Capítulo 16

O Suficiente

I wish I was your favourite girl, (Eu queria ser sua garota favorita)

I wish you thought I was the reason you are in the world. (Eu queria que você pensasse que eu era a razão de você estar no mundo)

I wish I was your favourite smile, (Eu queria ser seu sorriso favorito)

I wish the way that I dressed was your favourite kind of style. (Eu queria que o jeito que eu me vestisse, fosse seu estilo favorito)

I wish you couldn't figure me out, (Eu queria ser um mitério para você)

But you always wanna know what I was about. (Mas, você sempre sabe o que eu vou aprontar)

I wish you'd hold my hand when I was upset, (Eu queria que você segurasse minha mão quando eu estivesse triste)

I wish you'd never forget the look on my face when we first met. (Eu queria que você nunca se esquecesse da expressão em meu rosto, quando nos conhecemos.)

The Nicest Thing - Kate Nash

-Terminou.- Harold disse com um suspirou de alívio, desligando o computador.- Ainda bem, já é de manhã.

-Pode deixar, eu ajeito tudo, Dr. Mierzwiak.- Stan respondeu, sem encara-lo.

-Obrigado. Nós conversamos depois, Stan.- Harold concordou envergonhado, antes de desaparatar.

Stan suspirou, olhando para Harry. Queria poder esquecer aquela noite também, como ele.

Estacionando o carro, em frente a empresa, Stan abriu a porta do furgão pronto para descarregar tudo. Foi quando viu Mary saindo do prédio com uma caixa na mão.

-Ei, Mary!- ele gritou, correndo até ela, preocupado.- Você está bem?

-Eu estou indo embora.- ela falou brava, colocando a caixa em um velho carro trouxa.

-Eu te entendo, sabe?- ele falou tristemente.- Faria o mesmo em seu lugar.

-Você jura que não sabia de nada?- ela se virou para ele, desconfiada.- Que não foi você quem me apagou?

-Juro! É claro que às vezes desconfiava. Você parecia tão feliz em uma época, então tudo parou e eu achei que estava imaginando coisas. Sabe,- ele acrescentou timidamente.- eu realmente gosto de você, Mary.

-Adeus, Stan.- ela respondeu, beijando-o na bochecha, e entrou no carro.

Ela o viu se distanciar, pelo espelho retrovisor, e suspirou triste. Então, apanhou no bolso uma lista de pacientes do Lacuna Inc, do bolso. Tinha muito o que fazer.

XXX

Harry estava no litoral, olhando o mar, lembrando-se da manhã estranha que tivera. O apartamente bagunçado, o carro batido, a dor de cabeça, a viagem maluca que resolve fazer, o caderno em que não anotara nada nos últimos dois anos, a menina da casaco laranja se afastando cada vez mais. Luna...

Harry ouviu alguém batendo no vidro do carro, despertando-o das lembranças, e acordou com um pulo, a mão no bolso segurando a varinha. Luna ainda não voltara de dentro de casa, do lado de fora do carro havia um garoto de pouco mais de 18 anos, baixinho e fraco. Harry abaixou o vidro com cuidado, do mesmo jeito.

-Sim?

-Posso ajuda-lo?- o garoto perguntou, era levemente familiar.

-O que você quer dizer?

-Posso te ajudar em algo?

-Não.

-O que faz aqui?

-Eu não estou muito certo...

-Obrigado.- o rapaz o interrompeu, indo embora.

Harry ficou paralisado um instante, sem entender. Preocupado, resolveu checar se Luna estava bem. O portão da casa dela estava aberto, e ele foi entrando.

-Luna?- chamou, quando encontrou a porta entreaberta.

Foi quando ouviu a voz dela, como se conversasse com alguém. Estranhando, entrou na sala, encontrando-a sentada no chão de costas para ele. Ela encarava uma caixa de gravação, de onde vinha a voz que ele ouvira.

'Eu quero apagar Harry Potter de minha memória'., a voz dizia, e ele sentiu seu estômago se contorcer, confuso. O que era aquilo? O que estava acontecendo? 'Quero apagar os últimos dois anos em que ficamos juntos, pelo menos.'

-O que é isso?- perguntou.

-Eu não sei.- Luna respondeu, se virando. Parecia mais pálida, os olhos mais arregalados que o normal.- Recebi uma carta dizendo que é de alguém chamada Mary, que trabalha em uma empresa bruxa que apaga a memória das pessoas. Parece que ela está mandando a memória das pessoas de volta.

'O Harry está diferente, eu quase não o reconheço mais.' a voz da gravação continuava 'Eu não o entendo mais. Ele me magoada, sempre. Eu acho... que não gosto do que ele se tornou.'

Harry prendeu a respiração, aquilo seria mais uma das maluquices de Luna? Deu um passo para trás, sentindo-se mal.

-Eu não sei o que está acontecendo!- ela exclamou desesperada- Veio pelo correio, eu...

'Eu não agüento mais viver com ele.' a voz da caixa disse por fim 'É tão triste...'

Foi como se as últimas palavras tivessem batido em Harry, machucando-o seriamente. Assustado, e subtamente magoado, ele começou a andar para a saída, ouvindo Luna fechar a caixa. Aquilo não importava mais, já ouvira o suficiente.

-Harry, eu...- ela tentou se explicar, mas ele não queria ouvir.

Harry saiu correndo da casa, e entrando no carro, deu a partida querendo ir direto para casa. As palavras de Luna ainda ecoando dolorosamente em sua cabeça. Ele acelerou mais, não sabia porque se sentia tão triste e magoado com elas. Faziam anos que não se viam, exceto os três dias em que passaram juntos. A primeira vez que se viam desde a guerra. Então, por que ela dissera que eles ficaram juntos durante dois anos? Por que ele se sentia tão machucado?

Quando chegou em casa, porém, a primeira coisa que viu foi uma coruja em sua janela, com um embrulho para ele. Um cartão vinha junto, escrito Lacuna Inc. no pergaminho, assinado por alguém chamado Mary. Exatamente como o pacote que Luna recebera. Seria aquilo a idéia de que alguém fazia de uma brincadeira? Ainda assim, uma sensação estranha tomava conta dele, como se aquele nome lhe fosse familiar. Harry correu para dentro de seu apartamente e, tremendo de nervosismo, abriu o pacote, ali havia uma caixa de gravação. Ao abri-la, reconheceu a própria voz soando a sua volta, dizendo coisas que não se lembrava de ter dito. Mas, não havia dúvida, aquela voz era a dele.

'Meu nome é Harry Potter, e eu estou aqui para apagar os últimos dois anos, que vivi com Luna Lovegood. Acho que tudo começa quando pedi a Gina, no final de meu sexto ano, para que nos separássemos para a segurança dela. Não houve resistência, Gina simplesmente me entendeu e aceitou. Justo quando eu precisava de alguém que dissesse 'não', e ficasse a meu lado, como o Rony e a Hermione. Naquela época eu não sabia disso, hoje eu sei. Foi por isso que terminei de vez com a Gina, meses após o fim da guerra, por ela não me amar o suficiente. Já com a Luna, foi diferente. Ela ficou ao meu lado sempre, sem que eu percebesse. Na escola acreditando em mim, lutando contra Comensais da Morte, me acompanhando em uma festa para as outras garotas não me chatearem. Sempre como amiga, mas ela sempre esteve ali!'

Harry engoliu em seco, reconhecendo a verdade naquela palavras. Ele se sentou, ouvindo atentamente a caixa. Era como ouvir pensamentos que ele nunca havia admitido a si mesmo. A voz na caixa continou, como se sorrisse.

'A Luna para mim sempre foi um mistério. No começo eu apenas a achava estranha, depois ela se tornou uma amiga. Eu me acostumei com as coisas que ela dizia, e cheguei a gostar de ouvi-las algumas vezes. Deixei de me envergonhar dela, por causa dos outros. Só que, nos últimos tempos, têm sido diferente. Não para mim, mas para ela. Ela tem chorado demais, parecia infeliz ao meu lado. E acho que estava mesmo, já que me apagou...'

A voz dizia em um tom amargo, quando de repente Harry ouviu batidas na porta. Quando olhou em volta, viu Luna parada na porta de seu apartamento, que deixara aberta sem querer. Imediamente ele fechou a caixa. Ela não precisava se magoar, e lembrar de coisas, ouvindo aquilo.

-Como me achou?- ele perguntou assustado.

-Eu não sei.- ela admitiu.- Apenas sabia onde você morava. Mas, não vou demorar.- ela falou, secando rapidamente o que parecia uma lágrima.- Só vim te trazer isto. Quero que você ouça um pedaço.

E delicadamente, ela colocou a caixa aberta na mesa em frente a ele, batendo nela com a varinha, para adianta-la até o trecho que queria que ele ouvisse.

-Adeus, Harry.- murmurou, saindo.

Harry não sabia o que fazer, vendo-a sair. A voz da caixa começou a falar, prendendo-o ali.

'Eu espero que ele entenda, porque eu fiz isso, apaga-lo. Eu apenas percebi que nós dois mudamos, ao longo do tempo, mas acho que isso é comum. As pessoas, como as flores, geralmente amadurecem para chegar até sua forma mais bonita, para depois muchar e morrer. E eu estou com medo de que o amor de Harry para mim seja como uma flor, e que já esteja morrendo. Ele parece tão infeliz comigo, mesmo que não diga nada. E eu não quero que isso aconteça, quero nos manter como éramos. Prefiro tê-lo a meu lado, apenas como amigo, do que não tê-lo nunca ou torna-lo infeliz. Por isso resolvi apaga-lo agora que terminamos, não de meu coração, mas de minhas memórias, para que pudemos para sempre manter essa conecção tão forte que existe entre nós. Eu o amo demais para deixa-lo ir, e talvez isso me torne uma pessoa egoísta. E vou amar sempre, mesmo que ele não se lembre disso. E não da forma como Gina o amou. Gina o amou pelo herói que ele foi, e eu o amo pelo homem que ele é. Apenas... apenas queria que ele soubesse disso, mas não posso... Eu não vou ficar mais no caminho dele.'

Harry fechou a caixa, ainda trêmulo. Luna não o apagara porque não o amava mais. Ela o pagara porque o amava demais para vê-los se tornarem dois estranhos. Se aquilo era certo, se aquilo fazia sentido, ele não sabia. Apenas sabia que aquela era Luna, a Luna que ele conhecia, e que ainda amava!

Ele se levantou feliz, pronto para segui-la, mas parou. Afinal, eles haviam se apagado. Deviam ter alguma razão, que ele não se lembrava, para fazerem isso. Viveram dois anos juntos, muito mais tempo do que aqueles três dias. É, deveria ser o melhor, se separarem de vez. Pelo menos seriam amigos, ele pensou tristemente, com um aperto no coração. Ele podia continuar cuidando dela, mesmo longe. Não seria tão ruim.

Então, seus olhos encontraram algo pendurado na parede, à sua frente. Era um colar de conchas, a do meio com o formarto de uma lua. Aquilo pareceu fazer o coração de Harry se aquecer, e bater mais rápido. E quando deu por si, corria para fora do apartamento, atrás de Luna. Ele sentia seus pernas moverem-se mais rápido do que já havia corrido, sua respiração estava acelerada, e ele desviava da pessoas nas calçadas e dos carros nas ruas, sem parar. Ele só conseguia pensar nela, e em como queria alcança-la. Só parou ao encontra-la, cinco quarteirões adiante, parada, os braços em torno de si, em frente a um ponto de ônibus. Chovia uma chuva fina, e ela se protegia embaixo do toldo. Ele suspirou para neunir coragem, caminhando até ela com calma, sem se importar em se molhar.

-Luna.- ele chamou.- Espere!

Ela se virou para ele, surpresa. Foi quando ele viu que o rosto dela estava molhado, não pela chuva, mas pelas lágrimas, que ela tentava esconder.

-Esperar o quê, Harry?- ela perguntou.

-Olhe, eu sei que a nossa história não é cheia de encontros e desencontros como a do Rony e da Hermione, e nem tão emocionante como a de muitos casais por aí. Ela é confusa, porque não nos lembramos dela direito, e não percebemos que a estávamos vivendo, no começo. Mas, ela é nossa. E isso já a torna especial o suficiente.

-Suficiente para o quê?- Luna perguntou, os olhos fixos nele.

-Suficiente.- ele deu de ombros.- Suficiente para tudo! Até para tentarmos outra vez.

-Mas, e se acontecer de novo? -ela perguntou preocupada.- E se nos distanciarmos de novo?

-Nós recomeçamos. Afinal, amor é justamente isso, um recomeço. Nos sentimos sempre novos, quando amamos. Podemos recomeçar com uma pessoa diferente, ou podemos nos apaixonar todos os dias pela mesma pessoa. Cabe ao nosso coração escolher. E o meu escolheu você, Luna!

-Mas, e se eu te fizer infeliz?- ela perguntou desesperada.- Como antes?

-Acho que foi um mal entendido. Eu não era infeliz com você, Luna, não podia ser. Porque, se fosse, eu não estaria aqui agora, com meu coração tão acelerado em meu peito, morrendo de medo de ouvir um não.

-Isso quer dizer que devemos tentar de novo?- ela perguntou sorrindo.

-Definitivamente.- ele sorriu também.

E correndo para ele, ela o abraçou. Ele a apertou contra si, fechando os olhos, achando que não agüentaria de tanta felicidade.

-Eu quero ver você vai sorrir esse sorriso lindo, todos os dias. E eu vou ficar ao seu lado para garantir isso. - ele respondeu.

-Vai ser bem fácil.- ela sorriu ainda mais.

-Eu te amo, Luna.- ele disse, soltando-a.

-Eu também te amo, Harry.- ela respondeu, beijando-o delicadamente na bochecha, sobre os olhos, na testa e finalmente na boca.

E eles não sabiam, mas apartir daquele dia, iriam viver vários recomeços. Com o casamento, os filhos e os netos que seguiram estes. Sem nunca precisarem se esquecer um do outro. Ao contrário, guardando cada memória como um tesouro, uma prova de que deviam continuar juntos. E ele garantiria a felicidade dela, assim como ela era a felicidade dele.

Fim

N/A- Finalmente terminei a fic! Acho que vai fazer um ano já, desde que a publiquei. É que tanta coisa aconteceu, eu passei um mês fora, viajando, começaram as aulas do cursinho. Enfim, agradeço a todos que tiveram a paciência, e terminaram de ler a fic. E espero que tenha gostado tanto quanto gostei de escreve-la!

Meus agradecimentos especias para (ou seja, quem comentou):

Matheus, por ter me dado tanto apoio, Kaede Minami, Darklokura (espero não ter te matado de curiosidade), Paula, Mr. Hufflepuff (e aih, gostou?), Anitty (ah, para me justificar, escrevi a história no mesmo ritmo do filme! Por isso ficou estranho, a rápido, atá para mim. Espero q tnha gostado), Kamila (obrigada! Eu adoro H/L, e amo esse filme, um dos meus favoritos. Sua amiga tem muito bom gosto, hahaha. Então... espero que tenha gostado!)

A música é de uma cantora britânica muito boa, Kate Nash. Ela é nova, mas recomendo, especialmente 'The Nicest Thing', 'Birds' e 'Foundations', e não se esqueçam de ler as letras das músicas!

Beijos, e até uma próxima (espero), Mary Campbol