Capítulo 3


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O dia já estava alto quando Severo Snape acordou. Fazia vários dias que ele não conseguia dormir, portanto, aquela noite de sono realmente havia feito grande diferença em sua aparência. Lembrou-se do ocorrido durante a madrugada e sentiu um misto de raiva e vergonha. Ele nunca havia se exposto desta maneira para alguém antes, exceto, é claro, para Dumbledore.

Ainda não sabia o que tinha na cabeça quando resolveu chamar a intragável Sabe Tudo até sua casa, provavelmente fosse efeito do Wisque de Fogo que havia tomado. Lembrou-se do dia na floresta proibida em que Dumbledore havia pedido pela morte e mandado que Severo seguisse o próprio coração. Pensando de forma racional agora, provavelmente a única parte do corpo dele que havia sido seguida quando resolveu chamar a garota até sua casa não era exatamente o coração... afinal, o wisque de fogo tinha esse nome justamente por provocar "calores" principalmente nas partes baixas... mas Severo não se descontrolaria com a aluna. Apesar de achá-la uma exibida insuportável, a garota tinha seus méritos, e Severo a respeitava por isso.

O homem percorreu toda a sala com os olhos. Hermione estava em pé olhando para fora de casa meio que escondida pela cortina, que impedia que qualquer um do lado de fora visse qualquer coisa que se passava do lado de dentro.

-Bom dia professor! Espero que não tenha sido inadequado permanecer aqui. Mas precisamos encontrar uma forma de tirá-lo desta casa o mais rápido possível. Este é provavelmente um dos lugares mais óbvios em que o senhor será procurado.

-Na verdade, Srta. Granger, até ontem a noite eu não me importava em ser encontrado e talvez eu ainda não me importe. Mas acho que existem coisas que ainda devem ser feitas antes que eu seja mandado para Azkaban e que com certeza o seu precioso amiguinho Potter não conseguirá realizar sozinho, ainda mais agora, com os novos planos do Lorde Negro dos quais infelizmente fui parte ativa.

-Não diga isto professor! O senhor não teve escolha! Voldemort com certeza deve pensar que esta foi uma forma de recompensá-lo por seus supostos serviços prestados, recusar seria uma ofensa a ele! O senhor estaria impedido de continuar com os planos do Professor Dumbledore e não poderia mais ajudar nem a Ordem e nem o Harry! Mas agora, quanto ao senhor, precisa ir para um lugar seguro... tem alguma coisa em mente?

-Na verdade não, senhorita. Acho que em qualquer lugar no mundo mágico estarei sendo caçado. Não posso usar magia, pois o Ministério deve estar me rastreando. Você provavelmente deve ter chegado à esta casa raciocinando que a magia deixa rastros não é mesmo?

-Sim senhor. Mas neste caso, porque o senhor não vai para o mundo trouxa? O senhor sendo mestiço não deve ter dificuldades.

-Aí é que se engana garota. Meu pai morreu quando eu ainda era criança e a família de minha mãe era sangue puro. Com certeza não conseguiria sobreviver por lá sem magia.

-Bem professor, não moro em nenhum lugar suntuoso. Moro em um apartamento simples na Londres trouxa. Meus pais estão viajando de férias para Paris e só voltam em 2 meses. Se o senhor quiser, pode ficar lá por um tempo até resolvermos o que fazer.

-Agradeço a preocupação, srta. Granger, mas acho que não será apropriado...

As palavras de Snape foram interrompidas por vários "pops" do lado de fora da casa. As duas pessoas na sala se entreolharam. Hermione rapidamente pegou uma pena que estava sobre a estante e a encantou dizendo "portus". Impulsivamente puxou o professor pelo braço e agarrou o objeto. No mesmo instante em que eles desapareceram, a porta da sala da mansão explodiu e dezenas de aurores invadiram a casa.

OoooOoooOoooOoooO

"Atenção senhores passageiros com destino a Cantebury, seu trem partirá em 15 minutos".

Num instante eles estavam na requintada sala da mansão Snape com aurores tentando invadir e explodir a porta. No outro estavam em uma das cabines do banheiro feminino na Estação Central de Londres – sorte que não havia ninguém na cabine onde eles apareceram.

-Você está louca menina? A estação de trem? Você faz idéia de quantos trouxas poderiam ter nos visto?

-Felizmente parece que a sorte está do nosso lado professor. Além disso, como o senhor bem observou, estamos na Estação central de Londres. Milhões de pessoas passam por aqui todos os dias. Seria impossível tentar perseguir alguém a partir daqui.

Severo ponderou as palavras da garota. Não é que a grifinóriazinha estava certa? Mesmo que fossem rastreados pelo ministério até a estação central, os aurores não se atreveriam a uma busca alí em plena luz do dia... jamais poderiam alterar a memória de tantas pessoas ao mesmo tempo. Por outro lado reconhecia a coragem e raciocício rápido dela. Como ele estava sem a varinha até agora, não poderia ter tomado nenhuma medida para protegê-los. Sim, se ela fosse vista com ele poderia ser acusada de traição também.

Neste momento, mais calmo, Severo finalmente se deu conta realmente de onde estava. Era um cubículo minúsculo com um vaso sanitário no meio. Hermione Granger estava com o corpo colado ao dele e olhando para ele esperando um juízo da sua conduta. É claro que ele não diria a ela que realmente achara a idéia perfeita, mas a garota merecia pelo menos um elogio.

-Obrigado, srta. Granger. Seu raciocínio rápido felizmente evitou o pior.

Hermione sorriu e retirando a varinha de Severo do bolso, entregou-a à ele. Por um segundo ela pensou ter visto um projeto de sorriso no rosto do mestre, mas não se deixou iludir.

-E então – perguntou ela - vamos?

-Vamos.

Hermione saiu primeiro da cabine do banheiro e constatou que não havia ninguem alí. É certo que o horário de pico já havia passado, mas mesmo que não fosse isso, eles tiveram muita sorte de encontrar aquele lugar vazio. Afinal, os trouxas poderiam pensar muito mal dos dois se os vissem saindo juntos do banheiro feminino. Poderiam até pensar o absurdo de que eles estavam fazendo sexo! Nesse momento ela corou e torceu para Snape não aproveitar que tinha a varinha de volta e usar leglimencia contra ela.

Os dois saíram da estação de trem. Não se olhavam, nem conversavam, mas estranhamente e claro, sem se darem conta pois não estavam usando magia, pensavam em coisas semelhantes. Snape pensava em como, a despeito de qualquer coisa, era extremamente agradável estar com Hermione. Por outro lado, esta pensava em como o professor, mesmo tentando manter a capa de indiferença e superioridade, estava se abrindo com ela e em como ela estava gostando disto. Percebeu que neste momento ela odiava Bellatrix mais do que nunca.

Os dois andaram um pouco pelas ruas centrais de Londres e tomaram um ônibus. Snape estranhou um pouco aquele veículo bastante parecido com o noitebus, porém mais estável. Percebeu que os trouxas olhavam bastante para ele, como se nunca tivessem visto ninguém naquele estado. Realmente era estranho. Ele estava a vários dias com a mesma roupa (a tradicional veste negra), estava despenteado, estava ainda com alguns machucados resultantes da batalha em Hogwarts e ao seu lado estava uma linda e jovem mulher. Decidiu não pensar nisto e perguntou a Hermione:

-A srta. tem certeza de que não trarei inconvenientes?

-Bem, professor, como disse, meus pais estão de férias na França e só retornam em dois meses. Não precisa se preocupar quanto a isto. Mas tem um detalhe: provavelmente receberei algumas visitas de Harry e da família Wesley. Eles não devem ficar muito tempo, apenas aparecerão para ver como estou. Ah, e Harry está se preparando para encontrar as horcruxes.

-Aquele idiota precisa aprender feitiços não verbais e a fechar a mente, caso contrário, nunca será capaz de derrotar o Lorde Negro.

-É aqui que descemos, professor.

Eles haviam chegado em um agradável bairro de classe média da Londres trouxa. Andaram mais dois quarteirões e Hermione pegou uma chave. Abriu o portão do prédio e entraram em uma cabine onde a menina apertou um botão luminoso com o número 3. A porta fechou e Severo se sentiu como se estivesse ficando mais pesado. A porta abriu e eles estavam em outro lugar. Será que isso era um espécie de magia trouxa?

Adentraram a um simples, mas muito arrumado e confortável apartamento. Hermione deixou Severo a vontade para tomar um banho e relaxar, indicando-lhe o quarto de visitas. Enquanto isso, foi até a cozinha e preparou algo para comerem. Levaria uma bandeja para o quarto de Snape para que ele pudesse se alimentar antes de descansar.

Bateu a porta do quarto e, como esta estava apenas encostada, entrou. Estava ajeitando a bandeja na mesinha à cabeceira da cama, quando viu o professor entrar. Ele estava de banho tomado, o cabelo lavado e penteado para trás, a barba feita, e apenas uma toalha branca presa nos quadris. A visão fez a garota corar. Nunca imaginara que por baixo das vestes do morcegão havia um homem viril, de braços fortes e totalmente interessante. Contrariada, mas sabendo que a ética dizia que ela deveria se retirar, Hermione disse:

-Desculpe professor, eu pensei que o senhor deveria estar com fome e trouxe algo para comer.

Snape se aproximou da garota dizendo: "Obrigada, srta. Granger. Você tem feito mais do que deveria e muito mais do que eu mereço".

Instintivamente levantou a mão acariciando o rosto da mulher à sua frente. Por sua vez, Hermione surpresa, mas estranhamente feliz com tal gesto, virou-se para ele e lhe deu um beijo rápido, porém intenso. Em seguida, ela saiu correndo do quarto.