Banda: Dir en Grey

Pairings: DiexKaoru,

Classificação: Yaoi, Romance


E se fosse verdade... - capítulo três

Depois de melhorar da sua rápida ânsia por ver sangue em suas mãos, Die foi junto com Kaoru até o Hospital Sacred Heart, que ficava nos arredores. Eles logo seguiram pelos longos e intrincados corredores até que chegaram na recepção. Um jovem de cabelos azuis estava lá.

- Toshiya...

- Ahn? – perguntou um distraído Die.

- Aquele é o Toshiya, ele trabalhava junto comigo. – informou Kaoru – Ele deve saber por onde eu ando.

O ruivo se aproximou e encostou-se no balcão, sorrindo. O jovem ergueu o olhar e sorriu de volta, divertido.

- Posso lhe ajudar?

- Com certeza. Você saber onde eu poderia encontrar o Dr. Kaoru?

O sorriso do jovem murchou.

- O senhor não ficou sabendo? – respondeu Toshiya, se levantando. – Houve um acidente...três meses atrás.

- ...Acidente? – comentou Die, arqueando a sobrancelha.

- Um momento. – disse o jovem, afastando as mechas azuis dos olhos com os dedos e pegando o telefone. Após alguns minutos, ele voltou seu olhar para ele – O Dr. Yoshiki está lhe esperando no terceiro andar. Ele pode te explicar melhor.

- Ahn...certo. Arigatou. – disse, desencostando-se do balcão e seguindo para o local indicado, sendo seguido pelo médico de cabelos roxos.

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Die abriu a porta cuidadosamente e sorriu em agradecimento para Yoshiki. Ele caminhou no quarto, chegando na cama onde o corpo de Kaoru repousava, como que dormindo, os aparelhos monitorando sua respiração e batimentos cardíacos.

Ele parou ao lado da cama, vendo o espírito de Kaoru do outro lado. Ele parecia preocupado.

- O que foi?

- Isso não é nada bom... – comentou o médico distraído – Esses batimentos...essa estabilidade depois de três meses.

- Sinal que você não piorou certo?

- Sim, mas não melhorei também. Três meses é muito tempo para se ficar em coma. – respondeu o jovem, encarando o ruivo.

- Uhn...você não quer tentar e ver se você consegue...sei lá, grudar-se ao seu corpo novamente? – disse Die.

Kaoru acenou com a cabeça e subiu na cama, deitando-se em cima do seu corpo, afundando-se nele. Mal se passaram cinco segundos e ele levantou-se.

- Eu não sinto nada.

- Deve ser porque você não deitou nem cinco segundos! Anda, deita de novo. – disse o ruivo.

O jovem bufou e deitou-se novamente. Quase um minuto depois ele ergueu-se, exasperado.

- Eu não sinto nada. Mesmo.

- Deixa eu tentar algo. – disse Die e ele então pegou na mão do jovem de cabelos roxos, acariciando-a.

Kaoru ergueu a mão e então encarou o outro.

- Eu...senti isso.

- Viu? Você ainda tem conexão com o seu corpo.

Uma batida na porta foi ouvida.

- Eu vou ficar aqui. – Kaoru desviou o olhar levemente e então disse – Er...obrigado.

- Por que?

- Por ter...você sabe...me ajudado. – Die sorriu largamente ao ver o espírito corando.

- Não há de que fantasminha camarada.

Ele riu diante da cara indignada do outro por causa do apelido e então sorriu docemente, saindo do quarto, indo para a casa. Ele não pode deixar de pensar que o apartamento iria parecer...mais vazio agora.

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Três dias. E porque raios ele não conseguia tirar o médico da cabeça? Die afundou o rosto nas mãos, após acabar a quarta latinha de cerveja, jogando-a em cima da mesinha de centro, que estava bem bagunçada. O barulho do seu celular tocando o fez apenas esticar o braço e abri-lo.

- Daisuke.

- Andou-san, há quanto tempo! Aqui é a Kanako, a corretora que ajudou no aluguel do apartamento.

- Ahn...Kanako-san. – ele endireitou-se no sofá, esticando as pernas e colocando-as em cima da mesinha – Em que posso ajuda-la?

- Gostaria de parabeniza-lo eu mesma por ter conseguido o contrato oficial do aluguel.

- Como assim...? – perguntou o ruivo, agora se sentando no sofá, franzindo o cenho.

- Infelizmente a pessoa que alugava antes do senhor estava num coma profundo, por isso a família não tinha ainda parado de pagar o aluguel. Mas agora como vão desligar os aparelhos, eles passaram toda a papelada para frente e...

Die arregalou os olhos, nem ouvindo mais o que a moça falava sem parar no celular. Ele desligou-o sem cerimônia alguma, levantando-se às pressas, pegando seu casaco, colocando um tênis, e saindo correndo pela porta. Ele então deu de cara com o jovem de cabelos roxos e na tentativa de frear-se, acabou caindo no chão, estatelado.

- Com pressa? – disse Kaoru, agachando-se e o encarando.

- Kaoru! – Die logo se ergueu, se arrumando – A corretora acabou de ligar e disse que sua família vai...

- Eu sei. – ele suspirou fundo – Eu estava lá quando vi minha irmã conversando com o médico. Die você precisa me ajudar!

- Mas...como? – perguntou, já ficando mais centrado, passado o susto do momento.

- Você tem que falar com a minha irmã!

- Ahn...não é por nada Kao, mas o que você acha que ela vai falar se um estranho chegar e disser "Escuta, seu irmão me mandou avisar do além que não é pra você desligar os aparelhos ainda! Ele vive!"

Kaoru foi dar um soco no braço dele, mas sua mão passou voando. Die cruzou os braços.

- Mais alguma idéia brilhante?

- Você vai falar com ela. – disse o outro, convicto.

- E como você vai me convencer?

Kaoru sorriu quase que perigosamente. Die não gostou nada daquilo.

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O ruivo bufou pela quinta vez, estacionando o jipe, desligando-o. Ele não podia apelas para aquilo, não mesmo; aliás como ele descobrira as preferências de Die?

- É aquela casa de telhado baixo.

O jovem saiu do carro e então deu a volta, abrindo a porta para Kaoru. Após ele descer, arqueando a sobrancelha pelo gesto do outro, ambos foram até a casinha modesta, mas arrumada. Die bateu na porta.

Segundos depois, uma mulher de feições muito parecidas com o médico, de cabelos castanhos presos, abriu a porta.

- Pois não?

- Niikura Hikame?

A mulher sorriu.

- Sim, e quem é você?

- Meu nome é Daisuke, mas você pode me chamar de Die. Eu...ahn...sou amigo do Kaoru.

As feições dela entristeceram um pouco e então ela abriu mais a porta.

- Entre, por favor.

O ruivo agradeceu e seguiu a mulher casa adentro, ouvindo o barulho característico de duas crianças correndo pela casa, as sobrinhas do médico. O ruivo sorriu ao ver as várias fotos dela com a família, inclusive uma de Kaoru com 11 anos, com os cabelos ainda castanhos.

- Que fofo...

Ele ouviu o espírito ao seu lado ofegar com suas palavras e seu sorriso se tornou ainda mais largo. Ele logo chegou na cozinha, onde se se sentou à mesa, vendo a mulher preparar um chá.

- Posso lhe perguntar de onde você conhece o Kaoru?

- Claro, é...ele...me ajudou num tratamento de uma doença muito grave que eu tinha. – disse Die, na primeira coisa que veio a sua mente.

- Mesmo? – a mulher trouxe duas xícaras contendo chá, arqueando a sobrancelha igual seu irmão mais novo.

- É...ele foi uma grande ajuda na minha vida e...me ensinou que não devemos desistir nunca, mesmo quando os outros dizem que você já não tem mais salvação. – as palavras saíram quase atropeladas, mas o ruivo conseguiu deixa-las compreensíveis.

Hikame sorriu, sentando-se de frente para ele, começando a tomar o líquido fervente.

- Entendo...é uma linda mensagem que ele deixou com você.

- E é por isso que...eu acho que você deve dar uma chance ao Kaoru...ele ainda pode acordar.

- Obrigado por vir dizer isso, mas eu já assinei os papéis. Os aparelhos vão ser desligados amanhã. – comentou a mulher, numa pausa, tentando conter suas emoções.

- Não! – disse Die. Ele pigarreou – Você não pode, é, bem... – ele suspirou – Quer saber? O Kaoru está aqui do meu lado, implorando que você não desligue os aparelhos, ele não quer morrer ainda.

A mulher encarou-o, gélida. Kaoru até tremeu com aquele olhar. Daisuke estava encrencado.

Continua...