Cap. 13 – Rosas de Hogwarts
N/A: Olá! Acho que todos ficarão felizes em saber que eu decidi
escrever logo o episódio 13, e que finalmente essa fic
está terminando, e que graças aos céus vocês terão de tentar fazer essa tralha
que sou eu escrever! Bom, muito obrigada por todos os incentivos, e, nossa, é
estranho estar aqui digitando isso hoje!
Mas deixa... Acho que esse capítulo é quase decisivo.
Até!
Talvez porque o clima entre Remo e Gina estivesse tenso, todo o café da manhã daquele dia estivesse tenso também. Como se ambos liberassem ondas de calor dos corpos que se espalhassem por todo o ambiente e deixasse todos sob uma imensa tensão.
Felizmente para Remo, Tonks não estava lá. Ele mal sabia onde ela estava, pois não se importava nem um pouco, mas sabia que ela estava em algum lugar fazendo algum serviço pela Ordem. Remo pensou que talvez se ela estivesse naquela cozinha, o clima estivesse diferente, não porque gostava dela, mas porque ela estaria fazendo idiotices que fariam as pessoas rir. Apesar de tudo, era bom ouvir algumas risadas.
Todos terminaram seus cafés silenciosamente. Os gêmeos foram os primeiros, e logo desaparataram dali. Em seguida os adultos, que foram se despedindo um a um e indo para seus escritórios ou serviços... Sirius parecia mais desgostoso que nunca por ser o único adulto, além da Sra. Weasley, a não ter a possibilidade de fazer nada.
Qualquer um poderia dizer que Remo
estava na mesma posição que Sirius mas não era
verdade. Pelo menos, Remo podia sair quando quisesse, tomar um ar, procurar um
emprego... mas Sirius não. Estava preso naquela casa.
Remo achou que deveria falar com Sirius, e o seguiu
até a sala de estar, para onde ele foi. Gina o seguiu com os olhos, enquanto
ajudava a Sra. Weasley a retirar a mesa.
- E aí, Almofadinhas, beleza? –
perguntou Remo a Sirius quando entrou na sala de
estar. Tentou parecer animado para transmitir alguma alegria ao amigo mas não
deu certo, talvez porque com seu estado de espírito fosse impossível sentir
alegria, quem dirá transmiti-la.
- Estou bem, só não agüento mais ficar
aqui... – respondeu Sirius amargurado, mas dando um
pequeno sorriso e jogando uma almofada do sofá em Remo - ... Aluado!
- Você parece meio deprê.
- É que eu não tenho uma ruiva para me divertir.
Remo não gostou do comentário, e logo fechou a cara. Sirius deu risada.
- Aaah, pelo menos você me diverte meu amigo! Não ligue para minhas piadas... Eu prefiro as morenas mesmo! Não, não, calma, calma! – disse Sirius quando Remo fez menção em sair da sala – E aí, como está a vida com ela agora que tudo acabou?
- Errr... – Remo não sabia o que dizer. Sirius pensava que ele havia terminado com Gina e era difícil mentir para Sirius, ele parecia captar a mentira. Logo Sirius ergueu uma sobrancelha:
- Aluado, Aluado! Por que ta me enrolando, heim? Fala!
Sirius já
sabia que ele e Gina estavam juntos, demorara demais para inventar uma
resposta, e Remo conhecia Sirius! Não era bobo de se
deixar enganar depois dessa, então Remo decidiu contar a verdade:
- Bom, Sirius!
O seguinte... Eu voltei com a Gina, porque não deu para não voltar, cara, ela estava sentindo muito a minha falta!
- REMO!!!! ELA estava sentindo a
sua falta?!?! Ela é uma menina, crianças superam rápido! AIAIAIAI! Você não
agüentou e voltou, foi?
- Ah... pra falar a verdade, foi
sim.
Remo estava se sentindo muito culpado
encarando os olhos de Sirius. O animago
estava com uma expressão de mãe quando pega o filho enfiando o dedo no bolo
antes do parabéns. Mas então, Sirius
sorriu maroto, e disse:
- Não me importa o que você faça,
desde que eu não me meta em confusões. A vida já está muito ruim do jeito que
está... Mas e a Tonks? Ei! Ela é minha prima, eu
devia defender a moral dela! Ah... Ela já é bem grandinha...
– Sirius parecia estar numa batalha psicológica – Que
se dane! Eu já disse, não quero encrenca pro meu lado, não vou me meter! Mas
aí, o que pretende fazer com a Tonks? Comer na noite de Lua Cheia?
Remo abriu a
boca indignado para responder mas Sirius o
conteve, e riu mais uma vez.
- Calma, calma, brincadeira! –
disse ele maroto – Mas o que fará?
- Sei lá! – respondeu Remo – Gina
disse que se eu não terminar com ela, ela terminará comigo! Não sei como vou
resolver isso...
- Duh!
– disse Sirius batendo o punho fechado na própria
testa como se enfiasse um sorvete de casquinha – Termine com uma das duas! Eu, se fosse me meter, coisa que não farei, claro, porque eu
não me meto em nada, terminaria com a Tonks porque, talz,
é minha prima, mas... Cara, ta certo que eu prefiro as morenas, mas quem quer
uma mina de cabelo cor de chiclete? Eu te diria para ficar com a ruiva, mas eu
não vou me meter, e eu NÃO DISSE ISSO! E apesar da Tonks poder ser a maior
gostosa se quisesse, ela sempre parece uma Maria Macho e a Gina é absolutamente
feminina! Ah, eu também não disse isso... – Sirius
abriu um sorriso cínico. Rindo, Remo respondeu:
- Pode deixar, seu cachorro! Eu
posso chegar a essa conclusão sozinho!
Sirius
riu também e disse:
- Então manda ver, lobo! – e
tacou outra almofada em Remo, que acertou em cheio dessa vez. Remo atacou outra
em Sirius, e então disse:
- Vou indo...
- Vê se te resolve!
No momento em que saia da sala de estar, Remo encontrou Gina. Estava em pé em sua frente com as mãos na cintura, parecia brava. Lembrava a Sra. Weasley e Remo não pôde deixar de sorrir ao perceber como, apesar de mãe e filha, e de terem muitas semelhanças, Gina era espetacularmente mais bela que a mãe, ou qualquer outra garota. Como ele gostaria de poder ficar com ela em paz, de protegê-la, de amá-la...
- E aí? – perguntou Gina com tom de quem dá uma ordem.
- E aí o quê? – Remo esquecera-se momentaneamente de todos os problemas, perdera-se no mar de chocolate que eram os olhos de Gina, mas infelizmente essa mágica logo se desfez.
- Terminou com ela!? – e a voz de Gina
pareceu um pouco estridente, o que trouxe Remo de volta ao número 12 do Largo Grimmauld.
- Ah, Gina, ainda não tive tempo!
Nem a vi após nossa conversa!
- Pois então de logo um jeito nisso! – disse Gina, e girou nos calcanhares. Mas Remo foi mais rápido, e a segurou pela cintura, puxando-a para si, e lhe dizendo no ouvido:
- Nem um beijinho hoje? Esqueceu de que
eu te amo, minha ruivinha?
- Enquanto você estiver com a
Tonks, aham, esqueci!
E ela se desvencilhou dos braços de Remo, fechando a porta com um estrondo.
Remo estava cansado. Andara o dia inteiro em busca de alguém que pudesse lhe indicar o paradeiro do líder dos lobisomens. Queria encontrá-lo antes que Voldemort mas talvez aquilo não fosse possível.
Quando chegou na Ordem, tudo que mais queria era poder abraçar e beijar Gina, na frente de todos, mas não podia. Além de tudo, Gina estava brava com ele. Mas ele sabia o que devia fazer.
Como num piscar de olhos, Tonks o encontrou.
- REMOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! Meu lobinho, você chegou! – gritava Tonks enquanto descia as escadas da maneira mais barulhenta possível, antes de se jogar sobre Remo, que se não fosse um homem forte apesar da aparente fragilidade, teria despencado com seu peso em movimento.
Era difícil mas ele devia fazer aquilo. Não podia manter Gina naquela situação.
- Eu preciso falar com você. – começou
Remo. Ele sentiu aquelas palavras o cortarem. Era necessário mas ele não
queria. Não por si próprio, mas por ela. Magoá-la incitava nele um sentimento
ruim, ele não sabia distinguir qual.
- Diz, Reminho.
Remo a levou para a sala dos troféus. Estava vazia, era perfeita. Ele disse palavra por palavra. Começou contando a ela como a noite que tiveram foi maravilhosa, e foi sincero. Então disse-lhe como se sentia, além de como poderia vir a se sentir caso continuasse aquele relacionamento. Tonks não entendeu sequer metade do que Remo lhe dissera. Não que ela fosse burra ou coisa parecida, apenas não tinha a mesma profundidade que um homem lobo, cheio de pensamentos desconexos e pensamentos inversos. Ela chorou.
O tempo passou, como sempre passa. O namoro de Gina e Remo ia tão bem quanto poderia ir. Naturalmente, eles sempre desejariam exibir todo aquele amor mas sabiam que demoraria muito tempo para que isso pudesse acontecer. Sonhavam com o dia em que sairiam de mãos dadas pelas ruas, celebrando a paz e o amor. Sempre que Gina imaginava isso, sorria, e era inevitável imaginar a expressão de Harry. Nos sonhos dela, ela estava sempre feliz e apaixonada por Remo enquanto Harry os observava com um olhar enciumado.
Naquela tarde, mais uma das várias ensolaradas, Remo e Gina estavam comendo doces na cozinha, a sós. Gina pegava os doces e colocava na boca de Remo, que ria:
- Cui-cha-do para não me engashh-car, nham, nham – disse Remo com a boca cheia.
- Não se preocupa que eu não vou te
engasgar – respondeu Gina sorrindo. Pegou um doce
sobre a mesa e fingiu que levaria até a boca de Remo e quando ele abriu a boca,
desviou o doce.
- Ah, sua moleca! – ele riu.
Estava tudo genial. Os doces já estavam no fim, o que era uma pena, já que estavam tão saborosos. Os olhos de Remo e Gina brilhavam apaixonados, eles se prepararam para um beijo e os lábios estavam relativamente próximos quando a porta se abriu. "Blam". Era Alvo Dumbledore.
Foi uma pausa no tempo. Dumbledore carregava um buquê de rosas bem vermelhas, e muito perfumadas. O cheiro das rosas invadiu o nariz de Gina e Remo mas eles não puderam apreciar. Estavam congelados. Dumbledore os observou rapidamente, Remo pôde vislumbrar por meio segundo o olhar de compreensão que Dumbledore deixou transparecer. Ele notaram o que estava acontecendo! Gina estava boquiaberta, sem ação. Remo já se recuperava e, Deus, estava pronto para tomar uma atitude. Punha-se de pé em frente de Gina, pela segunda vez na vida já pensava em levá-la embora, enfrentar a todos.
Mas antes que ele pudesse dizer algo, Dumbledore quebrou a mágica petulante do momento e desfez aquele estado de congelamento. Sorriu e disse:
- Bom dia! Prof. Lupin, que bom te encontrar aqui! Pensei que estaria, hum, procurando emprego, talvez. Bom dia para você também, Srta. Weasley.
Gina sorriu
com alívio. Ele não notara. Porém Remo se perguntava: "não é possível... ele
notou, eu tenho certeza", mas decidiu seguir o jogo do sábio Prof.
Dumbledore.
- Bom dia, prof.
Dumbledore, realmente eu devia estar procurando um
emprego mas não acordei bem disposto. Acho que me faltou açúcar no sangue. –
respondeu Remo como se nada houvesse acontecido.
- Compreendo...
Há um momento de silêncio, talvez um pouco constrangedor. Em seguida, Remo quebra esse silêncio:
- E o que o senhor veio fazer aqui, professor?
- Ah, eu vim apenas fazer uma visita, saber como vão as coisas.
- Hum... Ok. Então, é, eu vou para o meu quarto, tenho alguns relatórios que gostaria que o senhor acompanhasse.
- Tudo bem, prof. Lupin, estarei aqui esperando.
Remo passa a mão nos cabelos de Gina como quem se despede simplesmente e a menina cora. Prof. Dumbledore diz:
- Ah, Remo! – Remo para
novamente, o coração na garganta – Avise Molly que
estou aqui, por favor.
- Pode deixar, professor.
E Remo saíra da sala, finalmente. O coração de Remo passou, em um único segundo, por tantos sentimentos que ele nem sabia mais se seria capaz de apresentar os tais relatórios, mas mesmo assim prosseguiu para o andar superior da casa para apanhá-los e comunicar Sra. Weasley da presença de Dumbledore.
Enquanto isso, Dumbledore começara a conversar com Gina, que ainda estava um pouco nervosa. Diferente de Remo, que tinha anos de experiência, Gina nunca vivera uma situação em que tivera de esconder seus verdadeiros sentimentos. Sim, já mentira coisas tolas várias vezes, como acusar os irmãos de terem feito algo que na realidade foi ela, mas nunca teve de disfarçar sentimentos para Alvo Dumbledore.
E Dumbledore surpreendeu Gina em seguida:
- Srta. Weasley, vê essas flores aqui? Eu as trouxe para você.
Gina, espantada, aceitou as flores que o professor lhe estendia.
- Nossa, obrigada professor, são realmente lindas... Já vi parecidas em algum lugar.
Dumbledore sorriu:
- Não viu parecidas, srta. Weasley. Essas são rosas de Hogwarts. Que aluna nunca viu as rosas de Hogwarts?
- Ah, então é isso – Gina sorriu em compreensão – É, são de lá. Estava com tanta saudade do jardim, agora tenho um pouquinho dele comigo!
Dumbledore parecia o homem mais tranqüilo do mundo. Não parecia estar em guerra, não parecia que Voldemort havia retornado. Ainda sorrindo, perguntou a Gina:
- Você sabe por que, pequena Weasley, eu te trouxe essas flores, ou por que elas estão tão lindas mesmo estando nessa época tão quente do ano?
Gina realmente havia se perguntado por que Dumbledore lhe trouxera rosas mas não se perguntara jamais, nunca se questionara por que as rosas de Hogwarts eram sempre tão lindas. Talvez houvesse algum feitiço, alguma poção na água que lhes era dada.
Como Gina não respondera, perdida em seus próprios devaneiros, Dumbledore respondeu antes que ela desse algum sinal de entendimento.
- Eu as trouxe para você, Gina, porque eu imaginei como devia ser triste para uma garota jovem como você, tão cheia de vida, estar num lugar como esse, tão morto.
- Por que não trouxe para Hermione então, professor? – ela questionou ferozmente. Não estava gostando do rumo da conversa mas se arrependera de ter sido tão agressiva com Dumbledore. Mas o professor ignorou essa pequena grosseria. Mais uma vez foi como se ele não tivesse notado. Alheio ao comentário de Gina, Dumbledore continuou:
- Às vezes temos o corpo jovem mas nossa mente já não é mais. Sinto em dizer, sinto mesmo, que a Srta. Granger, diferente de você, não é mais uma menina. As energias desta casa não podem mais atingi-las – Gina abriu a boca para responder mas Dumbledore não deixou – Antes que você diga algo, Srta. Weasley, não é uma ofensa ser jovem, como você pensa. Sendo sempre discriminada por isso, nunca pensou no quanto é bom ser jovem. Eu me entristeço ao saber que há tantos adultos aqui cuja alma já envelheceu há muito tempo e que estão tentando envelhecer a sua. Espero que se dê conta de que ainda não é a hora de envelhecer, Gina.
- Tudo bem, professor... Eu não estou tentando envelhecer, nem ligo de ser jovem.
Dumbledore prosseguiu, ignorando a tentativa de Gina de extinguir a conversa:
- Essas rosas de Hogwarts são especiais. Elas são como eu quero que você, pequena Weasley, seja. Elas nunca envelhecem.
- Elas não morrem, então? – perguntou Gina tomando interesse pelo assunto. Dumbledore
respondeu:
- É, elas não morrem. E eu quero
que você seja como elas. Mesmo quando for velha como eu, quando tiver netos e
pensar que a morte pode estar próxima, lembre-se que não. Que assim como as
rosas de Hogwarts, você não morre.
- Obrigada, prof. Dumbledore. Eu realmente amei as rosas, elas me darão muito o que pensar.
- De nada, Gina. – o professor fez menção de sair mas voltou e disse – Ah... Vale a pena te lembrar, Gina, que não apenas as rosas de Hogwarts ou nós somos imortais. O verdadeiro amor também é. E o amor verdadeiro certamente não é aquele que vem quando mais precisamos dele, infelizmente. Não é aquele que nos aquece nos dias mais tenebrosos. É aquele que nos alegra sempre, aquele que nos faz lembrar dele em qualquer momento ou situação. Não adianta mergulhar nos sonhos e esquecer de viver, Gina. Eu já disse isso antes e certamente é o destino que me faz dizer novamente, justamente para você.
Gina não entendera nada sobre o discurso de Dumbledore mas imaginou naquele momento que Dumbledore notara o que havia entre ela e Remo. Mesmo assim, não sentira que foi direcionado aos seus sentimentos por Remo que ele falara aquilo. Ela pensou em Harry.
- Até logo – disse o prof. Dumbledore.
- Até logo, professor...
E Dumbledore saiu da cozinha. Gina olhou para as rosas de Hogwarts e as cheirou. Estava no largo Grimmauld, número 12, e mais perdida do que nunca.
Remo estava fuçando suas coisas, em busca do tal relatório. Era uma maldição mesmo, impressionante como quando queremos fazer as coisas rapidamente, elas se dificultam. Então Remo ouviu uma batida na porta. Não era Gina, Remo sabia perfeitamente a maneira com qual Gina batia. Era suave, ao mesmo tempo, energética, como quem anseia ser atendido. Remo imaginava quem fosse.
Abriu a porta para Alvo Dumbledore, que entrou no quarto. Não sorria, mas não
parecia fora de si (como Remo imaginara que ele poderia ficar), nem sequer
estava alterado. Gentilmente, Dumbledore perguntou:
- Podemos fechar a porta, prof. Lupin? Eu receio que
tenhamos de conversar.
Aquela era a hora em que Remo tinha que ser o homem que era. Deixaria de ser maroto, deixaria de ser o velho amigo compreensível. Seria um homem, e dessa vez lutaria pelo seu amor, não o deixaria pelo bem alheio. Sentiu-se mal ao pensar aquilo, ao chamar Tiago de alheio, justamente Tiago que sempre estivera ao seu lado. Não se arrependia de não ter lutado por Lílian. Não mais, agora tinha Gina e sabia que ela era seu verdadeiro amor. Esperava saber.
- Sente-se, prof. Dumbledore. – indicou Remo. Dumbledore se sentou e convidou Remo a se sentar também. Ambos agora estavam frente a frente. Remo deixaria que Dumbledore começasse a conversa, e foi o que ele fez.
- Prof. Lupin, você sabe o quanto eu o estimo mas devo lhe incutir a falta de responsabilidade do seu ato.
Não restava mais nada a Remo, a não ser, tentar.
- Professor, perdoe-me. Sempre fui um grande admirador do senhor, e eu sei que posso parecer irresponsável, mas o senhor deve saber. O amor não tem idade. Eu amo Gina Weasley. Não estou brincando com ela, ela não é uma menina tola que não sabe o que quer. Nós nos amamos e vamos nos casar.
- Sabe, Remo. É lindo ouvir que ainda há esperança para o amor. Quem sou eu para lutar contra esse sentimento tão maravilhoso que hoje em dia é tão pouco sentido? Mas mesmo assim... – Dumbledore mantinha sua expressão grave – Você acha justo...
- Ela quer e eu quero. É muito justo.
- Você se lembra de quando você tinha 14 anos?
- É claro – Remo lembrava com amargura – Sempre se escondendo, quase sozinho, por não ser nem homem, nem lobo.
- Eu sei que foi muito difícil. Feche os olhos, Remo.
- Para quê?
- Feche e pense - enquanto falava, prof. Dumbledore fechava seus olhos também -, pense em como é a sua vida hoje.
E Remo fechou. Sem saber o porquê, viu uma retrospectiva de toda a sua vida, como se aquele fosse o seu último segundo nessa Terra. Lembrou da terrível noite em que, ainda uma criança, saíra de casa para apanhar um brinquedo que esquecera no jardim e um enorme lobo, com olhos endemoniados, o atacou. Uma mordida certeira nas costas. Lembrou-se do dia em que chorou porque havia sido aceito em Hogwarts, mas imaginou que não poderia ir por sua triste condição... sua mãe morrendo de tristeza. Lembrou das noites solitárias em Hogwarts, antes de se tornar amigo de Tiago, Sirius e Pedro.
Remo percebeu naquele momento que sua vida era repleta de tristezas incomparáveis. Não sabia como tinha suportado aquilo por tanto tempo. Abriu os olhos e lá estava Dumbledore, o mesmo rosto a mesma expressão. Mas agora ele sentia uma culpa imensa. Não sabia se o que Dumbledore fizera foi mágica ou se ele simplesmente compreendera tudo. O importante é que compreendera.
- Bom, Remo, espero que você pense sobre o que conversamos. Você é um grande bruxo, sei que não é capaz de cometer injustiças estando ciente do que elas são.
Remo tinha sob os olhos enormes bolsas, parecia mais cansado do que nunca. Suas roupas surradas não ajudavam, e ali, naquela casa sombria, estava ele, sofrendo como ele jamais sofreria na vida. Era doloroso demais. Remo confiara cada parte da sua alma à Gina e não que ela o tivesse traído mas ele sabia que um dia trairia. Não fisicamente, jamais Gina faria isso, ela era muito nobre para isso. Não era a toa que seus cabelos eram vermelhos como fogo e seu rosto coberto de sardas, ela era uma legítima Weasley, e Weasleys têm lealdade.
Ele não poderia infligir à Gina uma pena tão grande quanto aquela. Já não bastava o que ele sofria, e o que ela sofria, estando naquela situação, de não saber se no dia seguinte estariam ali. Muitas pessoas não entendem que crianças são só crianças, e que uma menina de 14 anos, por mais madura que seja, nunca será capaz de assumir os problemas de um adulto. Nem que fosse capaz, não seria justo.
- Você e eu sabemos que esse não é o futuro dela. Que ela ainda tem um papel muito importante. Ela vai ajudar o bem a vencer essa guerra mais do que eu e você juntos – Dumbledore citou, interrompendo os pensamentos de Remo.
Remo chorou. Sabia que que Dumbledore se referia a Harry Potter mas não queria acreditar, não era justo com ele! Uma vez perdera para Tiago, e agora, outro Potter? Ele não deveria odiar os Potter?
E Dumbledore respondeu a essa pergunta como se houvesse a escutado em voz alta, o que, pensou Remo, era perfeitamente plausível se tratando de Dumbledore:
- Não é culpa dele, ou dela, muito menos culpa de pessoas que já não estão mais entre nós. Também não é culpa sua. As coisas acontecem. As coisas vêm e vão. Gina vai e você sabe que isso é o certo mas a sua felicidade ainda virá, Remo, porque é o que é justo. Eu sei que não é tão difícil para você entender isso, já que quase foi para a Lufa-Lufa. Foi bom que você não tenha ido para a Lufa-Lufa, Remo, pois afinal, a virtude que você mais precisa e precisará agora na sua vida é a coragem.
Dumbledore abraçou Remo ternamente. O lobisomem já não dizia nenhuma palavra, nem chorava. Já sabia o que ia acontecer.
