NA: capítulo Dois Aqui e Três prontenho e Quatro sendo produzido neste instanteXD então... Review e tudo andará rápido aquiXD
Disclaimer: O que existia no livro? Não é meu. Ethan e a galerinha dele são, sim. E com orgulho.XD
Capítulo Dois
Oclumência
"First day of love never comes back (O primeiro dia do amor nunca volta)
Compassion, (Compaixão)
its power's never are wasted wrong (seu poder nunca é desperdiçado em vão)
The violin, the poet's hand(O violino, a mão do poeta)
Every thawing heart plays your theme with care (cada coração degelado toca sua música com cuidado)"
While Your Lips Are Still Red - Nightwish
Harry combinou a primeira "aula" com Malfoy, às oito horas daquela noite. Mal o loiro havia deixado a cozinha, com um sorriso arrogante dançando nos lábios, o rapaz se viu atacado pelos presentes, exigindo saber como Harry poderia confiar uma tarefa daquelas a alguém que havia acabado de virar um traidor. O rapaz esperou que eles todos parassem de gritar e esbravejar, e os encarou, friamente, quando viu que eles se acalmavam.
- Malfoy não tem nada a perder se me ajudar da forma adequada. E só tem a ganhar se eu ficar satisfeito. Eu propus, ele aceitou. Fim da história. – à medida que ele falava, com a voz muito baixa, um ar frio parecia invadir a cozinha. Suas palavras pareciam pesar em torno deles. Hermione aproximou-se inconscientemente de Lupin, e a Sra. Weasley arregalou os olhos, afastando-se alguns passos, em direção ao canto oposto a onde Harry estava. Lupin o encarou, mas também não parecia estar disposto a se aproximar. A raiva elevou-se um pouco mais. Como ousavam lhe contradizer? Como tinham a audácia de tentar gritar com ele?
Seus próprios pensamentos o assustaram. Harry respirou fundo. Sentia-se como quando seu poder se descontrolava na casa dos Dursley. Precisava retomar o autocontrole, ele não poderia assustar os únicos amigos que tinha. Respirou fundo mais uma vez, conseguindo, aos poucos, fazer a atmosfera voltar ao normal. Com a cabeça baixa, murmurou um pedido de desculpas e foi para a biblioteca, buscando a solidão.
Já havia se sentido um perigo para os outros antes, mas nada como agora. Ele era um perigo por ser o alvo permanente de Voldemort, Ron era a prova concreta de que não era seguro estar, ou ser, próximo a ele. Havia se sentido uma ameaça no quinto ano, quando tivera sua mente invadida, mas o que ele sentira na cozinha, aquela raiva fria por ter sua palavra contrariada, a atmosfera que ele mesmo criara, era ele, não havia desculpas. Não era Voldemort ou as forças do mal. Era Harry Potter, o vampiro, sentindo uma raiva descomunal, e sentindo-se capaz de, literalmente, matar, se fosse contrariado.
Sentou-se e apoiou a testa sobre a mesa, onde ainda estavam os livros que Hermione vinha pesquisando. O vazio lhe invadia mais uma vez. Merlin, era tão difícil... Ouviu a porta se abrir e, quando levantou o olhar, deparou-se com Lupin. O professor sentou-se ao lado dele e Harry desviou o olhar, deixando a cabeça tombar novamente.
- Como você está, Harry?
- Ótimo! – respondeu o garoto, com uma agressividade contida, - Nunca estive melhor. Eu me tornei uma coisa capaz de atacar alguém porque fui contrariado. Que não pode nem sair à luz do sol, porque sente a pele pegar fogo, que vai estar aqui depois que todos se forem. Eu me tornei... Sujo. Igual a Voldemort, uma criatura...
- Das trevas? Incapaz de ter um amigo sem correr o risco de despedaçá-lo num momento de descontrole? Um ser nocivo, perigoso, que deveria estar condenado a ficar sozinho? – o rapaz levantou o olhar e viu um sorriso bondoso no rosto de seu professor e amigo, - Não, Harry, não é assim. Foram seu pai e Sirius que me provaram que não é assim. Você não mudou porque foi mordido, Harry. Você ainda é você, um pouco diferente, e precisando aprender a lidar com isso, talvez, mas ainda é você. Ninguém vai temer você, não se realmente lhe amarem, e eu sei que eles amam. Você vai se adaptar, você é forte e vai conseguir superar mais esse obstáculo. São as nossas escolhas que nos definem, Harry. Você sabe disso melhor do que qualquer um. Você sempre escolheu o lado certo. Mesmo tendo todas as chances de fazer o que era errado e fácil, você sempre optou pelo correto, por mais que sofresse com isso. Eu não vou dizer que será fácil, que em dois dias tudo voltará a ser como era antes, mas ainda é você aqui. Eu ainda consigo ver o olhar inocente do mesmo Harry que jogava quadribol em Hogwarts, mesmo quando seu olhar se torna frio, como agora há pouco. Você aprende, Harry. E ninguém vai deixar de amar você por isso.
Harry encarou seu professor mais uma vez. Reconheceu que, se havia alguém que fosse capaz de compreender o que ele passava, esse alguém era Remus. Sentiu-se um pouquinho melhor, mas não muito.
- Mas você só passa por isso uma vez por mês, eu...
- Eu sei que a sua condição é permanente. Mas eu tenho certeza que você consegue se adaptar, Harry. Você só não pode se deixar levar. – Harry acenou com a cabeça. Ficar sentindo pena de si mesmo realmente não iria ajudar em nada. – Quanto ao Malfoy... – Lupin sorriu.
- Foi uma atitude inteligente. Ele só tem a ganhar lhe ajudando, você tem razão. Foi apenas inesperado. Concentre-se nisso agora, Harry. Na Oclumência e em descobrir mais sobre o que você pode ou não fazer. Slughorn foi até Hogwarts, ele prometeu que voltaria para o almoço e traria alguns livros que ele pensa que vão ajudá-lo. Mas você pode começar com esses que Mione já separou. – o garoto lançou um olhar desanimado aos livros, mas concordou, de qualquer forma. Lupin levantou-se e, dando mais um sorriso, o deixou sozinho.
O resto do dia foi dedicado aos estudos, quanto mais aprendesse sobre aquilo que era agora, mais rápido poderia controlar suas atitudes e pensamentos e, assim, ofereceria menos risco. Durante todo o dia, no entanto, sentira-se cansado, sonolento, lutando para se manter acordado, embora tivesse dormido razoavelmente bem durante a noite. Entretanto, quando a noite caiu, era como se alguém houvesse apertado seu botão de ligar. Sentia-se desperto, disposto, alerta. Havia lido sobre aquilo em um dos livros que Slughorn trouxera da escola. Seus hábitos eram fundamentalmente noturnos, embora a idéia não lhe agradasse. Era bastante provável que Hermione ou Lupin quisessem acompanhá-lo em madrugadas insones e ele não deixaria que seus amigos se sacrificassem dessa forma por ele. Decidiu por tentar, ao menos, permanecer com seus próprios hábitos diários, enquanto fosse possível.
Descobriu que comidas ou bebidas não seriam um problema. Alguns livros indicavam que ele deveria evitar laticínios em geral, embora ele não considerasse isso um sacrifício, apenas de pensar em leite, ou qualquer coisa do gênero, seu estômago revira. Sua capacidade de concentração parecia alterada também. Ele jamais teria passado dez horas consecutivas, com intervalos muito pequenos para o almoço e jantar, por insistência de Hermione, debruçado sobre livros. E muito menos teria conseguido achar que aquelas dez horas não foram desperdiçadas. Afinal, o que eram algumas horas para quem tinha a eternidade pela frente?
Pouco antes do horário marcado com Malfoy, dirigiu-se para a sala da tapeçaria, onde haviam decidido que as aulas aconteceriam. Assim que abriu a porta, já encontrou o loiro à sua espera, sentado em uma poltrona, girando a varinha entre os dedos. Não lhe agradava nem um pouco a idéia de ficar por horas em uma sala com um vampiro recém-transformado, que não sabia manter o mínimo de autocontrole mesmo quando era apenas um bruxo, mas, ainda assim, era muito melhor que permanecer com os Comensais. Observou Potter se aproximar e ficar de pé, como que esperando que ele levantasse e o atacasse.
- Sabe, Potter, se você sentar fica mais fácil para que eu comece a aula. – Harry o encarou com uma sobrancelha erguida. Era realmente de Oclumência que estavam falando?
- Você não vai me atacar? – Draco o encarou de maneira estranha.
- Antes da parte prática, você precisa da teórica, foi assim que eu aprendi. Pedir que você deduzisse o que é necessário para manter sua mente limpa é, talvez, uma maneira garantida de que você absorva a essência da prática, mas leva muito tempo. E, por vezes, não surte efeito. Eu vou começar pela parte teórica, a menos que você queira que eu leia a sua mente.
- Não, obrigado. – respondeu Harry, começando a achar a situação engraçada. Malfoy estava incrivelmente nervoso, não o encarava por nada no mundo, girava a varinha nas mãos incessantemente, mas, mesmo assim, tentava parecer arrogante e o provocava. O moreno sentou-se em uma poltrona também, aguardando que o outro começasse a falar, enquanto diminuía um pouco as luzes do lugar, pois seus olhos começavam a ficar irritados.
- Oclumência é a arte da concentração involuntária. É, com a prática, evitar qualquer intromissão externa, sem esforço e, principalmente, sem deixar notar que você tem algo a esconder. Isso exige concentração, força de vontade e a capacidade de ocultar seus verdadeiros pensamentos. Pelo que eu percebi, você quer, no começo, apenas que a sua mente não seja invadida por pensamentos alheios involuntariamente. É como se você estivesse usando Legilimência contra todos, em tempo integral. Isso não vai ser difícil de consertar, a sua mente agora é diferente – ele imprimiu um tom de desprezo à palavra – É, de certa forma, mais forte e mais fechada. A sua própria natureza vai trabalhar a seu favor, no caso das mentes das pessoas que o rodeiam. – Harry conseguiu se animar um pouco, mas durou apenas até que ele ouviu as próximas palavras de Draco. – No entanto, com os seus semelhantes, você estará em desvantagem, Potter. Não vai ser simples, porque você é muito novo, sua mente é absurdamente aberta e sua capacidade de concentração, até onde eu me lembro, é nula. Você tem duas opções: deixar que eu te ensine apenas o que você precisa para combater os pensamentos das pessoas que moram aqui, ou trabalhar a sério e evitar que seus novos amiguinhos vejam através de você mais facilmente do que se vê através de janelas. – Harry lhe lançou um olhar especulativo.
- E o que você ganha com isso?
- Garantias. Eu quero a sua palavra, uma assinatura em um contrato mágico, de que nada vai acontecer comigo aqui. Que eu estou sob a proteção da Ordem e que não preciso lutar para merecer essa proteção. Garantia de que eu poderei ficar aqui, na sua sede, até que a guerra acabe e que, em caso da sua derrota, eu terei uma maneira de escapar. Que eu não serei entregue ao Ministério e meu nome será limpo, caso seu lado ganhe.
- Esse é um preço alto demais, Malfoy.
- É o preço da sua mente, Potter. Eu sei que você não valoriza seu intelecto tanto assim, mas algum valor ele deve ter. – Harry considerou a proposta por alguns minutos e o silêncio pesou a sua volta. Merlin, ele teria muito para explicar depois.
- Acordo feito, Malfoy. Mas eu também quero garantias. Você não deixa a Sede, a menos que seja em companhia de algum membro. Você não pode falar com nenhum de seus antigos contatos e, sob hipótese alguma, você poderá comentar sobre qualquer das coisas que você possa ver, enquanto praticamos.
- Eu aceito. – declarou Draco, sem hesitar. Um aceno de varinha de Harry e um pedaço de pergaminho pairou entre os dois. Uma pena foi conjurada e ele assinou, passando-o a Draco, que leu o contrato e fez o mesmo. O documento brilhou em intenso azul e foi selado. Harry o guardou no bolso da capa.
- Agora podemos começar.
Toda a parte teórica durou mais de uma hora, entre Draco explicando em que consistia a Oclumência e de que maneira poderia ser praticada, tornando-se uma segunda natureza, de forma que ninguém conseguisse penetrar sua mente. Não parecia difícil, de maneira alguma, com o rapaz loiro lhe explicando a teoria. Parecia, na verdade, muito simples, embora Harry imaginasse que pôr todas as instruções que recebeu em prática não seria exatamente fácil. Por fim, Draco se levantou e pediu que Harry fizesse o mesmo, aproximando-se do rapaz, ainda que parecesse não estar com muita vontade de fazer isso.
- Eu vou te atacar uma única vez, Potter, apenas para verificar o quanto você absorveu. Não deve ser fácil, mas é apenas uma primeira tentativa. Só não esqueça que eu assinei um contrato mágico, eu não posso falar nada do que eu ver, então, no caso de eu ver alguma coisa, não me ataque. – o tom do loiro era frio, mas Harry percebeu medo pairando por trás daquelas palavras. Malfoy estava com medo de ser atacado por um vampiro sem um mínimo de noção sobre o que era ser um vampiro. Harry decidiu que realmente não podia culpá-lo. Acenou com a cabeça, concordando, e aproximou-se do outro, que afastava os móveis com a varinha. Malfoy colocou-se em frente a ele, não muito distante, e se preparou. Harry também, varinhas em posição, e os dois se encararam.
A primeira coisa que Draco notou era que o moreno estava sem óculos, desde o café da manhã. A segunda, foi que o olhar verde do outro, que sempre que dirigido a ele era cheio de raiva ou emoção, encontrava-se frio, duro, tomado por algo que Draco lia como ódio. O que ele não notou, foi que o outro jamais estaria pronto para o ataque que ele faria, pois estava espantado demais, vasculhando o olhar de Draco. Olhos cinzas, metálicos, pretensamente frios, mas cheios de uma força humana, cheios de alma. Ele se perdeu no olhar do loiro, lembranças recentes e fortes vindo a sua mente, surgidas daquele brilho prata que refulgia no olhar do outro, como havia refulgido na última coisa que vira como humano: os olhos metálicos de seu criador. As memórias inundaram cada um de seus sentidos e foi sem resistência alguma que ele recebeu o choque do feitiço que o loiro lançou e Draco se viu tomado por lembranças que não lhe pertenciam. Uma cobra gigantesca em volta de um túmulo aos pedaços, olhos viperinos de um homem tomado por ódio, um garoto imenso e desagradável, um armário, Trestálios, Dumbledore caindo a sua frente, Severus Snape fugindo pelos portões de Hogwarts, Ronald Weasley desabando com um Avada Kedavra e risadas ao fundo e, por fim, talvez a cena que continha mais desespero que qualquer das outras, olhos cinzas aproximando-se dele, sua vida sumindo e a impotência que lhe tomava. Dor, e medo, e angústia, e sofrimento, e impotência, e tristeza e então, uma dor física e na alma, uma última recordação do que era ser um humano, o medo do que estava por vir e, por fim, um imenso vazio.
Draco retirou o feitiço, não agüentando mais o que estava vendo. Foi com outros olhos que mirou o rapaz que estava de joelhos no chão da sala e que segurava a cabeça com força, mordendo os lábios para não gritar. Respirou fundo para se acalmar. Não era ele que via Voldemort em sonhos, aquelas lembranças não eram suas, não fora ele que presenciara a própria morte e agora a revia a cada vez que fechava os olhos para evitar a luz. Respirou fundo mais uma vez e aproximou-se de Potter, que continuava imóvel. Draco só poderia dizer que ele estava vivo pelos grandes sorvos de ar que sacudiam o corpo do outro. Ajoelhou-se ao seu lado e esticou uma mão trêmula até o ombro do moreno.
- Potter? – ele chamou, hesitante, - Potter, você... – naquele momento Harry levantou o olhar e fitou o outro, que se descobriu incapaz de se mover. Por um segundo o pensamento de que havia descoberto o porquê dos mitos de vampiros serem criaturas tão perigosas era tão difundido invadiu sua mente, mas durou apenas um segundo. Os olhos verdes a sua frente eram muito mais interessantes. Continham tanta dor e um apelo tão grande, era impossível desviar o olhar. Ele não queria se afastar e, pelo que julgava ver nos olhos de Potter, nem ele.
Harry só queria entender o que estava acontecendo. O brilho cinza o chamava, como um chamado para casa. Por alguns momentos, Ethan e Draco fundiram-se em um só, era prata contra prata e ele quis entregar-se ao que sentia. Alguém lhe queria tanto... As palavras do vampiro que lhe mordera invadiram seus pensamentos, e ele perdeu-se em si mesmo, "Por vezes, podemos ter a essência de alguém e esta pessoa continuar viva, sem nenhuma alteração. Depende da nossa vontade, depende do quanto nós desejamos ter e ser aquela pessoa. Do quanto queremos possuí-lo como nosso, do quanto o desejamos para a eternidade." Alguém o desejava tanto, que o queria vivo para a eternidade. Subitamente aquele pensamento lhe causou alegria e satisfação. Alguém que o queria por sua essência, não por ser famoso ou algo assim. Mas então uma outra conclusão se formou, aquele alguém não era humano, não era real, era um monstro, unir-se a ele era perder também a sua alma. Cinza. Metal. Estava a sua frente e não era o mesmo. Era o mesmo brilho, mas vivo. Eram as mesmas cores, o mesmo desenho, mas não eterno. Era humano. Era sua chance de permanecer humano. Draco Malfoy não era Ethan, Draco Malfoy estava ali, lhe ajudando, enquanto Ethan havia desaparecido. Cinza contra cinza. Metal no metal. E apenas um deles era eterno e, por isso, era sujo. O que acaba é belo.
Ele se aproximou de Draco ainda mais, os olhos estreitando-se. E se ele buscasse vingança? E se tomasse para si a essência de alguém tão parecido com a de quem lhe tomara a sua? Ele estaria livre da maldição? Sentiu suas presas contra os próprios lábios. Ele estava tão entregue, era tão simples apenas aproximar-se e tomar o que queria. Mais um mergulho no cinza e Harry pôs-se de pé. Malfoy estava vivo e sentia medo. Viu refletido ali o que Ethan deveria ter visto refletido em seus olhos, a impotência e o apelo, mas Ethan não se importava. Ele, sim. Jamais morderia alguém, aquela seria a condenação eterna e não sua salvação.
Ficou em pé e deu as costas para o loiro e respirou fundo para se controlar. Não podia ceder. Simplesmente não podia. Beber o sangue de outra pessoa seria dar adeus ao pouco de humanidade que ainda lhe restava. Sentiu o outro se levantar também e o silêncio dominou o lugar por alguns minutos.
- Potter? - a voz do rapaz estava insegura e Harry apenas girou o pescoço, sem olhar para ele, no entanto, - Eu... O que... Ahn... Obrigado. – ao ouvir aquilo, Harry virou-se completamente.
- Pelo que, Malfoy? Quase ter te transformado em um monstro igual a mim? Realmente não precisa agradecer. Sua garantia está dada, mas as aulas não vão continuar. Por favor, saia. – virou-se mais uma vez para a parede, as mãos nos bolsos, respirando fundo. Pouco a pouco, podia sentir que estava voltando ao normal, se é que "normal" poderia ser aplicado a ele hoje em dia.
- Eu posso ser um ex-Comensal, Potter, mas cumpro minha palavra até o fim. Se você não controlar sua mente...
- Saia daqui. Eu posso aprender sozinho. – a voz estava mais uma vez fria, mas o loiro não se moveu. Silêncio mais uma vez.
- Foi ele, não foi? Esse Ethan, foi ele quem te fez? – Harry encarou-o de frente desta vez.
- Há uma cláusula naquele contrato, Malfoy, que te impede de falar sobre o que vê.
- Me impede de contar aos outros, não de discutir com você. Você é mesmo tão burro assim, Potter? Se deixando afetar por algo tão pequeno? Precisa aprender a se controlar!
- Não se atreva a me dizer o que eu tenho ou não que fazer! – Harry gritou de volta, mas o loiro não pareceu se abalar.
- Eu me atrevo, seu imbecil! Porque você é a única esperança que todos aqui têm com essa guerra. Você é imortal, Potter! Não seja estúpido, e não veja o que lhe aconteceu unicamente como desgraça! Nada é preto e branco, Potter, existe muito mais no mundo do que bem e mal! Você é um vampiro, mas conseguiu se controlar e não me mordeu! Foi isso que eu agradeci. Agora deixe de ser burro e aceite as aulas. Você precisa! Não vê o que este Ethan quis? Não vê que se ele conseguir penetrar nas suas defesas, você vai acabar se tornando escravo dele depois que tudo acabar? Não vê que vai acabar desenvolvendo uma obsessão por ele, seu idiota? Não vê que é com o afastamento que ele está provocando a sua devoção? Pense, Potter! Você precisa aprender a se controlar, se quiser continuar a ser você! – o loiro gritava e Harry jamais o havia visto descontrolado. Lembrou-se das palavras de Lupin horas antes e concordou, ainda que a contragosto, com a última parte do que o loiro havia falado.
Quanto à obsessão... As palavras do vampiro mais uma vez inundaram a sua mente, e ele teve certeza. "Do quanto queremos possuí-lo como nosso, do quanto o desejamos para a eternidade." A eternidade em devoção. Era isso que o esperava? Pois ele não cederia. Mesmo contra seus instintos, deu razão ao que o Sonserino dizia. Estava na hora de parar de reclamar e fazer algo de útil, se ele queria mesmo continuar sendo Harry Potter e não o escravo de algum vampiro-bruxo insano.
- Você tem razão. Eu preciso me defender, mas não é... Seguro para você, Malfoy, você viu o que eu quase fiz só porque seus olhos são... – o rapaz pareceu extremamente embaraçado. Esse era o velho Potter, divagou Draco. O dono da razão em um segundo, um garotinho inseguro no próximo.
- Por que eu pareço com ele, é isso? Você se controlou uma vez, Potter. Consegue se controlar novamente. A primeira sempre é mais difícil e dessa você já passou. Eu tenho um contrato a cumprir.
- Muito bem. Mas se você acabar por aí com presas e pele ardendo e mais sentimentos em um segundo do que conseguiria nomear, não me culpe depois. Continuamos amanhã. – o moreno subiu as escadas e entrou em seu quarto, ainda extremamente perturbado. Vários livros foram conjurados da biblioteca para sua cama e ele passou boa parte da noite lendo. Quando adormeceu, mais uma vez o brilho prata estava lá. No entanto, eram vivos, continham desprezo, talvez, e frieza, mas também medo e compaixão. Sorriu antes de cair no sono. Não estava vazio. Era um motivo para sorrir.
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Draco viu o outro deixar a sala e também seguiu para seu o próprio quarto, precisava pensar. Acabava de cometer a maior estupidez de sua vida e sentia uma vontade imensa de lançar um Avada Kedavra em si mesmo, ele merecia. Oferecera ajuda a Potter. Não só a Potter, a um Potter vampiro. A um Potter vampiro, obcecado pela cor de seus olhos. Fora impulsivo e burro, motivado pelo calor do momento, e não por esperteza, motivado por... Compaixão. As lembranças que vira vagaram um pouco pela periferia de sua mente e ele as afastou. Quanta dor. Quanto medo e quanto pesar e sofrimento. Merlin, como alguém vivia daquela maneira? Pela eternidade?
Permitiu-se sentir raiva do tal Ethan antes mesmo de vê-lo. Era baixo demais, deixar alguém tão instável e problemático quanto Potter andar por aí sem instrução alguma sobre o que ele era. Ele era um risco e acabava de se provar uma presa fácil...
Uma presa fácil. Carente, necessitado, sentindo-se estranho e rejeitado em níveis que superavam quaisquer que já houvesse sentido antes. Se alguém assim encontrasse consolo, de quem quer que fosse, isso significava a gratidão, literalmente, eterna. Eternidade. Quem não se sentiria atraído por isso? Não podia negar que a atmosfera que parecia envolver Potter era como um imã, e ele não era, nem ao menos, o mais afetado por isso. Percebia a sangue ruim balançar a cabeça diversas vezes, durante as refeições que haviam feito no mesmo horário, só de olhar para os olhos do outro. Potter não notava o quanto estava afetando todos ao seu redor. Gratidão imorredoura. Eternidade. A palavra ecoava na cabeça de Draco e ele começou a tomar decisões. O que seria melhor que ser eterno? Belo e imperecível... Invencível.
Levantou-se e foi até a biblioteca, juntando os livros sobre vampirismo que restavam lá. Ele precisava estudar, tinha muito a aprender e pouco tempo para fazê-lo. Tinha alguém para ajudar. Alguém que, como paga pela sua "devoção", lhe daria a eternidade.
Ele só precisava jogar as cartas certas.
NA: Draco não tem medo da morte, não é mesmo? Literalmente falando...
Então... gostaram? XD
Deixem Reviews!!!
MOMENTO SURTO: O mundo vai acabar amanhã, à meia noite!!!!!! Oh, my gooooooooooooooooooooooooodess!!!!!!!!! Ok, me acalmei. Enfim, eu já disse e reforço, esta fic não será abandonada. Para quem está lendo esta fic minha e tbm está acompanhando Além do espelho, eu peço perdão. Mesmo. A outra vai andar assim que o Ethan sair do meu pescoço para eu escrevê-lo. E a Phoebe. E a Celen. He.
Bom, era isso, Bjs e REVIEW!
Agradecimento Ágata Ridlle, a beta instantânea da meia noite.
Huahuahauhauhauhauahuahu.
Bjs, Agy!!!
