CAPÍTULO 3
Aparatou naquele familiar beco sem saída e andou até a Rua das Alianças despreocupadamente. O prédio de dez andares surgiu diante dele após uma breve caminhada e o porteiro abriu a porta para que ele entrasse, sem se preocupar em pedir sua identificação; estava tão acostumado com o jovem entrando e saindo dali que já o tratava como se fosse um morador.
- Boa noite, Sr. Potter – disse ele amigavelmente – Noite quente.
- Sim, muito quente Alfred – respondeu Harry no mesmo tom - Como tem passado?
- Ah, muito bem, fora a dor nas costas, mas ela está aí há mais de vinte anos, já me acostumei com ela.
Harry riu do pobre homem de aparência velha e cansada. Era um bom homem, um bom homem que não contava com muita sorte, mas gozava de excelente humor.
- Vou falar com uma amiga minha que trabalha com... hum...medicamentos. Talvez ela possa ajuda-lo – disse Harry pensando em Hermione e sua exímia capacidade de realizar poções para dor, capacidade esta aprendida na escola de Curandeirismo.
- Eu ficaria muito grato – disse Alfred abrindo a porta do elevador para que Harry entrasse – A Srta. Weasley pediu para que subisse quando chegasse e aguardasse caso ela demorasse a abrir, pois está saindo do banho.
- Ela não deve demorar – disse Harry –, temos muito trabalho a fazer hoje.
- Então bom trabalho, Sr. Potter – disse Alfred fechando a porta do elevador.
Harry mal terminara de apertar o botão de número oito quando a porta voltou a se abrir, revelando uma mulher lindíssima a sua frente. Seus olhos e seus cabelos eram tão negros quanto a noite e seus lábios tão vermelhos quanto o sangue.
- Ora, ora, ora, se não é Harry Potter – disse a mulher a sua frente – Quanta honra encontra-lo por aqui.
- Olá, Vivien – disse ele seco – Como vai?
- Poderia estar melhor... – disse ela entrando no elevador e apertando o número dez.
- Vou avisar a Srta. Weasley pelo interfone que o Sr. chegou. – disse Alfred apressadamente antes da porta se fechar.
- Obrigada – disse Harry.
- Obrigada? – indagou Vivien aproximando-se dele – Mas eu ainda não fiz nada.
- Eu... estava falando com Alfred – disse Harry indo para o outro extremo do elevador.
- E quando é que vai falar comigo? – perguntou ela – Poderíamos conversar lá na minha cobertura.
- Lamento, mas eu e Gina temos que trabalhar hoje – disse ele acompanhando o marcador do elevador marcar seis...sete...
- Sei...trabalho...se você chama de trabalho... – insinuou ela assim que Harry viu o marcador acender o número oito - eu bem que gostaria de saber como você trabalha, então.
- Acho que isso não é da sua conta
A porta do elevador se abrira, revelando uma Gina de cabelos molhados, usando somente uma blusinha branca de alcinhas e uma calcinha da mesma cor. A visão fez o queixo de Harry cair e ele tinha certeza de que as duas haviam notado. Claro, ele já tinha visto Gina com menos roupa do que aquilo, mas, por alguma razão, ele achava que jamais se cansaria.
- Olá, vizinha – disse Vivien encarando Gina com desdém – Vejo que está pronta para o trabalho.
Harry achou que Gina iria azará-la e depois apagar sua memória, mas Gina não o fez.
- Ah, não! – disse a ruiva com uma das mãos na cintura e outra apoiada na porta – Não costumo trabalhar com tanta roupa.
Harry engasgou ao ouvir aquilo. Tossiu algumas vezes e resolveu sair do elevador o mais depressa possível. Ficou satisfeito ao ver o olhar embasbacado de Vivien e, em seguida, a porta do elevador fechar e a máquina abandonar o andar.
- Você é doida? – disse ele tossindo e rindo ao mesmo tempo.
- Só quando me provocam – respondeu ela rindo também – Você viu a cara dela?
- Sim – respondeu ele ainda achando graça – E achei o máximo.
- Se me pedir pra fazer seus lados com ela juro que te azaro – avisou Gina abrindo a porta de seu apartamento.
Não era um lugar perfeitamente arrumado quanto o de Hermione, mas não chegava, nem de longe, a ser a selva do de Rony. De fato, a única coisa que fugia do comum era o colchão no meio da sala, mas Harry nunca o vira lá antes.
- Não vou, pretendo sobreviver por muitos anos ainda – disse ele referindo-se a Vivien – Me explica esse colchão no meio da sala.
- É minha nova fantasia sexual – disse Gina com naturalidade.
Harry engasgou novamente.
- Brincadeirinha, Harry – disse ela rindo.
- Essas piadas ainda vão te causar problemas – avisou ele.
- Até lá eu rio da sua cara – brincou Gina
- Você é assustadoramente parecida com os gêmeos – disse ele fazendo-a sorrir orgulhosa – Agora explica a do colchão.
- Estou sem quarto por uns dias.
- Por quê? – indagou ele.
- Veja você mesmo – respondeu ela puxando-o para o quarto.
Aquilo sim, era o que ele chamaria de um verdadeiro caos. Desde a cama, até o roupeiro, tudo estava, literalmente, de pernas para o ar. As estantes de livros quebradas sobre o que restara da cômoda, o mural em frangalhos, roupas e sapatos espalhados para todos os cantos, tudo coberto por tanta sujeira que era difícil acreditar que o cheiro continuasse floral, como o perfume de Gina.
- Estava fedendo quando eu cheguei, mas isso eu consegui ajeitar – disse Gina adivinhando seus pensamentos - Mas o resto foi impossível, pode tentar se quiser.
Harry tentou reverter a magia algumas vezes, mas nada parecia fazer efeito, tampouco ricochetear, as coisas simplesmente continuavam daquele jeito e, quando ele tentava entrar, algo sempre o fazia voltar à entrada
- Que coisa estranha – disse Harry – Tem idéia do que houve?
- Não, cheguei em casa hoje a tarde depois do trabalho e estava tudo assim – respondeu Gina – Consegui reverter a maior parte dos feitiços, mas quando fui remover as estantes fui transportada várias vezes até aqui e desde então não consigo mais entrar.
- Vai ter que dormir na sala? – perguntou ele.
- Só até segunda-feira – explicou Gina – Vão mandar uma equipe para tentar resolver o problema e abrir um inquérito.
- Nenhuma idéia de quem fez isso?
- Pode ter sido qualquer um – disse Gina
- Está faltando alguma coisa?
- Até onde pude checar não – disse Gina – Mas como você pode ver, eu não tive muita chance de ter certeza.
- O que acha que poderiam querer?
- De novo, qualquer coisa – disse Gina – Tem muita coisa do ministério aqui em casa, você sabe.
- Mas você está bem, certo? – perguntou ele preocupado, aproximando-se dela.
- Estou ótima – disse Gina – Só meio chateada por estar sem cama nessa bagunça, mas tudo bem.
- Sabe que pode ir lá pra casa se quiser, não é? – disse ele apoiando as mãos na cintura dela.
Gina sorriu docemente.
- Você é um amor – disse ela dando-lhe um selinho e puxando-o de volta à sala - Mas vou ficar bem, o único problema é que estou sem roupas.
- Essa parte eu percebi – disse ele jogando-se no colchão -, mas achei que fosse pra me receber.
- Harryzinho, você está ficando muito convencido – avisou ela aproximando-se dele e sentando-se sobre suas pernas estendidas.
- Ora, se eu tenho razão... – brincou ele tocando a cintura dela com as mãos mornas - Vai dizer que não está especialmente vestida para me ver?
- Pra falar a verdade não – disse ela arrepiando-se com o toque do garoto – Alfred me avisou pelo interfone que Vivien estava no elevador com você. Ou eu tentava achar uma roupa melhor nessa bagunça ou salvava sua pele.
Em um único movimento, Harry girou no colchão, colocando-se por cima dela. Gina abafou um grito de susto ao sentir o corpo dele pressionando o seu contra o colchão fofo.
- Então acho que devo agradecer – sussurrou ele antes de beijá-la.
Ela nunca conseguiu afastar-se dele quando fazia aquilo, sempre se deixava levar, como uma adolescente sem controle. Sentia um rastro de fogo acompanhar o toque dele por suas pernas, suas costas e por dentro da blusa; já havia percebido que os cabelos molhados não eram suficientes para aliviar o calor que sentia e achava que iria morrer de falta de ar, mas parar de beijá-lo parecia mais ameaçador à sua vida do que sufocar.
Harry ainda não havia conseguido se concentrar o suficiente para puxar a blusa dela para cima quando Gina desabotoou sua camisa e, juntos, eles a atiraram longe, voltando a colar os lábios. Em algum momento anterior, seu casaco já havia se separado de seu corpo, mas ele não tinha certeza de como nem quando acontecera.
E não se importava. A única coisa que desejava era fundir-se a ela antes que morresse tentando. Gina era tão perfeita, tão...
- Quer me ajudar aqui – pediu ela atrapalhada com o botão da calça dele.
Maldito botão! Era muito complicado mexer nele.
Levou uma das mãos - ele não saberia dizer qual – até o botão e começou a tentar desabotoá-lo; as mãos de Gina estavam ali também e eles se arrepiaram com o simples encostar das mãos. Conseguiram, por fim, abrir o botão e chegar ao zíper, que também emperrou.
Gina perdeu a paciência que lhe restava e, num gesto brusco, empurrou Harry para o lado e sentou-se por cima dele, tentando abrir o zíper. Quando finalmente conseguiu, disse:
- Jure que nunca mais vai usar essa calça na vida. – disse ela beijando-o.
Harry virou-se, ficando por cima dela novamente.
- Vou jogar fora assim que chegar em casa. – respondeu antes de começar a beijar o pescoço dela e puxar a blusa branca para cima.
Eles continuaram beijando-se, tocando-se, desesperadamente nos minutos e horas seguintes e só pararam, exaustos, quando já era muito tarde. Recuperar o fôlego era difícil e eles levaram mais do que algum tempo até regularizarem a respiração e conseguirem puxar os cobertores por cima de seus corpos fadigados.
Fez-se um longo silêncio entre eles. Não que faltasse assunto, mas estavam cansados demais para falar. Ficaram ali, apenas sentindo a presença um do outro e rindo uma ou duas vezes, até Gina se levantar.
- Você está toda escabelada – disse ele ajeitando os cabelos dela.
- Prova que você fez um bom trabalho, Harry – brincou ela pegando a camisa dele e vestindo-a com calma, abotoando apenas 3 botões.
Harry riu e acomodou-se melhor sobre o colchão e os travesseiros, fechando os olhos e deixando-se consumir ainda mais pelo cansaço.
- Eu sei que temos que trabalhar de verdade, me desculpe. – disse Harry.
- Eu não vejo porque pedir desculpas – comentou ela acomodando-se nos braços dele – É bom relaxar um pouco. Ainda temos todo o fim de semana pela frente trabalhando.
- Legal, eu gostei de fazer isso sem uma cama. – brincou ele sentindo-a dar-lhe um tapa no peito – AI, GINA!
- É pra você deixar de ser tarado! – exclamou ela corada – Não estava falando disso, estava me referindo ao trabalho que você veio fazer hoje aqui.
- E eu lhe disse que foi legal fazer sem uma cama...elas fazem muito barulho ás vezes.
No segundo seguinte ele já havia levado uma travesseirada na cabeça e muitas outras depois desta. Ficaram brincando por mais um tempo antes de adormecerem, cansados, nos braços um do outro.
