Preso em uma Rede
Tradução da Fic "Atrapado en una Red"
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Autoria: Anasazi
Tradução: Inna Puchkin Ievitich
Lembrete: Fiz a opção de não 'traduzir' os nomes próprios para o português, como o fez Lia Wyler (tradutora da série Harry Potter para o nosso idioma). Para os menos familiarizados com alguns dos nomes próprios em inglês, segue abaixo a relação daqueles que não apareceram nos capítulos anteriores e aparecem neste, com seus equivalentes em português, de acordo com os livros.
Crookshanks – Bichento
Charlie – Carlinhos
Honeydukes – Dedosdemel
Ravenclaw – Corvinal
Também optei por não traduzir/adaptar a palavra:
Banshee – Usualmente chamada de "fada negra". Banshees são seres fantásticos da mitologia céltica que pertencem ao reino das fadas, porém em sua forma mais sombria. Segundo a mitologia, os gritos das Banshees prenunciavam a morte da seguinte forma: cada grito de uma "fada negra" representava um dia de vida restante. Na Irlanda, as mulheres que têm o dom de prever a má sorte e a morte são chamadas de Banshees. Diz-se que o gemido das Banshees é profundamente triste, e que o canto de lamentação das Banshees em sua forma humana é tão agudo e estridente ao ponto de partir o vidro.
Capítulo 6
Dois Gumes
Harry não sabia quanto tempo havia passado dormindo, mas quando abriu seus grandes olhos verdes percebeu que já estava escura a vista de sua janela e que seu estômago grunhia mais que nunca.
Sua dor de cabeça havia diminuído, porém isso não foi o suficiente para calar o gemido que saiu de sua boca, quando obrigou o seu cansado corpo a levantar-se da cama. Nenhum de seus companheiros de dormitório estava no quarto, e Harry não pensou duas vezes em retirar os sapatos e o resto da roupa e caminhar com uma toalha ao redor de sua cintura para o banheiro.
Pulou na primeira ducha vazia que encontrou e abriu a chave, deixando que o líquido quente descesse por sua cabeça e suas costas. Harry fechou os olhos e exalou um grande suspiro. Sentia-se exausto, tanto física como emocionalmente.
Não somente conseguira que Hermione se chateasse com ele, mas agora também Ron estava chateado, e o ruivo era o único que podia ajudá-lo com seu singular problema.
Harry esteve sob o chuveiro pelo que pareciam ser horas, o vapor subindo ao seu redor enquanto se massageava o pescoço. A dor que a água quente provocava em seu corpo parecia ser estranhamente consoladora, temporariamente distraindo-o dos problemas que enfrentava.
Sem dar-se conta do que estava fazendo, Harry começou a murmurar uma canção que havia escutado no verão passado, que parecia descrever sua atual situação com similaridade quase profética. Se isto era o que se sentia ao estar apaixonado... bom, então Harry podia chegar somente a uma conclusão.
Estar apaixonado... dói.
Harry pensou na possibilidade de evadir-se de seus amigos pelo resto do ano, mas, reconhecendo o quão ridículo era a idéia, saiu da ducha, secou-se com sua toalha, e caminhou para seu quarto. Vestindo-se rapidamente com calças de segunda mão (cortesia de seu primo Dudley) e com um cômodo suéter que a Sra. Weasley havia tecido para ele no Natal passado, Harry finalmente pôs os óculos e desceu as escadas.
Sabendo que a sorte não estava a seu lado, as primeiras pessoas que Harry viu quando desceu as escadas foram Ron e Hermione. Ron tinha um livro aberto e meia dúzia de pergaminhos espalhados na mesa do Salão Comunal, mordendo seu lábio enquanto concentrava-se no que Harry presumia ser a tarefa de Snape.
Crookshanks, o gato mágico de cor gengibre que pertencia a sua melhor amiga, estava aconchegado diante do fogo da chaminé. Harry costumava zombar de Hermione dizendo-lhe que Crookshanks era mais preguiçoso que ele e Ron juntos. Mas se esse gato tinha algo especial era que podia discernir as emoções das pessoas.
Harry desejava manter-se afastado de Crookshanks, porque estava seguro de que o gato tentaria arrancar-lhe os olhos se se aproximava.
Hermione estava sentada em sua cadeira favorita, perto do fogo na chaminé. Tinha o livro de História da Magia aberto em seu regaço, suas pernas encolhidas debaixo de seu corpo, sua cabeça apoiada em seu braço direito. Estava vestida com umas velhas calças que lhe quedavam nos quadris, e uma camisa cinza que, para o sofrimento de Harry, ficava demasiado apertada nela.
Seamus, que estava fazendo seus deveres ao lado de Ron, foi o único que olhou para cima quando ouviu os passos nas escadas. "Olá, Belo Adormecido"!, Seamus disse a Harry com um sorriso, atraindo a atenção de Ron e Hermione para o garoto de olhos verdes.
- Se sente melhor? - Ron perguntou, sua voz séria enquanto retornava à sua tarefa.
- Um pouco. – Harry respondeu suavemente, lançando um pequeno sorriso de trégua para Hermione. Por um momento, viu uma expressão de alívio nos olhos de sua amiga, porém a expressão rapidamente desapareceu quando a jovem bruxa devolveu-lhe a saudação e regressou à sua leitura sem dizer-lhe uma palavra.
Harry sentou-se à mesa ao lado de Ron e olhou para o relógio sobre a chaminé.
- 9 e 14 – murmurou, lendo os velhos números para os quais apontavam os ponteiros.
- O que está fazendo? – Harry perguntou a Ron, o qual estava maldizendo por entre dentes, fazia uma bolinha da folha de pergaminho que estava utilizando e a lançava para o outro lado da mesa.
- O ensaio de História da Magia... As Artes das Trevas e a Segunda Guerra Mundial. – Ron suspirou, enquanto pegava outra folha de pergaminho e começava novamente com seu ensaio.
- Eu havia me esquecido. – Harry disse. Em meio ao problema da poção e aos sonhos estranhos que estava experimentando, o pouco interesse que usualmente mostrava na escola havia se reduzido a nada.
Harry deu-se conta de que era muito tarde para ir à biblioteca e começar a busca pelo antídoto. Melhor era que começasse a sua tarefa, já que mal fora aprovado no último exame de História da Magia.
- Melhor eu começar também. – Harry disse cansadamente, alcançando sua mochila que havia deixado esquecida na mesa após sua briga com Hermione. Quando a abriu, teve uma surpresa. Havia um pequeno pacote de papel sobre seus livros, que ele não havia colocado ali.
- O que é isto? – Harry perguntou, tirando o pacote de papel e abrindo-o. Seu rosto adquiriu uma expressão de assombro quando viu que o embrulho continha dois biscoitinhos de chocolate, dois de banana, e uma pequena xícara com tampa de chocolate quente.
- Oh, isso... você deveria comer algo. – Ron disse casualmente ao ver o pequeno embrulho.
- Obrigado. – Harry disse, verdadeiramente agradecido, aproveitando para dar um bom mordisco em um dos biscoitos de chocolate. Por pouco se engasga, quando Ron acrescentou:
- Não agradeça a mim. Não foi minha idéia.
Ron não precisava dar mais informação sobre o assunto.
"Hermione."
Harry olhou para cima no momento em que a vista de Hermione estava centrada nele. Ambos tentaram ocultar sua vergonha, Harry olhando para baixo e Hermione voltando-se a concentrar em seu livro.
Harry novamente sentiu-se como o maior idiota do mundo. Hermione estava chateada com ele, não havia dúvida disso. E, contudo, ainda era o suficientemente amiga para preocupar-se com seu bem-estar.
- Obrigado, Hermione. – finalmente disse, suas bochechas tornando-se um pouco rosáceas.
Hermione murmurou algo que soava como "Não se preocupe. Não foi lá grande coisa", sem que seus olhos deixassem a segurança das páginas do livro.
Harry obrigou-se a deixar de fitar Hermione, e aproveitou a oportunidade para oferecer um dos biscoitinhos a Ron.
- Quer um?
- Não, obrigado. – Ron respondeu rapidamente, novamente evitando olhar para Harry. Se Harry tinha dúvidas de que Ron continuava chateado com ele, foram dissipadas instantaneamente. O Ron que ele conhecia nunca teria deixado passar a oportunidade de uma comida.
Harry pegou uma das folhas descartadas que estavam na mesa e velozmente escreveu "Eu sinto, amigo." Passando a nota a Ron, deu outro mordisco em sua comida antes de ouvir Ron soltar um cansado suspiro.
- De acordo. Mas não permita que aconteça de novo. – Ron disse, dando-lhe um pequeno sorriso e finalmente olhando-o nos olhos.
- Como está? – Harry sussurrou, apontando com seu dedo para Hermione.
- Mais irritada que uma banshee. Por que acha que eu não lhe pedi que me ajude com a tarefa? Tenho medo que me golpeie! – respondeu, enquanto Harry olhava sobre o ombro de Ron para Hermione.
- Realmente eu estraguei as coisas. – Harry disse apologeticamente. Ron assentiu com a cabeça.
- Realmente sim. Agora, onde está meu biscoito? – Ron disse. Harry conseguiu sorrir, ao tempo em que lhe lançava um dos de banana ("Não há nada melhor que muito chocolate") e estava pronto para começar com seu ensaio quando Seamus lhe interrompeu.
- Ouça, Harry... o que aconteceu hoje na aula de Transfiguração? – Semaus lhe perguntou em voz baixa.
Harry lançou um olhar furtivo a Hermione, vendo como seus ombros se retesavam, ainda quando pretendia seguir lendo.
- Eu adormeci. Tive um pesadelo. – Harry respondeu, forçando-se a olhar para Seamus.
- Deve ter sido horrível. Você estava gritando como menina. – Seamus disse com um sorriso de alívio, sacudindo sua cabeça.
- Você também gritaria como menina se tivesse sonhado que havia se casado com Millicent Bullstrode. - Harry mentiu, tratando de aliviar o peso da situação.
A verdade era que mal recordava o pesadelo, exceto por uma sensação de frio intenso que se espraiava pelas extremidades.
A estratégia de Harry funcionou, evidenciado pelo riso de Seamus e o suspiro de exasperação que ouviu vindo de Hermione. – Eu ainda não teria me recuperado. – o irlandês disse, retornando sua atenção à sua tarefa.
Harry estava a ponto de começar com seu próprio ensaio quando a porta da sala comum se abriu e Ginny caminhou para dentro.
Bom, talvez caminhar fosse um termo muito genérico... ela estava quase bailando... ou melhor, flutuando. Tinha um sorriso travesso plasmado em seu sardento rosto. Harry escutou como murmurava uma canção em voz baixa. A jovem Weasley sentou-se na cadeira ao lado de Hermione e pôs seus pés sobre a mesa de centro, brincando com uma trança entre seus dedos.
Ron e Harry compartilhavam um olhar de questionamento ante o estranho comportamento da jovem Weasley. Ron foi o primeiro a comentá-lo ao dizer:
- Ouça, você está de muito bom humor. O que se passa?
Ginny enviou um olhar de conspiração a Hermione enquanto dizia: - Nada. Somente acabo de dar uma caminhada relaxante ao redor do lago. Hogwarts é bela nesta época do ano.
- O que há de bom nisso? – Ron perguntou com amargura, lembrando que na última vez que dera uma caminhada pelo lago com Luna, a lula gigante havia decidido que desejava brincar e agarrou-o pela perna com um de seus tentáculos e o jogou na água.
Ginny riu, recordando um muito irritado e muito molhado Ron entrando na sala comum naquela noite. Hermione foi quem respondeu a pergunta de Ron ao dizer "Ela não estava sozinha, Ron. Por isso está tão feliz."
Como geralmente acontecia quando ouvia notícias desse tipo que concerniam a Ginny, Ron tornou-se tão territorial quanto leão em sua savana.
- Quem... é... ele? – Ron inquiriu entre dentes. Harry sabia que se não lhe tirasse a pluma da mão, o ruivo a partiria em duas.
Ginny riu novamente, piscando um olho para Hermione, que obviamente sabia a resposta.
- Meus lábios estão selados, irmãozinho. – Ginny lhe respondeu, sorrindo para Ron.
Nesse momento, a porta do Salão Comunal abriu-se novamente, e Neville Longbottom entrou no recinto. Seu uniforme estava um pouco desalinhado e até havia pedaços de grama em seu cabelo, como se houvesse estado se amassando pelos pátios do colégio. Havia um grande sorriso nos lábios de Neville.
Sem dar-se conta da presença de Harry, Ron e Seamus na mesa, Neville sentou-se na cadeira diretamente ao lado de Ginny.
- Aqui está. Consegui para você. – disse, entregando-a um caro pedaço do melhor chocolate de Honeydukes.
- Obrigado, Neville. - Ginny disse, segurando seu braço e puxando-o para ela, até que pode dar-lhe um inocente beijo nos lábios.
O que acabava de ver não surpreendia tanto Harry. Depois de tudo, Neville sempre havia mostrado interesse pela jovem Weasley, e desde o ano passado estava mais relaxado, mais confiante, e, de acordo com Parvati e Lavender, mais bonito.
Ron, que havia dobrado sua pluma até deixa-la irreconhecível, disse entre dentes:
- Olá, Neville.
Neville olhou para a mesa pela primeira vez e empalideceu quando apercebeu-se da presença de Ron, como se houvesse visto o próprio Snape.
A verdade era que Snape teria olhado para Neville nesse momento com mais carinho que o próprio Ron.
- Eh... sim... olá, Ro-Ro-Ron... - Neville tartamudeou, evitando o olhar de Ron. Um silêncio incômodo seguiu-se. Até que Seamus deu-se conta, recolhendo suas coisas e executando uma rápida escapada para seu dormitório.
- Neville, querido, poderia me trazer um pouco de suco de abóbora da cozinha? A caminhada me deixou um pouco seca. – Ginny disse com uma voz terna, colocando sua mão sobre o braço de Neville.
- Ah... sim... claro. Retorno em seguida. – Neville gaguejou, logrando dar um pequeno sorriso para Ginny antes de levantar-se e sair da sala. O sorriso nos lábios de Ginny se desvaneceu quando seus olhos pousaram sobre seu irmão.
- Que raios crê que faz? – Ginny disse com voz ameaçadora, erguendo-se de sua cadeira e chegando em dois passos até onde estava Ron. Tinhas as mãos sobre os quadris e suas bochechas estavam tão vermelhas quanto seu cabelo. A semelhança com Molly Weasley era impressionante.
Ron ergueu-se da mesa e parou diante dela.
- Neville? O NEVILLE LONGBOTTOM? – Ron disse, sua voz demonstrando a surpresa e o ceticismo que sentia.
Ginny olhou-o desafiadoramente enquanto dizia:
- Sim, Ron. Se precisa saber, estive saindo com O Neville Longbottom.
Ron já não parecia irritado, mas sim tão atônito que tinha problemas com a linguagem.
- Mas... é... é que... Neville é... tão diferente de você! – Ron finalmente tartamudeou. Tanto Harry quanto Hermione suspiraram em voz alta, ao tempo em que viam Ginny pondo-se ainda mais irritada.
- O QUE SUPÕE-SE QUE ISSO SIGNIFICA, RONALD WEASLEY? - Ginny gritou, sua voz perigosamente ferida. Até Ron, que lhe passava em quase um pé de altura, se intimidou.
- Não... não queria dizer... é que... É Neville! É tão... distraído... e tão... diferente... não quis implicar nada de mau. – Ron disse enfaticamente.
A expressão no rosto de Ron conseguiu desfazer um pouco da fúria de Ginny, mas a garota ainda cruzou os braços sobre seu peito e disse:
- Admito que somos diferentes. Mas que posso dizer? Os opostos às vezes se atraem. Além do mais, o que ele tem que não agradaria a qualquer garota? É gentil, amável, cavalheiro e me faz sentir muito especial.
Ron não sabia o que contestar. Com um suspiro, Ginny regressou ao assento que havia ocupado antes.
Hermione olhou para Ron e sacudiu a cabeça, dizendo:
- Não sei como você não se deu conta, Ron. Há meses que estão saindo juntos.
Ron olhou para Ginny com olhos grandes, enquanto gritava: - Meses? MESES?
- Sim... meses. Não entendo qual é seu problema, Ron. Sempre pensei que Neville o agradava. – Ginny respondeu. Desta vez, Ron pareceu ter pensado no que ia dizer antes de abrir a boca.
- Sim... Sim, Neville me agrada. – Ron finalmente disse. Harry sorriu suavemente; Ron por fim havia conseguido não dar uma fora no referente à sua irmã.
Porém, a comemoração não durou muito, já que as próximas palavras que saíram da boca de Ron foram: "É que Neville é tão diferente de Timothy... e de Michael... e de Zacarías... e de Dean...".
Harry resistiu ao desejo de chuta-lo, enquanto Hermione sacudiu sua cabeça de sua cadeira. Ron definitivamente não havia desenvolvido a habilidade de aprender quando calar-se.
- Acaso você acaba de implicar que eu sou uma fácil? – Ginny o interrompeu, antes que terminasse a lista de ex-namorados que ela tanto detestava. A maneira como a garota arqueava sua sobrancelha indicou a Ron que estava muito perto de receber uma surra.
Em sua defesa, Ron pôs uma cara de horror ao escutar as palavras de sua irmã.
- Eu jamais diria isso, Ginevra! É que... estou confuso... é que... é que não pensava que era possível, irmãzinha. – disse, desculpando-se.
- O que pensava que não era possível? – perguntou Ginny com verdadeira curiosidade.
- Que você sairia com alguém tão... tão bom para você. – Ron sussurrou. Ginny rapidamente trocou seu cenho franzido por um grande sorriso.
- É uma das coisas mais lindas que jamais me disse, Ron. – ela lhe respondeu.
- Lamento ter me irritado com Neville. É que... por que não disse antes? – Ron perguntou. Agora era a vez de Ginny sentir-se envergonhada.
- Sinto muito, Ron. Mas é que vocês sempre agem como loucos! Lembra quando Zacarias veio em casa para jantar uma tarde? Ele passou os próximos dois dias em St. Mungos depois que você, Charlie e os gêmeos decidiram convida-lo para jogar 'Quadribol'. Creio que não queria que acontecesse nada a Neville até que estivesse segura do que sinto por ele. – Ginny explicou.
- Estou certo de que será diferente com Neville. A diferença entre ele e Zacarias é que Neville nos agrada. – Ron alegou. Ginny ergueu-se da cadeira rapidamente e agarrou Ron pelos braços, plantando um beijo molhado em sua bochecha que o deixou todo ruborizado.
- Eu lamento. Não pude agüentar o impulso de beijar sua feia carranca. – Ginny disse com um sorriso, dando a volta e retornando à cadeira.
Ron murmurou algo que soava como "mas por que em público?", antes de sentar-se novamente diante da mesa e tratar de consertar sua pluma.
Vendo que a briga entre os irmãos havia terminado (e fora muito melhor do que Harry e Hermione esperavam), Hermione retirou sua atenção do livro que tinha em seu colo (ou de Harry, dependendo do ângulo em que a visse) e, sorrindo para Ginny, disse:
- E por que chegou tão feliz? Acaso Neville lhe propôs casamento?
Harry teve que cobrir a bocar de Ron antes que o grito do ruivo ressoasse no aposento.
- Calma, Ron. Hermione está brincando. – sussurrou, vendo como Ron se relaxava visivelmente.
Ginny mostrou a língua para Hermione em forma de brincadeira antes de respondê-la.
- Nada disso. Apenas falávamos de nossos disfarces para o baile de noite das bruxas. Decidimos que queríamos que nossas fantasias coincidissem.
Harry gemeu interiormente.
"Havia me esquecido do estúpido baile..."
Harry olhou por sobre o ombro de Ron para observar Hermione, recordando como a garota de cabelo castanho iria de mãos dadas com Roger para o baile. Da forma como havia passado os últimos dois dias, no momento em que pensou em Roger sentiu como a bílis lhe subia pela garganta.
Ginny sorriu de maneira travessa e girou para olhar para Ron, dizendo:
- A propósito, Luna me disse tudo sobre a sua fantasia, Ron. Creia-me, mal posso esperar que chegue sexta-feira, irmãozinho. - As orelhas de Ron se puseram tão vermelhas que Harry podia sentir o calor que emitiam.
- Ah, sim? Vai confeccioná-la, Ron? - Hermione perguntou a Ron, enquanto se voltava para olhá-lo melhor ("E evitando olhar-me nos olhos com toda intenção e aleivosia!") com um grande sorriso.
- Não brinque com isso. Não tive opção no assunto. – Ron murmurou.
- Ron, relaxe. Estou apenas brincando. Além do mais, creio que é muito doce o que vai fazer. – Ginny disse, mudando sua atenção para o garoto quase mudo que estava sentado ao lado de Ron.
- E quem é a garota de mais sorte no colégio, Harry? – Ginny questionou a Harry, piscando-lhe o olho.
- Garota de mais sorte? – Harry perguntou, demasiado ocupado em imaginar como se sentiria ao utilizar a cabeça de Roger como uma bola de Quadribol para capturar o sentido de suas palavras.
- Sim, Harry... a garota que você convidou para o baile? - Ginny explicou pacientemente.
- Não... estou certo. – Harry respondeu, voltando sua atenção para a folha de pergaminho vazia que tinha em frente e rogando em seu interior que Ginny mudasse de tema. A verdade era que...
"Pensei que iria com Hermione. Por que não lhe perguntei antes? Nem sequer me ocorreu pedi-la que fosse comigo. Mal admiti que teria uma acompanhante e, já que Ron iria com Luna, presumi que íamos juntos. Por que fiz isso? Por que presumi que ninguém iria pedi-la que fosse consigo ao baile?"
Harry ergueu os olhos para roubar um olhar de Hermione.
"Depois de tudo, ela é bonita... ela é divertida... ela é bondosa... por que supus que ela automaticamente estaria ali... para mim? Por que sempre penso que ela estará sempre a meu lado?"
Quando Harry mudou o olhar, percebeu que Ginny estava franzindo o cenho.
- Não me diga que você não perguntou a ninguém ainda. – disse-lhe em forma de repreensão.
Quando não recebeu resposta, Ginny soltou um suspiro e disse:
- Falando seriamente, Harry... pensei que já teria aprendido a lição. Ou acaso não se dá conta de que a garota dos seus sonhos pode estar na sua frente? E que a pode perder porque foi muito lento para fazer algo a respeito? – Harry resistiu ao desejo de gritar.
"Ginny não sabe da poção. Ou sim?"
- Que seja, Gin. – Harry murmurou, obrigando que seus olhos regressassem ao pergaminho e à pluma a sua mão. Estava tão distraído que por erro copiou o nome de Ron na parte de cima da folha.
"Eu já a perdi."
Harry amassou a folha e atirou-a na pilha que Ron havia acumulado. Com um grunhido, pegou uma nova folha e escreveu seu nome na parte superior.
"Não a perdeu. Você não ama Hermione dessa forma. É a poção falando... Ai, isto é estúpido! Eu deveria estar na biblioteca procurando um antídoto nesse instante, e não fazendo minha tarefa. Por que não escutei Hermione e fiz isso no domingo igual a ela?"
- Que tal você, Mione? – Ginny perguntou, ocasionando que Harry olhasse para as duas garotas de soslaio.
- Que tal o que? – Hermione retrucou, depois que Crookshanks pulou sobre seu colo e deitou-se sobre seu livro.
- Já tem par para o baile? – Ginny questionou com inconfundível entusiasmo juvenil.
- Sim. – Hermione disse casualmente, coçando atrás da orelha de Crookshanks e recebendo um ronrom de satisfação da parte do felino.
- E? - Ginny inquiriu. Harry não tinha um bom panorama das garotas de seu soslaio, mas não queria por nenhuma razão que Hermione pensasse que ele estava mais interessado no tema do que se supunha.
- Oops. - Harry sussurrou dramaticamente, deixando que sua pluma caísse sob a mesa e agachando-se para recolhê-la. Ron resistiu ao desejo de chuta-lo por debaixo da mesa, este era o pior intento de Harry espionar Hermione até hoje.
Verdade seja dita, se Harry queria ser Auror teria que melhorar muito suas destrezas de espionagem, porque francamente... irritavam. E ponto.
Harry ainda estava agachado sob a mesa, mas não havia nem se incomodado em recolher a pluma do chão, enquanto não tirava os olhos de cima de Hermione.
- E o que? - Hermione respondeu casualmente.
Ginny parecia que queria estrangular momentaneamente a bruxinha diante dela. – E? QUEM É? ACASO É ROGER? – Ginny inquiriu, erguendo-se de sua cadeira e parando em frente de Hermione, com um olhar de "não se atreva a responder uma pergunta com outra pergunta".
- Se necessita saber... sim, é Roger. – Hermione respondeu com um sorriso que fez com que os intestinos de Harry se fizessem em nó.
Ginny deu um pequeno aplauso e disse com entusiasmo: - Roger é tão bonito.
- Ele é. – Hermione sussurrou casualmente, tentando mover Crookshanks para poder retornar à segurança de seu livro. Por alguma razão, não se sentia cômoda falando de Roger na frente de Harry. Sabia que o garoto de Ravenclaw não agradava a Harry, e sabia que não devia importar-se.
Mas a verdade era que se importava... e muito.
Ginny estava muito emocionada como para perceber que Hermione não estava interessada em falar do tema.
– Ora. Os dois melhores alunos de Hogwarts vão juntos à festa. Definitivamente vão ser o Rei e a Rainha do baile! Vocês parecem perfeitos juntos... simplesmente perfeitos! – acrescentou a ruiva.
As letras da canção que Harry havia recordado enquanto tomava um banho voltaram para atormenta-lo.
"O amor é... o amor é... o que escapa. A dor é... a dor é... a que te abraça."
Harry já não suportava mais. Agarrou sua pluma do chão e ergueu-se, esquecendo-se por completo que ainda estava debaixo da mesa. O furte ruído que seguiu ao golpe foi o suficientemente forte para que Ginny e Hermione olhassem rumo à mesa, justo a tempo de ver Harry saindo debaixo dela, esfregando a cabeça.
Hermione esqueceu-se por completo de que ainda estava chateada com ele, enquanto perguntava: - Está bem, Harry?
- Sim... apenas caiu a... – Harry murmurou rapidamente, guardando suas coisas na mochila negligentemente.
Tinha que sair dali... tinha que estar longe de toda a fala de Roger... e o baile... e Roger... e perfeito... e Roger... e Hermione.
- Aonde vai? – Ron questionou, ao tempo em que via Harry jogar suas coisas dentro de sua mochila.
- Vou para o quarto... ainda estou um pouco enjoado. Vejo-o amanhã. – Harry disse velozmente, dando-se a volta e correndo, enquanto subia as escadas como se o próprio diabo o estivesse seguindo.
Ginny olhou para Hermione e em seguida para Ron, os quais não pareciam estar tão surpresos como ela com o abrupto desaparecimento de Harry.
- O que acaba de acontecer?
Hermione foi quem respondeu:
- Não estou certa. Mas esteve de mau humor todo o dia.
Olhando para Ron, Hermione agregou: - Espero que não tenha nada a ver com o que se passou ontem a noite na biblioteca.
Para Ron o coração quase lhe pára, quando sentiu os olhos acusadores de Ginny sobre seu rosto. Sem retirar os olhos de cima de Ron, Ginny perguntou a Hermione: - O que se passou ontem a noite na biblioteca?
- Harry quis alcançar um livro que estava na parte de cima de uma estante, e o grande cabeça oca subiu na estante, perdeu o equilíbrio e arrebentou-se no chão. Por Merlin que não sei por que não lhe ocorreu fazer Accio ao livro. – Hermione respondeu, sem pista alguma do verdadeiro motivo da estranha ação.
- Eu tampouco sei. – Ginny disse, ainda com sua vista sobre Ron.
À diferença de Hermione, Ginny tinha uma pista do motivo da estranha ação de Harry. Pensava que vira algo ali... algo nos olhos de Harry enquanto o garoto olhava para Hermione quando corria para seu dormitório. Algo que definitivamente ia perguntar a Ron.
Ginny olhava para Ron da mesma forma que a Sra. Weasley olhou para os gêmeos quando inteirou-se de sua loja de brincadeiras. Ron engoliu em seco com força, quase podia ouvir a voz de sua irmã dentro de sua cabeça dizendo-lhe: "Traidores! Prometeram-me que não iam à biblioteca!".
Ron levantou-se tão rápido que derrubou a cadeira no chão.
- Creio que vou dormir também. Quadribol pela manhã! – Ron disse rapidamente enquanto punha os livros sob o braço. Finalmente, correu para cima, maldizendo em seu interior quando bateu o dedão contra o último degrau.
Agora era a vez de Hermione surpreender-se. – Não me diga que é contagioso. – a garota disse, dirigindo sua atenção para Ginny.
- Já pensou alguma vez que competiu a você ter os dois garotos mais estranhos de Hogwarts como melhores amigos? – Ginny brincou, os círculos em volta de sua cabeça movendo-se qual relógio.
- Todos os dias, Ginevra... todos os dias. – Hermione respondeu com um pequeno sorriso, ao tempo em que retornava sua atenção ao livro e ao necessitado felino conhecido como Crookshanks.
Ginny esperava por Neville enquanto olhava a porta pela qual Ron e Harry haviam desaparecido. Sabendo que ninguém a estava observando nesse momento, Ginny finalmente sorriu.
Não estava segura disso, mas algo lhe dizia que ganharia uma aposta que fizera com Lavender e Parvati no início do ano.
Enquanto isso...
Ron chegou ao seu dormitório ofegando devido a falta de ar, pronto para dizer a Harry um par de coisas por ter-lhe metido nesse problema. Mas viu que Harry já estava adormecido, de cara sobre sua cama. O garoto de olhos verdes nem havia se incomodado de retirar os óculos. Ron aproximou-se dele e bateu em sua perna, mas não recebeu resposta.
- Não creio que isso vá funcionar, amigo. Harry bebeu uma das poções para dormir sem sonhar, de Madame Pomfrey. – Seamus, que estava em sua cama dando os últimos retoques em seu ensaio, explicou. Ron olhou para o criado-mudo de Harry, e viu que a pequena garrafa de líquido branco estava completamente vazia.
- Ele está bem? – Seamus perguntou.
- Sim, por que pergunta? – Ron disse, tentando soar casual e despreocupado enquanto caminhava para sua cama.
- Bom... antes de cair adormecido... Harry murmurou algo... – Seamus retrucou.
- O que? – Ron perguntou, sentando-se em sua cama e curvando-se para retirar os sapatos.
- Soou como "por que dei por certo?", ou algo assim... – Seamus respondeu, fazendo com o que coração de Ron lhe fosse à garganta.
Depois de recuperar-se da surpresa, Ron disse ao irlandês:
- Não se preocupe com ele. Tem problemas com o amor. – As palavras já haviam lhe escapado de sua boca, quando se deu conta de seu erro.
Seamus sorriu.
– Harry está apaixonado? – perguntou.
Ron assentiu, dando-se uma bofetada mental por não pensar nas coisas antes de dize-las.
- Já era hora, amigo... já era hora.
Notas Finais da Tradutora:
Alguns vários dias depois da notinha pública deixada antes de minha viagem, eis-me novamente aqui, de volta, com um capítulo quentinho, recém saído do forno – de onde sairão mais outros, tenham por certo!
A todos vocês, agradeço vigorosamente pela compreensão e paciência de Jó para com esta tradutora que vos digita. Eu não sei quanto ao futuro, mas creio que até o final da tradução desta fic não mais me ausentarei por tanto tempo, de forma que fiquem sossegados: PeuR será atualizada sem muitos lapsos de tempo entre um capítulo e outro (sempre atentando-se para o prazo-padrão de 14 dias).
Aos leitores, a minha gratidão e o meu abraço, e aos review-sadores aquele 'oi' e aquele cheiro: Valson (Eu não preciso fazer revisão, é? Ora, ora! Bondade sua, visse? ;-) Mas mesmo tendo certo cuidado com a digitação e com a preservação da boa norma gramatical durante a tradução 'simultânea' – diretamente em cima do texto original -, vários são os deslizes cometidos ao longo dos textos. Por exemplo: na pressa, algumas expressões hispânicas são traduzidas ao pé da letra, quando deveriam ser adaptadas para o nosso idioma; sem mencionar as pequenas derrapadas nas teclas... na pontuação... em algumas concordâncias... enfim! Onde estávamos mesmo? Ah sim! Nos cornos do Harry! ;-) Tadenho, né? E como se fosse pouco, deu de novo com os cornos na mesa!, ahauahuahaua! Mas admitamos: nóis gosta quando ele sofre! Quando não é hilário, é belamente trágico. :-) Um beijão pr'ocê! Hasta!); Franci.Granger (Cinéfila! – olhos se cegando com o próprio brilho - Quem me dera, amiga, quem me dera! A bem da verdade, eu ainda estou muito aquém do nível de um. Mas um dia eu chego lá, um dia eu chego! ;-) Nos capítulos passados, à parte do show da dupla Harry e Rony, tivemos uma palhinha de Rony e Luna, além, é claro, de Harry e Hermione. Agora, tivemos a primeira participação ativa de Neville/Gina. Particularmente, eu acho que a Anasazi soube criar um N/G muito fofo, e você? ;-) Um Blaster Ultra Hiper Mega Power beijo no coração, vitaminada!); Jessy (Estudar! É algo que estou tentando voltar a fazer. Mas depois de tanto faze-lo antes de minha viagem, entrei no período devaneador-vagabundo. Ah, o ócio e a boemia! Não serão eternos, mas que sejam infinito enquanto durem! ;-) Quanto a pena que você sente pelo pobre Harry... – gargalhada diabólica - ... você ainda não sofreu nada! Lenços de papel choverão aos borbotões até o fim da fic, espere e lerá, mwhauahauahc! ;-) Beijunda e obrigado por ler!); Monique (Hoho! Você é suspeitíssima para falar dos capítulos traduzidos. Você, a edilma e o Valson, aliás, ahauahuahauahua! Na verdade, o público fiel que acompanha as histórias que escolho para traduzir é todo suspeito! Antes mesmo de traduzir os capítulos, eu já pressinto que vocês gostarão, ahauhauahaua! Acho que é porque guardamos gostos idênticos, non? ;-) Mas enfim! Não foi e não será a última vez que conversaremos pelo MSN! E se eu demorar muito a aparecer por lá, você tem o orkut para me encontrar, além do e-mail. ;-) Outro grande beijo!); thaizy (O sonho do Harry foi tão surreal quanto a big queda que ele levou da estante na biblioteca, hauahauahauhau! Mas assim é PeuR, uma combinação harmoniosa de momentos hilários e românticos – aguarde as cenas H/Hr e verá. ;-) Beijoca!); Mayabi Yoruno (Infelizmente, não deu para traduzir o cap. antes de eu viajar, como você pôde ver. A bem da verdade, eu sequer havia iniciado a tradução do mesmo, como fiz com o capítulo 34 de PCU. Mas, são águas passadas, e eis aí o capítulo 6! Espero que também o tenha apreciado. ;-) Beijos!); Tamie Honda (Mucho thank you very much pela oferta, Tamie! Sem dúvida, se um dia eu estiver impossibilitada de levar adiante as traduções sozinha, eu saberei onde encontrar o reforço necessário. Muito obrigado:-D Respondendo sua pergunta: sim, a fic foi escrita primeiro em inglês para só então ser traduzida para o idioma mátrio da autora, o espanhol. E não, tenha por certo que eu não desistirei! ;-) Beijundão!).
Abraço a todos e hasta!
Inna
