Banda: Dir en Grey

Pairings: DiexKaoru,

Classificação: Yaoi, Romance


E se fosse verdade... - Capítulo quatro

Die saiu numa corrida louca da casa da irmã de Kaoru, sob a ameaça de uma faca de cozinha nas mãos da mulher. Ele respirou fundo, entrando no carro, vendo o médico transpassar o metal e sentar no banco de passageiro. Sem demora ele ligou o automóvel e saiu de lá a toda. Quando tinha certeza que tinha se afastado o suficiente, ele grunhiu raivoso.

- Sua irmã é tão louca quanto você!

- Desculpe, mas não sou eu que estou conversando com um espírito. – retorquiu Kaoru, cruzando os braços.

O ruivo suspirou.

- Isso é outra coisa que eu não entendo. Porque só eu consigo ver você? Não é como se eu tivesse alguma super sensibilidade ou algo do tipo. Eu já falei com o Hide e ele disse que eu não tenho esse tipo de poder.

- Se você não tem, essa situação é...surreal. – comentou o jovem de cabelos roxos.

- Bom... – ele entrou numa aveninda – Ele tem uma teoria.

- Que seria? – perguntou, agora curioso.

- Ele disse que só eu te enxergo talvez porque eu tenha algum assunto inacabado com você. Mas isso não ajudou muito.

Kaoru olhou para o lado de fora da janela, pensativo. Ele então comentou.

- Eles não podem me deixar morrer ainda. Talvez eu acorde. Talvez não. Mas eu preciso de tempo! – completou exasperado.

Die franziu o cenho, sentindo uma pontada incômoda no coração com aquelas palavras. Não sabia porque, mas agora...não estava tão disposto assim a se livrar do outro. Mentira, ele sabia sim porque, mas não conseguia admitir para si mesmo, pois a hipótese lhe parecia muito absurda.

- Nunca pensei que chegaria um dia desses pra mim? – comentou Kaoru de repente.

- Ahn? Como assim? – comentou o ruivo.

- Meu último dia de vida. Sabendo que realmente vai ser o último.

O motorista franziu o cenho novamente. A tarde morria, dando espaço para as primeiras estrelas surgirem no céu. Então ele teve uma idéia.

- Quero te mostrar algo. – disse Die, entrando numa das ruas de repente.

Kaoru arqueou a sobrancelha, subitamente curioso.

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- Onde nós estamos?

- É uma casa de veraneio de uma cliente minha. Ela não está aqui no momento, mas deixou as chaves comigo quando eu trabalhei aqui.

O médico absorveu a informação enquanto seguia o ruivo para os fundos da enorme mansão, curioso. No que Die trabalhava? E quem era essa cliente? Ele viu o outro abrir um portão de ferro e inclinando a cabeça, um gesto para que o seguisse. Suspirando, ele o fez, entrando no que parecia ser o jardim mais lindo que já havia visto em sua vida.

- Nossa... – disse surpreso – Quem plantou essas flores lindas?

- Eu.

O médico encarou-o surpreso. O outro parecia ter uma nova faceta a cada segundo.

- Vo...cê?

- Sim. Eu sou paisagista. Eu construi esse jardim. – comentou, divertido pelo olhar do outro.

Kaoru foi andando pelo maravilhoso jardim, observando tudo, e franzindo o cenho.

- Estranho...

- O que?

- Eu já estive aqui antes... – comentou. Ele então arregalou os olhos – Eu já estive aqui nos meus sonhos!

Die parou ao lado dele.

- Nos seus sonhos?

- Sim...sempre que eu estava muito cansado no hospital e ia para o meu horário de descanso, eu sempre sonhava com esse jardim. É ele, tenho certeza!

- Que estranho... – disse o ruivo, andando até o centro do jardim – As coisas só estão ficando mais bizarras a cada minuto!

- Nem me fale. – disse o médico, sorrindo levemente, para logo em seguido ficar sério – Die...posso te perguntar uma coisa?

O ruivo se aproximou dele novamente, sentando em um banco de madeira, que ficava em baixo de uma frondosa árvore.

- Claro, pergunte.

Kaoru se aproximou e sentou-se ao lado dele no banco, fitando as flores, não tendo muita coragem de encara-lo naquele momento.

- Quando seu amigo disse que...você tinha que deixar outra pessoa partir do seu coração...de quem ele estava falando?

Die suspirou, passando os dedos pelos fios vermelhos, fitando o céu totalmente estrelado naquele momento e respondeu num tom baixo.

- Meu ex-namorado. Ele morreu...há dois anos atrás.

Kaoru voltou seu olhar para ele.

- Eu...eu sinto muito mesmo. Eu não devia ter falado com você daquele jeito.

- Calma. – o ruivo sorriu melancólico – Não tinha como você saber certo?

- E como...ele...você sabe.

- Nós estávamos nos arrumando para sair. Ele sempre reclamava que eu demorava demais para me arrumar – começou o paisagista, sorrindo – De repente ele parou de falar. Eu saí da nossa suíte para perguntar porque o súbito silêncio quando o encontrei caído no chão. Eu o levei até o hospital mas foi tarde. – ele suspirou, sentindo uma lágrima escorrer por seus olhos.

- Derrame súbito?

- É, foi isso mesmo. – concordou Die, encarando o outro – Eu nem pude fazer nada.

O médico sentiu uma dor fina em seu ser ao ver aqueles olhos melancólicos, mesmo que fosse somente um espírito. Ele se aproximou inconscientemente.

- Você devia ama-lo muito.

- Ele era um pé no saco. Vivia falando que eu parecia uma noiva para me arrumar, que eu era desorganizado e tudo mais. – comentou o ruivo num falso sorriso, que logo cedeu lugar para um soluço doloroso – Ele faz muita falta...

- Ele devia te amar também bastante. Às vezes quando você implica muito com alguém é porque... – ele suspirou, sabendo que estava quase falando de si próprio – É porque você ama esse alguém e só quer que ele fique bem.

Die sorriu levemente e encarou-o.

- Parece alguém que eu conheço.

O jovem de cabelos roxos desviou o olhar e então corou quando sentiu a aproximação do outro, e encarou-o surpreso quando sentiu a formigação do toque da mão de Die na sua.

- Eu consigo...te sentir.

- Eu também.

Nenhum dos dois falou mais nada quando seus lábios se encostaram. Die sentiu um frio intenso percorrer seu corpo, uma sensação de entorpecimento onde seu corpo encostava no espírito. Kaoru por sua vez, tremeu pelo formigamente daquela boca junto a sua e desejou mais que tudo naquele momento que estivesse no seu corpo novamente.

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Die espreguiçou-se, sentindo seu corpo protestar pela posição que dormira naquele banco de madeira. Ele levantou-se, mexendo os ombros e pescoço, sentindo-os estralar.

- Die?

Ele quase pulou de susto pela voz baixa do jovem de cabelos roxos ao seu lado e então ergueu-se, espreguiçando-se.

- Vamos indo Kaoru.

O espírito piscou.

- Vamos aonde?

- Eu tive uma idéia de como fazer você viver.

- Como?

- Eu vou sequestrar seu corpo do hospital.

- O que?! – exclamou o médico, levantando-se também – Ficou louco?!

- Quase. Anda, temos que chamar a pessoa que vai nos ajudar. – comentou o ruivo, já indo em direção a saída.

- E quem vai ser louca o suficiente para te ajudar a sequestrar um corpo em coma do hospital?

Die apenas sorriu.

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- Nunca me envolvi numa aventura assim, vai ser demais!

- Tinha que ser ele, claro. – resmungou Kaoru, cruzando os braços.

- O Hide sabe como isso é importante, não sabe? – comentou Die, dirigindo a toda em direção ao hospital.

- Não se preocupe senhor espírito, logo seu corpo estará a salvo.

- Com vocês dois na missão? Eu temo pelo meu corpo.

O ruivo riu e numa freada brusca, ele estacionou a van que tinha alugado para levar o corpo sem suspeitas. Eles saíram rapidamente e sem cerimônia foram entrando no depósito de equipamentos.

- Certo, Kaoru, o que eu preciso?

- Um tubo de respiração...ahnm, um aparelho que monitore meus batimentos...

Hide foi ajudando enquanto observava o amigo, sorrindo por ve-lo daquela maneira, coisa que não acontecia a dois anos.

- Tudo pronto?

- Sim. Coloca esse jaleco Hide e vamos!

Eles logo foram andando pelos corredores quase vazios como se fossem residentes e logo entraram no quarto onde o corpo de Kaoru estava. Ao se deparar com o corpo Hide arregalou os olhos.

- É ele!

Die e o espírito o encararam.

- Você conhe ele? – perguntou o ruivo.

- Cara, que coisa é o destino! – o home de cabelos rosas riu – Ele era a pessoa que eu ia te apresentar naquele encontro às cegas três meses atrás!

- O que?! Mas como você...o conheceu?

- Eu fiz faculdade com a irmã dele. – respondeu o homem.

Die fitou o espírito e a compreensão tomou conta de seus olhos.

- Por isso só eu consigo te enxergar! Era para nos encontrarmos aquele dia!

Kaoru ia retrucar algo quando ouviram uma batida na porta. Ele arregalou os olhos.

- Deve ser minha irmã!

- Hide! Anda, distrai a irmã do Kaoru, eu tenho que tira-lo daqui.

- Pode deixar.

O homem de cabelos rosas abriu a porta, saindo do quarto e exclamou.

- Hikame! Há quanto tempo.

Assim que ouviu as vozes se afastando, o ruivo colocou o corpo na maca e foi saindo do quarto, caminhando calmamente pelo hospital. Ele virou numa das curvas e logo deu de cara com o médico superior de Kaoru, Yoshiki.

-Hey, o que está fazendo?

Sem pensar muito ele empurrou a maca contra o médico loiro, desviando dele e começando a correr com a maca, sem perceber que o aparelho de respiração caíra no chão com seu golpe. Logo seguranças começaram a correr atrás deles e Die se viu cercado. Ele abaixou o rosto e viu que as batidas do coração do médico estavam enfraquecendo.

- Onde está o aparelho de respiração?

- Deve ter caído. – exclamou o espírito. Ele fitou o ruivo e começou a desaparecer – Die...eu estou...sendo puxado pela luz.

- Não, Kaoru, não! – exclamou o ruivo – Resista por favor!

Sem pensar em mais nada, ele inclinou-se e beijou-o nos lábios frios, franzindo o cenho. Foi quando os seguranças o agarram e o afastaram de lá. Hikame chegou com Hide logo atrás dela e arregalou os olhos pela cena.

- Kaoru otouto!

Ela se aproximou e arregalous os olhos. Kaoru abria os olhos lentamente, ainda confuso.

- Nee-san?

Ao ouvir aquela voz fraca, Die se desvencilhou dos seguranças e se aproximou, sorrindo largamente.

- Kaoru, você acordou! Graças a Deus, eu achei que perderia você e... – ele foi parando de falar ao ver a confusão nos olhos amendoados – Você...não me reconhece?

- Não...quem é você? – disse um confuso jovem de cabelos roxos.

Die se afastou. Ele fitou a irmã do outro, que o encarava com pena e depois o amigo de cabelos rosas. Então sorriu melancólicamente.

- Só alguém...que está feliz por estar vivo.

Ele virou as costas e tirou jaleco, se afastando, franzindo o cenho enquanto sentia lágrimas traidoras escorrerem por seus olhos.

Continua...