NA: Eu sou um amor,não sou? Então, não foi difícil me persuadirXD. Continuem assim, e eu posto loguinho o Dois também (que já está pronto) huahauhuahauhau. Obrigada mesmo a todos que deixaram reviews. Bjs!

ESCLARECIMENTO: Ok, dia 21 o mundo acaba, eu sei. – suspiro- mas... eu não pretendo desistir das fics, principalmente desta. Pinhão é algo totalmente impossível no livro, logo, eu não poderia viver sem. Espero que vcs tbm queiram continuar lendo a histórinha aqui depois que o apocalipse chegar.

Me digam, OK?? ObrigadaXD Bjs!

Disclaimer: O que existia no livro? Não é meu. Ethan e a galerinha dele são, sim. E com orgulho.XD


Capítulo Um

Vazio

Lupin aparatou com o rapaz moreno em seus braços para frente de Grimmauld Place, parando a porta para conseguir desfazer os encantos e entrar no lugar. Suspirou pesadamente e tomou fôlego para conseguir coragem de entrar. Por Merlin, ele teria muita coisa a explicar.

Encarou o rosto do garoto ao luar, pálido, respiração quase inexistente e perecendo... Etéreo. O que eles haviam feito? Sentindo um assomo de culpa, entrou na casa e parou, atordoado, logo no primeiro corredor. Membros da Ordem agitavam-se para todos os lados e havia diversos deles feridos e sendo cuidados por Hermione e Molly Weasley que se moviam de um lado para o outro, tratando do maior número de pessoas possível, em menor tempo. Para aumentar ainda mais a confusão, o retrato da Sra. Black urrava ao fundo, trazendo à cena um ar de desespero. Lupin ainda tentava acostumar-se com o arredor, quando Hermione o avistou, com Harry em seus braços, e correu em direção e eles.

- Harry! – berrou a morena, parecendo imensamente aflita, - O que houve com ele, professor?

- Ele está apenas adormecido, Hermione, eu posso explicar logo. – o homem carregava o rapaz em direção à sala mais próxima, depositando-o em um sofá, que se encontrava disponível - O que aconteceu aqui? – ele indagou, olhando em volta.

- Um ataque ao Beco Diagonal. – respondeu Fred, entrando na sala logo atrás de Hermione e sendo seguido de perto por McGonagall e Slughorn. Lupin percebeu alguém sentado em um dos cantos escuros da sala, que estava iluminada por poucas velas, mas não deu muita atenção ao vulto, temia o que iria acontecer em breve com Harry, mas precisava descobrir a extensão do ataque.

- Como aconteceu?

- Fomos avisados logo depois que vocês saíram. Lupin, o que está acontecendo? – falou Minerva, começando a parecer assustada, fitando o moreno no sofá, que começava a contorcer-se, parecendo estar no meio de um pesadelo.

- Vai levar tempo para explicar, Minerva. Como souberam do ataque?

- Um informante. – disse George, entrando no aposento e fechando a porta atrás de si - Um traidorzinho que deveria ser preso, mas parece que quis mudar de lado por medo. – ele lançou um olhar maligno para o canto onde estava o vulto e Lupin tentou visualizar quem estava lá. Mas uma voz arrastada o precedeu, fazendo-o surpreender-se quando um rapaz loiro e com vestes sujas aproximou-se do círculo onde eles estavam.

- Cuidado com a língua, Weasley. Se não fosse por mim, você e a sua imitação não estariam aqui agora. – Draco Malfoy estava magro e parecia, definitivamente, degradado. Seus cabelos estavam parecendo sujos e haviam perdido o brilho, a magreza era tanta que as vestes pareciam dançar em volta de seu corpo, e seus olhos expressavam medo, mesmo que ele tentasse esconder isso por trás da antiga arrogância, que agora parecia forçada, talvez por fala de uso. Os olhos dele caíram sobre Harry no sofá, assim como todos os outros, pois o rapaz parecia estar recobrando a consciência, murmurava alguma coisa ininteligível, e virava-se no sofá estreito, parecendo prestes a cair dali. Lupin tentou aproximar-se e Draco deixou escapar um audível "Que diabos..." quando um grito cortante, de dor, medo e desespero ecoou pela sala, paralisando a todos, sem exceção.

- NÃO!!! Aaaaaaaaahhhhhhhhh!!! – o moreno contorcia-se, as mãos postas sobre o abdômen, agonia espalhando-se pelas linhas do rosto. Mais um espasmo sacudiu seu corpo e ele caiu no tapete, ainda gritando de forma desconexa e apavorante. Eles não conseguiam se mover para ajudá-lo, embora a própria visão de Harry fosse um aviso claro de que não deveriam se aproximar. A respiração dele acelerou, como se, de repente, o ar lhe faltasse.

- Não, por favor, não! – ele parecia implorar, lágrimas sofridas escorrendo de seus olhos entreabertos para o seu rosto, que se tornava mais pálido a cada instante, parecendo não conter mais sangue ou vida, - Não! Não... – a voz foi sumindo, restando o pranto do rapaz que ainda contorcia-se, de lado, no chão, até que os sorvos de ar sumiram, suas lágrimas cessaram, seus apelos morreram e ele permaneceu imóvel sobre o chão, sem mover-se ou respirar. Os presentes não ousavam aproximar-se e, de todos, Draco parecia ser o mais apavorado. Logo quando ele decidira pedir ajuda, aquele imbecil iria morrer? Hermione deixou escapar um soluço seco e Lupin a segurou para que não fosse até o amigo, McGonagall colocou a mão sobre o coração, paralisada. O silêncio do moreno parecia ser ainda mais aterrorizante que seus gritos.

O tempo congelou, sete pares de olhos fixos no rapaz caído, muitos deles com lágrimas, até que com um grande sorvo, como se estivesse retornando a superfície depois de um longo mergulho, Harry sentou-se no chão e abriu os olhos. Fixando as íris verdes em Lupin, que estava mais próximo. O professor aproximou-se de Harry e o ajudou a se levantar, o rapaz parecia atordoado, olhou para cada um dos presentes e então para suas próprias mãos, com desespero, sem dizer uma única palavra. Voltou o olhar para os demais novamente e foi quando ele fitou Slughorn, que este prendeu o fôlego e deixou escapar um lamento que fazia par com os que Harry havia feito antes.

- Harry, meu garoto! – o homem deu dois passos para trás, parecendo recuar com medo - Lupin, quem o transformou? – ele parecia imensamente triste e Lupin escondeu o rosto entre as mãos, enquanto Harry baixou a cabeça, analisando as próprias mãos mais uma vez.

- Como? – indagou Hermione, confusa - Como assim, transformou, professor?

- Bem, minha cara srta. Granger, os estágios da transformação estão todos aí. Alguém transformou Harry em um vampiro.

Os olhares fixaram-se no moreno mais uma vez, que, lentamente, levantou o olhar para todos eles, fixando-os um por um, fazendo-os ter um arrepio coletivo, até que viu alguns deles recuarem para longe dele, como se ele fosse uma ameaça, como se fosse criar presas e sair mordendo todos. Ele suspirou e parou onde estava, escorando-se no sofá. Estava tão cansado e, no entanto, estava absolutamente desperto, como se horas de sono tivessem precedido seu despertar. Olhou para Lupin, que fixou dois olhos castanhos marejados no rosto do garoto a sua frente.

- Onde está Ethan? – sua voz parecia mais fria até para seus próprios ouvidos. Merlin, tudo estava tão estranho.

- Ele ficou na mansão, Harry. – Lupin aproximou-se, - Ele... Ele pediu para que eu lhe dissesse que em uma semana o exército dele será seu. E que quando tudo acabar, ele saberá como lhe encontrar. – Harry deu uma risada amarga e baixou os olhos novamente.

- Aposto como ele sabe.

Lupin estava desolado. Era o último adulto que representava mais do que um professor que Harry tinha, e olhe só o que ele havia deixado acontecer. Passou um braço pelos ombros do rapaz e, surpreendentemente, Harry deixou-se abraçar, enterrando a cabeça no pescoço do homem a sua frente. Quase todos os presentes recuaram horrorizados e Harry logo se afastou do amigo, encarando George Weasley.

- Não, não está na hora da minha janta, e eu não vou morder ninguém. – George arregalou os olhos, espantado - E sim, Hermione, eu posso ler seus pensamentos, então pense menos, está me dando dor de cabeça. – Virou-se para Lupin - Por favor, Remus, explique tudo para eles? Eu preciso... Ficar sozinho.

- Claro, Harry. – o garoto saiu da sala sem dispensar mais nenhum olhar a ninguém. A realidade era que cada um dos pensamentos deles penetrava sua mente e o fazia tonto e confuso, sem conseguir separar o que era ele, o que eram os demais. Como aquele vampiro havia ousado fazer aquilo com ele? Como? Entrou no quarto que ocupava sozinho, há mais de três meses, desde a morte de Ron, e encarou-se no espelho. Um rapaz moreno de dezoito anos de idade lhe encarou de volta. Os mesmos cabelos arrepiados, o mesmo corpo magro, mas forte e, no entanto... Aquele jamais seria Harry Potter. Os olhos eram frios, verde-esmeralda, mas gelados, sem vida, escurecidos por ódio contra a pessoa que havia lhe transformado naquilo. A pele pálida, translúcida, fria. Ele sentia o vazio que habitava dentro dele. Ele era belo, desumano e eterno.

Ele era o que Voldemort sempre quisera ser e jamais seria. E, mais uma vez, se ele tivesse tido escolha, nada teria sido assim. Não conseguia sentir-se assustado, ou com medo de nada. Não lhe apavorava a idéia de estar condenado a eternidade, não lhe causava medo pensar que teria que enfrentar Voldemort, não estava nem mesmo triste com os olhares temerosos que recebera há pouco de seus próprios amigos. Ele estava vazio. Restava um ódio crescente contra Ethan e, ao mesmo tempo, uma necessidade de vê-lo e pedir-lhe que lhe explicasse tudo que ele teria que saber. Jogou-se na cama e fechou os olhos, o frio não o incomodava, ele mal o sentia. Divagou que deveria estar mal acostumado. A cada nova descoberta em sua vida, ele sempre tivera um tutor, Dumbledore, Sirius, Lupin. No entanto, nenhuma mudança havia sido tão grande quanto aquela, e agora, quando ele mais precisava, seu suposto tutor lhe abandonava. Suspirou e sentiu-se escorregar aos poucos para o sono, sentindo o vazio se expandir pela sua alma. A última coisa que viu antes de adormecer foi um lampejo cinza e metálico de dois olhos que sorriam para ele.

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Draco entrou no quarto sujo, que continha duas camas pequenas e móveis que pareciam prestes a se desfazer, mas sentiu-se imensamente feliz. Ele estava seguro, agora tinha certeza disso. Dois anos com os Comensais e sua falta de talento para matar, torturar e simplesmente cumprir as ordens daquele mestiço nojento já haviam lhe posto em perigo por diversas vezes. Se estava vivo até hoje, era graças aos apelos de Snape em seu favor, lembrando ao seu senhor que, enfim, Draco havia planejado todo o plano para a morte de Dumbledore, e ele apenas não havia executado o projeto até o fim. Mas agora, com a morte de seu pai em Azkaban e a fuga de sua mãe para o exterior (com a ajuda de sua tia Bella), ele estava incrivelmente perto da morte. Mais alguns dias e, se ele cruzasse com o Lorde em um momento de mau humor, era uma vez Draco Malfoy, não importava o quanto Snape apelasse em seu favor. O antigo professor havia facilitado em muito a sua fuga, dando-lhe a informação que ele necessitava para barganhar seu asilo com a tal "Ordem da Fênix", mas, ainda assim, nenhum deles parecia disposto a mantê-lo ali. A chegada de Potter naquele estado, no entanto, havia mudado tudo. Estavam tão preocupados com o Cicatriz que não haviam sequer lhe tirado a varinha e ele fora dispensado como um assunto para ser tratado depois.

Mas o estado do outro rapaz era alarmante. Por Merlin, um vampiro! Não daqueles fracos, dos verdadeiros vampiros. Draco lembrava-se de histórias que ouvira sobre eles quando pequeno, e recordava dos rumores que circulavam há algum tempo entre os Comensais de que eles haviam abandonado o Lorde, embora nada fosse confirmado, uma vez que nem a existência deles era confirmada, imagine sua adesão, ou deserção, ao exército daquele maluco. Todavia, ali estava, Potter, transformado em uma daquelas criaturas. O herói do mundo bruxo era uma criatura das trevas. O pensamento provocou um arrepio no loiro.

Tomou um banho e colocou uma roupa limpa, pela primeira vez em muitos meses. Seus cabelos lavados começaram a recuperar o antigo brilho e, depois da refeição rápida, mas farta, que fizera na cozinha, ele sentia-se muito bem, em comparação aos últimos tempos. Era bom saber que, antigo inimigo ou não, ali ele ainda era tratado como uma pessoa. Granger havia lhe dado uma muda de roupa de cama e um pijama, antes de anunciar que iria para a biblioteca, pesquisar e encontrar uma maneira de "reverter" a situação de Potter. Só mesmo uma sangue ruim para acreditar que seria possível reverter uma vampirização. Quando estava subindo as escadas, conforme as indicações que lhe foram dadas, para chegar ao seu quarto, viu Lupin e aquela desajeitada de cabelos rosa consolando o que parecia ser a Weasley mãe, que soluçava desesperada.

Não quis mais pensar no fato de que agora que mudara de lado, tudo ali parecia ir de mal a pior. Era mesmo seu tipo de sorte.

Deitou-se e tentou dormir. Estava cansado física e mentalmente pelo stress de todo o seu dia, da entrega da informação, a tentativa de se fazer acreditar entre aquele bando de Weasleys desconfiados e então a cena na sala, até que o mandaram subir e o aceitaram ali. Ele estava seguro e precisava dormir. Algo lhe dizia que o dia seguinte seria incrivelmente longo.

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Harry sentiu Hermione aproximar-se da porta do quarto, antes de ouví-la abrindo. Não teve ânimo para levantar ou se sentar, apenas olhou para a porta e viu a amiga entrar, sorrindo, e lhe encarar, aproximando-se e sentando na beira de sua cama.

- Como você está? – ela indagou suavemente e Harry deu de ombros, incerto, enquanto se sentava.

- Como se eu realmente não quisesse ter acordado. – ele deu um sorriso triste e Hermione esticou a mão e tocou no rosto dele. Harry pôde perceber que ela controlou-se para não a retirar quando sentiu o frio de sua pele e agradeceu mentalmente por isso. Ele não suportaria a rejeição de sua melhor amiga.

- Eu passei a noite pesquisando. – Harry deu um sorriso quase involuntário, - Eu... eu vou descobrir uma maneira de reverter isso, Harry. Eu juro, nem que eu passe a minha vida toda, eu vou descobrir uma maneira. – Harry a encarou.

- Eu não acho que exista uma reversão, Mione. Mas você já me ajudaria se pesquisasse sobre o que... O que está acontecendo comigo. Ontem, os pensamentos de vocês, me confundiram... Eu... Eu preciso descobrir o que eu sou, o que eu posso fazer. – Hermione suspirou e levantou da cama, indo em direção à janela.

- A pessoa que... te fez, - Harry lhe lançou um olhar de desagrado, ele não era uma coisa para ter sido "feito" - ele devia ter explicado tudo. Quem foi, Harry?

- Isso realmente não importa, Mione. – o rapaz levantou - Por que hoje eu não escuto você pensando?

- Oclumência. Parece que a mente humana é mais aberta, é mais fácil de ser lida. Você vai ter que usar Oclumência contra nós daqui para frente. Com o tempo, você aprende a controlar. – Harry deu uma risada amarga que lembrava, estranhamente, Sirius.

- Isso é realmente esplêndido. Além de ser essa coisa, eu ainda vou ter que lidar com Oclumência. Algo que eu nunca consegui fazer. São, de verdade, todos os meus sonhos se tornando realidade – Hermione lançou-lhe mais um olhar triste e virou-se para abrir as cortinas, deixando o sol e o ar frio penetrarem no quarto. Harry recuou um passo e fechou os olhos com a luz. Suas pupilas ardiam, sua pele ardia, sol não era uma boa coisa e, definitivamente, como Ethan havia dito, era desconfortável.

- Feche, Mione, por favor.

- Desculpe, Harry, eu... Não pensei... – ela parecia temerosa que algo de grave fosse acontecer. Ele balançou a cabeça, enquanto ela se apressava em fechar a janela novamente.

- Eu não vou derreter, nem nada assim, é só que... Arde. – ela lhe lançou um olhar compreensivo.

- Bem, você está com fome ou algo assim? – ela ainda perecia temerosa. Harry riu.

- Sim, estava pensando em começar o dia com sangue de melhor amiga, o que você acha? – ela lhe lançou um olhar desaprovador.

- Isso realmente não é motivo para brincadeiras, sabia? – Harry sorriu.

- Na verdade, é sim, Mione. Porque ontem, quando eu fui dormir, eu achei que estava absolutamente vazio e que tudo que havia restado era o ódio por quem me deixou assim. Só de eu poder descobrir que eu ainda posso brincar e de ver que você não gritou quando veio até o meu quarto, só o fato de que você veio, já me faz sentir melhor. Então, sim, eu posso fazer brincadeiras. – o olhar da morena suavizou e ela lançou-se ao pescoço do rapaz, chorando.

- Eu vou descobrir um jeito, juro que vou.

Harry sorriu. Não que não acreditasse no potencial de Mione, mas achava que era impossível reverter sua situação. Ele precisava só aceitar. Já não estava mais tão vazio quanto ontem, embora estivesse longe de se sentir como se sentia antes, mas não parecia mais tão ruim. Afastou-se da amiga e, deixando-a espantada, deu-lhe um beijo na bochecha.

- Vamos logo para a cozinha antes que eu te ataque, Mione. Eu estou morrendo de fome. – ela riu, ainda que contrafeita, e o seguiu. Talvez aquele fosse ainda apenas o Harry, no fim das contas.

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A cozinha estava praticamente vazia, quando os dois chegaram lá. Malfoy comia em silêncio a um canto, Molly estava botando alguns pratos para lavar e Lupin lia o jornal. Parecia que todos haviam combinado tratá-lo normalmente, apesar de Harry jurar que a voz da Sra. Weasley estava embargada quando lhe desejou "bom-dia". E os pensamentos. Não eram tão claros como havia sido ontem, mas vinham mesmo assim, esporádicos, apenas alguns dos mais fortes, Harry julgava. A vontade que a Sra. Weasley estava de chorar, a preocupação de Lupin, a vontade de Hermione de reverter sua situação. Ele tinha certeza que se se concentrasse com força suficiente poderia ouvi-los todos, mesmo que não quisesse.

Já estava olhando, desanimado, para uma torrada que estava a sua frente há quinze minutos quando identificou algo que estava lhe incomodando. Havia uma pessoa que não estava invadindo sua mente com seus pensamentos. Malfoy. Silencioso o loiro estava à mesa, silencioso estava na cabeça de Harry. O moreno levantou o olhar e encarou o outro, tentando verificar o que estava acontecendo. O loiro parecia concentrado em seu café da manhã, nem sequer levantava o olhar para qualquer dos outros que estavam na cozinha.

Harry estava desacordado quando haviam explicado o porquê de Malfoy estar ali, mas, com a inundação que sua mente sofrera na noite anterior, as informações acumulavam-se. Ele lembrava de George chamando o loiro de traidor, lembrava da raiva que Fred tinha contra ele, apesar de misturada a um pouco de gratidão, por terem podido escapar ao ataque com vida, de Hermione, e Lupin, e McGonagall... Mas, mais uma vez, a mente de Malfoy era nula, não lembrava de nada. Voltou a fitar o rapaz, que parecia estar ficando desconfortável com aquela observação toda. Lançou um olhar de lado para Harry e colocou a xícara que estava segurando sobre a mesa.

- O que foi, Potter? Se ninguém lhe explicou, eu ofereci ajuda e tenho todo o direito de... – a voz dele morreu quando o olhar gelado de Harry encontrou o seu. Merlin, aquele não era o Cicatriz. Aquilo não era nem ao menos humano. Ele desviou o olhar e baixou a cabeça novamente, Harry sentiu-se mal. Lera medo na expressão do outro. Não havia conseguido olhar nos olhos dele, mas toda a sua linguagem corporal berrava "medo".

- Eu sei o que aconteceu. Eu... Entendi, ontem. Hum. Nós devíamos agradecer a você. – o loiro o olhou de lado novamente, confuso. Num segundo, parecia um monstro, no outro, era o grifinório honrado? – Eu só queria perguntar... Seus pensamentos. Eu não os ouço. Como?

- Oclumência, Harry. Eu já lhe expliquei isso. – retrucou Hermione.

- É, Oclumência. - concordou o loiro - Não é como se fosse seguro andar entre Comensais com sua mente aberta.

- Você é bom nisso. – era uma afirmação, Harry se lembrava de seu sexto ano de escola, quando nem Snape havia conseguido ler a mente do outro.

- Sou. – confirmou o rapaz, recuperando um pouco mais a pose arrogante. Harry voltou a encarar a torrada e considerou a questão por alguns minutos. Detestava Malfoy, era verdade, mas por uma birra infantil que agora parecia ridícula. Não o odiava de verdade, não como odiava Snape. Quem melhor do que um bom Oclumente para lhe ensinar?

- Me ensine, Malfoy. Me ensine Oclumência e eu garanto toda a proteção que você quiser dentro da Ordem. – Lupin engasgou com o chá que tomava e Hermione deixou escapar um "Harry!", enquanto a Sra. Weasley deixava um prato cair no chão.

O loiro encarou o moreno alguns segundos, seu rosto nas sombras, sua expressão indefinível.

- Acordo feito, Potter. – se ele dependia da Ordem agora, o que seria melhor que ganhar a confiança de seu garoto de ouro?


NA2: hehe. Estão gostando ainda? Dêem opiniõesXD

E deixem review. XDD

Agradecimentos: Phoebe e Sweet (a hora está chegando, manenhasXD) e Agata Ridlle, que me atura fins de semana afora e ainda beta os capítulos doidosXD

Bjs pessoal,

Review!