Banda: Dir en Grey

Pairings: DiexKaoru,

Classificação: Yaoi, Romance


E se fosse verdade... - Capítulo dois

Kaoru subiu as escadas que levavam ao terraço lentamente, sua mente travando uma batalha feroz contra seu orgulho e sua culpa. Lógico que queria ter irritado aquele ruivo metido a...metido. Mas soubera que pisara num calo feio no momento que ouvira aquelas palavras do homem de cabelos rosa.

Ele encontrou Die apoiado no parapeito do terraço, observando a noite colorida e agitada de Tokyo. Uma súbita e muita bizarra onda de timidez o invadiu e tudo que ele pôde fazer foi pigarrear baixo, para se fazer notado.

- O que quer? – respondeu o ruivo, sem virar para trás, sua voz num tom magoado.

- Queria...é... – o homem de cabelos roxos não era bom nessas coisas – Me desculpar.

- Se desculpar? Você só pode estar brincando! – Daisuke voltou-se, encarando-o muito raivoso – Acha que uma simples desculpas pode retirar tudo que você me disse?!

- Gomen!! Eu não sabia ta? – exclamou Kaoru, já perdendo a paciência.

- Quer saber? Engula suas desculpas! – disse o ruivo, caminhando para a escada.

- Onde pensa que vai?

- Vou sair pra beber, fumar e ficar longe de você!

Kaoru bufou. Aquilo não ia ficar assim, não mesmo!

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- Pára de me seguir!

- Não.

- Larga do meu pé Kao!

- Não. – o espírito cruzou os braços – E é Kaoru.

Die rosnou irritado e então viu um casal passar ao lado deles, olhando-o torto. Foi quando ele percebeu que falava 'sozinho' no meio da rua. Ele parou de andar e virou-se, encarando o jovem de cabelos roxos.

- Deus, o que você quer que eu faça para você largar do meu pé?

Kaoru arqueou a sobrancelha diante da súbita mudança.

- Porque isso agora?

- Porque o quanto antes eu te ajudar, ou seja lá o que você precise, o mais cedo eu me livro de você!

Aquilo doeu. O espírito desviou o olhar, sua voz saindo seca.

- Eu só quero saber quem eu era antes...bom, antes disso tudo. Não me lembro de muita coisa. E você precisa me ajudar.

- Só isso? Ah, vai ser fácil!

Kaoru encarou-o de volta.

- Acha mesmo?

- Claro, tudo que temos a fazer é perguntar aos seus vizinhos como você era.

Concluindo seu pensamento, o ruivo deu meia volta e continuou a caminhar. Kaoru correu atrás dele, agora andando ao seu lado.

- Onde você está indo, o apartamento fica do outro lado.

- Eu sei, mas eu estou indo beber, esqueceu? – disse num sorrisinho maroto.

- Não acredito nisso!

Die sorriu genuinamente pela primeira vez em anos com aquela exclamação.

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- Era um jovem estranho a solitário, eu acho que ele era algum tipo de psicopata.

- Cara ótimo, nunca dava festas barulhentas como esse vizinho de baixo.

- Muito anti-social.

- Tinha cara de ser mandão até!

Die riu dessa última, mais ainda quando viu a cara que Kaoru fizera. Ele agradeceu o jovem, bonitinho até, do andar de baixo e voltou ao apartamento.

- Parece que você era bem desconhecido por aqui. Que triste.

- Obrigado por me lembrar de quanto anti-social eu era. – resmungou Kaoru, sentado no balcão da cozinha.

- Ah, relaxa fantasminha camarada, podia ser pior. Pelo menos eles lembram que alguém existiu aqui. – comentou o ruivo num sorriso.

- Quando você vai realmente me chamar pelo meu nome? Meu nome completo.

- Uhn...vamos ver quando isso vai acontecer. – comentou Die, indo para a sala e pegando sua jaqueta – Você não vem?

- E aonde nós vamos mesmo?

- Nós vamos andar pela região e ver se tem algo que te reavive a memória.

Kaoru lutou para não corar e depois se perguntou se fantasmas podiam corar. Ele desceu do balcão, seguindo o ruivo para fora do apartamento.

Eles foram caminhando lentamente, Die contando uma coisa ou outra da sua vida, enquanto observava o jovem de cabelos roxos reparar em cada aspecto das ruas. Quando ele não estava mandando, gritando ou fazendo pouco caso dele, até que era...bonitinho. 'Lindo você quer dizer', sua mente tratou de reformular.

O ruivo balançou a cabeça, tentando fazer seus pensamentos se dissiparem. Aquele realmente não era o melhor momento para se pensar naquilo.

- Hey, ali!

Daisuke olhou para o espírito, em seguida desviando seu olhar para onde ele apontava. Do outro lado da rua havia um restaurante japonês tradicional. Die retorceu o nariz e comentou:

- O que tem esse restaurante?

- Ele é...familiar pra mim. – disse Kaoru, já atravessando a rua, sendo transpassado pelos carros.

O ruivo quase morreu do coração antes de se recordar que ele era um espírito então não tinha como se machucar. Ele colocou a mão sobre o peito e esperou o sinal fechar para atravessar a rua, chegando ao lado do jovem de cabelos roxos. Ele apenas olhou-o repreensivo antes de observar o interior do restaurante.

- Ele me lembra algo... – disse Kaoru distraído.

- Vem, vamos entrar.

Os dois jovens entraram no restaurante e então ele observou tudo ao redor, franzindo o cenho.

- Eu lembro de ter desejado comer aqui tantas vezes, mas nunca cheguei a vir aqui de fato.

- Sério? – comentou Daisuke, olhando-o de lado.

Um barulho interrompeu a conversa deles. Eles viram um homem cair no chão e logo uma multidão de formou em volta dele.

- Ele não está respirando! Um médico por favor!

Kaoru observa a cena curioso, até que um estalo se dá em sua mente.

- Die...eu posso salva-lo!

- Como?

- Anda, vamos lá!

Muito a contra gosto o ruivo chegou perto e ajoelhou-se do lado do homem. Ele abriu a camisa dele e pediu que se afastassem. Kaoru foi falando pra ele.

- Pressione a vértebra dele, veja se está inchada.

O ruivo fez e logo balançou a cabeça levemente.

- Peça uma faca e bebida.

- Uma faca e bebida!

Logo um dos garçons entregou o que ele pedira e ele deu um longo gole na vodka.

- E agora?

- Joga a bebida nesse ponto abaixo da caixa torácica. Isso! Agora...você vai fazer um furo aqui.

- O que?! – exclamou Die, recebendo olhares estranhos de todos os presentes.

- Anda, ele não vai conseguir respirar sem isso!

O ruivo respirou fundo e encostou a faca na pele clara.

- Mais fundo.

Ele foi enfiando a faca até que Kaoru exclamou que parasse.

- Isso! Agora pegue o regulador da garrafa de vodka e coloque no corte.

- Porque isso...?

- Para que o corte não aumente e para que o ar saia! Agora faça o que eu mando!

Die sorriu, fazendo igual ele tinha dito. Logo o ar foi expelido e o homem voltou a respirar normalmente. O gerente não parava de agradece-lo a todo o momento e o ruivo apenas perguntou.

- Tem algum hospital aqui perto?

- Sim, o Sacred Heart. Porque pergunta senhor?

- Ahn...muito obrigado mesmo.

Die logo saiu do restaurante, ainda sorrindo falso para os agradecimentos. Assim que pôs os pés pra fora do local, ele deixou que a tremedeira em suas mãos fosse visível. Kaoru ia à frente, quase que deslumbrado com sua recém-descoberta.

- Como eu pude esquecer que eu fui médico? A alegria de salvar vidas, de você conseguir enfrentar a morte cara a cara e...

- Vamos até esse tal Sacred Heart ver se alguém de lá conhece você pelo menos?

- Vamos sim, quero saber de tudo o quanto antes! – concordou o jovem de cabelos roxos pela primeira vez.

- Ahn...Kao. O que é isso? – disse, mostrando uma mancha em sua mão.

- Ah, é sangue, mas é só lavar que sai. – comentou displicente o espírito.

Die começou a ficar verde.

- Die? Die, você está bem?

Continua...