Capítulo 7 - Agridoce
Incrivelmente não há muito o quê contar sobre esta tarde. Saga seguia ao pé da letra as instruções dadas por Mu, que encontrou a agradável companhia de seu novo ajudante. Vigiados de perto por Milo, que não pôde dizer a Camus quem era na realidade Saga, mas sabia que teria que dizê-lo logo. Em contra partida, Camus começou a experimentar um novo sentimento: ciúmes. Sentia como lhe fervia o sangue quando descobria Milo espiando o novo voluntário, porque tentava levá-lo com os pacientes o mais longe de Mu, mas seus ciúmes aumentavam quando Milo pretendia segui-los. Camus só desejava terminar sua ronda, pegar Milo e ir pra casa.
Milo não se sentia bem deixando Mu sozinho com Saga, pois, junto com seu irmão Kanon, tinha a fama de ser "quebra corações profissional", e Milo havia se afeiçoado o suficiente a Mu para não permitir que se Saga se aproveitasse dele. Mas ainda tinha suas duvidas, e Mu não era tão tonto para deixar-se levar por alguém como Saga. Assim decidiu esquecer-se por um momento o assunto "gêmeos"… GÊMEOS! ONDE ESTAVA KANON?
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- "Saga, estúpido! No momento em que decide conquistar alguém…"
Pensava para si mesmo um belo gato azul escuro… um momento! Um gato?Ah é, depois de ser ignorado por seu irmão e por Milo, Kanon saiu do hospital transformando-se em um gato, seu animal favorito. Estava caminhando por horas, maldizendo seu irmão e jurando vingança, quando, sem dar-se conta, entrou em um beco.
- "Como se atreve a esquecer-se de mim? Pois se tanto quer estar ao lado desse humano estúpido, pois bem, então não tenho que estar com ele todo o tempo… Hum?" – escutou umas latas vazias moverem-se e ao virar encontrou um cachorro gigante, com aspecto de demônio, pronto para atacá-lo. – "Animal insignificante, não sabe com quem está se metendo. Mas de todas as maneiras, é hora de desestressar-me com algo"
- Hey! Por que não briga com alguém do teu tamanho!
- "Mas que demonios acredita… HEY!" – Kanon apenas ia se voltar para ver quem interrompia sua terapia, quando esta mesma pessoa o pegou no colo carinhosamente.
Mas o cachorro ainda mostrava seus dentes e latia, agora com a intenção de atacar ambos os invasores de seu território. Lançou-se sobre os dois, mas o homem lhe deu um chute o suficientemente forte como para que se fosse embora gemendo de dor.
- Está bem amigo?- o jovem carregou de novo para vê-lo de frente e ver se não tinha feridas.
"MAS O QUE ACHA QUE ESTÁ… " – deixou de tentar soltar-se quando viu uns belos olhos verde esmeralda.
- Parece que está bem, só um pouco assustado. – disse enquanto o colocava no chão – Não te metas em mais problemas, ok? – deu meia volta e seguiu seu caminho.
- "Bem, se Saga pode brincar com os humanos, eu também posso" Miau… - seguiu o jovem, e roçou nas suas pernas, chamando sua atenção.
-Parece que te agrado.- voltou a pegá-lo no colo – Imagino que não tem um lar, e não acho que alguém se dê conta que tenho um bichinho no meu apartamento, sendo assim por que não vem comigo?
- Miau…
- Como te chamarei?… - enquanto caminhava e observava o felino em sus braços, os olhos deste brilharam e do nada uma palavra se formou na mente do jovem.- Kanon… Kanon, não é nome ruim. Bem Kanon, muito prazer, eu sou Aioria.
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O sentimento que Camus mais odiava era a solidão. E nestes momentos, misturado com o ciúme, era a pior coisa que poderia acontecer. Da onde vinha essa urgência em encontrar Milo? Buscava por todo o hospital e inclusive foi às aulas próximas para ver se havia se perdido.
- "Esse maldito filho de…"
E colocar a culpa em um perfeito desconhecido por seus problemas não era seu costume, mas acontece que nesta ocasião era necessário. Esse novo voluntário tinha Milo completamente a sua disposição. Inclusive podia ver como ele sorria de vez em quando para SEU Milo. Sim, era SEU Milo. Havia decidido desde o domingo que o aumento de temperatura não foi o bolo de chocolate.
Esse domingo foi o primeiro em muito tempo que se levantava tarde. Milo lhe ajudou com alguns trabalhos, mas passaram todo o tempo falando. Nunca havia falado tanto com uma pessoa, nem sequer com seu irmão. Esta idéia lhe fez sentir-se mal por um momento… mas só um momento. Como poderia resistir a um ser tão belo como Milo? Camus sentiu um grande alívio ao falar de outra coisa que não tivesse nada a ver com medicina ou com a escola. Qualquer um poderia pensar que não tinha nada em comum com o Cavaleiro, mas não era assim. Milo havia viajado pelo mundo e lembrava cada lugar com tal precisão que Camus sentia que também se encontrava lá quando os descrevia. Suas aventuras eram interessantes, inclusive as que incluíam algumas lutas. Ainda que houvessem acontecido há bastante tempo, Camus sentiu ódio de quem se atreveu a machucar Millo. Camus até ajudou Milo a descobrir seus gostos musicais, pois enquanto conversavam no jardim escutaram os CD's favoritos da coleção do médico.
Simplesmente havia sido uma tarde maravilhosa e docemente coroada ao entardecer ao esperar que o bolo estivesse pronto.
FLASHBACK
- Já basta! – gritava um enfarinhado Milo a Camus, cobrindo o rosto com os braços.
- Muito bem, muito bem… isso é uma armadilha! –o francês caiu na armadilha ao baixar a guarda e permitir que Milo lhe lançasse uma xícara de leite.
A luta começou com um descuido de Milo ao deixar cair farinha na cara de Camus tentando guardá-la, continuou com Camus revidando igualmente e eventualmente incluiu leite, ovos, azeite e os demais alimentos da cozinha. Entre as risadas de ambos e a doce vingança, a cozinha terminou igualmente suja, como eles.
- Isso custará caro! – Camus pegou o que restava da cobertura de chocolate e derramou no cabelo de Milo.
- Assim? – deu uns passos pra trás para pegar o único frasco que continha algo de baunilha.
- Isso não! Vou ficar fedendo! – entre a bagunça para pegar o frasco, resbalaram em uns ovos que estavam no chão, caindo o cavaleiro em cima do francês.
Ambos ficaram paralisados no momento da caída, o rosto de Milo estava há apenas uns milímetros da bochecha lambuzada de Camus. Seus corpos tencionados mostravam que não sabiam como se mexer, e se realmente queriam fazê-lo.
Camus sentiu como se lhe faltasse ar e acelerava seu coração de aquela impressão tão estranha e agradável. Milo pôde distinguir o aroma dos cabelos do outro apesar de ter outras substâncias nele. Deixou-se envolver por aquele doce aroma e terminou de afundar seu rosto no ombro de Camus, sorrindo suavemente enquanto seus braços abraçavam o corpo debaixo do seu. Quando escutou um sutil suspiro e percebeu que braços o rodeavam, percebeu que nada poderia ser mais perfeito que isso. Foi nesse momento que Camus percebeu que queria que Milo ficasse, que desejava que Milo estivesse sempre com ele e que era SEU e de mais ninguém. Não permitiria que lhe tirassem de novo aquilo que lhe fazia feliz e que… amava. Não queria… não poderia estar só de novo, não quando já conhecia Milo. O alarme do forno lhes fez sair bruscamente de seus pensamentos, mas com um acordo silencioso ambos começaram a levantar-se ao mesmo tempo. Camus estava sentado e Mio estava de joelhos, com seus rostos ainda perto. Para Camus foi a imagem mais bela que tinha do cavaleiro, iluminado pelos raios laranjas e amarelos que o entardecer mostrava na cozinha, sujo e com o cabelo revolto. Foi uma surpresa quando o Escorpião colocou sua mão no rosto de Camus, o acariciou lentamente e ao retirá-la lambeu seu dedo.
- Tinha um pouco de cobertura. – sorriu piscando um olho e pondo-se de pé.
- O q-que?… - apenas podendo gaguejar ante aquele ato tão sedutor que havia presenciado, se sentiu um pouco... arrebatado?
-Já está pronto. – estendeu sua mão ao médico, que a pegou por inércia, ainda tentando processar a ação do outro. – Que bom que caímos confortavelmente, porque senão…
Ao recordar isso, a cor vermelha se apoderou de Camus, que quase tropeçou. Mas foi por este tropeço que parou e viu através de uma janela o cavaleiro espiava Mu e esse horrível, detestável, e desagradável voluntário.
- Milo… Milo!
- Eh? Camus, não te vi. Posso te ajudar nalguma coisa?
- Não, obrigado. Parece que já está ocupado.
- É que não posso deixar esses 2 sozinhos. É muito importante que…
- Muito bem, já me dei conta que quer estar com ele, adiante, entra e eu distrairei Mu pra ti. – disse furioso, sarcástico e assustando o cavaleiro de Escorpião.
- Camus, você está bem? – perguntou com voz baixa, temendo outro ataque de nervos.
- Se estou bem? Como quieres que esteja se não me deu atenção o dia todo?! Ficou perseguindo como um louco esse tal de Saga e não deixou de observá-lo como se fosse o melhor do mundo! Por que não vai com ele de uma vez?
E assim seguiu o discurso que Camus tinha preparado para Milo, mas este realmente havia deixado de prestar atenção um pouco depois de começado. No princípio foi aterrorizante, mas depois achou muita graça de como Camus imitava com sarcasmo as vozes das pessoas a quem perguntava por ele, a rapidez com a que falava, como agitava seus braços ou girava seus olhos para os lados. No final quando viu que Camus parou para tomar um pouco de ar, mas pretendia continuar, se deu conta de que era muito bonito quando a pessoa que se havia apaixonado ficava com ciúmes. Sorriu felizmente desconcertando o outro, que já ia reclamar por isso também, mas foi calado por um veloz e apaixonado beijo de Milo. O segundo que durou foi suficiente para que Camus conhecesse aqueles ternos e carnosos lábios, sua deliciosa boca misturada ao seu fresco hálito com o seu… sinceramente o melhor que já havia provado na sua vida.
- Não se preocupe, depois te explico.
- …Ok…
- Eu te busco na hora da saída. Aonde foram esses dois?
O cavaleiro seguiu com sua busca, deixando um boquiaberto Camus sem raciocinar muito bem o que havia acontecido. De novo as ações do Escorpião o haviam desconcertado. Automaticamente decidiu seguir com seu trabalho enquanto esperava que chegasse a hora da saída. Assim como rapidamente se incomodou, rapidamente se tranqüilizou, depois de tudo, Milo disse que não havia necessidade de se preocupar.
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Oiiiiiiiiiiiiiiii!
aí esá mais um capítulo! Fico feliz de ver que várias pessoas estão acompanhando, isso significa q eu to traduzindo bem! hehehehehe.
Quero dar um agradecimento especial à Any-chan, quem tem comentado em todos os capitulos, arigatou Any-chan! o
Acompanhem a história, e aproveito pra fazer propagando da minha outra fic, Parentes do do Santuário, que como ninguem está acompanhando eu acho q vou desitir!
Bjos e até o próximo capítulo!
