Preso em uma Rede

Tradução da Fic "Atrapado en una Red"

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Autoria: Anasazi

Tradução: Inna Puchkin Ievitich


Uma nota explicativa da tradutora sobre a tradução do título do capítulo: O título original do capítulo é "Amores Perros" cuja tradução ao pé da letra é "Amores Cachorros". "Amor perro" é uma expressão espânica utilizada para designar três visões elementares do amor: o amor caótico, o amor que "ferra" a vida, o amor de veneta (que vem e vai rápido). Eu poderia deixar o título com a tradução crua "Amores Cachorros", ou trocar para "Amores Vadios" ou tentar uma versão que se aproximasse à idéia de "amor caótico" ou "cruel", mas foi então que lembrei do filme de Alejandro González, "Amores Perros", e a 'conversão' do título original para "Amores Brutos", em português, e pensei em adotar o mesmo título como uma "paródia" ao filme e ao mesmo tempo como uma homenagem à esta obra magnífica do cinema latino.

Capítulo 4

Amores Brutos, Parte 1

Terça-Feira, 28 de Outubro.

Harry suspirou exaustivamente enquanto tentava fazer o nó de sua gravata, como o uniforme o requeria. Mas depois de cinco minutos de tentativas falidas, deu-se por vencido. Fora uma noite longa e de pouco descanso, e Madame Pomfrey havia-lhe permitido retornar ao seu dormitório há 30 minutos, para que pudesse preparar-se para seu dia de aula.

O que Madame Pomfrey não sabia era que Harry teria preferido ficar na cama todo o dia, escondendo-se sob os lençóis para não encontrar-se com Hermione, Ron e, sobretudo, consigo mesmo.

Madame Pomfrey conseguira curar seu braço durante a noite, e apenas sentia um pouco de dor se o movia rapidamente.

Harry passou seus dedos por seu cabelo revolto, franzindo o cenho quando seus dedos roçaram o inchaço coberto com a pequena bandagem sobre sua cicatriz. Parou um momento para olhar seu reflexo no espelho. Uma das lentes de seus óculos estava rachada, mas estava tão exausto que nem sequer queria erguer sua varinha e conserta-la. Ademais, a fenda disfarçava os círculos escuros sob seus olhos inchados. Pressionou a palma de sua mão em seu rosto, sentindo a aspereza de sua barba de três dias, bem sabendo que não ia barbear-se essa manhã pura e simplesmente porque não queria que nenhuma navalha estivesse próxima de sua jugular.

"'Harry, você parece um vagabundo."

"Como pôde acreditar que pode competir com alguém como Roger Davies?"

- E de onde saiu isso? – Harry perguntou em voz alta, surpreso com seus próprios pensamentos. Eram 7:30 da manhã de terça-feira. Fazia quase 16 horas que havia tomado a poção de amor na aula de Snape. Seus efeitos já tinham que ter desaparecido horas atrás.

- De onde saiu o quê? – Harry escutou uma voz sonolenta dizer. Deu a volta e olhou para a cama de Ron, na qual encontrou o ruivo completamente vestido, de cara contra sua cama descoberta, aparentemente incapaz de deixar passar a oportunidade de dormir cinco minutos mais, enquanto esperava por Harry.

- Nada. Vamos, que tenho fome. – Harry respondeu rapidamente, escondendo sua preocupação pelo que estava pensando.

"Quem sabe? Talvez a poção tem efeitos secundários... temporários, claro. Sim, é isso. Verei Hermione nesta manhã, e ela será simplesmente a doce e confiável melhor amiga que sempre foi."

Ron levantou-se da cama, ainda meio adormecido. Juntos caminharam em silêncio para o Salão Principal, Ron olhando para os corredores para ver se via Hermione, e Harry olhando o chão, suas mãos nos bolsos de sua capa.

Ron conseguiu ver Parvati e Lavender rindo tontamente pelo que, seguramente, era uma bobagem ("Que raios é tão engraçado às 7:30 da manhã?"); uma emocionada Ginny ("O que estivera fazendo essa menina?"); e um sorridente e ruborizado Neville ("Acaso todos são pessoas matinais, exceto eu?".). Mas não viu nenhum rastro de Hermione.

Ron olhou para Harry de soslaio, com expressão de preocupação. Havia algo diferente em seu melhor amigo nesta manhã, e Ron tinha a suspeita de que teria a ver com Hermione e todo o problema da poção. Os efeitos da Poção nº 9 supor-se-iam desaparecidos, mas a expressão de Harry nesse instante recordava-lhe a cara que Harry tinha feito quando deu-conta de que Cedric havia se adiantado em perguntar a Cho se queria acompanhá-lo ao baile durante seu Quinto Ano.

Harry e Ron entraram no Grande Salão e tomaram seus assentos de costume à mesa de Gryffindor. Harry ainda não havia terminado de pôr manteiga em sua fatia de pão, quando sentiu uma mão grande e afetuosa dando uma palmada em seu ombro. Harry girou seu rosto para encontrar Albus Dumbledore, Diretor de Hogwarts, fitando-o com um sorriso carinhoso.

- Sente-se melhor, Harry? Minerva me disse o que aconteceu ontem à noite. – Dumbledore perguntou com suavidade, ajustando seus óculos sobre seu nariz torto.

- Sim. Sinto-me melhor. – respondeu-lhe Harry com cortesia, sentindo-se um pouco incômodo com o brilhinho que tinham os olhos azuis do Diretor.

Dumbledore concordou com sua cabeça e disse:

- Tenho a certeza de que, na próxima vez que você desejar alcançar um livro, o dirá a Madame Pince. Posso assegurá-lo que ela conseguirá desce-los sem risco algum, já que ela os pôs lá em cima em primeiro lugar. – Harry engoliu nervosamente, enquanto deu-lhe um sorriso cortês.

- Eu o farei, senhor. Obrigado. – Harry respondeu, com um pequeno sorriso. Acaso era sua paranóica imaginação trabalhando demais, ou Dumbledore acabava de implicar que não acreditava em uma só palavra da história de Ron e Harry?

- Tenho que ir. Mas se precisar, pode me encontrar em meus aposentos. – Dumbledore disse, com um novo apertão no ombro de Harry. Com isso, deu meia volta e caminhou para a saída.

- O que foi tudo isso? – Ron sussurrou, algo desconcertado.

– Você sabe tanto quanto eu. – Harry replicou, enquanto seus olhos seguiam Dumbledore até que o Diretor saiu do Salão Principal.

Sorte que estivesse olhando na direção das portas, ou Harry teria perdido a oportunidade de ver Hermione entrando no Grande Salão. E, não muito inesperadamente, ela não estava sozinha. Roger estava parado junto à ela, segurando a melhor amiga de Harry pela mão.

Harry deixou que sua fatia de pão caísse no prato; a fome havia passado repentinamente.

- O que ocorre? – Ron lhe perguntou, dando-se conta da mudança no rosto de Harry.

- Meu estômago dói. – Harry mentiu, enquanto obrigava-se a deixar de olhar para o casal feliz. Olhou para o outro lado da mesa e tratou de concentrar-se na explicação que Dean estava dando a um garoto do segundo ano, sobre o que era futebol.

Ron não estava convencido, e olhou na direção em que Harry estivera olhando momentos antes, justo para ver Roger beijando a mão de Hermione sentando-se à mesa dos Ravenclaw.

– Creio que o problema do seu estômago é contagioso. – murmurou Ron, ao passo que fazia o inconcebível e soltava o garfo enquanto ainda tinha comida no prato.

Hermione olhou para a mesa dos Gryffindor e um grande sorriso surgiu em seu rosto, quando viu que Harry estava ali. Ron foi o único que deu-se conta disto, já que Harry estava muito ocupado empurrando sua comida no prato.

Harry não pudera deixar de pensar na imagem de Roger tomando Hermione pela mão. Seu estômago havia se revolvido, a cabeça doía-lhe, e quase não podia respirar. Tinha que sair dali rapidamente.

"Que raios se passa comigo?"

- Err... tenho que ir ao banheiro. Vejo-o na sala de aula. – Harry disse, erguendo-se da mesa abruptamente. O mais que desejava naquele momento era jogar água gelada no rosto e gritar ao espelho até ficar rouco.

Porém, não pôde afastar-se nem dois pés da mesa de Gryffindor, quando Hermione o interceptou.

- Harry! – gritou a garota alegremente, envolvendo seus braços ao redor dos ombros de Harry e dando-lhe um abraço apertado, que quase lhe parte em dois. Apesar do quão mal que se sentia, Harry não pode deter o desejo de sorrir.

- Olá, Hermione. É bom vê-la também. – Harry sussurrou, dando-lhe um tímido abraço. O cheiro de xampu de lavanda pairava ao redor dele, e sentia-se estranhamente intoxicado. A sensação do gostoso calorzinho que havia se espalhado por todo o corpo quando Hermione o abraçou, desapareceu abruptamente quando ela o empurrou para longe de seus braços, e fitou-o com o cenho franzido.

- Harry, em que raios você estava pensando? – Hermione lhe repreendeu, referindo-se obviamente à estupidez que Harry cometera na noite anterior, ao subir numa das estantes da biblioteca.

- Estava... estava tentando estudar! – Harry tartamudeou. Hermione olhou-o ameaçadoramente, questionando-se se era seguro acreditar que Harry era capaz de semelhante idiotice.

- Vamos, Mione! Você sempre está me dizendo que devo ler outras coisas, que não sejam a História do Quadribol, não é? Pois deveria estar orgulhosa de mim porque, por fim, eu lhe dei ouvidos. – Harry mentiu, esperando que o sorriso de bom menino que tinha, fosse o suficiente para enganar Hermione.

Aparentemente, seu sorriso funcionava, porque a expressão ameaçadora de Hermione transformou-se em uma de preocupação e paciência.

- Da próxima vez que você decida estudar, tente não rachar a cabeça durante o processo. Não posso acreditar que você saia com mais lesões de uma viagem à biblioteca, do que as que têm quando termina uma partida de Quadribol. – Hermione replicou.

Harry lembrou do que Ron lhe dissera na noite anterior, de como Hermione havia arruinado seu suéter ao utilizá-lo para parar o sangramento de sua cabeça. Uns sentimentos, os quais não conseguia identificar, despertaram dentro dele.

- Hermione... obrigado por cuidar de mim na biblioteca... Ron me disse o que aconteceu. – Harry disse suavemente, sentindo-se nervoso. Não sabia a razão do porquê; Hermione já limpara a barra dele em muitas ocasiões, e ele havia lhe agradecido sem problemas, por todas e cada uma delas.

- Não se preocupe, Harry... embora, se você quiser me presentear com um casaco novo, da próxima vez em que formos a Hogsmeade, não vou lhe dizer não. – disse Hermione, em tom brincalhão. - Falando nisso... – Hermione disse de momento, como se houvesse lembrado de algo que havia esquecido.

Novamente e sem aviso, Hermione segurou-o pelos braços e o puxou para ela, fechando a distância entre ambos, até que a extensão de seu corpo roçava contra o de Harry. Harry engoliu em seco nervosamente, sua garganta sentindo-se repentinamente seca.

"O que Hermione faz? Vai me beijar? Deus queira! Argh, não pense isso!"

Porém, toda a esperança de que a proximidade de Hermione consistia em um gesto romântico evaporou-se, quando ela apartou o cabelo de Harry de sua testa e inspecionou a pequena bandagem sobre sua característica cicatriz.

- Bom, parece que está sanando bem. Um dia, ou dois, e sua cabeça estará como nova. – Hermione sussurrou, seu tom mostrando que aprovava o bom tratamento de Madame Pomfrey. Ou, ao menos, isso foi o que Harry entendeu. Mal podia dar atenção ao que ela dizia, quando estava enfocando todos seus esforços em tentar ignorar como a respiração de Hermione fazia cosquinhas em sua pele.

Harry precisava de uma distração... e rápido.

Falando do Rei de Roma, Malfoy se assoma.

- Não me diga que esta é a primeira vez que você se dá conta dessa horripilante cicatriz, Granger. Sei que os filhos de trouxas são um pouco idiotas... mas isto é demasiado. – Malfoy disse, com aquela voz lenta e desprezível que fazia com que Harry fantasiasse em romper-lhe os dentes com o punho.

Ao menos, a presença de Malfoy funcionava como uma ducha fria sobre Harry, e este olhou por sobre o ombro de Hermione para encontrar Malfoy com seus dois gorilas, Crabbe e Goyle, parados a uns quantos pés deles. Ron levantou-se da mesa e colocou-se em posição, ao lado de Harry.

- Vá ao diabo, Malfoy. – Ron e Harry disseram ao mesmo tempo, prontos para brigar se Malfoy começasse. Contudo, Hermione pôs uma mão calmante sobre o ombro de Harry, e fez o mesmo com Ron. Com um dramático movimento de sua formosa melena, Hermione olhou Malfoy por sobre seu ombro.

- Qual é seu problema, Draco? – Hermione perguntou a Malfoy, sua voz melosa e paciente. Malfoy fez um gesto de desdém e desprezo. Se há algo que ele odiava neste mundo era um "sangue-sujo" que lhe chamasse por seu primeiro nome.

- Não tenho nenhum problema, Granger, que é mais do que se pode dizer de seus dois melhores "amigos". - Malfoy respondeu, apontando com o dedo para Harry e Ron. Harry nunca escutara alguém dizendo a palavra "amigos" com tanto veneno em sua voz.

Harry enrijeceu os punhos, mas acalmou-se ao ver a expressão de tranqüilidade que Hermione tinha quando esta virou-se para olhar Malfoy frente a frente.

- Ah, agora entendo, Draco. Você está ciumento. – Hermione disse, sua voz tão paciente como se estivesse falando com um menino pequeno... fez com que Malfoy se incomodasse ainda mais.

- CIUMENTO? Do perdedor do Potter? Acaso você ficou louca? Eu não quero uma cicatriz em minha testa. – Malfoy respondeu-lhe, seu rosto pondo-se mais e mais vermelho a cada palavra. Hermione riu suavemente.

- Não pela cicatriz, tolinho... mas porque eu posso tocar meus amigos, sem sentir a necessidade de lavar-me as mãos depois de fazê-lo. E segundo me disseram, creio que sua namorada Pansy ainda não consegue fazer isso com você. - Hermione disse pungentemente, igualando o veneno na voz de Malfoy com uma não-tão-inocente malícia.

- Asquerosa sangue-suja. – Malfoy sussurrou, em voz ameaçante. Harry estava pronto para atacar Malfoy, caso sequer tentasse tocar em sua amiga. Hermione, contudo, não se preocupara em absoluto. E mais, cruzou seus braços sobre seu peito e olhou para Malfoy de forma desafiante.

- Melhor ser asquerosa sangue-suja que ser um Comensal da Morte que não saiu do armário. Não acha, Draco? – Hermione replicou suavemente. Harry não teria acreditado ser possível, mas Malfoy se via ainda mais vermelho e incomodado do que estivera a alguns momentos.

- Algo mais que possa fazer por você? – Hermione perguntou a Draco, colocando uma expressão de cachorrinha amorosa, fingindo que sentia pena por Malfoy. Harry teve que engolir a vontade de rir a toda voz; Malfoy tinha cara de quem estava a ponto de explodir.

Malfoy olhou para a mesa dos professores, onde Snape, McGonagall e Hagrid estavam atentos à estranha interação entre ele e Hermione. Draco sabia que tinha que se acalmar; não podia atrair problemas para si, não quando o plano se colocara em movimento e o prazo para cumpri-lo estava tão próximo.

- Continuaremos com isto depois, Granger. – Malfoy disse ameaçadoramente a Hermione, dando meia volta e começando a caminhar para a saída.

- Quando quiser, querido... que tenha um bom dia. – Hermione disse, com um sorriso malicioso em seus encantadores lábios.

Draco ainda estava no Grande Salão, quando um aplauso estrondoso irrompeu da mesa dos Gryffindors. Todos começaram a aplaudir Hermione, a qual, brincalhona, inclinou-se em sinal de reverência a seu fiel público.

- Isso foi estupendo, Hermione! – Ron disse, o orgulho por sua melhor amiga fazendo-se óbvio em sua voz.

- Obrigado, Ron. – Hermione respondeu, ainda com aquele sorriso brincalhão plasmado em seu rosto. Hermione voltou-se e, sem pedir permissão, começou a fazer o nó na gravata de Harry. Harry tinha um sorriso de orelha a orelha em seu rosto; havia algo tão pessoal e hipnotizador no simples gesto, que Harry sentia que o coração estava batendo um pouco mais rápido.

Hermione finalizou o nó da gravata e passou suas mãos sobre a frente da túnica de Harry, em um intento de suavizar as arrugas de seu uniforme.

O contato das mãos de Hermione em seu peito, embora fosse através de sua camisa, fez com que Harry sentisse coisas que não desejava explorar.

Quando Hermione elevou a vista e fitou o rosto de Harry, encontrou seu melhor amigo com um sorriso prazeroso que contrastava com o cansaço de seus olhos esmeraldas. Harry continuou sorrindo-lhe, e nela bateu a curiosidade pela expressão em seu rosto.

- O que ocorre? – Hermione perguntou, tratando de parecer indiferente. Suas mãos ainda estavam recostadas no peito de Harry.

- Você é incrível, Mione... simplesmente incrível. – Harry respondeu abruptamente, antes de poder pensar no que fazia. Hermione começou a rir, pensando que Harry o dizia pelo que havia acontecido com Malfoy momentos antes.

Tirou suas mãos de sobre Harry e meteu uma delas em seu bolso. Quando a mão reapareceu, Hermione estava agarrando sua varinha mágica. Sem perder um momento mais, apontou-a para a cabeça de Harry e disse "Oculus Reparo."

Instantaneamente, a fenda na lente de seus óculos desapareceu, deixando-os como novos. Por um segundo, Harry viu a Hermione de 10 anos que conhecera no trem para Hogwarts em sua primeira viagem para a escola de magia.

Recordou que nunca havia agradecido a Neville e sua rã, o fato de que Hermione aparecesse em sua vida.

Harry percebeu que Hermione ainda lhe sorria suavemente.

– Me alegra vê-la tão feliz. – Harry disse, perguntando-se se havia uma razão em particular para o bom humor de Hermione esta manhã.

- Obrigado, Harry. É que me alegrei tanto de vê-lo bem, que não permitiria que a doninha miserável de Malfoy me arruinasse a manhã. – Hermione disse, piscando-lhe o olho, enquanto guardava sua varinha.

"É por mim! Está feliz por mim!"

Harry sentia mais energia do que quando levantou-se pela manhã, e até sentiu desejos de comer um pouco mais com o propósito de compartilhar o café com Hermione. Porém, isto se desvaneceu quando viu um braço forte deslizar sobre os ombros de sua melhor amiga.

Olhou um tanto aturdido enquanto Roger, o dono do ofensivo braço, plantava um pequeno beijo na bochecha de Hermione.

- Você esteve incrível, Hermione. – Roger disse suavemente, dando um brilhante sorriso à ela. Harry combateu o desejo de ver com que se pareceria o sorriso de Roger, se ele fizesse voar seus dentes com um punho.

- Obrigado, Roger. – Hermione disse, com uma expressão estranhamente tímida. Harry viu um pouco sobressaltado como as bochechas de Hermione se ruborizavam.

"Isto não lhe importa, Harry...! Isto não lhe importa!!"

- Olá, Harry. Me alegro vê-lo melhor que ontem à noite. – Roger disse cordialmente enquanto voltava sua atenção para Harry. Somente Ron deu-se conta do forçado que era o sorriso de Harry, quando este obrigou-se a responder à saudação de Roger.

- Bom... vamos, Hermione. Acompanho você à sua seguinte aula. – Roger disse, sua atenção retornando para a jovem parada entre Harry e ele.

- Ela ainda não tomou o café! – Ron e Harry contestaram ao mesmo tempo, seus dentes estalando de raiva. Hermione, que aparentemente não percebia o efeito que Roger tinha em seus melhores amigos, sorriu-lhe.

- Sabe... não tenho fome. Creio que o melhor é não tomar o café e aproveito mais o almoço. – Hermione replicou. Roger, agindo como o perfeito cavalheiro, ofereceu seu braço à ela.

Hermione tomou seu braço e olhou para Ron e Harry, dizendo "Nos vemos em aula."

- Nos vemos depois, rapazes. – Roger disse, dando-lhes outro irritante sorriso. Com isso, Hermione deu a volta e caminhou junto a Roger para as portas do grande refeitório, deixando para trás um Harry com a boca aberta e um Ron tão incomodado, que por pouco bota fumaça pelas orelhas.

- Nos vemos depois... NOS VEMOS DEPOIS! Desde quando é um "nos", hã? – Ron disse, pondo cara de quem queria agarrar Roger pelo pescoço e não solta-lo, até que seus lábios adquirissem a tonalidade azul.

Ron não ouvia resposta de Harry, e quando girou para perguntá-lo o que pensava de Roger e Hermione juntos, assustou-se.

A expressão de Harry não parecia com a de Ron... era uma que somente poderia ser descrita como de puro pânico.

- Você está bem? O que ocorre? – Ron perguntou, preocupado. Harry via-se mais pálido do que quando estava inconsciente no hospital. Novamente, Harry permaneceu mudo, olhando para o lugar onde Roger e Hermione haviam desaparecido.

- Harry, está me assustando. O que ocorre? – Ron pressionou, enquanto tratava de decifrar o porquê da cara de terror de Harry. Acaso vira algo no Salão Principal que ninguém mais viu?

Inesperadamente, Harry girou para Ron e agarrou-o dolorosamente pelo braço.

- AI! O que é? – Ron perguntou.

- Ron... se lhe digo algo importante... você me promete que não vai rir? Me promete que vai me ajudar a sair do problema em que me meti? – Harry perguntou. Ron estava seguro de que parecia tão assustado quanto Harry.

- Sim, eu prometo! Agora, pode me dizer o que está acontecendo? – Ron prometeu, enquanto soltava sua mão do agarre ferrenho de Harry.

Harry confessou a Ron o que ele acabava de descobrir, quando viu Hermione sair de mãos dadas com Roger.

- A poção continua funcionando. Ainda estou apaixonado por Hermione. E preciso de um antídoto... agora!

Ron rompeu sua promessa imediatamente, quando riu de Harry na cara.


Notas Finais da Tradutora:

Quarto capítulo traduzido, até que enfim! É praticamente um milagre que eu tenha conseguido arranjar um tempinho para traduzir, mas, explicações desnecessárias à parte, o que importa é que o capítulo está aí, lido, digerido e (espero) aprovado por todos. ;-)

Também não tenho muito o que comentar desta vez, exceto agradecer sempre e uma vez mais o fato de que a tradução de 'Atrapado en una red" esteja sendo bem recebida pelos leitores – considerando que até o presente momento não recebi nenhuma carta-bomba ou e-mail com vírus de um leitor insatisfeito. ;-)

Deixo um abraço apertado ao Valson, a Monique e a Mayabi Yoruno. É vero, Valson e Monique! Como se não bastasse visualizar mentalmente um Harry afetado escalando uma estante de 3 metros, enquanto se imagina a si mesmo chutando a bunda de Cabeçudo Davies, o "Você SE ARREBENTOU como jaca", foi ótimo!, ahauhauahaua! Adoro o Ron de "Preso em uma Rede"! Definitivamente, esse Ron é uma das versões que muito me agrada, ao lado do Rony de Espada dos Deuses, da Massafera. Por fim, respondendo a pergunta de Valson: Sim, muita coisa vai acontecer antes do baile e durante ele. Coisas boas, coisas alegres e coisas belas, mas também coisas ruins, coisas tristes e 'feias'. ;-) Mas você não espera que eu adiante os próximos capítulos, non? ;-) Sim, eu sei que espera, porém sei que me compreende à perfeição quando ergo uma sobrancelha, cruzo os braços sobre o peito e giro chicotinho dizendo um ciciado "nã-nã-ni-nã-não". ;-) Beijos e até o próximo capítulo 'inédito'! ;-)). E sim, Mayabi, pode deixar que se depender de minha força de vontade, eu não deixarei de atualizar até o último capítulo:-)

Bueno, não tendo mais nada de útil a se dizer... hora de ir, pessoas!

Abraço a todos e hasta!

Inna