O clima estava fresco naquele lugar. Sakura nunca imaginou que Suna pudesse ter um local tão agradável. Os três irmãos e a médica-ninja se encontravam em um lago perto da casa em que estavam hospedados. Temari estava deitada sob uma toalha e tomava um pouco de sol. Kankurou se preparava para entrar na água. Sakura estava sentada de baixo de uma árvore com Gaara ao seu lado. Apesar de agradável, o sol estava demasiado forte para o Kazekage debilitado. Na sombra, o casal observava os dois shinobis da areia.
- Deve ser legal ter irmãos. – Sakura comentou.
- Hum. – foi a única coisa que Gaara pronunciou.
- Eu não tenho irmãos...
- Mas tem o Naruto.
- Sim.
- Ele não é como um irmão pra você?
- Muito mais do que isso. – foi a resposta dela. Por alguma razão, Gaara não gostara do que ela respondera. Seguiu-se um instante de silêncio entre os dois.
- Como é sua vida em Konoha? – o ruivo perguntou tentando puxar algum assunto.
- Ah! Eu treino com a minha shishou...
- A Godaime.
- Isso. Treino com ela, dou plantão no hospital e saio para algumas missões. E você?
- Você já sabe como é o trabalho de um Kage. – Gaara respondeu dando de ombros.
Mais um instante de silêncio.
- Gaara! – Kankurou chamou – Vem nadar comigo!
- Você perdeu o juízo, Kankurou? – Temari gritou – Não ouviu a Sakura-san dizer que nosso irmão tem que descansar?
- Só uma nadadinha...
- Não! – Temari berrou.
- Como você é chata, Temari! – Kankurou disse jogando água na irmã.
- Faça isso de novo e você será um homem morto! – Temari disse irritada. Obviamente Kankurou jogou água de novo.
- Vem me pegar! – o irmão provocou.
Sakura e Gaara assistiam a tudo. A garota tentava não rir mas isso estava se tornando uma tarefa praticamente impossível. Gaara suspirou. Sabia que a briga entre os dois irmãos iria demorar.
- Que tal uma volta? – Gaara sugeriu.
- Certo. Mas você sabe que não pode se esforçar muito, não sabe?
O ruivo rolou os olhos. Aquela mulher mais parecia sua babá do que médica.
- Eu sei das minha limitações. – ele respondeu um pouco rude – Vamos? Esses dois não vão parar tão cedo.
- Muito bem. – a garota concordou ajudando o rapaz a se levantar.
Os dois caminharam a passos lentos com Gaara apoiado em uma bengala. O rapaz não parava de reclamar de como aquilo era ridículo. Ele, Gaara do Deserto, o Kazekage, usando uma bengala. Sakura não parava de rolar os olhos. Gaara lembrava Naruto em muitos aspectos.
Os dois andavam calmamente aproveitando a paz daquele lugar. Vez ou outra, o Kage soltava um gemido de dor. A médica olhava preocupada para ele mas o rapaz dizia que não era nada e que não havia motivo para ela ficar preocupada. Desconfiada, Sakura resolveu examiná-lo assim que voltassem para casa.
O casal parou a alguns metros mais a frente. Resolveram que ali era um bom lugar para descansar e sentaram. Nenhum dos dois dizia nada. Apenas aproveitavam aquele local. Fazia muito tempo que nenhum dos dois tinha um instante para descansar. Estavam sempre ocupados. Ele com seu trabalho de Kazekage. Ela com o seu de médica. Aquele momento era raro para ambos.
Gaara então descobriu que gostava da companhia da moça. Ela era muito agradável – quando queria – e muito atenciosa. A todo instante ela lhe perguntava como se sentia. Isso irritava um pouco o ruivo mas ele sabia que ela só estava fazendo o seu trabalho. Foi então que ele agradeceu por estar nas mãos de uma médica tão competente.
Foi naquele instante que ele se dera conta de que só estava ali por causa dela. Ela salvara sua vida. Se não fosse por aquela mulher, a esta hora ele estaria morto. Essa idéia fez com que um arrepio corresse pela sua espinha. Morto... Logo ele que prezava tanto a existência.
- Obrigado. – ele disse.
- Perdão?
- Obrigado por me salvar. Se não fosse por você, a esta hora eu estaria morto.
Sakura sorriu amavelmente para o seu paciente.
- Eu só fiz o meu trabalho. – ela respondeu. Gaara não gostou da resposta da jovem.
- Então você vê seus pacientes apenas como parte do seu trabalho? – ele perguntou com aspereza.
- Como assim? – ela perguntou confusa.
- Você não deveria amar os seus pacientes? Não é isso que os médicos fazem? Não é por isso que as pessoas se tornam médicas?
Sakura levantou uma sobrancelha. Por que ele estava dizendo aquilo tudo?
- Que tipo de médica você acha que eu sou? É claro que eu amo os meus pacientes.
- Do jeito que você falou parece que você só os vê como objetos do seu trabalho.
Ora! Aquilo já havia ido longe demais! Quem era ele para dizer tal coisa? Ele podia ser Gaara do Deserto, o Kazekage, mas ainda sim não tinha o direito de falar tais coisas!
Irritada, Sakura fez menção em se levantar mas Gaara a deteve.
- Eu ainda não a dispensei. – ele disse.
- O pacto foi que você se esqueceria do seu posto durante esses dias. Isso quer dizer que teoricamente você não é o Kazekage. Logo, eu posso sair na hora que eu quiser! – a garota exclamou irritada desvencilhando-se do rapaz e indo embora.
O ruivo assistiu em silêncio a companheira ir embora. Aquela mulher tinha um gênio terrível. Pior do que o de Temari. De todas as médicas do mundo, a mais competente tinha que ter um gênio forte...
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O restante daquele dia seguiu com Sakura conversando com Temari e ignorando totalmente a presença de Gaara. A médica só lhe dava atenção quando tinha que examiná-lo. E mais uma vez ela o examinava daquele jeito grosseiro. O ruivo já esperava por aquilo. Aos poucos estava conhecendo a personalidade da kunoichi de Konoha.
Kankurou não perdia a oportunidade de implicar com o irmão mais novo. Quando Sakura não estava por perto, ele soltava alguns comentários maliciosos sobre a relação entre o Kage e sua médica. Mais de uma vez Gaara se sentiu tentado a usar o Caixão do Deserto no irmão mais velho.
Temari, por outro lado era mais solícita. Desde que o grupo voltara do passeio no lago, a loira percebera que havia algo errado entre Sakura e Gaara. Os dois mal se falaram durante o dia. A irmã do Kazekage então aproveitou que os dois irmãos estavam na sala discutindo e chamou Sakura para conversar.
- Algum problema, Sakura-san?
- Nenhum, Temari-san. Por que pergunta?
- Eu notei que você anda estranha. Aconteceu algo entre você e meu irmão?
Sakura não sabia o que dizer. Deveria se abrir com Temari ou não? Resolveu pela primeira opção. Após o relato da kunoichi, Temari disse:
- Peço desculpas pelo meu irmão. Ele tem uma personalidade difícil.
- Eu sei.
- Tenho a certeza de que não foi a intenção dele irritá-la.
- Disso eu já não sei. Parece que ele faz de propósito.
Temari suspirou.
- É o jeito dele. Com o tempo você se acostuma.
Sakura fez uma careta. A verdade era que ela não queria passar muito mais tempo com o Kage.
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Naquela noite, Gaara piorou. O rapaz começou a ter febre alta e Sakura não conseguia baixá-la de jeito algum. Se eles estivessem na vila, ela teria mais recursos mas ali no interior... A febre do rapaz estava tão alta que Gaara começou a delirar. Isso alarmou Sakura. Aquilo não era bom sinal. A jovem então botou o cérebro para funcionar. Se chamasse Temari e Kankurou, eles ficariam preocupados e não seriam úteis. Voltar para a vila estava fora de cogitação. Era capaz de Gaara morrer antes de chegar lá. Não tendo remédios suficientes, a médica-ninja apelou para o seu último recurso. Morrendo de vergonha, ela se despiu e tirou a blusa de Gaara. Equilíbrio térmico era a última saída.
Com a parte superior despida, Sakura deitou-se sobre Gaara e se concentrou em fazer a temperatura do corpo do rapaz baixar.
"Pelo menos ele está delirando e não percebe o que está acontecendo..."
Apesar de se esforçar ao máximo para se concentrar na troca de temperatura, Sakura não pôde deixar de notar que a pele de Gaara era demasiado macia.
"Eu sou deprimente. O garoto morrendo e eu tendo esse tipo de pensamento..."
- Sa-Sakura... – ela ouviu Gaara chamá-la.
- Gaara? O quê foi?
- Sakura...
Foi então que ela percebeu que ele não estava consciente. Provavelmente nem sabia que ela estava ali com ele.
"Ele está delirando... Mas por que me chama?"
- Sakura... Eu...
A médica esperou para ver o que ele iria dizer. Mas ele não disse. Pouco tempo depois, Gaara começou a suar desesperadamente. Era sinal de que sua febre estava baixando. Quando a temperatura do rapaz voltou ao normal, a médica suspirou aliviada. Saiu de cima dele e vestiu-se. Depois abriu o armário e colocou uma blusa seca no rapaz. Sentou na cadeira ao lado da cama e passou o restante da noite velando pelo jovem.
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Quando Gaara acordou, ele viu que estava com uma blusa diferente da que estava usando na noite passada. Confuso, sentou-se na cama e foi então que levou um grande susto. Ao seu lado, sentada na cadeira com a cabeça pendendo, estava Sakura. A jovem dormia a sono solto.
O Kage então começou a raciocinar. Somando dois mais dois, ele percebeu que havia passado mal – provavelmente tinha tido febre alta – e Sakura o socorreu. Além disso, a garota pareceu velar por ele durante toda a noite.
Uma sensação estranha então atingiu o jovem. Aquela mulher, tão audaciosa e petulante, com uma lígua tão afiada esteve cuidando dele por toda noite. Gaara sentiu um comichão na barriga. Ela o vigiou durante a noite inteira. Como um anjo da guarda.
Ainda com esses pensamentos em mente, Gaara observou Sakura ir acordando. A jovem abriu um olho, depois o outro e logo em seguida se espreguiçou como um gato. Gaara achou tudo aquilo muito engraçado.
- Como está se sentindo? – ela perguntou.
- Bem. E você?
- Cansada. – Sakura respondeu.
- Você ficou me vigiando a noite inteira, né?
A médica não respondeu mas corou ligeiramente evidenciando a resposta.
- Obrigado. – Gaara agradeceu. Sakura sorriu para ele. Um sorriso lindo. Foi a vez de Gaara corar ligeiramente.
- Fico feliz em vê-lo bem. Você realmente me assustou ontem. – ela disse levantando-se e afastando a cortina.
- Desculpe.
Sakura riu.
- Tudo bem. Mas hoje aconselho a você a não sair do quarto.
Gaara se surpreendeu.
- E o que eu vou ficar fazendo o dia todo? – ele perguntou.
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- Kankurou! Você está roubando! – Temari gritou.
- Não estou!
- Está sim!
- Não estou nada! Gaara, diga pra sua irmã que eu não estou roubando!
Os três irmãos e Sakura estavam no quarto do Kazekage jogando. Temari ralhava toda hora com Kankurou porque o rapaz estava roubando descaradamente. Sakura como sempre ria das brigas dos dois irmãos e Gaara tentava se concentrar no jogo coisa que estava se tornando muito difícil. Os risos de Sakura o desconcentravam.
- Kankurou! Você andou duas casas a mais!
- Não andei, Temari!
- Agora eu vou ter que me meter! – Sakura falou – Andou sim! Pode voltar!
- Que saco! Vocês duas estão vendo demais! Gaara, ajude-me!
O Kage ia falar algo mas quando viu o olhar assassino das duas mulheres – especialmente o de Sakura – ele desistiu.
- Acho que elas têm razão, Kankurou. – foi o que ele disse.
- Irmão traíra! – Kankurou exclamou arrancando risadas de Sakura.
- O quê é tão engraçado? – Gaara perguntou com as sobrancelhas levantadas.
- Seus irmãos. Eles são muito engraçados. – a jovem respondeu ainda rindo. Ao ver como ela se divertia, Gaara sorriu levemente.
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- Vamos, Gaara! Tente adivinhar! – dizia Sakura.
- Como eu vou adivinhar? Não estou entendendo nada! Você é uma péssima mímica!
- O QUÊ?
- Faz direito!
- Eu estou fazendo direito!
- Não está nada! Faz direito que eu acerto!
- EU ESTOU FAZENDO DIREITO, PORRA!
- Olha a boca!
- ENTÃO PÁRA DE ME ESTRESSAR, CARALHO! ACERTA LOGO ISSO, CACETE!
- EU ESTOU TENTANDO, MERDA!
Kankurou e Temari assistiam o desenrolar da briga boquiabertos. Não acreditavam no que viam. Gaara, sempre tão sério e fechado, estava tendo uma discussão terrivelmente boba com Sakura. Coisa típica de amigos íntimos.
-Não estou acreditando no que estou vendo, Temari. – Kankurou cochichou para a irmã.
- Nem eu, Kankurou.
- O quê um jogo de mímica não faz, hein?!
- Pois é...
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Aquele dia passou e Gaara nem notou. Ficou tão entretido jogando com os irmãos e com Sakura no quarto que quando se dera conta já estava de noite.
- Deixa que eu boto o seu prato. – Sakura disse ajudando Gaara a se sentar a mesa.
- Obrigado. – ele agradeceu de uma forma gentil que fez seus dois irmão ficarem chocados. Sakura então começou a servir Gaara.
- Os dois até parecem casados. – Kankurou comentou baixo para a irmã.
- É. – a loira disse seca.
- O quê foi?
- Nada.
O jovem então observou a irmã por alguns segundos.
- Ah! Você está com ciúmes!
- Não estou nada!
- Está sim!
- O quê tanto vocês falam aí? – Gaara perguntou desconfiado.
- Nada. – respondeu Temari.
- Nós estávamos comentando como vocês parecem estar casados. – falou Kankurou.
O comentário do rapaz fez Gaara e Sakura corarem violentamente.
- Pare de falar bobagens, Kankurou! – o ruivo ralhou.
- É – Sakura concordou – Isso não tem nada a ver!
- Pode até ser – Kankurou disse dando de ombros – Mas que parecem marido e mulher isso parecem...
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Àquela altura, Temari e Kankurou já haviam ido dormir. Após o jantar os quatro se reuniram na sala para conversar. Tagaleram até altas horas e quando já estava bem tarde, os dois irmãos se despediram da médica e de seu paciente. Na verdade, Kankurou arrastou Temari para fora da sala. O rapaz queria porque queria que seu irmão mais novo e Sakura ficassem sozinhos.
A kunoichi de Konoha e o Kazekage continuaram conversando um pouco após a ida dos dois irmãos. Pela primeira vez, Gaara se abrira efetivamente com ela contando sobre o seu passado sombrio e seus sentimentos. Sakura ouviu a tudo pesarosa. Não tinha idéia de que aquele rapaz havia sofrido tanto.
- Mas agora você tem amigos que se importam muito com você. Além disso, você é muito querido pelos habitantes de Suna. – Sakura disse amavelmente.
- Sim. – ele concordou – Mas e você?
- Eu o quê?
- Também se importa comigo? – o rapaz perguntou. Nem ele mesmo tinha entendido o por quê daquela pergunta. A frase simplesmente saíra.
Pega de surpresa pela pergunta, a jovem não soube o que responder. Viu a expectativa no rosto do ruivo.
- É claro que eu me importo com você. – ela respondeu.
- Como médica ou como amiga? – por que ele não conseguia ficar com a boca fechada? Por que quando estava ao lado dela fazia perguntas estúpidas?
- Como os dois. – a garota de cabelos rosados respondeu sorrindo para o companheiro. Sua resposta de uma certa forma aliviou o coração do ruivo.
- Obrigado. – ele disse. Sakura fez uma careta.
- Você é educado demais – ela falou – Deveria relaxar mais. Por que não vai para Konoha ter uma aulas de como ser mal educado com Naruto?
Gaara riu diante do que a outra havia dito. Definitivamente aquela garota fazia comentários divertidíssimos.
- Vou pensar no caso. – o Kazekage disse entrando na brincadeira.
Seguiu-se então um longo silêncio. Sakura então resolvera chegar perto de Gaara para examinar sua temperatura. Seus hábitos como médica estava encrustados em seu ser. Ela simplesmente não conseguia evitá-los.
Sentou-se ao lado do rapaz e colocou a mão em sua testa.
- Não está com febre... – ela disse. Esperou algum comentário do jovem – ela já o conhecia – mas ele não veio. Estranhando, baixou o olhar e se deparou com intensos orbes azuis. Gaara a mirava de forma tão penetrante que ela ficou desconcertada.
- Sakura...
- Si-Sim, Gaara?
Sakura nunca soube o que Gaara queria dizer. Quando se dera conta, seus lábios estavam colados aos do rapaz. Ela então percebeu que a boca do jovem Kage era tão macia quanto a sua pele. A kunoichi resolveu fechar os olhos e aproveitar aquele momento.
O beijo entre os dois durou bastante tempo. A língua do rapaz parecia fazer questão de explorar cada canto da boca da jovem. Sakura dava passe livre para que isso acontecesse. Gaara beijava bem. Ah! Como beijava!
Os dois só se separaram quando seus corpos clamaram por oxigênio. Sakura estava ofegante e corada. Gaara estava sério. Muito sério.
- O quê foi? – ela perguntou preocupada. Será que ele não havia gostado? Será que ela beijava mal?
- Nada. – ele respondeu levantando-se logo em seguida – Boa-noite.
Gaara saiu antes mesmo que Sakura dissesse alguma coisa.
- Afinal, o que aconteceu? – ela perguntou confusa para o nada.
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Gaara chegou ao quarto completamente confuso. Não entendia por que tinha feito aquilo. Não entendia o que estava sentindo naquele momento. Que sentimento era aquele? O quê era aquilo que parecia dominá-lo cada vez mais? Nunca tinha sentido aquilo antes.
Angustiado, o rapaz sentou-se na cama e pôs-se a pensar. Ao ver Sakura, algo – como um verdadeiro demônio – dominou o seu corpo e a única coisa em que ele conseguia pensar eram os lábios da jovem kunoichi.
Ele nunca tivera esse tipo de pensamento antes. Sempre foi controlado e ponderado. Entretanto, sempre que estava ao lado da sua médica particular, ele perdia o controle. Parecia que ela tinha o poder sobre si. Gaara sentia que se ela o mandasse se jogar de uma ponte ele assim faria. Desde que se encontrara com a discípula da Godaime, o ruivo ficara mais estúpido do que Kankurou.
Gaara jogou-se na cama e fitou o teto. Tudo aquilo era novo para ele. Havia muitas coisas que ele ainda não compreendia.
Naquela noite, o Kazekage não conseguiu dormir. E ele não foi o único...
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- Minha nossa, Gaara! Que cara horrível! – foi o comentário de Kankurou logo pela manhã.
O ruivo nada disse. Apenas olhou feio para o irmão e voltou a tomar o seu café da manhã. Pouco depois, Sakura entrou na cozinha.
A kunoichi agia como se Gaara não estivesse ali e vice-versa. Até Kankurou percebeu que havia algo errado.
- Ui! O clima está tenso hoje! – o shinobi da areia falou para logo em seguida ganhar um beliscão da irmã – Ai! Que foi? Só disse a verdade.
- Pare com isso, Kankurou. – a loira advertiu-o.
O café daquele dia aconteceu em total silêncio. Nenhum dos quatro falava nada.
Durante todo o dia, Sakura e Gaara mal se falaram. A garota até tentava conversar com o rapaz mas este parecia não estar afim. Irritada, Sakura decidiu desistir.
"Se ele quiser falar sobre ontem, então ele que venha me procurar porque eu desisto!"
Gaara não ignorava Sakura por mal. Ele apenas queria um tempo sozinho para compreender as coisas.
E foi assim que eles passaram o dia: cada um em um canto.
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Anoitecia e os quatros já se encontravam dentro de casa. Sakura conversava com Temari – as duas haviam ficado muito amigas – e Kankurou mexia em suas marionetes. Gaara obervava as duas mulheres convesando. De repente, todos pararam o que estavam fazendo.
- Estão aqui... – Temari disse em um sussurro.
- Não acredito que ainda sobraram shinobis do som. – Kankurou disse também sussurrando.
- Vieram completar o serviço. – Sakura falou e olhou de esguela para Gaara.
- Sakura-san, você fica e cuida do Gaara. Kankurou, você vem comigo. – Temari falou.
- Certo. – Kankurou e Sakura disseram juntos.
- Eu também irei lutar. – Gaara falou.
Temari abriu a boca para protestar mas quem falou foi Sakura.
- Não. Você ainda está debilitado. Entrar em uma luta é suicídio.
- Você não manda em mim. – Gaara rebateu. Temari e Kankurou se entreolharam. Aquela definitivamente não era hora para se brigar.
- Tem razão. Não mando. Mas eu me importo com você e não quero que você morra. – Sakura disse e Gaara pôde notar algo diferente nos olhos verdes da moça. Seria aquilo... angústia?
- Sakura... – Gaara disse baixo. Sua voz então foi abafada por sons de vidro se quebrando.
- Kankurou! – Temari gritou – Vamos lá para fora agora!
- Sim! – o rapaz gritou seguindo a irmã.
Sakura e Gaara ficaram dentro da casa. Ambos alerta para qualquer movimento suspeito. A kunoichi tinha uma kunai nas mãos. Não demorou muito para dois shinobis do som entrarem na casa. Nenhum dos quatro fez nenhum movimento mas a tensão entre eles era sentida há distância.
- Você é uma kunoichi de Konoha? Por que protege o Kazekage? Ele não tem nada a ver com você. – um dos shinobis disse.
Sakura suspendeu a kunai.
- Eu sou a médica dele. Minha obrigação é protegê-lo. Além disso... O Gaara é um amigo importante para mim.
- Sakura... – Gaara falou surpreso. Não esperava que ela dissesse aquilo naquele momento. Sakura se virou para o ruivo e sorriu.
- Não se preocupe, Gaara. Eu irei protegê-lo com a minha vida.
- Que bonitinho! – o outro shinobi disse sarcástico.
Sakura olhou feio para ele. Apertou a kunai na mão e disse:
- Vocês o querem? Então venham pegar!
N/a: Eu não entendo nada de medicina. A parte em que Sakura baixa a febre de Gaara eu tirei do mangá Fushigi Yuugi- Genbu Kaiden. Nossa querida kunoichi usou seu chakra para isso. Espero que tenham gostado deste capítulo. O próximo provavelmente será o último.
