NA: Sobreviveram ao apocalipse? (ufa!) Então, aí vai o três. Muito, muito obrigada pelas reviews!

AVISO: as coisas começam a acontecer neste capítulo. "Eca" quanto a meninos ficando confortáveis um com o outro? Fecha a janelinha ;)

Disclaimer: O universo todo do Potter e companhia não me pertence e blá, blá, blá. Os vampirinhos são todos meus!


Capítulo Três

Decisões

Aproximar-se de Potter não era difícil, mas tampouco era algo simples. O rapaz parecia querer evitar a companhia de qualquer um, isolando-se por horas na biblioteca, ou em seu quarto. Por mais que tentasse permanecer com hábitos diários, algo que o próprio moreno havia confessado, estava cada vez mais difícil. Potter saía das aulas de Oclumência cada vez mais tarde, recolhia-se no seu quarto, e passava a madrugada lendo, indo dormir quando o sol já estava nascendo e acordando depois que todos já haviam almoçado. Draco começou a seguir esse hábito.

Conseguiu pegar os livros que Slughorn havia trazido para a Ordem quando Potter acabara de lê-los, dedicou-se ao estudo dos hábitos e costumes que vampiros tinham. Nenhum deles era exatamente um "Manual de Como Ser um Bom Vampiro", havia até mesmo discrepâncias entre alguns, mas ajudavam.

Por exemplo, Draco descobriu que vampiros normalmente escolhiam seus parceiros entre os mortais. Que o sexo do escolhido simplesmente não importava, que o vampiro que mordia seu parceiro tinha uma certa dominância sobre o outro, mas que não era raro que esta fosse quebrada. Vampiros também viviam em grupos fechados, não sendo incomum que fossem famílias inteiras que, quando um fora mordido, acabara por se desesperar diante do pensamento da eternidade em solidão, e mordia os demais, para que não ficasse sozinho. Era, na verdade, um estudo fascinante.

Outra que devorava tais livros era a sangue ruim, e ela acabava por ser o maior empecilho para o andamento do plano que Draco havia traçado. O único lugar em que ela não seguia Potter eram as aulas de Oclumência, que estavam indo bem, mas nem tão bem assim. Potter era bastante instável e já conseguia bloquear os pensamentos das pessoas que moravam em Grimmauld Place, mas não conseguia suportar ataques diretos, que era o que a convivência com outros vampiros representaria. E isso era essencial para Draco. O vampiro que mordera Harry, Ethan, não poderia ter acesso a mente do outro. Potter precisava estar imune a ele para que Draco tivesse a chance de conseguir o que queria.

Entre as difíceis aulas de Oclumência, as leituras e noites insones, passaram-se três dias e muito pouco progresso fora feito no sentido que Draco queria. Potter evitava sua companhia a sós, a sangue ruim estava sempre de plantão e, durante as aulas, ele descobrira tanto sobre o passado de Potter que não era exatamente estranho que o outro não ousasse lhe encarar fora delas.

Por mais que Draco jamais fosse reconhecer, quem o ajudou a dar o passo definitivo para a aproximação com Potter foi a sardenta sem graça da Weasley fêmea. Desde que a notícia de que "o Eleito" fora transformado em um vampiro, a freqüência de visitas de membros à Ordem havia caído bastante, as missões passaram a ser combinadas por mensagens, e o loiro tinha certeza de que havia a mão peluda do lobisomem por trás disso, para não causar ainda mais desconforto ao recém-feito vampiro. Não houve, no entanto, argumentos que impedissem Ginevra Weasley de ir até a Sede para ver seu tão amado ex-namorado. E esse fora seu pior erro.

Entardecia e, pela primeira vez, Harry e Malfoy estavam a sós em qualquer lugar que não fosse a sala da Tapeçaria. Estavam na biblioteca, cada um enterrado em um livro, pesquisando sobre vampiros.

Por mais estranho que fosse, Harry sentia um assomo crescente de gratidão em relação a Malfoy. Ele realmente levara aquele acordo a sério. Estudava tanto, ou mais, do que ele mesmo, e Hermione já havia, por mais de uma vez, se queixado da ausência de algum livro que queria consultar porque eles estavam com Malfoy. Sua amiga era maravilhosa, é claro, mas sua estranha obsessão em querer pesquisar uma "cura" para o que ele estava passando o irritava a proporções que ele desconhecia antes de se tornar o que era. Começara a evitar a companhia dela, para o próprio bem da garota. No entanto, Lupin não podia lhe fazer companhia, tinha toda a Ordem para organizar e missões a distribuir, ao lado de McGonagall, a presença de Slughorn, com seu olhar de pena, lhe fazia ferver de irritação e, na verdade, a única pessoa, em toda aquela casa, que não lhe incomodava, era Malfoy. Harry não havia imaginado que algum dia chegaria a pensar isso, mas era a realidade. Ele era calado, falava apenas quando perguntado, estava realmente se esforçando para ajudá-lo e não ficava espantado a cada vez que o moreno lhe olhava, embora, talvez, fosse porque Harry simplesmente se recusava a olhar nos olhos do outro, ou sequer ficar a sós com ele. Restava-lhe a solidão, e ele não gostava de ficar sozinho.

Estar sozinho significava rever a cena de sua morte dezenas de vezes a cada minuto, significava ser assaltado por uma ânsia de procurar Ethan e conversar com ele, ao mesmo tempo que sentia que se ficasse mais que dois segundos na presença dele, seria capaz de matá-lo, ou, ao menos, tentar. Solidão representava confusão, medo e inquietude. Na verdade, não havia mais lugares que lhe dessem a sensação de paz. Deveria estar procurando Horcruxes, deveria estar batalhando, procurando por Voldemort e aprendendo como derrotá-lo e estava ali, lendo livros sobre vampiros.

Olhou para o loiro do outro lado da mesa, disfarçadamente. Chegara a conclusão, durante aqueles três dias, de que conseguiria passar realmente muito tempo olhando para ele. A semelhança com Ethan lhe assustando e atraindo, sabendo que eram semelhantes e, no entanto, fundamentalmente diferentes. Draco estava vivo e lhe ajudava. E ele começava a pensar o porquê, exatamente, o loiro estaria fazendo aquilo. Voltou a olhar para o seu livro. Uma partezinha egoísta que ele sempre possuíra, mas nunca usava, começava a despertar e lhe dizia que ele não se importava. Quaisquer que fossem as motivações, estava lhe ajudando, lhe fazia bem e era só o que contava.

Entardecia mais uma vez quando houve uma batida leve na porta e Harry virou-se para ver quem entrava. Uma exclamação contida precedeu a garota ruiva que se lançou nos braços de Harry, chorando.

- Ah, Harry, o que foi que fizeram com você? – o moreno a afastou, delicadamente, e fitou o olhar castanho. Passara horas durante aqueles dias imaginando o que sentiria quando visse a ruiva, mas não estava preparado para o que ele sentia agora. Nada. Nem vontade de estar perto, nem de tranqüilizá-la, nem ao menos - e esse era um pensamento que o havia horrorizado diversas vezes - mordê-la e torná-la sua companheira. Ele amara aquela garota, de verdade. Sabia disso desde seu sexto ano de escola, poucas coisas lhe doeram tanto quanto terminar seu namoro com ela, e agora... Nada. Vazio, mais uma vez.

Hermione entrou pela porta, sorridente, certa de que a visita da menina alegraria o amigo e Harry tentou sorrir também, sem sucesso. Vazio. Vazio. Vazio. Era daquilo que ele tentava fugir, mais do que qualquer outra coisa, era o que lhe invadia agora e ele se sentia mal por si e por todos que estavam ali por ele. Ele deveria sentir gratidão por Hermione e ela lhe irritava, ele deveria amar Ginny, mas agora ela parecia apenas uma garota simples, a beleza deslumbrante que ele via antes esvaecida, esgotada, apenas muito cabelo ruivo e sardas e um sorriso simpático. E muita, muita ansiedade nos olhos. Harry concentrou-se um pouco mais, forçando os pensamentos das garotas, que começavam a invadir sua mente, para fora. Ele não queria saber o que estavam pensando, ele não desejava ter a confirmação de que a ruiva ainda lhe amava, porque, para ela, ele estava vazio.

- Ginny... Eu não sabia que você ia vir...

- Eu não podia ficar longe, Harry. Eu... Mamãe não queria me deixar vir, achava que seria perigoso, mas eu não consegui. Eu precisava ver você e saber como você está... Ah, Harry... – ela abraçou-o de novo, e Harry tentou abraçá-la de volta, mas sem muita vontade.

Draco observava a interação e sentia o nervosismo de Potter aumentar a cada segundo. Ele estava visivelmente desconfortável com a presença da ex-namorada e Draco sorriu internamente. Ele sabia a causa. Potter ainda não havia tido tempo para se acostumar com a pessoa que o havia feito, a presença do tal Ethan na alma de Potter era recente e marcante e nada afetaria aquilo, a menos que o moreno conseguisse transferir aquele sentimento para alguém. Vampiros são admiradores incondicionais de aparências, o olhar cinza de Ethan havia marcado Potter para a eternidade e, depois de um pouco de pesquisa, Draco entendera que era aquilo que motivava o outro a ficar confortável, e até relaxado, quando estava com ele. Simples e pura transferência, misturada à segurança de saber que ele não era imortal e não tentaria manipulá-lo ou dominá-lo. Qualquer amor mortal que Harry havia sentido estava obscurecido e enterrado no fundo de sua alma eterna pelo brilho metálico que, Draco sabia, através da Oclumência, o atormentava. Para a sorte de Draco, o brilho também era seu e Potter, por mais que tentasse, não escondia totalmente o quanto sua aparência o estava perturbando.

Decidiu interferir, mais um ponto a seu favor, de qualquer maneira. Salvar Potter do desconforto, e, talvez, proporcionar mais alguns passos de distanciamento entre a sua imagem e a de Ethan, trazendo Potter para mais perto dele e o levando para mais perto da eternidade.

- Eu sei, Potter, que você deve estar louco para ficar babando na sua namoradinha, mas nós temos Oclumência agora. – ele se levantou e lançou um olhar incisivo para Harry.

- Você poderia faltar hoje, não é, Harry? Eu... Eu preciso voltar para casa amanhã à tarde, nosso tempo vai ser tão curto... – Ginny começava a parecer nervosa e Harry distanciou-se dela.

-Sinto muito, Ginny, mas isso é realmente importante. Em três dias os outros vampiros vão estar aqui e eu não posso estar com minha mente aberta. Vamos, Malfoy? – ele encarou o loiro e percebeu o vestígio de um sorriso formar-se em seu rosto, enquanto ele lhe dava um olhar agradecido. O olhar durou um segundo a mais do que deveria ter durado e Harry saiu da sala, seguido de Malfoy, esperando que ninguém tivesse percebido. Ele só não havia considerado o quão perspicaz sua melhor amiga era.

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Entraram na sala da tapeçaria e Harry jogou-se em uma poltrona, lançando um feitiço de Imperturbalidade na porta e dirigindo um olhar a Malfoy, que havia sentado em uma poltrona também.

- Eu realmente não tenho cabeça para prática de Oclumência hoje, Malfoy. – ele disse, cansado e olhando para o chão.

- Eu sei. Mas você parecia meio... Encurralado lá, por isso falei da aula. – Harry virou-se para encará-lo, arriscando olhar dentro dos olhos do outro.

- Por que está fazendo isso tudo, Malfoy? – o rapaz loiro deu de ombros.

- Por que você conseguiu se controlar aquele dia e não me morder? – Draco sabia que estava entrando em terreno muito, muito perigoso para ele mesmo. Mas era, definitivamente, uma maneira de se começar. Harry levantou-se e foi em direção à parede, olhando para ela, como se fosse algo realmente interessante.

- Por que não me responde, Potter? – o loiro disse com a voz baixa, levantando-se também e se aproximando do moreno, - Foi por causa do tal Ethan? É ele que te impede? – Harry virou e encarou o loiro. Metal novamente. Mas, desta vez, ele conseguia ver Draco, só ele, mais nada. Não Ethan, mas o rapaz que estava lhe dando apoio em assuntos que seus próprios amigos haviam falhado.

- Não, não foi Ethan, fui eu, Malfoy. Se esse tal Ethan, que eu vi apenas uma vez na vida, pudesse impulsionar alguma das minhas ações, seria exatamente a de eu ter te mordido. Fui eu quem não quis. Eu que me nego a ceder. – Draco reconsiderou. Ele queria ser mordido, esta era a questão. Um passeio pelos olhos do moreno e ele soube que não faltava muito para que ele se descontrolasse mais uma vez, as palavras ditas em voz alta nada mais eram do que uma tentativa de reafirmar para si mesmo algo que ele próprio não acreditava. Deu mais um passo contra o outro, não deixando que ele fugisse de seu olhar. Transferência, Draco precisava que Potter fizesse uma transferência. A necessidade que ele sentia pelo vampiro, a vontade que tinha de tê-lo perto, ele precisava que Potter acreditasse que era dele que sentia falta, que era ele que desejava. Não importava o que isso iria custar. Imortalidade era um dom cujo preço jamais seria alto demais.

- Eu aprecio sua consideração, Harry. – ele viu o outro respirar fundo e tentar se afastar, mas hesitar mesmo assim, e não se mover. Os olhos verdes tentavam fugir e Draco não permitia. Percebia que o outro estava no limite de suas forças, só mais um pouco, mais alguns segundos, e ele seria mordido, e então... Eternidade. Buscou o verde novamente e percebeu, talvez tarde demais, que era ele quem não conseguia desviar o olhar agora. Os olhos do moreno refulgiam com o mesmo brilho duro que ele vira no dia de sua primeira aula e era impossível desviar. Potter poderia ser um vampiro jovem, mas, com toda a certeza, absorvera algo de seu criador, porque tinha uma facilidade incrível de, com um olhar, paralisar alguém.

Harry se aproximou um passo e encarou o outro. Não via o mesmo apelo daquela noite, não via o medo, via... Fascínio. O outro estava mais uma vez entregue e ele o queria tanto... Mais um passo e estavam a centímetros um do outro. A garganta do rapaz a sua frente a mostra, desprotegida pelo decote da blusa que ele usava, era apenas um passo... Um passo. Outro passo e Harry o empurrou contra a parede, ainda fitando os olhos cinzas. Fechou os próprios olhos e abriu os lábios. Ele precisava tanto...

Nada poderia ter preparado Draco para o que aconteceu a seguir. Sentiu-se ser empurrado contra a parede e esperou pela dor que tinha certeza que viria, no entanto... Sentiu lábios frios tocarem os seus, devagar, com calma, pedindo passagem tão delicadamente que ele não sabia se aquilo realmente estava acontecendo. Era tão frio e, ao mesmo tempo, tão bom. Fechou os olhos e saboreou o gelo do toque do outro subir para seu pescoço e ele não conseguiu evitar subir sua própria mão para os cabelos negros, puxando-o contra si. Queria mais, precisava de mais.

A sensação gelada intensificou-se quando entreabriu seus próprios lábios, dando passagem para a língua de Harry, que aproximou ainda mais seus corpos, frio tomando todo o seu corpo pelo contato com ele e lhe causando arrepios, tanto pela sensação, quanto pelo momento. Não conseguia mais pensar, queria apenas ficar ali. Sentiu um dos braços frios de Potter envolver sua cintura e subiu a outra mão para o ombro do moreno. Merlin, aquilo era perturbadoramente bom.

Harry ouviu o garoto loiro gemer de satisfação quando lhe puxou para mais perto e aprofundou ainda mais o beijo. Desejava tanto, queria tanto, ele tinha tanto calor, precisava tanto daquilo. Tirou os lábios dos dele e desceu, lentamente para o pescoço pálido, que, diferente da sua palidez, tinha vida, era quente. Ele podia sentir cada veia que com sangue correndo passar por ali, um beijo no pescoço e outro, e mais um, ele sugou a pele branca e podia quase sentir o gosto dele em sua boca. A mão de Draco passeava em seus cabelos, e ele abriu um pouco mais os lábios, permitindo que suas presas tocassem de leve o outro. Era apenas um movimento, um único, e ele seria seu, para sempre.

- Não... – a palavra foi um murmúrio, mas teve o efeito de um grito sobre Harry, que parou todos os movimentos e encontrou o olhar do outro sobre si, parecendo dividido, temor e desejo misturados, as mãos ainda o prendendo perto, os olhos suplicando para que se afastasse.

- Não, Draco? – Harry indagou, com voz suave, voltando para os lábios do outro e sentindo-o amolecer em seus braços, entre pequenos beijos - Não era isso que você desejava? – Harry não parava de beijá-lo e Draco correspondia, mas, mesmo enquanto falava, não sabia de onde vinham as palavras que tinha certeza serem verdadeiras. Draco queria ser eterno, estava escrito em cada linha de seu rosto, em cada toque e súplica que lhe fazia, mas tinha medo.

- Hum... – murmurou o outro, sentindo o toque frio entorpecer qualquer pensamento coerente que tivesse passado pela sua mente, não havia a possibilidade de manter sua mente fechada, ou de não contar a verdade para Harry, simplesmente não havia - Queria... Ah... – ele suspirou, quando os lábios do moreno voltaram ao seu pescoço.

- Eu posso, Draco. Apenas me peça. Só isso. – ele sussurrou, pequenos beijos depositados em seu pescoço e havia mais de uma parte do corpo do loiro que não agüentava mais. Ele sentia Harry contra ele, o vampiro também estava no mesmo estado - Eternidade, Draco. Imortal. Todos os outros se vão e você fica. – as palavras começavam a mudar de tom, frias como a pele do outro, não mais gentis, e os beijos passaram a ter outro ritmo, objetivos, agressivos, não demoraria a que o outro lhe mordesse... Eternidade... Solidão... Vazio... – Peça, Draco... Diga sim e eu lhe farei eterno. – a respiração do loiro acelerou ainda mais, porém, era medo que o invadia. Não havia pesado o que representava ser imortal, não queria aquilo, não de verdade. E agora temia que fosse tarde demais.

- Não, Harry, por favor, não... – sussurrou e passou por um segundo de pânico, ao não saber se o outro atenderia ao apelo. Abriu os olhos ao sentir que os lábios frios abandonavam seu pescoço e encontrou íris verdes, escurecidas de desejo, e não ódio, lhe fitando de volta. Potter não se afastou e Draco acreditava piamente que, se o fizesse, suas pernas cederiam sob seu peso e ele desabaria no chão da sala.

- Uma palavra sua, Draco, e eu não teria me controlado. Eu o quero. Transferência, como você chama isso em seus pensamentos, ou não, eu o quero. Cuidado com o que pensar perto de mim, Draco. Uma palavra, e o caminho não terá mais volta. – o loiro o fitou com um resquício de medo que o abandonou ao mergulhar no verde mais uma vez. Não era difícil entender porque Ethan havia escolhido Potter como seu companheiro. Como humano, Potter tinha brilho por ter um passado trágico e um futuro ainda pior. Como vampiro, era mais que um simples ser das trevas com um charme etéreo e alguns poderes, ele era uma força da natureza. Não soube o que lhe motivou e, talvez, se arrependesse pela eternidade, com a possibilidade dessa palavra ser literal, pelo que fez, mas puxou o moreno para perto mais uma vez e o beijou. O frio dele era bom, seu toque era terno. Ele descobriu que confiava mais nesse Potter-vampiro do que em si mesmo.

Afastaram-se momentos depois e Harry pôs a mão sobre uma das faces do outro.

- Você pode ir embora, se quiser. Podemos conseguir algum lugar seguro até que a guerra termine.

- Por que isso agora?

- Porque você, talvez, fique com medo de mim, Draco.

- Eu não tenho medo de você. – afirmou Draco, divagando sobre o quanto daquele sentimento era verdadeiro, e o quanto vinha do fascínio vampírico que o outro tinha - Você me morderia?

- Se você pedisse, sim. – a voz do moreno era firme e Draco entendeu que aquilo era um ultimato. Se ficasse, seria arriscar, num momento de loucura, pedir que Harry o mordesse e ele não hesitaria. No entanto, tinha absoluta certeza que Harry jamais faria nada que ele não quisesse. Antes que pudesse perceber, já havia encostado seu corpo no do moreno mais uma vez.

- Eu não vou a lugar algum. – o beijou e foi correspondido, corpos próximos mais uma vez, enquanto Harry segurava seus cabelos, ele aproveitou para passear pelo pescoço do outro, notando o quão fraco parecia correr seu sangue, sendo sua fluência imperceptível.

- Ah... – murmurou Harry, enquanto o puxava para tomar seus lábios mais uma vez.

Foi neste instante que a porta se abriu com um leve estalo e Granger parou, emoldurada pelo portal, por um segundo, antes de entrar e trancar a porta mais uma vez, encarando os dois rapazes, que não haviam se afastado, e pondo as mãos na cintura.

- Nós três com certeza temos muito a discutir.

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Sentados lado a lado, com o olhar faiscante de Hermione sobre os dois, chispando de uma poltrona próxima, Harry especulava o que teria que ouvir. Ela já tivera um ataque de nervos quando descobriu sobre o contrato que havia assinado, agora, parecia prestes a pôr fogo pelas narinas, de tão nervosa.

- Quando você se ofereceu para ajudar, Malfoy, eu sabia que havia algo por trás. Eu sabia. Como ousa usar Harry desta maneira? Sabe que ele está frágil, como pode ser tão baixo? – ela acusava, quase gritando, e aquilo começou a irritar Harry.

- Mione... – ele pediu, em tom de aviso.

- Sinceramente, Malfoy! Você não tem noção do risco em que está se colocando e arriscando Harry também! Se o vampiro que o fez o encontra com um novo companheiro, sabe-se lá o que ele pode decidir fazer!

- Hermione... – ele chamou, um pouco mais alto.

- Um risco desses! Arriscar que esse Ethan se volte contra o Harry por um motivo fútil! Você deveria ter medo de se tornar o que Harry é! Deve ser assustador! – aquilo foi a gota d'água.

- CHEGA! – o grito fez a garota parar de esbravejar e o encarar, temerosa. Draco também não parecia muito tranqüilo ao ver o moreno se levantar e o puxar pela mão, levantando-o também, - Chega, Hermione, eu já entendi.

- Mas, Harry! Não vê que...

- Que ele pretendia me usar para se tornar imortal? Que ninguém aqui precisa de mais um ser repulsivo como eu? Que vocês todos estão com medo de ser o próximo a acordar gelado até o fim dos tempos? Eu sei disso, Hermione, EU SEI! Mas agora chega! Ninguém lhe deu o direito de gritar comigo, muito menos se referir àquele maldito vampiro como se ele fosse meu dono! Draco já teve o susto que precisava e se recusou a ir embora e não me interessa o que o motiva, eu o quero por perto e, se ele quiser, vou ter! Agora CHEGA! – virou as costas, puxando Draco pela mão, que o seguiu, sem resistência. Qualquer coisa para não ficar a sós com aquela Granger.

Acabou seguindo o moreno até o quarto dele. O primeiro deixou a porta aberta quando entrou e Draco fechou-a atrás de si, observando Potter caminhar de um lado para o outro.

- Eu não sei o que está acontecendo, eu não entendo o porquê de querer tanto estar perto de você, mas eu quero. Talvez seja a maldita transferência, e eu não dou a mínima para se você está tentando me usar ou não, sua coragem some no momento de concretizar seus planos, de qualquer maneira, sempre sumiu. Eu quero você aqui, Draco. – ele parou de andar e encarou o loiro, - Você consegue compreender o que isso quer dizer? Quando eu digo aqui, não é companheiro de estudos, ou professor de Oclumência, é aqui, ao meu lado. – ele viu um olhar preocupado surgir no rosto do loiro e a espiada discreta que ele deu em direção à cama - Nada do que você não quiser vai acontecer, eu lhe dou a minha palavra e já lhe provei que consigo cumprí-la. Peça, e eu atenderei qualquer desejo. Diga um não, e eu não faço mais nada. Você pode ir embora agora, eu lhe dou a escolha mais uma vez. Um lugar seguro até a guerra passar. Mas, se ficar, é comigo.

Draco fitou o vampiro que lhe encarava e pensou que, realmente, o fascínio que qualquer vampiro exercia sobre os mortais era irresistível. Descobriu-se incapaz de lhe dizer não. Não quis pensar que já havia lido que, para induzir os pensamentos de alguém, eram necessários anos e anos de prática de um vampiro e nem se deu o trabalho de perceber que ele usava Oclumência contra todos, sempre. Preferia pensar que era Potter que lhe induzia a tomar aquela decisão. Havia lido sobre humanos que viveram com vampiros por anos, e que nunca correram risco nenhum. Potter lhe oferecia devoção, proteção e segurança. E cobrava apenas a sua presença constante, e, talvez, alguns beijos como os que haviam trocado antes, e que não seriam nada desagradáveis, como paga. Andou até o outro e depositou um beijo terno e breve sobre os lábios gelados.

- Eu fico. – Harry sorriu, um sorriso quente, que parecia impossível de vir de um vampiro, mas, ainda assim, estava lá.

- Então vamos até seu quarto, pegar suas coisas. Você passa a ficar comigo, aqui.

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A única pessoa, de todos que moravam naquela casa, que compreendeu o que Harry havia feito, fora Lupin. Ginny tivera quase uma crise histérica e fora embora no mesmo dia, às lágrimas, desconsolada. Molly parecia mais contrafeita que nunca e alegou que precisava de alguns dias em casa, desaparecendo pela lareira logo depois de sua filha. Hermione não parecia disposta a perdoar o amigo, até que tivera uma conversa séria com o ex-professor, onde este lhe explicou o que Malfoy representava para Harry: a garantia de que Ethan não teria dominância sobre ele, um ponto estável que Harry considerava "seu", alguém em quem poderia se apoiar e, acima de tudo isso, o último vestígio de humanidade que conservava. Ele conseguia se controlar melhor próximo ao loiro, sua Oclumência era melhor, seu autocontrole era mais estável, seus poderes eram mais confiáveis, seu aprendizado, mais rápido. Depois desta explicação, Hermione até se convencera a pedir desculpas a Harry, que sorriu e a desculpou através de um abraço. Os dias seguiram tranqüilos em Grimmauld Place. A calmaria que antecede a tempestade.

Durante a primeira noite que passou com Potter, Draco mal havia dormido. Medo de ser atacado, medo de estar ficando louco, pânico de estar sendo usado, temor pelo que o vampiro que fizera Harry faria contra ele, se descobrisse o que estava se passando ali. Mas quando, na manhã seguinte, ou melhor, tarde seguinte, Potter lhe despertara de seu cochilo com um beijo frio, mas calmante, e um sorriso no rosto, soube que havia tomado a decisão certa. Era estranho dormir ao lado de alguém tão gelado. Potter enroscava-se nele durante a noite, como se buscasse seu calor para si, mas o loiro não reclamava. Lembrava-se do que já vira nas lembranças de Potter e sentia-se estranhamente poderoso em oferecer segurança e conforto a alguém que nunca baixava a guarda para ninguém.

Nada além de beijos acontecia entre eles, embora o loiro não pudesse dizer que não desejava mais. Potter respeitava seu tempo, no entanto, assim como Draco o dele, e um acordo mútuo se estabeleceu de que não apressariam as coisas. Não que Harry fosse alguém de ter pressa, hoje em dia.

Já passava da uma hora da manhã, e eles estavam na biblioteca, lendo. Os hábitos diurnos haviam sido abandonados de vez no dia anterior, quando os quatro habitantes da casa haviam ido dormir às seis da manhã, e acordaram às quatro da tarde, devido ao estudo. Harry não queria que seus amigos se sacrificassem, mas eles não pareciam se importar. Os livros estavam ficando escassos e Hermione terminara o último que ainda não havia lido há cerca de dez minutos e descera até a cozinha, pegar algo para beberem. Ela ainda não falava com Draco, mas parecia suportá-lo se esse era o preço para a estabilidade do amigo.

Um estrondo na porta, e a garota apareceu, pálida e com um olhar temeroso. Os dois rapazes a encararam e ela tomou fôlego.

- Harry, eles chegaram. Os outros vampiros estão aqui.


NA2: Manenhas. É no próximo (sorriso giga maligno)

Agradecimentos a todo mundo que deixou reviewXD Eu adoro vcs, viu? Hauhauahuahu.

Pra quem leu, e não deixou review, espero que ainda estejam gostandoXD

Agy, Valeu por betar, mais uma vez!!!

Celen e Phoebe: a hora está chegando!!!

Beijos, pessoal, e review! (pessoas que recebem reviews postam mais rápidoXD)

Bjs!