Preso em uma Rede
Tradução da Fic "Atrapado en una Red"
Link: w w w . f a n f i c t i o n . n e t / s / 1829890 / 1 /
Autoria: Anasazi
Tradução: Inna Puchkin Ievitich
Capítulo 3
Uma Contradição Ambulante
Era o ponto mais negro na escuridão, como o de uma noite sem lua, ou como as trevas que existem seis metros sob a terra, na câmara das raízes e vermes.
E em meio a essa escuridão que tudo parecia consumir, havia apenas um ponto colorido... uma brilhante esfera de cor vermelha. Pulsava... primeiro suave, quase imperceptível... depois, tão brilhante que cegava.
Até que a escuridão foi tragada por uma onda de luz vermelha, e um grito penetrante... como o de milhares de almas em agonia... rompeu a onda de luz.
E a terrível escuridão era novamente a única que lhe rodeava.
Harry despertou abruptamente, sentindo como o suor grudava-lhe ao corpo como se acabasse de sair do banho. Sabia que estivera sonhando mas, por Merlin, não se recordava de seu sonho. Harry sentou-se em sua cama e, como era de costume, pousou sua mão sobre sua testa.
Sua cicatriz estava ardendo como se estivesse em carne viva. E o peito lhe doía como se existisse alguém sentado sobre ele.
- É melhor que você se acostume. Pomfrey disse que doeria por um tempo. - Harry pulou ao escutar a inesperada voz e olhou à sua direita. A voz pertencia a Ron, que estava sentado em uma cadeira ao lado da cama de Harry.
Ron esticou-se, pegou algo da mesa ao lado da cama e pôs na mão de Harry. Harry reconheceu a forma de seus óculos e levou-os ao rosto.
Nesse momento, Harry deu-se conta de que não estava em seu quarto, mas no território da enfermeira da escola, "Madame Pomfrey". Harry notou que sua mão esquerda parecia pesada e olhou para baixo: seu braço estava envolto em bandagens, e uma tipóia o mantinha seguro contra seu peito. Também tinha uma bandagem que rodeava-lhe a cabeça.
- O que aconteceu? - Harry perguntou a Ron, sentindo-se algo enjoado.
- Acaso não se recorda do que aconteceu na biblioteca? - Ron perguntou-lhe, erguendo sua sobrancelha de forma enfática.
"A biblioteca... a última coisa que lembro é de estar na biblioteca.. subi na estante de livros... sentei-me na parte superior... tirei as Orelhas Extensíveis, e me inclinei para fora..."
"Ai, não me diga."
Harry não se lembrava do resto, mas não tinha que ser o Mestre do Óbvio para conectar as peças e saber o que ocorreu depois.
- Eu caí. Mesmo? - Harry perguntou, sua voz mostrando a vergonha que sentia. Ron sacudiu sua cabeça e disse:
- Não, meu amigo. Não caiu. Você SE ARREBENTOU como jaca. Até partiu a mesa que Hermione e Roger estavam usando!
Harry teve uma suspeita sobre por que doía-lhe o peito.
- E Hermione? Onde ela está? - Harry perguntou a Ron.
- Está fazendo a ronda. - respondeu casualmente. O olhar de decepção de Harry não passou despercebido a Ron, que em relação a sentimentos era usualmente cego.
- Porém ela estava decepcionada. Queria vir comigo, mas McGonagall fez com que Roger ajudasse Madame Pince a limpar os escombros que você deixou na biblioteca, e por isso Hermione teve que fazer a ronda. - Ron disse.
- Sim, claro. - Harry murmurou, o sarcasmo evidente em sua voz ainda quando ele não o desejava. Harry acreditava que conhecia Hermione o suficiente para discernir que se ela realmente desejava fazer algo, ela encontraria a forma de fazê-lo.
- Você tem muito o que explicar, compadre. - Ron disse com honestidade, enquanto reclinava-se sobre a incômoda cadeira.
- Estou seguro de que Madame Pince mal pode esperar para pôr suas mãos ao redor do meu pescoço. - Harry replicou, quase sentindo as ossudas mãos da bibliotecária em sua garganta.
- Não ela, tonto. A explicação você deve a Hermione! - Ron contestou.
- Por quê? Por que arruinei o convite perfeito de Roger? Bom, que me perdoe se sujei sua linda camisa branca com meu sangue! Pode dizer à ela que da próxima vez tratarei de sangrar sobre minha própria camisa. - Harry disse, surpreendendo-se pelo evidente ressentimento em sua voz.
Sabia que o que Ron dissera de Hermione era verdade. Por isso era que esperava vê-la quando acordou. Por isso era que doía-lhe tanto que ela não estivesse ao seu lado neste momento.
- Entendo, pela sua disposição tão doce, que a Poção número 9 ainda o tem sob seu encanto. - Ron replicou bruscamente. Harry repentinamente sentiu-se envergonhado de si mesmo.
Ele era quem havia agido como um cretino. Ele sabia que não tinha nenhum direito de espionar Hermione, e que definitivamente não tinha nenhuma razão para estar magoado com ela por ter aceitado o convite de Roger.
"Mas como amar dói."
- O que você disse a Hermione que aconteceu? – Harry perguntou.
- Que você estava tentando alcançar um livro que encontrava-se na parte de cima da estante e, quando subiu, a madeira cedeu e você caiu. – Ron disse, suas orelhas pondo-se vermelhas.
- E Hermione acreditou em você? – Harry disse, com um pequeno sorriso. Seu melhor amigo era muitas coisas, mas um bom mentiroso jamais fora.
- Não sei se me acreditou ou não, porém não me disse nada. Hermione estava tão preocupada com você... Ela retirou o suéter e o pôs na sua testa para estancar o sangue. Manchou-se toda a camisa... e ela não parava de chorar. – Ron continuou dizendo.
Harry não queria escutar mais nada. Fechou seus olhos cansadamente. Sabia que a imagem mental de Hermione chorando por sua estupidez o atormentaria por muito tempo.
- Que horas são? – Harry mudou de tema.
- Faltam 15 para a meia-noite. – Ron respondeu, olhando o velho relógio que estava na parede.
- Tão tarde? – Harry perguntou, abrindo seus olhos exaustivamente.
- Você passou todo esse tempo inconsciente. Rachou a cabeça contra a mesa... e que barulho feio fez! – Ron disse emocionado, como se estivesse narrando uma partida de Quadribol.
Se apenas faltavam 15 minutos para a meia-noite, significava que os efeitos da poção número 9 rápido desapareciam.
- Por quanto mais tempo tenho que estar aqui? – Harry perguntou. Ron tentou recordar tudo o que Madame Pomfrey lhe dissera e repetiu o melhor que pode:
- Madame Pomfrey disse que você tinha que passar toda a noite aqui. Amanhã o braço já deve estar curado. Mas ela tem medo que você tenha uma contusão.
Ron levantou-se do assento, esticando-se languidamente e soltando um grande bocejo.
- Bom, o verei amanhã.
Harry suspirou com cansaço.
- Claro! Trate de descansar, hein! – Ron disse com igual cansaço, dando uma palmada no ombro de Harry.
Ron deu a volta e começou a afastar-se, mas não havia se distanciando 2 metros, quando se deteve inesperadamente.
- Harry? – Ron perguntou, soando indeciso do que ia fazer.
- Sim? – Harry murmurou.
- Estou seguro de que Hermione teria desejado estar aqui quando você acordasse. – Ron disse. Deixando esse simples pensamento com Harry, foi-se da ala hospitalar.
Harry sentia-se enjoado, não sabia que medicamento Madame Pomfrey dera-lhe, mas devia ter sido algo muito poderoso. Tirou os óculos e os pôs na mesinha ao lado de sua cama.
E, contudo, não sentia vontade de dormir. Seu sentimento de culpa pelo seu comportamento, desde que tomou a poção, e a dor que sentia no peito cada vez que recordava o quão emocionada parecia Hermione ao aceitar o convite de Roger para ir ao baile, criavam em Harry dois pensamentos contraditórios, que se colidiam em seu exausto cérebro.
"'Apenas trate de dormir, Harry. Amanhã você acordará e todo este problema haverá se resolvido por si só."
2 horas mais tarde.
O sono não recaiu sobre Harry. Ao invés de dormir, havia passado duas horas olhando o teto, seu braço bom para o lado, ouvindo o som de sua respiração e a ocasional batida dos pés de Madame Pomfrey caminhando pelo piso.
Harry simulava estar adormecido cada vez que a enfermeira parava ao lado de sua cama, para ver como ele estava. Ele já tinha muitas coisas em sua mente para acrescentar mais uma velhinha que sempre se preocupava demais... coisas como a crescente dor que fazia com que sua cabeça se sentisse tal como um recipiente cheio a ponto de explodir.
Ele não prestou muita atenção ao som de passos que aproximavam-se pelo corredor, pensando que devia ser Madame Pomfrey que vinha novamente para monitorar seu estado. Harry sentia-se incômodo com a atenção, mas não era porque lhe irritasse que houvesse alguém cuidando dele... era porque esse alguém não era uma certa garota de cabelos escuros, sorriso cálido e olhos de cor marrom, em uniforme de Hogwarts.
"Que diabos ocorre comigo? Você está perdendo a cabeça. O efeito da poção já deveria ter reduzido. Não se supõe que eu ainda pense nisso... não é? Talvez Ron fez algo com sua poção, que faz com que ela dure mais tempo. Deixa só eu pegá-lo! Vou enforcá-lo de manhã..."
Não foi até que escutou uma familiar voz feminina, sussurrando algo próximo, que os sentidos de Harry acordaram por completo. Olhou através da cortina que rodeava sua cama e pode distinguir o perfil de duas pessoas: uma mulher sentada diante de uma mesa com um livro na frente... e uma formosa jovem de cabelo revolto, parada diante dela.
"É ela! Que a terra me engula!"
- O que faz fora de seu quarto a estas horas, Srta. Granger? - Madame Pomfrey disse com autoridade.
– Acabo de terminar de fazer a ronda. Me perguntava se podia ver Harry antes de ir para a cama. – Hermione respondeu. Harry não pode ignorar o quão exausta ouvia-se sua voz.
- O Sr. Potter está adormecido. - Madame Pomfrey disse, seu tom de voz mais suave do que o que usara a princípio. Ela conhecia a relação especial entre Hermione, Harry e Ron, e sabia que esses três não podiam se manter separados por muito tempo.
"'Sim, boa mulher! Mande-a voltar ao seu quarto! NÃO! ESPERA! O quarto dela está ao lado do de Roger! Ai, que raios estou dizendo? Fiquei doido!"
- Ah, entendo. Poderia vê-lo por um minuto somente? Não vou acorda-lo. Eu prometo. – Hermione suplicou. Harry sentiu que seu coração caía ao chão. Hermione soava tão preocupada...
"'Como eu pude ter duvidado dela?"
- De acordo, jovem. Mas apenas um minuto. - Madame Pomfrey respondeu gentilmente.
- Obrigado. - Hermione suspirou, notavelmente agradecida. O próximo que Harry escutou foram os passos de Hermione, caminhando em sua direção.
"O que faço? Ai, tenho vontade de vê-la. Mas se ela me pergunta o que aconteceu hoje, o que posso dizer? Como posso explica-la o que eu estava fazendo, sem soar como um completo idiota? Não posso dizer: "Hermione, tomei a poção de amor na aula de Snape e ela fez com que eu me apaixonasse por você. Por isso era que eu estava lhe espionando na biblioteca e caí. Agora, vamos para o seu quarto e comecemos a fazer bebês!", não é?"
Por isso, Harry fez o que achou que qualquer outro homem faria em sua situação.
Fingiu estar adormecido.
O característico aroma de lavanda que sempre acompanhava Hermione estava mesclado ao cheiro de sangue seco. Harry abriu seus olhos o suficiente para observar a jovem que havia chegado a seu lado, através de seus longos cílios.
O cabelo de Hermione estava mais selvagem que nunca, ainda que amarrado em um rabinho de cavalo. Seu uniforme não estava em melhores condições... sua camisa branca estava incrivelmente amassada, manchada de um lado com sangue seco. Seu rosto via-se cansado, seus incríveis olhos castanhos estavam tristes, e tinha uma mancha vermelha em sua bochecha.
Harry utilizou todo seu auto-controle para resistir ao impulso de limpar essa mancha de seu rosto e sentir a pele dela roçando contra a sua.
Harry por pouco dá um salto quando sentiu a mão de Hermione tomando a sua. Evidentemente, Hermione não deu-se conta, porque continuou tratando-o como se estivesse dormindo.
- Ai, Harry. Em que raios você estava pensando? – Hermione sussurrou suavemente, sua voz soando preocupada e chateada ao mesmo tempo. Era um tom de voz familiar para Harry, porque Hermione o utilizava quase diariamente com Ron e com ele.
O cabelo na parte de trás do pescoço de Harry ficou de pé, quando sentiu os dedos de Hermione acariciando seu ingovernável cabelo negro, tirando-o de sua testa. Com a ponta de seu dedo, Hermione suavemente tocou a bandagem sobre a cicatriz de Harry.
- Bom, você não parece tão mal como quando caiu. Harry, não sabe como me assustou! – Hermione murmurou. Harry pensava que era encantador nela que continuasse falando-lhe, embora pensasse que ele estava dormindo.
Harry sentiu que explodiria quando a mão de Hermione deixou seu cabelo para repousar em sua bochecha. Suavemente, Hermione começou a acariciá-la com seu polegar. Harry não estava acostumado a sentir tanta gentileza dirigida a ele.
- Harry James Potter. O que vou fazer com você? Quando não está procurando problemas, os problemas procuram você. – Hermione sussurrou com humor, evidentemente aliviada de que seu melhor amigo estivesse se recuperando bem. – Tenho que ir dormir. Vejo-o amanhã. – disse ela com suavidade.
Harry sentiu algo como eletricidade em seu corpo, quando os lábios de Hermione plantaram um delicado beijo em sua testa.
Não foi até que Hermione despediu-se de Madame Pomfrey e saiu do aposento, que Harry atreveu-se a abrir seus olhos e deixou sair um suspiro que não sabia que estava guardando.
Notas Finais da Tradutora:
Terceiro capítulo saindo do forno, quentinho! Aproveitem e sirvam-se! ;-)
Bueno, acho que não há muito o que se comentar... então, como sempre, agradeço a todos vocês por estarem acompanhando mais esta tradução despretensiosa. No entanto, lembrem-se que os maiores e melhores méritos vão para a Anasazi, autora desta história.
Também deixo meu muito obrigado, com recheio de chocolate e cobertura de chantilly, aos review-sadores edilmamorais (O Harry de "Preso em uma Rede" sofre tanto quanto o Harry de "PCU", mas você verá que as conseqüências da poção número 9 são diferentes das conseqüências da poção do pó de unicórnio. Mas fique com os lencinhos de papel a postos, porque belas e melancólicas cenas esperam por você. Beijoca, também adoro você, e obrigado pela parte que me toca! ;-)); Valson (É, eu também ri muito com as cenas hilárias de PeuR! Quanto a sua pergunta... Lilá e Parvati continuam sendo o que geralmente são nas fics: duas mexeriqueiras, que ocupam a maior parte de seus cérebros com especulações sobre garotos, fofocas sobre garotos e garotas, e sonhos com garotos. Já a Gina de PeuR é bem diferente da Gina de HBP e também de PCU. Você verá mais adiante, e creio eu que vai gostar. ;-) Beijos, e não se preocupe em se desculpar. Eu sei bem como é sobreviver de "tempo curto". ¬¬); Monique (Oh, então você é uma das cinco pessoas em todo o fandom que tiveram saco pra ler as minhas divagações? Quanta honra em conhece-la! Tudo bem, o mais provável é que não tenhamos conseguido ver nosso shipper no último livro, mas quem disse que precisamos dos livros para continuarmos gostando de Harry/Hermione, não é vero? ;-) A propósito, querendo me adicionar no MSN, fique a vontade: innapuchkin(arroba)hotmail(ponto)com. E no orkut, é só procurar pelo nome "Inna Puchkin Ievitich". Fácil, né? ;-) Beijoca!); Lady Luna Black (E tudo que sobe geralmente desce, e se espatifa como jaca – diria Ron, ahauhauahaha! Ah, adivinha? Eu também não gostava de Roger quando li a fic pela primeira vez 'a long time ago'. Mas não se preocupe, o bonitão lhe dará mais motivos para você detesta-lo. Porém, isso vai mudar... não direi quando, mas vai. ;-) Beijos, amore!); e a dupla Hiorrana e Fernanda (Pretendo atualizar PCU ainda esta semana, se eu não conseguir é porque tive contratempos. E sim, "Preso em uma Rede" tem vários momentos engraçados mesclados às desilusões de Harry. Outro cheiro e outro beijo – para as duas!). Acho que não esqueci de ninguém...
Bueno, com isso vou-me!
Hasta!
Inna
