NA: Sem NAs prévias hoje.

Curtam, e eu espero que gostem. XD


FIM

The very brightest candle of all has been extinguished (A chama brilhante de tudo foi extinta)
Smothered by those who could not bear to face reality (Sufocada por aqueles que não podem enfrentar a realidade)
Every beat of your heart tore the lies all apart (Cada batida de seu coração destrói as mentiras)
Made foundations quiver (Faz as fundações estremecerem)
Every wave in the lake caused the porcelain to break (Cada onda no lago faz a porcelana quabrar)
And I shiver...( e eu tremo)

Feint - Epica


Um silêncio tenso segui-se àquelas palavras e Draco, inconscientemente, pegou a mão de Harry, que estava ao lado dele. Ele viu o olhar surpreso de Zabini e se arrependeu do gesto, mas Harry já estava também apertando a mão pálida com a sua. Não era só ele que precisava do contato para se sentir seguro, ao que parecia. A partir de então, muito pouco foi claro, organizado, ou vazio de tensão. Zabini manifestou sua insatisfação quanto a um plano tão impulsivo e, em suas próprias palavras, tão 'Grifinório', mas quando percebeu que quase metade das pessoas naquela sala eram vampiros, quando percebeu que o próprio Potter também era um deles, quando percebeu que sim, aquela poderia ser a última chance de acabarem com aquela guerra, ele apenas contentou-se em passar todas as informações que sabia e desapareceu, deixando para trás um grupo disposto a passar os próximas dois dias e duas noites acordado e sem descanso. Afinal, eram os dois dias antes da noite que definiria o resto de suas vidas.

Planos foram traçados, medidas de segurança e dispersão organizadas e foram apenas por poucos minutos que qualquer um deixou a cozinha durante a noite ou o dia que se seguiu. Draco apenas continuava lá, sua mente fria e analítica contribuindo com algumas partes, Alex e os outros vampiros ainda tratando Ethan friamente, mas pareciam ter lhe acolhido de volta, e Harry se focava apenas na batalha, sem querer pensar em mais nada, como se aquela fosse sua última noite sobre a terra, como se nada mais houvesse depois daquilo. O que era uma quase-verdade. Ele realmente não estava disposto a pensar no que aconteceria depois, o que Draco iria querer fazer, como se sentiria sobre eles, quando Harry vencesse e voltasse, o peso da eternidade pairando sobre eles como uma guilhotina pende sobre um condenado.

E se ele perdesse? E, ao mesmo tempo, como alguém conseguiria derrotá-lo? Voldemort não conseguira matá-lo, então, o que ele faria? Tentaria ferir os que eram próximos dele? Quem havia restado, afinal? Sirius já não estava ali, Lupin parecia reanimado depois de seu relacionamento com Tonks, mas, na verdade, eles nunca foram tão próximos assim. Nenhum dos professores parecia próximo demais. O único que verdadeiramente o era já havia partido, seus pais haviam partido, Ron havia partido... Hermione talvez? E então ele percebeu que Mathew sempre estava em volta dela, a cercando de atenção, algo em que ele havia falhado miseravelmente. Ele não conseguira ser um substituto para Ron, e Mione agora estaria sozinha... Mas não estava. Harry confiava na proteção que o vampiro ofereceria a ela. Draco, então? Impossível. Voldemort jamais teria como descobrir o que havia entre eles e, bem, graças a Merlin, Draco não participava de batalhas.

O que se tira de alguém que não tem mais nada que possa ser tirado, nem mesmo sua própria vida? Poderia ser arrogância, mas ele, naquele momento, era invencível.

E isso lhe causava uma tristeza tão imensa que quase não cabia nele mesmo.

Quando tudo foi, finalmente decidido, estratégias concluídas, foi dada uma ordem, impossível de ser contestada, por McGonagall, de que todos deveriam dormir ou, no mínimo, tentar, para que estivessem descansados para a noite certamente longa que teriam.

Assim que entrou no quarto, Harry procurou conforto nos braços de Draco. Estava ansioso como jamais estivera, era a última chance, a última batalha, a última vez. Era o fim de tudo, finalmente, e aquilo era bom e gratificante e... Muito, muito assustador. Depois do fim, de sua missão cumprida, de suas contas acertadas e sua vingança feita... O que lhe restava?

Apertava o loiro com tanta força contra si, que não notou o ar de preocupação que o outro demonstrava. O que seria dele? Deles? Que fim possível havia para duas pessoas que se odiaram e, agora, Draco estava certo em dizer, se amavam? Não havia mais insegurança, nem dúvidas. O que ele faria sem Harry, se ele o perdesse? Como poderia deixar o outro sozinho no que seria, certamente, o pior momento de sua vida, e ainda alegar que sentia algo por ele? E quando chegasse a hora em que o tão nobre Grifinório tentaria se afastar dele, sabe-se lá com que propósitos ou motivos? Ele sabia que isso aconteceria. Harry era incapaz de fazer alguém sofrer. Ele perceberia o quanto Draco precisava dele, o quanto o amava e aí, ele tentaria ir embora e partir, para que Draco tivesse sua própria vida de volta. Ou, pior do que isso, ele não perceberia o que Draco sentia, se sentiria culpado pelo que o estava 'forçando' a fazer e iria embora mesmo assim, remoído pela culpa, literalmente, pela eternidade.

Merlin, não havia uma única saída boa em toda aquela situação?

Ele sentia a respiração de Harry em seu pescoço, o hálito gelado, assim como a pele, e se sentiu arder. Queria consumir Potter, aquecê-lo, confortá-lo. Decidiu que aquele não era momento para palavras... Que significado elas tinham se comparadas a ações, de qualquer forma?

Começou como um beijo delicado, sobre os cabelos negros e que apontavam a todas as direções, as mãos claras e quentes percorrendo sem pressa ou qualquer intenção aparente os lados do corpo frio, enquanto os lábios finos do loiro desciam lentamente para o rosto e, então, o pescoço de Harry, que parecia entregue, como todas as outras vezes, se deixando levar e conduzir, sem resistir, percebendo, mesmo que Draco jamais houvesse dito, o quanto o loiro necessitava dessa entrega para se sentir feliz. Mas não era isso que Draco buscava naquele diz. Ele queria estar entregue, ele queria ser confortado e dizer que sim, precisava de Harry tanto quanto o moreno precisava dele. Sentiu o moreno deixar escapar um leve suspiro e subiu os lábios até a boca do outro, beijando sem pressa, as mãos ainda brincando com os lados da camisa, enquanto as de Harry enlaçavam sua cintura. O mais lentamente que se permitiu, afastou-se e quebrou o beijo, admirando por um segundo a expressão do que ainda permanecia de olhos fechados, até que as pálpebras se abriram e revelaram o brilho verde que encontrou metal, e Draco aproximou-se novamente, sem fechar os olhos, sem beijá-lo, apenas encostando suas testas e unindo-os. As respirações aceleradas e ele não se permitiu acelerar também suas ações. Encarando o moreno da maneira mais direta e clara do que já havia feito até então, impediu que Harry retomasse o beijo movendo calmamente o rosto para o lado, sem fugir ao toque dele, no entanto.

- Harry... – o moreno o encarava em expectativa, ele viu as dúvidas que estavam se formando na mente dele e sorriu levemente, imaginando qual seria a reação que ele teria, - Eu preciso de você.

Os olhos verdes pareceram faiscar e escurecer de desejo e Draco sorriu mais, percebendo que o outro havia compreendido sua mensagem. Entregou-se ao beijo que Harry lhe dava, correspondendo como se estivesse com sede dele, ele queria Harry, precisava dele... e não teria medo de admitir. Gemeu quando o toque gelado dos lábios de Harry passou para o seu pescoço, sugando a pele como se quisesse consumi-lo, sentiu as mãos maiores que as suas livrarem-se de sua camisa, deixando-a caída no chão, e se viu deitado sobre a cama, Harry de pé a sua frente, abrindo lentamente sua calça, um brilho predatório no olhar, que o fez sorrir e tremer, cobrindo os olhos com uma das mãos e mordendo os lábios para conter um gemido, enquanto sentia o outro deslizar as mãos pelo seu corpo, agora nu. Sentiu, por um instante, o ar quente da tarde entrar pela janela e aquecer seu corpo quando o gelo do toque de Harry deixou de estar nele, por alguns minutos, e ele abriu os olhos, vendo o outro se despindo lentamente a sua frente, os olhos fixos nele, enquanto as peças de roupa caiam como uma trouxa no chão e teve que morder os lábios com ainda mais força, a simples visão lhe entorpecendo até quase não agüentar mais. Entrelaçou as penas em torno do corpo do moreno quando ele se aproximou e Harry colocou-se sobre ele, fazendo pequenos impulsos contra o loiro, arrancando exclamações deste, até que o loiro não agüentava mais, precisava de Harry tanto, tanto...

-Harry... Por favor... Aaaaahhh... – ele exclamou quando o outro começou, lentamente a penetrá-lo, com um cuidado infinito, Draco conseguia sentir através de cada toque que Harry não queria machucá-lo, não queria fazê-lo sentir dor, queria protegê-lo até mesmo contra seus próprios instintos que gritavam mais fundo, mais rápido.

A mão gelada de Harry lhe envolveu e ele não conseguir suprimir um gemido, na verdade, nem ao menos tentava, nenhum dos dois tentava, gemidos e exclamações se misturavam enquanto Harry movia-se mais rápido, no mesmo ritmo da mão que envolvia Draco, enquanto intercalavam beijos desesperados e olhares profundos que acabavam liderando a outro beijo, um círculo vicioso que nenhum deles queria que se encerrasse, até que, com um último movimento, Harry exclamou algo incompreensível, pouco antes de Draco também atingir o clímax e ambos desabaram enlaçados, adormecendo num sono que teria sido sem perturbação alguma, se não fossem as imagens desconexas de que Harry tinha vislumbres, a igreja trouxa, os degraus, o sol nascendo em vermelho... E então as imagens se apagaram, enquanto Draco se aconchegava a ele.

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Enquanto acertavam os últimos detalhes para sua partida, pouco antes do horário que haviam combinado, Harry não podia deixar de se sentir um pouquinho aliviado. Draco não participava de missões, Draco não corria riscos, Draco estaria seguro. E ele lutaria aquela batalha por ele.

Ou era o que pensava. Até ver o loiro preparando-se para partir como todos os outros. Harry teve um sobressalto e o puxou pelo braço até um canto mais afastado.

- O que você pensa que está fazendo? – o olhar verde fuzilava o cinza, mas Draco recusou-se a desviar.

- Me preparando para ir para Londres, Potter, o que você acha? Que eu vou ficar escondido? Eu tenho honra e orgulho, sabia?

- E tem vontade de morrer, também? Você não vai, Draco! – a voz do moreno estava elevada e Ethan levantou o olhar para a discussão e então sorriu.

- Quero ver você me impedir, Potter! – o olhar e o tom teimosos do loiro o enfureceram ainda mais e, antes que ele pudesse dar uma resposta, a voz suave e fria do vampiro loiro se fez ouvir, interrompendo a discussão.

- Harry, posso falar com você? – o outro lhe lançou um olhar irritado e Draco aproveitou para escapar, postando-se ao lado de McGonagall e Lupin, longe do alcance do discurso de Harry, - Deixe-o ir. – o olhar de ódio que recebeu de volta, fez o vampiro mais velho sorrir, - Não, Harry, não é um plano para que o jovem Malfoy acabe morrendo, tudo tem seu tempo. É apenas que... Pense, como você se sentiria que a única pessoa que lhe restou estivesse indo para a guerra e você não fosse poder estar junto dela? – a expressão de Harry suavizou e ele encarou o loiro do outro lado da sala. Bem, não era como se ele pudesse impedir, era?

- Ethan? – o loiro lhe encarou, - Me prometa que... vai vigiá-lo? Eu não vou poder estar ao lado dele o tempo todo e... – ele parecia embaraçado e o outro vampiro riu de leve.

- Eu prometo, Harry. Eu vou cuidar do seu jovem Malfoy.

O sorriso brilhante que Ethan recebeu de volta diminuiu, em muito, o aperto que ele vinha sentindo desde a perda de Melora. Talvez tudo realmente ficasse bem, afinal.

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Eles estavam lutando há horas e, até então, não havia um único sinal de Voldemort. O entardecer veio e se foi, os Comensais aparatavam, aguardando ordens, a Ordem havia atacado e, até agora, nem sinal do Lorde das Trevas. Harry havia perdido e reencontrado Draco por dúzias de vezes durante a batalha, trocavam sorrisos cúmplices e ele sempre via Ethan muito próximo do outro loiro. Ele estava cumprindo sua promessa.

Já era quase amanhecer, a noite começava a perder o tom negro e mudar para azul escuro, quando houve um tumulto nas escadas da Igreja trouxa, na frente de onde lutavam. Draco desviou o olhar da batalha e viu Voldemort parado no alto das escadas, sorrindo cruelmente para o garoto que estava alguns degraus abaixo. Ouviu o grito de 'Avada Kedavra!' e desviou o olhar de seu próprio combate, vendo o brilho verde atingir Harry e ele apenas continuar andando, um tipo estranho de sorriso em seu rosto, enquanto Voldemort lhe encarava, descrente. Viu o moreno erguer a varinha, mas, antes que ele visse o outro lançar algum feitiço, seus olhos foram cegados pela dor, ele viu todo o lado de seu tórax abrir-se em um corte e começar a perder sangue. Viu que Ethan se lançou contra o outro, e caiu nas escadas, os olhos quase fechando... Não tão cedo, não sem Harry, qualquer coisa para que Harry não ficasse sozinho, como Draco sabia que ele temia.

Dor lhe tomava e ele tombou nas escadas, percebendo que, não muito longe dali, Voldemort tombava também...

- Harry...

Foi só o que conseguiu dizer.

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Estava acabado. O corpo do bruxo mais temido de todos os tempos estava jogado na escadaria da igreja trouxa. Harry olhou em volta, tudo parecia difuso e seu coração estava aos pulos. Havia terminado tudo, era o fim de seus pesadelos. Permitiu-se um sorriso, o sol começava a despontar, ainda fraco o suficiente para não causar ardência. Olhou em volta mais uma vez. Se aquilo não era felicidade, ele jamais saberia o que seria.

Viu Lupin lhe encarando, e Celen ao seu lado, Alex ferido e com cortes, mas eles sorriam. Era o fim das trevas. Depois de tanto tempo junto com eles compreendia que sua natureza não era ruim, afinal. Hermione era amparada por Mathew e outro sorriso surgiu. Ele se sentia capaz de gargalhar. Até que ouviu a voz que sempre estava fria lhe chamar, com um toque de desespero.

- Harry! Rápido! – era Ethan quem chamava, não muito distante do corpo de Voldemort. Correu para lá e a primeira coisa que viu foi Dolohov jogado ao chão, estraçalhado pelo que parecia ter sido um ataque de raiva de alguém, sangue escorrendo pelo corpo já inerte.

A próxima foi Ethan ajoelhado ao lado de um outro loiro, que estava apoiado nos degraus, um dos lados de seu corpo lavado por sangue, o rosto uma máscara de dor. Ele ofegava, a respiração curta, rasa. Os olhos de Harry viraram-se com ódio para Ethan que lhe observava como se soubesse o que estava pensando.

- Eu juro que tentei... – o vampiro pareça desolado, - Mas foi tarde demais, eu tirei o bruxo de perto dele, mas não foi a tempo... Eu não queria... Te ver sofrer... Me perdoa... Eu não consegui...

Harry ajoelhou-se ao lado do rapaz loiro também, apoiando-o com seu próprio corpo, a cabeça pendida contra seu peito, enquanto o moreno olhava em volta. Precisavam de medibruxos, precisavam de alguém para curá-lo. Ele sabia que um dia Draco iria partir, sabia desde o começo, mas não tão cedo, não quando o fim de tudo havia chegado, não quando a dor iria desaparecer, e só lhes restaria alegrias.

Não estava pronto para deixá-lo ir. Ele... Ele faria falta. As noites juntos, o carinho, e o apoio, e... E o amor. Se houvesse alguém em quem Harry havia pensado naquela batalha fora Draco. E no quanto poderiam ser felizes agora. Ele não podia ir tão cedo, não podia.

- Draco. Draco, me ouve, olha pra mim. – o loiro abriu os olhos fracamente e fez uma careta de desagrado.

- Não me olhe como se fosse tudo horrível, Potter. Não era você que queria tanto saber como seria a próxima grande aventura? Agora eu vou... Descobrir... Antes de você... – ele tentava sorrir, mas não conseguia.

Por Deus, não era possível que alguém sentisse tanta dor. Ele era eterno, por Merlin! Ele teria que poder fazer alguma coisa! E se... E se mordesse Draco? Ele ainda teria volta? – aproximou o rosto do outro e beijou, delicadamente, a testa dele, que fechou os olhos, com o contato frio, sua própria pele não estava muito diferente. Gelava a cada segundo e Harry podia sentir a vida esvaindo-se dele. Impotência, mais uma vez impotência, diante de coisas inevitáveis que doíam. Beijou o rosto, de cada lado, e então a boca, e sentiu Draco retribuir, entreabrindo os lábios, correspondendo com uma força que não parecia capaz de ter, como se estivesse tentando alcançar a vida através daquele beijo. Lágrimas quentes corriam pelo rosto do loiro e um desespero frio tomou conta de Harry. Não ia deixar Draco morrer e ficar para trás. Se recusava, não permitiria.

Era estranho como o sol parecia estar cada vez mais avermelhado e ele sentia os olhos úmidos, o mundo estava tingido de vermelho sangue, o ar estava impregnado de dor e silêncio. Sentiu muita gente a sua volta, mas não desviava os olhos de Draco. Ele não iria ficar sozinho. Ele não agüentaria mais essa perda. Desceu os lábios sobre o pescoço, beijando lentamente, e abriu os lábios, deixando os dentes roçarem sobre a pele dele, que respirava irregularmente, cada vez respirações mais curtas, cada vez mais tempo entre uma e outra, acariciava a face pálida com uma das mãos, tentando passar um conforto que ele próprio não se sentia capaz de dar.

- Não... – foi o sussurro que cortou sua ação, e ele sentiu uma lágrima de sangue frio escorrer pelo seu rosto, tingindo-o de vermelho, caindo no rosto do loiro, que segurou a mão que acariciava sua face e levando-a aos lábios, - Eu não quero a eternidade, Harry... Me deixa... Ir...

- Não, Draco! Não, por favor, por favor, não... Eu te amo, eu não posso te perder, eu não consigo enfrentar a eternidade sem você ao meu lado, não vai... Não vai... Não me deixa... – as lágrimas escorriam pelo seu rosto, sangue misturado aos do ferimento do loiro, e o moreno soluçava como uma criança. Ele o amava tanto, ele não queria mais viver um segundo, ele precisava de Draco ao seu lado.

- Eu também te amo, Harry. E é por isso... Que vai... Me deixar... Ir... – os olhos cinzas se fecharam e o desespero tomou conta do moreno.

- NÃO! Não... – os gritos se repetiam, confusos, o sofrimento tão grande que chegava a ser palpável, - NÃO VAI! – os soluços sacudiam o corpo de Harry, filetes de sangue manchando todo o seu rosto, e Draco apertou com mais força a mão que segurava, a respiração quase se extinguindo. Harry fitou o brilho metálico que se apagava e tomou uma decisão.

Vampiros tornavam outros seres imortais sugando sua essência... Talvez... Talvez... Se desse a sua essência para Draco, o loiro teria uma chance. Ele não queria ser imortal, não se importaria em morrer, se soubesse que Draco poderia ficar bem.

- Draco, olha pra mim, - a voz rouca fez o loiro abrir os olhos e gemer de dor. O sol começava a ficar mais forte, mas só o que Harry via através de suas lágrimas vermelhas era o brilho prata a sua frente. Apoiou a cabeça do loiro com um dos braços e desvencilhou o outro, levando o próprio pulso até a boca, mordendo-o até cravar a pele e o sangue escorrer. O loiro entendeu a intenção que o moreno tinha e sorriu, segurando com um braço enfraquecido o pulso que o outro havia aproximado de sua boca.

- Não se pode salvar quem não quer ser salvo, Harry. – o olhar que trocaram dizia mais que todas as palavras. Harry simplesmente não queria viver. E Draco não queria ser eterno. O afago trêmulo do loiro desviou a mão de Harry até seu rosto, entrelaçando sua mão na dele, o sangue que escorria ali manchando o chão e brilhando ao sol.

Harry baixou os lábios até a boca do outro e o beijou, sentindo-se enfraquecer, enquanto seu sangue escorria. Descansou a cabeça contra o outro, que se apoiava nele e podiam sentir seus corações baterem um contra o outro, o mesmo ritmo, o mesmo som, cada batida levando um tempo maior para acontecer que a anterior, a respiração enfraquecia e o mundo parecia brilhar mais, ficar mais claro, ter mais luz. Não havia mais medo, não tinha mais dor.

A respiração do loiro fraquejava, a de Harry ficava rasa, até que pareciam não mais precisar de ar, só precisavam do toque um do outro, seus corações parando ao mesmo compasso. O sangue que pingava das mãos entrelaçadas não demorou a cessar, deixando dois rapazes imóveis e abraçados. O sol brilhava e não havia ardência. Um último pensamento cruzou a mente já fraca de Harry e ele sorriu, ainda com os lábios sobre o do loiro, que lhe deu um último sorriso de volta, mais percebido pelo toque do que visto.

Eles entrariam na próxima grande aventura juntos.

E em paz.


NA2: (arrumando as malas para fugir) Er... desculpem??? É que eu realmente considerei isso um final feliz XD

Eu disse que tinha problemas!

Hauhauhauhau

Pra td mundo que acompanhou e revisou e leu, meu MUITÍSSIMO OBRIGADA!

Essa é a primeira fic long que eu termino, eu amei escrevê-la, eu espero que vcs tenham gostadoXD

Obrigada mesmo mesmo!

Agradecimentos MUITO especiais: Agata Ridlle: darling, conselheira pinhônica, valeu pelo apoio!

Manenhas!!!!!!!!! Amo vcs duas!!!!!!! (sim, manenhas, vulgo 'Celen' e ' Phoebe' da ficXD A Melora era eu. Huahuahuahuhau)

E a todo mundo que leu, obroigada de novo!

Agira... REVIEW pra eu saber o que acharam do fim!

Bjs, pessoal, até a próxima ficXD