Cap. 14 – Final triste

Gina estava em seu quarto, sozinha, esperando que Remo talvez entrasse e a beijasse. O quarto estava com sempre: o mesmo cheiro, as mesmas coisas, as mesmas fotografias sobre a mesa de madeira maciça que pertencera à família Black, que jamais seria encontrada n'A Toca. Mas mesmo com todos os objetos iguais, alguma coisa diferente acontecia.

Sentia falta de beijos, abraços, amor e carinho. A pequena Weasley pensou "Preciso de alguém". Nesse momento algo estranho aconteceu dentro dela mesma e fez com que se sentisse mal. Como podia pensar que precisava de "alguém" quando tinha Remo? Sentiu-se péssima.

Apanhou uma das rosas que Dumbledore havia lhe dado e a cheirou. Era maravilhoso sentir o cheiro de Hogwarts naquele momento! Foi em Hogwarts que conhecera Remo. Pôs-se a lembrar daquele ano escolar, poucos meses depois de ter se visto pela última vez Tom Riddle, pouco depois de ter sido quase morta na câmara secreta, pouco depois de ter sido salva por Harry...

Não que ela quisesse se sentir naquela forma, mas era inevitável, às vezes, ter saudade de Harry. Alguma coisa os unia de uma maneira tão forte que nem sua paixão ou amor, que fosse, por Remo era capaz de desmanchar esse laço.

Mais uma vez se sentiu miserável por pensar em outro homem que não fosse seu Remo. Era o pior sentimento do mundo aquele. Não era a primeira vez que ela tinha aquele pensamento e não sabia por que, naquele dia, esse pensamento a estava deixando tão mal. O que poderia fazer para se livrar dele?
Decidiu escrever uma carta de amor para Remo, e escreveria nessa carta tudo o que o lobisomem a fazia sentir e toda a emoção que aquele homem era capaz de lhe transmitir. Enquanto se perguntava se Dumbledore já havia partido, Gina abriu sua gaveta e apanhou uma pena, tinta e pergaminho. Sentou-se à escrivaninha e começou a escrever, após colocar a rosa de Hogwarts ao lado:

"Meu amado Remo,

Hoje te escrevo para falar de meu amor e descrevê-lo como nunca o fiz..."

Mas o que ela iria descrever?

Antes que pudesse pensar sobre o que escreveria, a porta se abriu de repente. O coração de Gina lhe disse que era seu amor e ela se levantou sobressaltada, dizendo:

- Remo! – mas não era ele. Era Rony.

- Oi, irmãzinha – disse Rony com sua ironia de sempre – por que pensou era o, ahn, Prof. Lupin?

O clima no quarto mudou. Era tenso agora e a ruiva não sabia o que responder. Rony estava com as sobrancelhas erguidas e ela nunca tivera tanto medo assim que se irmão pudesse fazer algo.

Tentando tomar as rédeas novamente, Gina disse:

- Ah, sei lá! Não me enche... O que você quer aqui?

Rony andou até seu lado enquanto dizia:

- Vim procurar minha insígnea do Chudley Cannons... – e Rony, num pulo, agarrou o pergaminho em que Gina começara a escrever - ... e o que é isso aqui? – ele perguntou, após passar os olhos pelo pequeno conteúdo da carta, os olhos arregalados e a voz um pouco alterada.

- Devolve! É meu!

Rony parou a dois metros aproximadamente de Gina, o pergaminho na mão. Gina, zangada, estendia a mão pedindo o pergaminho com o gesto. Nenhum dos dois sabia o que fazer naquele momento, Rony estava atônito.

Fazia algum tempo que Rony suspeitava de que sua irmã estava interessada no Prof. Lupin mas aquele pergaminho era a prova. Agora só restava uma dúvida. Será que os dois estavam tendo um romance, ou aquilo tudo não passava de sonhos de Gina, assim como ele sabia que ela sonhava em namorar Harry?

Surpreendendo até a si mesmo, Rony rasgou o pergaminho em vários pedaços e os jogou pelo quarto. Gina ficou boquiaberta e, sem saber o que fazer, começou a chorar e a pedir:

- Rony! Por favor! Não conta nada pra ninguém! Não estou fazendo mal a ninguém, então, por favor, vamos deixar isso entre nós, ta?

O irmão mais velho empurrou Gina e a sentou na cama, sentando-se ao lado dela. Naquele momento, Rony se sentia mesmo o irmão mais velho, era o único que podia fazer alguma coisa.

- Então me conta direito o que é que eu não tenho que contar, antes que eu passe a notícia errada.

E Gina contou, aos prantos, o que estava acontecendo entre ela e Remo Lupin. Rony ouviu tudo, atônito, sem saber o que dizer. Ele sabia que era a maior loucura que a irmã já fizera, talvez perdesse apenas para ter uma amistosa relação com Você-Sabe-Quem.

- E é isso! Não adianta você fazer nada também, porque eu não vou terminar com o Remo! – concluiu Gina, concretizando os temores de Rony, que nunca parecera tão adulto.

Seguindo seus instintos, Rony perguntou, grosseiramente:

- Que idiotice. Por que não vai terminar? Você gosta mesmo é do Harry!

Gina tomou aquilo como um insulto. Como ele podia dizer que ela estava namorando Remo e gostando de Harry, ao mesmo tempo? E como ele podia dizer que ela gostava de Harry sendo que... ela nunca contara nada a ninguém?

- Como é que você fala uma coisa dessas? Você não tem vergonha? Eu sou sua irmã! – disse Gina indignada. Rony riu.

- Você está vendo? Você se irrita porque sabe que é verdade.

Gina ficava mais e mais irritada com a risada de Rony, que mais parecia um deboche. Rony disse:

- Você sabe o que você está fazendo, Gina? Então me diz aí, o que você ia escrever nessa carta idiota? Por que não terminou? Se você gostasse do Remo, não ia mandar carta para o Harry. Não ia me perguntar todo dia se o Harry me mandou carta. Não ia ler todas as cartas que ele me escreve!

Gina voltou a chorar as lágrimas que tinham cessado de cair por alguns momentos.

Rony falou e falou e Gina queria morrer. Não queria morrer porque Rony a irritava ou coisa parecido mas sim porque sabia que cada palavra que Rony proferia era a mais pura realidade. Ela era uma vagabunda! Não que Rony tivesse dito isso, não, mas ele a fez notar que estava ainda apaixonada por Harry, mas ao mesmo tempo que era apaixonada por Remo.

Como se lesse seus pensamentos, Rony disse:

- Antes que você pense besteira, não, você não está apaixonada pelos dois. Nem vou te falar o óbvio, mas, se você tivesse que salvar um dos dois, quem você salvaria, e quem você deixaria morrer?

Rony se levantou e Gina, antes que ele saísse, o abraçou. Rony, mesmo surpreso, correspondeu ao abraço da irmã, passou a mão pelos cabelos de Gina e saiu.

Gina logo se perguntou o que Rony dissera e descobriu que infelizmente a resposta não poderia ser outra. Mesmo depois de tudo, a resposta era a mesma.

A porta se abriu novamente, era Rony:

- Aliás, Gina. Vou te dar uma dica... Pelamordedeus, esse ano aí, tenta uma outra tática! Ignora o cara! Escuta teu irmão! – disse Rony, e saiu novamente.

Gina sorriu consigo mesma, apesar de tamanha tristeza. Pegou sua rosa de Hogwarts sobre a mesa, abriu a porta de seu quarto e desceu as escadas. Era preciso fazer o certo, mesmo que o certo não fosse exatamente o mais fácil.

Remo estava na biblioteca das trevas, mais uma vez sozinho. Era tão difícil estar ali, pensando no que teria de fazer. Amara Gina mais do que amara Lílian, e aquilo tinha sido um avanço. Mas agora, tudo teria que acabar. Remo só precisava tomar fôlego. Perdera a noção de tempo, não sabia se era dia ou noite, já que na casa de Sirius era sempre noite. Após um longo tempo, tomou coragem e se levantou. Era a hora. Virou-se para a saída mas antes que pudesse caminhar até a porta, ela se abriu. Era Gina.

- Oi Gina... – disse Remo. Foi a frase mais vazia, mais sem sentimentos que ele já pronunciara. E mesmo aquela frase não expressando seus sentimentos, seu peito praticamente explodia.

- Oi...

Ficaram em silêncio. Remo observou Gina, analisou sua pequena da cabeça aos pés. Linda como sempre, seu aroma doce exalando, parecia que podia sentir a maciez da sua pele sem ao menos tocá-la. Desejava tocá-la mas não tocou. Nunca mais tocaria.

- Precisamos conversar – disseram os dois em uníssono. Ambos sorriram, como sorriam quando aquilo acontecia.

- Eu sei, minha ruivinha. Eu sei...

E os dois se sentaram, se observaram e Gina começou a falar. Ela nunca soube como começou. Dissera apenas a verdade. Que o amava demais, mas que havia cometido um erro. Que sentia muito por ter feito tudo aquilo. Por tê-lo feito acreditar que iam ficar juntos para sempre quando aquilo não seria possível pois por maior que fosse o amor dela por ele, não superava certas coisas. Ela não precisou falar que certas coisas eram.

Remo ouvia tudo, fazia sinal de que ouvia com a cabeça. Depois de Gina, foi sua vez. Ele notava naquele momento, assim como Gina, cujas lágrimas corriam pela face, que infelizmente Remo a amara muito mais. A ruiva sentia nojo de si própria por aquilo, mas Remo não sentia nojo, nem sequer outro sentimento ruim. Usava cada fio de coragem que seu coração possuía para prosseguir. Ele lhe disse antes de tudo que a amava demais e que nunca a deixaria sofrer, como prometera, mas que não era mais possível que ficassem juntos porque eram de mundos diferentes. Não em questão de dinheiro, pois ambos eram compatíveis nesse sentido mas em questão de espírito. Gina poderia ser feliz. E foi o que Remo disse a ela. Que ela poderia ser feliz, e que ela o seria, ao lado provavelmente de Harry, que assim como Tiago ia notar que precisava de uma ruivinha especial.

Gina sorriu entre as lágrimas e os soluços, e Remo também. Limpou as lágrimas de sua pequena, que não era mais sua. Continuou a falar, e pediu desculpas por ter causado toda aquela mudança na vida de Gina.

- Não tem que se desculpar, Remo. Você fez eu perceber que a vida é mais do que a escola, é mais do que muita coisa. Obrigada, meu lobo. – ela disse, passando a mão entre os cabelos castanhos de Remo pela última vez.

- Obrigado por me curar da minha ridícula obsessão por Lílian. Eu te amo, pequena – Remo disse, e a abraçou. Gina retribuiu ao abraço.

- Promete que nunca vai se esquecer de mim, Remo? – ela perguntou.

- É claro que não. Você vai poder contar comigo para sempre. – ele respondeu, sem desfazer o abraço.

Então Gina o soltou e apanhou sua rosa de Hogwarts sobre o sofá e disse:

- Remo... Guarda isso aqui. Porque aí sim eu vou ter certeza de que você vai se lembrar de mim para sempre... E apesar de memórias, serão imortais, que nem essa rosa é.

Remo a pegou e agradeceu, prometendo guardá-la eternamente.

- Então... É só... Bom... Nós nos veremos... Prof. Lupin. – disse Gina.

- Sim, é claro. Vá agora, pequena Srta. Weasley. Vá... – disse Remo, e se virou, após colocar a rosa no bolso interno das vestes, e colocar as mãos nos bolsos.

Gina também se virou e caminhou em direção a porta. Antes que ela pudesse sair, ouviu:

- Gina.

- Oi, Remo.

- Me dá um beijo de despedida.

Remo pediu, abrindo os braços para receber sua ruivinha pela última vez. Gina correu para os braços de Remo e o beijou. Era a última vez que Remo seria seu, e que sentiria o sabor daquele beijo.

O melhor professor de Defesa Contra as Artes das Trevas que Hogwarts já tivera interrompeu o beijo e, sem olhar para sua ex-aluna e namorada, saiu da sala. Pode ouvir Gina dizendo, antes que saísse:

- Adeus, meu lobinho...

E fechou a porta atrás de si. Não parou de andar. Deixou Gina para trás, assim como o passado. Nem ele, enquanto se dirigia para não sabia onde, nem Gina, na biblioteca sabiam por que tudo aquilo acontecia. Nem por que tinha que ser daquele jeito. Infelizmente, os dois sabiam que aquele era o destino, que nem sempre é justo ou bom para quem merece. Agora tudo não passava de uma história que ninguém jamais acreditaria.