CAPÍTULO 2

- Harry, querido, me passe as batatas? – pediu a Sra. Weasley a ele durante o almoço.

- Claro – respondeu ele entregando a tigela a ela.

- Mas nos conte, Harry, em que caso sua equipe está trabalhando? – perguntou o Sr. Weasley comendo um pedaço de galinha.

- Bom, estaremos começando um caso de desaparecimento amanhã – explicou Harry – Acho que vamos ter que chamar alguém de outra equipe pra ajudar, inclusive, porque a coisa é bem grande.

- Está falando do Caso Hoffman? – perguntou Gina à sua frente.

- Esse mesmo. – disse Harry estranhando. Como ela poderia saber? Recebera a notícia do caso naquela manhã.

- Hoffman? – estranhou o Sr. Weasley - Algo a ver com aquela grande e rica família de Sting Claus?

- Essa mesma – disse Harry – Parece que a filha deles desapareceu. Recebi uma coruja ainda a pouco, amanhã será manchete do Profeta.

- Não me admiro – disse o Sr. Weasley – São trouxas, mas o pai do sr. Hoffman era um bruxo muito conhecido. É uma família bem importante.

- E bem encrencada – completou Gina – Vai ser bem difícil solucionar esse caso.

- Como ficou sabendo? – perguntou Harry – Só a minha equipe estava à par.

- Porque eu vou ajudar vocês com o caso – explicou Gina – Recebi uma coruja hoje depois que...

Ela parou e Harry soube por que no segundo em que ela disse a frase, olhando em seus olhos. Provavelmente iria dizer "depois que você saiu", mas não podia na frente de todos.

- Depois de que? – perguntou Rony

- Depois que saí do banho – disse ela.

- Então vão trabalhar no mesmo caso? – perguntou Hermione

- Aparentemente – respondeu Gina.

- Gostaria de poder ajudar – resmungou Rony –, mas acho que eles acharam melhor me deixar naquele caso idiota de fraude.

- Querido, anime-se – disse a Sra. Weasley recolhendo a mesa e colocando a sobremesa sobre esta – Aposto que logo você resolverá este.

- Tomara – disse o ruivo começando a se servir e Harry desejou que o doce curasse o azedume do amigo.

Assim, todos comeram suas sobremesas com as habituais conversas e risos, algo que sempre satisfazia Harry. Era maravilhoso estar com aquela família, em tempos de paz, sem se preocupar com profecias e horcruxes. De fato, se há oito anos atrás lhe dissessem que ele viveria aqueles momentos, Harry, sem dúvida, ia rir na cara do idiota.

- Bom, acho que devemos ir para a sala – disse a Sra. Weasley começando a retirar a mesa – Gina, queria, me ajude a limpar isso tudo.

- Deixe-me ajudar também, Sra. Weasley – pediu ele vendo a matriarca da família sorrir agradecida.

- Obrigada, Harry, querido.

- Molly, deixe que os meninos ajeitem tudo, você não anda bem da coluna – disse o Sr. Weasley.

- Ora, Arthur, eu estou ótima – disse a Sr. Weasley fazendo uma careta ao se abaixar para pegar um garfo caído no chão.

- Não, não – proibiu Arthur – Deixe-os, vamos para a sala tomar um bom chá.

Ele apontou a varinha para as xícaras e chaleira e os fez voarem até a lareira.

- Ah, obrigada pela consideração – ironizou Gina vendo que todos acompanharam o casal até a sala, deixando ela e Harry sozinhos arrumando o que restara do almoço.

Harry riu da garota que parecia bastante desajeitada segurando três panelas ao mesmo tempo.

- Está rindo de quê, posso saber? – perguntou ela.

- Nada – mentiu ele desviando do assunto – Sua mãe continua com a mania dela de não usar magia.

- Pois é, acho que ela pensa que ainda somos crianças atrapalhadas – respondeu ela com uma pilha de pratos na mão.

Ele iria dizer a ele que a Sra. Weasley tinha razão, mas não conseguiu porque Gina desequilibrou-se e Harry precisou correu até ela para segurar os pratos.

- Cuidado – disse ele segurando a pilha e depositando-a sobre a pilha.

- Obrigada – respondeu ela próxima a ele.

- Viu só, sua mãe tem razão, você ainda é uma criança atrapalhada – provocou ele chegando mais perto.

- Hei! – disse ela dando um tapa no braço dele – Eu não sou...

Mas o que Gina não era, ela não pode dizer, porque Harry tomou seus lábios antes que a garota completasse a frase. Ela correspondeu, colocando seus braços em torno do pescoço dele e pressionando mais seu corpo contra o de Harry. Ele, por sua vez, colocou os braços em torno da cintura dela com tanta intensidade que achou que iria machucá-la, mas Gina não reclamou; continuou beijando-o avidamente, sem se importar em respirar ou qualquer outra coisa.

Foram andando para trás, até que encontraram o balcão e Harry ajudou-a a sentar-se sobre o móvel, sem nem desgrudarem os lábios, desesperados por um contato maior. Harry encontrou uma brecha na blusa dela e suas mãos começaram a viajar pela cintura de Gina, fazendo-a ofegar em seus braços.

Foi somente quando Gina esbarrou em um copo de vidro sem querer e este se espatifou no chão, que eles pararam, tomando consciência da situação: estavam na cozinha da Toca, beijando-se como loucos com toda a família de Gina (que por acaso encontrava-se sentada no balcão) na sala tomando chá. Seria realmente uma maravilha se alguém resolvesse entrar ali sem avisar.

- Gina, querida, você quebrou alguma coisa – gritou a Sra. Weasley, seus passos ecoando até a cozinha.

- Está tudo bem, mãe – disse ela descendo rapidamente do balcão e pegando a varinha – Reparo.

Em segundos a Sra. Weasley já havia entrado na cozinha, a tempo de ver os cacos de vidro unirem-se novamente formando o copo antes quebrado.

- É por isso que eu sempre digo para não usarem magia – ralhou a Sra. Weasley – Quantas vezes vou ter que repetir?

- Desculpe, Sra. Weasley – disse Harry – Já vamos acabar aqui, sem magia, eu prometo.

- Obrigada, Harry, querido – disse ela sorrindo e voltando à sala logo em seguida.

Eles encararam-se por alguns segundos, aliviados por não terem sido pegos e, logo em seguida, começaram a rir da situação.