NA: Surto de alegria e estou postando o capítulo antes do esperado. XD Obrigada pelas reviews, mesmo, elas me animam!!!!!

AVISO I: É, o apocalipse já aconteceu, eu já li, mas não, não spoilarei ninguém nesta história. Ela foi concebida antes do lançamento do livro, não vou mudar uma única linha e, quem não leu ainda, e não quer saber de nada, leia tranqüilo, aqui não vai ter nadinha, promessa. XD

AVISO II: cenas quentes ali mais abaixo. Ou frias, hum... pensando bem... hum... enfim... Cenas ali de meninos sendo felizes juntos e td mais. "Oh, Merlin, eca!" fecha a janelinha, ok? Eu aviso ;)

Disclaimer: Todo mundo que aparece nos livros são de um bando de gente dentre as quais eu não me incluo. Porém, os simpáticos vampirinhos que aparecem a partir deste capítulo são meus, compartilhados com Becky e Sweet XD


Capítulo Quatro

Encontro

Kiss,(beije,)
While your lips are still red (enquanto seus lábios ainda são vermelhos)
While he's still in silent rest (enquanto ele ainda está em descanso silencioso)
While bosom is still untouched (enquanto a alma está intocada)
Unveiled on another hand (desvelada em outra mão)
While the hand's still without a tool (enquanto as mãos ainda não têm ferramentas)
Drown into eyes while they're still blind (afogue-se nos olhos enquanto eles ainda são cegos)
Love while the night still hides the withering dawn (ame enquanto a noite ainda esconde o amanhecer que definha)

While Your Lips Are Still Red, Nightwish

- Harry, eles chegaram. Os outros vampiros estão aqui.

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Pelo olhar esmeralda passou um lampejo de medo e, em seguida, ódio. Raiva fria que emanava do rapaz e que fez Hermione recuar um passo. Draco se encolheu contra a cadeira. Por Merlin, ele não queria estar presente quando criador e criatura se encontrassem.

- Quem está lá, Mione? Em quantos eles vieram? – o vampiro indagou, levantando-se.

- Eu não vi ainda. – a garota replicou, relaxando um pouco - Encontrei Lupin na cozinha, os outros membros da Ordem já estão chegando, ele pediu para que eu viesse avisar você e Malfoy. – Draco não gostou de ser incluído no aviso. Isso significava que ele teria que ir também. Ah, droga!

Harry lançou um olhar para o loiro que ele pretendia que fosse reconfortante, não obtendo o resultado desejado, mas, ainda assim, o rapaz se sentiu um pouquinho melhor. Talvez o vampiro fosse lhe atacar e lhe matar... Mas Potter não deixaria isso acontecer tão facilmente assim, certo? Havia tomado aquele monte de decisões idiotas, uma em cima da outra, agora não havia volta. Harry já lhe considerava sua posse, se recusar a ir e dizer que não apareceria no meio daquele monte de vampiros seria virar a fúria do moreno contra ele e, aí, ninguém lhe defenderia. Vampiro por vampiro, permanecendo ao lado de Harry, ao menos ele teria alguém que lhe defendesse.

O moreno tomou a mão do outro rapaz antes de saírem da biblioteca e Draco não conseguiu evitar um tremor. Se o tal Ethan visse aquilo... Pior, quando o tal Ethan visse aquilo... Engoliu em seco e esvaziou a mente. Agora era enfrentar o que viesse e torcer pelo melhor. Se é que havia um melhor naquela situação.

Chegaram à sala de música da mansão, o cômodo mais amplo da casa, e Harry abriu a porta num movimento brusco, no instante em que chegaram lá, nem mesmo dando um segundo para que seus acompanhantes tomassem fôlego. Entrou sem esperar, puxando um Draco que tentava parecer frio e arrogante pela mão, e uma Granger que estava pálida, mas com o rosto decidido, lhe seguindo.

Draco estava há dias convivendo cem por cento de seu tempo com um vampiro, mas não levara em consideração o quanto o tempo de existência daqueles seres alterava sua aparência. Harry dava arrepios, sim. Parecia sempre gelado e pálido, e seus olhos faiscavam, mas, se não se prestasse muita atenção, passaria ainda por um humano. O grupo instalado confortavelmente pela sala, não.

King, Lupin, Tonks, Fred, George, Sr. Weasley, McGonagall e Slughorn estavam sentados em sofás à direita da porta, observando os recém-chegados. No lado oposto, estavam sete das figuras mais belas e terríveis que Draco jamais havia posto os olhos. Correr os olhos por eles era um risco. Era bastante possível que, só de olhar, algum deles acabasse dominando os humanos presentes. Sua força era palpável, o frio era quase visível e a tensão na sala poderia ser cortada com uma faca.

Observou-os um a um. Mais próxima, sentada confortavelmente em uma poltrona, estava uma vampira de cabelos curtos e negros, parecendo descontraída e, de uma maneira um tanto sinistra, até simpática. Ela sorriu quando Draco lhe encarou, mas o loiro não conseguiu retribuir o sorriso. Os olhos dela eram de um azul intenso e Draco rapidamente desviou o olhar para o vampiro que estava apoiado nas costas da poltrona dela. Um homem de feições agradáveis, mas frias, cabelos negros e longos, uma pele mais morena que a dos outros, mas, ainda assim, pálida. O olhar que o rapaz recebeu, vindo de dois olhos negros, tão escuros que pareciam túneis, o fez desviar mais uma vez e observar os demais. Logo ao lado da morena de olhos claros, estava uma menina ruiva, parecendo não ter mais do que quinze anos, cabelos longos e cacheados, de um tom escuro de vermelho, um rosto adorável e olhos castanhos, que pareciam tristes. Começava a considerar que, talvez, de todos, ela fosse a que parecia mais humana, mas seu pensamento foi interrompido quando notou o vampiro que estava junto dela. Um homem loiro, parecendo maior do que realmente era, em contraste com a pequena garota ao seu lado, postura fria e olhos castanhos que lhe deram arrepios. Não conseguiu olhá-lo por mais que alguns segundos e continuou sua análise. Um vampiro ruivo estava entre as sombras, ele não conseguiu enxergá-lo direito. No banco do piano, estava uma outra garota, também parecendo muito jovem, de cabelos castanhos, lisos, na altura dos ombros. Ela era a que estava lhe analisando desde que ele entrara na sala. Os olhos, tão castanhos quanto os do vampiro que abraçava a ruiva, pareceram estreitar-se quando fixou o olhar na mão dele, que estava enlaçada com a de Potter, e a garota olhou para o último dos vampiros do lugar, atraindo o olhar de Draco para ele também.

Cabelos loiros, pele translúcida, sorriso frio nos lábios e um brilho metálico no olhar, e Draco não precisava de apresentação alguma para saber quem era aquele vampiro: Ethan. Ele pareceu analisar Draco friamente e então desviou o olhar para Harry, que apertou com um pouco mais de força a mão do loiro.

- Boa noite, Harry. Pode ver que estamos todos aqui, conforme o prometido. – o olhar cinza que encarava o moreno o fez estremecer por um segundo, mas não durou mais que isso. A vontade súbita que lhe assaltou de ir até Ethan sumiu no segundo em que sentiu a mão de Draco devolver o aperto na sua. Ele não precisava de Ethan. Jamais precisaria.

- Pensei que tivesse prometido um exército. – a voz do moreno tentava parecer fria, mas não conseguia esconder todo o ódio que lhe dominava. "Acalme-se," ele repetia mentalmente. "Concentre-se e eles não vão poder ler sua mente." O olhar de Ethan recusava-se a deixar seu rosto e Harry lhe encarou de volta. O vampiro estava tentando ler fraqueza, obsessão, talvez a devoção que, como Draco havia dito, ele teria desenvolvido pela ausência de seu criador. Estava errado. Não encontraria nada ali.

- Não precisamos de um exército se nossa força for bem utilizada. – devolveu o vampiro, um pouco mais frio, e Harry correu os olhos pelos outros que estavam na sala. Reconheceu alguns da mansão onde fora mordido, o rapaz moreno, de cabelos longos, que lhe abrira a porta, os olhos azuis da moça que estava ao seu lado e que lhe sorriu, sendo retribuída desta vez, o ruivo, que se escondia parcialmente, o loiro que enlaçava possessivamente a menina ruiva, de quem ele não se lembrava, pela cintura. Também não recordava da morena que fitava Draco com olhar entre intrigado e divertido, e que era quem estava mais próxima a Ethan, - Comecemos pelas apresentações, talvez? – indagou o vampiro, tentando soar suave, caçando o olhar verde novamente e não conseguindo mais do que um breve aceno de cabeça, enquanto o moreno virava-se para encarar Draco e então, voltar a fitar o grupo, - Os membros da sua "Ordem" já nos foram apresentados, eu esperava que chegasse para apresentar-lhe a minha família. Esta é Phoebe, - indicou a moça de olhos claros - e este é Andrew, - o rapaz ao lado dela. Com um aceno em direção ao casal que estava no sofá ao lado - estes são Celen e Alexander, - indicou o vampiro ruivo - aquele é Mathew, e esta é minha fiel companheira, Melora. – a vampira morena deu um leve sorriso, e Harry percebeu que o uso da palavra "companheira" tinha a intenção de lhe provocar ciúmes. Encarou o vampiro de maneira decidida.

- Ótimo. Tratemos de negócios agora. – uma breve irritação surgiu nas feições frias do vampiro loiro e Harry viu Melora levantar-se e se colocar ao lado de Ethan, segurando sua mão.

- Seria muito mais educado que nós conhecêssemos seus amigos, antes de tratarmos de algo tão aborrecido quanto esta guerra. – a morena declarou, a voz fria parecendo um pouco fútil, atraindo o olhar de Harry. Ethan pareceu se divertir e sorriu para ela, que sorriu para Draco, o qual parecia estar prestes a ter uma síncope. O loiro estava tendo certeza absolta que não deixaria aquela sala com vida, - Seu amigo loiro, por exemplo, – ela indicou-o com um aceno de cabeça - tenho a impressão de que já o vi em algum lugar... – seu rosto assumiu uma expressão pensativa e foi a ruiva quem respondeu, também fingindo-se de intrigada.

- Eu tenho certeza de que já vi estes cabelos, em algum lugar... Phoebe, alguma idéia? – o olhar pretensamente inocente transbordava de malícia e Draco arrepiou-se. Merlin, ele estava com os segundos contados.

- A memória de vocês é incrivelmente curta. Uma breve visita à mansão Malfoy, pouco depois da outra guerra, e um rapazinho que se escondeu em um armário de vassouras. Isso refresca a memória das duas?

As três desataram a rir e Draco não sabia se deveria se sentir aliviado por ser alvo de uma brincadeira, envergonhado por ser tratado daquele jeito, ou com medo. Lembrava-se vagamente da cena dele fugindo de três pessoas que haviam vindo falar com seu pai, ele deveria ter uns três anos de idade. Realmente, rir porque uma criança ficava assustada com criaturas como aquelas era absurdamente inapropriado. No entanto, descobrir que elas poderiam rir lhe dava um alívio que estava além das palavras.

- Ah, sim, - replicou a ruiva, ainda sorrindo, - uma investigação quanto ao desaparecimento ou não de Voldemort. Agora me lembro perfeitamente. – A menção do nome "Voldemort" a atmosfera pareceu ficar ainda mais tensa e a morena, que ainda encarava Draco, sorriu.

- Bem, Ethan, isso esclarece. É o filho de Lucius Malfoy. Engraçado, eu tinha absoluta certeza de que ele era um Comensal da Morte... – Harry decidiu intervir, sentindo o pavor crescente de Draco.

- Isso realmente não é relevante. Este é, sim, Draco Malfoy, e aquela é Hermione Granger. Podemos tratar do que interessa agora?

- Bem, e o que lhe interessaria, Harry? – indagou Ethan. Harry viu Hermione acomodar-se em um sofá, ao lado de McGonagall, mas decidiu permanecer de pé, assim como Draco, que, mesmo que quisesse, não conseguiria se mover. Estava assustado demais. - Explicações, talvez? Uma semana sem guia como vampiro deve ter sido bastante difícil. Dúvidas que você tenha? Questões que queira esclarecer? – o tom de Ethan era ansioso, como se mal pudesse esperar para ajudar, o que fez a raiva do moreno crescer ainda mais. Se não fosse pelo aviso de Draco, se não fossem pelas aulas de Oclumência, se não fosse pela simples presença do rapaz que agora apertava sua mão com tanta força que ele achava que iria quebrá-la, ele teria se rendido ao sorriso e ao ar reconfortante daquele vampiro pretensioso. O que aquele vampiro queria com ele, afinal? Já não tinha uma companheira? Quando seus pensamentos chegaram a este ponto, Melora fixou o olhar no dele e sorriu mais uma vez. Harry teve certeza de que ela havia percebido o que estava pensando. Concentração, ele mentalizou. Concentração. Respirou fundo.

- Não. Nada que eu não pudesse deduzir pela prática e que alguns livros não tenham me ensinado. – um ar extremamente contrariado surgiu nas feições do loiro vampiro, - O que eu quero saber é o que podem nos oferecer. Uma aliança deve ser vantajosa para ambas as partes, eu ainda não entendi porque decidiram se aliar a nós, nem tampouco compreendo o que ganham ou o que têm para dar.

- O que nós ganhamos realmente não é de sua conta, ao menos por enquanto. – respondeu o vampiro chamado Alexander, com voz cortante - No entanto, nós temos algo muito valioso para oferecer.

- E o que seria?

- Você por acaso já ouviu falar em Horcruxes, Harry? – Melora indagou, com um ar pretensamente inocente. Harry ofegou, assim como Hermione. Slughorn escondeu o rosto entre as mãos, enquanto alguns dos outros simplesmente aparentavam expressões intrigadas. Sorrindo, pois havia percebido que tinha a atenção de todos, Ethan começou a falar, como se contasse um conto de fadas para crianças, hipnotizando grande parte dos presentes, pelo simples som de sua voz.

- Há muito tempo atrás, Harry, eu conheci um rapaz muito, muito parecido com você. O rapaz era belo, uma intensidade como vi poucas vezes em minha existência, uma sede de saber que ultrapassava os limites humanos. Falha minha, eu me encantei por ele, era impossível não se encantar. Eu o via nos lugares mais inusitados, acabei me aproximando, e ele não demorou a descobrir o que eu era. Tornei-me mais próximo dele do que algum humano já havia sido e foi com uma tristeza imensa que percebi o quão ruim aquele belo rapaz poderia se tornar. Meu espírito, no entanto, se recusava a acreditar que ele seria fundamentalmente tão impuro, recusei-me a escutar Melora ou Celen, que por mais de uma vez tentaram me alertar sobre a escuridão que cercava o rapaz. Briguei com Phoebe quando ela tentou abrir meus olhos, e até com Alex eu consegui me desentender. Foram meses difíceis, em que o conflito entre nós era constante e eu me deixei persuadir em não transformá-lo em um de nós. – ele deu um suspiro, olhando para seus companheiros com ar de culpa, antes de voltar a encarar o moreno, - Entenda, Harry, nós somos uma família. Estamos juntos há mais tempo do que você seria capaz de imaginar. Trazer um novo membro para nosso círculo, e alguém que não seria bem vindo por todos, seria a nossa ruína. Grupos de vampiros já se deixaram vencer e acabaram desaparecendo por erros como esse. Mas eu percebi o quanto aquele jovem buscava a eternidade e eu sofria. Eu tinha como lhe dar o dom, mas não podia, por amor aos meus companheiros. Este rapaz estava com dezesseis anos quando apareceu, um dia, ciente desta invenção bruxa chamada Horcrux. Um objeto contendo parte de sua alma, incapaz de lhe deixar morrer... Ele sabia no que isso consistia, mas não conhecia o feitiço. Durante meses ele tentou me convencer a torná-lo um de nós, eu já não tinha desculpas para usar. Quando ele me pediu o feitiço, eu me vi impossibilitado de lhe negar. Eu lhe dei o conhecimento e destruí o que restava de humanidade. Eu me senti culpado e, quando vi no que ele havia se transformado, alguns anos depois, nenhum pesar se compararia ao que eu senti. Ele partiu sua alma, não em um, mas em sete pedaços, tornando-se mais distante de um humano do que qualquer um de nós. Uni-me a ele, convenci minha família a unir-se também, pois me sentia em parte responsável pelo que ele fazia e ainda faz. Pensei em amenizar o mal que havia causado. Eu realmente não preciso lhe dizer o quão miseravelmente eu falhei. Foi neste prisma que eu vi nascer um menino, que causou o que parecia ser o fim daquele jovem. Por anos eu vivi tranqüilo, pensando que o horror que eu havia criado havia acabado, mas não. Pouco tempo depois ele ressurge, ainda mais terrível, ainda vivo pelas Horcruxes que eu havia ajudado a criar, caçando aquele que havia causado sua destruição. Quando eu o vi, Harry, foi de Tom que eu me lembrei. O Tom que eu julgava existir, mas que só era realidade em minha mente. Você tem a doçura e a pureza que ele jamais possuiu. Por isso, lhe mordi. Ele é imortal, Harry, se tiver suas Horcruxes. Agora você também o é, mas sem necessitar de nada. Sua chance para destruí-lo é destruir estes objetos. É isso que eu tenho a oferecer. São seis que teremos que caçar, a última parte...

- Ainda está em Voldemort, eu já sei. – Harry cortou o outro vampiro e causou um sobressalto em todos, que estavam enlevados pela história que ele contara. O rapaz continuou, - Não são seis. Eu já destruí uma, Dumbledore já destruiu outra. Nos resta buscar as quatro que faltam.

Ethan sorriu. Estava satisfeito com a coragem do rapaz.

- Uma delas é a cobra que Tom possuiu, - Harry acenou em concordância - Mathew e Andrew descobriram o paradeiro de uma, ainda ano passado. Melora, Celen e Phoebe descobriram mais duas, há pouco mais de dois anos. Nos faltava estas duas, que você diz já estarem destruídas. Nós precisamos destruí-las e então, você poderá vencer Tom Riddle e acabar com a guerra, Harry. Foi isso que eu lhe ofereci. – ele fixou o olhar verde, esperando encontrar ali gratidão e, talvez, reconhecimento, mas encontrou frieza e ódio. O rapaz que era tão doce parecia estar vazio e Ethan se entristeceu, mas não por muito tempo, Harry estava perdido e sozinho. Algum tempo ao lado dele o ensinaria a ver que a eternidade não era um fardo tão pesado assim, se passado ao lado da pessoa certa.

- Ótimo, - respondeu o rapaz, - Precisamos traçar planos de ação e desenvolver maneiras de pegar estas quatro Horcruxes que faltam. Mas creio que podemos deixar isso para amanhã. – ele olhou para os outros membros da Ordem, que ainda pareciam estar estupidificados pelo primeiro impacto que a definição de Horcrux causava. A única que parecia razoavelmente bem era Hermione, mas a morena já sabia de tudo aquilo há tanto tempo quanto ele.

- Imagino que vocês vão ficar aqui na Ordem até que isso tudo acabe? – indagou Lupin, terminando de despertar a Ordem, e levantando-se, sendo seguido por vários outros, que agora encaravam os vampiros com ar entre temeroso e hostil. Ele viu a garota de olhos claros lançar um sorriso simpático a Tonks e ser retribuída, mais uma vez.

- Realmente, facilitaria nossa missão. – disse Celen, ao que os outros acenaram com a cabeça.

- Bem, então, eu vou providenciar os quartos, - dispôs-se Hermione, já que Molly não estava presente. - Vamos precisar de... Bem... – ela olhou incerta para os vampiros. Seriam casais? – Phoebe riu.

- Um quarto para Alex e Celen, outro para mim e Andrew, um terceiro para Mathew e um lugar para Ethan e Melora. E não, professora McGonagall, não somos jovens demais, quatro ou cinco séculos fazem você se acostumar a dormir somente acompanhada. – o olhar de McGonagall fez o trio de vampiras rir mais uma vez, e até mesmo Harry permitiu-se um sorriso, havia simpatizado com aquela garota. Se é que "garota" podia ser aplicado a alguém que acabara de declarar que tinha mais de cinco séculos de existência.

- Ela não lembra a professora Alton? – indagou Celen para as outras duas, enquanto se levantava.

- Contanto que não tente me dar uma detenção nas masmorras, eu realmente não me importo com a familiaridade. – respondeu Melora e as três riram mais uma vez, as duas primeiras deixando a sala atrás de Hermione e sendo seguidas por boa parte da Ordem, até que só restaram Draco, Harry, Ethan e Melora na sala.

- Poderíamos conversar a sós, Harry? – Ethan indagou, encarando Draco friamente. O loiro sentiu o estômago revirar e buscou o olhar de Harry, dando um passo para trás, pronto para sair da sala.

Harry lhe encarou de volta e em seus olhos verdes havia um apelo desesperado, não podia ficar sozinho com Ethan, não podia. Não se sentia preparado o suficiente, precisava do outro ali, ao seu lado. Com Draco, ele se sentia forte, não suportaria o ataque que sabia que ia sofrer sem o loiro com ele. Draco retornou o passo que havia dado e ficou ao lado do moreno, o olhar de Ethan desviando-se para Harry, enquanto o de Melora fixava-se em Draco, e a garota instalou-se comodamente em um sofá.

- Bem, senhores, já que o loirinho fica, eu não me retiro também. – Ethan lançou um olhar cortante para ela, a raiva do vampiro tomou conta do ar do lugar, frio dominando o ambiente e os olhos dele pareciam faiscar. Draco encolheu-se para perto de Harry, sentindo quase que um medo inconsciente pela garota de aparência frágil que desafiava abertamente o outro.

- Melora, pensei que já havíamos conversado sobre isso.

- Bem, sabe como eu sou, Ethan. Incapaz de me lembrar do que comi no jantar de ontem. Eu fico. – ela disse as duas últimas palavras de maneira lenta e decidida, sem desviar os olhos do outro, e Harry sentiu-se grato, assim como Draco. Algo lhes dizia que enfrentar um Ethan sozinho não seria fácil.

- Eu desejava apenas perguntar, Harry, como se atreve a ter ao seu lado um ser comum e covarde como esse que está aí.

Os olhos verdes se estreitaram, e ele deixou a mão de Draco, aproximando-se do outro vampiro que lhe fitava incessantemente. Ele não iria ceder, não iria sucumbir, sua mente não seria invadida, ele não precisava de Ethan.

- O que me atraiu para ele foi exatamente a semelhança com você. É o seu reflexo que está ali. Se não gosta do que vê, deveria olhar-se mais no espelho. – o outro vampiro riu, uma gargalhada fria, que fez Draco estremecer, Potter estava assinando sua sentença de morte. O tal Ethan iria lhe fazer em pedaços, agora tinha certeza.

- Não seja tolo, Harry. Ele não é mais que um pálido reflexo do que eu posso oferecer, ele não é nada. Ele lhe conforta? Eu posso oferecer mil vezes mais conforto. Ele está lhe ajudando a conseguir algumas respostas? Diga uma palavra, Harry, e o mundo será seu. - a voz assumia o mesmo tom que havia assumido no dia em que fora mordido, e Harry se permitiu levar por alguns instantes - Ele passa, Harry. Eu fico. Mais vinte, trinta anos, e ele se vai. Mesmo agora, uma batalha, um feitiço, ele evapora. Agora, neste instante, um feitiço meu... – ele ergueu a varinha, - e ele se vai...

- NÃO! – gritou Harry, saindo de seu torpor, e arrancando a varinha das mãos do outro, com um movimento brusco, deixando-a cair no chão, - Não se atreva! – a fúria era imensa e Harry estava prestes a se lançar contra o vampiro, quando Draco segurou a manga de suas vestes, fazendo-o virar-se para trás, mas ainda mantendo distância entre ele e o outro loiro.

- Não, Harry, não. – o olhar verde que se fixou no cinza era de puro ódio, mas pareceu suavizar, - Isso é burrice e você sabe. Não faça. – Harry leu medo nos olhos do loiro, um pouco por Harry, mas muito mais por ele mesmo. Se Harry atacasse o vampiro, Ethan mataria o loiro sem hesitar. Melora apenas assistia a cena, um ar preocupado nos rosto, mas sem interferir.

Harry virou as costas e deixou a sala, Draco o seguindo em silêncio.

- Ele vai morrer, Harry. E você sabe disso. E então, só restarei eu. – foi o último comentário de Ethan, antes da porta do quarto de Harry bater e ele se ver sozinho com Draco.

Abraçou o loiro desesperadamente, e foi retribuído, medo e confusão se fundindo nos olhares.

- Eu não consigo enfrentá-lo sem você, Draco. Eu não consigo.

- Você não precisa, Harry. Eu estou aqui.

Os olhos verdes encontraram os cinzas mais uma vez e Harry o puxou para um beijo possessivo. Draco se deixou levar. De repente, o frio que sentia através da pele do moreno lhe tirava todo o medo que sentira na sala de música, apagava os olhos metálicos que transmitiam ódio, empalideciam as emoções que havia sentido, deixando-o somente entregue aos lábios do outro. Abraçou-o com força e puxou Harry de encontro ao seu corpo, pressionando-o contra si, sentindo o outro suspirar e correr uma das mãos pelo seu cabelo, enquanto a outra passeava pelas suas costas, passando delicadamente pelo seu ombro e encontrando a frente de sua camisa.

As mãos do loiro corriam pelo pescoço de Harry e desceram quando o moreno retirou a do cabelo platinado e entrelaçou seus dedos nos de Draco, percorrendo juntos a linha de botões de sua camisa, enquanto fitavam-se, os sentimentos em turbilhão, a mente apagada, levados pela necessidade de algo mais, que era fácil de definir, mas difícil de realizar. A respiração do moreno acelerava, enquanto Draco decidiu abrir a sua camisa; cada botão aberto, uma carícia na pele gelada que surgia. Harry deixava pequenos gemidos escaparem por entre os lábios que ele mordia, impedindo-se de fazer sons mais altos. As mãos dele tentavam puxar Draco para mais perto, mas ele não se sentia com forças para conseguir. O calor das mãos, da boca, os lábios, até a intensidade do olhar, lhe deixava fraco e lhe subjugava, ele precisava de Draco perto, precisava dele como precisava de ar. Não conseguiu impedir o gemido que escapou quando o outro deixou sua camisa cair no chão e tirava sua própria, afastando-se um passo, até que Harry lhe perseguiu e o puxou, beijando-o.

- Eu preciso de você, Draco... Eu preciso... – ele murmurava entre o beijo, enquanto o loiro corria as mãos pelo cós de sua calça - Eu quero me sentir vivo, Draco... Me prove que eu estou vivo... Que eu não sou dele... – o loiro parou o beijo e fitou o olhar verde que continha o mesmo apelo mudo que ele já vira tantas vezes. Nunca havia se sentido mais poderoso do que naquele momento, nem quando estivera com a vida de Dumbledore em suas mãos. Ele podia equilibrar O Escolhido, ou deixá-lo desmoronar. Potter precisava dele e nem ao menos tinha medo de admitir, pois tinha conquistado sua confiança.

Ainda fitando o moreno, entregue em seus braços, Draco o conduziu até a cama e, em silêncio, deitou Harry nela, tirando o resto de suas roupas, ajoelhando-se perto de Harry em seguida, tirando as dele também, voltando ao tórax do outro, beijando-o, enquanto Harry acariciava seus cabelos e parecia ansioso por uma resposta. Deitou-se sobre o corpo que quase lhe entorpecia de tanto frio, e beijou o outro, demorada e carinhosamente, conhecendo e explorando cada parte de sua boca até que o encarou e disse, num sussurro:

- Você não pode ser dele, Harry. Você já é meu.

Tomou a boca do moreno mais uma vez, o beijo exigente, ao qual o outro se rendeu. Sentia Harry contra ele, estavam no mesmo estado, pressionou a ereção do outro com uma das mãos, enquanto punha-se entre as pernas dele, tocando-o com sua própria ereção. Sentiu o outro estremecer e deixou seus lábios, sugando o pescoço, deixando marcas na pele fria, acostumando-se com a temperatura do outro, movendo-se tão lentamente, que mal era perceptível, enquanto Harry ofegava. As mãos do moreno arranhavam suas costas, puxando-o para mais perto, tentando forçá-lo a mover-se mais rápido, mas Draco parou, encontrando o olhar verde fixo nele. Sorriu e o beijou de leve, afastando-se de novo.

- Draco... ahn... – o moreno fechava os olhos e Draco saboreava a sensação.

- Você me disse que se eu pedisse, faria qualquer coisa, Harry. – ele sussurrou, no ouvido do outro, mordiscando-lhe o pescoço, arrancando mais sons incoerentes, - Agora peça você, Harry, o que você quer? Você quer ser meu, Harry? – o moreno tremia a cada sopro em seu ouvido e Draco viu ele abrir os olhos e o encarar por um momento, antes de beijá-lo.

- Eu sou seu, Draco. Seu.

O loiro sorriu, satisfeito, e começou a se mover mais uma vez, o frio lhe dando uma sensação estranha, mas prazerosa, enquanto movia-se mais rápido, sentindo seu corpo invadir o do outro, movendo-se dentro dele, cada vez mais fundo, e mais rápido, seus gemidos unindo-se aos do moreno embaixo dele, até que, com um último movimento, pôde jurar que tinha perdido os sentidos, incapaz de pensar, tal o prazer que sentia, observando o outro rapaz ainda com os olhos fechados com força. Envolveu-o com sua mão e moveu-a muito lentamente, aumentando seu ritmo quando a mão de Harry fez companhia a sua, até que o moreno despejou-se entre eles, dando um último gemido, a respiração arquejante, enquanto Draco sorria. Lançou um feitiço para limpá-los e deitou-se sobre o outro, beijando-o intensamente, antes de fitar seus olhos.

Havia um brilho diferente ali, um brilho contente, uma faísca feliz. Harry lhe beijou, terno e delicado.

- Obrigado, Draco. – ele murmurou, suavemente, entregue nos braços pálidos que pareciam quase corados em contraste com os seus, enquanto fechava os olhos.

- Pelo quê?

- Por me fazer sentir vivo mais uma vez.

Os olhos já fechados do moreno não conseguiram ver o sorriso verdadeiro que brilhava no rosto do loiro.

Naquela noite, enquanto buscavam conforto durante o sono, por um breve e último instante de consciência, Draco concluiu que o corpo de Harry não estava mais tão frio assim.


NA2: Review.

Pra todo mundo que está lendo e deixando review, nuss, pessoal, brigada mesmo! Isso me anima!!!

Continuem acompanhando e me digam se estão gostando dos vampirinhos... Curiosos sobre eles?? Huahauhau

Bjs e até a próxima.

Agradecimento: Agata Ridlle, a beta. uahuahuahau Bjs, AgyXD