Banda: Dir en Grey
Pairings: DiexKaoru,
Classificação: Yaoi, Romance
E se fosse verdade... - Capítulo um
- E então o que achou?
Andou Daisuke entrou no apartamento, decorado no estilo tradicional japonês, com sofás baixos, mesas baixas, tudo baixo. Baixo demais para seu gosto. Ele franziu o cenho, scaneando a sala por cima dos óculos escuros.
- Acho melhor algo mais moderno. Já chega a minha casa ser tradicional.
A corretora suspirou. Assim que botara os olhos no ruivo, já percebera que aquele cliente daria trabalho.
Ela não estava errada. Durante o dia inteiro ela rodara a cidade com o homem de cabelos vermelhos, procurando por um apartamento para ele alugar, e nada. Aquele doido queria um com o sofá perfeito. Bom, cada um com sua mania. A mulher de quase 40 anos já suspirava pelo calor anormal que fazia em Tokyo, acompanhando Daisuke por todos os cantos. O último apartamento que eles viram o outro achara que era decorado demais. Eles estavam saindo do local, quando uma pequena brisa veio aliviar o mormaço do dia.
O jovem suspirou, aliviado pela brisa, quando sentiu algo se grudar a sua perna. Ele pegou o pedaço de papel e leu, intrigado. Era um anúncio de aluguel. Do outro lado da rua. Ele olhou o pequeno complexo e a fachada lhe chamou a atenção, por ser algo agradável e não muito chamativo. A corretora saiu do prédio e viu o ruivo olhando aquele edifício e sua chance de venda se mostrou ali.
- Temos um apartamento para alugar aí, quer dar uma olhada?
- Com certeza. – disse dando um largo sorriso.
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- E então?
- Uhn... – ele ponderou – O sofá é gostoso de sentar.
A corretora sorriu seu melhor sorriso de trabalho.
- Realmente...ele é bem confortável.
E com aquela fala, dois dias depois, Daisuke estava instalado no pequeno, mas aconchegante apartamento. Ele possuía dois quarto, um banheiro, uma cozinha espaçosa e uma sala com um bom sofá. Mas também um terraço privativo onde o ruivo pensava em fazer um jardim.
A primeira semana fora o paraíso. Longe de tudo e todos que lhe enchiam o saco por não sair mais, ele se enfurnou em seu adorado apartamento, bebendo, comendo salgadinhos e assistindo televisão em seu sofá.
Mas, numa noite qualquer, ele ergueu-se e foi até a cozinha pegar mais uma latinha de cerveja. Voltava distraído, tentando abri-la quando deu de cara com ele.
- AAAH!
Ambos gritaram ao mesmo tempo e a cerveja espirrou, se esparramando toda na roupa que Daisuke usava. Ele xingou em voz baixa, mas parou ao ouvir a voz daquele rapaz a sua frente.
- Não tem nada para roubar aqui!
- Ahn? – perguntou ruivo confuso.
- Já disse que não tem nada para roubar aqui, então pode dar o fora!
Ele fitou o jovem de cabelos roxos, que caíam em seu rosto suavemente. Ele usava uma calça social preta e camisa roxa escura. Era até que bonitinho...para um louco.
- Porque está dentro do meu apartamento?
- Seu apartamento?! Este é o meu apartamento, o meu sofá e a minha... – ele rosnou irritado ao ver uma mancha gelada na mesinha de apoio de madeira de lei – Já ouviu falar de um porta-copo?
- O que está fazendo aqui?! – Daisuke não estava lá muito bem humorado ultimamente.
- Já chega, eu vou ligar para a polícia – disse o jovem, dando meia volta e indo para a cozinha.
- Ei, espera um momentinho aí, eu é que dev... – ele parou de falar, assim que viu que ele não se encontrava na cozinha. Ou no apartamento.
Daisuke resolveu que já estava muito bêbado para uma noite. Ele foi até o banheiro, resolvendo tomar um banho para tirar aquela cerveja que caíra em seu corpo. Ele jogou a roupa no cesto e logo entrou debaixo do jato quente, suspirando prazerosamente, se lavando rapidamente. Ele saiu do Box e enrolou a toalha em sua cintura, indo limpar o vidro, embaçado pela água quente do chuveiro. Ele quase morreu do coração ao dar de cara com o jovem atrás dele.
- Saia da minha casa! – gritou ele e Daisuke virou-se para encara-lo, apenas para não encontra-lo lá.
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- E agora você acha que está louco?
- O que mais pode ser?
- Já pensou que pode ser um fantasma?
O ruivo encarou seu amigo, que tinha os cabelos rosas arrepiados com gel, óculos de aro preto adornando os olhos que fitavam seu rosto angustiado.
- Isso vindo de você é até normal Hide.
- Ora, e você acha que eu dirijo essa loja porque? – perguntou, mostrando com as mãos a livraria metafísica ao redor deles.
- E o que você me aconselha então?
- Isso. – disse, saindo do balcão e indo até uma das prateleiras e pegando um livro de exorcismo e entregando – É por conta da casa. A única coisa que você tem que fazer é expulsa-lo.
Daisuke revirou o livro em sua mão, incrédulo. Ele queria que ele tentasse um exorcismo?!
- Eu não sei porque eu te ouço, Hide.
- Porque eu sei o que é melhor pra você Die.
Não custava tentar.
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Die ergueu a vela acesa, se sentindo ridículo por estar tentando aquilo. Ele começou a recitar aquelas palavras estranhas enquanto balançava a vela, mas no fundo acreditando que tudo que resultaria daquilo seria um incêndio. Ele suspirou entediado e abaixou a vela, pegando a caneca com um nome escrito nela, do antigo dono do apartamento, e bebeu o café preto. Ele então fitou a caneca e sorriu maldosamente.
- Uhn...acho que vou colocar essa caneca nessa linda mesa de madeira de lei...sem porta-copo algum.
No momento que ele abaixou o copo o jovem gritou.
- Você não se atreva a fazer isso!
Die sorriu triunfante e ergueu-se.
- Ahá! Sabia que você ia aparecer! Posso fazer uma pergunta?
- Contanto que você saia do meu apartamento depois. – disse o jovem, cruzando os braços.
- Você não acha...que tem algo estranho com você, não? Como você costuma passar os dias, hein? – disse Die, se aproximando e o jovem recuando.
- Ora, eu...isso não é da sua conta!
- Qual seu nome?
Ele olhou para os lados nervosamente, até fitar a caneca e dizer, triunfante.
- Kaoru!
- Não vale, você olhou a sua caneca! – disse o ruivo cruzando os braços, ambos caminhando rumo a cozinha – Você não se sente confuso, com lapsos de memória e tudo mais?
- Onde você quer chegar com isso? Porque você ainda está no meu apartamento?
- Este não é mais seu apartamento...PORQUE VOCÊ MORREU! – gritou o ruivo, perdendo a paciência.
Kaoru arqueou a sobrancelha, cruzando os braços.
- Não acha que eu saberia se estivesse morto?
Die suspirou e apontou para a cintura dele. O jovem de cabelos roxos abaixou o olhar e arregalou-os. Ele tinha atravessado a mesa.
- Mas...como?
- Você é um fantasma, será que deu pra entender? – disse Die num tom conclusivo.
- Isso é impossível, eu não posso estar morto!
- Hey, isso não é problema meu.
- Seu... – Kaoru rosnou com ira e correu para empurra-lo, mas acabou atravessando seu corpo e caindo pelo lado de fora da janela.
O ruivo correu até ela e fitou a altura de oito andares e sorriu.
- Descanse em paz.
- Só quando você sair daqui.
Die virou-se e quase morreu do coração pela segunda vez, vendo Kaoru parado a sua frente, intacto.
- Pelo amor de Deus Kao, vai embora! Procure pela luz ou algo assim!
- Eu não estou morto e meu nome é Kaoru!
- Você está me forçando a apelar!
- Apele o quanto quiser!
O ruivo bufou. Aquilo era guerra.
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Padres. Monges. Freiras. Até Caça-fantasmas. Nada, nada estava resolvendo seu sério problema. Aquele espírito era mais persistente do que si, aquilo já estava cansando.
Quando Die viu que nada ia adiantar, ele resolveu que teria que apelar. Hide veio assim que ele ligou e para seu alívio não fez nenhuma piada sobre sua situação, inclusive parecia muito sério.
- E então?
O homem de cabelos rosas fechou os olhos, parecendo meditar e então disse.
- Eu sinto uma presença aqui...
Kaoru riu sarcástico com aquela declaração.
- Todos disseram isso. – e cruzou os braços.
- Ele está muito raivoso. – disse Hide, continuando sua análise – Eu acho que você devia sair dessa casa, ela ainda é dele.
- Uhn...até que eu comecei a gostar dele. Simpático seu amigo. – disse o jovem, jogando os cabelos roxos para trás.
Die bufou.
- De jeito nenhum que eu vou sair daqui! Hide, trate de dar um jeito de tira-lo daqui.
- Calma, relaxa Die, não se pode irritar os espíritos assim!
- Die? Isso lá é nome de gente? – disse Kaoru, de propósito.
- E você fica quieto e vá pra luz de uma vez! – retrucou o ruivo.
- Você continua pensando nele, não?
Aquela sentença do homem de cabelos rosas fez Kaoru fita-lo, intrigado.
- Do que ele está falando?
- Hide... – disse Die num tom de aviso.
- Você sabe que já faz dois anos né? Sua aura está assim...negra. Você tem que deixa-lo partir.
- Ele não vai a lugar algum. – comentou irônico, encarando o outro de cabelos roxos.
- Não é do espírito que eu estou falando. – Hide se ergueu e foi até ele, tocando seu peito – É daquele que você guarda aqui.
Kaoru sorriu largamente, quase que diabolicamente. Daisuke ficou quieto.
- Ah, então quer dizer que você levou um fora foi Die? Não me admira.
- Pára. – disse o ruivo numa voz quieta.
- Ah, você pode falar o que quiser de mim, mas não agüenta quando te jogam as coisas na cara, é? Aposto que esse tal não agüentou o seu gênio e se mandou rapidinho, te dando um pé na bunda!
- Cala a boca Kaoru! – gritou Die encarando-o furiosamente, antes de completar – Você não sabe do que está falando. – e então saiu da sala, indo para o terraço, pisando duro.
- Hey, espírito. – disse Hide, olhando para os lados – Você devia mostrar mais respeito para com os mortos.
Kaoru arregalou os olhos enquanto o homem de cabelos rosas foi para a cozinha.
Continua...
