N/A: Amores meus! Aí vai o penúltimo capítulo de nossa histório. Posto o próximo semana que vem!!!
Enjoy
CAPÍTULO 11
Harry acordou no domingo sentindo-se languidamente feliz. O dia estava claro e o sol matutino passava pelas frestas da janela deixando o quarto iluminado.
Ele encarou a garota ao seu lado. Gina tinha expulsado todos os cobertores de cima de si, ficando apenas com o lençol, totalmente enrolada. Tinha um pequeno sorriso nos lábios rosados e dormia tranquilamente. Mal ele sabia que aquele havia sido o melhor sono dela em semanas; meses, talvez.
Levantou-se cuidadosamente para não acorda-la e foi até a cozinha fazer alguma coisa para comerem. Encontrou alguns biscoitos e geléia, fez algumas torradas, pegou a manteiga e um pouco de suco de laranja. Colocou tudo sobre a mesa e quando estava terminando de colocar os talheres, Gina apareceu.
- Hummm...olá.
Harry teve que se conter para não rir e, ao mesmo tempo, não levá-la diretamente para onde tinha saído. Gina continuava enrolada no lençol, os cabelos ruivos bagunçados e as sardas completamente visíveis.
- Bom dia – disse ele – Fome?
- Hummm...acho que sim.
- Hummm – imitou ele – Coma alguma coisa então.
Gina riu e sentou-se em uma cadeira, sendo acompanhada por ele. Alguns minutos se passaram durante os quais eles apenas comiam, sem dizer mais nada. Após beber todo seu copo de suco e enche-lo novamente, Gina o encarou.
- Obrigada por ontem – disse ela – Você não precisava fazer tudo aquilo.
- Você merece – disse ele simplesmente enquanto dava mais uma mordida na torrada. – Que bom que gostou.
- Obrigada mesmo assim... – disse Gina sentindo as palavras doerem enquanto saiam – Você... é um grande amigo.
Harry engasgou com um farelo de torrada e precisou beber quase um copo inteiro de suco para ajudar engolir.
- Certo... – disse ele tossindo novamente – Ahn... amigos servem pra isso, não é?
- É, acho que sim – disse Gina lançando-lhe um sorriso triste que ele não notou; já não conseguia mais encara-la.
Mas afinal, o que ele esperava? Era isso que eles eram: amigos. Certo, um pouco mais do que amigos, mas só um pouco mesmo. Quando foi que ele começou a se importar com aquilo? Era ótimo, não podia ficar melhor a não ser que...
- Bem, acho que preciso ir agora – disse Gina levantando-se da mesa.
Harry piscou algumas vezes tentando afastar os próprios pensamentos e entender o que ela dizia.
- Ahn... ok... – disse ele levantando-se da mesa também e, com um aceno da varinha, limpando a mesa.
Gina chegou em casa e entrou diretamente embaixo do chuveiro. Uma boa ducha resolveria seu problema. Um problema chamado Harry Potter.
Era engraçado como ela nem ao menos se lembrava claramente desde quando ele era um problema. Ele já fora um problema de tantas formas que era difícil distinguir como ou quando.
Segurou a fina corrente que ele havia lhe dado de presente de aniversário. Linda, brilhante e com a marca dele. A marca que ele insistia em deixar nela.
Encostou-se na parede gelada do azulejo do box e fechou os olhos, deixando a água morna do chuveiro molhar seu corpo, sentindo frio da lajota contrastar com o e calor da água. A sensação ambígua de quente e frio era familiar; era o tipo de sensação que ele sempre causava.
Talvez devesse admitir de uma vez por todas. Deixar com que aqueles sentimentos tomassem conta de si novamente sem se importar com as conseqüências. Riu com aquele pensamento. Besteira! Não haviam sentimentos para tomar conta dela.
Não haviam...
Desligou o chuveiro e vestiu um calça jeans preta e uma blusa da mesma cor. Depois, foi até a sala e começou a trabalhar no caso de desaparecimento. Com as novas informações sobre o caso, ela tinha certeza que em breve encontraria a solução.
Já passava das sete da noite quando a encontrou.
Por um momento, ela apenas encarou a papelada a sua frente tentando processar a informação. Quando conseguiu, pulou imediatamente do sofá e enviou uma coruja urgente para os colegas do departamento.
- Weasley! Eu espero que tenha razão – disse Mindigan assim que chegou ao Ministério e deparou-se com a equipe de aurores se preparando para a missão – Não quero ter precisado sair de casa em plena noite de domingo para descobrir que foi mais um erro seu.
Gina quase pulou no pescoço dela, ao mesmo tempo que ouvia os colegas murmurarem, desgostosos.
- Humpf, como se ela já não tivesse nos arrancado de casa no domingo várias vezes – disse Josh – Relaxa, Gina, sabemos que você está certa.
Ela sentiu a mão direita do colega tocar em seu braço de forma carinhosa e sorriu para ele. Foi quando Harry chegou.
- Já falei com Rubarts – avisou Harry – Ele vai pedir cobertura. Temos que nos organizar.
Eles sentaram em torno da grande mesa oval, ignorando o fato de que Mindigan recomeçara a reclamar e encararam o mapa da Travessa do Tranco. Gina nem podia acreditar. Era tão óbvio!
- Então, pessoal, faremos o seguinte: – disse Harry – Alice e Brad vão até Hogwarts. Encontrem a passagem que dá para a Borgin and Burkes e esperem os reforços. Revezem-se para checar se está funcionando de dez em dez minutos.
- Certo – responderam os dois.
- Hey! – disse Mindigan – Eu dou as ordens aqui, lembram?
- Mas você não conhece a Travessa do Tranco – disse Gina – Vamos cuidar dessa parte.
E sem esperar que ela recomeçasse a falar, Harry continuou.
- Rebecca e Eric, conseguem cuidar dos arredores da loja?
- Com certeza – disse Rebecca – Vamos ficar circulando.
- Ok, mas certifiquem-se de terem visibilidade para a fachada. Precisam manter contato constante com James – disse Harry – Você fica com os canais de comunicação em frente a loja, certo?
- Sem problemas – disse James pegando algumas penas de comunicação de um dos armários e entregando aos colegas – Guardem nos bolsos. Todos sabem o significado das cores?
- Isso ainda é experimental – disse Josh encarando sua pena – Tem certeza que podemos arriscar?
- Já testamos estas penas em duas missões – respondeu Gina – Ainda não falharam, mas utilizaremos o método de comunicação habitual se houver algum problema.
- Tudo bem – disse Harry – Josh, acha que consegue distrair os vendedores?
Josh riu.
- Está brincando? Domingo à noite, só vai ter o velho Borgin lá – disse ele – Vai ser moleza.
Harry viu ele e Gina trocarem um olhar cúmplice e divertido e sentiu uma fera renascer em seu peito. Não era hora para aquilo.
- Gina – ele chamou-a rispidamente – Você vai para a lareira. Use flu e não saia de dentro dela. Se quiser encontrar a passagem, não poderá ser vista.
- Pode deixar – disse ela estranhando o tom dele, mas convencendo-se de que só podia ser a tensão do momento – Vou tentar não dar sinais de que entrei, mas preciso que o Bongin esteja bem longe. Não quero correr o risco que ele veja uma fuligem escapar.
- Pode ficar tranqüila, porque ele nem vai se lembrar da lareira. Sua pena vai ficar azul quando eu o fizer perde-la de vista. – disse Josh piscando para ela – E depois disso, você e eu vamos comemorar a vitória.
Gina sorriu para o colega.
- Veremos - disse ela.
Eles ouviram Mindigan reclamar qualquer coisa sobre levar o trabalho a sério e Harry quase concordou com ela. Então, retomando o plano, continuou.
- Vou usar a capa de invisibilidade e entrar com você na loja – disse Harry a Josh – Vou ajudar a Gina com a passagem, certo?
Todos concordaram e começaram a pegar suas coisas. Eram sete e meia e já estavam prontos para ir.
- Boa sorte a todos nós – disse Gina respirando fundo e saindo com os outros.
Quando Harry vestiu a capa da invisibilidade e ele e Josh entraram na Borgin and Burkes, sentiu um arrepio corre-lhe pela espinha. Ainda não entendia porque o Ministério não fechava aquela loja de uma vez por todas.
Enquanto Josh se dirigia ao caixa, fazendo de tudo para parecer um comprador habitual, Harry foi até a lareira. Entrou ali contendo-se para não espirrar com a fuligem e notou que seu corpo todo ficava visível onde se coloca a lenha, mas sua cabeça já era tapada pela estrutura onde se iniciava a chaminé. Restava esperar por Gina.
Segundo ela, havia descoberto a passagem secreta pela descrição que Scott havia feito de um dos locais para onde havia sido levado e Harry mal acreditou na descoberta, já que as informações do garoto eram confusas e, além do mais, ele havia ficado menos de cinco minutos no local. Porém, as provas de Gina eram incontestável.
Ela era realmente ótima.
E no final daquela missão, iria sair com Josh.
- Harry – ouviu o nome sendo sussurrado – Cadê você?
Olhou para cima da lareira e encarou a ruiva, segurando-se entre as paredes da lareira, os braços e as pernas um de cada lado, para não cair. Sem dizer uma palavra, lançou um feitiço silenciador na lareira.
Ele pegou a pena do bolso e ergueu-a sobre a cabeça, para que Gina pudesse ver. Haviam dois espaços minúsculos nas laterais da estrutura, onde poderiam ficar de pé sem serem vistos, mas primeiro ela precisava sair dali de cima.
Harry olhou para fora por um minuto e viu que Josh ainda conversava com o Sr. Borgin. Depois, foi até uma das laterais e tirou a capa de invisibilidade.
- Venha, vou lhe ajudar a descer, aqui não podem nos ver. – disse ele vendo-a arregalar os olhos – Relaxe, lancei um feitiço silenciador em volta.
Gina soltou um suspiro de alivio e, com a ajuda dele, desceu até a parte suja e empoeirada onde Harry estava. Suja, empoeirada e apertada, ela deveria dizer. Não havia espaço entre seus corpos para que pudessem se mover.
- Deu tudo certo até aqui – disse ele, seu nariz quase se encostando no dela – O problema é como abrir a passagem se Borgin ainda não moveu um músculo de onde está.
- Você sabe como ele é desconfiado – disse Gina pegando a capa dele e indo até a lareira para espiar – Mas Josh está fazendo um bom trabalho, e vai avisar quando pudermos abrir a passagem.
Mas, por algum motivo, Harry estava começando a achar que o colega estava era demorando muito. Era engraçado, porque ele conseguia ser bem rápido para convidar Gina para sair.
- Teremos que esperar – disse Harry, azedo – Me passe a capa.
- Porque precisa dela? – perguntou Gina estranhando novamente o tom dele.
- Não importa – disse ele sem saber também – Só me passe a capa.
Gina aproximou-se dele novamente, seus corpos espremidos entre a parede lateral da estrutura de pedra, e entregou a capa a ele.
- O que está havendo com você, afinal? – perguntou ela chateada.
- Nada está havendo – respondeu ele colocando a capa sobre a cabeça e espiando Josh novamente para, em seguida, voltar para onde estava, junto a ela.
- Está sim – disse a ruiva – Você anda ríspido comigo desde antes de sairmos do Ministério.
-Não estou não – protestou ele.
- Está sim e vai me explicar isso quando terminarmos esta missão.
- Acho que não vai dar tempo – insinuou Harry - Você tem um encontro quando terminarmos esta missão.
Gina arregalou os olhos e encarou-o com uma expressão estranha. Droga! Aquilo não era para sair daquele jeito. Não era nem mesmo para sair.
Mas antes que pudessem dizer mais alguma coisa, a pena de Gina ficou azul.
- Josh conseguiu – disse ela, ao que Harry vestiu a capa e foi conferir.
Era verdade. O garoto havia feito Borgin virar-se de costas para a lareira e começar a procurar qualquer coisa em um armário. Depois, os dois foram para trás do balcão e desapareceram em uma porta ao fundo.
- Certo, vamos arredar esta passagem – disse Harry pegando sua pena – James, estamos abrindo a passagem, onde estão os reforços?
- Nada inda – respondeu James – Precisam de ajuda aí?
- Não – respondeu Harry – Mas é bom manter Rebecca e Erick por perto. Talvez um dos dois precise entrar e ajudar.
- Entendido - disse James. – Faça a pena ficar vermelha se precisar que invadam.
- Certo – respondeu Harry guardando a pena no bolso – Vamos, estamos quase abrindo.
Eles viram a pedra ao fundo da lareira abrir com um estrondo e entraram em um túnel comprido. Harry temeu que quem quer que estivesse com a garota, pudesse ter ouvido o barulho. Não sabia o alcance que o feitiço silenciador poderia ter, considerando que não sabiam exatamente as dimensões do túnel.
Harry e Gina andaram por cerca de dois metros antes de pararem em uma grade de aço. Dali, podiam ver a pequena menina presa em uma jaula no ar, mas estava desacordada.
- Você acha... – começou Gina segurando a mão dele, parecendo preocupada.
- Acho que ela está dormindo – tranqüilizou-a Harry, apertando a mão dela em resposta.
Gina sorriu docemente para ele e acenou positivamente. Então, olhou para baixo e viu dois guardas jogando snap explosivo sobre uma mesinha improvisada.
- Só os dois guardas? – perguntou Gina a ele.
- Não sei – disse Harry – Será que consegue lançar um feitiço daqui e atingi-los?
Gina mirou nos brutamontes e negou.
- Não sem correr o risco de acertar Susy. – respondeu ela – Teremos que descer.
- Seremos vistos – avisou Harry.
- Está pronto para um duelo? – perguntou ela ao que ele sorriu marotamente.
- Ansioso.
Eles abriram a grade de metal e desceram em um pulo. Não demorou dois segundos para serem vistos.
Os guardas apontaram as varinhas para eles e lançaram faíscas negras em torno da sala.
- IMPEDIMENTA! – gritou Gina abatendo um dos homens.
A garotinha gritou acima deles e Gina começou a procurar formas de liberta-la enquanto Harry duelava com o outro bruxo.
E então, não houve tempo para pensarem em mais nada. Harry abateu o segundo bruxo e ele e Gina foram até Susy. Ela chorava copiosamente quando eles conseguiram descer a jaula e Harry começou a tentar abrir os cadeados.
- Hey, garotinha, acalme-se – disse Gina – Já estamos aqui, viemos ajudar.
Então ela viu os grandes olhos azuis da menina arregalarem-se e sua boca abrir-se em um grito estridente.
Virando-se de costas para a jaula, Harry e Gina viram-se cercados por vinte bruxos encapuzados.
- Ora, ora, ora, se não é o grande Harry Potter – disse o líder entre eles, aproximando-se de Harry e Gina – Não nos vemos desde o tempo da escola.
Gina reconheceu a figura logo que a viu tirar o capuz. Reconheceria as palavras escritas em sua testa em qualquer lugar. Dedo-duro.
- Marieta Edgecombe – disse Gina – Vejo que fizemos um bom trabalho com a sua testa.
Mantendo-se alerta, Harry tornou sua pena vermelha e Gina fez o mesmo com a dela. Estavam em apuros.
- Isto será enfeite perto do que eu vou fazer com vocês – respondeu Marieta – Podem acreditar.
- Vai sonhando – sibilou Gina apontando a varinha para ela – ESTUPE..
- CRUCCIO! – gritou Marieta atingindo Gina em cheio.
- IMPEDIMENTA – disse Harry acertando Marieta e atirando-a para longe ao que os outros aproximaram-se ainda mais, lançando feitiços que Harry tentava rebater enquanto Gina se recuperava.
- ESTUPEFAÇA! – gritou um dos bruxos acertando o ombro de Harry.
Então viram a grade de metal explodir e dezenas de aurores entrarem pela porta, lutando contra os bruxos encapuzados.
- Você está bem? – perguntou Harry tentando levantar Gina do chão.
- Estou – respondeu Gina, cambaleante – Harry, seu braço...
- Está tudo bem – disse ele – Vamos sair daqui.
Eles pegaram Susy, que ainda chorava e passaram por entre os duelos, desviando dos feitiços que eram lançados por todos os lados. Encontraram James no final da passagem e carregaram Susy para fora da travessa do tranco, Rebecca e Erick dando cobertura.
Era quase meia-noite quando a mãe de Susy parara de agradecer a eles por acharem sua filha e a menina finalmente pegara no sono. Os bruxos e Marieta foram levados para Azkaban e os colegas de Harry já haviam começado a aparatar para suas casas quando ele conseguiu convenceu Gina a irem embora também.
- Fique tranqüila – disse Harry quando saíram do quarto e foram até o beco para aparatarem – Eles terão proteção durante um bom tempo, estão seguros.
- Tomara que sim – disse Gina inquieta.
Harry sorriu.
- Você precisa descansar – disse ele – Vamos, vou fazer um chá para você.
Gina sorriu e eles aparatam para o apartamento dele.
Quando Harry saiu do banho naquela noite, encontrou Gina sentada sobre sua cama, os cabelos molhados pingando sobre o roupão branco e felpudo. Ela segurava uma caneca de chá nas mãos e não parecia tão cansada quando Harry achava que deveria estar.
- Fiz um chá para você também - disse ela indicando a caneca sobre o criado mudo.
- Obrigado - agradeceu ele terminando de vestir a camiseta do pijama e sentando-se próximo a ela na cama. - Como se sente?
- Ótima - disse Gina acomodando-se embaixo das cobertas, entre os travesseiros dele, e bebendo mias um pouco de seu chá - Parece que um enorme peso saiu das minhas costas.
Harry riu. Ela parecia realmente relaxada.
- Nota-se - comentou - Você se saiu muito bem. Estão todos bem impressionados.
- Toda a equipe trabalhou bem - disse ela dando de ombros.
- Mas você quem descobriu onde ela estava - contrapôs Harry.
Gina sorriu.
- Fui, não fui? - disse ela.
- Pra falar a verdade, não sei como você desvendou isso - disse Harry - As coisas estavam muito vagas.
- Nem eu - disse ela - Eu mal acreditei quando descobri.
Harry sorriu.
- Ouvi boatos que será promovida a chefe da sua equipe - disse Harry.
- Verdade? - perguntou ela empolgada - Isso seria realmente legal. Dizem que líderes de equipe tem vários privilégios.
- A maioria deles está relacionada com os tíquetes de lanche da cantina - brincou ele.
Eles ficaram rindo um pouco mais e imaginando qual seria a primeira sobremesa privilegiada que Gina pediria quando fosse promovida. Então, repentinamente, ela ficou séria.
- Eu queria entender você, Harry.
Ele estranhou, parando de rir na mesma hora e encarando-a de forma intrigada.
- Do que está falando? - perguntou ele - Você deve ser a pessoa que mais me conhece nesse mundo.
- Sou? - perguntou ela duvidosa - Então porque eu não consigo entender algumas coisas que você faz?
- Como o que, por exemplo?
- Como a forma que agiu hoje - explicou Gina - Como a forma que está agindo agora.
- Agora eu é que não estou entendendo - disse ele.
- Ora! - exclamou ela - Primeiro, me trata com rispidez e agora age como se nada tivesse acontecido.
- Eu não fui ríspido - defendeu-se ele - E não estou fingindo coisa nenhuma. Nada aconteceu.
- Se eu não lhe conhecesse bem, talvez acreditasse - disse ela, emburrada.
- Foi você mesma que disse que não conseguia me entender.
Gina calou-se e Harry segurou-se para não sorrir. Geralmente era ela quem ganhava aquelas discussões. Mas, afinal, quem Gina pensava que era? Ficar cobrando aquelas coisas dele como se tivessem qualquer coisa para ser cobrada.
Mas não tinham, certo? É claro que não.
- Tem razão - disse ela largando a caneca de chá sobre o criado-mudo.
- Deve ter sido dolorido admitir - respondeu ele sério.
Gina não riu. Pelo contrário, parecia magoada. Aquilo fez toda sua satisfação esvair-se.
- Eu nem sei porque fico lhe indagando essas coisas, afinal - disse ela levantando-se da cama - Não me deve satisfações, lamento.
- Gina, eu... - começou ele ao vê-la começar a procurar suas coisas.
- Estou indo...
- Não - protestou ele indo até ela. - Você não tem que ir.
- Tenho sim - disse ela esquivando-se - Nem sei porque vim, pra começar.
- Mas...
- Onde estão as minhas roupas? - perguntou ela, sem encará-lo.
- Coloquei para lavar - disse ele.
- Droga - disse ela sentando-se na cama dele e colocando as mãos sobre o rosto.
Agora, além de não estar nem um pouco satisfeito, Harry também estava infeliz. O problema era que ele também não entendia porque ficara tão chateado com ela.
Aproximou-se de Gina e agachou-se para ficar da altura dela, que ainda estava sentada na cama dele, com o rosto enfiado nas mãos. Colocou as mãos sobre os joelhos nus dela e esperou que a garota o encarasse, o que ela fez logo em seguida.
- Eu não queria que você ficasse chateada - explicou ele - Mas eu também não sei porque agi daquele jeito. Mas você está certa, eu não fui nada legal.
Gina sorriu tristemente.
- Deve ter sido difícil admitir.
Então eles riram e Harry encostou sua testa na dela, os olhos verdes mirando os castanhos.
- Me desculpe - pediu ele.
- Tudo bem - disse ela - Eu só não estava entendendo...
- Você vai mesmo sair com o Josh? - indagou ele repentinamente.
Gina assustou-se com a pergunta, a princípio. Fora rápida, curta e grossa. Mas ela respondeu, mesmo assim, de forma calma.
- Ainda não sei - disse baixinho, seus lábios muito próximos aos dele - O que você sugere?
Harry não sorriu, nem disse qualquer coisa. Apenas aproximou mais seu rosto do dela e negou com a cabeça antes de beijá-la.
Não fora como das outras vezes, não chegara nem perto. Há algum tempo que já não era, mas somente naquela noite eles perceberam.
Ela o puxou para mais perto e juntos apoiaram-se na cama, tentando manter aquele contato e, ao mesmo tempo, se acomodarem melhor sobre os cobertores.
Perceberam que os movimentos eram mais lentos.
Ela tirou a camiseta dele com calma, sorrindo serenamente quando atirou-a para um canto e voltou a beijá-lo.
Perceberam que os beijos eram mais profundos.
Ele ajudou-a a puxar sua calça para baixo até que a peça de roupa também fosse parar no chão e então beijou-a com mais daquele sentimento que já não sabia definir.
Perceberam que os toques eram mais cuidadosos.
Harry desamarrou o nó do roupão dela e afastou-o, correndo suas mãos pelo corpo dela, achando que seria impossível Gina ser mais perfeita.
Quando roupão dela juntou-se às roupas dele e seus corpos ficaram mais próximos do que seria possível é que eles perceberam.
Perceberam que nunca antes haviam estado tão unidos.
Os olhos fechados, as bocas secas, a vertigem e então...
- Eu te amo
- Eu te amo
O mundo parou por um instante. Não estava claro quem havia dito primeiro; provavelmente fora ao mesmo tempo. Abraçados, abriram os olhos, assustados. Ela via o teto sobre eles e ele via os cabelos vermelhos dela. Não puderam se encarar, não sabiam o que iriam ver. Cansados e ofegantes, apenas continuaram ali, ele sobre ela, pensando sem pensar.
N/A: E as coisas estão ficando claras... Espero reviews!
Mil bjos
