Disclaimer: Harry Potter pertence a J.K Rowling. Mas se ela quiser me dar o Draco, eu aceito!

Avisos de sempre: SLASH! sabe o que é isso? um tipo de história que vicia!


The Angel


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I don't know what I should do now
I don't know where I should go
I'm still here waiting for you
I'm lost when you're not around
I need to hold on to you
I just can't let you go

(Eu não sei o que fazer agora
Eu não sei para onde ir
Eu ainda estou esperando por você
Estou perdido quando não está por perto
Eu preciso me segurar em você
Eu simplesmente não consigo te deixar ir)

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Harry aparatou na frente do prédio trouxa do Ministério, entrou o local sendo cumprimentando por todos. O moreno tentava forçar um sorriso agradável, mas já fazia bons cinco anos que ele deixara de sorrir com qualquer besteira.

Andou por mais alguns corredores até um grande salão, onde existiam várias mesas, com divisórias entre elas, o departamento de Atendimento Rápido dos Auror's.

Caminhou até o fim do salão onde existia uma sala com paredes de vidro. Abriu a porta e quatro cabeças se viraram para a porta.

- Bom-dia, Harry! – exclamou Mel

- Bom-dia. – cumprimentou e todos lhe devolveram o cumprimento

Existiam cinco mesas na sala. A de Harry ficava de frente para a porta, e do outro lado da grande sala ficava a mesa de Ron e Hermione e do outro lado a de Mel e Ginny. Todos os cinco tinham se tornado Auror's depois da guerra, e possuíam uma sala especial por serem os mais capacitados dentre todos.

Pela extensão de toda a sala existiam vidrinhos de poções e livros pelo chão. Mas mesmo assim era um lugar organizado.

O moreno se jogou na cadeira de couro e fechou os olhos, jogando a cabeça pra trás. Ele tivera um sonho com Draco durante a noite, não era a primeira vez, e não seria a última.

- O que você tem? – perguntou Ginny, fazendo todos pararem o que estavam fazendo e olharem para Harry

- Nada. – resmungou sem abrir os olhos

- Como nada? – devolveu Ron

- Na-da. – abriu os olhos – Não tenho nada, e não sei por que vocês insistem em me perguntar toda a manhã se eu estou bem! – bufou irritado e começou a mexer nos relatórios sobre a mesa

Os quatro amigos se entreolharam, sim, eles sempre perguntavam isso a Harry todos os dias á cinco anos. Mas havia um único motivo pra isso, Harry se fechara para o mundo quando Draco Malfoy o deixara sem explicações.

- Harry, você tem que entender que nós nos preocupamos com você. – disse Hermione sorrindo de leve

- Eu já sei disso. – disse o moreno rodando os olhos, entediado

- Então por que você continua sendo um bastardo com as pessoas que se preocupam com você? – perguntou Mel, sempre falando diretamente o que quer saber

Harry arregalou os olhos para a amiga, enquanto Ginny dava um sorriso de deboche. Ron ficava com as orelhas vermelhas e Hermione levava à mão a boca.

- Mel... – começou Hermione

- Eu não tenho que responder essa pergunta. – cortou Harry friamente – E se vocês realmente se preocupam comigo, parem de fazer perguntas estúpidas que não me deixam bem.

- E olha, você sendo um bastardo de novo! – comentou a loira com sarcasmo

- Harry, o que a Mel quer dizer... – começou Hermione novamente

- É que você está sendo um bastardo! – exclamou Ginny – Harry, nós gostamos de você, mas não é por que você levou um fora que você vai ficar desse jeito pra sempre! – disse a ruiva jogando o comprido cabelo pra trás

- Concordo. – resmungou Ron

- Não foi simplesmente um fora, Ginny! – disse irritado – Eu... Eu realmente... Eu realmente amava ele. – o moreno olhou para a amiga que parecia estar com remorso por ter falado aquilo – Eu sei que não tenho sido a mais agradável das criaturas, mas, tende entender, ok? Aquilo machucou muito. – desviou os olhos para fora da sala, observando as pessoas trabalharem

E logo os orbes verdes saíram do foque e Harry estava divagando sobre como as coisas poderiam ser se Draco estivesse com ele

Hermione lançou um olhar assassino para Ginny e Mel, quase pulando sobre o pescoço das duas, se não fosse Ron segurando seu pulso; Hermione sabia ter instintos bem primitivos quando queria.

Mel colocou uma mexa do cabelo curto e loiro para trás da orelha e fixou seu olhar em Harry. Sorriu, lembrando de como eles viraram amigos, para fazer ciúmes em Draco.

Ginny lançou um olhar preocupado para a namorada (ah, sim, Mel e Ginny namoravam desde Hogwarts!) e suspirou, recomeçando a trabalhar.

- E dá pra acreditar que tudo isso aconteceu antes do almoço? – comentou Ron, descontraído, fazendo todos rirem

- Realmente. – riu Harry abaixando a cabeça para um relatório

- Certo, certo. Agora vamos trabalhar que eu quero sair mais cedo hoje. – mandou Hermione

- Hãm, quem diria, hein, a Senhorita-Certinha querendo sair antes do trabalho. – debochou Harry

- Ora, Potter, trabalhe! – disse emburrada, arrancando mais risos dos amigos

Cada um se concentrou em seu serviço, não que fosse algo realmente importante ou complicado, mas em plena sexta-feira é difícil se concentrar.

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I used to think that I was strong
Until the day it all went wrong
I think I need a miracle to make it through, Yeah
I wish that I could bring you back
I wish that I could turn back time
Cuz I can't let go
I just can't find my way, Yeah
Without you I just can't find my way

(Eu costumava pensar que era forte
Até o dia que tudo deu errado
Eu acho que preciso de um milagre para passar por isso
Eu gostaria de poder te trazer de volta
Eu gostaria de poder voltar no tempo
Porque eu não consigo soltar
Eu simplesmente não consigo encontrar meu caminho
Sem você eu simplesmente não consigo encontrar meu caminho)

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Dentro da sala de vidro podia se ouvir apenas o rabiscar das penas e cochichos apressados e preocupados dos ocupantes dela.

Um homem alto, com vestes elegantes, cabelos de fogo e sorriso bondoso adentrou o local.

- Oh, meus jovens e competentes Auror's! – exclamou o ministro da Magia, também conhecido como Senhor Arthur Weasley

Todos voltaram suas atenção pra ele, sorrindo.

- Olá, papai. – cumprimentou Ginny

- Sr. Ministro. – disseram os outros, respeitosamente

- Ginevra, - começou ele fechando a porta – não me chame de papai aqui, vão achar que eu fico dando regalias a vocês por serem meus filhos. – disse, ficando um pouco vermelho

- Certo. – disse ela dando de ombros – Mas, o senhor não nos dá regalias mesmo? – deu um sorriso maroto, fazendo todos rirem

- Você é impossível, minha filha. – ria ele

Harry não conseguia conter um sorriso. Era fácil esquecer dos problemas quando estava no meio de seus amigos. Principalmente no meio dos Weasley's. E ele agradecia a Merlin por Arthur e Molly o tratarem como um filho, o moreno não sabia o que faria se não tivesse eles como apoio.

- Bom, como vocês são funcionários exemplares, - começou ele solenemente – eu dispenso vocês do turno da tarde. – sorriu divertido

- Graças a Merlin. – agradeceu Hermione

- Por que você quer tanto ir embora, Mione? – perguntou Mel

- Pansy quer me falar algo hoje no almoço e ela disse que tomaria minha tarde inteira, e que era melhor eu dar um jeito de fugir do trabalho por que se não eu iria me arrepender. – despejou – Vocês a conhecem, é melhor não contrariar. – sorriu aliviada

- Sim, nós conhecemos muito bem sua namorada. – disse Ron em deboche – Só saiba que eu gostei muito de ser seu amigo durante todos esses anos, Mione. – ironizou e todos gargalharam

- Ah, que tal almoçarmos todos juntos, então? – sugeriu Harry, sorrindo

- Boa idéia. – resmungou Ginny, enquanto dava um beijo em Mel

- Gin! – repreendeu Sr. Weasley – Já disse pra você não agarrar ela aqui! – a ruiva demorou mais alguns instantes para soltar a namorada

- Pai, foi só um beijinho. – sorriu marota

- Isso não é justo, Ginny, só você pode agarrar a namorada durante o trabalho. – disse Harry divertido e a ruiva estufou o peito, enquanto a namorada ria

- Acho que vou mandar o Blaise vir trabalhar aqui. – disse Ron rodando os olhos

- E a Pansy também. – desdenhou Hermione

- O que vocês têm de competentes, têm de bagunceiros! – disse o ministro inconformado – Eu desisto.

- Não, pai, um dia a gente toma jeito. – disse Ron e piscou pra ele

- Claro que sim. – respondeu com sarcasmo – Mas agora eu tenho que ir, vou visitar o Departamento de Controle de Artefatos Trouxas. – disse com um sorriso entusiasmado

- Vai lá e se divirta, Sr. Weasley. – disse Mel

Ele saiu quase que saltitante da sala e os cinco caíram na gargalhada.

- Seu pai não toma jeito, Ron. – disse Harry sorrindo

- Que bom, né? – disse o ruivo sorrindo para o amigo

- Que ótimo. – disseram Ginny e Mel ao mesmo tempo

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Don't waste your time on me, you're already
The voice inside my head (miss you miss you).
Don't waste your time on me, you're already
The voice inside my head (miss you miss you)

(Não perca seu tempo comigo, você já é
A voz dentro da minha cabeça (sinto sua falta, sinto sua falta).
Não perca seu tempo comigo, você já é
A voz dentro da minha cabeça (sinto sua falta, sinto sua falta).)

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- Vamos logo, Ronald, vamos nos atrasar! – chamou Hermione da porta da sala

- Pronto! Pronto! – exclamou o ruivo largando o pergaminho sobre a mesa e saindo para encontrar a irmã e namorada aos amassos do lado de fora – Sério, vocês não conseguem se controlar? – perguntou rodando os olhos

- Não. – disse Mel sorrindo, pegando Ginny pela mão e começando a caminhar

- Ora, Ron, você e Blaise sempre eram flagrados nas piores situações. – comentou Harry as seguindo

- Isso é verdade. – disse o ruivo com um sorriso malicioso

- Por Merlin, vamos logo. – apressou Hermione

O grupo saiu do prédio e logo aparatou na Londres bruxa, perto do lugar onde Hermione marcara com a namorada.

A castanha falou com o garçom que logo os levou a mesa, onde Pansy e Blaise os esperavam. A ex-sonserina logo agarrou a namorada.

- Certo, Pansy, a gente sabe que vocês se amam. – comentou Ron se dirigindo para o lado do marido

- Que bom que sabem mesmo. – disse sorrindo e puxando a namorada para seu lado

Logo que todos se acomodaram, Harry percebeu que era o único sem par.

Os olhos verdes começaram a prestar atenção em cada um dos casais, Ron estava ao lado de Blaise, com a mão sobre a barriga do marido, que estava grávido de oito meses. Bizarro, não? Há seis anos atrás eles se odiavam, e agora estavam casados, pra ter um filho.

Hermione e Pansy estavam aos sussurros e beijos ao seu lado. Ele jamais imaginaria que Hermione fosse lésbica e nem que ela poderia se apaixonar por uma sonserina, mas, o que dizer? Elas pareciam ser o casal mais perfeito.

Depois olhou para Mel e Ginny, logo a sua frente. Sorriu divertido. Essas duas sim, fora uma grande surpresa. Afinal, Ginny sempre pareceu apaixonadíssima por Harry e Mel sempre pareceu bem hetero. Ele não pode deixar de rodar os olhos quando a ruiva pegou a namorada pelo cabelo e lhe tascou um beijo.

- Com licença, mas isso é um restaurante não um motel. – disse o moreno rodando os olhos

- Oh, Harry, desculpe. – disse Hermione corando

- Por mim tanto faz. – deu de ombros – Só que eu pretendo manter a comida no estômago, então, parem de se agarrar. – disse com ironia

- Eita, mal-humor. – comentou Mel com os lábios inchados

- Não é mal-humor. – devolveu

- Claro que não é. – disse Ginny com ironia, rodando os olhos

- Bá, acreditem no que quiserem. – disse o moreno se levantando e saindo do local o mais rápido possível

- Quem vai atrás dele? – perguntou Blaise, constrangido

- Acho que ele não quer que ninguém vá atrás dele. – disse Pansy, olhando para a porta

- É. – suspirou Hermione – Eu não sei mais o que faze para animar o Harry. – disse olhando para os amigos

- Ninguém aqui sabe o paradeiro do Draco? – perguntou Mel

- Não. – responderam todos ao mesmo tempo

- Droga. – resmungou a loira

- Mas, mudando de assunto, o que você queria comigo, amor? – perguntou Hermione sorrindo para a namorada

- Ah, sim. – Pansy ficou corada, o que era raro, prendendo mais a atenção de todos da mesa – Você quer casar comigo, Mione?

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Harry caminhava apressado, para só Merlin sabe onde.

- Que merda, eles não podem tentar adivinhar meu humor. – resmungou o moreno parando abruptamente

Ele estava com fome. Oh, droga. Teria que parar para almoçar em algum lugar, afinal, não tinha nada comestível em casa. Suspirou e parou em um restaurante de segunda categoria que tinha ali perto. Fez o pedido e como sempre começou a se perder em pensamentos.

Harry sabia que a única pessoa que realmente o deixava no mundo real era Draco, ele que o dizia pra ter força, pra lutar pelos seus ideais. Mas o loiro tinha ido embora, não é? Pra que ficar na realidade sem ele, então?

A maioria das pessoas pensava que Draco Lucius Malfoy era uma pessoa fria e sarcástica, que só pensa em si mesmo. Ok, ele era tudo isso, mas só Harry conhecia completamente o loiro. O único que conhecia o lado de Draco que sabia rir e que sabia amar.

E era isso que estava o matando por dentro, por que diabos ele o deixou? Será que ele tinha feito algo errado?

Ginny dizia: "Levante a cabeça e continue com a vida, Harry, um dia ele vai voltar".

E era isso que Harry tentava fazer, mas só ele sabia o que é perder o grande amor da sua vida e receber um bilhete em troca. E a parte do "um dia ele vai voltar" não parece confortante o suficiente. E se ele voltar, mas não quiser nada com o moreno?

Harry levantou a cabeça e olhou para fora do restaurante, onde um casal apaixonado passava de mãos dadas e risos. Estreitou os olhos ao sentir uma dor no peito. Ciúme. Ele queria ter alguém para andar de mãos dadas também.

Definitivamente, ele estava morrendo por dentro.

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And I'll miss your laugh your smile
I'll admit I'm wrong if you'd tell me
I'm so sick of fights I hate them
Let's start this again for real

(E eu sentirei falta do seu riso, do seu sorriso
Eu admitirei que eu estou errado, se voce me disser
Eu estou tão cansado de brigas , eu odeio elas
Vamos começar isso de novo, de verdade)

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Harry estava enrolado no edredom no seu quarto em Grimmauld Place, quando ouviu um barulho irritante na janela. Resmungou qualquer coisa mas o barulho continuou, bufou irritado e sentou na cama, colocou os óculos e observou Edwiges batendo o bico contra o vidro.

- O que você quer, garota? – abriu a janela e ela voou pra dentro do quarto, parando sobre a escrivaninha

O moreno caminhou até ela e viu que ela trazia um pergaminho amarrado ao pé com a palavra "Urgente!" escrita do lado de fora.

- O que pode ser urgente em pleno domingo de manhã? – remungou, pegando o papel

A coruja saiu pela janela piando feliz, por ter feito a sua missão com sucesso. Harry sentou na cadeira e abriu o pergaminho, enquanto bocejava.

"Harry, venha para o St.Mungus, o Blaise está tendo o bebê!

RÁPIDO!

Ron"

O moreno riu, ele reconheceria aquela caligrafia horrenda em qualquer lugar. E pelo jeito Ron estava bem nervoso.

Então ele arregalou os olhos ao absorver a informação do bilhete. Saiu correndo em direção ao banheiro.

Oh, droga, seu afilhado estava para nascer!

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Quando o moreno colocou os pés em St.Mungus não precisou perguntar onde estavam seus amigos. Logo mais a frente uma pequena multidão de ruivos se encontrava na sala de espera. Junto estava Hermione, Pansy e Mel.

Harry caminhou apressado até lá, cumprimentou todos e logo sentou ao lado de Ron.

- E aí, cara. – disse o moreno ofegante pela corrida

- Eu-eu estou com me-medo, Harry... – balbuciou Ron com o olhar perdido – E se algo acontecer com o Blaise? Ou ao bebê? – olhou para o amigo, aflito

- Nada vai acontecer, Ron, os melhores medi-bruxos estão cuidando deles, não é? – disse olhando para Hermione que logo assentiu

- Eu mesma falei com um dos médicos, Ron, daqui a pouco eles vêm dar notícias. – sorriu , reconfortando o amigo

- O Blaise é forte, Ronald, ele vai ficar bem. – disse Pansy – E quanto ao bebê, olha quem são os pais. Você tem alguma dúvida de que ele vai ficar bem? – arqueou uma sobrancelha e Ron sorriu pra ela

- A Pansy tem razão. – disse Mel – Eu só quero saber quem vão ser os padrinhos. – disse tentando distrair o ruivo

- Oh, sim. – resmungou Ron, prestando atenção na conversa – Eu escolhi o Harry. – disse sorrindo – O Blaise não quis me dizer quem ele escolheu. – deu de ombros – Alguma de vocês, provavelmente. – apontou para as amigas

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Já se passava do meio-dia e a maioria dos Weasley's tinham ido embora, enxotados por Hermione que dizia que eles só estavam piorando a situação. Harry estava sentando entre Mel e Ginny, conversando com elas. Enquanto Pansy e Hermione tratavam de acalmar o ruivo.

- MAS POR MERLIN, EU QUERO NOTÍCIAS DO MEU MARIDO! – disse irritado e todos olharam pra ele

- Sr. Weasley? – Ron se virou e viu um medi-bruxo olhando sorridente pra ele

- Sim? – incentivou Pansy

- Nasceu. – Ron ficou vermelho e seus olhos se encheram d'água – Se o Senhor quiser vê-los... – mas o ruivo o interrompeu

- Claro que eu quero! – sorriu

- Me acompanhem. – pediu

O ruivo estava grudado nos calcanhares do medi-bruxo, a sua irmã vinha logo atrás. Mel, Harry, Hermione e Pansy caminhavam lentamente. Não tinha por que correr, o bebê não vai sair do lugar.

Quando chegaram na porta de um quarto o medi-bruxo sorriu mais ainda e abriu a porta.

- Qualquer coisa, é só chamar. – avisou

- Certo, certo. – disse Ron impaciente entrando no lugar

O ruivo se aproximou da cama e sorriu abobalhado. Blaise segurava um pequeno embrulho nos braços.

- Felizmente ele não é ruivo, Ronald. – brincou Blaise, sorrindo

Ron sorriu pra ele e sentou na borda da cama, observando os dois, tanto o marido como o filho.

- Oh-meu-Merlin. – exclamou Ginny fascinada, parando do outro lado da cama – Ele é perfeito. E olha que é filho do Ron. – sorriu

- Também te amo, Ginny. – respondeu sem desgrudar os olhos do bebê

Mel chegou por trás da namorada e segurou sua cintura, observando o pequeno. Pansy estava do lado delas, sorrindo abertamente.

- Parabéns, Blaise. – disse a ex-sonserinha sorrindo para o amigo que sorriu de volta

- Obrigado, Pan. – suspirou cansado – Quem vai segura-lo pra mim?

- Eu, é óbvio. – disse Ron ficando em pé e pegando o filho

Harry e Hermione estavam parados mais afastados, sorrindo.

- Eu nunca vi o Ron ficar com um sorriso tão bobo antes. – comentou Hermione sorrindo

- Nem eu. – riu Harry

Ron ficou um bom tempo com o filho no colo, enquanto cada um ia observá-lo. Harry continuava vendo tudo um pouco mais afastado, porém com um sorriso nos lábios.

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Everytime I hear your name
Everytime I feel the same
It's like it all falls into place
Everything feels right

(Toda vez que vejo seu rosto
Toda vez que você olha para mim
É como se tudo se encaixasse
Tudo parece certo)

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Pansy estava sentada aos pés da cama de Blaise conversando com ele, enquanto Hermione tinha puxado uma cadeira e sentado perto da noiva, Mel e Ginny estavam em pé ao lado da cama e Ron do outro lado, olhando para o bebê.

- Certo, agora é minha vez. – disse Harry se pronunciando e todos olharam pra ele. O moreno caminhou até o amigo que lhe sorria e pegou o pequeno Zambini-Weasley nos braços – Afinal, ele é meu afilhado. – disse enquanto aconchegava o bebê nos seus braços e todos sorriram com a cena.

- Não tão rápido, Potter. – disse uma voz arrastada e inexpressiva a suas costas

O moreno congelou, oh, sim, ele reconhecia aquela voz. Virou-se lentamente e os olhos se arregalaram por trás dos óculos redondos.

Um homem com porte altivo, cabelo loiros platinados e olhos prateados o observava da porta.

- Draco?! – exclamou Blaise da cama

O loiro sorriu de leve pra ele e caminhou até Harry, parando frente a frente com ele.

- Ele não é só seu afilhado, mas meu também. – disse normalmente

Ninguém mais dentro do quarto ousou se pronunciar.

Cinza no verde. Nenhum dos dois piscou.

Um turbilhão de sentimentos começou a explodir no peito do moreno. Muitas perguntas surgiam em sua cabeça, mas a vontade predominante era agarrar o loiro a sua frente e lhe beijar.

- Você não vai nos apresentar, Draco? – perguntou uma voz divertida e com sotaque francês da porta

Todos os presentes olharam em direção a porta. Uma mulher loira, de aparentes 40 anos estava parada sorrindo para todos e ao seu lado uma garota morena, com olhos verdes claros e pele pálida. As duas entraram no quarto.

- Oh, sim, como eu sou distraído. – parou entre as duas – Essa é Narcissa Malfoy, minha mãe. E essa é Jenny Malfoy, minha esposa. – disse estufando o peito

Harry pensou que fosse desmaiar ali mesmo, mas como estava com o bebê nos braços tratou de respirar fundo e continuar encarando os três. Draco o desfiava com os olhos, perguntando se ele ousava comentar sobre cinco anos atrás.

- Sua esposa? – perguntou Pansy levantando da cama – Como sua esposa, Draco Lucius Malfoy? – disse o intimidando e o loiro sorriu pra ela

- Pansy querida, eu já tinha te dito que o nosso amor era impossível. – disse em deboche e a amiga riu, o abraçando com força

- Eu senti sua falta, fuinha. – sussurrou ela apertando mais o abraço

- Eu também, buldogue. – respondeu

Draco se aproximou da cama e abraçou Blaise, cumprimentando depois Ron, Ginny e abraçando Mel e Hermione. O loiro se aproximou sorrateiramente de Harry que não ousara dirigir uma palavra para ele. Eles começaram a se encarar e um silêncio se instalou na sala.

Era uma situação chocante demais pra ser verdade. ELE ESTAVA ALI! Na frente de Harry. E o moreno não sabia o que fazer. Estava chocado! Chocado ao cubo!

- E você não me diz nada, Potter?

- O que você quer que eu diga, Malfoy? – devolveu friamente, surpreendendo o loiro

- O que você quiser, quem sabe. – disse com ironia

- Em respeito a sua mulher eu não vou fazer isso. – Jenny olhou confusa para os dois

- Obrigado por isso. – agradeceu, por que Draco sabia que sua mulher ficaria horrorizada se soubesse do caso que teve com Harry Potter – Eu preciso falar com você em particular. – sussurrou apenas para Harry e o moreno assentiu

Draco baixou o olhar para o bebê nos braços do moreno e sorriu.

- Ele é lindo, Blaise. – disse olhando de soslaio para o amigo

- Eu sei. – respondeu convencido

Draco ficou com o pequeno Zambini-Weasley no colo enquanto Harry saia apressado do quarto.

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However far away,
I will always love you.
However long I stay,
I will always love you.
Whatever words I say,
I will always love you,
I will always love you.

(Embora a distância,
Eu sempre amarei você
.
Por mais longe que eu esteja,
Eu sempre amarei você.
O que quer que eu diga,
Eu sempre amarei você,
Eu sempre amarei você.)

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O moreno estava apoiado na parede do lado de fora do quarto, ele podia ouvir as exclamações de alegria vindo de dentro do quarto e isso estava o deixando tonto. Fechou os olhos com força e levou uma mão até a nuca, massageando. Quando sentiu uma mão forte se fechar ao redor do seu pulso e começar a arrastá-lo.

- Mas o que...? – olhou furioso para a criatura a sua frente e as palavras fugiram da sua boca ao notar a cabeleira loira – O que diabos você está fazendo?

- Eu disse que precisava conversar com você. – disse sem soltar o pulso dele

- E pra onde exatamente estamos indo? – perguntou tentando conter lágrimas que fugiam do seus olhos

- Eu não sei, mas para um lugar que tenha menos pessoas.

Eles caminharam pra fora do hospital, Draco conduziu Harry para um beco suspeito que tinha entres os prédios. O loiro o prensou contra a parede e o observou.

- Por que você foi embora? – perguntou Harry, com a voz firme, passando a mão sobre os olhos

- Isso eu não posso te dizer agora. – respondeu

- Eu não vou ficar aqui ouvindo desculpas esfarrapadas. – tentou se livrar dele, mas o loiro o prendeu de volta na parede

- Nem um beijo de boas vindas? – perguntou com um sorriso malicioso

Harry abriu a boca para falar, mas Draco foi mais rápido e pressionou sua boca contra a dele. O moreno tentou se afastar no início, mas a saudade daquela boca macia falou mais alto.

O loiro rodeou sua cintura com os braços e apertou, enquanto as duas línguas lutavam por domínio. Harry gemeu contra a boca dele e passou os braços ao redor do pescoço do loiro. Se separaram ofegantes e ficaram se encarando, olhos nos olhos.

- Por que você foi embora? – repetiu Harry sentindo a voz falhar

- Harry... – começou ele, mas o moreno lhe deu um beijo rápido

- Agora você está casado, Draco, e isso é errado. – sorriu triste e empurrou o loiro – Diga ao Ron que eu tive que ir embora. – Draco assentiu com a cabeça enquanto via o outro se afastar e sumir

O loiro se apoiou na parede e fechou os olhos, sentindo as lágrimas chegarem.

- Me perdoa, Harry. – murmurou, soluçando

O loiro deu um soco na parede e ficou mais alguns minutos parado ali, tentando organizar os pensamentos. Ele se recompôs e voltou pra dentro do hospital. Caminhou com imponência até o quarto e entrou silenciosamente. Jenny segurava o bebê no colo enquanto sua mãe conversava com Blaise e Pansy. A esposa olhou para Draco.

- Onde você estava, amor? – perguntou Jenny sorrindo

- Fui resolver um probleminha. – se aproximou dela, e passou um braço pela sua cintura, observando o afilhado

- Mas está tudo bem agora? – retrucou preocupada, Jenny era uma garota doce e ingênua, e Draco se martirizava por ter que mentir pra ela

- Sim, sim. – respondeu sorrindo de leve

- Draco. – chamou Pansy e ele a olhou

- Sim?

- Nós precisamos conversar com você. – disse Hermione séria

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To say I,
I can do anything, If you want me here.
And I can fix anything, If you'll let me near.
Where are those secrets now, that you're just scared to tell?
I whisper them all aloud , so you can hear yourself.

(Para dizer eu,
Eu posso fazer qualquer coisa, se você me quiser aqui.
E eu posso consertar qualquer coisa, se você me deixar perto.
Quais são aqueles segredos agora que você está assustado demais para dizer?
Eu sussurro-os todos alto, assim você pode ouvir a sí mesmo.)

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A última vez que Draco recebera um sermão foi... Foi... Há muito tempo.

O loiro estava sentando na sala de espera do St. Mungus. Com quatro garotas super-protetoras e irritadas as sua frente. Com um feitiço de silêncio ao redor deles, pra que ninguém pudesse ouvir a conversa.

Hermione Granger falava algo como: "Como você ousa deixa-lo?"; Pansy que deveria ser sua amiga dizia: "Draco seu irresponsável, como você faz uma pessoa se apaixonar por você e simplesmente a deixa?"; mas tinha mais, a Weasley, Ginny, estava vermelha de ódio: "Malfoy, você é um estúpido, o Harry está sofrendo muito sabia?!". E ainda por cima tinha Mel Heather, que mais apoiara seu namoro com Harry, ela parecia desolada: "Eu não acredito que incentivei o Harry a ficar com um ser desprezível como você!".

Draco estava a ponto de ter um colapso nervoso. Os olhos prateados vidrados nas quatros garotas que gesticulavam com exagero, mas ele simplesmente não consiga ouvi-las. E todo a sua máscara de frieza, que ele demorara cinco longos anos pra reconstruir se desmanchou na frente de tanta pressão.

Ele tremeu de leve e abaixou a cabeça, começando a chorar silenciosamente.

- Vocês não sabem o quanto eu sofri para deixá-lo, e não sabem por que isso era necessário. Por isso não me venham com discursos moralistas se vocês não me conhecem e muito menos sabem como é a minha vida, para tentar achar algum motivo para o que eu fiz. – disse em um tom de voz baixo e ameaçador, fazendo elas pararem de falar instantaneamente

As garotas se entreolharam culpadas. Não. Elas não sabiam de nada. Só que Draco deixara Harry e que o moreno estava sofrendo. Grande coisa, isso qualquer idiota sabia.

- Draco, - começou Pansy sentando ao lado dele – me desculpe. – o loiro a observou – Eu senti tanto falta de você, mas você não sabe o que é ver o Potter sofrendo todos os dias, e me desculpe por não tentar saber o seu lado da história. – ele sorriu de leve

- Eu também senti sua falta, Pansy, e pensei que nós já tivéssemos passado dessa parte do reencontro. – a amiga riu

- Sim, sim. – sorriu mais ainda

- Draco. – chamou Mel e o loiro olhou para ela – Será que você poderia contar toda a história pra nós? – perguntou sentando do outro lado dele

- Por Merlin, eu não deveria. Eu fiz isso exatamente pra proteger vocês. – sussurrou afundando as mãos nos cabelos – Eu vou contar metade da história, ok? – todas assentiram

Hermione sentou de frente para Draco e Ginny ao seu lado. O loiro pareceu indeciso por mais algum minutos. Hermione nunca o vira desse jeito.

- Certo, certo. – suspirou – Lembram na última batalha? – elas fizeram que sim com a cabeça – Eu recebi a notícia de que a minha mãe estava viva. – sorriu de leve – No momento eu fiquei eufórico e a primeira coisa que eu queria era contar para Harry. – o sorriso morreu – Mas Bellatrix estava com ela. E ela estava me chantageando, eu deveria ir sozinho e deixar tudo pra trás.

- Mas por que você simplesmente não pediu ajuda? – interrompeu Pansy e Draco logo adquiriu sua pose arrogante e fria

- Eu não sou estúpido, Pansy. Eu pensei nisso. – deu um sorriso de escárnio – Mas Bellatrix também pensou nisso. E sabe do que mais? – perguntou com sarcasmo – Meu pai tinha colocado todos os bens dos Malfoy's em meu nome. Em um testamento, só que com uma condição. – fez uma pausa e desviou o olhar, observando os sapatos – Eu deveria estar casado a pelo menos dois anos.

- Como assim? – perguntou Hermione, aflita

- Eu só podia colocar a mão no dinheiro com uma esposa. – bufou e levantou a cabeça – Foi o que eu fiz.

- Draco! – repreendeu Pansy – Você sabe que dinheiro jamais seria problema! Potter tem bastante, eu poderia contribuir...

- Não, Pansy! – cortou friamente – Você sabe como é importante ter o próprio dinheiro, dinheiro que tenha o seu nome. – a amiga suspirou, concordando – Então fui ao encontro com a Bellatrix, nós lutamos e eu a matei. – falou sem emoção e Ginny levou à mão a boca

- E ninguém te pegou? – perguntou Mel, confusa

- Todos pensavam que ela estava morta, e ela está agora. – deu de ombros – Com a herança dos Black eu e mamãe fomos para a França. Onde conheci Jenny. – sorriu de leve – E foi quase inevitável gostar dela. Ela é adorável, a esposa perfeita, ingênua e manipulável.

- Certo. – cortou Pansy – E o fato de você ser absurdamente gay não conta? – perguntou com sarcasmo e Draco lhe lançou o olhar mais gélido que conseguia

- Não, não conta. – disse irritado – Eu só fiz o que era necessário.

- E por que você não voltou? – retrucou Ginny

- Bom, - suspirou ele novamente – no dia em que eu me casei com ela completou três anos que eu tinha deixado à Inglaterra. Então, se vocês fizeram as contas direitinho, eu ainda não estou casado a dois anos. – deu um sorriso irônico – Dentro de três meses eu já posso colocar as mãos no dinheiro Malfoy. – disse simplesmente

As garotas olhavam atônitas para Draco. UOU, tudo isso acontecera em apenas cinco anos? Agora elas entendiam tudo. Bom quase tudo.

O loiro não podia simplesmente ter ficado na Inglaterra, ter deixado a mãe morrer e perder todo o patrimônio que a sua família demorara anos pra construir?

A resposta era óbvia: NÃO.

- Por que você não pediu ajuda, Draco? – perguntou Pansy sorrindo pra ele – Nós daríamos um jeito, sei lá, provavelmente deveria haver algum furo na clausula do testamento...

- Não. Era uma regra clara e simples: "Ele só pega o dinheiro quando estiver casado." – disse com desdém – Eu achei que era o mais certo a se fazer, Pansy. – suspirou passando as mãos pelo rosto

- E O HARRY EM TUDO ISSO? – bufou Mel

- Você nem pensou nele, não é? – perguntou Hermione, séria

- Foi só nele em que eu pensei.

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After all these years, one thing is true
Constant force within my heart is you
You touch me, I feel I'm moving intoyou
I treasure every day I spend with you
All the things I am come down to you

(Depois de todos esses anos, uma coisa é verdade
A força constante dentro de meu coração, é você
Você me toca, eu sinto eu estou passando por você
O valor de todo dia que eu passo com você
Todas as coisas que eu sou, sou por sua causa)

x

Harry estava deitado no sofá de sala. Completamente atordoado.

Ele acabara de encontrar Draco e o loiro estava casado! CASADO! Isso era pra deixar qualquer um atordoado.

Olhou pela janela e suspirou, já estava anoitecendo e ele não tinha idéia do que fazer. Estava completamente perdido. Sua cabeça parecia pesada demais para levantar do sofá, e ele duvidava muito que suas pernas fossem colaborar. O moreno suspirou mais uma fez e se deixou cair no sono.

x

DING DONG!

Harry deu um pulo. Olhou ao redor. Ainda estava em casa e ainda era de noite. Encolheu-se no sofá e puxou o casaco mais pra cima, usando como cobertor. Fechou os olhos e ouviu a campainha tocar de novo.

- Infernos! – ficou em pé e caminhou rapidamente pelo corredor, de pés descalços. A campainha tocou mais uma vez – JÁ VOU, PORRA! – disse irritado

Antes que Harry tocasse na maçaneta a porta foi "arrombada", e ele teve que pular pro lado rapidamente pra não ser atingido por ela. Arregalou os olhos e virou o rosto para o local onde deveria estar a porta e ali se encontrava ninguém mais ninguém menos que Draco Malfoy.

- Você demorou demais pra atender. – resmungou entrando na casa e murmurando um feitiço pra colocar tudo no lugar

- Mas eu disse que já estava indo. – foi á única coisa que Harry conseguiu dizer antes de sentir seu corpo sendo prensado contra a parede

Draco grudou seu corpo ao do moreno e grudou seus lábios ao dele sem permissão. Harry tentou se livrar dele, eu juro que ele tentou, mas era impossível resistir ao loiro quando ele fazia aquilo com a língua.

O moreno passou os braços pela cintura dele e o puxou para mais perto ainda. O beijo durou mais alguns instantes até eles se separarem por falta de ar e Harry mergulhar o rosto na curva do pescoço de Draco.

- Eu senti tanto a sua falta, Draco... – soluçou o apertando mais

- Eu também senti muito a sua falta, Harry. – sussurrou passando os braços pelos ombros do moreno

Eles ficaram mais alguns minutos assim até Harry assimilar tudo e ficar com raiva do loiro. Ele o empurrou e saiu batendo pé de volta a sala.

- Hei, Harry, o que foi? – perguntou confuso indo atrás dele

- O QUE FOI? – gritou irritado enquanto via o loiro parar na porta, olhando-o – FOI QUE VOCÊ FOI EMBORA E AGORA DEPOIS DE CINCO ANOS VOLTA, COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO! – se jogou no sofá, observando a lareira

- Você nem me deixou te explicar nada. – respondeu friamente, sentando ao lado dele

- Então explique! – exclamou ainda impaciente

- Certo. – resmungou

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- Entendeu agora, Estúpido Grifinório? – retrucou Draco com desdém, depois de relatar a mesma coisa que contara as garotas

- Não. – disse Harry olhando para a janela, sentindo lágrimas embaçarem sua visão – Você podia ter ficado, nós daríamos um jeito! – exclamou virando para o loiro

- Hermione e Pansy sugeriram a mesma coisa. – rodou os olhos, impaciente – Eu não podia, ok? Eu tenho que cuidar do que é da minha família. – suspirou e passou a mão pelo cabelo, que batia um pouco acima da orelha – E o que você sugere, Harry, que eu virasse Draco Potter e que deixasse toda a minha herança trancafiada em um cofre? – perguntou som sarcasmo

- Não precisa ser grosso! – disse ficando em pé – E agora você está casado! E nós nunca viveremos a nossa história de amor! Se é que algum dia você gostou de mim. – resmungou amargurado

- Não seja idiota! – ficou em pé também, frente a frente com o moreno – Eu amei você, Harry, você foi o único! Mas era algo que eu precisava fazer! Era minha obrigação, tanto quanto você deveria matar Voldemort! – disse o observando, olhos os olhos

- Eu só queria que você ficasse comigo, Draco. – sussurrou com a voz trêmula – Quando eu precisava de você pra me recuperar, você sumiu, foi embora... – soluço e esfregou as costas da mão nos olhos limpando as lágrimas

- Harry, são só mais três meses agora. – sussurrou o puxando para um abraço

- Mas foram cinco anos perdidos! – exclamou apertando os braços ao redor dele

- Eu sei, mas eu não me arrependo. – disse firme e Harry o empurrou, irritado

- CLARO QUE VOCÊ NÃO SE ARREPENDE! VOCÊ ESTÁ CASADO!

- Muito bem casado e com uma linda filha de um ano, obrigado. – disse friamente

Harry arregalou os olhos e caiu no sofá. Atônito, chocado, atordoado, perdido... Por Merlin!

- Você tem uma filha? – perguntou com a voz fraca e baixa

- Tenho. – suspirou – O nome dela é Lily. – Harry arregalou os olhos – Sim, o nome da sua mãe. – sorriu de leve e sentou ao lado do moreno - Espero que você não se importe.

- Claro que não, minha mãe tinha um nome lindo. – disse frio

Draco olhou pra ele, esperando alguma reação, mas o moreno continuava olhando o fogo. Com uma expressão indecifrável no rosto. O loiro não sabia o que fazer.

Desde que ele saíra da França, sabia que o reencontro com Harry seria difícil, mas no momento a palavra que mais definia aquilo era doloroso. Mas agora ele tinha que convencer o moreno de que era só esperar mais três meses que tudo estaria ok.

- Harry... – começou ele

- Quando você colocar a mão no dinheiro, você larga a tal Jenny? – perguntou sem olhar pra ele

- Eu vou tentar. – o moreno virou o rosto em sua direção, com uma expressão indignada

- Como TENTAR? – bufou – Você vai ficar com o dinheiro, que era o que você queria!

- Não é tão simples! – ficou em pé e começou a andar pelo aposento – Jenny tem uma doença... E, ela nova, eu sei, mas é algo genético ou algo do tipo, então ela tem os meses de vida contados... – suspirou e passou as mãos pelo cabelo – Eu não sei... Eu falei com os medibruxos e eles disseram que não há o que fazer... E eu estou em pânico, Harry! – disse olhando para o moreno – Eu sei que você está pouco se fudendo pra ela...

- E estou mesmo. – resmungou, fingindo não se mostrar afetado pelo carinho que Draco tinha com a esposa

- E que você quer mais que ela morra, mas... Ela é importante pra mim. – sussurrou parando de caminhar

Aquilo foi a gota d'água na opinião de Harry. O que Draco queria ali afinal? Ser azarado ou conseguir o perdão do moreno?

- Você notou que ela é morena e tem olhos verdes? – perguntou sonhador, e Harry quase surtou com aquela pergunta – Como você. – sussurrou desviando o olhar

O moreno arregalou os olhos. Que fofo! Draco escolhera uma esposa que fosse parecida com ele, nem que fosse o mínimo possível.

- Draco, - começou com a voz rouca e trêmula – eu estou tentando entender o que você está passando, mas... Será que não dá pra você simplesmente me dizer duma vez em quanto tempo nós vamos poder ficar juntos? – perguntou olhando nos olhos do outro

- Quatro meses. – sussurrou fracamente

- Certo. – Harry passou a mão pelo cabelo – Isso é insano, Draco.

- Eu sei.

Eles ficaram em silêncio por um tempo. Draco sentou ao lado de Harry e aproximou a boca da orelha do moreno, que fechou os olhos instintivamente.

- Eu te amo. – sussurrou o loiro

- Eu também te amo, loira. – respondeu virando o rosto

Os lábios se roçaram de leve e Harry não agüentou de saudade. Atirou-se sobre o seu loiro, e pelo menos aquela noite, eles poderiam esquecer de tudo e de todos.

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I would break down at your feet
And beg forgiveness
Plead with you
But I know that
It's too late
And now there's nothing I can do

(Eu me desmancharia aos seus pés
mendigaria seu perdão
imploraria a você
mas eu sei que é tarde demais
e agora não há nada que eu possa fazer)

xxx

Fazia exatos três meses e duas semanas que Harry não conseguia dormir direito. Draco ia o visitar a noite, e por motivos óbvios e levianos eles passavam a maior parte do tempo acordados.

O moreno estava contando nos dedos para o dia em que a tal Jenny fosse morrer. Sim, ele sabia que isso era algo terrível, mas pra quem esperou cinco anos, esperar três meses pode parecer surreal demais.

Harry estava tentando se concentrar nesse relatório a sua frente. Mas já era a quinta vez que ele lia aquela frase, mas não a absorvia. Os outros quatro ocupantes da sala estavam extremamente concentrados. O moreno suspirou e jogou a cabeça pra trás.

- Hei, pessoal, chegou uma coruja pra vocês. – avisou um dos secretários de departamento, deixando o bilhete sobre a mesa de Mel e Ginny, saindo logo depois. A ruiva olhou para o pergaminho e depois para Harry.

- É pra você, Harry. – disse se levantando e o entregando o papel

- Como você sabe? – retrucou o pegando

- É a letra do Draco, só pode ser pra você. – deu de ombros e voltou para a sua mesa

Harry abriu o pergaminho e sentiu o olhar dos outros sobre si.

"Tive que levar Jenny para o St.Mungus, ela está péssima.

Se vocês quiserem, sabem onde me encontrar.

D.M."

Draco e seus bilhetes curtíssimos, hunf, péssimo hábito.

- Ele levou a esposa para o St.Mungus, será que nós devemos aparecer por lá? – perguntou o moreno levantando o olhar

- Acho que sim, né. – respondeu Ron já ficando em pé

- Então vamos logo. – apressou Hermione

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Harry precisou usar sua influência como empregado do Ministério pra poder entrar no quarto da esposa de Draco. O moreno estava com a mão na maçaneta, tentando tomar coragem suficiente pra entrar ali.

Os outros (Mel, Ginny, Hermione, Ron, mais Blaise, o bebê e Pansy) estavam na sala de espera. Eles sabiam o que ia acontecer, e o que isso significava. Draco já estava com a mão na herança, só faltava agora ficar viúvo para poder ficar com Harry.

- Draco? – sussurrou o moreno abrindo a porta

Quando Harry entrou no quarto se arrependeu mortalmente de ter feito isso. Draco estava sentado em uma cadeira ao lado de cama, uma mão segurando a da mulher deitada e no outro braço, uma menina de cabelos pretos e pele pálida dormia.

O loiro olhou para Harry e sorriu de leve, indicando que ele podia se aproximar.

- Como ela está? – sussurrou parando ao lado do loiro, enquanto observava a linda mulher deitada na cama

- Não passa dessa noite. – disse o loiro tentando manter a voz firme

- Eu posso ficar aqui com você? – perguntou, olhando pra ele

- Claro. – sorriu de leve

Harry olhou mais uma vez para Jenny e depois para a menina que dormia no colo do loiro.

Ela tinha cabelos pretos e lisos, a pele mais branca que o normal, mas não tão pálida quanto à de Draco. O nariz empinado a deixava com ar de bonequinha de porcelana. E o corpinho vestido com uma capa para crianças branca a fazia parecer quase angelical.

- A propósito, Harry, essa é Lily. – disse o loiro, vendo que a atenção do moreno estava na sua filha

- Draco, ela é perfeita. – sussurrou Harry sorrindo

- Sim, ela é. – olhou para a menina e depois para o moreno – Você poderia ficar com ela no colo por mim? – perguntou

- Cla-claro que si-sim. – respondeu envergonhado

Ele pegou a menina no colo e se sentou no sofá que havia no quarto, tentando não prestar a atenção na devoção de Draco com a esposa.

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- Papai? – resmungou uma vozinha aguda, abrindo os olhos azuis-claros

- Draco, ela acordou. – disse Harry alarmado, ficando em pé e indo até o loiro

- Papai? – repetiu chorosa, ao notar que não estava no colo do conhecido homem loiro

- Estou aqui, Lily, aqui. – pegou a menina nos braços e sorriu pra Harry, que estava um pouco pálido – É que ela está acostumada ser acordada por mim.

- Oh. – disse sem graça

- Draco, querido? – perguntou uma outra voz, porém fraca e com um forte sotaque francês

- Jenny. – exclamou se virando para a cama

A mulher sorriu pra ele. E Harry se sentiu um pouco intruso naquele momento, vendo os dois conversar, em francês. Jenny sorria de leve e Draco às vezes ria com vontade, olhando significativamente para a filha.

Eles ficaram mais um tempo assim e o moreno tentava nem respirar, para não quebrar o momento da despedida.

- Harry Potter? – perguntou à francesa

- Si-sim? – respondeu, se aproximando da cama, e viu a mulher sorrir pra si

- Prazer em finalmente conhece-lo. – sorriu de leve, em cortesia – Draco já me falou muito de você. – disse divertida, e Harry olhou de soslaio para o loiro que corara com o comentário

- Prazer em conhecê-la, também, Sra. Malfoy. – abriu seu melhor sorriso

Eles ficaram conversando por mais um tempo sobre qualquer casualidade. Até Jenny começar a tossir compulsivamente. Draco ficou mais pálido que o normal.

- Harry, fique com Lily. – pediu, colocando a menina nos braços dele

- Certo, certo. – disse olhando a garotinha, que tinha um pequeno biquinho por ser abandonada pelo pai

O loiro sentou ao lado da esposa e começou a acalmá-la, falando algo em francês, ela sorria de leve para Draco, mas estava óbvio que a morena estava morrendo.

A garotinha estava entretida em brincar com os fios de cabelos bagunçados de Harry para notar o que estava acontecendo.

O moreno quase não pode conter as lágrimas ao notar que eles realmente estavam se despedindo. Draco tinha lágrimas nos olhos, mas tentava as controlar de qualquer forma.

- Eu te amo, Draco. – disse a mulher em inglês

- Eu também te amo, Jenny. – sussurrou, aproximando o rosto ao da esposa, e lhe dando um leve beijo. Harry sentiu uma pontada de ciúmes ao ver aquilo, mas não podia reclamar, afinal, ele se oferecera pra ficar ali.

- Deixe-me ver a Lily. – pediu a mulher sorrindo

- Claro. – Draco se virou para o moreno e Harry entendeu o recado

O moreno se aproximou da cama e viu Jenny se despedir da filha com um beijo e mais um sorriso. Harry não parava de se perguntar como ela conseguia sorrir tanto, mesmo estando à beira da morte.

- Potter, - chamou ela e Harry fitou sua atenção nela – cuide deles por mim, ok? – pediu tossindo um pouco mais

- Pode deixar que eu vou cuidar. – disse firme, passando total confiança para a mulher

- Pá onde a mamá vai? – perguntou Lily voltando voluntariamente para o colo de Harry

- A mamãe vai pro céu, Lily. – disse Draco sorrindo para a filha, passando a mão sobre os olhos, tentando parecer firme e a menina sorriu, dando de ombros e se aninhando no colo de Harry

- Tire ela daqui, por favor. – pediu Jenny e Harry assentiu, saindo do quarto

O moreno fechou a porta do quarto a caminhou decidido até a sala de espera. Quando seus amigos olharam a garotinha em seus braços eles pareciam extasiados demais em admirá-la do que fazer perguntas a Harry.

x

Já estava no início da madrugada quando Draco apareceu. Todos olharem em expectativa pra ele, o loiro apenas concordou com a cabeça.

Pegou a filha, que estava adormecida, no colo e sentou ao lado de Harry, se deixando envolver pelos braços protetores do moreno.

- Me faça feliz, Harry. Depois de anos, por favor. – pediu o loiro afundando o rosto na curva do pescoço de Harry

- Eu vou fazer, Draco. Eu vou fazer. – sussurrou

x

However far away,
I will always love you.
However long I stay,
I will always love you.
Whatever words I say,
I will always love you,
I will always love you.

(Embora a distância,
Eu sempre amarei você
.
Por mais longe que eu esteja,
Eu sempre amarei você.
O que quer que eu diga,
Eu sempre amarei você,
Eu sempre amarei você.)

x


Músicas : Perfect World – Simple Plan, Everytime – Simple Plan, I miss youy – Blink 182, Lovesong – The Cure, Angel of Mine – Evanescence, Boys Don't Cry – The Cure. Eu devo ter esquecido de alguma música, desculpe.

N/A: eu posso surtar aqui? sério mesmo, não creio que eu recebi dez reviews no primeiro capítulo! (desmaia) esse capítulo ficou bem grandinho, né? e me desculpem se tudo aconteceu muito rápido, mas a fic vai ter apenas três capítulos.

Respondendo reviews: Vicke Granger Malfoy: antes que você me mate, ficou impossível postar a fic antes, sorry! mas sim, o Draco voltou, como dá pra perceber lendo o capítulo né. xP certo, vou escrever uma NÃO-SLASH um dia desses pra você. Mira-chan: ok, ok! aqui está o segundo cap. espero que tenha gostado. não sei se essa explicação foi boa para o Draquinho ir embora, mas foi o que eu imaginei! xD mas só uma coisa, QUEM não gosta do Draco? (risos) Tety Potter-Malfoy: não roa as unhas não! mas me diga, o que seria dos romances sem um pouco de sofrimento? (pisca) espero que tenha gostado desse cap! Eyre Malfoy-Potter: pois é, é que no primeiro capítulo eu ainda estava meio insegura, mas agora eu escrevi MUITO mesmo. e não sei o motivo da herança do Draco foi o suficiente pra você! xD Likaah: não elogie muito se não eu fico convencida! (sorri sem graça) mas que booom que você está gostando, estou realizada! aqui está o segundo cap. espero que tenha gostado. TONKS BLACK2: obrigado pelos elogios, moça! e sobre o jeito como eu escrevo, bom, eu faço o que posso. (sorriso maroto) e sim, slash vicia MUITO. (risos) Scheila Potter Malfoy: aqui está! espero que tenha gostado. Ge Black: sem noção, eu AMO casais bizarros. huahua. que bom que dá pra perceber o sentimento na fic! por que essa paixão do Harry e do Draco é muito intensa. espero que tenha gostado, fofa! Lisse: mas claro, casais bizarros são os mais legais. siiim, todo mundo é gay na fic. resolvi terminar de uma vez com os possíveis casas da J.K e coloquei todo mundo gaay! (riso maligno) HUAHUAHUAHU, concordo, só falta o Dumby achar um par! é, eu gosto de misturar as músicas na fic. xD

se quiserem ver a minha tentativa de capa dessa fic é só ir no profile e pegar o link.

desculpe qualquer erro de português ou incoerência, mas é que são 04:45 da madrugada e eu terminei de escrever as 04:35, o sono faz loucuras com as pessoas.

esse capítulo ficou bom?

faça um escritora feliz, deixe uma review! (só pra não perder o hábito)

beijos

May