- Vocês o querem? Então venham pegar!

O primeiro shinobi do som sacou uma kunai e correu em direção à Sakura. Os dois objetos se chocaram soltando faíscas e o som emitido pelo encontro rasgou o ar. O segundo shinobi avançou sobre Gaara. Sakura olhou o movimento com o canto do olho e antes que o assassino chegasse até o seu alvo, a kunoichi já tinha se colocado entre os dois. Concentrando o seu chakra na mão direita, a jovem desferiu um soco que fez o shinobi voar alguns metros chocando-se então contra a parede.

- Sua vadia! – o companheiro exclamou irritado ao ver o outro caído. Ele avançou sobre Sakura mas a moça já estava preparada para bloqueá-lo. Se ela conseguisse acertar um único golpe, a luta estaria terminada.

Apesar de tentar, devido à velocidade do adversário, Sakura só conseguia defender. O shinobi não dava nenhuma abertura para ela contra-atacar.

Gaara assistia a luta incomodado. Sentia-se um idiota por estar parado e não poder ajudar seus companheiros. Kankurou e Temari estavam lutando lá fora enquanto Sakura se arriscava para protegê-lo ali dentro. A única coisa que ele podia fazer era observar o desfecho da luta a sua frente. Ele era um inútil.

O ruivo via a dificuldade que Sakura estava tendo com o segundo shinobi. Se ele pudesse já teria usado o Caixão do Deserto e terminado com a luta. Entretanto, debilitado do jeito que estava, aquilo era impossível. Ele só podia torcer pela companheira naquele momento.

Nem Sakura nem Gaara perceberam que o shinobi que havia levado um soco da kunoichi havia se levantado e estava prestes a atacar o Kazekage. O assassino então avançou sobre o ruivo com uma kunai na mão. Por obra do destino, quando se esquivava de um ataque, Sakura viu o que estava prestes a acontecer.

O shinobi do som apertou a kunai na mão e desferiu o golpe. Mas o sangue que jorrou não foi o de Gaara.

- Sakura... – Gaara falou chocado ao sentir os salpicos de sangue da kunoichi em seu rosto. – Por que...?

Sakura virou-se para o companheiro e sorriu. Um filete de sangue escorria pela boca da jovem.

- Eu prometi... que iria... que iria cuidar bem de você...

Antes que o corpo da moça caísse no chão, Gaara a aparou. Ele mirou então aquele rosto angelical. Sakura olhava para ele com tanta ternura...

- Gaara... – ela disse baixo, sorrindo para o companheiro. Logo em seguida fechou os olhos.

- Sa..kura?

- Bem feito, vadia! Isso é para você aprender a não se meter onde não é chamada.

Ao ouvir o que o adversário havia dito, Gaara sentiu algo que ele não sentia há muito tempo.

Ódio.

Delicadamente, o Kazekage colocou Sakura no chão. Levantou-se lentamente e encarou os dois shinobis. Nunca houve tanta raiva naqueles orbes azuis antes.

OoOoOoOoOoOoOoOoO

Aos poucos, a consciência de Sakura foi voltando. Ela abriu um olho e depois o outro. Virou a cabeça lentamente e viu Gaara sentado ao seu lado. O rapaz a olhava com tanta... preocupação.

- O quê houve? – a kunoichi perguntou.

- Você me protegeu. – Gaara respondeu.

- Ah. – Sakura falou e virou a cabeça para fitar o teto – O quê aconteceu com os shinobis do som?

- Você não precisa mais se preocupar com eles.

Seguiu-se um instante de silêncio com Sakura fitando o teto e Gaara fitando a moça.

- Muitos dariam a vida para proteger o Kazekage. Poucas para proteger o Gaara... – o ruivo disse – Qual dos dois você quis proteger?

A médica-ninja não respondeu de imediato. Continuou fitando o teto. Gaara então começou a achar que ela não responderia a sua pergunta.

- O Kazekage... – ela falou e Gaara sentiu uma pontada no peito. Seria aquilo decepção?

- Entendo... – ele disse triste.

- O Kazekage – ela continuou – É o Gaara e o Gaara é o Kazekage. Eu protegi a pessoa que eu gosto: Gaara do Deserto, o Kazekage.

O ruivo arregalou os olhos. Sakura falava aquilo como se fosse a coisa mais simples do mundo. Mesmo não o encarando diretamente, ele sabia que as palavras da jovem kunoichi eram verdadeiras. Ela falava com tanta certeza...

- Sakura... Eu...

- Eu gosto de você, Gaara. Gosto muito. Mas que fique claro que não é igual ao que seus irmãos sentem por você. Nem o que os habitantes de Suna ou Naruto sentem. Você consegue entender isso? – e ela então virou-se para encará-lo.

Gaara fez que sim com a cabeça.

- Eu também gosto de você, Sakura. Do mesmo jeito que você gosta de mim. Tudo o que têm acontecido... Todas essas coisas têm me deixado confuso. Entretanto, quando você entrou na frente para me proteger... De repente tudo ficou claro como água.

Sakura sorriu para Gaara. Apoiou-se nos cotovelos e tentou sentar. Sentiu uma forte dor. Ao olhar para onde doía, ela viu um curativo precário e sangue o manchava.

- Não se esforce, Sakura.

O sorriso da jovem se abriu ainda mais. Era muito fofo o jeito como Gaara ficava preocupado com ela. A garota então se concentrou. Aos poucos, o sangue foi sumindo e a ferida cicatrizando. Gaara assistiu àquilo boquiaberto. Ao terminar, a moça arrancou o curativo e fitou o companheiro. Ao ver a cara de assombro de Gaara, Sakura caiu na gargalhada.

- Este é um jutsu que a minha shishou me ensinou. É muito útil durante as batalhas. A probabilidade de eu morrer é quase nula. – a kunoichi da folha explicou.

- Impressionante. Você é realmente impressionante, Sakura.

A moça corou diante do elogio do Kazekage.

- Não mais que você. Afinal você é o Kazekage e não eu. – ela disse.

- Mesmo assim. Tenho certeza de que você é a kunoichi mais forte que Konoha já teve.

Sakura corou ainda mais. Gaara apenas observou a jovem ficar vermelha. Ela ficava tão fofa quando ficava sem graça...

- Gaara...

- Sim?

A moça então hesitou antes de falar novamente. Estava mais vermelha do que nunca.

- Você gosta mesmo de mim?

Foi a vez do ruivo ficar vernelho.

- Gosto.

- Gosta quanto?

- Gosto muito.

- Muito muito?

- Muito muito.

Mais um instante de silêncio entre os dois.

- Então... Será que você pode me fazer companhia esta noite?

Gaara olhou para a jovem surpreso. Depois, pela primeira vez na vida, ele abriu um largo sorriso.

- Mas é claro.

Sakura então sorriu radiante para o Kazekage. Seus orbes verdes brilhavam intensamente. Ela se afastou um pouco para o lado e abriu um espaço na cama. Ao entender o que estava acontecendo, Gaara ficou muito sem-graça.

- Não é para fazer nada. – Sakura explicou antes que Gaara começasse a pensar um monte de coisas – É apenas para ficar ao meu lado.

Gaara então se levantou e deitou ao lado de Sakura na cama. Ambos se encaravam intensamente.

- Esta noite... – Sakura disse aproximando os lábios dos de Gaara – Por favor... Cuide bem de mim... Gaara-kun...

Garoto, me escute,

As pessoas não são tudo isso que você pensa

O amanhã não nos interessa mais.

Portanto não podemos perder a coragem.

Lembre-se sempre,

De vencer o medo e a ansiedade.

Pois sei que você se esquecerá disso.

Garoto, o único que pode dar o primeiro passo

Para enfrentar o seu coração, é você.

Tudo o que as pessoas disseram pra nós,

Não existe razão, não há como evitar.

Neste mundo maravilhoso,

Temos apenas que viver nossas vidas.

Tudo o que as pessoas disseram pra nós,

Não importa o que acontecer,

Sempre lembraremos de tudo que passamos juntos.

Tudo o que as pessoas disseram pra nós,

Somos muito jovens para morrer.

Todos juntos sob este lindo céu,

Aqui neste lugar.

Tudo o que as pessoas disseram pra nós,

Nesta noite esquecida pelos ventos.

Tentaremos fazer a diferença...

OoOoOoOoOoOoOoOoO

Gaara estava em seu escritório e olhava pela janela. Pilhas de papéis abarrotavam sua mesa mas ele sequer se importava. Seus pensamentos estavam voltados para uma outra coisa. Para alguém.

- Haruno Sakura... – ele murmurou baixinho.

Primeiro, ele acreditava que para provar sua existência, ele deveria assassinar os outros. A luta com Naruto mostrou-lhe um outro meio de ver a vida. Então, ele resolveu se tornar Kazekage. As pessoas finalmente reconheceram sua existência. Passaram a respeitá-lo, admirá-lo e amá-lo. Amá-lo?

Gaara suspirou.

Amor. Amor foi algo que ele nunca conseguiu entender direito. O ódio era tão mais fácil de ser compreendido...

O Kazekage fechou os olhos com força e começou a se lembrar dos momentos que passara com Sakura.

Aquele jeito descontraído dela...

- Está tudo bem, Temari-san. Eu já conheço o jeito do Kazekage-sama. – ela disse fazendo um gesto com a mão.

A educação que ela tinha...

- Será que eu posso examiná-lo agora, Kazekage-sama? – Sakura perguntou polidamente.

Seu jeito sarcástico...

- Vim examiná-lo. Eu sou sua médica, lembra?

Seu jeito autoritário...

- Obviamente eu irei te impedir. Kazekage ou não, você é meu paciente. Eu sou responsável pela sua saúde. Portanto, você vai ficar aqui até eu achar que você pode sair.

Como ela dizia o que pensava e como por mais irritada que estivesse ela jamais perdia a educação...

- Com todo o respeito, Kazekage-sama mas eu quero que o seu título se dane. Eu tenho ética. Além disso, eu fiz uma promessa e não pretendo quebrá-la de jeito algum. Agora tire essa roupa, por favor, para eu poder examiná-lo. – por mais irritada que estivesse, Sakura ainda tentava ser educada afinal, apesar de tudo, ele ainda era o quinto Kazekage.

Como ela dava bons conselhos...

- Mesmo depois do senhor se recuperar, eu aconselharia a tirar umas férias. Nem que seja por alguns dias. Eu sei que o trabalho de um Kage é bem cansativo. Vejo isso pela minha shishou. O senhor foi gravemente ferido. Seu corpo ficou muito debilitado. Apesar da ótima recuperação, acredito que um tempo descansando seria muito bom.

O jeito como era delicada a ponto de fazê-lo gemer de prazer com um simples toque.

- Por que parou? – ele perguntou.

- Você gemeu. – ela respondeu.

O jeito como ela sempre tinha uma resposta na ponta da língua...

- O pacto foi que você se esqueceria do seu posto durante esses dias. Isso quer dizer que teoricamente você não é o Kazekage. Logo, eu posso sair na hora que eu quiser! – a garota exclamou irritada desvencilhando-se do rapaz e indo embora.

Como ela sempre se preocupava com ele...

- Como está se sentindo? – ela perguntou.

Como ela xingava quando estava irritada...

- ENTÃO PÁRA DE ME ESTRESSAR, CARALHO! ACERTA LOGO ISSO, CACETE!

Como ela era gentil e amável...

- Deixa que eu boto o seu prato. – Sakura disse ajudando Gaara a se sentar a mesa.

Como ela era engraçada...

- Você é educado demais – ela falou – Deveria relaxar mais. Por que não vai para Konoha ter uma aulas de como ser mal educado com Naruto?

Como ela realmente se importava com ele...

- Eu sou a médica dele. Minha obrigação é protegê-lo. Além disso... O Gaara é um amigo importante para mim.

E como ela sempre estava disposta a protegê-lo... A dar sua vida por ele...

- Não se preocupe, Gaara. Eu irei protegê-lo com a minha vida.

O Kazekage lembrou dos bons momentos que passaram juntos naqueles dias. A noite em que dormiram abraçados logo após o ataque. Os passeios, as brincadeiras, os beijos, oa abraços, as carícias... Ela era tão carinhosa com ele...

Sakura despertava nele sentimentos novos. Sentimentos que ele sequer imaginou que teria um dia. Era tudo tão confuso e ao mesmo tempo tudo tão claro.

Aqueles dias foram os melhores de toda a sua vida. Ele sentiu como se vivesse naquelas horas tudo o que ele não tinha vivido antes. Era tudo tão intenso, tão especial...

Sakura era especial. Ela era muito especial para ele.

Então, veio o dia de voltarem para a vila. Gaara tentou persuadir Sakura a ficar em Suna mas a jovem tinha suas obrigações em Konoha. O Kazekage entendia pois se fosse o contrário ele faria o mesmo.

A dor da separação foi mil vezes pior do que qualquer dor carnal que ele já havia experimentado. Então era assim que as pessoas se sentiam ao ver uma pessoa querida ir embora?

Ao vê-la partir, ele teve vontade de correr atrás dela. De impedí-la. Mas ele sabia que não tinha o direito de fazer aquilo. Que não deveria.

Ele quis gritar. Quis chorar. Teve raiva. Raiva de todos. Raiva do destino. Raiva dela.

A raiva passou. No lugar dela veio o vazio. Desde a sua partida, ele nunca mais se sentiu do mesmo jeito. Era estranho. Era como se faltasse um pedaço dele. Ele se sentia incompleto. Por mais que seus irmãos tentassem, eles não conseguiam animá-lo.

Para esquecê-la, para esquecer do triste destino, Gaara concentrou-se em seu papel como Kazekage. Nos dias que se passaram, ele apenas trabalhou. Trabalhou até o limite da exaustão. Tudo para não lembrar dela.

Impossível.

Sakura era impossível de ser esquecida. Aqueles orbes verdes, aquele cabelo peculiar, aquele sorriso... Tudo, absolutamente tudo nela era simplesmente impossível de ser esquecido...

Agora ele estava ali no escritório vendo o sol se pôr. Pensando nela. Lembrando de tudo o que aconteceu.

Mesmo longe, ele ainda pensava nela. Mesmo em outro país, ele ainda ficava preocupado. Mesmo longe, ele ainda sentia um carinho muito forte pela kunoichi.

E foi naquele instante que ele finalmente compreendeu o verdadeiro significado do amor.

Fim

N/A: Devo confessar que amei escrever sobre esse casal. Nunca tinha lido uma fic GaaraXSakura antes e confesso que foi um pouco difícil elaborar esta história. Espero que tenham gostado desta fic apesar de ter sido curtinha. A música deste capítulo se chama "No Boy, No Cry" do anime Naruto. Sabaku no Sah, espero que você tenha gostado deste presente! Agradecimentos especiais a: Rumokura Hisa, Claki, Loveonly, Deusa Tsukihime, Mariah-chan17, Tatiizinha e Smile Angel. Também gostaria de agradecer ao apoio e carinho de todos mesmo aqueles que não deixam suas opiniões. O fato de vocês simplesmente lerem esta fic já é um grande presente para mim. Muito obrigada a todos! Nos vemos na próxima!

Kari Maehara