II – Carta de Tom:

Cara mãe,

Hoje é a última vez que lhe escrevo. Já faz tempo desde a última carta, eu sei, e é por isso que me despeço hoje.

Agora que eu sei quem sou e o que sou capaz de fazer, eu quero perguntar, pela última vez e mesmo sabendo que não terei uma resposta:

Por que?

Por que meu pai tinha que ser um trouxa? Como você pôde manchar o sangue de Salazar Slytherin, mãe?

Por acaso ele te obrigou? Não posso e não quero acreditar que tenha se apaixonado por um trouxa... Não entendo como se rebaixou a ponto de amar aquele homem... Um verme que não teve sequer compaixão de sua morte e que me renegou desde que soube o que você era.

O amor... Sentimento tolo que não faz falta nenhuma. Se amamos para nos rebaixar perante o mais fraco, eu renuncio a esse sentimento e a qualquer outro tipo de afeto que possa nutrir por alguém.Não quero e não serei fraco como a senhora foi, mãe. Não admito essas tolices e deixei de acreditar no amor e na amizade há muito tempo.

Nunca tive muitos amigos, mesmo porque não queria me misturar à ralé trouxa daquele orfanato... Não tem idéia do asco que senti por toda vida, convivendo com trouxas... Mas hoje tudo muda, minha vingança vai começar.

Acabo de me formar em Hogwarts e sou bruxo maior de idade. Descobri onde ele está e hoje mesmo meu pai e quem mais estiverem com ele vão pagar por tudo o que fizeram conosco. Eu descobri como.

Depois, vou partir. Existem alguns lugares que são interessantes para mim, quero aumentar meu poder e assim dizimar os fracos. Os trouxas serão exterminados, mãe. Não merecem viver, não teremos mais que nos esconder como cães desses idiotas que não sabem sequer o esforço que fazemos para mantê-los seguros de trasgos, dragões e gigantes.

Terei aliados, claro. Há muitas famílias bruxas que como eu, odeiam os trouxas e a mistura entre as raças. Apesar de eu ter nascido dessa mistura eu repudio os trouxas com toda a minha força. O meu ódio me alimenta e me dá força para continuar o meu plano. Meus aliados me chamarão de mestre e meus inimigos morrerão. Serei respeitado por todos, você vai ver. Terão medo de chamar meu nome.

É por esse motivo que esta é a última carta que escrevo. Como as outras, eu a queimarei. Para que eu consiga tudo o que disse, tenho que renegar ao Amor e assim não poderei dispor do meu coração para pensar em você, mesmo que decepcionado por suas escolhas.

Renego também o nome que me deu. O odeio e o uso pela última vez para assinar esta carta. A partir de agora, todos deverão me chamar de Lorde. Herdei o título de nobreza por direito, descobri que Slytherin foi um lorde em sua época. Serei conhecido como Lorde Voldemort.

Assim sendo, despeço-me aqui, desejando pela última vez um Feliz Natal.

Seu filho,

Tom.

Tom pegou a carta e a dobrou. Jogou dentro de um cinzeiro e com um aceno na varinha, o fez queimar. Observou a carta se queimar, quase indiferente. Esperou até que a última chama apagasse, pegou suas coisas e saiu, deixando a última lágrima que derramaria cair nas cinzas do que havia escrito.