O Guia Mais Que Necessário da Grande Cidade Grande

Por Belle Lolly Sorcellerie

Dica 07 – Medo. Um troço estranho, que te faz pensar mil e uma coisas, mas que no fim, todas elas eram estúpidas bastante para acontecer.

Começar essa dica do Guia creio que vai ser o mais legal, enfim. Por quê? Porque enfim eu vou poder falar do que todos estavam esperando que acontecesse! Inclusive eu! E não é um encontro com o James! Mas vamos começar devagar, antes que eu estrague tudo o que aconteceu logo no começo, e você não fique sabendo de nada, na verdade.

Foi o seguinte: Na segunda-feira eu pude enfim ir fazer minha matricula na faculdade, ou ao menos foi o que eu pensei. A coordenação não estava muito de acordo comigo, sabe, e me mandou voltar no dia seguinte, que seria o verdadeiro dia de começo de matriculas da re-chamada do programa. Fui para casa sentindo cada nervo de minha pele querendo saltar e enforcar as funcionárias estúpidas que haviam me dito que era hoje. Só porque meu dia estava bom! Tipo, o trabalho não fora tão estúpido, James me elogiara, dizendo que eu estava com brilho nos olhos, e eu comprara meu lindo material escolar (Ou seria facultativo? Talvez Universitário. É creio que é melhor), que é todo cor-de-rosa. E então uma velha mal amada me diz que não vai ter matricula naquele dia? Eu cheguei batendo pé em casa. E para minha imensa alegria o que mais eu tenho que enfrentar? Os marotos em casa! E eu com aquela maldita cara de derrotada!

- Mas já, Lene? – Christal falou, cruzando os braços, com um sorriso de deboche no rosto. – Suas aulas super divertidas ainda não começaram? Ou você não ganhou a bolsa-perfeita?

Eu não estava com o mínimo humor para enfrentar aquela maldita, e então só suspirei e fui para meu quarto. Antes de chegar lá eu ouvi os marotos zombando da Christal, e falando o quanto ela era má. Ótimo.

Mal eu cheguei ao quarto, e joguei minha mochila em um canto, ouvi passos atrás de mim. Era James, sorrindo.

- Você não me parece muito bem, Lene... – Ele sorriu, e colocou as mãos nos bolsos. – Aconteceu alguma coisa?

- As matriculas começam só amanhã. – Ela deu de ombros. – Acho que estou um pouco decepcionada. Queria muito começar hoje, sabe como é.

Ele sorriu e entrou no quarto, olhando ao redor. Eu não tinha muitas coisas nele, mas adorava tudo. Ele pegou uma foto que estava na mesinha ao lado da porta, onde eu, minha irmã e minha mãe, estávamos vestidas de caipira em uma festa junina.

- Você deve sentir saudades delas. – Ele colocou a foto no lugar, com um sorriso.

- Bastante. Se minha mãe estivesse aqui, por exemplo, ela agora estaria me fazendo chocolate quente, provavelmente, e rindo dessa minha cara de acabada.

- Bem, eu não sou sua mãe, mas se quiser a gente pode sair agora e arranjar um lugar para você tomar seu chocolate...

- Com canela? – Sorri, enquanto sentia meu coração acelerar de uma forma nunca imaginada.

- A gente dá um jeito.

Senti as bochechas queimarem, enquanto concordava com a cabeça. Não era possível que existisse alguém como James Potter! Ele era perfeito demais para uma pobre mortal como eu! Saímos do quarto juntos, e eu ignorei os gritos de incentivos indecentes que os marotos gritavam. James estava vermelho quando entramos no elevador.

- Desculpa pelos garotos... Quero que saiba que eu não vou fazer como eles disseram.

Eu pensei seriamente em me fazer de sensual e responder algo como "se você quiser, nós podemos"... Ou algo assim. Para meu desespero, porém, tudo o que eu conseguia era olhar para nossos sapatos (E pensar seriamente em como ele poderia gostar de um all star tão sujo). A porta do elevador abriu e saímos para a noite gélida. O carro (lindo e perfeito) dele estava estacionado próximo, mas mesmo assim pareceu uma eternidade. Estávamos ambos em um silencio constrangedor que começava a me irritar, e eu não gosto nenhum pouquinho de ficar irritada.

Quando ele já dava a partida, ouvi-o suspirar pesado, tentando encontrar coragem para tentar falar alguma coisa.

- E então, há muitos lugares que vendem chocolate quente por aqui? – Perguntei em um fôlego só, tentando sorrir tranqüila (E definitivamente não conseguindo).

- É o que vamos descobrir agora. – Ele sorriu para mim, enquanto piscava marotamente. E eu soube que estava apaixonada.

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- Espero que seu chocolate não tenha esfriado – Ele disse enquanto entrava de novo no carro, com a sacola do mercado. – Sua canela, como prometido.

Ri, enquanto abria o potinho e jogava um pouco no chocolate. James havia feito questão de parar em um mercado para comprar a canela para mim, quando a moça da cafeteria disse que não faziam com. Foi algo tão romântico e perfeito. Claro que não havia uma belíssima lua cheia no céu, e nem um monte de estrelas... E bem, nós estávamos no estacionamento de um mercado 24 horas, enquanto queimávamos nossas línguas com o chocolate. E em silencio. Não aquele silencio constrangedor que havia antes, mas um silencio gostoso, de quem divide um momento único e inesquecível com alguém.

Ter descoberto de repente que eu estava apaixonada por ele fora algo que eu não esperava, e, ta, isso não é tão legal assim, já que eu sabia que não conseguiria encontrar coragem de contar para ele tão cedo. Mas eu também sabia que se ele viesse e tentasse alguma coisa comigo, eu não iria impedir nem um pouquinho. Para falar a verdade até podia imaginar... Ele largaria o chocolate quente, se debruçaria para cima de mim, e me beijaria. Seria uma coisa linda e perfeita! Mas eu não conseguia imaginá-lo fazendo realmente isso. E fora que minha mente muito esperta ficava encontrando um monte de erros na minha imagem perfeita na mente. Como, por exemplo, onde ficaria meu chocolate. E se eu tivesse com a boca cheia? Eu estava começando a me irritar.

Estava tão distraída que nem havia reparado que James não estava prestando atenção em mim, de verdade. Ele olhava, com o cenho franzido, preciso dizer, para uma garota que estava saindo cheia de sacolas do mercado. Minha primeira reação foi olhá-la de baixo à cima, com raiva. Ela tinha os cabelos vermelhos, e usava uma calça jeans simples com uma blusinha branca, e um casaco. Da roupa dela eu nem poderia falar mal, já que volta e meia, eu usava igual, mas quanto ao resto, sai achando defeito em tudo.

- É amiga sua? – Tentei falar com calma, mas sei que deve ter soado muito enciumado.

- É uma garota metida da faculdade. – Ele deu de ombros. – Quem a vê na faculdade não fica imaginando que ela sai por ai assim... Ela está sempre impecável, maquiada e etc...

Ele deu de ombros, e eu continuei olhando-a e planejando seu assassinato. Ela estava estragando meu encontro perfeito.

- Mas de qualquer forma... – Ele sorriu para mim. Eu havia tomado meu chocolate quente todo, e não tinha a mínima idéia do que iria acontecer agora. E enquanto o carro dela se afastava eu conseguia imaginar perfeitamente que poderíamos voltar onde estávamos. Ledo engano. – Bem... Sabe Lene... Você não fica chateada, mas eu preciso acordar cedo amanhã, e acho que talvez tenha que te levar para casa já...

- O que isso! – Eu sorri, tentando parecer adorável, e sentindo cada nervo meu ferver. – Eu também tenho que acordar cedo...

Ele sorriu, e começou a manobrar o carro. Mas eu vi que ele olhara na direção que o carro dela seguia. Eu precisava descobrir quem era essa garota maldita, e mandá-la para o lugar que ela merece!

O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA.

Um dia de trabalho não havia parecido que durava tanto quanto no dia seguinte. Em questão de horas eu estaria me tornando uma universitária, e nada me parecia mais legal de se imaginar. O sol estava brilhando, o céu de um azul que há muito eu não via, e eu cantarolava uma canção qualquer. Mas mesmo assim o dia não passava. Por fim, o relógio bateu às 5 horas, e eu pude largar os patins e o uniforme, e ir para a faculdade.

O caminho me pareceu uma eternidade, enquanto eu segurava uma cópia de "Sangue e Ouro", um livro que eu havia escolhido para meter minha cara dentro, caso eu não conseguisse encontrar coragem para falar com ninguém (Ou se ninguém quisesse falar comigo). Claro que o caminho todo eu não consegui nem mesmo abri-lo, enquanto tamborilava "Show de Rock 'n' Roll" com os dedos.

Cada uma das pessoas que passavam do meu lado me faziam pensar se seriam meus colegas de classe, que aulas eu teria, que tipo de sala seria e todas as baboseiras que geralmente permeiam nossa mente durante trajetos importantes como esse.

E então, lá estava ela. Linda, imponente e grande como só ela. A faculdade. Olhei-a enquanto segurava o fôlego, e sentindo as lágrimas virem aos meus olhos. E tudo o que eu conseguia pensar era: "É, mãe... Nós conseguimos". E entrei de cabeça erguida.

Continua...

O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA – O GUIA.

n.A.

Capitulo curtinho, mas para marcar a volta. Eu sei que muitos eseram pelas atualizações, e eu peço muitas desculpas por isso, mas minha vida estava muito corrida, e agora que eu parei, simplesmente não encontrava forças para escrevê-la. Espero que tenha sido só uma fase, e que logo vocês tenham muitos capítulos para ler!

Beijinhos, e leiam as outras fics que postei hoje, Apenas não me diga´ e ´Sobre Chás e Cachorros´.

Saudades!

Lolly.