"…." – Fala do personagem

'…' – Pensamento

Bláblá – Acontecimento no presente

Bláblá – Acontecimentos passados.

"BláBlá" - Telefonema


Acidentes de Percurso

By kalilah

Capitulo 3 –Memórias; Descobrindo Shaoran e novos sentimentos

(Data de postagem: 19/4/2006)


-"Bom dia Shaoran" – ela entrou no escritório.

-"B-bom dia Sakura" – ele direccionou o seu olhar para os lábios dela mas desviou-o logo de seguida, com medo que ela percebesse. Aqueles lábios… Será que eram como tinha sonhado?


Sonho do Shaoran

Shaoran caminhava por um corredor escuro, onde se sentia o cheiro intenso a bafio. Não sabia onde estava, sentia-se perdido, mas instintivamente dirigiu-se a uma porta e entrou. A sala para onde tinha entrado, estava escura e sem ninguém.

Acendeu a luz e viu uma poltrona e um retroprojector. Preparou tudo, apagou a luz e sentou-se. Estas acções pareciam ser um hábito pois ele fazia-as inconscientemente. Transportava consigo um cabo com um botãozinho na ponta que deveria ter como função mudar os slides. Carregou no botão e uma imagem apareceu na parede branca. Era… Sakura?

Olhou demoradamente para ela e reparou na sua beleza. Carregou no botãozinho e outra imagem de Sakura apareceu na parede branca. Shaoran ergueu uma sobrancelha. Carregou no botão repetidamente e constatou que só apareciam imagens da bela flor de cerejeira.

De repente a porta foi aberta e Sakura entrou.

-"Ainda a ver isso?" – Ela fechou a porta e aproximou-se dele.

-"Ainda…" – O homem respondeu mecanicamente.

-"Shaoran… porque vês as imagens… se podes ver a verdadeira?" – ela agarrou-lhe pelo colarinho e levantou-o da cadeira. Dizia cada palavra baixinho e devagar. Parecia a Shaoran que ela sabia exactamente do que ele gostava. – "Porque insistes em ficar a ver imagens se podes ter-me?" – ela beijou-o no pescoço sedutoramente – "Tocar-me" – agarrou na mão dele e dirigiu-a ao seu corpo –" beijar-me" – ela aproximou os seus lábios dos dele.

Shaoran estava perplexo. Nunca imaginou que Sakura fosse tão ousada.

Louco por provar aqueles lábios, agarrou-lhe na cabeça e beijou-a. Eram fofos, os seus lábios. Eram beijos suaves e com sabor a cereja, o seu fruto predilecto. Afastaram-se e Shaoran viu Sakura a desaparecer na escuridão.

-"Achas correcto Shao?" – ele olhou para o lado e viu Eriol.

-"Do que estás a falar?"

-"Achas bem? Desiste enquanto podes meu amigo. Desiste enquanto podes…"

-"Desistir? Desistir do quê?" – ele começou a cair. Caía na escuridão e gritava confuso – "Desistir do quê?"

Abriu os olhos e constatou que tinha caído da cama enquanto dormia.

Fim


-"Onde vamos hoje?" – ela perguntou

-"First things first" – ele sorriu – "Queres casar em que dia?"

-" Estou na dúvida entre 1 de Abril ou 2 de Maio"

-"Estão eu vou apontar aqui essas duas datas e depois tu decides mais tarde ok? E em que sítio te queres casar?"

-"Aí está um grande problema… o Yukito quer casar num campo de basket… que eu não concordo! Acho horrível!" – Ela acrescentou ao ver a cara de Shaoran.

-"Num campo de basket?" – Ele riu à gargalhada, sendo acompanhado por Sakura – "E tu queres casar onde? Num campo de futebol?" – ele não aguentou e riu ainda mais.

Sakura fez cara de amuada e acrescentou: -"Não! Estava a pensar num de volei" – Ela iniciou outra sessão de risos, daquelas que nos faz agarrar à barriga e chorar devido ao esforço.

-"Campos de basket estão excluídos então…"

-"É… sinceramente, desde criança que quero casar num sítio com muitas flores, com uma vista bonita… num sítio que seja propício à ocasião…"

-"Então o que é que ainda fazes sentada?" – Ele disse com as chaves do carro na mão.

-"Gostas?"

-"Sinceramente… não! Tem muitas pedras"

-"Por Buda… Quem te fez assim tão esquisita?"

Ela sorriu.

-"O primeiro local que me mostraste… Eu caso-me lá Shaoran"

-"Tens a certeza?"

-"Hum hum" – Ela assegurou-lhe.

-"Então o que é que ainda estamos aqui a fazer? Vamos embora" – Ele disse antes de se dirigir para o carro.

Shaoran já conduzia há algum tempo. Ia pensativo, nunca pensou conhecer uma mulher tão indecisa. Tinha passado o dia inteiro a mostrar-lhe bons locais para o casamento e FINALMENTE tinha escolhido um.

Atendeu o telemóvel, que com toques sucessivos o tinha tirado dos pensamentos.

-"Mas tenho os papéis em casa Eriol"

-"Tens de os ir buscar Shaoran. O jantar com os assessores de Kyoto é daqui a uma hora. Passa por casa, traz os papéis e um fato… Arranjas-te na minha casa porque ainda tenho de lhes dar uma leitura final ok? Não te demores!"

-"Sakura, antes de te deixar em casa podemos passar pela minha casa só para ir buscar uns papéis? É que a tua casa fica a caminho da do Eriol, é coisa rápida" – Ele perguntou à mulher ao seu lado depois de desligar o telefone.

-"Claro Shaoran, não há problema!" – Ela disse. Não tinha pressa em chegar a casa. Queria ficar ali, com ele. Abanou a cabeça. Mas no que raio estava ela a pensar? Decidiu fixar com atenção o caminho, assim evitaria pensamentos parvos e sem cabimento.

Shaoran parou o carro e saiu.

-"Já volto" – Ela ouviu antes de ele subir. Devia morar num apartamento. Viu uma velhota a sair do prédio. Sakura observava os detalhes da arquitectura do prédio quando a senhora caiu. Ela preocupada, saiu do carro e foi ajuda-la.

-"Está bem?"

-"Estou minha querida"

-"Maldito Presidente que nem para calcetar as ruas serve… Não lhe dói nada?"

-"Não minha querida, estou bem. Ajuda-me só a levantar está bem?"

-"Claro" – E ajudou-a

Shaoran observava tudo da sua janela. Nunca tinha visto uma mulher como Sakura: Era simpática, divertida, prestativa, carinhosa, caridosa… muitas mulheres não eram assim. Nunca nenhuma mulher foi tão simpática com ele à excepção de Meilin mas isso era um caso à parte. Muitas era falsas, hipócritas e isso deixava-o revoltado…Como gostava que Sakura não tivesse noivo.

-"Muito obrigado Sakura. Até um dia"

-"De nada, tenha mais cuidado Sra. Amamya." – E voltou para dentro do carro, enquanto que Shaoran descia as escadas e saiu do prédio.

-"Demorei?" – Ele sentou-se ao volante e ligou o carro.

-"Não…" – Ela disse com um sorriso meigo e seguiram para o apartamento de Sakura.


-"Sr. Li, a Sra. Kinomoto está aqui… Pode entrar?" – perguntou a secretária.

-"Mande-a entrar" – disse Li.

-"Kinomoto… não é a cunhada da Tsukishiro?" – disse Eriol que também se encontrava na divisão.

-"É… Sakura" – disse Shaoran

Eriol ergueu uma sobrancelha. Não era coisa do Shaoran tratar as noivas pelo nome próprio, muito menos falar com elas com aquele encanto.

Sakura entrou na sala.

-"Shaoran… Quero-te pedir uma coisa…" – Eriol tomava atenção à conversa dos dois. Pelos vistos ela também o tratava pelo nome próprio.

-"O que foi?" – Shaoran perguntou a medo.

-"Queria-te pedir que mudasses o sítio da cerimónia…"

-"Shaoran olhou para ela com cara de parvo. Ela esboçou um pequeno sorriso constrangido.

-"Queres casar aonde?"

-"Sinceramente… Em nenhum dos que me mostraste…"

Shaoran mostrou-se pensativo mas depois disse: -" Eu acho que… sei de um sitio ideal. Sakura, estás ocupada hoje à tarde?"

-"Não" – Ela respondeu.

-"Então eu passo por tua casa hoje à tarde para te ir buscar ok?"

-"Ok, Xauzinho" – Ela saiu da sala e Shaoran seguiu-a com os olhos, reparando nas formas que ela tinha.

-" Shaoran Shaoran… não sabes onde te estás a meter" – disse Eriol enquanto fazia círculos pequenos com o seu copo de whisky.

-"Ah?"

-"Ela vai-se casar Shao…"

-"Eu sei, Duh, sou eu que estou a tratar do casamento…"

-"Shaoran… admite. Estás a começar a gostar dela."

-"'Tás parvo? Não estou nada 'pá…" – Ele convenceu-se a si próprio.

-"Não mintas a ti próprio Shao. Desiste enquanto podes"

-"Mas desistir do que?" – Ele perguntou confuso.

-"Desiste enquanto o que sentes por ela é pequeno. Não alimentes esse sentimento. Ela vai-se casar Shao… Ela não vai deixar o noivo por ti"

-"Deixar o noivo por mim? Mas eu nem gosto dela"

-"Fica na tua… Mais tarde vais ver quem tem razão."

-"Épa Deixa-te de tretas, Vai trabalhar" – Ele finalizou a conversa com uma gargalhada.


Shaoran parou o carro. Olhou para a casa e para todo o terreno à sua volta e aos poucos, os momentos que passou ali vieram-lhe à cabeça.

-"Aqui?" – perguntou Sakura.

-"Está descuidado mas é um sítio lindo, principalmente na altura do casamento. Pensei que podias fazer a festa na casa e a cerimónia ao pé do lago, mesmo ao lado da cerejeira. Percebes o trocadilho, Sakura – Cerejeira – Flores de Cerejeira?"

-"Podemos entrar?" – Sakura perguntou ao olhar atentamente para a casa. Recebeu uma resposta positiva e juntos entraram dentro da habitação.

Era uma casa de família, parecia que tinha pertencido a gerações anteriores à da última família que ali habitou. Shaoran mostrou cada recanto da casa enquanto falava dela com uma grande paixão e carinho. Parecia que a conhecia como a palma da sua mão.

-"Se eu me casar aqui, o que fazemos a esta mobília toda?"

-"Arrumamo-la num só quarto. Após a cerimónia, a mobília voltará para o seu lugar."

-"Shaoran… Onde fica a casa de banho?"

Shaoran ficou pensativo. A única casa de banho limpa e apresentável ficava lá em cima, no único quarto que estava destrancado. Sakura era distraída, talvez não reparasse…

-"Fica lá em cima, 4ª porta à direita."

Sakura subiu as escadas e Shaoran dirigiu-se à sala de estar. As mobílias estavam cobertas com grandes lençóis brancos e a divisão coberta de pó. Estava tudo como tinha deixado desde que… Olhou para a parede, onde ficava a lareira. Um retrato de uma família estava pendurado na parede. Shaoran aproximou-se do retrato e com um pano, sacudiu-lhe o pó. Eram três pessoas: Uma senhora de cabelos negros como o carvão, de pose séria e autoritária; Um senhor de cabelos da cor do chocolate, vestido de fato e gravata; Por fim, um rapazinho com um cabelo igual ao do seu pai e dois olhos que faziam lembrar âmbares. Como o senhor, tinha uma expressão descontraída e, típico da idade, um ar de reguila. Uma lágrima rolou pela face de Shaoran. Nunca pensou ter tanta coragem para voltar a entrar naquele lugar, cheio de recordações, carregado de cheiros e sabores, de sentimentos e lembranças que iriam para sempre perpetuar naquela casa. Como podem duas pessoas tão boas partir para longe, para sempre? Saiu lá para fora, para pensar, para se afastar um pouco de tantas recordações.

Entretanto…

Sakura reparava na decoração do andar de cima. Era em tons beges, cheio de carpetes fofinhas, quadros arrojados, autenticas obras de arte.

Numa correria, entrou na porta que lhe fora indicada sem reparar no que a rodeava. Depois de se aliviar, Sakura observou o quarto e a sua decoração. Estava ornamentado em tons azuis, certamente seria um quarto de um menino ou rapaz. Tinha posters de jogadores de basebol, lutadores de wrestling, de boxe… Além, Sakura viu uma estante. Aproximou-se dela para ver que tipos de livros tinha e para seu espanto, havia uma grande variedade de livros, desde desporto até culinária. Saltou-lhe à vista uma gaveta, onde encontrou lá dentro uma fotografia. Certamente seriam os elementos que outrora habitaram aquela casa. Na foto estavam 4 pessoas: No lado esquerdo estava um casal abraçado e no lado direito, com uma criança à sua frente estava um homem vestido de mordomo. Franziu as sobrancelhas… tinha a sensação de conhecer aquele menino mas… Fixou novamente a cara do rapaz, a sua expressão facial, os olhos e os lábios… Seria o Shaoran? Era o Shaoran! Dirigiu-se à janela e viu o homem junto à margem do pequeno lago, mesmo ao lado da cerejeira. Quando saiu de casa de banho, desceu as escadas e foi ao encontro de Shaoran.

-"Shaoran… porque não vives aqui?" – ela sentou-se ao lado dele –" Desculpa… se não quiseres dizer eu respeito a tua decisão." – Ela disse ao aperceber-se do quanto foi indiscreta.

-"Não faz mal" – ele fixava o lago –"O trabalho não permite que eu viva aqui…" – ele disfarçou a realidade.

-"Então porque não vendes a casa?"

-"Não consigo…"

-"Compreendo…"

Ficaram um bom tempo calados, só a aproveitar a companhia um do outro.

-"Como foi que o Sr. Shaoran Li se tornou um empresário de sucesso?" – Sakura perguntou.

Antes de responder, Shaoran respirou fundo. Algum dia teria de falar disso a alguém, e sabia que podia confiar em Sakura, ela era boa pessoa.

-"Este sempre foi o meu lar, a minha Casa. Aqui morava eu, os meus pais e o Wei, o mordomo da família. Ele sempre foi muito viajado, conhecia tudo sobre o mundo. Era o homem dos mil ofícios e desde pequeno que ficava na companhia dele, ansiava ser como ele. Graças ao Wei, pude abrir o meu próprio negocio. Quando os meus pais morreram eu decidi tentar a minha sorte na cidade" – Shaoran fez uma pausa.

-"Sinto muito pelos teus pais"

-"Não te preocupes, eu estou bem. Quando vim para a cidade, trabalhei num restaurante enquanto tirava um curso de noite. Foi aí que conheci o Eriol. Ambos tínhamos as mesmas ambições, ele sempre fora um menino rico que queria libertar-se da super-protecção dos pais, criando o seu próprio negócio. Decidimos montar uma empresa. Queríamos vencer na vida, sermos importantes e mostrar-mos o nosso valor. Entretanto o Wei perece, como não tinha filhos, toda a sua herança foi para mim. Com metade do dinheiro deixado por Wei e algumas poupanças de Eriol, montamos a empresa, pusemos um anúncio no jornal e depois o negócio começou a crescer de dia para dia e cá estou. Então e você, Sra. Kinomoto?"

-"Eu! Quando acabei o secundário, tirei um curso de relações públicas e hoje trabalho numa discoteca" – Ela resumiu.

-"Só isso? Eu conto-te a minha vida toda e tu só me contas isso?" – ele molhou a mão e salpicou-a.

-"Não há mais nada a contar Sr. Shaoran Li" – Ela levantou-se e respondeu-lhe da mesma maneira.

-"Sr. Shaoran Li Não! Para ti é Dr. Li" – Ele já a molhava com grandes porções de água.

-"Que grande presumido! Mas você não é médico Sr. Li" – Ela disse antes de correr atrás dele. Ganhou balanço e saltou para o colo dele. Os dois caíram dentro de água.

-"Sua pirralha! 'Tava doido para experimentar esta agua!"

Os dois nadavam vestidos. Quem os visse diria que eram duas crianças de 10 anos e não um empresário de sucesso e a namorada de um jogador de basket famoso.


-"ATCHIM" – Ela espirrou.

-"Estás constipada?" – Perguntou Tomoyo preocupada.

-"Não" – Disfarçou Sakura. Era de esperar que espirrasse depois de nadar vestida e voltar para casa encharcada. Coitado do Shaoran… Devia de estar no mesmo estado que ela.

Shaoran… Estavam a entender-se muito bem. Ele tinha-lhe contado a sua historia o que demonstrava a confiança que tinha nela. Se continuassem assim, iriam ficar grandes amigos. Amanha era outro dia, iria escolher a ementa para o casamento.

Dirigiu-se para o seu quarto e olhou-se ao espelho. Será que daria uma noiva bonita? Uma boa esposa? Uma boa mãe? Será que iria ser feliz com Yukito? Será que ele também iria ser um bom esposo, um bom pai? Abanou a cabeça. Era normal ela pensar no futuro, tinha as suas dúvidas e receios mas também tinha as suas certezas. Vestiu o pijama cor-de-rosa e foi-se deitar. Amanhã iria ser um dia longo e chato, não fosse o Shaoran estar lá com ela para tudo ficar mais alegre, descontraído.

-"Shaoran" – ela murmurou antes de entrar no mundo dos sonhos.


-"Sra. Sakura Kinomoto"

-"Mande-a entrar" – disse Shaoran pelo telefone à sua secretária.

-"Posso?"

-"Entra"

-"Olá" – Ela cumprimentou-lhe com dois beijos na face.

-"Então, como estás?" – ele perguntou um pouco ruborizado.

-"Vai-se andando… e Tu?"

-"Está tudo bem… Tens andado desaparecida"

-"É… tirei umas férias dos preparativos do casamento… também tenho direito não é?" – ela sorriu. Na verdade ela tinha-se afastado um pouco de Shaoran. Estava a pensar muito nele, a sonhar muito com ele. Razões? Fora isso que tentou procurar na sua pausa, mas não arranjou nenhum motivo para aquele comportamento.

TRIM TRIM

-"Desculpa Shaoran, posso atender aqui?"

-"Claro" – Ele disse reparando nela. Tinha vestida uma saia preta que dava pelos joelhos, Um top discreto de cor branca e umas sandálias pretas de salto alto. Tinha o cabelo preso e ao longo dele um ou dois ganchos brancos. 'Sofisticada e discreta ' – Ele pensou.

-"'Tou? Quem fala? MOOOOR! Que Saudades! Então o campeonato? Sério? Que bom! Que novidades? Não… Eu não acredito! Sério? E quando vens? Então eu vou-te buscar ao aeroporto ok? Beijos, também te amo. Sim, muito muito muito. Adeus!" – E desligou.

Shaoran ouvia a conversa atentamente e pela primeira vez sentiu uma sensação diferente, uma mistura de tristeza, raiva e inveja. Será que estava a sentir… Ciúmes? Ciúmes?

'Deixa-te disso Shaoran ' – Ele repreendeu-se. Sakura era a sua cliente e porque não, amiga. Era certo que tinha desenvolvido um grande apreço e simpatia por ela mas amor? Amor não! Ou pelo menos pensava que não. Já não sabia o que pensar. O seu coração falava mais alto e conseguia-lhe dar um motivo para aquelas sensações que estava a ter, coisa que a sua razão nunca lhe conseguiu dar. E se estivesse a apaixonar-se por Sakura? Teria de se afastar daquele sentimento de si. O amor? Nunca tinha acreditado nisso!

"Amor? Isso é para os tolos!" – Ele dizia. E agora? Agora ele era um tolo, um daqueles que ele tanto tinha criticado.

-"Desculpa Shaoran" – Sakura disse enquanto arrumava o telemóvel dentro da mala.

-"Não faz mal. Era o noivo?"

-"Era. Ele vem para cá amanha!"

-"Óptimo. Assim pode assinar os papeis que faltavam."

-"Então posso passar por cá amanhã à tarde?"

-"Claro. Finalmente vou conhecer o tão famoso jogador de basket."

-"Shaoran…"

-"Diz Sakura"

-"Eu vim cá para mudar as ementas…" – ela deu um sorriso muito constrangido.

-"Outra vez? Já é a oitava vez que mudas!"

-"Eu sei… mas…"

-"Mas nada. Toma as ementas outra vez." – Ele disse, rude e arrogante.

-"Shaoran… desculpa, a sério… Eu sempre fui assim, muito indecisa, insegura nas minhas escolhas."

Era isso que a tornava diferente das outras. Era isso que Shaoran gostava nela. Era a carinha que ela fazia quando voltava atrás nas suas escolhas e pedia desculpa, a forma como colocava as suas questões, como ficava pensativa ao ver um menu. Ela queria que fosse tudo perfeito e Shaoran não a censurava por isso. Como queria ser o Yukito. Esse sim, era um homem de muita sorte. Agora tinha a certeza, amava Sakura.

Shaoran tinha tido algumas namoradas mas nunca gostou verdadeiramente delas. Agora percebia que só esteve com elas por causa do sexo, ou talvez para não estar sozinho. Amar verdadeiramente? Isso nunca lhe tinha acontecido até agora. Era triste que na primeira vez em que se tinha apaixonado verdadeiramente, tivesse de travar aquele sentimento, pôr um fim aquele amor que ele tinha a certeza de nunca vir a ser correspondido.

-"Ok Ok! – Vê lá se agora escolhes bem!"

-"Prometo que foi a ultima vez que te chateei por causa das ementas" – e voltou a fixar os papéis.

-"Sakura…" – Ele abriu um pequeno sorriso repleto de ternura.


Oi! Este capítulo demorou para sair mas cá está! Por momentos pensei em desistir, porque tinha um milhão de coisas para fazer, estudar para aumentar as médias, preguiça (muita mesmo). Mas depois pensei bem, pensei nas pessoas que se deram ao trabalho de ler a minha historia e principalmente daquelas que deixaram reviews, daquelas que me mandam emails, dos amigos que fiz aqui e pensei que não podia parar, talvez poderia abrandar mas desistir nunca!

O que me dizem deste capitulo? Eu achei o principio um bocado chato mas para o fim, adorei a descoberta de Shaoran, os seus sentimentos. No próximo capítulo, Finalmente vai começar a haver mais acção, Os dilemas de Shaoran e de Sakura, Uma surpresa da parte do Yukito, Uma nova personagem que irá complicar tudo!

Ainda não respondi a nenhum review (acho), e por isso aos que tiverem registados eu irei mandar um email com os meus agradecimentos e aos que não são eu irei escrever aqui, discretamente. Mas ainda assim, Acho que todos devem ter o seu nome aqui escrito e o seu devido agradecimento, por isso:

Queria agradecer rapidamente (Para o FF não ver) às seguintes pessoas: Lunamc; cleopatra-cruz; A.C. Lennox; LiLiSaN;

Beijos muito grandes e muito obrigado por acompanharem esta história!

Kalilih