NA: Digam que eu sou um amor. Capítulo maior que todos os outros (a cada um eles crescem mais O.O)
XD Vocês me lufam com reviews e eu acabo postando extremamente rápido. Hauhauhauhauhau
Enfim, espero que curtam esse capítulo, eu tentei esclarecer neles algumas dúvidas que surgiram... Eu tinha falado no começo que a história ia parecer maluca XD
AVISO: Cenas ali embaixo de rapazinhos sendo felizes. "Oh, por Gryffindor, que coisa absurda!" fecha a janelinha ;)
Disclaimer: Nada do que foi visto nos livros me pertence. Mas os vampirinhos são propriedade Three Cute Dolls. ;) ESTA HISTÓRIA NÃO TEM SPOILERS DE DEATHLY HALLOWS
Capítulo Cinco
Às Claras
Os dois rapazes deixaram a sala sob o olhar gelado do vampiro loiro e um resquício de alívio por parte de Melora. Ethan deu dois passos em direção à porta, mas a vampira foi mais rápida e segurou-o pelo braço, impedindo-o de ir atrás do rapaz, trancando a sala com um feitiço e convocando a varinha dele que estava no chão, arrancando um urro de frustração do vampiro, que se desvencilhou bruscamente e lhe deu as costas, andando em círculos pelo aposento.
- Ethan... – ela chamou com voz suave, recebendo um olhar que teria feito muitos recuarem, mas ela apenas o encarou, triste.
- Melora, não fale. Nem comece. Eu realmente não quero ouvir você agora. – ela suspirou, exasperada.
- Ora, Ethan, pare de ser infantil. Você realmente acha que vai trazê-lo para perto de você desta maneira?
- E o que você sugere, Melora? Ficar próximo dele, como amigo, por cinco séculos? Não parece ter funcionado para você. - o olhar de ódio e dor que se seguiu ao comentário fez o coração do vampiro doer. Ele tentou se aproximar, mas a morena se afastou.
- Realmente. Não parece ter funcionado. Mas eu creio que Harry tem um coração, Ethan. Você não tem. – ela jogou a varinha dele no chão e virou-se para sair.
- Melora, espere. – ele estava arrependido de ter sido tão ríspido com alguém que realmente se importava com ele, mas Melora lhe irritava, às vezes.
- Não, Ethan, não espero. Se quinhentos anos não te convenceram, não é agora que você vai mudar, não é?
A morena deixou a sala silenciosa e foi a procura de Celen. Maldito vampiro teimoso, ainda desistia dele um dia desses. 'Sim', ela pensou. 'Como se eu realmente acreditasse nisso.'
Encontrou a ruiva há algumas portas de distância, lhe encarando, curiosa, e apenas sorriu, enquanto a outra lhe indicava a porta de um quarto. Já estava entrando quando Alex pôs a cabeça pela porta e lhe encarou.
- Onde está o Ethan?
- No mesmo lugar. – Alex lhe deu um olhar de repreensão e saiu atrás do outro.
Claro, se Ethan estava de mau humor, isto nada tinha a ver com o fato de que seu suposto escolhido o havia recusado e ainda estava protegendo um mortal. Claro que não. Era culpa de Melora. Aquele era seu irmão, afinal, ela pensou, atirando-se na cama. Quando que algo que acontecia não era sua culpa?
Ainda era cedo, para os padrões dela, mas estava de tão mau humor que decidiu tentar dormir. Já estava quase adormecida, quando ouviu a porta abrir e não demorou a que Ethan se juntasse a ela na cama, enlaçando a sua cintura e beijando ternamente seu rosto. Fitou os olhos cinzas e ele pôde ver que a garota ainda estava magoada.
- Eu sinto muito. – ela apenas lhe encarou de volta e fechou os olhos novamente, tentando adormecer, mas sem se desvencilhar do abraço.
Era sempre assim. Sempre fora. Brigavam, discutiam, mas ele sempre voltava, com um mísero pedido de desculpas, e ela aceitava. Mas, desta vez, tinha medo. E se o tal Potter desistisse de vez do mortal? E se Ethan conseguisse conquistá-lo? Na verdade... E quando o mortal morresse e nada restasse a Potter a não ser a companhia de seu criador? O que, exatamente, ela iria fazer pelo resto da eternidade?
O dia já estava alto quando Melora conseguiu adormecer. Não se lembrava de sentir-se tão perdida em quinhentos anos de existência. Valeria a pena continuar ali?
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Assim que abriu os olhos, Draco encontrou dois pontos verdes lhe encarando. Encarou de volta e, por um momento, perdeu a noção de onde estava, ou do que estava fazendo ali. Por que era mesmo que deveria estar com uma sensação ruim? Havia tanto conforto naquele lugar... E então a realidade caiu sobre a sua cabeça, quando finalmente lembrou a noite passada. Vampiros. E Potter, e beijos, e uma sensação realmente maravilhosa... E medo. Encarou o moreno que lhe olhava preocupado e, num impulso, o puxou para um abraço. Harry era a única barreira que havia entre ele e aquele vampiro maluco que iria lhe matar. Os olhos gelados e metálicos haviam dito isso para ele, na noite anterior. Sentiu conforto nos braços gelados que lhe envolveram e fechou os olhos. Sua vida estava por um fio, e tudo que havia para lhe defender era um vampiro. Merlin!
- Draco, - a voz de Potter era baixa e suave, como se estivesse assustado pela reação do outro - Nós precisamos descer. Eles devem estar aguardando para organizar as coisas.
- Você acha que eu preciso ir também? – ele levantou o olhar, afastando-se um pouco, mas não soltando o outro, que teve o ar preocupado agravado.
- Você quer ficar aqui... Sozinho? – um arrepio correu pela coluna do loiro, que balançou a cabeça em negativa, suspirando.
Harry levantou, sendo seguido por ele, e se vestiram em silêncio, a expressão tensa não abandonando Harry nem por um segundo, até que saíram do quarto. Assim que pisaram nas escadas, Draco esticou a mão e pegou a do moreno. As duas estavam geladas, a de Harry pela sua própria natureza, a sua, por medo.
Chegaram à cozinha, que estava com todas as janelas cobertas e tinha diversas velas flutuando no ambiente, iluminando fracamente as pessoas, que estavam dispostas em dois grupos separados. De um lado da cozinha, os vampiros recém-chegados, basicamente na mesma posição que estavam na noite passada, com exceção de Ethan, que estava sozinho, Melora sentada entre Celen e Phoebe, parecendo fria de uma maneira um pouco assustadora, assim como Ethan, que estava deixando a irritação transparecer em cada gesto. Do outro, os membros da Ordem que já haviam estado na reunião da noite anterior.
Draco parou, indeciso. Deveria se afastar de Harry para não irritar ainda mais o vampiro que agora lhe encarava, ou permanecia ao lado do moreno e tinha a certeza de que, se fosse atacado, este lhe defenderia? Quem tomou a decisão por ele foi Lupin, que indicou dois assentos vazios ao lado dele e Harry o puxou para lá.
Foi uma reunião confusa, muitos dos presentes mal haviam entendido a definição de Horcrux, alguns pareciam duvidar até mesmo de sua existência, muitas interrupções e explicações seguiram-se até que, finalmente, conseguiram começar a definir um plano de ação. Era claro para Harry que eles precisavam apenas pegar o objeto e destruí-lo. Não conseguia ver exatamente obstáculos naquilo. Há dois anos estudava e pesquisava, incansavelmente, e não havia tido uma única pista sobre onde elas estariam. Agora, que apareciam praticamente jogadas em seu colo, tudo parecia a um passo de ser resolvido. Concentrou-se nisso, e não na vozinha que lhe dizia que, uma vez acabada a guerra, o que ele iria fazer?
Não se permitiu ter aquele pensamento. Livrar-se de Voldemort. E não ter mais guerra, ou busca por Horcruxes, ou batalhas, ou seus amigos morrendo diante de seus olhos... E então percebeu que seus amigos morreriam diante de seus olhos, todos, um a um, sem uma única exceção. Ele os veria envelhecerem, e terem filhos, e morrerem, e ele continuaria ali. Sempre, eterno e sozinho.
Não apenas seus amigos... Draco. Como seria perceber e observar aquela pessoa de quem ele sabia depender tanto agora, definhar, envelhecer, partir e o deixar ali. Não seria mais misericordioso para ambos se não mais se vissem, se ele fizesse Draco ir embora agora? Mas sabia que não podia, sem Draco, estaria entregue a Ethan, e a isso ele se recusava. Poderia transformar o loiro, talvez? Assim seriam os dois eternos, imortais, teriam um ao outro... E ele seria capaz de causar a alguém a quem já devia sua própria autonomia a mesma dor e o mesmo vazio que ele estava sofrendo? Jamais. Importava-se demais com o rapaz, mesmo com tão pouco tempo, para fazer algo daquela forma. Se Draco lhe pedisse... Ele sabia que atenderia ao pedido. Mas por si mesmo? Pelo seu conforto e prazer? Nunca. Antes a eternidade no vazio do que na culpa. Ele nunca experimentaria a próxima grande aventura, como Dumbledore chamava a morte.
Sentiu Draco lhe encarar, parecendo preocupado e, sem se preocupar com quem via ou não, abraçou o outro pela cintura, espelhando o gesto dos dois vampiros mais próximos dele, a ruiva e o rapaz loiro. Julgava entender porque via tanta possessividade ali. Era um no outro que encontravam conforto e vida, razão para continuar e existir. A eternidade em solidão era assustadora demais até mesmo para ser contemplada. Percebeu que Melora o encarava, a expressão indefinível, e devolveu o olhar. Ela ainda permaneceu o observando, então olhou para Draco, que prestava atenção na reunião agora, e então para Ethan, e Harry viu um lampejo de dor tão grande nos olhos castanhos que seu próprio coração perdeu um compasso. Ela olhou para baixo e, quando levantou o olhar mais uma vez, a máscara de frieza e indiferença já estava novamente no lugar. Perdeu-se em considerações... Quantos segredos aqueles sete não teriam entre si? Quantas brigas, e quantas discussões, e risadas, e encontros, e desentendimentos, e reconciliações. Nenhum sentimento leviano unia pessoas por tanto tempo. Assim como nenhum sentimento leviano causava a dor que ele vira estampada no olhar de Melora. E imaginar que ele poderia ser parte da causa daquela dor, fez com que se sentisse mal por ela e pelos outros. Que líder incapaz que haviam arranjado... De todos eles, Ethan parecia ser o mais inconseqüente.
- Harry? – ele olhou para o loiro que lhe chamava e viu a atenção de todos na sala fixa nele, havia perdido boa parte da reunião e se sentiu um pouco culpado.
- Desculpe, eu não estava ouvindo. O que disseram?
- Precisamos montar um grupo para irmos até Londres, no prédio do orfanato, onde foi encontrada uma das Horcruxes. – Lupin esclareceu - Mas estamos com dificuldades... – o ex-professor olhou em volta e, acompanhando seu olhar, Harry percebeu que a maioria dos bruxos não parecia querer seguir a liderança de algum daqueles vampiros e o rapaz se viu diante de um impasse. Não poderia obrigar ninguém a ir, mas não queria que os vampiros pensassem que não confiavam neles. Não que fossem confiáveis, mas enfim... Ninguém ali precisava de mais conflitos. Tentava se decidir quando Melora falou, a voz alta e fria, chamando a atenção dos demais.
- Simples. Vamos eu, Lupin, Harry e Draco. Vocês estarão em vantagem numérica.
- Melora... – começou Ethan em tom de aviso, enquanto Draco protestava.
- Eu não participo de missões! – Ethan encarou o loiro, que pareceu encolher-se no banco.
- Não participa, senhor Malfoy? E se diz "membro" da Ordem? – o tom era de escárnio frio que fez o sangue de Harry ferver.
- Ele não vai. Vamos eu, Melora, Lupin e Tonks.
- Pensei que ele fosse seu companheiro, Harry. – falou Ethan, a voz transbordando de veneno - Justo num momento como esse, ele não vai?
- Malfoy tem um contrato com a Ordem, senhor Ethan. – declarou Hermione, parecendo reunir toda a coragem que possuía para enfrentar o vampiro, mas o fazendo mesmo assim - A parte dele era apenas ajudar Harry nos primeiros dias, com Oclumência e na pesquisa. Em troca, ele recebe proteção. É perigoso para ele deixar a sede e ele tem informações importantes sobre os Comensais para dar. Eu vou no lugar dele, se isso é um problema. – o vampiro a encarou e sorriu, gostava de pessoas corajosas.
- Muito bem, então. Se Harry concorda com o grupo da Ordem, o Sr. Lupin, Srta. Tonks e a Srta. Granger, eu vou reformular o nosso grupo. Vamos eu e Mathew. Melora fica.
- Eu vou! – ela parecia indignada e os dois se encararam, arrancando um olhar de cansaço dos outros vampiros. Aparentemente, aquelas discussões eram comuns.
- Não. Não vai. É perigoso e você fica. – ela riu.
- E quem é você para mandar em mim?
- Se o fato do Ethan ser nosso líder não é o suficiente, ótimo. – disse Alex, atraindo o olhar da morena para ele, enquanto Celen lhe lançava um olhar desaprovador - Eu sou seu irmão e você não vai. – a garota pareceu prestes a discutir, mas olhou em volta, encarou Draco, e sorriu.
- Ótimo, maninho. Eu fico, então.
Boa parte dos membros da Ordem observava a discussão de boca aberta. Vampiros instáveis, que iniciavam discussões tão repentinamente quanto terminavam com elas. Era como viver ao lado de um dragão adormecido.
Internamente, Harry estava agradecido. Ethan indo com eles, e Draco ficando na casa, lhe dava um mínimo de segurança. Afinal, estariam em missão, precisariam se concentrar em conseguir a Horcrux, e Draco estaria a salvo de Ethan, assim como ele, já que estaria cercado de companheiros. No entanto, o olhar calculista que Melora lançava ao loiro lhe inquietava. Sem nenhuma razão aparente, seu instinto dizia que não podia confiar nela.
Partiriam na noite seguinte e passaram mais algumas horas discutindo o que estaria protegendo a Horcrux. Era incrível como Ethan fazia tudo soar fácil e descomplicado. Mathew estava lá no dia em que souberam da localização da Horcrux, os feitiços seriam letais em um humano, mas em um imortal... Não fariam muita diferença. A reunião terminou e ele seguiu para o próprio quarto, trazendo Draco com ele. Não era seguro para o loiro ficar vagando pela casa com Ethan ali. E Harry se sentia melhor quando o loiro estava por perto. Se era disso que se tratava a tal "transferência", a dele ia muito bem, obrigado.
Olhou para o loiro, que parecia extremamente entediado, enquanto ele colocava o pijama e se sentava na cama, os sinais da inversão de horário de sono aparentes na fisionomia.
- Está tudo bem, Draco? – o outro parecia ter sido arrancado de um devaneio.
- Hum? Ah, está, sim. Só cansado... A troca de horário. – ele continuou sério e encarando o chão, enquanto Harry dava de ombros e pegava um livro para ler.
Era para ele se sentir assim? Com essa alegria boba por ver Potter lhe defender e ficar apreensivo porque o vampiro que o havia mordido iria passar horas na companhia do moreno, sozinho? Afinal, ele havia desistido daquela idéia idiota de eternidade, estava ligado a Potter agora porque fugir seria suicídio e porque o que havia acontecido na noite anterior havia sido... Bem... Agradável. Se o vampiro conseguisse conquistar Harry, ele estaria livre novamente e provavelmente Harry se sentiria mal por ter lhe usado e garantiria sua proteção até o fim da guerra e ele teria sua vida normal de volta. Então, por que era que sentia suas entranhas se revirarem só de pensar naquela possibilidade? Não queria pensar naquilo. Não queria mesmo pensar no porquê de estar se sentindo assim. Eram coisas demais acontecendo, era isso, estava confuso, era só.
Estava realmente cansado e acabou adormecendo não muito depois. Quando Harry se aborreceu de ler e virou-se para a cama, alguns minutos depois, sorriu ao ver o garoto loiro adormecido, jogado por cima das cobertas, uma das mãos sobre o rosto, evitando que os cabelos lisos caíssem sobre os olhos, a outra jogada para cima, parecendo tão em paz que aqueceu um pouco o frio constante que Harry sentia.
Jamais poderia imaginar que seria em Draco Malfoy que ele iria encontrar tanto conforto, tanto bem estar. Sentia-se bem ao lado dele, ele era seu porto seguro e era tudo tão intenso que ele próprio não compreendia. Talvez fosse apenas o que deveria sentir ao lado de Ethan, mas que havia sido obscurecido pela raiva que sentia contra ele. Talvez fosse... Ou talvez fosse o modo como Draco sorria, e lhe chamava de Potter quando estava de mau-humor, talvez fosse apenas por ser... Draco Malfoy, o garoto que jamais havia se deslumbrado com sua fama.
Sentou-se ao lado dele na cama. Não queria realmente pensar no que era. Estava lhe ajudando, não precisava ser nomeado. Com cuidado, removeu as cobertas e ajeitou o loiro sobre a cama, que resmungou um pouco a ser mudado de posição, mas acabou se acomodando em Harry assim que este deitou ao seu lado. O moreno adormeceu tranqüilo.
No dia seguinte, destruiria mais um obstáculo entre ele e Voldemort. Mais um passo para o fim da guerra. Teve um sonho confuso, onde havia o nascer do sol e uma escadaria, sob uma luz vermelha. Virou-se na cama, incomodado, e aconchegou-se a Draco, as imagens confusas sumindo pelo contato com o loiro. Suspirou e adormeceu novamente.
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Já era a segunda noite em que acordava sem Harry ao seu lado e ele começava a ficar preocupado. Onde estava aquele cicatriz? Decidiu descer, para comer alguma coisa. Sem vampiro algum querendo o seu pescoço, ele se sentia melhor do que nos dois dias anteriores, apesar de ter certeza que se sentiria mais seguro ainda se Harry estivesse ao seu lado. Afinal, para a maioria da Ordem, Draco era o inimigo. Quando chegou à cozinha, sentiu-se seriamente tentado a voltar ao seu quarto e permanecer lá. Weasleys, montes deles, estavam acumulados na cozinha, ao lado de uma McGonagall que distribuía ordens a alguns aurores. Aparentemente, a Ordem voltara à ação na Sede, e não se incomodava com seus novos aliados, sendo que duas das garotas, a morena de olhos azuis e a ruiva, que até fez Draco se surpreender ao notar que ela estava sozinha, assistiam a discussão com um ar de leve interesse. Ele se sentou à mesa e serviu-se de comida, observando os olhares nada discretos que os aurores lhe davam, que diziam claramente que ele havia passado de Comensal da Morte a protegido do escolhido. Pensassem eles o que quisessem, aquilo era uma mudança para melhor.
Comeu rapidamente e decidiu ir até a biblioteca, tentar passar algum tempo sozinho. Viu mais integrantes da Ordem e mais alguns aurores, que conhecia do ministério, na sala de música, enquanto passava pelos corredores. Eles estavam reunidos com o outro vampiro loiro e o moreno, com cara de poucos amigos. Apressou-se para a biblioteca. Não queria se envolver naquilo mais do que já estava envolvido, ou não teria chance alguma de sair vivo daquela guerra.
Entrou no recinto e, julgando-se sozinho, jogou-se em uma cadeira, apoiando os cotovelos sobre a mesa e colocando o rosto entre as mãos. Merlin, como alguém podia se colocar em tantos problemas seguidos? Sua missão absurda no sexto ano de escola, seus dois anos como Comensal nada bem vindo, e agora, quando se julgava seguro, por ter pedido proteção, estava sempre a um passo da morte, vampiros e aurores e... Potter. O que era que estava acontecendo, ele não conseguia entender. Era o fascínio que os malditos vampiros lançavam sobre os outros, tinha que ser... O brilho que ele tinha no olhar e a segurança que ele passava. Ele tinha um encanto diferente, era sempre o extremo, o vampiro a beira de cometer um assassinato, o rapaz que se entregava aos seus beijos e se dizia dele, o homem que calava toda uma sala com um olhar, o garoto que se preocupava ao ver que ele não parecia bem, o vampiro recém-feito que não tinha medo de desafiar seu criador, a pessoa que precisava tanto dele que nem ao menos tinha medo de admitir. A transferência que Potter havia feito de tudo que deveria sentir pelo tal Ethan havia sido total e completa. Transferência. Ótimo, perfeito. Mas e quando ele se cansasse da brincadeira? Em algum momento o encanto vampírico iria passar e aí o que restaria para ele? Potter o deixaria partir?
Passou a mão pelos cabelos em frustração, decidido a não pensar mais naquilo. Ao menos até o fim da guerra, ele teria que permanecer ali. Era o melhor, era seguro e, bem, se tivesse mais alguns momentos como o de algumas noites atrás ele certamente não iria reclamar. Sorriu com a lembrança, a intensidade dos olhos verdes, o abraço frio e tudo que havia sentido.
- Quem diria... – disse, em voz alta, e quase caiu da cadeira quando teve um riso como resposta. Olhou em volta, assustado. Pensava que estava sozinho, e viu a vampira morena, a que tinha estado lhe observando há dois dias, sentada na janela, os cabelos balançando com o vento, os olhos brilhando de uma maneira que Draco sabia que nenhum olhar humano jamais brilharia.
- Desculpe se o assustei. – ela disse com um sorriso, pulando da beira da janela para dentro da sala - Não tinha a intenção, mas você não me viu... – ela deu de ombros e ficou o encarando, olhos nos olhos, e Draco sentiu um arrepio - Você não lembra de mim, não é? – ela se aproximou e sentou em uma cadeira próxima a dele.
O loiro sacudiu a cabeça em negativa e ela sorriu mais uma vez. Outro arrepio. O tempo deveria interferir com os efeitos que um vampiro exercia sobre um humano. Era um tipo de encanto que ele pensava ter sentido com Harry, mas diferente, esse era seco.
- Você era muito pequeno, mas era uma criança adorável. – ele apenas olhou para ela mais uma vez, tentando parecer aborrecido, mas não conseguiu. Os olhos castanhos eram uma armadilha na qual ele já estava preso. Não podia desviar o olhar, mesmo querendo muito fazê-lo. Estranho... Com Potter ele nunca pensava em querer desviar, nem sentia medo, nem vontade de se afastar, e a incapacidade de realizar este desejo não lhe causava pânico. Seus pensamentos começavam a ficar confusos e ele tentou piscar e limpar sua mente, mas não obteve muito sucesso.
- Você queria ser imortal, não queria, Draco? – a voz dela era baixa, fria, mais um arrepio de puro medo cruzou seu corpo. Poucas vezes ele quis tanto uma coisa quanto queria sair dali. E, no entanto, não conseguia. - Você é incrivelmente parecido com Ethan, mas você já deve saber disso... Ou Harry não teria se aproximado de você, não é mesmo? – por alguma razão, aquilo lhe ofendeu. Era verdade, sua semelhança havia sido a primeira causa, mas Harry estava ao lado dele por ele, não era? Exatamente porque ele não era Ethan, e não o contrário - Você já pensou no que vai acontecer quando você envelhecer, Draco? No quanto vai doer? No quanto a morte deve ser assustadora? Você quer passar por isso, Draco? Você realmente não precisa... – ela correu a mão pelo rosto dele, sorrindo e ele sentiu seu próprio medo aumentar - Tão parecido e tão diferente... A eternidade não é algo para se temer, Draco. Realmente não é... Mas você vai ter tempo de aprender, não vai? Eu prometo, Draco, que isso não vai doer...
O rosto dela se aproximava e ele queria muito se mexer, mas não conseguia. Não foi um movimento rápido, como o que ele vira nas lembranças de Harry, era lento, calmo, paciente, quase como se ela não quisesse fazer o que estava fazendo, como se desejasse que alguém lhes interrompesse, mas se sentisse compelida a fazer o que havia se proposto.
Foi quando ele sentiu os dentes dela sobre seu pescoço que houve um estrondo na porta e Harry estava lá, Ethan ao seu lado, sorrindo triunfante, segurando uma taça retorcida em uma das mãos. O encanto se quebrou, ele podia pensar novamente, podia se mover, e a primeira coisa que fez foi afastar-se daquela mulher, indo em direção à janela. A respiração acelerada, mas, junto com o medo, veio a sensação de alívio. Harry estava ali, sujo, as roupas rasgadas, mas sorrindo, uma das tais Horcruxes certamente destruída. O sorriso do moreno, no entanto, sumiu de seu rosto quando ele compreendeu o que estava para acontecer naquela sala, o olhar que dirigiu a Melora era mortal, mas o que ele viu em resposta simplesmente desarmou sua fúria.
A garota olhava para Ethan, o rosto em expectativa, e o vampiro a encarava de volta, impassível, enquanto Draco e Harry apenas apreciavam a cena. A tensão era tanta que parecia que o próprio ar estava mais pesado, até que uma pequena risada de escárnio soou pela sala, arrepiando Draco e enfurecendo Harry uma vez mais.
- Você costumava ter mais bom gosto com seus brinquedos, Melora. – a voz fria ecoou pela sala, enquanto Ethan dava as costas e saía. Harry viu a garota virar para a janela, enquanto ele fixava Draco que estava entre feliz pela chegada do moreno e com medo do que poderia ter acontecido se eles não tivessem chegado naquele momento. Ele buscou o olhar verde que estava fixo nas costas da garota e Harry lhe sorriu. Ele sorriu de volta decidiu sair da sala. Não queria saber o que aconteceria lá dentro.
Quando a porta se fechou, Melora deixou escapar um longo suspiro e Harry se perguntou se ela sabia que não estava sozinha.
- Eu não ia realmente mordê-lo, Harry. Eu sabia que Ethan estava chegando com você. Depois de tanto tempo perto você... Sente. – ela disse, em voz baixa, ainda de costas para ele e dirigindo-se à janela, onde se sentou e então se voltou para encará-lo - Eu imaginei que se soubesse o quão próxima eu estava de fazer um companheiro... – ela sorriu - Mas eu deveria conhecê-lo melhor.
Harry encarou a morena, com seu leve sorriso e sentiu um misto de pena e raiva. Mesmo que não tivesse a intenção de morder Draco, agora o loiro teria ainda mais problemas com Ethan e isso...
- Isso não vai acontecer. – ela declarou - Cuidado com seus sentimentos, Harry, eles são traídos pelas suas expressões com uma facilidade imensa. Ethan não vai perseguir Draco. Apenas converse com ele, não o exclua. Ele não é um risco. Você ainda vai ver que, no fundo, ele é um homem bom.
- Como você pode defendê-lo e dizer que ele é bom? – ele perguntou, realmente confuso, - Sendo que ele mordeu você e agora...
- Parece me desprezar? – ela indagou, o encarando - Ah, mas é aí que você se engana, Harry. Ethan não me mordeu. Não foi ele quem me fez. Eu poderia dizer que eu me fiz sozinha, uma vez que enganei meu irmão para que ele me mordesse. – Harry pareceu espantado e ela riu levemente - Não se espante, eu tinha as minhas razões. Estranhas, talvez, mas existentes. Sabe, Harry, eu me apaixonei por Ethan no momento em que eu o vi. Tão belo, e tão nobre, e bom. Pagar o preço de me tornar imortal por ele não me pareceu caro e eu jurava que ele iria se apaixonar por mim. Eu sempre deixei claro que o amava... Foi uma pena que não tenha funcionado. Foi você a primeira pessoa que Ethan mordeu e transformou. A primeira que ele realmente quis e eu sei que, sendo ele como é, ele jamais desistiria de você ou lhe trataria como você viu ele me tratar. Na verdade, eu mesma deixei chegar a este ponto... – ela olhou pela janela e parecia perdida em pensamentos, até que Harry se aproximou.
- Então por que você fica? – ela voltou o olhar para ele e pareceu considerar a questão.
- Esta, Harry, é uma questão que eu não sei mais a resposta. – desceu da janela e foi em direção a porta. Ela estava quase deixando a sala, quando Harry perguntou, num tom curioso.
- É verdade que vocês estiveram em Hogwarts? – ela voltou-se, o encarou e sorriu.
- É, sim. A maioria de nós orgulhosos Sonserinos. – ele desviou o olhar e ela riu - Mas em Ethan você deveria confiar, Harry. Ele foi tão Grifinório quanto você.
Ela deixou a biblioteca e Harry ficou ali alguns minutos, pensando. Seguindo a passos incertos até o seu quarto, o coração parecendo pesado, em um momento que ele se julgava tão feliz.
Ele mal havia aberto a porta e foi recepcionado por um beijo possessivo, a que ele se entregou, a alegria ressurgindo dentro dele. Draco era firme, não o deixou quebrar o beijo, nem se afastar, o puxava de encontro a si e aos poucos as roupas dos dois foram se perdendo no chão, deixando uma trilha até a cama, onde Harry acabou deitado de bruços, o loiro colocando-se em cima dele, beijando seu pescoço, sentindo o frio emanar dele e, mesmo assim, não se afastando. Os movimentos começaram leves e Harry não conteve os gemidos, Draco parecia decidido a subjugá-lo, a cada movimento que ele tentava fazer para alcançá-lo, o outro se esquivava, os únicos sons que se ouviam eram os gemidos que os dois produziam, até que o loiro correu as mãos pelos dois lados do corpo gelado, não deixando de se mover, enlaçou seus dedos e colocou as mãos do moreno sobre a sua cabeça, beijando o pescoço com força, mordendo e provocando, enquanto Harry não podia reagir, se deixando entregue.
- Você precisa de mim, não precisa, Harry? – o loiro sussurrava em seu ouvido, enquanto mordia seu pescoço, os movimentos mais rápidos dentro dele, uma das mãos deixando a sua e movendo-se para a própria ereção do moreno, que gemeu em aprovação e tentou se mover no ritmo do loiro, sendo preso por esse, que não movia mais o corpo ou a mão, apenas mordia o moreno, que estava tonto pela antecipação, - Precisa, Harry? – os gemidos do moreno aumentaram, enquanto o loiro mordia e beijava, deixando um caminho de calor a cada respiração.
- Eu preciso... - o moreno disse, entre arquejos de respiração e ele sentiu o loiro mover a mão no mesmo ritmo do quadril, gemendo novamente - Eu preciso, Draco... Aaaahhhhh...
- Você precisa de mim, Harry, você precisa... – o loiro murmurava entre os beijos e exclamações de prazer que deixava escapar. Movendo-se dentro do moreno, sentindo-o contra sua mão, até senti-lo derramar-se sobre a cama, enquanto ele mesmo atingia o clímax no corpo do outro.
Ofegando, levantou-se apenas o suficiente para que Harry se desvirasse e limpasse a cama com um aceno da varinha que havia caído ao lado deles. Ele abraçou o moreno possessivamente, e deitou-se quase em cima dele, enquanto este fechava os olhos para dormir, certamente cansado pela missão.
Draco demorou muito mais a adormecer. Assim que deixara a biblioteca, pensamentos que ele não desejava ter lhe assaltaram e ele não pôde fazer nada para pará-los.
Era diferente. O que ele sentira com a vampira, o encanto, a tontura, a incapacidade de se mover... Era diferente. Com Harry era ele também. Ele não queria se afastar, o sentimento de poder confortar alguém tão necessitado, de ser o único a quem o moreno se deixava dobrar, conseguir arrancar sorrisos quando ninguém mais podia... Era diferente. Não era nenhum encanto de vampiro, era Harry Potter. O pensamento havia lhe atingido com tal intensidade que negação alguma havia conseguido se formar em seu cérebro. Por Merlin, como havia deixado aquilo acontecer? Estabelecer uma ligação insensata e imprudente com um vampiro, alguém que era seu inimigo desde a escola, alguém que... Que sofrera mais do que qualquer um precisaria sofrer, que havia tido uma infância infernal, que perdera quase todos os que amava, alguém que ainda tinha a capacidade de se entregar, mesmo depois de tornado um ser das trevas, alguém que havia dado uma chance... Para ele.
Gratidão, misturada à compaixão e pena, pelas imagens que via na aula de Oclumência, um certo fascínio que ele sempre tivera e uma boa dose de desejo, e aí estava: Draco Malfoy estava apaixonado. E aquele pensamento era tão absurdamente impróprio, ridículo e impossível que... Que... Que estava, realmente, acontecendo.
Sua cabeça dava nós. E se agora, que ele havia se deixado cair naquela armadilha, que ele sabia sentir alguma coisa por Potter, entre todas as pessoas, e se o moreno decidisse não mais ficar com ele? Se optasse por Ethan que, enfim, era um imortal? Se a transferência falhasse, se... Se Harry não mais precisasse dele?
Andava de um lado para o outro no quarto, como uma fera enjaulada, tentando descobrir o que deveria fazer. Era tudo tão improvável e, no entanto... Estava acontecendo. E o que era milhões de vezes pior, ele estava gostando. Ele só precisava garantir que Harry precisasse dele. Precisasse dele como de ar. Não poderia deixar que o moreno escapasse. Como toda boa criança mimada ele sempre tivera tudo que queria. Não era agora que isso iria mudar.
Foi naquela disposição que se encontrava quando Harry adentrou o quarto e não houve segundos pensamentos. Queria tê-lo, precisava dele. Precisava fazê-lo seu. E agora, vendo o outro dormir contente em seu abraço quase sufocante permitiu-se um pequeno sorriso de lado, ao mesmo tempo em que uma pontada de medo surgia. O moreno teria que precisar dele. E Draco jamais poderia deixar ele saber que o amava. Potter precisava ter medo de perdê-lo e aí... Aí Potter seria dele. Até o dia em que ele conseguisse esquecê-lo e voltasse ao seu estado mental normal.
Sentindo-se um pouco mais aliviado, dormiu, abraçado ao outro que, ao menos em sua linha de raciocínio, lhe pertencia.
NA2: O capítulo aumenta de tamanho... e as notas a autora maluc aumentam também...
Bem, eu tentei explicar ali a questão da "ukisse" do Harry. Huahuahauhau. A relação deles vai se esclarecendo aos poucos, não falta muito pro fim agora (triste). Espero ter deixado, ao menos, um pouquinho mais clara a questão da necessidade do Draco por dominância. XD
Enfim, estou sendo redundante já, mas eu amo as reviews que vocês deixam (aperta as reviews), obrigada mesmo, continuem assim!
Hauhauhauahuahuahuahauhauhau.
Valeu a todo mundo que tá comentando, adoro vcs, viu?
Agradecimentos: Agy, a beta que saiu de férias. (oh, por Salazar, quem vai betar os próximos capítulos?!) E às minhas maneeeeeeeeenhas!!!
NA3: Bem... esses vampiros surgiram na minha cabeça não foi de graça. Cada uma das mocinhas Ali tem uma correspondente aqui. E nós decidimos escrever a história desta big happy family composta por esses adoráveis seres. Me digam o que vcs iam achar de lê-la. XD
Obrigadaça, pessoal!
Bjs e REVIEW!
