roy desesperado – O que você veio fazer aqui!?
- Ah, bom dia coronel! – sorriu Jean. – Fui visitar a Riza...
Visitar a Riza? Quem deu essa liberdade!?
-... e entreguei o presente dela...
Aquilo havia passado dos limites suportáveis no ponto de vista de Roy. Ele ainda assumiu o que fez, na minha frente! – pensou o jovem coronel. Mas ficou fora de si e pegou com violência a gola da farda de Jean, fazendo-o estranhar a situação.
- Coronel!?
- MISERÁVEL! – e assim, Roy deu um soco no estômago de Havoc, que se agachou por alguns instantes sentindo o golpe que fora desferido com tanto ódio.
Havoc não estava compreendendo. Por que seu chefe havia feito isso? Por que razão ele estava apanhando? Enquanto ele se levantava do chão com a mão no abdômen, Roy continuava a ofendê-lo com palavrões sujos. O segundo tenente imediatamente notou a falta de atenção do coronel e, com um movimento imprevisto pelo seu superior, deu-lhe um soco no rosto.
Roy cambaleou para trás, deixando suas sacolas caírem. Sentiu que escorria sangue de seu nariz e, com isso, levou a mão ao rosto para conter o sangramento Logo que se recuperou, avançou contra seu subordinado, tentando revidar o soco. Mas devido à altura, Havoc tinha vantagem sobre seu adversário (4). Desviou do golpe e contra atacou-o com um chute.
Uma multidão formou-se ao redor dos dois. Algumas pessoas tentaram se intrometer naquela estranha briga, mas não encontraram a brecha perfeita para isso.
Chutes, pontapés, socos poderiam ser vistos com grande freqüência. Roy havia conseguido puxar uma de suas luvas inflamáveis, porém, Havoc conseguiu chutar a mão do coronel antes que, supostamente, virasse carvão.
Mustang sentiu o chute e urrou de dor, porém, seu subordinado aproveitou e chutou a perna direita de seu chefe, forçado-a para baixo. Sentiu que algo havia sido quebrado. Roy levou suas mãos à canela:
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHH!!!!!
Havoc olhou feio para a situação. Não queria ter machucado tanto seu superior, mas, virou-se e caminhou em direção ao quartel, ignorando totalmente o apelo da multidão. Não tinha mais nada para fazer ali.
Por causa da dor, Roy acabou desmaiando, e para sua sorte, estava em frente ao hospital facilitando na velocidade do atendimento médico.

Quando acordou no hospital, de tarde, o coronel sentiu-se triste: finalmente pôde concluir que Havoc estava namorando Riza. Será que ela o confundiu com seu subordinado na hora em que se declarou? Ele sentiu que o tempo passava lentamente enquanto pensava no assunto, e quando acreditou que o horário do expediente do quartel havia acabado, escutou batidas rápidas na porta.
A enfermeira que estava atendendo o quarto dirigiu-se à passagem e atendendo ao chamado. Depois de alguns segundos, ela abriu caminho, fazendo com que o olhar do coronel levantasse preguiçosamente.
Ele não pôde perceber no primeiro segundo quem era, mas tudo que conseguiu observar era que quem estava ali trajava as fardas azuis do exército. Depois, Roy piscou com força e notou que era ninguém mais nem menos, Havoc.
- Maldito... – murmurou entre os dentes enquanto colocava a mão na perna enfaixada.
- Coronel, eu peço desculpas por hoje de manhã – disse seu subordinado olhando tristemente para a cama.
- Além de quebrar minha perna tem a cara-de-pau de vir aqui...
- Eu vim entregar suas sacolas...
Roy olhou com desconfiança para Havoc. O Segundo Tenente parecia estar fingindo que nada sabia sobre os fatos que envolviam ele e Riza.
- Senhor – Jean falou num tom baixinho – Eu não entendi por que brigamos...
- Ah, conta outra! Você sabe muito bem! Você e Riza estão... namorando!
Havoc ficou estático. Parado, por alguns segundos, ele começou a rir, deixando seu chefe confuso.
- Há, há, há, há... era isso então? Eu fui entregar o presente da Riza! – respondeu Jean como se fosse óbvio – Ah... você está é morto de ciúmes, coronel!
- E-eu?! – Roy ficou vermelho – I-imagina... eu com ciúmes?
- Isso mesmo. Você está com ciúmes e não quer assumir. Anda! Assuma logo que gosta dela...
- Hem? – o coronel parou e o fitou. Tinha algo errado. Jean? Incentivando-o a assumir que gosta de Riza. Mas por quê? - Havoc... você deu aquele par de brincos para Riza por qual razão, então? Amizade?
- Quase isso, coronel... – Havoc o olhou com indiferença – Aquilo na verdade foi uma... "vaquinha"(5)...
- "Vaquinha"!?
- É. Cada um dá um pouco de dinheiro e eu me responsabilizei por comprar o presente... Eu, Fuery, Falman e Breda contribuímos... Mas a Riza já...
- Sim, e por qual motivo vocês não me chamaram para essa suposta... "vaquinha"? – perguntou Roy cortando, porém, sua mente estava ficando cada vez mais lúcida. Todas as suas acusações sobre o fato de Havoc e Riza estarem namorando foram anuladas em questão de segundos. Percebeu que houve um grande desentendimento. Roy acabou fazendo uma tempestade... em copo d'água.
Sem olhar para trás, sem pegar o presente de Riza, sem desculpar-se pela confusão, Roy levantou-se da cama e saiu mancando pelo quarto. Porém Havoc o parou.
- Ela não está mais aqui, coronel. Ela foi para casa. Recebeu alta hoje mesmo.

Passado dois dias, Roy finalmente pôde ir para casa. Com a mente mais calma sobre o fato de Riza e Havoc não estarem namorando, ele conseguiu mancar, com sucesso, até o carro, onde Jean o aguardava. Ele o ajudou a embarcar.
- Coronel... para sua casa?
- Não, Havoc... para a casa de Riza...
- Certo... e como está a perna? - Jean o fitou enquanto trocava a marcha.
- Melhorando rapidamente...
E assim foi a corrida até a casa da Primeira Tenente. Roy sentia que iria ser bem silenciosa, e de fato foi.
Na frente da casa dela, Mustang parou para pensar no que falar. Segurava trêmulo o presente que havia comprado há três dias atrás e murmurava maneiras de conversar com ela. Respirou profundamente e levou a mão na porta, batendo-a.
- TOC, TOC.
Nenhuma resposta.
- Ah! Coronel... – Havoc chamou - ela saiu para fazer exames e não sei quando volta...
- Então... vou para casa... – disse embarcando com dificuldade no carro.

Passada uma semana, Havoc foi acompanhar Roy para retirar o gesso que tinha na perna e, assim, sair à procura da tenente. Quando o fez, saiu à procura da tenente no hospital, deixando um subordinado desesperado com as sacolas que o coronel deixara para trás.
Abriu a porta com um rápido movimento, assustando as recepcionistas. Ele continuou correndo com um enorme sorriso nos lábios. As enfermeiras tentaram pará-lo, mas fora tudo em vão. A força de vontade do coronel era maior que qualquer outra coisa por ali (6).
Finalmente, estava a poucos passos de distância da porta do quarto de Riza. Sem pensar, Roy girou a maçaneta.
- RIZ... a... – o coronel estranhou. Ele tinha certeza de que estava no quarto certo. Contudo, no local onde Riza deveria estar, havia uma senhora de seus sessenta anos acompanhada de uma menina e uma enfermeira.
A senhora o olhou cuidadosamente e murmurou:
- O que você busca não está mais aqui.
- Hein? – Roy levou a mão aos cabelos, nervoso – C-como não!?
- Creio que você estava procurando por Riza Hawkeye, não é? – perguntou a enfermeira.
- Sim! Eu estou procurando por ela!
A menina ergueu a cabeça e o encarou.
- Foi como a vovó disse, moço. Ela não tá mais aqui.
- Ela recebeu alta semana passada... – a enfermeira acrescentou enquanto separava alguns comprimidos. Mustang tinha esquecido que ela não estava mais por ali, recordara-se que Jean havia comentado com ele sobre o assunto.
Roy saiu preocupado, pois achava Riza poderia estar no quartel. Desceu as escadas com pressa e, por sorte, deparou-se com Havoc segurando suas sacolas.
- Ah, Havoc!
- Pode-parar-por-aí, coronel! – disse Jean num único fôlego, enquanto estendia o braço para manter distância. – Você ainda não pediu desculpas por todo aquele mal entendido e ainda deixou suas sacolas para trás enquanto eu o aguardava na sala de espera... francamente!
- Você sabe onde Riza está?
- Na cidade, talvez...
Roy puxou as sacolas da mão de Havoc e procurou pelo presente que havia comprado para Riza. Logo que encontrou, entregou novamente seus pertences à Jean e saiu com o embrulho em mãos, deixando para trás um subordinado confuso.
Com o olhar cauteloso, o alquimista procurava por Hawkeye na cidade, sem noção nem idéia de onde ela estaria. Dez, vinte, trinta minutos a até duas horas procurando-a nas ruas. Sua mente estava vazia, nenhuma idéia de onde ela poderia estar.

Continua...


Notas:

(1) Banca da esquina: típica expressão (gíria) minha... qualquer coisa, menciono a danada da esquina...
(2) Mercenário: apelido que meus amigos me deram... geralmente eu ccobro por algumas coisas, mas, na maioria das vezes, sai de graça mesmo... é tudo na brincadeira...
(3) Revistas interessantes: NÃO ME PERGUNTEM O CONTEÚDO!
(4) Vantagem de Havoc sobre Roy: como Havoc é mais alto, automaticamente ele tem pernas um pouco mais longas, ajudando na velocidade. A prova disso é que a cada dois passos meus, meu pai dá apenas um...
(5) Vaquinha: onde eu moro, usamos essa expressão... fazer uma vaquinha é a mesma coisa que juntar dinheiro e investir ele num presente especial para alguém, assim como Havoc explicou depois. Também chamamos de "povão".
(6) "A força de vontade do coronel era maior que qualquer outra por ali": coloquei como nota porque isso me lembra física... um objeto só entra em movimento se a força que ele exerce é maior que a força de atrito... é como disse a Pinky-chan2: "fic também é cultura".

Agradecimentos especiais à:
Pinky-chan2
e a você leitores!

Até a próxima! (Creio que posto semana que vem... Féeeeeerias - e deixem reviews... isso me empolga para escrever!)