Capítulo 6 – Movimento
"Chegou a hora", pensava Foca "Vamos fazer logo isso para tirar esse problemas das minhas costas". Alcançou a mochila jogada num canto sujo da sala e caminhou para fora de casa. O shinigami o seguiu impassível, mastigando ruidosamente um chocolate.
Bem longe dali uma figura encurvada entretia-se construindo pacientemente um enorme castelo de cartas. Quando uma outra figura bem mais alta adentrou violentamente o cômodo o enorme edifício de cartas ruiu, e Near virou-se para encarar o recém chegado:
- O que foi Lester?
- L, o Baka Kira está se movimentando. E ele está com o Death Note.
Os olhos de Near brilharam. Rapidamente sua mente trabalhava buscando explicações para tal ocorrido. Haviam grandes chances que ele estivesse indo se reunir com K. para poder passá-lo o caderno mortal. Ao mesmo tempo, aquilo podia ser uma cilada. Vendo todos os pontos de vista, Near tomou a decisão que achou mais sábia:
- Ponha a imagem dele no televisor e coloquem os agentes para segui-lo.
Numa faísca de momento o enorme televisor central acendeu num flash e uma imagem de satélite com alta definição de Foca apareceu na tela. Com os olhos brilhando Near abriu uma barra de chocolate e avidamente começou a devorá-la. Tudo que devia fazer era esperar e observar. Havia muita coisa em jogo, e muita coisa a ser considerada.
Se houvessem muitos agentes da KK de guarda seria impossível fazer um ataque sem um batalhão bem treinado. Claro, ele até poderia arranjar um, mas não era de seu feitio uma manobra agressiva e impetuosa. Além do mais, ele não iria arriscar a vida de seus agentes numa manobra altamente suicida.
Conforme a figura de Foca caminhava pelas ruas, Near procurava um jeito de abordá-lo antes que chegasse em alguma das muitas bases da KK. Se isso acontecesse não poderia fazer mais nada, por enquanto. O tempo corria velozmente, conforme Near sentia o Death Note pouco a pouco escorregando de suas mãos.
- Rápido Lester, trace a rota dele e me diga qual o seu destino, suspirou Near.
- Sim Near. Pelo mapa, ele está fazendo uma rota diferente da convencional que tem feito nos últimos dias e está se dirigindo para a Quinta Bancada.
- A Quinta Bancada é uma das bases de operação do setor K do Kira's Kult.
- Sim L.
- Se ele chegar lá, não poderemos invadir sem uma enorme força-tarefa.
Near amassava o papel do chocolate comido, enquanto enrolava os cabelos enegrecidos com os dedos. O que fazer? Nada. Nada podia ser feito. Aquela situação era insolúvel, e tudo que ele podia fazer era observar o Death Note caindo nas mãos de um dos líderes da KK, provavelmente um homem cruel e perigoso. Conforme sua mente buscava por respostas, Near se perguntou o que Mello faria?
- Ele detonaria uma bomba na Quinta Bancada, falou Near alto, sem perceber que estava pensando alto.
- O que você disse L? perguntou Lester, confuso.
Near ficou em silêncio. Não, ele não iria fazer isso. Ele não iria recorrer às técnicas de Mello. Contudo, apenas uma manobra agressiva e inconseqüente poderia ter algum efeito naquela situação. Além do mais, se ele explodisse a Quinta Bancada, só criminosos seriam mortos. Não seria um grande desperdício, seria?
Pare! No que está pensando?? Quem era ele para julgar-se acima dos outros? Não! Estava errado. Muito errado! Ninguém está acima da lei. Todos tem direito de escolher sua justiça. E por mais que quisesse o Death Note, Near jamais iria detonar a bomba. Portanto, o que fazer?
Foca virava a esquina, e seu destino estava cada vez mais próximo. Logo tudo estaria perdido para Near. O que L faria? Ele iria... tentar pegar o Death Note mas sem fazer algo tão inusitado quanto explodir uma bomba. Ele iria...
- Lester
- Sim Near?
- Mande o esquadrão cercar Foca e atacar. Está vendo aqueles homens, disse Near apontando no painel alguns caras mal incarados, eles são agentes da KK e devem ser neutralizados antes do esquadrão agir.
"O esquadrão se dividirá num grupo que atacará os agentes da KK e dará apoio ao que abordará Foca e tirará dele o Death Note. Mande o Helicóptero sobrevoar a área. Quando Foca for capturado, um grupo pegará o death note e entrará no Helicópetro. Caso estejam para ser capturados eles devem destruir o caderno"
Após ouvir as ordens de Near, Lester as repassou para seu soldados.
A seqüência de eventos que se seguiu foi de uma enorme rapidez e energia. Os agentes da KK que seguiam nas costas de Foca para dar-lhe cobertura caíram silenciosamente no asfalto, capturados por agentes de L. Em seguida, Foca foi rapidamente abordado pelo segundo grupo e quase que em seguida um helicóptero blindado que sobrevoava a área começou a descer no meio da rua movimentada.
Os outros agentes da KK mal tiveram tempo de reagir, mas logo puseram-se em posição e tiros puderam ser ouvidos. Foca, em pânico, se abaixou colocando as mãos na cabeça. O Death Note, que fora brutalmente arrancado de sua mochila, estava agora em posse dos agentes de L.
O enorme Helicóptero dava cobertura para os agentes, que pouco a pouco pulavam nos apoios de ferro da máquina e adentravam para seu interior seguro. Como era inevitável, alguns agentes foram atingidos e acabaram sendo capturados pelos terroristas da KK. Mesmo assim, a operação foi no seu sumo um sucesso, pois o Death Note estava agora em posse de Near.
Conforme o Helicóptero voava longe, Near mordiscava umas balinhas. Tudo ocorrera como o planejado, exceto por um ponto.
- Você reparou Lester? Near falava com um tom cansado e amargurado.
- O que L?
- Durante o nosso ataque, um grupo da KK invadiu o apartamento de Fábio e pegou várias folhas, Near apontou para um pequenino painel no enorme televisor que mostrava a imagem do quarto de Fábio Carlos, evidentemente arrombado e revirado. – Parece que K. planejou tudo isso. Caso não atacássemos Fábio na rua, ele iria conseguir o Death Note. Caso o atacássemos, ele também iria conseguir o Death Note.
- E agora L, o que faremos? Falou Lester, visivelmente atormentado.
- Continuaremos com a investigação. Já sabemos onde K. trabalha. Basta apenas cercá-lo e capturá-lo. Assim, teremos todas as partes do Death Note e, mais importante, teremos um dos líderes da KK. E ter capturado um líder da KK ultimamente me vale bem mais que o caderno.
Near deitou a cabeça no teclado e fechou os olhos, cansado. Ao mesmo tempo, longe dali, um homem alto, forte e de passos decididos rumava por uma viela escura e mal cuidada. Subindo as escadas de um velho apartamento adentrou num apartamento antigo e deparou-se com uma porta de um quarto fechada. Ele bateu na porta. Era uma batida especial, que apenas poucos sabiam. Do outro lado pôde ser ouvido a porta se destrancando e o homem adentrou.
O quarto era pequeno, amarrotado, entulhado de roupa, objetos e folhas. A cortina fechada deixava ainda mais tenebroso o mórbido ambiente. Sentado na cama estava uma figura retraída e imponente. Seus cabelos castanho escuros estavam caídos sobre o rosto e nas mãos detinhas um punhado de dados
- Olá Koro, disse a figura, conseguiu a encomenda?
- Sim sim irmão, falou o enorme ser humano retirando da bolsa um punhado de papéis. Toque, vai achar bem interessante.
T tocou o bolo de papeis e deixou um enorme sorriso que mesclava medo, espanto, surpresa e vitória estampar-se em seu rosto. Eis que na sua frente surgiu uma figura fantasmagórica de boca insetóide, forjado de ossos e carne, com olhos profundos e felinos.
- Olá Shinigami.
- Ola.
- Qual o teu nome?
- Shidoh.
T apertou forte as folhas na mão, conforme gargalhava. Tudo, absolutamente tudo ia de acordo com os planos. A fase dois estava prestes a começar...
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Capítulo 7 - Travada
Near invade uma base da KK e T se vê contra a parede...
