Huhuhuh...

Gostaram do capítulo anterior?

Naraku-sama sendo papai de Kagome gostaram?DD

Tomara que não tenha tido nenhum erro no cap anterior...

Retrospectiva do último episódio:

Interessante não era a palavra que ela escolheria para defini-lo, pensou Kagome, sorvendo sua bebida. Perigoso parecia melhor. Encontrar seu pai por acaso tinha ido desagradável, mas havia um lado bom. Sua família estava tão perto que ela quase podia toca-la. Tudo que precisava fazer era tentar. Às vezes a vida dava uma migalha de esperança no momento mais imprevisto.

A Rebelde Apaixonada:

O jantar foi suntuoso. Kagome se perguntou como seria o café da manhã do dia do casamento e achou que dificilmente o superaria. Não que estivesse com muito apetite. Metade das pessoas desaparecera antes do jantar ser anunciado. Foram convidadas penas para um coquetel com os noivos, por isso havia menos gente sentada à longa mesa no jantar formal.

Kagome viu sua mãe e irmã se sentando, mas provavelmente tinham sido proibidas de falar com ela. Sempre que olhava em sua direção, elas se viraram rapidamente para outro lado. Souta fora mais sutil. Simplesmente a trespassara com o olhar. Não admira que ela tivesse perdido a vontade de comer.

- Parece que Onigumo teve uma conversa com sua família – observou Inu-Yasha secamente ao seu lado, e Kagome não se surpreendeu o constatar que ele percebera o que estava acontecendo. Inu-Yasha pressentia um mistério, e os mistérios só existiam para serem resolvidos.

- Tudo feito com precisão militar – brincou ela.

Inu-Yasha pegou sua taça de vinho e deu um gole.

- O que você fez para ele ficar tão zangado?

Kagome espetou um pedaço de frango com seu garfo.

- Marchar em cadência nunca foi o meu forte.

- Então – continuou Inu-Yasha -, como conheceu Souta Youkai? – perguntou curiosamente.

- Pode-se dizer que crescemos juntos – admitiu com ironia.

- Achei que talvez fosse uma paixão antiga – disse Inu-Yasha, fazendo-a olhar para ele, surpresa.

- Souta? – Ela deu uma risada. – Não, nunca houve nada parecido entre nós. – Sem dúvida Inu-Yasha ficaria zangado com ele se algum dia descobrisse a verdadeira natureza do seu relacionamento com Souta, mas como não pretendia lhe dizer, isso não aconteceria. Sua vida privada seria resguardada.

- Ótimo. Realmente não achei que ele era o seu tipo.(ou seria ciúmes, mesmo?xD)

Kagome seguiu o olhar dele até onde seu irmão estava sentado conversando com Hana, irmã de Inu-Yasha. Não havia um pingo de animação nas feições de Souta. Nada que demonstrasse que estava ansioso para se casar com a mulher com quem conversava. Esperava que Hana estivesse fazendo a coisa certa. Se Souta havia se tornado parecido com seu pai... Mas a decisão não era dela.

- Onde eles se conheceram? – perguntou.

- Segundo a minha mãe, em um jantar beneficente. Talvez tivessem trocado histórias de terror e decidido que ficariam melhor juntos.

- Falando em história de terror... Sua madrasta é inacreditável.

- Ah, é mesmo – concordou secamente. – Gostei do modo como a repreendeu. Não foi capaz de vencer de você.

- Só estava fazendo meu trabalho.

- Você parecia estar gostando – salientou Inu-Yasha com sarcasmo, e Kagome reprimiu o riso.

- Está bem, admito que me deu uma certa satisfação desgrudá-la de você. Não gostei dela.

- O sentimento foi recíproco – respondeu ele com uma risada.

Kagome riu também, e quando virou na direção dele seus olhos se encontraram com mútua satisfação. Então Kagome achou que algo havia mudado, porque por um segundo houve uma ligação entre eles. Algo mais do que um riso partilhado. Kagome sentiu seu coração batendo mais forte e viu uma pequena ruga surgindo entre as sobrancelhas de Inu-Yasha. Ele começou a estender a mão e ela prendeu a respiração, esperando...

- Oi, você dois, parem com isso – disse um dos meio-irmãos de Inu-Yasha do outro lado da mesa, e subitamente eles viraram o centro das atenções.

Kagome tomou um susto e sentiu seu rosto ficando vermelho.

- Cuide da sua própria vida, Sesshoumaru. Kagome e eu estamos tendo uma conversa particular – disse, sorrindo para ela. – Ignore-o, meu bem. Ele só está com inveja porque eu estou sentado ao lado da mulher mais bonita da sala.

A demonstração de afeto a pegou de surpresa, mas logo se lembrou de que Inu-Yasha estava representando um papel. Mas o que quer que tenha acontecido naquele estranho segundo fora bastante perturbador.

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Era bem tarde quando eles deixaram a mesa e voltaram para a sala de visitas. Inu-Yasha a apresentou aos outros membros da sua família. Todos pareceram simpáticas e amistosas que aceitaram sem restrições a sua presença. Isso a fez sentir uma mentirosa, até se lembrar de que a mentira era por uma boa causa.

Kagome procurou com os olhos a sua família, mas foi apenas cerca de uma hora depois que viu Souta em pé sozinho. Sabendo que não teria muitas oportunidades como esta, pediu licença ao grupo com quem estava e foi na direção dele. Seu irmão só a viu se aproximando no último segundo, quando não poderia escapar. Ele ficou visivelmente tenso.

Kagome sentiu um nó na garganta ao lhe sorrir.

- Olá, Souta – cumprimentou-o com voz rouca, desejando que respondesse.

Seu irmão olhou de relance para a sala, e ela não teve dúvidas sobre quem estava procurando. Sem querer ser interrompida cedo demais, posicionou-se de modo que evitasse o máximo possível ele fosse visto.

- Você sabe que pode falar comigo. Eu não mordo – disse suavemente.

Finalmente Souta a olhou.

- Vá embora, Kagome.

Aquilo não foi encorajador, mas ela insistiu.

- Não podemos falar um com o outro, Souta?

- Não posso falar com você. Não vou falar – declarou fazendo menção de se afastar, mas a mão de Kagome em seu braço o impediu.

- Ainda tem tanto medo dele, Souta? Mesmo agora? – perguntou tristemente. Souta empalideceu e, com um forte puxão, soltou seu braço.

- Estou cansado de ouvir você dizer isso. Foi muito fácil para você, Kagome. Não tinha perder! – disse irritadamente, se esforçando para manter a voz baixa.

- Está errado. Eu tinha tudo a perder. Perdi você, Yumi e mamãe. Sinto a sua falta. Tudo que quero é falar com você.

Por uma fração de segundo Souta pareceu hesitar, mas então algo sobre o ombro dela o fez retrair. Kagome olhou ao redor e viu pai observando-os com uma expressão severa.

- Vá embora, Kagome! – rosnou-lhe o irmão, e desta vez realmente se afastou.

Do modo como se sentia, Kagome não conseguiria ficar na mesma sala que o pai neste momento, porque não sabia o que poderia fazer. Foi para o terraço respirar ar puro. Ela não percebeu que Inu-Yasha a observava, com um ar preocupado.

Lá fora, Kagome evitou a luz que vinha da porta. Ela apoiou as mãos no parapeito, jogou a cabeça para trás e deixou que a brisa que soprava do lago refrescar-lhe o rosto. A brisa agitou os seus cabelos e ela virou a cabeça lentamente de um lado para o outro para aproveitá-la ao máximo.

Kagome não se sentiria tão relaxada se tivesse visto o homem que a seguira e se aproximava por trás dela. Só ouviu um leve som de passos e então sentiu a mão de Onigumo pegando-a pelo ombro e virando-a bruscamente.

O rosto dele estava lívido de raiva.

- Kami-sama, por que está sempre me desafiando? Eu disse para ficar longe de meu filho. Não queremos saber de você.

- Está lembrado de que me disse que eu não era mais sua filha? Isso significa que não tem mais o direito de dizer o que eu posso ou não fazer – retrucou. Sem ver um vulto se esgueirando por uma janela distante ao longo do terraço e mergulhando nas sombras – Não sou mais sua filha, Naraku.

Os lábios de Onigumo se contraíram desdenhosamente.

- Nunca foi. Uma filha não desobedece ao pai. Não se mistura com gentalha nem dorme com canalhas.

Kagome pôde sentir a mesma velha raiva crescendo dentro dela e ameaçando sufocá-la.

- Meus amigos não eram gentalha – insistiu, escolhendo cuidadosamente cada palavra. – E eu nunca dormi com qualquer um.

Ele riu impiedosamente.

- Não? Você dormiu com o primeiro homem que apareceu. Mal pôde esperar para ir para a cama com ele!

A acusação era verdadeira, mas até certo ponto.

- Eu o amava. Achei que ele também me amasse. – Ela havia precisado desesperadamente de amor. Tanto que não enxergara a verdadeira natureza de Kouga.

Aquilo fez Onigumo rir de novo.

- E tudo o que ele realmente amava era o meu dinheiro. Logo que soube que nunca poria as mãos nele, deixou você.

Kagome cruzou os braços sobre o peito para esconder as mãos trêmulas de raiva reprimida.

- Eu não fui a primeira nem a última mulher a ser enganada por um homem.

- Nem a ser deixada grávida! – acrescentou Onigumo desdenhosamente.

Não houve nada que Kagome pudesse fazer para evitar a dor que as palavras dele lhe provocaram. Ela sufocou um grito quando a velha ferida foi tocada. Seus olhos faiscaram, avisando-o de que estava pisando em terreno perigoso.

- O senhor não tem nada a ver com isso.

Seu pai se inclinou sobre ela, usando seu peso e tamanho para dominá-la.

- Tenho tudo a ver com isso, mocinha. Sei que em algum lugar há uma criança bastarda desonrando meu bom nome!

Se existiam palavras que resumiam o que realmente importava para o seu pai, eram aquelas. Seu nome e sua posição significavam mais para ele do que sua família. Bem, ele não precisava mais se preocupar com isso...

- Pode ficar descansado, Naraku. Nenhuma criança está manchando o brasão de sua família.

Ele e acalmou temporariamente.

- Afinal de contas, você a entregou para adoção?

Era isso que ele havia exigido em troca da sua ajuda. Mas essa nunca fora uma opção para ela. Kagome balançou a cabeça negativamente.

- Ela... morreu. – Sua voz tremeu ao pronunciar a última palavra, e seus olhos brilharam como diamantes com lágrimas não derramadas. – Isso deveria ser motivo de comemoração para o senhor – continuou ironicamente, determinada a não sucumbir diante daquele homem implacável.

Onigumo cruzou as mãos atrás das costas em estilo militar.

- Provavelmente foi a melhor coisa que poderia ter acontecido (maldito vei¬¬) – declarou rispidamente, e Kagome suspirou, chocada.

- O senhor não tem um pingo de compaixão. Bem, Naraku, talvez fique surpreso ao saber que não foi a melhor coisa que poderia acontecer comigo. Eu queria o meu bebê. Eu o teria amado de um modo que você nunca poderia entender.

Onigumo endureceu suas feições.

- Os filhos estão destinados a perpetuar o nome da família.

Quantas vezes ela ouvira essa frase? Não eram menos absurdas agora do que antes.

- O senhor seria capaz de me fazer casar com um homem da sua escolha apenas para fortalecer os laços familiares!

- Exatamente. Souta e Yumi estão fazendo seu dever para com a família, como você deveria ter feito.

Kagome empalideceu.

- O senhor também está forçando Yumi a se casar?

- Ninguém a está forçando a nada. Eu simplesmente coloquei diante dela nomes de maridos adequados para que pudessem fazer sua própria escolha.

- E se ela não quiser casar com nenhum desses? – perguntou Kagome, sentindo um aperto no coração quando Onigumo sorriu presunçosamente.

- Yumi não é como você. Ela fará o que sabe que é certo, para não terminar como você.

Kagome o olhou, horrorizada.

- Está me usando como uma ameaça para obrigar Yumi a fazer o que o senhor quer? – Sua cabeça estava girando.Ah, Kami-sama! Yumi, você também não!

Onigumo sorriu-lhe com afetação.

- Você achou que plantaria as sementes da rebeldia quando fosse embora? Esse foi um grave erro tático. Tudo o que fez foi me livrar de um espinho. Seu nome nunca é mencionado. No que diz respeito a esta família, você não existe, Kagome. Eu venci.

Kagome fechou os olhos ao fazer uma horrível descoberta. Seu afastamento dera ao pai a oportunidade de forçar seu irmão e sua irmã a andar na linha. Percebeu tarde demais que de algum modo deveria ter mantido contato com eles. Poderia tê-los ajudado a ver que não precisavam obedecer às ordens absurdas de seu pai. Como ele mesmo dissera, esse foi um grave erro tático, mas também acabara de cometer um: dizer-lhe isso. Agora ela sabia que precisava fazer alguma coisa. Talvez Souta estivesse fora de seu alcance, mas Yumi, não. O que ela não deveria fazer agora era mostrar o jogo.

- Pode pensar que venceu, Naraku, mas está enganado. Vai acabar sozinho, um velho amargo. Agora, se não se importa, vim aqui tomar ar fresco, e está ficando poluído com a sua presença.

- Não pretendo ficar aqui mais do que o necessário para fazer você prometer que não falará com a minha família – respondeu Onigumo friamente, mas Kagome riu e meneou a cabeça negativamente.

- O inferno congelará antes que isso aconteça.

Ele ficou rubro de raiva.

- Você se recusa a prometer?

- Ainda tem dúvidas? Pode apostar sua vida que não prometo. Não tem o poder de me intimidar como faz com Souta. Sou mais forte do que ele. – Kagome esperava que Yumi fosse mais forte também.

Seu pai a olhou como se quisesse estrangulá-la, mas isso era algo que nunca fizera – agredir fisicamente os filhos. Preferia dominá-los mentalmente.

- Vai se arrepender de me desafiar. Garanto que vai – ameaçou, antes de ir embora.

Tremendo muito, Kagome se virou, apoiou novamente as mãos no parapeito e fechou os olhos.

- Zakennayo!!! Jigoku he ike!!! – disse cerrando os dentes e batendo com o punho no concreto.

Seu pai havia dominado a sua vida, transformando-a em uma guerra interminável por independência. Kagome achara que estava livre, mas aquilo fora apenas uma trégua. Ela não conseguiria respirar livremente de novo até salvar Yumi de um casamento de conveniência. Yumi mal completara dez anos quando ela partiu. Era uma criança, e agora era uma jovem. Talvez fosse tarde demais. Talvez seu pai tivesse feito muito bem o seu trabalho. Isso era algo que teria de descobrir...

Subitamente Kagome ficou paralisada ao ouvir um barulho à sua esquerda seguido de um som abafado.

- Há alguém aí? – perguntou em voz alta, e estava quase achando que poderia ser um gato ou outro animal quando viu o vulto de um homem vindo em sua direção.

Segundos depois, Inu-Yasha surgiu à luz suave do luar, com uma expressão de desagrado.

- Eu deveria dizer à minha mãe para trocar de lugar alguns de seus vasos de plantas. Acabei de bater com o joelho em um deles. – disse com uma risada, mas Kagome não sorriu.

- O que estava fazendo no escuro?

- Apreciando o luar? – arriscou Inu-Yasha, mas quando Kagome continuou a olhá-lo friamente ele confessou. – Esperado Onigumo ir embora.

Ela apertou os olhos.

- Há quanto tempo está aí?

Inu-Yasha se aproximou com as mãos no bolso da calça.

- Eu vi Onigumo indo atrás de você, e, como não gostei do olhar dele, resolvi segui-lo. Eu saí pela janela da biblioteca. – Ele virou a cabeça na direção de uma janela que ela mal pôde ver.

Kagome se retesou ao ouvir aquelas palavras e, apesar de já saber a resposta, fez sua próxima pergunta.

- O quê você ouviu?

Inu-Yasha parou diante dela e a olhou nos olhos.

- Quase tudo – confessou. Kagome respirou profunda e irritadamente, suas mãos se fecharam com força.

- Que droga, Inu-Yasha! Você não tinha o direito de ouvir! Era um assunto particular.

Ele ergueu as mãos apaziguadoramente.

- Eu sei. Sinto muito. Só posso dizer em minha defesa que estava mais interessado na sua segurança. Eu disse que não gostei do olhar no rosto de seu pai.

O uso da palavra "pai" salientou o quanto ele sabia, e seria inútil tentar negá-lo. O esqueleto fora tirado do armário, e por mais que ela quisesse nunca poderia colocá-lo de novo lá. Inu-Yasha agora sabia dos detalhes mais sórdidos do seu passado, e estava certa de que poderia tentar juntar todas as peças do quebra-cabeça. A barreira protetora que ela havia construído fora derrubada, fazendo-a se sentir novamente exposta e vulnerável. Ela teve uma sensação de impotência e odiou Inu-Yasha pelo que fizera. Não era da conta dele!

- O que você fez foi horrível, e pura perda de tempo – disse, atacando-o verbalmente do único modo que pôde. – Nunca corri o risco de ele me agredir fisicamente.

- Não, percebi isso depois de algum tempo. Ele prefere agredir psicologicamente, ne? Desse modo, as cicatrizes são invisíveis. Mas ainda é agressão. Seu pai é arrogante, e eu detesto gente arrogante.

Kagome cruzou os braços e começou a andar de um lado para o outro.

- Talvez você deteste, mas mesmo assim não tinha o direito de nos seguir. Além disso, sei cuidar de mim mesma.

Inu-Yasha sorriu, mas aquilo estava longe de ser agradável.

- Fico feliz em saber, mas se eu ouvir o seu pai ameaçando você de novo, vou dar um soco nele e não pedirei sua permissão para isso.(que lindo, gente #-#)

Aquilo a surpreendeu tanto que Kagome pestanejou.

- Você vai fazer o quê...?

Inu-Yasha a olhou seriamente.

- Você me ouviu.

Nunca alguém viera em sua defesa. Kagome sempre lutara sozinha, por si própria, seu irmão e sua irmã, ouvir alguém dizer o que Inu-Yasha dissera aplacou-lhe a raiva e a deixou um pouco tonta. Ela se sentou apressadamente no parapeito.

- Mas você não é responsável por mim, Inu-Yasha – lembrou-o, ele lhe lançou um olhar direto.

- Sou responsável por você se eu quiser ser... e eu quero.

Aquilo a fez rir.

- Ah, é? Você nem mesmo gosta de mim!

Inu-Yasha deu de ombros.

- Estou começando a gostar – admitiu, apoiando-se no parapeito ao lado dela. – Então essa é a sua família?

Kagome aparentou tristeza.

- Não é mais. Você ouviu o que Naraku disse. – Era estranho estar falando abertamente sobre sua família depois de todos aqueles anos. Como rompimento havia sido muito doloroso, fora mais fácil não falar sobre eles.

Inu-Yasha a olhou de soslaio.

- Por que você o chama de Naraku?

- Porque ele nunca foi um pai. Dava ordens e ditava regras que deviam ser seguidas ao pé da letra e, se não fizéssemos isso, os privilégios eram cortados. Nossos amigos eram inspecionados antes de poder freqüentar a casa. Éramos a sua família, mas ele nos tratava como se fôssemos parte de seu exército.

- Um homem encantador – observou Inu-Yasha mordazmente. – Não admira você ter se rebelado. Só não sei por que não saiu de casa antes.

- Não foi por falta de vontade – justificou-se. – Se eu fugisse, eles me trariam de volta, e isso seria pior. Então decidi esperar até ter idade suficiente para ir embora. E enquanto eu esperava Kouga Ookami¹, a "cobra" – acrescentou, mantendo com esforço o mesmo tom de voz.

- Lobo fedido é uma boa... – ele falou com sarcasmo na voz.

- "Lobo fedido"? – ela arqueou uma sobrancelha.

- Ookami, claro... – ele olhou para o lado, com um sorrisinho – existem muitos como ele por aí – disse Inu-Yasha mudando sua expressão para uma de desagrado. – Nem sempre é fácil distinguir os bons homens dos maus, meu bem, por uma razão: os maus têm uma boa camuflagem.

- Onde você estava quando eu precisava de uns bons conselhos? – perguntou sarcasticamente, e ele reprimiu o riso.

- Provavelmente em meu inferno particular. Devo deduzir que seu romance com Kouga, o lobo fedido, seguiu seu padrão comum?

Kagome nunca imaginou que acharia alguma graça no passado, mas os comentários de Inu-Yasha a fizeram sorrir e atenuaram a lembrança do seu desespero.

- Sim. Eu achei que ele me amava, mas Naraku estava certo. Só queria o dinheiro do meu pai. Logo que soube que nunca poria as mãos nele, desapareceu como que por encanto. – Deixando-a grávida e sem meios para se sustentar, mas ela ainda não estava pronta para falar sobre isso com Inu-Yasha.

- Os lobos fedidos e burros costumam fazer isso. – Kagome sufocou o riso – Você ficou melhor sem ele – observou Inu-Yasha calmamente, e Kagome assentiu com a cabeça.

- É verdade, mas na época não pensei assim. Havia... complicações. – Ela havia tentado seguir seu caminho, mas a sua linhagem acabara levando-a de volta à sua família, somente para ser rejeitada porque não quis desistir de seu bebê. – Foi a pior época de minha vida e prefiro esquecê-la.

Inu-Yasha assentiu com a cabeça.

- Eu compreendo. Precisa seguir em frente.

A compreensão dele foi inesperada, mas bem-vinda.

- Eu criei uma nova vida para mim e achei que havia deixado o passado para trás.

- Até descobrir que seu irmão vai se casar com minha irmã – disse ele pensativamente.

- Ver Naraku depois de todos esses anos foi um choque terrível. Eu não sabia porque ele estava aqui.

- Não posso dizer que tive uma boa impressão da família para a qual Hana vai entrar.

Kagome pôde entender a preocupação dele. Inu-Yasha se importava com a sua família, e não queria que sua irmã entrasse na cova do leão. Ela olhou para as suas próprias mãos, sabendo que havia um meio de tranqüilizá-lo. Isso significaria se expor para uma pessoa estranha, mas a idéia de não fazer nada a incomodava.

- Escute, se você quiser, posso falar com sua irmã. Dizer a ela como é o meu pai. Mas Hana não corre perigo. Afinal de contas, esse é o bom casamento que Naraku deseja para seu filho. Se ela lhe der um herdeiro em nove meses, será motivo de orgulho e alegria para ele.

- Um herdeiro legítimo – disse gentilmente, e Kagome levantou a cabeça ao ser lembrada disso. Olhando nos olhos de Inu-Yasha, viu solidariedade neles, mas a rejeitou. Inu-Yasha estava indo longe demais. Ela se ergueu num pulo, cruzou os braços e fez menção de se afastar.

- Nem pense em continuar, Inu-Yasha. Você ouviu coisas que não eram da sua conta. Esse tema não está aberto à discussão – disse francamente, com os olhos faiscando.

- Eu só queria dizer que lamento pelo seu bebê.

Kagome deu de ombros com fingida indiferença, embora sentisse um forte aperto no coração.

- Isso foi há muito tempo.

Inu-Yasha balançou a cabeça.

- Meu bem, para você foi ontem, e sempre será – disse gentilmente, fazendo-a ficar com um nó na garganta e os olhos marejados de lágrimas.

Kagome ergueu uma das mãos para silenciá-lo.

- Então me ajude, Inu-Yasha. Se disser mais uma palavra... – Nesse ponto sua garganta se fechou e ela virou a cabeça para o outro lado, fechou os olhos e apertou fortemente os lábios para fazê-los parar de tremer.

Kagome não percebeu que Inu-Yasha se aproximando por trás dela, só sentiu o toque suave das mãos dele em seus ombros.

- Me desculpe. Não costumo ser tão grosseiro – disse, e seus polegares começaram a massageá-la em um movimento circular e sensual (UAAAU...).

- Você não foi grosseiro. Estava tentando ser gentil, e eu lhe agradeço por isso, mas prefiro esquecer esse episódio.

Kagome sabia que deveria afastá-lo, mas seu toque irradiava um incrível calor que se espalhava por sua corrente sanguínea e teve o estranho efeito de fazê-la querer se inclinar para trás e se se encostar nele. Aquilo era tentador, realmente hipnótico, e ela poderia tê-lo feito se um casal não tivesse saído pela porta aberta rindo de alguma coisa que alguém dissera, Sobressaltando-se, ela voltou para o presente.

- Oi! Pare com isso! – ordenou imediatamente.

Kagome se afastou deixando os braços de Inu-Yasha pendentes ao lado do corpo dele, e se perguntou onde estava com a cabeça quando o deixou tocá-la e pensou em se encostar nele. Inu-Yasha era o homem que ela adorava detestar, embora tivesse de admitir que havia aspectos nele que não eram tão maus quanto havia imaginado. Sem dúvida suas emoções intensificadas haviam lhe pregado uma peça após o encontro com seu pai.

Inu-Yasha ergueu os braços e recuou.

- Sumimasen. Achei que você estava gostando.

Ela estava, mas aquilo não tinha razão de ser.

- Olhe, sei que estava tentando me ajudar, mas no mesmo futuro fique com as mãos longe de mim.

Inu-Yasha se encolheu e olhou para o casal que vinha em sua direção.

- Ok, mas fale baixo. Somos namorados, lembra?

Como ela poderia esquecer?

- É melhor entrarmos – sugeriu.

- Ainda está disposta a falar com minha irmã?

- É claro que sim. – A oferta estava de pé. Hana precisava saber o que estava fazendo.

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Infelizmente, Kagome e Inu-Yasha não tiveram uma chance de falar com Hana antes do fim da festa. Eles se misturaram com os convidados, esperaram e observaram, mas Souta ficou o tempo todo ao lado da noiva, tornando impossível estarem a sós com ela.

- Nós falaremos com ela mais tarde, quando os outros tiverem ido dormir – decidiu Inu-Yasha vendo o ponteiro se aproximar da meia-noite.

- E se Souta estiver com ela? – perguntou Kagome.

- Nesta casa? Não há a mínima chance disso.

Kagome ergueu as sobrancelhas.

- Nós estamos juntos.

Ele riu com malícia.

- Isso porque eu ou um caso perdido, e nós não vamos nos casar amanhã... – ele olha novamente para o relógio – ou será hoje? Mas não vou ficar nem um pouco surpreso se minha mãe estiver com Hana, dando um último conselho que ela não pediu.

Kagome segurava há bastante tempo uma taça de vinho cheia, e a colocou sobre a mesa mais próxima.

- Isso é ridículo. Estou cansada. Vamos para a cama.

- Esse foi o melhor convite do dia – disse Inu-Yasha em tom de brincadeira.

- Não foi um convite – retrucou Kagome, imediatamente, consciente de que, se não estivesse tão cansada, teria escolhido melhor suas palavras. – Foi uma afirmação. Estou cansada – repetiu com irritação. O dia havia sido longo, e, inesperadamente, emocionante. Estava exausta.

- Isso não teve graça, meu bem – disse Inu-Yasha. – Você deveria ter ficado indignada e me fulminado com seus belos olhos – acrescentou, fazendo-a fechar a cara.

- Estou cansada demais para ficar indignada. E o que quer dizer com isso? – perguntou, surpresa.

Ele sorriu.

- Quando eu realmente a deixo irritada, você me fulmina com seus belos olhos.

- Não é verdade – protestou, ainda inesperadamente perturbada com descrição dos seus olhos.

- É claro que é. Homens fracos poderiam tremer, mas eu sou feito de material resistente. Posso agüentar.

- Provavelmente é porque você merece – replicou ela com argúcia, e então um movimento do outro lado da sala chamou-lhe atenção. – Olhe, acho que sua irmã vai dormir.

Inu-Yasha olhou ao redor a tempo de ver Hana beijar sua mãe e desejar boa noite pra todos na sala antes de retirar com Souta.

- Nós daremos a eles dez minutos para desejarem boa noite um ao outro e depois a seguiremos. Você consegue esperar acordada?

Kagome assentiu com a cabeça. Meia hora a mais não faria muita diferença.

- Se formos lá para fora, o ar deve me despertar um pouco – sugeriu.

- Então vamos. Daremos a volta pela casa e subiremos pela escada dos fundos.

O ar frio da meia-noite realmente reanimou Kagome enquanto eles caminhavam lentamente o longo do terraço.

- É realmente bonito aqui – observou Kagome com um suspiro.

- Eu tento vir várias vezes durante o verão. – concordou Inu-Yasha.

- Visitar a megera? Não está levando longe demais o seu dever filial?

O sorriso dele foi triste.

- Nunca vai deixar eu me esquecer disso, ne? – comentou, estendendo a mão para tirar um fio de cabelo negro do rosto dela.

- Oi! – protestou Kagome. – Não estamos em cena agora – lembrou-o. Para sua grande surpresa, ele não retirou a mão e em vez disso afastou um fio imaginário do outro lado do seu rosto.

- Na verdade, estamos – replicou em voz baixa, e Kagome arregalou os olhos. – Estamos sendo observados.

Ela ficou imóvel.

- Por quem?

- Por minha sensual madrasta.

Kagome desejou desesperadamente olhar ao redor, mas isso teria sido óbvio demais. Tudo o que pôde fazer foi sustentar o olhar nele.

- O que quer dizer? Exatamente que tipo de show?

Inu-Yasha pôs s mãos nos ombros dela.

- Prepare-se, meu bem. Vou ter que beijar você. Nada terá um efeito melhor.

Inu-Yasha começou a abaixar sua cabeça na direção da de Kagome, e ela ergueu as mãos até a altura do peito dele.

- Eu não havia concordado com isso.

- Como é mesmo que dizem? Feche os olhos e pense em outra coisa? Não se preocupe, tudo acabará em um minuto – brincou, e colou os lábios aos de Kagome.

E foi assim que aquilo começou.

No início do beijo foi uma simples pressão de lábios, e provavelmente teria continuado assim se não tivesse acontecido algo que mudou tudo. Kagome estava pensando em beijá-lo "pensando em outra coisa"... Quando seu cérebro parou de funcionar. Inesperadamente, foi arrastada por uma forte onda elétrica que estimulou suas terminações nervosas fazendo-as vibrar. O calor que invadiu seu corpo teve o efeito sensual de fazer seus lábios amolecerem e se abrirem. Antes que percebesse, um beijo se tornou dois e depois muitos, e o desejo deles parece insaciável.

Sem saber o que estava fazendo, Kagome colocou as mãos ao redor do pescoço de Inu-Yasha e agarrou-lhe os cabelos, enquanto ele soltava um gemido viril e a puxava fortemente para si. Quando a boca de Inu-Yasha procurou a sua ela gemeu de prazer. Eles se entregaram ao beijo e aquilo começou fugir do controle (havia algum?xD). Nenhum dos dois parecia poder ou querer parar.

O bater raivoso de uma porta ecoou na noite e os trouxe de volta à realidade. O beijo acabou. Atordoados, pouco a pouco se deram conta de que haviam estado nos braços um do outro, mas não conseguiam se lembrar de como tudo acontecera. É claro que aquela situação não durou. Simultaneamente, os dois se lembraram de que o beijo não devia ser mais do que uma demonstração e o choque se refletiu em seus rostos.

- Ah, Kami-sama! – disse Kagome com voz rouca, consciente de que seu coração batia mais rápido, seus joelhos tremiam e sua estava ofegante.

- N-nani...? – murmurou Inu-Yasha com as palavras entrecortadas, e a soltou justamente quando ela se afastava dele.

Eles olharam um para o outro, incrédulos.

- Bem, isso foi inesperado! – Ele tentou brincar, mas foi sincero e nenhum dos dois achou a mínima graça.

Kagome passou um dedo nos lábios que pareciam ligeiramente inchados.

- Diga que não aconteceu – pediu, horrorizada.

Inu-Yasha riu.

- O que aconteceu?

Kagome virou de costas para Inu-Yasha, tentando fazer sua respiração voltar ao normal.

- Isso não está acontecendo. Não quero que aconteça.

- Você acha que eu quero? – resmungou Inu-Yasha atrás dela.

Kagome passou a língua pelos lábios, mas isso foi um erro, porque ainda pôde sentir o gosto dele (oo').

- Só não comece a ter fantasias malucas, ok?

- Meu bem, eu não quero fantasiar nada com você!

Ela virou de frente de novo, seus olhos brilhando acusadoramente.

- Então por que me beijou assim?

- Por que você me beijou assim? – contra-atacou Inu-Yasha.

Foi Kagome que finalmente falou.

- É bobagem ficarmos discutindo. Nenhum de nós planejou isso, apenas aconteceu. Deve ter sido loucura da lua. Esse tipo de coisa costuma acontecer em casamentos, mas não significa nada.

- Não mesmo – concordou Inu-Yasha asperamente. – Espero que Kikyou tenha entendido a mensagem.

Seus olhos se encontraram, e um soube o que o outro estava pensando que a mensagem transmitida fora mais convincente do que esperavam. Então lhes ocorreu que haviam esquecido de Kikyou. Viraram-se o mesmo tempo e viram o terraço vazio.

- Ela foi embora – confirmou Inu-Yasha. – Deve ter sido a porta que bateu...

- Sim... Bem, acho que devemos esquecer os últimos dez minutos e encerrar a noite – sugeriu desconfortavelmente.

- Ainda temos que falar com a minha irmã – lembrou-a Inu-Yasha.

- Está tarde, Inu-Yasha. Hana já deve estar dormindo. Vamos deixar para falar amanhã, assim que acordarmos.

- Tem razão – disse Inu-Yasha, claramente sem vontade de prolongar a noite. – Amanhã será melhor.

De volta ao quarto, eles mal se falaram. Kagome pegou suas e desapareceu no banheiro. Quando saiu, Inu-Yasha havia pegado um travesseiro e um cobertor da cama e colocado no divã. Sem dizer uma só palavra, entrou no banheiro, enquanto Kagome pendurava suas coisas no quarto de vestir e ia apressadamente para a cama.

Não foi fácil dormir, e Kagome ficou algum tempo revirando na cama antes de seu corpo exausto ser vencido pelo sono. Inu-Yasha colocou as mãos debaixo do travesseiro e ficou olhando o luar no teto.

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O pesadelo era sempre o mesmo. Era noite, mas Kagome não ousava acender a luz, porque o senhorio do feio conjugado que ela chamava de lar tinha ido cobrar o aluguel e estava sem dinheiro. Trabalhava lavando pratos e ganhava mal, mas esse emprego era o único que havia conseguido. Tinha sentido enjôos durante toda a gravidez e isso a fez os poucos empregos com melhor salário que conseguira arranjar. Agora seu patrão tinha ameaçado despedi-la se ela se atrasasse de novo, e já estava atrasada...

A cena mudou. Agora ela estava em pé do lado de fora do restaurante barato, com o gerente lhe dizendo para ir embora. Não queria continuar, mas o sonho era implacável e a levou novamente à rua sombria por onde voltava para "casa". Como sempre, não percebeu a aproximação do homem que e lançou sobre ela, só sentiu um empurrão nas costas e mãos procurando sua bolsa.

Ela gritou, mas isso não a fez acordar, e pela centésima vez se viu sendo empurrada para o beco e caindo em meio as grandes latas. Com a chegada da noite vieram as dores, fazendo-a gemer dormindo. No sonho, gritou por socorro, mas ninguém apareceu e ela ficou deitada ali, no escuro, novamente... Sentindo dor, sabendo que seu bebê estava chegando e tinha de procurar ajuda.

Desperto de um sono intranqüilo, Inu-Yasha estava deitado no divã tentando se orientar. Então ouviu sons do outro lado do quarto esse sentou, olhando para a cama que Kagome ocupava. Só pôde ver um movimento debaixo das cobertas seguido por um som que fez que seu sangue gelar. Kagome estava chorando. Foi até a cama e agarrou os ombros dela.

- Acorde, Kagome. Kagome! Pode me ouvir? É um pesadelo, por favor, acorde!

Kagome ouviu uma voz chamando-a de muito longe. Uma voz insistente que a arrancou das profundezas de seu pesadelo, deixando para trás a dor, mas não o sentimento de perda. Sentiu mãos erguendo-a e, dando um grito sufocado, acordou.

Kagome piscou ao ver o vulto sentado na cama, segurando-a pelos ombros.

- Inu-Yasha?

- Você estava chorando dormindo. Deve ter sido um sonho muito ruim. – Ele soltou os ombros dela.

Kagome levou as mãos ao rosto e viu que voltaram úmidas.

- Ah, Kami! – murmurou sofridamente. Com um aperto no coração lembrou-se do sonho e estremeceu. – Acordei você? Sinto muito. Eu deveria saber...

- Estava sonhando com o seu pai?

Kagome esfregou os próprios braços, sentindo um frio que vinha mais de dentro do que de fora.

- Não realmente.

Indiretamente, a recusa do pai em ajudá-la a havia colocado em um caminho que levara à perda de seu bebê, mas não jogaria essa responsabilidade nos ombros dele.

- Quer falar sobre isso? – perguntou Inu-Yasha. – Já me disseram que sou um ótimo ouvinte.

Kagome recusou com a cabeça.

- Não. Não quero nem mesmo pensar sobre isso.

Ele concordou sem discutir.

- Quer alguma coisa? Leite quente? Chocolate?(eu quero xD)

- Eu ficarei bem – declarou Kagome confiante.

- Ok, mas se precisar de mim sabe onde eu estou – disse, saindo da cama.

Kagome recostou-se nos travesseiros e ouviu Inu-Yasha voltando para o divã. Tentou respirar baixo e não se mexer muito para ele poder dormir. O tempo passou devagar e quando ela achou que Inu-Yasha estava dormindo ajeitou os travesseiros às suas costas e espiou para fora da janela, esperando um sinal de que o dia estava amanhecendo.

- Qual é o problema, Kagome?

O passado se tornara uma ferida dentro dela que nunca sarava. Para seu próprio bem, tinha de botá-lo para fora. Inu-Yasha não era a pessoa que teria escolhido para falar, mas ele já tanto que não fazia sentido esconder o resto.

- O quanto você é um bom ouvinte? – perguntou ironicamente.

- Eu sou o melhor. Não julgo e nem digo mentiras.

Kagome suspirou profundamente.

- Por onde começar? Minha vida estava muito confusa naquela época. Tudo começou quando fui embora com Kouga. Desde então, nada deu certo.

- Com exceção do bebê. – corrigiu Inu-Yasha calmamente, e ela esboçou um sorriso.

- Tem razão. Com exceção do bebê. Eu a queria. Estava disposta a mover montanhas para lhe dar o que não tinha tido. – Seu sorriso desapareceu. – Kouga me deixou no dia em que descobri que estava grávida. Ele nunca soube do bebê. Meu pai me deserdou e ele viu seu milhão escorregando das mãos. Na época eu não sabia, mas Kouga havia procurado Naraku para tentar fazer com que mudasse de idéia. Eu poderia ter lhe dito que isso não ia adiantar. Meu pai disse que não e uma semana depois Kouga desapareceu. Enquanto eu esperava durante horas ele voltar para casa pra lhe contar sobre o bebê, ele estava a quilômetros de distância calculando seu prejuízo.

- Você nunca mais o viu?

- Eu não tinha a menos idéia de onde procurar por ele. Kouga me falou muito pouco sobre si mesmo. Além disso, quando as contas das dívidas que ele cumulou começaram a chegar, eu me desapaixonei rapidamente. Não foi difícil decidir criar meu bebê sozinha, mas desde o início tudo estava contra mim. Tive uma gravidez horrível. Disseram-me que os enjôos parariam, mas nunca pararam, e perdi não sei quantos empregos porque me impediram de trabalhar. O dinheiro ficou muito curto.

- Então você procurou seu pai?

Kagome fechou os olhos ao se lembrar.

- Ele não me deixou entrarem casa, nem mesmo quando contei sobre o bebê. Disse coisas...

O rosto de Inu-Yasha tornou-se tenso.

- Eu ouvi. Posso imaginar.

Kagome colocou cabeça sobre os joelhos.

- Disse que eu poderia voltar, mas sem o bebê. Eu me recusei e ele bateu a porta na minha cara.

- O homem quis acabar com você!

Kagome estremeceu, mas manteve o seu tom de voz.

- Eu voltei para o conjugado e fiz o que pude. Mas as coisas pioraram e quando eu estava no sétimo mês de gravidez devia o aluguel e lavava pratos. No último dia senti enjôo de novo e dor nas costas. Quando o senhorio foi cobrar o aluguel, me escondi no escuro. Tive de esperar muito até ele ir embora e cheguei atrasada ao trabalho. Perdi meu emprego. Quando caminhava para casa, perguntando a mim mesma o que ia fazer dali em diante, um homem roubou minha bolsa. Eu tentei lutar contra ele, porque não podia perder o dinheiro, mas ele era mais forte do que eu e me empurrou para um beco. Havia várias latas grandes ali e devo ter batido em uma delas, porque caí no chão. Foi então que a dor começou.

- Continue – incentivou-a Inu-Yasha.

- Eu consegui me arrastar para fora do beco e desmaiei. Alguém deve ter me encontrado, porque a próxima coisa de que me lembro é que estava em uma ambulância. Então tudo começou a ficar confuso. Você sabe qual é o som que ecoa mais alto na minha mente? O choro dela ao nascer. Era tão fraco que percebi que algo estava errado.

Uma lágrima escorreu, e depois outra. Kagome sentiu a cama abaixar, e só então percebeu que Inu-Yasha saíra do divã. Ela o olhou com uma indescritível tristeza.

- Ela viveu por seis horas. Eu segurei a sua mãozinha... Era tão pequena, Inu-Yasha... Ela pareceu segurar a minha mão por um momento... e então... morreu...

Kagome não sentiu Inu-Yasha pegá-la nos braços e embalá-la enquanto chorava e extravasava seu desespero em soluços entrecortados. Ela chorou até sua garganta doer e não ter mais lágrimas. Finalmente parou e suspirou profundamente.

- Eu a amava... – disse com voz rouca.

- Somente um tolo duvidaria disso – disse Inu-Yasha gentilmente, acariciando-lhe as costas.

Foi isso que tornou Kagome consciente de onde estava, no calor do forte peito masculino. Poderia ter se sentido constrangida, mas não se sentiu. Pela primeira vez na vida, sentiu-se... confortada... Era uma sensação estranha, considerando quem abraçava.

Um bocejo a pegou de surpresa.

- Acha que consegue dormir agora? – perguntou Inu-Yasha

- Uh... – murmurou. Suas pálpebras estavam pesadas e ela decidiu fechá-las por apenas alguns segundos, e então o mandaria de volta para o divã.

Inu-Yasha ouviu o som ritmado da respiração de Kagome e sorriu. Ela já estava dormindo e não queria perturbá-la, por isso esperaria alguns minutos antes de deitá-la de novo na cama. Encostando-se confortavelmente nos travesseiros, ele a segurou mais firmemente e fechou os olhos.

To be continued...

¹Ookami Lobo

Dicionário:

Oi – Ei

Kami-sama/Kami – Deus

Zakennayo! – Vá se fu...!

Jikogu he ike! – Vá para o inferno!

Ne – Equivalente ao nosso "Né"

Sumimasen – Um modo de falar "me desculpe" mais formalmente.

Nani? – O quê?

Uh – Maneira informal de se dizer "sim"

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aeeww gente lol

oq axaram desse capítulo?

Nooosa, tem coisas tristes, reveladoras e... quentes O.O

E oq axaram da aparição FLASH de sesshy-sama?

Como eu naum tava com criatividade pra fazer um nome pra um meio-irmão de inu, eu botei o sesshy-sama mermo xD

Foi o maior cap, naum?oO

Bem, vo responder as reviews dos dois caps anteriores, ok lol?

Cap.1:

Uchiha LaraOie , esse livro eh demais num? #.# , passado da k-chan desvendado nesse cap lol, espero ver vc aki mais vezes, kissus da yuki

Neiva – Realmente, tá combinando tanto com eles, adorei #.#, arigatou por ter gostado lol, espero ver vc aki mais vezes! Kissus da yuki!

Gheisinha Kinomoto – Que bom que vc axou #.#, axo ke vai ser meio difícil vc axar esse livro o-o, pq eu axo ke eu "ganhei" ele no jornal... faz uns 3 ou 4 anos oo, nesse cap vc vê os rolos desse casal misterioso lol isso eh bom xD o kouga foi um "lobo fedido e burro"xDDD, ele eh lindo, gostoso, de tirar o fôlego, mas ai ele ta ke ta...xD, miroku e sango, rin e sesshy? Não... pq esse livro só tem espaço pra um casal xD(no caso 2, eles e os irmãos o-o), espero te ver mais vezes aki, kissus da yuki!

Marcella – Oie , tudo bem sim, e com vc?xD, nya, ke bom ke vc gostou #.#, o livro é A Rebelde Apaixonada da Amanda Browing, traduzido por Maria Clara de Biase W. Fernandes. eu to tentando atualizar o mais rápido possível, espero que veja a continuação lol. Kissus da yuki

The Otaku Girl – Vc axou?xD, também que xei a historia combinou direitinho #.#, eles sempre fazem um casal lindo xD, vc axa ke ela xuta...?xD MUHAHAHA, leia e saberá xD kissus da yuki

mk-chan160 Oiee, tudo bem xD tudo bem?xD que bom que vc axa isso lol, isso ai, somos gêmeas xDD... vc me entende, ke lindo ç.ç, arigato lol, continuação ai em cima xD, o próx cap, à caminho!

Vicky – Arigatou por ter lido , que bom que gostou, lol, espero que estejas aki nos próxs caps e fics também lol. Kissus da yuki

Aline – Que bom que vc não leu, assim eh melhor – a autora faz cara maligna – beijos...ooh... um aconteceu ai nesse cap agora, e olhe que foi BEIJO bem beijado xD, que bom que gostou desse cap, espero que goste dos próxs., nya, e gomen por ter demorado pra postar o cap 2 xD, kissus da yuki

Isabella – Huhuhuh..., que bom que gostasse #.#, hentai... Se eu disser, vai ser um grande spoiler e vc vai ler, e se eu não disser vc fica irritada e nom lê xD, mas... poderá ter sim MUHAHAHAAH, (isso foi um sim?xD), eu tb adoro hentai xD. Inu, inu.. pegador total, eu xega pensei em fazer miroku e sango o-o, mas ia ficar estranho... ai eu preferi o inu e a gome xD, postarei o mais rápido possível! Kissus da yuki!

Carol Freitas - Esse livro... eu num sei se eh velho ou eh novo, mas eu "ganhei"ele no jornal há uns 3 ou 4 anos o-o, tb axei o livro ótimo lol, vou fazer o máximo pra não demorar! Kissus da yuki!

Lahh – Tá massa neah?xD, realmente, ele sempre eh mongol, eh incrível...¬¬, nesse cap vc tirou sus dúvidas o-o, tomara ke tenha lido, pelo menos¬¬, continue a ler, kissus mews xD

Kazamygb14ª – Ke bom que gostou lol, tomara que continue lendo¬¬

GMM – Pode deixar! Continuarei , espero que continue lendo lol, kissus da yuki

Ouvedo – MEME! Sabia ke eu nom entendi nada?oO, esse eh seu novo cap, espero ke goste! Do cap kente MUHAHAHA, e kero ke leia e deixe reviews em todas, ok? XDkissus mews!

Ufa... quanta review o---o... Ainda bem #----#, adoooro xD

Agora... as do cap 2!

Cap.2:

Naná – Que bom que está gostando DD!, continuação feita, e espero que leia ela! E deixe review de novo xD, kissus da yuki o/

Mizu e Kimi – Domo \o\, Mizu, a fic é realmente 99 do livro, claro que eu mudo os nomes, e boto ou tiro algumas frases, pra ficar como os personagens fariam! Ainda bem que gostou , espero vê-la aqui novamente kissus da yuki o/

Neiva – Olha vc aki de novo \o\ - os olhos da escritora brilham – ai está o "próximo capítulo" espero que goste! Ai está o passado sórdido da k-chan TTTT, mas ela superou ne \o\ , espero te ver nesse cap 3 \o\, kissus da yuki o/

Lenah - weeee, olha vc akee xD, a viciadaaaaaa \o\, ai está o seu capítulo! MUHAHAHA, espero ke goste, ke deixe review, viu? kissus da yuki \o\

Marcella – Noossa, vc foi mesmo?oO, na verdade ele eh em inglês, mas já tá tudinho traduzido, como eu respondi ali em cima o, quer estragar a surpresa neeh!?!? MUHOHOHOH xD, espero que goste desse cap e que deixe mais reviews aki \o\ kissus da yuki o/

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ufaa... fiquei sem ar agora o-o

pelo menos respondi tudinho bunitinho

agora vcs esperam mais um bucadinho que eu já tou escrevendo o próximo capítulo! Vou fazer de tudo pra postar o mais rápido possível, ok?

Valew por terem lido, e continuem acompanhando mew trabalho \o\

Kissus da yuki o/