Tradução de "Oh Me Wish" de autoria da Nia-sama, que me deu sua permissão para fazê-lo.

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Oh Me Wish!

Capítulo 11 – Memórias

Silêncio. Absolutamente nada… esse silêncio que anunciava a mais doce das melodias.Um simples movimento do maestro e a música começou a encher o teatro com seu belo compasso. No alto, em um dos camarotes centrais, um pequeno garoto com olhos azuis safira observava com grande entusiasmo a orquestra. Sua atenção estava centrada no homem sentado ao piano, Philip, o homem que mais admirava no mundo, seu pai. Sem tirar sua vista dele, movia seus dedos no ar tocando em um piano imaginário, tentando seguir o ritmo. De vez em quando dirigia seu olhar até uma mulher que tocava harpa, a quem agora chamava de "mãe". Natassha, uma belíssima mulher com quem seu pai se casou; não era sua verdadeira mãe, sabia disso perfeitamente, mas sentia um grande carinho por ela. Com leves golpes da batuta, o maestro indicou uma falha na parte dos violinos e interrompeu o trabalho.

"Isso não aconteceria se e ela estivesse aqui…"

Lembrou o pequeno que, segundo havia contado seu pai, sua mãe era o violino principal da sinfônica de Paris. Não conseguia lembrar seu rosto nem as poucas fotografias que tinha dela, nem sequer de sua voz, mas em sua memória havia pequenos fragmentos das belas melodias que sua mãe tocava ao violino.

Algo chamou sua atenção, distraindo-o de seus pensamentos. Deitado na cadeira do lado, um garotinho de uns quatro anos despertava de seu sono. Hyoga, o outro membro de sua nova família, abriu os olhos, se levantou e se pôs nas pontas dos pés para poder observar por cima da amurada do palco. O garoto mais velho observava atentamente seus movimentos. Essa era a primeira vez que o deixavam cuidando do menor.

"Cuide de seu irmão", disseram seu pai e sua nova mãe. Isso era exatamente o que ia fazer, pois agora ele era SEU irmão e protegeria de tudo.

Voltou seu olhar para a sinfônica, que reiniciava o trabalho. Pôde ver claramente que, enquanto tocava harpa, Natasha lhes dirigia um doce sorriso que chegava até o alto do teatro. Imitando seu irmão menor, agitou sua mão e lhe devolveu um sincero sorriso.

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"Vamos… não me falhe agora…" Camus apertava seu peito ao tentar parar a intensa dor que sentia.

Tomando forças, alcançou um frasco de comprimidos atrás do espelho do banheiro. Suas mãos tremiam e suavam, não conseguia focar a vista. Nem sequer prestou a atenção em quantos comprimidos engoliu, mas poucos segundos depois de tomá-los sua respiração voltou ao normal e, ainda que se sentisse cansado, sentiu como a dor desaparecia.

- Mesmo não sendo seu irmão de sangue, vocês são muito parecidos… - escutou Milo do outro lado da porta do seu quarto (era o único com banheiro próprio).

Ao sair, já mais tranqüilo e arrumado, viu como Milo continuava sentado na cama observando um álbum de fotografias.

- Nós praticamente nos criamos juntos, assim somos muito parecidos no caráter. – sentou-se ao seu lado e começou a ver as folhas do álbum. A foto a que Milo se referia tinha a imagem de dois garotinhos vestidos elegantemente com um fundo de árvores no outono.

- Quem são eles? – perguntou Milo se referindo à uma foto amiliar com uma casa francesa antiga ao fundo.

- Ele é meu pai, Philip, - indicou o homem de olhar gentil - tocava o piano na sinfônica de Paris. Quando eu tinha 9 anos, conheceu Natassha – apontou uma bela mulher loira ao seu lado - ela trabalhava na Filarmônica da Rússia e chegou como suplente temporária da harpista, mas ficou permanentemente quando se apaixonou por meu pai.

- Hyoga já havia nascido? – apontou para um garotinho pequeno de um ano com sua mãe em outra foto.

- Sim, já tinha 3 anos quando o conhecemos, Natassha era mãe solteira. – em outra foto, se encontrava a família em uma ponte do Rio Sena - Aqui ele tinha 9 e eu 14, tiraram essa foto antes de último concerto, pouco antes dele eles… naufragarem em um barco no Atlântico.

- Lamento… devem ter passado muitas dificuldades.

- É difícil perder a família, mas nos tínhamos um ao outro. Como nossos pais foram precavidos, não tivemos problemas financeiros nem nos separaram. Olha, essa é uma das minhas favoritas. – procurou nas primeiras páginas e tirou uma foto com uma mulher muito bonita de longos cabelos ondulados azuis com um garotinho de 3 anos.

- Mas se não era você de pequeno! E com o cabelo curto! Que bonitinho você era… É a sua verdadeira mãe?

- Sim, Nicole. É a única fotografia que estamos juntos, não sei porque. Meus pais se conheceram no Conservatório de Paris e se casaram pouco depois de serem aceitos na Filarmônica.

- Deve ser lindo ter uma família… - o cavaleiro observou um pouco mais a foto e a colocou delicadamente em seu lugar. Estava tão entusiasmado que não notou como Camus o olhava, entre terno e amoroso, e uma recordação lhe veio à mente...

Nada mais que murmúrios, prantos esquecidos, mas para eles não existia nada… haviam perdido tudo. Com o olhar vazio, recebiam sorrisos forçados, consolos vagos e lágrimas de apreço, mas parecia que uma força sobrenatural impedia-lhes de conectar-se a este mundo. O jovem de cabelos azuis, afastado do incômodo barulho, se perdia em pensamentos. Pouco depois se senta ao seu lado seu pequeno irmão Hyoga, que tampouco prestava atenção ao seu redor.

- Hyoga?- pergunta o maior continuando a olhar para o nada.

- Diga… - Sua resposta foi automática, terminada com um pesado suspiro.

- Por que… por que não chora? – o garoto loiro virou sua cabeça, estranhando a razão da pergunta, mas não obteve contato visual, assim que com a mesma emoção em seus olhos voltou sua vista pra onde estava.

- Você tampouco o faz…- isso mexeu algo no coração do jovem, que em um rápido movimento se levantou da sua cadeira e se colocou na frente de Hyoga, pegando-lhe as mãos.

- Hyoga, você sabe que minha verdadeira mãe morreu quando eu tinha 7 anos? – Seu olhar penetrante conseguiu a atenção de Hyoga, que não conseguia desviar seu olhar dele.

- Sim… Philip me contou…

- A verdade é… que quase não lembro dela, tenho muito poucas fotos e a única coisa que tenho dela é o violino e algumas poucas recordações das melodias que tocava pra mim.

- Como quando minha mãe tocava harpa pra nós?

- Isso mesmo. É muito confuso o momento de sua morte, não sei se chorei ou não. Mas sei que minha tristeza, junto com a de eu pai, durou muito tempo, e é uma dor que ainda continua…

- Então nunca terminará?

- Gostaria de dizer que sim, mas as pessoas que se ama e perdemos são as mais difíceis de esquecer…- algumas lágrimas começaram a se formar nos olhos do loiro, mas parecia que não as queria soltar.

- Eu… não sei o que fazer… - seus pequenos braços se enlaçaram no pescoço de seu irmão e lhe apertaram o mais forte que suas forças permitiram.

- Mas sabe o que foi que amenizou nossa dor? – o loiro somente negou com a cabeça– Você

- O que? Eu? Mas… eu não te conhecia… -abruptamente dirigiu seu olhar novamente para o seu irmão e aproveitou para limpar as lágrimas que começaram a cair.

- Não, ainda não. No entanto, quando Natasha e você chegaram da Russia e meu pai e eu os conhecemos, foi como se… tivéssemos esperança de novo. – um terno sorriso se formou em seus lábios, como se recordasse esse sentimento.

- Então alguém chegará algum dia e me sentirei melhor

- Algo assim. É difícil de explicar, mas com o tempo comprenderás que sempre encontrará alguém que te faça feliz e te ajude com a dor que tens dentro – delicadamente limpou as lágrimas dos cristalinos olhos de seu irmão mais novo.

- E o que faremos até que esse alguém chegue?

- Esperar… - não percebeu, até que sentiu uma pequena mão sobre sua bochecha retirando uma lagrima, que ele também começava a se sentir melhor.

Camus sorriu docemente, atraindo a atenção do cavaleiro. Este lhe olhou entre feliz e curioso pela reação, mas nada se comparou com o que fez depois. Lenta e suavemente acariciou a bochecha do Escorpião, delineando seu rosto e fazendo com que ficasse corado imediatamente. Começou a diminuir a distância entre seus rostos enquanto o ritmo cardíaco de ambos acelerava ao mesmo tempo. Quase sem dar-se conta, Milo sentiu como seus lábios eram suavemente pressionados pelos de Camus. Sem esperar outro instante, fechou seus olhos e respondeu com mais intensidade. Por impulso, caiu com Camus em cima dele, enquanto com uma mão se apoiava pra não cair totalmente, a outra buscava o caminho do interior do joelho até a cintura do aquariano. O jovem médico moveu sua mão até a nuca do outro, atraindo-o mais e aumentando a força do beijo. Depois, suas mão desceram até a cintura do cavaleiro levantando sua camisa, disfrutando da macia pele do abdomem do escorpião. Milo iria fazer o caminho até o pescoço do seu amante, nada podia ser melhor que isso...

- Rápido, porque se não vou deixá-los para trás!

Ao escutar o grito, se separaram bruscamente. Ambos buscaram os olhos do outro, respiravam um pouco agitados e se encontravam tão perto que sentiam perfeitamente o calor um do outro.

- Camus, eu…

- Tome como um adiantamento do meu agradecimento. – piscou um olho e bejou rapidamente seus lábios de novo, se levantando da cama e saindo do quarto.

O cavaleiro apenas processava o que havia acontecido e um sorriso se formou em seu rosto. Abraçou uma almofada e escondeu seu rosto nela, abafando um grito de alegria (e um pouco de frustação) que soltou com todas as suas forças. Ao acabar o ar, saiu da cama dirigindo-se para o primeiro andar, onde escutou a voz de Camus.

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Oiiiiiiii!

Taí um capítulo extra! O Aioria não ficou fofinho enquanto falava com o Shura?! E a cena do Milo ajeitando a gravata do Kamus? Pareciam recém casados! o Cada vez mais o Kanon e o Aioria se apaixonam, assim como o Mu e o Saga. Decididamente a Nia-sama fez um maravilhoso trabalho!

Continuem acompanhando!