Capítulo 5 – Cortina
- Aquela professora vai pensar duas vezes antes de me mandar pra diretoria de novo. – falava Foca, adentrando vigorosamente pela porta de casa.
- Como ela fará isso se você a matou? – perguntou a figura fantasmagórica que sempre flutuava ao seu lado.
- Shinigami, você é muito burro! Eu estava sendo sarcástico.
- Já falei para você tratar-me com mais respeito.
Foca ignorou o comentário e jogou-se no seu velho e surrado colchão. Sua cara de buldog emburrado destoava com um nojento estrangeiro sorriso incrustado nos lábios. Movendo grosseiramente seu corpo pelo quarto tateou pelo seu laptop e o inicialisou.
Depois de um dia suado de 'trabalho' ele estava com vontade de chamar alguma mulher para casa ou marcar com os caras para beber. Caso não tivesse ninguém, ele ainda tinha o Death note e os Olhos. Podia simplesmente sair pelas ruas matando algumas pessoas feias. O que não dava era ele ficar em casa sem fazer nada.
Seus planos mudaram quando ele deu uma olhada no Comuna, um site de relacionamentos e amizades pela internet, e viu seus recados. No topo de sua lista de recados estava o chamado ao dever. Um chamado que, para todos os membros do KK, era irrevogável e irrecusável. Era um chamado do líder.
O Kira's Kult é dividido em vários setores, sendo que cada setor tem seu líder e cada líder tem seus comandantes subordinados, que por sua vez tem seus soldados subordinados. Os setores, para fácil reconhecimento, são divididos em letras.
Depois de conseguir o Death note, Foca evoluiu muito no KK. Claro, ele matou todos os seus comandantes e tornou-se o único na linha de sucessão. Foi muito engraçado ver o rosto de espanto dos outros soldados quando viram ele, considerado o mais idiota membro da KK, se tornando um dos comandantes do grupo K.
E desde que fora nomeado comandante, Foca tem esperado o líder do setor K, conhecido também como K, contatá-lo para conhecerem-se pessoalmente. E agora finalmente devia ter chegado a hora, pois no topo de sua lista de recados havia um que havia sido enviado por um indivíduo de nome K, que dizia o seguinte:
- Fábio Carlos Pedrosa, devemos nos encontrar para oficializar sua nomeação para comandante.
Um sorriso efusivo espalhou pelo rosto marcado do rapaz truculento que respondeu imediatamente a mensagem:
- Blz, vamo marca 1 dia. Soh me manda uma prova d q vc eh K.
Após sua resposta muito bem escrita, Foca preparava-se para ligar para seus amigos e sair para beber, quando viu que sua mensagem já havia sido respondida.
- Ligue para um comandante do setor K. e pergunte a ele o meu número. Eu estou esperando sua ligação.
Impressionado com a rapidez em cuja mensagem fora respondia, resolveu ligar imediatamente para a central. Ao identificar seu número de registro na KK, o interlocutor disse-lhe o número do líder. Logo em seguida, ligou para K.
- Alou, disse uma voz distorcida e mecânica do outro lado da linha.
- K? É você? – perguntou Foca, com a voz trêmula de nervosismo, apesar de tentar fingir confiança.
- Sim.
- Então meu líder, fala ae o dia que tu quer marcar.
- Antes de falarmos os pormenores, irei indagá-lo sobre assunto mais importante. Eu sei sobre o caderno. – do outro lado da linha Foca tremeu na base.
- Caderno?
- Sim. Você tem sido vigiado, Fábio.
- Estou sabendo de nenhum caderno – tentou ele, em vão, evadir-se.
- Não adianta mentir. Temos fotos. Temos provas. Sabemos até que você matou outros companheiros.
- Cara, vá pa porra! Não tenho porra nenhuma de caderno!
- Se você não cooperar, seremos obrigados a te matar.
Foca gelou. Mesmo com os Olhos, ele não é capaz de deter uma operação de extermínio da KK. A eficiência de suas técnicas de eliminação são implacáveis. Ele sabia disso. Afinal, ele mesmo já havia participado de tais missões várias vezes.
- Calma, calma, não é preciso forçar.
- Pois bem Fábio Carlos, você irá fazer o que eu mandar caso não queira morrer. Escute bem: sabe quem é L?
- Sim, o detetive? O que que tem esse viado?
- Ele está mordendo seus calcanhares. A qualquer momento você pode ser abordado por um grupo policial e ir preso.
- O que? Como ele me achou?
- Porque você é uma besta. Agiu como um elefante bêbado. Mas não temos tempo de discutir agora suas esdrúxulas e ridículas falhas. Temos que impedir L de conseguir pegar o Death Note.
- Só o Death Note? E a mim??? – Foca estava indignado. Sua voz tremeluzia de medo.
- Se ele pegar o Death Note será o fim de todos nós, incluindo você. Ouça-me, você terá de seguir uma rotina diária a partir de agora. Terá de ir sempre pelos mesmos caminhos e mesmos lugares. Assim, nós podemos protegê-lo.
"Outra coisa, deverá levar o Death Note para o Quinto Albergue. Precisamos fazer umas experiências com ele. Com os resultados, poderemos inventar um plano para pegarmos L. Fora isso, não tenho mais nada a lhe dizer"
- Espere! Vocês vão tomar o meu Death Note? Está maluco? E mais... quando é que serei nomeado oficialmente como comandante?
- Calado, besta ignóbil. Você jamais será um comandante da KK. Dê graças a Kira por estar ainda vivo. E se você não seguir minhas ordens, considere-se mortos. Seja por minhas mãos, ou pelas mãos de L. Manterei contato pelo comandante Koro. Até mais.
- Mas? Mas? Espere!
Tú tú tú tú... do outro lado da linha, K. desligou. Enquanto Foca descarregava sua ira em murros nas paredes do quarto, T. sorria vitorioso do outro lado. Com Foca sendo vigiado pelos atiradores de elite da KK, só com um exército L iria conseguir prendê-lo. E logo logo T. iria ter em mãos o Death Note, e assim poderia conversar com o tal Shinigami.
T. ainda é muito descrente da existência de um tal "deus da morte". Se ele realmente existir, tem muitas perguntas a fazer, especialmente sobre o tal caderno. Depois de respondidas suas perguntas, colocaria em prática seu novo plano e L iria deixar de existir.
Fechado em seu quarto escurecido, T. olhava pelas brechas da cortina, vendo o sol brilhar bonito, alegre, convidativo. Era o sinal de sua inevitável vitória.
Enquanto isso, entretido com uns bonecos e carrinhos, Near esperava paciente a chegada de Gevanni, que traria os dados que ele requisitou. Não tardou e logo estava o homem ao seu lado, pronto para falar seu relatório:
- L, começou ele, consegui descobrir o número o qual Fábio Carlos ligou.
- Hum... conseguiu rastrear a localização?
- Sim.
- Aquele tal de K que o contatou pela internet pode ser um impostor tentando conseguir o caderno. Contudo, duvido muito que a KK esteja sujeita a falhas tão grosseiras em sua segurança. Eu imagino que, ao invés de ser um impostor, esse K seja realmente um dos líderes da ordem terrorista. – Near falava entediado, batendo desestimulado um boneco no outro.
"Esse K deve tê-lo avisado que L está atrás do Death note. Provavelmente deve ter ameaçado Fábio, obrigando-o a seguir suas ordens. Considerando o temperamento agressivo de Fábio, apenas com agressividade é possível controlá-lo."
"Agora devem haver vários agentes prontos para proteger Foca e o Death Note"
- E o que faremos L, perguntou Gevanni, ainda devemos mandar as forças especiais prenderem-no?
- Não. Vamos esperar um pouco. Se nós prendermos o líder, prenderemos Fábio.
- Como assim?
- Vamos encontrar, e prender, o K – Near jogou os bonecos num cesto, alcançando um chocolate e lentamente mastigando-o – Assim, estaremos tanto nos livrando de uma barreira para alcançarmos o Death Note, quanto de uma peça chave para desmantelar a KK.
"Devemos apenas descobrir como montar esse quebra-cabeças"
Near levantou-se dirigindo-se, encurvado, para a saída. Seu chocolate havia acabado, e ele precisava de mais para poder continuar sua linha de pensamento e arquitetar um plano. Logo, tudo estaria arranjado.
Conforme os dois lados bolavam planos, só uma coisa ficava certa: Quando as cortinas forem levantadas, haverá apenas um ganhador.
Próximo capítulo
Capítulo 6 - Movimento
Near tenta capturar Foca e o Death Note, mas a KK está de guarda
