NA: E mais um aqui!

Obrigada pelas reviews! Eu amo todas elas e vcs tbm! Huhauhauhauahuahu

Manenhas, nós estamos quase implícitas nesse capítulo, apesar do meu desaparecimento. XD Luv ya!

By the way... A história original de Celen, Melora, Phoebe, Alex, Andrew, Ethan e Petter está sendo produzida, com direito a banners feitos pela Buh Black! (valeu, Buh!) Provavelmente no próximo capítulo, ela já esteja no ar e, se algm estiver afim, poderá lê-lasXD

Agora, chega de falação, e vamos ao que interessa!


Capítulo Seis

Partida

Minhas lágrimas não caem mais,
Eu já me transformei em pó
E os meu gritos não se escutam mais
Estão na direção do Sol
Meu futuro não me assusta ou faz
Correr pra desprender o nó
Que me amarra a garganta e traz
O vazio de viver só...

Ao Fim de Tudo – Cidadão Quem

Fechou a porta atrás de si e apenas sentou-se na janela, sentindo o vento gelado da noite contra o rosto. Tudo chega ao fim, mesmo para quem tem a eternidade pela frente. A vida é como um ciclo, quem tem a eternidade apenas tem mais tempo para apreciá-lo e vê-lo se repetir, e repetir, e repetir. Mas estava tão... Cansada. A repetição da busca e não-realização, a dor que estava sempre presente. Estava... Exausta. Secando a cada dia, sentindo o pouco de humanidade que restava em si se esvair aos poucos, a cada palavra ferina de Ethan, a cada olhar de raiva de Alex. Eles a estavam sufocando e ela permitia... Mas para tudo havia um limite. E ela havia acabado de chegar ao seu.

Não era a obsessão dele por Potter, nem mesmo a presença dele em seu círculo. A conversa com aquele rapaz só havia aberto os seus olhos. Ethan estava cometendo o mesmo erro que ela cometera quinhentos anos antes. Ela se sentia ameaçada, sim, teria ficado arrasada se tivesse sido desprezada, mas não era nem ao menos isso. Ethan contava tão certo que ela sempre estaria ali, que nem ao menos se preocupava em mandá-la embora, nem ao menos se importava por saber que ela quase havia feito um novo companheiro para si. Era a total indiferença dele, pela qual ela era a culpada, que a estava destruindo.

Havia suprido aquele vazio com os momentos passados ao lado de suas amigas desde a infância e os esparsos e raros bons momentos com o homem que amava, mas... Não valia a pena. Era a eternidade em negação, contentando-se com restos, vivendo a esperança de algo que não viria jamais.

Olhava pela janela e sorriu tristemente. Se ainda fosse humana teria chorado. Mas não tinha mais lágrimas... Não tinha mais humanidade suficiente para derramá-las. O riso frio de escárnio que Ethan havia dado ao ver a quase transformação do garoto Malfoy havia matado o último resquício de sentimento que ainda a prendia a ele. Aquele era o fim de sua vida naquele grupo, ou seria o seu próprio fim.

Não precisou pensar muito para se decidir, na verdade. A resposta estava na sua frente desde o dia em que Harry Potter havia cruzado a porta da mansão onde passara boa parte de seus cinco séculos de existência. Iria embora. E iria naquele exato momento.

Ouviu a porta fechar e não precisou olhar para saber que era Ethan que entrava. Era o cheiro dele, tão familiar e, até algum tempo atrás, tão querido, tão reconfortante, mas que agora lhe fazia sofrer, doía, a fazia lembrar que ele não lhe pertencia e nem ao menos queria que ela lhe pertencesse. E ela percebeu naquele instante que, na verdade, não se importava, não o queria. Não pela metade como ele era, e ela sabia que, inteiro, ele jamais seria.

Aguardou pacientemente que ele falasse. Sua disposição para diálogos naquele instante era nula.

Cansaço. Fastio. Exaustão.

Ouviu ele parar às suas costas e a observar, os cabelos balançando suavemente com o vento, imóvel e em silêncio, como gostava mais e mais de permanecer. Ele se aproximou suavemente e ainda assim não se moveu. Não queria, não tinha vontade.

Indiferença. Vazio. Solidão.

Ele a abraçou por trás, enlaçando sua cintura, e nem assim teve uma resposta, começava a imaginar o que estava acontecendo. Melora era sempre tão explosiva, passional. Aquela quietude não lhe era comum, não fazia parte da Melora que conhecia. Minutos se passaram e ela continuava apenas a observar o céu e sentir o vento. Se pudesse acreditar que aquele abraço era verdadeiro, que as desculpas que provavelmente se seguiriam eram sinceras, mas sabia que não eram. Eram falsas, uma farsa para mantê-la ali por mais alguns dias, até a próxima briga, o próximo desentendimento, até que Potter ficasse sozinho com a partida do mortal e lhe aceitasse, como sabiam que aconteceria. Ciclos, que ela já tinha vivido e experimentado, e no qual ela, desta vez, figurava como coadjuvante, como peça de substituição, até que o verdadeiro objetivo dele chegasse, dali a cinqüenta ou sessenta anos. Tão pouco para quem tem a eternidade... Uma vida para quem se acaba, a beleza multiplicada pela sua capacidade de perecer e encerrar o círculo que eles continuariam observando.

Vácuo. Desamparo. Dor.

- Você teria mesmo mordido aquele rapaz? – a voz rouca tão baixa que mal se ouvia e ela ficou em silêncio antes de responder, o tom calmo, despido de emoção, transmitindo muito mais sofrimento do que se tivesse gritado.

- Você teria se importado?

Silêncio e ela sorriu, desvencilhando-se do abraço, jurando que aquela seria a última vez.

- O silêncio fala mais que mil palavras, não é, Ethan?

- Não se atreva a me julgar, Melora! – ele gritou em resposta, afastando-se da janela, de onde ela lhe sorria, serena, - Eu não pedi que você fizesse o que fez! – ela deu uma pequena risada amarga e baixou o olhar.

- Creia-me, Ethan, quinhentos anos ouvindo isso de você e eu sei. Melhor do que ninguém, eu sei. – encarou-o novamente, - Eu sei que você não me queria para a imortalidade, eu sei que não me ama. Também sei que você provavelmente terá Potter em alguns anos e que ficará feliz por isso, e que eu até poderia continuar ao seu lado. Sendo um segundo plano, uma segunda chance. Também sei que se decidisse não mais me ter como companheira ainda me receberia de braços abertos em seu grupo, na nossa família, como você diz. Talvez aceitasse até mesmo um novo companheiro meu, desde que ele não lhe oferecesse risco, como Draco faz. Você foi um humano bom, Ethan. Honrado e corajoso, bravo, e belo, e puro. Talvez ainda haja um pouco dele aí dentro de você. Mas eu não consigo vê-lo mais. – a voz dela embargou e ela desceu da janela, caminhando lentamente em direção a porta, com passos vagos, não mais o encarando, enquanto Ethan lhe observava, perplexo, - Assim como também me tornei incapaz de reconhecer a menina que eu era e que eu perdi. Eu me tornei imune ao sofrimento, por estar ao seu lado e sofrer todos os dias. Mas isso está me afogando e eu não agüento mais. Eu preciso fugir antes que isso me sufoque. Eu estou tão cansada, Ethan, tão... Cansada.

O olhar cinza buscou o castanho e ela se permitiu encará-lo com o que sabia ser a última vez, sorrindo diante da não-compreensão que o homem a sua frente demonstrava.

- Esse é o fim, Ethan. Já está na hora. Quando Harry vier para você, jamais lhe deixe saber o quanto o ama, jamais lhe deixe seguro do quanto o quer, não o sufoque e o deixe enfrentar algumas dificuldades sem você ao seu lado, para que ele perceba o quanto você pode fazer falta. Não o antagonize ou o provoque. Ouça alguém que aprendeu isso tarde demais, mas ainda assim, aprendeu. Não deixe que Celen e Alex briguem demais, e diga a Phoebe que ela ainda é a irmã mais nova que eu não tive. E me perdoe. Por não saber fazer você me amar, por ter atrelado as nossas eternidades sem ter lhe pedido permissão, por lhe amado tanto que lhe fiz indiferente a mim. Eu sinto muito.

Antes que o loiro pudesse reagir, ela lhe deu um último sorriso e sumiu, num girar de varinha. Ele observou o espaço vazio onde ela estava e, pela primeira vez em séculos, percebeu com força que a presença da morena, que lhe confortava, e ajudava, e sempre estava ali, não era eterna.

E que era tarde demais para tentar recuperar o que jamais imaginou que pudesse perder.

Contemplou o espaço vazio a sua frente e imaginou o quanto era irônico para alguém que tem a eternidade como tempo de existência poder dizer que era tarde demais. Tarde para entender que sua companheira faria falta, para notar o quanto eram parecidos, para ver como doía ser desprezado por alguém que se quer.

Durante a noite que havia antecedido a sua missão com Harry, ele notara algo de diferente entre ele e o mortal. A ligação que parecia uma tentativa fútil de fuga por parte do moreno tinha ficado, de alguma maneira pouco compreensível, mais profunda, mais séria e ele conseguia imaginar o que seria. Passar tanto tempo com Harry durante a busca e destruição da Horcrux só havia aumentado seu fascínio por ele, e também o havia ajudado a compreender que, não importava o que ele fizesse, se continuasse a antagonizar o tal Malfoy, perderia qualquer chance de ficar com o moreno. O rapaz partiria de qualquer forma, cedo ou tarde, Harry seria seu, ele conseguiria conquistá-lo, tinha certeza disso. Arriscar-se ao ódio para conquistar o amor, não era um erro... Ou era? Repentinamente deu-se conta de que era isso que Melora havia feito por ele e ele a condenara, por cinco séculos. Ele não estava fazendo agora nada diferente do que Melora havia feito, esperando por um perdão de Harry que ele mesmo fora incapaz de dar.

O espaço vazio de onde ela havia sumido parecia pesar. O que era essa sensação de perda, como se fosse uma parte dele mesmo que havia partido?

Seguiria os conselhos de Melora e tentou se confortar, pensando que, com certeza, ela iria voltar. Ela não conseguiria ficar longe de Celen e Phoebe, até mesmo Alex. Ela não poderia ficar sozinha, ela era tão intensa. O riso, as brigas, as implicâncias, tudo aquilo faria falta. Melora faria falta... E era tarde demais.

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Foi com um estrondo que Harry acordou e sentou-se rápido na cama, assustando Draco que havia acabado de acordar também. Gritos abafados vinham do andar inferior e os dois se apressaram, colocando as roupas, e saíram do quarto, encontrando um verdadeiro caos em uma das salas.

Phoebe e Andrew estavam com as varinhas em posição, em frente aos mortais que pareciam entre aterrorizados e preocupados. Celen estava entre Alexander e Ethan, o último mantendo distância do primeiro, que parecia fora de si. Se Harry pensava que havia visto Ethan furioso, nada era comparado ao que acontecia na sala naquele momento. As prateleiras por todo o lugar tremiam, o ar parecia impregnado de raiva e, agora que Harry prestava atenção, Ethan parecia ter um ar de derrota, enquanto Alex tentava lançar algum feitiço nele, através de Celen que se recusava a se mover.

- Alex, pare. Não vai adiantar nada você ir contra ele. – dizia Celen, tentando racionalizar com o loiro, que parecia não ter lhe ouvido.

- Eu não tive culpa... - Começou Ethan, sendo interrompido pelo grito do outro.

- Não teve culpa? Não teve culpa? Então me diga QUEM teve culpa, Ethan. Foi a minha alma que ela destruiu por amar VOCÊ! Foi ela que sempre esteve ao seu lado, e o que você fez? Mordeu um mortal qualquer, que jamais vai ser seu, que prefere ter alguém fraco ao seu lado a você! FRACO! Minha irmã, Ethan! MINHA IRMÃ! Alguém que sacrificou tudo por você! Como pôde fazer isso, Ethan, como? Puni-la por meio milênio pelo único erro que ela cometeu, e cuja causa foi VOCÊ MESMO! – ele mirou a varinha em Ethan, e Celen mais uma vez não permitiu que ele atingisse o outro, enquanto Phoebe lançava um escudo em volta dos humanos. Harry estava perplexo, olhou de lado para Draco e o viu branco de terror.

- Celen, por favor, saia daí. – a voz de Alex era calma quando dirigida a ela, e a ruiva apenas aproximou-se dele, levemente baixando a mão que segurava a varinha e virou-se para encarar Ethan que apenas permanecia os olhando.

- Você não precisa enfeitiçá-lo, Alex. Você sabe disso. – ela fixou o olhar castanho no cinza e Harry arrepiou-se pela intensidade de ódio contido em um só olhar, - A vingança pelo que ele fez vai ser dada pelo resto de alma que ele ainda tem. A eternidade em culpa. Não é necessário mais nada.

Ela pegou Alex pela mão e lentamente o retirou da sala, sendo seguida por Andrew e Phoebe, e os demais, pouco a pouco, deixaram o lugar. Harry olhou para Draco e tomou a mão do loiro, sendo o último a deixar a sala e percebendo, com um último olhar, a máscara de culpa que o belo rosto pálido havia se tornado.

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Nos dias que se seguiram, passaram a planejar a busca da última Horcrux. Depois dela, restava Nagini e então, Voldemort. A atividade estava mais intensa do que na organização da busca pela taça, o lugar era mais bem protegido, o acesso, mais difícil e era necessário mais planejamento, para que Voldemort não desconfiasse do que eles estavam fazendo, ou soubesse quem eram os novos aliados do Garoto-Que-Sobreviveu. Parte da idéia que os vampiros tinham para o último ataque contra Voldemort era baseada na surpresa que o Lorde teria o saber que o único capaz de lhe destruir era imortal, como ele jamais conseguiria ser.

Desde o dia da discussão, era Alex quem liderava o planejamento, era ele quem dava as ordens ao grupo de vampiros e Ethan parecia aceitar isso facilmente, sem se preocupar demais. Contra todos os seus instintos iniciais, Harry sentia um pouco de pena dele, até haviam conversado uma ou duas vezes. O loiro não mais mostrava desagrado quando Draco estava por perto, não lhe lançava olhares ameaçadores, nem nada o gênero. Parecia ter aceitado a presença de Draco ali, o que por si só era motivo de inquietação, mas Harry não iria reclamar, não precisava de mais uma coisa para lhe preocupar. Não quando o fim da guerra parecia estar tão próximo.

As semanas passaram e ele se via, cada dia mais, esperando pelas horas que podia passar ao lado de Draco, na solidão do quarto deles, conversando, ou mesmo em silêncio, apenas pelo prazer da companhia do outro. Draco era uma companhia agradável no fim das contas. Não havia deixado de ser sarcástico, um pouco mandão e, talvez, mal humorado, mas Harry desenvolveu uma espécie de carinho por esse lado do loiro, um lado que era tão irritante quanto era infantil. Mostrava que Draco havia sido mimado quando menor, que sempre tivera tudo que quis. Mostrava que ele havia sido uma criança e um adolescente amado em sua casa e, estranhamente, tudo que queria fazer, naqueles momentos, era reafirmar ao loiro que ainda havia alguém que se importava com ele, mesmo que sua mãe estivesse escondida e seu pai, morto. Que havia alguém que iria ajudá-lo, que ficaria ao lado dele.

Havia também um outro lado de Draco que Harry gostava mais e mais. O lado daquele que dormia abraçado nele, que gostava de ouvir que Harry precisava dele, que demonstrava uma insegurança mascarada pelo sentimento de possessividade que Harry, embora jamais fosse admitir, apreciava. Ele nunca tivera alguém assim. Era sempre ele a liderar, a proteger, a confortar. Era bom ter alguém que lhe liderasse, até demonstrasse aquele estranho sentimento de comando em relação a ele. Fazia com que ele se sentisse menos sozinho, mais amado, menos propenso a passar o resto da eternidade em solidão.

Quando seus pensamentos chegavam a este ponto ele sempre os impedia de continuar. Ele sabia onde eles iriam parar. Parariam na certeza de que Ethan estava sendo agradável com Draco porque sabia que ele iria morrer. Que Harry ficaria sozinho. Que o mais provável era que, quando isso acontecesse, Harry recorresse a ele. E este sentimento de dominância, tão diferente do que o que sentia com Draco, fazia a raiva e o ódio de seus primeiros dias como vampiro ressurgirem com força total, e ele não podia deixar que isso acontecesse.

Finalmente a última reunião foi feita, os detalhes acertados e eles partiriam no entardecer do dia seguinte para destruir a Horcrux, a relíquia de Ravenclaw. Quando a reunião foi encerrada, o moreno agradeceu a ajuda de todos eles e se surpreendeu ao notar que, diferente do que sempre aconteça, quando ele ia até Draco para irem para seu quarto, foi o loiro que veio ao seu encontro e tomou a sua mão. As mãos de ambos estavam geladas e ele sabia que isso era o maior sinal de medo que o ex-sonserino demonstrava. Deu-lhe um sorriso confortador e o seguiu para o quarto, em silêncio. A presença do loiro ao seu lado sendo o suficiente para que ele não temesse o que aconteceria no dia seguinte.

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Já era a terceira noite que Hermione passava na biblioteca, depois que se encerravam as reuniões na cozinha. Ela não queria perder as esperanças, ela precisava acreditar que seu melhor amigo ainda tinha "cura", mas, mesmo enquanto procurava, ela já sabia que não havia. Era apenas a sua pequena, mas existente, parte irracional que não queria se deixar vencer. Ouviu a porta abrir e virou-se para olhar. Era Mathew, o vampiro ruivo que havia ido à missão junto com eles, quem entrava. Ele vinha ali quase todas as noites, pelo que parecia, única e exclusivamente para lhe fazer companhia, já que pouco falava e quase nunca lia.

Ele examinou os livros que ela pesquisava e sorriu de leve.

- Você está tentando procurar uma cura, não está? – ela levantou o olhar dos livros e tentou se decidir se dizia a verdade ou mentia, uma vez que, se contasse que sim, queria uma cura, não queria que seu amigo se transformasse em um "deles", poderia ofender o vampiro de quem aprendera a gostar. Um pouco pela convivência e uma parte maior pela semelhança dele com Ron. O cabelo flamejante, os olhos azuis, o jeito despreocupado, embora mais sério, mais concentrado, era uma semelhança que lhe agradava. Sentia falta do seu amigo e companheiro. Queria ter tido mais tempo ao lado dele para poder dizer-lhe tudo que sentia.

- Hum, na verdade... É, estou. – ele lhe lançou um olhar compreensivo e sentou mais confortavelmente na cadeira, encarando a morena.

- Logo que eu fui mordido, e creia-me, faz muito tempo, eu arrombei praticamente todas as bibliotecas que contivessem qualquer traço de informações sobre vampiros. Eu queria, também, uma cura. Eu não queria ter que conviver com esse peso da Eternidade sobre mim. Infelizmente, eu não tive sucesso. Ser um vampiro não é uma doença e, por isso, não pode ter cura. – ele parecia realmente triste, - Mas eu sinto muito, Hermione. Eu queria que você conseguisse encontrá-la. – os olhos da morena encheram-se de lágrimas.

- É que eu não queria... Perder Harry também. Já foi tão difícil... – ela escondeu o rosto entre as mãos e só notou que o vampiro havia se aproximado dela quando sentiu que ele lhe abraçava.

- Você não vai perdê-lo, Hermione. Harry é bom, ele não vai sumir e te deixar. E mesmo que ele faça isso, você não vai estar sozinha. – ela o abraçou de volta. Desde a morte de Ron ela não se sentia tão segura. E, estranhamente, não estava se importando nem um pouco que a pessoa que lhe oferecia conforto era um vampiro, pois assim, tinha a certeza de que ele jamais a deixaria.

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Harry estava separando as coisas que precisaria levar para a missão, enquanto notava um ansioso Draco Malfoy andar de um lado para o outro, a passos largos pelo quarto.

- Draco, você está me deixando nervoso. – o moreno declarou, quando havia terminado de arrumar sua mochila, e o loiro lhe encarou.

- Isso é realmente bom, porque aí você percebe que eu estou nervoso também, Potter. – Harry pareceu espantado. Nervoso por que, se ele nem ao menos iria na missão?

- Como assim? – o loiro parou de andar e pareceu ficar desconfortável e um pouco sem jeito, mas decidido a dizer algo.

- Por que você vai? Quer dizer, já tem esse monte de vampiros para ir. Você não precisava ir e se ariscar!

- Draco, eu preciso, é a minha missão. Dumbledore a deixou para mim. – o moreno declarou, sério.

- Ah, claro! Os nobres Grifinórios, sempre em busca da próxima grande aventura. – a declaração, no entanto, fez Harry sorrir, e Draco o encarou, parecendo mais mal humorado ainda, - Por que é que está sorrindo, Potter?

- Dumbledore uma vez me disse que a morte era a próxima grande aventura. É engraçado que você diga que eu estou procurando por ela, quando essa vai ser a que eu nunca vou descobrir como é.

Draco arrependeu-se do que tinha dito. Andou até o moreno e este lhe abraçou.

- Eu vou ficar bem e voltar logo, ok? Eu prometo.

Os dois se encararam e Draco percebia, pelo olhar de tristeza de Harry, que nunca, em toda a sua vida, ele havia tomado uma decisão mais sábia do que interromper a mordida que Harry teria lhe dado. A eternidade não era uma benção, era uma maldição, condenava ao frio, à solidão e ao desespero. Ele quase podia ver a mente de Harry funcionando, enquanto o moreno corria a mão pelo seu rosto, traçando as linhas de suas feições, como se quisesse memorizá-las.

Harry corria as mãos pela face do outro, mergulhado em pensamentos que ele realmente não queria ter, mas não conseguia impedir. E quando Draco partisse? Ele precisava tanto dele, nem uma única de suas afirmações de que necessitava do loiro havia sido falsa. Ele realmente precisava dele, era como a única ligação dele com a vida que tinha antes. Ninguém mais o fazia se sentir vivo... Apenas Draco.

Ele suspirou e abraçou o loiro que devolveu o abraço na mesma intensidade. Todas as palavras não ditas pairando no ar em volta deles e fazendo-o triste e pesado, como uma saudade sentida antes mesmo do momento da despedida. Naquela noite dormiram abraçados um ao outro, buscando carinho e conforto, em busca da certeza de que não iriam ficar separados mais tempo do que o necessário. Foi naquela noite, quando Draco já estava adormecido e que Harry continuava a memorizar cada traço do rosto pálido, que o moreno considerou que, sem Draco ao seu lado, ele realmente achava que não conseguiria continuar. E, no entanto, talvez esse fosse o primeiro problema para o qual ele realmente não tinha uma solução. Por agora era fácil assegurar a presença dele, era simples apenas estender a mão e tocá-lo, mas e quando a morte viesse e o tomasse? Para sempre, assim como a vida havia tomado Harry. Estavam separados pelos extremos de sua própria existência e ele não fazia idéia do que poderia fazer para amenizar a dor que estava sentindo. Mal percebeu quando resvalou para um sono inquieto, mais uma vez perturbado pelas escadarias de uma Igreja e o sol nascente. A única coisa que o fez adormecer novamente foi o contato com Draco.

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Foram quase duas semanas sem notícia, que acabaram por quase enlouquecer Draco e, por conseqüência, todos os que estavam perto dele. No entanto, parecia que todos estavam dispostos a relevar qualquer coisa que o loiro dissesse, lançando-lhe olhares compreensivos que o irritavam ainda mais. Ele e alguns integrantes da Ordem, Slughorn, McGonagall e Kingsley, entre eles, jantavam na cozinha escura de Grimmauld Place. O silêncio predominava no ambiente, só sendo quebrado pelo ocasional raspar de talheres no fundo dos pratos. Draco queria, mais do que nunca, uma razão para poder extravasar sua ansiedade e brigar com álguem, mas nem para isso eles lhe ajudavam. Pareciam respeitar seu silêncio pela ausência do seu "amado". Ele bufou em indignação solitária. Aquele cicatriz idiota ia ver o que ia acontecer com ele, quando pusesse os pés dentro daquela casa de novo. Duas semanas sem noticia. Talvez ele tivesse simplesmente decidido se juntar aos amiguinhos vampiros e havia esquecido dele. Estava a beira de simplesmente largar o jantar no meio e deixar aquela cozinha, com aquele silêncio irritante, quando ouviu a porta da frente abrir e, sem nem notar o que estava fazendo, correu para lá, sendo observado pelos outros com curiosidade. Não era a primeira vez que a porta se abria, os outros membros continuavam a usar a casa, mas ele tinha certeza, simplesmente certeza, de que era Harry quem estava chegando. E ele não estava errado.

O moreno entrava apoiando Andrew, que parecia bastante machucado. Ethan tinha cortes por todo o rosto, os demais, no entanto, pareciam estar intactos. Nas mãos de Harry, um grande livro, que deveria ter sido um belo exemplar, um enorme volume com capa de madeira, estava parecendo carbonizado. Quando os olhos verdes encontraram os cinzas, Harry abriu um largo sorriso e puxou o loiro de encontro a ele. Alguns instantes depois, seguiram para a cozinha, onde eles contaram o que havia acontecido, como Ethan havia se machucado para defender Harry, como Andrew havia absorvido quase todo o impacto dos feitiços sozinho. Draco não deixou de notar que a Sangue Ruim e o vampiro ruivo estavam o tempo todo juntos. Parecia não ter sido somente ele a cair no encanto vampírico por ali.

Harry mal havia saído do banheiro, depois de um longo banho e adormeceu quase instantaneamente, enquanto Draco permaneceu muito tempo ainda vigiando o sono do outro. Era bom mesmo que aquela história de eternidade fosse verdadeira. Ele não se importava de morrer quando estivesse velho o suficiente, mas, aquelas duas semanas sem Harry haviam sido mais do que suficientes para provar que ele já não conseguia mais viver sem o moreno.

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Todos julgavam que teriam algum tempo agora, para planejar o último e decisivo ataque a Voldemort. Foi num clima leve que tomavam a refeição na cozinha na noite seguinte. O ataque deveria ser algo planejado, bem executado, nada de pressa. Isso era o que eles pensavam. Até que, pela porta da cozinha entrou o único informante Comensal que tinham, Blaise Zabini, parecendo mais sério do que de costume. Ele nunca vinha até a sede. Foi com um olhar consternado da maioria dos presentes que ele cumprimentou-os com um aceno de cabeça e tomou fôlego para falar.

- O Lorde planejou um ataque aos trouxas. No centro de Londres, em dois dias, ao entardecer. Todos os Comensais foram convocados, assim como todos os aliados que ele tem. O único objetivo é matar trouxas.

Silêncio seguiu-se às suas palavras, enquanto todos pareciam tentar decidir o que fazer. Intervir seria denunciar que tinham um informante e, com isso, reduzir as chances de conseguirem informações para atacar Voldemort novamente. Deixar o ataque ser feito, seria permitir que milhares de pessoas morressem, apenas para que Voldemort se divertisse. Harry, na verdade, não precisou pensar para tomar a sua decisão.

- Então é em dois dias que acontece também o nosso ataque. Em Londres, daqui há dois dias, ao entardecer.


NA2: É O Blaise. Pq ele? Pq eu adoro essa criturinha e não queria que ele fosse mal e precisava de um informante... ngm melhor do que ele (foge)uahauhauhauahuahuahauhau

Muito bem, muito bem. O próximo será o último. Tão triste isso, eu amei escrever essa fic, estou delirante de alegria que vcs tenham curtido também! Bem o fim já está prontenho. Vcs sabem como me persuadir a postar, não? XD

Obrigada a todo mundo que leu e deixou Review, luv you, people! Quem leu e não deixou review, gnt, obrigada igual, embora reviews sejam tão simples. É só clicar no botãzinho ali XD

Bjs a todos e, bem, sinto muito se tiver algum erro perdido, capítulo não-betado, pois Agy está de férias. (chora)

Até o próximo e último capítulo.XD

Ah, mais uma coisa. Coisa estranha essa minha Horcrux, não? É que eu realmente não me sinto capaz de detalhar essas coisas com cuidado e não queria spoilar ngm, então inventei um livroXD hauhuahuahua. Desculpem pela mediocridade, mas, enfim...

REVIEW!