Recomeçando
Disclaimer: Kurumada foi o gênio que inventou Saint Seiya. Esta história não possui fins lucrativos. É puro divertimento, pode crer.
Sinopse: Tudo mudou, mas ela ainda é apaixonada por ele, que não a enxerga nem como a velha amiga de antes. O que eles não contavam é que aquela amizade iria voltar a radiar suas vidas e dar início a um intenso amor.
Shipper: Seiya e Saori (A história gira em torno destas personagens).
Capítulo II
Hipnotizada
Música: Anytime - Kelly Clarkson
"Anytime you feel
Like you just can't hold on
Just hold on to my love
And I'll help you be strong"
Mais uma vez ela tinha se calado. Estava quase chegando ao ponto devastador de comentários e não agüentou até o final. Ele ganhou mais uma vez. E parecia ter ficado contente com isto. Vamos dar-lhe os parabéns por conseguir ser tão grosso e, ao mesmo tempo, irresistível. Saori contava a história para as amigas, sempre soluçando. Eiri escutava cada palavra que a amiga pronunciara espantada. Não esperava isto de Seiya. Shunrei ficou quieta, mas também se chocou. Juni começou a xingá-lo de todos os nomes existentes e Esmeralda acompanhava tudo calada, mas demonstrava raiva em seu olhar. As coisas chegaram ao máximo para as garotas e elas não iriam permitir que isto continuasse.
- Meu, porque será que ele não se liga? - Juni exclamava, mais irritada do que o normal. - Ele não tem o direito, e o que me deixa nervosa é que você não retruca! O que te faz agir assim?
- Juni, relaxa. Foi só mais uma para a coleção. Sabe galera, estou pensando em fazer um álbum de figurinhas. Cada uma delas contem uma cena das eternas brigas que eu tenho com o Seiya. Quem sabe eu ganho um dinheiro com esta minha nova empreitada. - Saori retorquiu, sarcástica, fazendo as amigas darem risadas entristecidas. - E então, quem tá nessa comigo?
- Saori, não! O que nós realmente temos que fazer é mostrar para aquele pavão inútil que você tem sentimentos. - Eiri disse a amiga, abraçando-a. - Ele tem que receber um gelo total e desesperador. Quem sabe ele gosta de perder a pose.
- Na boa - Esmeralda começou. - Daria tudo para vê-lo chorar. Onde já se viu, moleque mais estúpido.
- Que ele é estúpido disto ninguém duvida. Agora o que nós temos que fazer é reeducá-lo. Dar uma lição de moral básica nele. - E foi só Juni terminar de falar que todas as garotas se entreolharam, assustadas. Conheciam muito bem o básico de Juni, que não tinha nada do mesmo. Os planos da loira chegavam a ser cruéis o suficiente para fazer até o mais terrível dos ditadores implorar pela morte.
- Não, é melhor não explodirmos bombas agora. - Shunrei se desatou a falar. Sendo a mais inteligente, todas pararam de conversar para prestar atenção do plano da oriental. - Saori, tomei uma decisão: Você vai ao shopping conosco querendo ou não.
- O QUÊ? - Saori gritou, espantada. Se havia uma coisa que ela decididamente odiava era que tomassem decisões por si. - De jeito nenhum.
- Há, você vai sim. Vamos fazer você se destacar tanto quanto ele.
- Gente, me escuta. Isto não vai prestar. - Ela dizia, desesperada. Não conseguiria ser chamativa. Se tentasse, era provável que se tornasse uma bela piada, e sua situação só pioraria. Mas quem disse que as meninas ligavam? Sabiam muito bem que aquela opinião era resultado da baixa auto-estima de Saori. E tinha outra: era um plano da Shunrei, e sempre davam certo.
- Claro que vai Sa. Viu qual foi a mente que teve a idéia!? - Esmeralda exclamou, animada. - e então, qual é a idéia, Shunrei?
- Muito simples. A Sa, a partir de amanhã vai andar conosco, e não sozinha como ela gosta de andar. Vamos enturmá-la com os garotos, com os professores, com a galera do técnico. Sem contar nas transformações que ela vai sofrer, e que vai começar AGORA! - Shunrei concluiu, ansiosa e decidida. Todas a miravam de um jeito divertido, um tanto quanto malicioso. E começaram as reações: Eiri bateu palmas e abriu um sorriso. Juni começou a pular em cima da cama e soltou vários gritos histéricos de alegria. Esmeralda mordeu o lábio inferior e a raiva em seus olhos foi substituída por uma leve expressão de concordância. Já Saori, ao contrário das outras três, permaneceu assustada.
- E então, o que acham? - Shunrei exclamou, já sabendo a resposta.
- Perfeito! Assim ele vai ter que respeitá-la tanto quanto á nós. - Juni abraçou Eiri e voltou a pular.
- Perfeito, Juni? Tá mais para infração penal. Desculpem-me, mas eu estou fora disso! - Saori gritou a plenos pulmões. - O centro do plano sou eu e não dou autorização para que vocês comecem com esta insanidade. Sabe o que vocês são? Loucas! Inegavelmente loucas!
Por um momento o silêncio reinou no cômodo, mas não demorou e logo o quarteto avançou para Saori, todas com um brilho metálico nos olhos.
- Pois é Sa, somos loucas...
- ...e loucos não medem as conseqüências de seus atos! - As quatro gritaram, fazendo com que Saori risse.
Para variar, elas não ligaram nem um pouco para o que a amiga pensara. Um plano da Shunrei? Ah, não era de se jogar fora. Depositando toda sua confiança nas amigas, Saori resolveu aceitar. E assim lá se vão 5 meninas virando a noite, tentando dar um jeito na timidez que cercava Saori, mostrando-a como realmente é.
"But you're so afraid to lose
And baby I can't reach your heart
I can't face this world
It's keeping us apart
When I could be the one to show you
Everything you missed before
Just hold on now
Cause I could be the one to give you more (let you
know!!)"
Finalmente havia chegado em casa. Colocou os cadernos e livros na cama, que estavam todos misturados e fora de ordem. Resolveu arruma-los para se distrair. Não conseguia pensar em outra coisa a não ser no que disse a Saori. Que ele tinha, afinal? O que aquela menina fazia que o irritava, que o fazia odiá-la? Ela era sua melhor amiga, sempre fora grudado nela. Como o tempo muda tudo. Se fosse á anos atrás ele estaria junto com ela, conversando sobre a brincadeira que eles podiam jogar no recreio. Agora, sete anos mais tarde, ele a maltratara a ponto de fazê-la chorar. Sentia-se horrível, frio, um vilão que queria acabar com o coração de alguém. Mas algo o intrigava: porque ela tinha medo de responder ás provocações, sendo que ela dava uma queimada em qualquer um que se atrevesse? Porque ela chorara ao invés de xingá-lo? Não conseguia entendê-la. Mas enfim, agora não adiantaria. A besteira estava feita.
Organizando os materiais, sempre bagunçados e quase destroçados, estranhou a presença de um caderno intacto, brilhante e impecavelmente organizado. O caderno era de capa dura, adornada por brilhos e lantejoulas. Era um caderno de menina.
De repente, como um vídeo incrivelmente rápido, os acontecimentos do dia vieram em sua cabeça, o fazendo lembrar da trombada com Saori e da mistura dos materiais pelo chão.
Era dela! Aquele caderno todo arrumado era dela!
E agora, como devolveria? Com certeza, depois de sua estupidez, ela não queira vê-lo e se ele ousasse aparecer em sua frente, levaria um belo tapa na cara. Meu deus, o que fazer? Se ela desse pela falta do caderno, com certeza o culparia de tê-lo pego na hora da discussão, e também levaria um tapa na cara. E pior, havia mais uma hipótese: e se fosse o diário? Meu deus, ele estava ferrado. Ele só tinha duas saídas: ou entregava o caderno para sua dona e levava sopapos ou o pegava para si. Mas mesmo se o pegasse ela podia pensar que foi ele. Bom, por via das dúvidas...
- Segunda opção, com certeza. Sou louco, mas não tanto a ponto de dar minha cara á tapa.
Pegou o caderno com cuidado, olhando fixamente. Aquela sua curiosidade... Se fosse o diário da menina poderia descobrir! Que sorte! Mas, pensando melhor... não. Seria mais uma mancada com a garota. Ler o diário? Ler os maiores segredos da menina? Era melhor nem pensar naquela opção. E assim, decidido, colocou o diário dentro de uma gaveta, a trancou e resolveu esquecer-se de que aquele caderno existia.
- Antes implicar com ela do que fazê-la chorar novamente.
Mas e se pedisse desculpas? Será que ela aceitaria? Seria possível que Saori Kido o perdoasse por cada palavra que pronunciara, cada lágrima que chorou por sua causa? Sua causa... Era só ele pensar que a tristeza da amiga era sua culpa que tinha vontade de sair correndo, falar com ela e abraçá-la, como quando eles eram crianças. Mas afinal, o que estava esperando?
- Amanhã! É melhor aproveitar.
"Anytime you need love baby I'm on your side (yeah)
Just let me be the one that can make it all right (I
can make it all right)
Anytime you need love baby you're in my heart
I can make it all right"
Mal o portão do colégio se abriu e grande parte dos estudantes já estava lá, Seiya entre eles. Estava com uma feição que não lhe era comum e demonstrava preocupação e ansiedade. Hyoga o fitou, percebendo a aflição do amigo. Sentou-se ao lado do moreno e não demorou a perguntar o que havia acontecido.
- Seiya. - Ele começou. - Desculpe por ontem, eu não queria ter dito tudo aquilo pra você.
- Que nada, djow. - E ele cotovelou o amigo levemente. - Você estava certo. Eu não pensei nos sentimentos dela.
- Nesta questão eu não tiro a minha razão, mas eu fui muito idiota também. Ao invés de brigar eu tinha que te aconselhar, contar algumas coisas.
- Que tipo de coisas? - Seiya perguntou, curioso. Hyoga arregalou os olhos, mas logo disfarçou. Ele tinha prometido á Saori que não contaria, e assim seria.
- Não, esquece. Eu que ando com a cabeça longe daqui.
- Ah, é claro. - Seiya logo voltou ao tom malicioso de todos os dias. - Na república das meninas, penso eu.
- E você está, por incrível que pareça, certo. - Hyoga concluiu, abrindo um sorriso travesso. - A Juni é bonita, legal, mas não é nela que eu estou pensando.
- Então em quem?
- Na Saori. Sabe Seiya, eu sei que disse que não iria, mas eu tenho que...
Hyoga parou de falar, deixando Seiya curioso. Mas logo ele percebeu o porquê do amigo se calar daquele jeito. Um certo quinteto de garotas vinha na direção deles. Elas andavam de um jeito glamuroso, e por mais que fosse descompassado, para sua mente, estavam no mesmo compasso. Uma delas parou para dar um beijo no namorado, as outras seguiram em frente. Uma loira foi a que lhe chamou maior atenção. Os cabelos ondulados se balançavam com o vento, o sorriso brilhante era tentador, seu jeito de andar e se expressar era, para o moreno, o mais charmoso, e os olhos azul-piscina brilhavam como nunca. Naquele momento, Seiya teve a impressão de nunca iria ver moça mais bela do que a loira. Como estava enganado.
Logo atrás, conversando com uma morena, vinha o motivo. Outra garota, só que esta tinha os cabelos lilás-lavanda com algumas ondas nas pontas. Os olhos azul-celeste davam um charme esplêndido ao semblante da menina, que tinham feições angelicais e doces. Os lábios dela tinham uma leve tonalidade vermelha e os mesmos se contorciam num sorriso aberto e simpático. A bela era parada no corredor por várias pessoas que queriam cumprimentá-la. Seiya deleitava-se com aquela imagem de um jeito tremendo que nem escutou quando a moça loira dirigiu-se a ele.
- Bom dia, Seiya. - Eiri deu um beijo no rosto do moreno, que ainda estava abobalhado com a visão.
- Bom... dia, Eiri. Tá bonita hoje. - ele disse, sem prestar muita atenção na loira. Os olhos ainda fixos na bela que vinha em sua direção.
- Ah, claro. Mas não tanto como ela, não é? - A loira riu triunfante. - Achou ela linda, não é mesmo?
- Esplêndida. Você a conhece? - Ele perguntou, ainda com seus olhos fixos na bela garota de cabelos lilás. - Tão linda, nunca a vi por aqui.
Eiri não agüentou o comentário e caiu na risada. Seiya não tinha reconhecido sua antiga melhor amiga. Nem sequer fazia idéia de quem era, e cada expressão que o garoto fazia dava a loira uma vontade cada vez maior de cair na risada e zoar um pouco o amigo, que estava encantado com a visão.
E garota já estava perto. Tirando o casaco de algodão do colégio, a garota mostrava um belo corpo, adornado pela blusa baby-look e a saia. Nos pés, um tênis delicado que combinava perfeitamente com a roupa. A menina era só sorrisos, e os olhos expressivos se mostravam seguros. Isto só fez com que Seiya se apaixonasse ainda mais pela imagem. Já estando bem próxima, a garota se dirigiu até Hyoga e plantou-lhe um beijo no rosto. O loiro também estava abobalhado, mas não era com Saori. Eiri estava maravilhosa. Nunca tinha notado o quanto a francesa era bonita. O beijo que havia ganhado de Eiri foi bem no canto da boca (leia-se: na trave), o que fez o garoto suar um pouco. Logo depois vinha Juni, que vinha, já decidida, dando logo de cara um selinho bem preciso. Aquele gesto inesperado fez com que Hyoga esquecesse completamente de Eiri, voltando suas atenções para a Juni. Abraçou a loira pela cintura, como todas as manhãs, só que desta vez, com uma vontade bem maior. Juni não sabia do interesse da amiga por Hyoga, portanto sorriu para as amigas, achando que estava fazendo algo normal. Eiri, ao invés de corresponder ao ato da amiga, apenas bufou e encarou os olhos azuis do loiro, que não entendeu absolutamente nada.
Desta vez o beijo no rosto era para Seiya. Após depositar o beijo na face levemente corada do moreno, Saori foi cumprimentar os outros garotos. Shiryu se impressionou com a amiga, e logo abriu um sorriso para cumprimentá-la. Shun, por outro lado, permaneceu da cara fechada. Não agüentava sua melhor amiga de agarro com Hyoga. Já estava quase no limite quando Juni se dirigiu á ele.
- Oi Shun. - E se dirigiu de braços abertos para o amigo. Juni fechou os olhos e o abraçou carinhosamente. De um lado, a loira sorria e o abraçava cada vez mais forte. Shun, do outro lado, se mordia. Não tinha controle sobre o seu ciúme e não pensou duas vezes: afastou Juni de si e saiu andando.
Juni não entendeu absolutamente nada. Virou-se para Hyoga magoada, quase chorando. O loiro a abraçou e continuou olhando o amigo, que andava sem sequer olhar para trás. O resto do grupo se virou para mesma direção e fitava o companheiro que ia para longe, sem entender também. Só Shiryu lascou um olhar de reprovação para Hyoga, que respondeu com expressão de "não-fui-eu".
- O que deu nele? Não entendi. - Juni sussurrava, ainda com o rosto escondido no peito de Hyoga.
- Eu também não saquei. - E levantou o rosto da loira, que tinham uma expressão tristonha. - Mas não fica assim, deve ser frescura. Vai ver ele não conseguiu alguma coisa e deve estar um pouco nervoso.
Voltando para Seiya, este ainda estava com os olhos fixos na fisionomia alegre da menina. Ela sorria e conversava com Shiryu animadamente, fazendo com que o garoto sentisse uma inveja tremenda do oriental. Quem me dera, Shiryu.
Eiri, apesar de sua irritação, virou-se para Seiya e soltou uma sonora gargalhada. Sabia perfeitamente que o amigo não tinha lá muito cérebro, mas não reconhecer a menina com quem estudou a vinda inteira? Ela não podia crer.
- Então vocês - e ela apontou para os dois - se cumprimentaram educadamente depois de anos de brigas? - Ela dizia, em alto e bom som, para que o colégio inteiro ouvisse.
- O... o quê? - Seiya perguntou, atônito. Não tinha captado o que a menina quis dizer e, se entendesse, na certa teria algo aproximado de um choque.
- Isso mesmo que você escutou. Porquê? - ela ironizou, quase rindo. - Não reconheceu a Saori, Seiya?
E ele estava certo. Um choque intenso passou por todo seu corpo, fazendo sua respiração acelerar. Abriu e fechou a boca várias vezes, procurando palavras para expressar sua surpresa de uma forma sutil. Se naquele momento se mostrasse alterado, com certeza Eiri gargalharia de sua reação. Ele não podia negar: a última coisa que queria era que a loira tivesse certeza de que conseguira atingí-lo em cheio.
Saori estava mais nervosa do que o normal. Apesar da expressão cética em seu rosto, por dentro estava uma pilha. Estava com medo de não conseguir manter o ar de superioridade por muito tempo. Antes de dar o primeiro passo em direção aos amigos, ela lançou um olhar de canto para Seiya, que se mostrava um tanto quanto nervoso com as palavras de Eiri. Enfim, ela limpou a garganta, respirou fundo, sorriu de canto e se dirigiu a eles, decidida.
- Não o torture, Eiri. - Ela afirmou, de um jeito tão desdenhoso que Seiya pensou duas vezes se iria pedir desculpas pelo acontecimento do dia anterior. A garota se dirigiu a própria amiga friamente, imagina para com ele? Preferiu a opção de não falar. Grande erro. Saori virou-se para ele e com o mesmo tom, alfinetou: - Onde estão as palavras, Seiya? Pensei que você fosse um cara direto, que fala tudo o que lhe vêm à cabeça, mesmo que acabe magoando os outros. - E falou a última frase com toda a vontade que tinha.
-Ui. Esqueci que isto era seu papel, Sa. - E a loira desatou a rir novamente, seguida por Shunrei e umas risadinhas pouco animadas de Juni.
Seiya abriu a boca e logo depois, soltou um riso num tom de incompreensão. Os pensamentos encantadores que teve pela menina desapareceram de sua mente, e o que tinha na cabeça era o que achava que era seu dever: Pedir desculpas e depois virar as costas. Assim, não suportando mais ser piada na boca das garotas, ele mudou sua expressão de interrogação para uma ironia definida. Deu umas risadas para acompanhar as meninas e logo terminou: - Esperem um pouco garotas, eu preciso trocar umas palavrinhas coma Saori aqui. - E puxou a menina pelo braço de um jeito tão feroz que, com certeza, ficaria roxo depois de um tempo. A garota se debatia o tanto que podia, mas o garoto era bem mais forte. Ele a levou para trás do pátio, perto de uma torneira, soltou o braço da menina com uma brutalidade tamanha, fazendo com que ela quase trombasse para trás. Saori ficou espantada com a atitude do garoto e não ficou quieta, como das outras vezes.
"I look into your eyes
And I feel it coming through
I can't help but want you more than I want to
So baby take all of you fears
Cast them all on me
That's all I ever wanted was just to make you see"
- Quem você acha que é, idiota? - Ela gritou, nervosa, se segurando muito para não dar um merecido tapa na cara do moreno. - Meu pai?
- Isto eu não sei, eu só quero que você pare com este show ridículo que você está dando lá no pátio! Onde já se viu, vir de saia pra escola, de baby-look, se mostrando para os garotos com esse seu jeito metido. Sem contar o jeito que você me tratou. Fez com que os outros rissem da minha cara e isto - ele respirou para continuar com a bronca - eu não admito.
- Há, claro. Caso você não saiba você não é meu pai nem meu namorado para falar das roupas que eu uso ou deixo de usar. O colégio fez um uniforme deste jeito e se eu quero deixar a calça de lado para usar a saia, isto não é da sua conta. E eu não te devo respeito algum, você não é nada meu. Você também faz com que riam de mim, não é mesmo? E vou te contar uma novidade: a partir de hoje eu não vou admitir com que você faça com que riam de mim. Eles vão ir comigo - ela se aproximou mais, e não percebeu que a distância dos dois era extremamente curta. - de você.
Ah, mas aquilo foi a gota d' água para os ouvidos de Seiya. Nervoso e, de certo modo, assustado, ele foi diminuindo a distância entre os dois e disse na cara da garota:
- Eu sabia. Só faltava ferirem o seu maldito ego para se tornar o que eu já suspeitava. - e estavam tão perto que o hálito fresco do garoto era quase palpável. - Você é uma garotinha mimada e fácil.
Aquelas palavras foram como um tapa bem no meio da cara e, sem controlar mais suas vontades, ela levantou mão e o acertou em cheio no rosto, fazendo com que a dor que sentia no momento fosse, de certo modo, dele também.
- JÁ CHEGA! EU NÃO ADMITO QUE FALEM COMIGO DESTE JEITO! - Ela gritou a plenos pulmões. Não esperava que ele tivesse mudado tanto. - E TENHA CERTEZA DE UMA COISA, SEIYA: EU NUNCA MAIS QUERO VER A SUA CARA NA MINHA FRENTE! - Ela ia empurrá-lo na parede e sair andando, mas ele, num gesto muito mais rápido, a imobilizou. E não se conteve: abraçou Saori forte. A garota também parecia não estar mais com a cabeça ali, porque o abraçava também. E assim, depois de muitos gritos, ela já estava fraca. Desmaiou nos braços do antigo amigo. Mas antes de apagar, ele pode ouvir um sussurro baixíssimo, que o moreno fez questão de pronunciar, ao pé de seu ouvido: - Desculpe.
"But I could be the one to heal you
All that you've been searching for
Just hold on to my love
And baby let me give you more"
- Hyoga, eu vou tentar falar com o Shun. Ele deve estar irritado e, mais do que nunca eu preciso falar com ele. Estou preocupada. - Juni falou, um pouco mais calma, depois de chorar algumas lágrimas com o atual ficante. - Te vejo depois?
Hyoga torceu o nariz, mas acabou concordando. Não tinha o direito de interferir nas amizades de uma garota que nem sua namorada era, e assim, dando um beijo com vontade na loira, deixou ela ir. Como Ikki e Shiryu foram terminar de fazer a lição de casa nos bancos da cantina, Esmeralda estava com o namorado e Shunrei acompanhou Juni para achar Shun, Hyoga e Eiri acabaram por ficar sozinhos no meio do pátio. A loira resolveu entrar para a sala adiantada e deixar os materiais por lá, acompanhada pelo russo. Depois de arrumarem suas coisas nos respectivas classes, eles sentaram no chão do corredor vazio
Eiri estava um tanto quanto irritada com as cenas que tivera que presenciar no pátio. Detestava quando tinha que assistir cenas de romance entre Hyoga e Juni. Claro que, até aquele dia, nunca tinha presenciado algo á mais do que abraços e carinhos. Mas o que tinha rolado há pouco, para seu coração era inadmissível e para o seu orgulho, devastador.
Hyoga parecia nem perceber o efeito que sua, podemos dizer, galinhagem tinha causado em Eiri, muito pelo contrário. Achava que a garota não estava nem ai. Já foram amigos, dançaram a formatura da oitava série juntos mas... Ah, era só impressão. Eiri não gostava dele. Ela queria alguém que pudesse construir um relacionamento perfeito, e ele não se encaixava nos quesitos.
Ah, mas não podia negar: Eiri era uma das garotas mais lindas do ano. Os cabelos ondulados iam até um pouco mais abaixo da altura dos ombros. Os olhos azul-piscina tão doces e os lábios tão perfeitamente desenhados eram um convite tentador para qualquer garoto. Qualquer garoto...
Será que, enquanto Juni não estava por perto, Eiri daria uma atenção para ele? Bem, não custa nada verificar.
- Eiri? - Ele a chamou com a voz rouca, um tanto quanto sensual. Eiri apenas apertou o casaco que estava no seu colo, como se estivesse se segurando para não fazer algo que se arrependeria depois.
- O que foi, Hyoga? - Ela disse, um pouco ofegante. Sua respiração estava cada vez mais freqüente e seu coração tinha disparado. Era como uma maratona para ver quem era o mais rápido. - O que você quer?
- Nada. - E colocou sua mão no ombro da menina, e aquilo fez com que uma vertigem gostosa invadisse o corpo de Eiri, que estava cada vez mais nervosa. - Só conversar.
A garota não percebeu mas, em um gesto bem respeitoso, o loiro pousou a mão em sua cintura e a ajudou a levantar. A mão que se mantinha em seu ombro deslizou pelo seu braço, até a sua mão. Ela, num impulso que não conseguiu segurar, pegou na mão dele. Ela o olhava como se estivesse hipnotizada. Seu corpo não obedecia e ela se sentia inútil. Suas pernas bambearam com o perfume cítrico dele. Meu deus, porque todos os momentos que ela passava com ele eram maravilhosos? Ai...
Eles estavam no mesmo ritmo, aparentemente. Mas por dentro, cada um tinha uma sensação diferente. Eiri estava mais nervosa do que o normal, superando seus próprios limites. Hyoga estava adorando toda aquela expectativa por parte da loira, apesar de não entender nem um pouco aquela reação. Ele continuava com a idéia que tivera inicialmente, de verificar se ela poderia lhe dar uma atenção especial, enquanto Juni procurava seu melhor amigo.
Ele a conduziu para dentro de sua sala, que no momento estava vazia, com muito respeito como sempre. Hyoga era um garoto misterioso, de fato. Tinha todas as meninas aos seus pés desde pequeno, e sempre soube lidar com isto. Era muito exigente e só escolhia as melhores, de boa índole, não como Seiya, que ficava com qualquer garota bonita que aparecesse em sua frente. Eiri passou a vida ouvindo frases como "ele beija muito bem" ou "me senti no paraíso nos braços dele", o que a deixava com um ódio que chegava até a doer. Outra coisa que também sabia a respeito do loiro era que quando ele estava com uma, nunca ficava com outra. Ela não tinha percebido o quanto eles estavam perto, porque tinha se perdido naquele oceano que era o olhar de Hyoga. Pois é, parecia que, naquele momento, Hyoga esquecera a regra.
Ele a levantou pela cintura e a colocou sentada na mesa de vidro que havia na sala. Em um gesto involuntário, Eiri entreabriu as pernas, fazendo com que o loiro se acomodasse. Ela não tinha idéia do que estava fazendo, ah não tinha mesmo. Seu corpo estava ali mas sua alma parecia ter se confundido entre as duas facetas de Hyoga: A do príncipe encantado e a do galanteador sedento por luxúria. Estava, resumindo, se sentindo um fantoche, que obedecia a cada toque, a cada respiração.
Como se estivesse lidando com uma jóia extremamente preciosa, Hyoga tirou as mexas loiras que teimavam em cair sobre o semblante da menina. Ela ficava mais linda do que o normal naquele jeito hipnotizado. Mas ele continuava na luta para decifrar aquela atitude. Será que aquela impressão...? Será que ele estava certo, afinal? Não, não, ele estava enganado. Bom, enganado ou não, estava gostando daquele momento. Sem pensar duas vezes, ele a puxou pela nuca vagarosamente. Já estavam tão perto que quem visse poderia pensar que eles eram um só.
Ela foi correspondendo, sua boca indo ao encontro da dele.
Naquele momento, ela se sentia no auge.
Sua respiração chegou no limite, e então, percebeu o momento.
Eiri brecou Hyoga, posicionando suas mãos nos ombros do garoto e o empurrou.
Ela se recompôs ao estado de minutos atrás. Teve a impressão de que algo havia caído no chão, mas devia ser por causa do nervosismo. O fitou novamente, mas não aguentou. Saiu correndo.
- Eiri. Ah, meu deus! Um dia essa garota vai me deixar louco. - Ele disse, travesso, ajeitando o casaco.
O sinal tocou, e logo todos os alunos começaram a subir para as salas. Ele se dirigiu até a porta com um sorriso maravilhoso no rosto, até que sentiu ter pisado em algo, e não estava errado. Foi até o chão e achou um colarzinho de cristal azul em forma de coração, e com uma surpresa estampada no rosto, exclamou:
- Ela ainda tem isto!
"Anytime you need a love baby I'm on your side
Just let me be the one that can make it all right
Anytime you need a love baby you're in my heart
I could make it all right"
N/A: Olá, gente! Muito tempo, eu sei. Estive viajando e voltei ontem, então atualizei isto aqui o mais rápido que pude. Queria agradecer a minha irmã por gostar deste capítulo, e eu também fiz umas mudanças básicas no primeiro, mas pouco mudou. Espero que curtam este também. E eu estou feliz! Recebi review de uma peruana o/
Legal que a fic agrade aos estrangeiros. Bom, eu vou ficando por aqui. Obrigada pela colaboração! Por favor, deixem reviews!
Joannah: Estúpido ao extremo, eu também concordo --' Acho que eu me inspirei num amigo meu do colégio pra fazer o Seiya. Mas pode crer que isto é momentâneo. Eles tem 17 anos, mas ainda são jovens demais e então acaba por tomar atitudes erradas. Todos nós temos o direito de ser inconseqüentes, não é mesmo:P Quanto a morar numa república, eu coloquei um gosto meu na Juni. Gostaria muito de ter um lugar longe de adultos me mandando lavar louça. Mas enfim, é a vida!
Eu vou continuar sim, e obrigada por gostar!
Flor de Gelo: Dedo da ficante? Hum, pode até ter um pouco de influência dela sim, mas posso te revelar algo? Ela não é tão má. É como eu disse, no começo os personagens são de um jeito, mas eles podem mudar e muito, e ela é uma das personagens que vou trabalhar. Espero que goste deste capítulo!
DianaD: Hola :D Espero que entiende un poco mi español, es que no soy tan buena en esta lengua¡Gracias para tener gusto la fic! Me plazco para la gente de otros países leer. ¡Era realmente muy bueno¡Gracias! Él es, más frente del pra todo va a tener una contestación, y entonces vas tú ver un cambio en las actitudes del Seiya. ¡Voy a continuar sí y muchas gracias por su apoyo!
Beijos a todos!
