Preso em uma Rede
Tradução da Fic "Atrapado en una Red"
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Autoria: Anasazi
Tradução: Inna Puchkin Ievitich
Lembrete: Fiz a opção de não 'traduzir' os nomes próprios para o português, como o fez Lia Wyler (tradutora da série Harry Potter para o nosso idioma). Para os menos familiarizados com os nomes próprios em inglês, segue abaixo a relação daqueles que aparecem neste capítulo, com seus equivalentes em português, de acordo com os livros:
The Weird Sisters – As Esquisitonas
Peeves – Pirraça
Myrtle (Moaning Myrtle) - Murta-que-Geme
Em tempo:
A expressão em latim "Ipso Facto" significa "em decorrência de", "em virtude de", "devido a", "por causa de".
Capítulo 9
Você me sobe à cabeça
"Onde estou?"
Harry lentamente abriu os olhos, sentindo-se pesado e um pouco enjoado. A última coisa de que lembrava era ter chegado ao seu quarto depois de sua conversa com Hermione. Seamus e Dean estavam submersos em um jogo de xadrez mágico, Neville estava lendo um livro de Herbologia Avançada, e Ron já estava roncando, enredado em seus lençóis. Harry lembrava que fora diretamente ao banheiro para escovar os dentes, em seguida havia se jogado na cama, desejando que o dia terminasse como somente uma pessoa com o coração partido podia desejar.
Mas quando abriu os olhos, Harry percebeu que não estava em seu quarto, senão que se encontrava parado no Salão Principal, ao lado da entrada. Harry girou e tentou empurrar as pesadas portas para abri-las, mas elas não se moveram nem um centímetro.
Retornando sua atenção para o refeitório, Harry olhou com minudência o que conseguiu enxergar do grande salão. Estava tão escuro quanto a boca de um lobo, mas instintivamente sabia que as mesas das casas e as cadeiras não estavam em seus lugares designados. O único som que seus ouvidos alcançavam eram o de sua constante respiração.
Começou a caminhar para o outro lado do salão, para a área onde a mesa dos professores usualmente se encontrava. A cada passo que dava, a temperatura do recinto diminuía drasticamente, até que podia ver o vapor de cada exalação que dava.
Podia sentir como o crescente frio sacudia-lhe os ossos, perfurando seu crânio, queimando sua cicatriz, mas não podia deixar de caminhar. Era como se estivesse em piloto automático, ignorando seu destino final.
E então, Harry a viu. Ali estava, flutuando no ar, sobre a área docente... uma fulgurante orbe de cor carmesim. Era pequena, não maior que uma bola de futebol, com profundas marcas que pareciam runas em todo o derredor.
Estava lhe chamando.
A princípio, era algo quase imperceptível, como o som que a brisa produzia quando acariciava as folhas de uma árvore em plena primavera. Porém, cresceu e se fez mais forte, como o tempestuoso vento de uma noite de tormenta. Agora, Harry pensava que podia ouvir vozes que vinham do enraivecido vento.
"Venha."
Continuou caminhando, a cada passo aproximando-se mais e mais da esfera.
"Venha conosco."
Justo nesse momento, Harry notou que a cada passo que dava, a luz procedente da esfera se fazia cada vez mais forte. Estava tão perto agora que a luz caía sobre ele, banhando-o com um estranho brilho vermelho.
Esticou o braço... apenas meio metro e poderia toca-la. Era uma sensação realmente estranha... a metade de sua mente estava lhe dizendo que saísse correndo dali e gritasse por socorro... e a outra metade estava lhe dizendo que tão logo tocasse na esfera, tudo ficaria bem.
Não mais frio... não mais escuridão.
"Venha conosco, Harry."
Apenas umas polegadas a mais.
A luz que vinha da esfera era tão forte que estava lhe cegando, mas ainda assim não podia fechar os olhos. Instintivamente, Harry sabia que não poderia deter-se embora quisesse.
Era muito tarde.
Sentiu como seus dedos estendidos tocaram a pulsante esfera. Era mil vezes mais fria que o gelo, tão fria que no momento em que tocou na esfera seu braço intumesceu. O intumescimento espalhou-se como se fosse uma serpente, de seu braço a seu peito... a seu rosto... a seu estômago... e aos seus pés...
"Este é o fim."
Não houve tempo para gritar.
A esfera o havia consumido.
Quinta-feira, 30 de outubro.
Harry acordou abruptamente, sentando-se na cama de um pulo. Estava banhando em suor frio, os lençóis tão enroscados em suas pernas que lhe prendiam a circulação.
"Respire... só respire..."
Fechou os olhos e tomou uma série de longos e profundos respiros. Sentia como se seus pulmões estivessem queimando, seu coração batendo tão forte em seu peito que pensava que suas costelas se quebrariam a qualquer momento. E sua cicatriz... sua cicatriz estava ardendo.
"Foi apenas um pesadelo..."
Realmente o fora? O que ocorre se Firenze tinha razão? O que ocorre se Harry fora escolhido pelos Que-Estavam-no-Poder para uma revelação?
Seja o que fosse o que universo estava tentando lhe dizer, Harry não tinha a menor idéia.
O que se sabia era que Os-Que-Estavam-No-Poder haviam escolhido uma péssima semana para brincar com ele.
Levantou-se da cama e saiu do dormitório, agradecido por seu pesadelo não ter despertado nenhum de seus companheiros.
Harry queria... necessitava... estar solo.
Automaticamente, caminhou até a única janela do salão comunal dos Gryffindor. O parapeito da janela era o suficientemente grande para ele, e Harry aproveitou para impulsionar-se com os braços e sentar-se nele, recostando suas costas contra a parede para poder olhar para fora.
O Sol já estava para sair; os primeiros raios de luz podiam se divisar detrás das montanhas do leste. Harry abraçou seus joelhos de encontro ao corpo, ainda sentindo o frio de seu sonho sobre a pele.
O que estava acontecendo? Sabia que havia experimentado sonhos reveladores no passado, e que a fonte desses sonhos era seu arqui-inimigo, Lord Voldemort.
Porém, algo lhe dizia que Lord Voldemort não era a fonte desses sonhos. Não sabia por que pensava dessa forma; na realidade, não tinha nenhuma prova. Mas algo em seu interior lhe dizia que o Senhor das Trevas não era a resposta que buscava.
Quem Harry necessitava agora mais que ninguém, era quem provavelmente não podia estar ali para ele.
- Hermione.
Até dizer o nome dela causava-lhe dor no coração. Fechou os olhos, relembrando a expressão de triunfo no rosto de Roger quando Hermione sorriu-lhe. Harry não sabia por que doía-lhe tanto... não era como se Harry não tivesse a mínima oportunidade de ser quem a fizesse sorrir daquela forma.
Havia perdido a guerra antes de poder lutar a primeira batalha.
Harry perguntou-se brevemente sobre o que poderia ter acontecido no aposento do outro lado da porta.
"Detenha-se."
Passou seus dedos por seu cabelo azeviche e abriu os olhos. O Sol já se divisava detrás das montanhas. Intuitivamente, Harry sabia que seria um formoso dia... nem muito frio... nem muito quente... sem uma nuvem sequer que obnubilasse o céu azul.
Era um dia que iria odiar.
Harry passou a seguinte hora olhando pela janela, tentando afastar de sua cabeça as recordações do pesadelo. Tivera êxito. O que não conseguiu foi tirar Hermione de sua cabeça.
"É isso o que se sente ao estar apaixonado?"
- Você não está apaixonado por Hermione. – Harry sussurrou em voz alta. O que podia fazer para que sua cabeça finalmente compreendesse isso? Era a poção... era SOMENTE a poção. Hermione era sua melhor amiga... nada mais!
Mas... o que sabia ele sobre estar apaixonado? Depois de tudo, tivera uma leve atração por Cho, em seu Quinto Ano (bom, e no Quarto também... que perda de tempo foi aquela!). Não sabia se deveria contar com aquele "encontro" que teve com Ginny em Hogsmeade, onde na hora de estar sozinho com ele, ela disse-lhe que era melhor que fossem apenas amigos (coisa com a qual ele concordava cem por cento, mas de qualquer forma doeu um pouco).
A verdade era que Harry conhecia tanto sobre o amor quanto conhecia sobre Aritmancia. Tinha uma vaga idéia do que a palavra significava, mas acaso o entendia?
Em absoluto.
Antes que o Sol aparecesse por completo, Harry regressou furtivamente para seu quarto, cuidando para não despertar seus companheiros. Não comera nada desde o café da manhã do dia anterior, e seu estômago já estava em plena rebelião. Decidiu que o melhor que podia fazer era procurar algo para comer.
Depois de uma rápida ducha e um encontro muito necessitado com a lâmina de barbear, Harry vestiu-se com seu uniforme escolar e caminhou para o Salão Principal. Os corredores estavam desertos, como usualmente o estavam às 6 da manhã. Harry desfrutava do silêncio. Não estava com humor para responder perguntas sobre o que acontecera ontem, especialmente com o estômago vazio.
Quando Harry chegou ao grande refeitório, houve uma sensação de déjà vu que lhe deixou paralisado por um segundo. Fechou os olhos e inspirou profundamente.
Harry lembrava como o cauterizante frio espraiou-se por todo seu corpo, uma sensação que lhe fazia sentir que seu corpo estava morrendo mais rápido do que sua mente podia registrar.
Porém, quando abriu os olhos, Harry constatou que o grande refeitório estava igual a todas as manhãs. Todas as mesas das casas estavam arrumadas para receber seus alunos, e não havia nenhuma esfera estranha flutuando no ar.
Sentindo-se menos faminto do que estivera há dois minutos antes, Harry caminhou para a mesa de Gryffindor e tomou assento. Tão logo o fez, uma bandeja com pão, manteiga, cereal, frutas e suco de abóbora apareceu diante dele.
Não foi até que Harry punha manteiga no seu terceiro pedaço de pão que os outros estudantes começaram a chegar. Os Hufflepuff, sendo o grupo mais confiável da escola, foram os primeiros a encher sua mesa. Logo uniram-se a eles os Ravenclaw, os quais falavam com excitação do baile que se aproximava.
Os Slytherin também começaram a chegar. A maioria deles sussurrava comentários maliciosos quando passavam ao lado de Harry, rindo entre eles dos últimos rumores sobre o Menino-Que-Sobreviveu. Harry não tinha nenhum problema ignorando-os; eles não sabiam como acionar seus botões. Esperava apenas que Malfoy e seus gorilas tivessem um caso de diarréia matinal, porque definitivamente não estava com ânimo para lidar com eles.
Logo, Dean, Seamus, Lavender e Parvati entraram, sentando-se à mesa de Harry. Trataram-no com cortesia e tentando dialogar de maneira casual, mas depois de seis anos ele os conhecia o suficiente para saber que estavam sumamente preocupados com o que viram na aula de Adivinhação. Algo que Harry agradecia era que eles pareciam estar tão indispostos a falar do tema quanto ele.
Antes que Harry pudesse levantar-se da mesa, Ginny e Neville entraram no refeitório. Ginny parecia tão contente de ver Harry, que ele não teve coração de evita-los novamente. Ginny deu-lhe um rápido abraço quando chegou a seu lado, e ela e Neville sentaram-se ao lado de Harry.
- Como se sente, Harry? – Ginny lhe perguntou.
Harry obrigou-se a sorrir-lhe enquanto dizia: - Melhor. Muito melhor.
- Neville me contou o que aconteceu na aula de Firenze. – Ginny disse de modo reservado.
Harry olhou para Neville de tal forma que fez com que o garoto se pusesse tão vermelho quanto o cabelo de sua namorada. Finalmente, Harry lhe respondeu: - Foi apenas um pesadelo.
- Você está sob muito estresse? Fora do normal 'O mais poderoso bruxo que viveu tem um problema comigo desde que nasci'. – Ginny perguntou.
Harry franziu o cenho. Era apenas sua impressão ou acaso Ginny parecia estar inusualmente interessada em seu estado emocional?
- Tenho muitas coisas em mente, Ginny... isso é tudo. – Harry disse com um sorriso minguado. Podia ter jurado que Ginny e Neville olharam-se com uma expressão secreta quando escutaram sua resposta.
- Imagino. – foi o único comentário que recebeu de Neville.
- Então, – Ginny começou a dizer, interrompendo-se para morder uma suculenta goiaba. – o que acha de Neville e eu?
Harry quase se engasga com seu suco de abóbora. Acaso Ginny estava perguntando por sua opinião referente ao amor? Não sabia o quão mau que era Harry nesse departamento?
- Ai, não me olhe assim. Você sabe que sua opinião é tão importante para mim como a opinião de meus irmãos. Ron já me disse o que achava. Agora quero saber o que você pensa. – Ginny continuou calidamente. Neville fitava-o por sobre o ombro de Ginny, com uma expressão quase nervosa. Harry nunca havia pensado que sua opinião importasse a Ginny, mas a expressão no rosto de Neville não deixava dúvida de que era assim.
Harry olhou para Neville de modo avaliador, e pegou-se sorrindo genuinamente pela primeira vez desde que havia se levantado. Neville era honesto, de bom coração, e muito valente. Havia experimentado quase tanta dor em sua vida quanto Harry. Se havia alguém que realmente merecia ser feliz, era Neville.
- Me alegra muitíssimo que estejam juntos. – Harry disse francamente, dando-lhes outro sorriso. Neville soltou uma grande exalação e pôs seu braço sobre os ombros de Ginny, enquanto que Ginny endereçava a Harry seu agradecimento com seus olhos.
Ron e Luna surgiram na entrada do salão. Ron olhou ao seu redor e sorriu suavemente quando viu Harry à mesa. Escoltou Luna até sua mesa e rapidamente correu para mesa de Gryffindor, tomando a cadeira vazia ao lado de Harry.
- Como está, amigo? – Ron lhe perguntou tão rápido como se sentou.
- Melhor do que se pode esperar. – Harry mentiu. Graças a Merlin, Ron não podia ler-lhe as emoções tão bem quanto Hermione.
- Falou com Hermione ontem à noite? – Ron sussurrou, aproximando-se ainda mais. Harry sorriu tristemente; Ron estava tão preocupado com o assunto com Hermione que não havia tocado na comida nas bandejas diante de si. Definitivamente, era um novo recorde para o ruivo.
- Sim, falei. – Harry respondeu, bebendo de seu já escasso suco.
- E? – Ron perguntou, incomodando-se com a ambivalência das respostas de Harry.
Harry passou a língua pelos lábios em um intento de aprisionar a última gota de suco, antes de responder: - Nada... me desculpei... ela me perdoou... e então... – Harry olhou para Ron de soslaio e pensou em dizer-lhe sobre os pesadelos, mas deu-se conta de que não seria nada produtivo. Não queria ter outra pessoa que estivesse preocupando-se incessantemente com ele.
- E falamos e... bom, ela disse que tudo está bem entre nós. – Harry disse, pegando a bandeja com bacon e empurrando-a para Ron, em uma mensagem não tão subliminar para que deixasse de falar e começasse a comer. Ron entendeu o sinal, rapidamente colocando a metade do bacon em seu prato.
Pelos seguintes cinco minutos, Harry esteve discutindo Quadribol com Neville e Ginny, até que Ron sussurrou-lhe com a boca ainda cheia: - Ouça, e você contou à ela?
Harry não captava o significado da pergunta. – Disse-lhe o que? – perguntou, sua atenção divagando por Neville e Ginny.
- Que você está loucamente apaixonado por ela. – Ron disse em voz baixa. Harry olhou para Ron como se sua cara houvesse se tornado subitamente violeta.
- Mas você ficou louco? Não posso dizer o que sinto! – Harry sussurrou com raiva. Gemeu em voz alta quando deu-se conta do que havia dito. Ron lhe deu um sorriso brincalhão, e esteve a ponto de fazer o que seguramente seria um comentário inapropriado, quando Harry o interrompeu.
- Você sabe a que me refiro, Ron. Não posso contar à ela sobre a poção... é demasiado... vergonhoso. Além do mais, Hermione se sentirá incômoda comigo e... as coisas se poriam mais estranhas do que estão agora. – Harry continuou, rogando para que Ginny estivesse tão envolvida em sua conversa com Neville que não conseguisse escuta-los.
"Especialmente quando Roger está todo dia colado nela."
Harry exalou um grande suspiro. Isso era o mínimo que queria recordar nestes instantes... como ela havia sorrido timidamente quando Roger lhe havia tocado a bochecha... e como Roger dera um passo em direção a Hermione precisamente antes que a porta se fechasse.
"Onde, raios, está ela?"
Harry olhou para a entrada, inseguro do que estava sentindo. Por um lado, desejava-a ver com todas as suas forças, e por outro, queria sair correndo dali antes que Hermione fizesse sua aparição.
Harry não se deu conta quando Luna aproximou-se de sua mesa e, sentando-se ao lado de Ron, perguntou: - Trouxeram O Profeta de Hermione esta manhã?
- Não. Por que quer saber? Você disse que era um lixo. – Ron falou de forma casual, enquanto dava um grande mordisco em um delicioso salsichão.
- E continuo pensando o mesmo. Mas a notícia acerca do artefato perdido soava muito interessante. Ontem mandei uma coruja a papai pedindo-lhe mais informação, mas ainda não recebi resposta. – Luna respondeu enquanto começou a brincar com o cabelo de Ron, a expressão sonolenta em seu rosto mascarando sua penetrante astúcia.
- Ali está! – Harry disse com inusual felicidade, quando viu Hermione parar na entrada... e estava sozinha. Mas o sorriso se desvaneceu quando Roger apareceu a seu lado, dando a Hermione um brilhante sorriso e colocando sua mão em seu baixo dorso. Ela devolveu o sorriso a Roger, permitindo-lhe que a guiasse até as mesas.
A mesa dos Ravenclaw ficava em primeiro, de forma que quando chegaram à esta Hermione e seu acompanhante pararam. Roger acercou-se à ela e sussurrou-lhe algo ao ouvido. Harry viu como Hermione sacudiu a cabeça, seus cachos café voando por todos os lados, e deu um último sorriso a Roger.
Roger pôs olhinhos de cachorrinho, mas finalmente piscou o olho e sentou-se à sua mesa, onde seus companheiros de casa lhe receberam como se o Rei da Inglaterra houvesse se sentado com eles para tomar café da manhã.
Harry buscou em seu cérebro se conhecia algum feitiço que fizesse com que os dentes de Roger apodrecessem.
Antes que Harry percebesse, Hermione já estava a seu lado.
- Bom dia a todos. – declarou de bom humor, tomando o assento de frente para Harry e agarrando avidamente os dois pedaços de pão que restavam na bandeja.
Nem se preocupou em pôr manteiga em sua torrada, optando por dar uma grande mordida em sua comida com tanto ânimo quanto Ron. Quando ergueu os olhos e deu-se conta das expressões de surpresa nos rostos de seus amigos, Hermione murmurou com a boca ainda cheia um seco "O que?"
- Ora. Que apetite você tem hoje! – Ron disse. Lavender e Parvati lograram ouvir isto enquanto caminhavam detrás de Hermione. Piscaram-se o olho uma à outra, com evidente malícia.
- Deixe a Hermione quieta, Ron. Provavelmente necessita repor toda a energia que gastou ontem à noite. – Lavender comentou, piscando o olho para Ron e para Harry de maneira travessa, enquanto continuaram caminhando para a saída.
"Harpias! Bruxas!"
- De que estavam falando essas duas? – Hermione perguntou, erguendo sua sobrancelha, engolindo o que lhe restava de pão e esticando a mão para o bacon, antes que Ron e o restante de seus amigos murmurassem vários "não sei", "nem idéia", "ninguém nunca sabe com essas loucas", ou qualquer outra coisa que evitasse ter que explicar a Hermione as implicações um tanto sujas das palavras de Lavender.
"Não podem ter razão! Ou sim?"
- Tanto faz, me dei conta de que Harry tinha razão. Não estive me alimentado bem ultimamente. – Hermione continuou de maneira casual, tomando placidamente de seu suco de abóbora. O som de muitas asas em pleno volteio alertou-lhes da chegada do correio matutino.
Uma jovem coruja de cor avermelhada parou diante de Hermione, deixando-lhe a nova edição de O Profeta, antes de levantar vôo.
- Posso vê-lo? – Luna perguntou, apontando para a publicação. Hermione concordou com a cabeça, e Luna rapidamente tomou o periódico e começou a ler a primeira página, seu rosto desaparecendo detrás do papel.
Hermione olhou para Ron de modo interrogativo; não restava dúvida a ninguém do que Luna pensava sobre as habilidades jornalísticas de O Profeta. Ron apenas deu de ombros, dizendo: - Ela quer saber mais do roubo da coisa em Berlim. – Os olhos de Hermione brilharam repentinamente com interesse.
"Me encanta como se vê quando está curiosa."
"NÃO o encanta! Deixe de pensar assim!"
- Ah, o artefato! Havia me esquecido. Alguma notícia, Luna? – Hermione perguntou à namorada de seu melhor amigo.
- Bom, há um pequeno artigo sobre isso, mas não dá mais informação a respeito da natureza do objeto. Embora haja algo estranho sobre um guarda. – Luna disse, colocando o jornal no meio da mesa e apontando para o terceiro quadro da página principal.
Sob o cabeçalho de "O Ministério em Problemas", havia uma foto de um bruxo com o subtítulo "Till Linderman, Ministério da Magia de Berlim".
Harry contemplava Hermione enquanto ela lia a reportagem em voz alta.
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O MINISTÉRIO EM PROBLEMAS
Por Megara Blackflower
O enigma do artefato perdido do Museu de Berlim continua fazendo-se mais misterioso, enquanto o departamento local do Ministério da Magia provê mais informação sobre o caso.
Não há registros de que o artefato, que o Ministério da Magia ainda se recusa em identificar ao público, tenha sido emprestado ao Museu para sua exibição de "Mitos dos Mortos na Idade Média". De fato, como mostram os registros oficiais, o artefato deveria estar guardado nas dependências do Ministério e sua extração consiste em uma ação perigosa e ilegal.
O Ministério da Magia abriu uma investigação paralela para saber como o artefato foi tirado das dependências do Ministério sem a devida autorização.
Existem rumores de que as mentes mais brilhantes da comunidade mágica foram convocadas pelo Ministério da Magia, para que prestem assistência na busca do artefato. Até o momento de redigir este artigo, estes rumores não puderam ser confirmados.
Em notícias que poderiam estar relacionadas, Frank Potente, de 43 anos, que trabalhava como guarda de segurança no Museu de Berlim por 13 anos, foi encontrado morto em seu apartamento ontem à noite. Não há informação oficial sobre a causa e o momento de sua morte, nem se tem alguma relação com o desaparecimento do artefato.
Quando esta jornalista perguntou sobre o Sr. Potente a Till Linderman, mediador dos Ministérios da Magia de Berlim e Londres, a única resposta que recebi foi "Sem comentários."
O Profeta promete a seus leitores que não descansaremos até que encontremos o que o Ministério está nos ocultando.
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- 13 anos... 13 não foi um número de sorte para o pobre Frank. – Ron disse com um riso abafado. Seu sorriso se desvaneceu quando Hermione encarou-lhe com vontade de golpeá-lo.
- Um artefato perdido e um segurança morto? Isso é muita coincidência para meu gosto. – Neville disse a Hermione, enquanto Ginny limpava-lhe umas gotas de suco de melão de sua bochecha.
- Estou de acordo. – Hermione concordou – Há algo estranho aqui. – Ergueu a vista para Harry e encontrou-o olhando-a com uma expressão um tanto anelante em seu rosto. Crendo que Harry estava pensando sobre a reportagem que acabavam de ler, Hermione perguntou: - E você, o que acha, Harry?
Harry sacudiu a cabeça, como se estivesse acordando de um sonho, e disse em voz alta exatamente o que nesse instante estivera flutuando em sua cabeça.
- Acho que é maravilhosa.
Hermione franziu o cenho, Ron engasgou-se com seu suco, Luna suspirou dramaticamente, Ginny e Neville taparam suas bocas para que não ouvissem suas risadas, e Harry apertou os punhos por debaixo da mesa quando deu-se conta do que acabava de sair de sua boca.
"Grandioso, Senhor Suavidade! Realmente grandioso! Isto de enfiar os pés pelas mãos está se convertendo em algo permanente."
- O que disse, Harry? – Hermione perguntou, segura de que não havia escutado corretamente.
- Oh... é que... penso que você tem razão. Há algo definitivamente estranho com... com... essa coisa. – Harry disse, fazendo o possível para manter sua expressão neutra. Julgando pelo pequeno "O" que os lábios de Hermione formaram, ela estava satisfeita com sua resposta.
Harry pisou no pé que pertencia a Ron, o qual estava rindo do escorregão mental de Harry. Hermione novamente ocupou-se com seu café da manhã, enquanto Ginny se recostava sobre a mesa e tomava o jornal em sua mão.
- Não sei porque vocês insistem em ler isto. Como se não tivéssemos suficientes más notícias em nossas vidas. – Ginny disse de boa vontade, virou o jornal em suas mãos e uma reportagem na última página centrou toda a sua atenção.
- O QUE?! – Ginny gritou, alarmada. Todos no Salão Principal se voltaram para olhar a mais jovem dos Weasley, mas somente seus amigos se aproximaram dela e olharam por sobre seu ombro para ver o que havia capturado sua atenção.
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POR UM TRIZ
por Paolo, O Fabuloso
As Weird Sisters, o mais exitoso trio musical mágico do século, estiveram envolvidas em um acidente no clube O Abismo (Bélgica) depois de sua apresentação na noite anterior.
De acordo com as três integrantes, três fanáticos irromperam em seus camarins depois da apresentação e pediram para tirar fotos com elas. As garotas os satisfizeram, temendo por sua segurança. Depois que tiraram as fotos, os coléricos fanáticos demandaram que o grupo os acompanhassem a seus quartos em um hotel próximo.
Foi então que Tori, a voz principal do grupo, invocou sua varinha e aplicou feitiços sobre seus atacantes, ajudando as outras duas garotas a safar-se de seus salteadores. Quando a equipe de segurança do clube abriu a porta selada magicamente, este talentoso trio já havia deixado inconscientes os malfeitores.
"Creio que isto foi algo bom. Nos confiamos demasiado em nossa segurança e isto nos ensinou que tínhamos que ser mais cuidadosas no futuro, porque não sabemos quem deseja nos fazer mal", Nina, conhecida por ser a mais sensível do trio, comentou.
"Isto foi tão excitante! Já escrevi uma canção sobre o acontecimento, que aparecerá em nosso próximo álbum", gritou Fiona, baterista.
"Há uma moral nesta história. NÃO FODAM COM AS WEIRD SISTERS!", Tori disse aos fanáticos que haviam se reunido diante do local.
Os representantes do grupo musical asseguraram a este repórter que este incidente não irá afetar as datas das apresentações futuras.
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- Isto é uma tragédia! – Ginny exclamou sobressaltada, pondo o jornal novamente sobre a mesa. Todos sabiam o quão apaixonada era Ginny por seu grupo musical favorito.
- Nem sequer sabia que esta coisa tinha uma seção de Entretenimento. – Neville disse, enquanto pegava o jornal e o devolvia a Hermione.
- Bom, ao menos isto não afetará os planos da sexta-feira. – Hermione disse distraidamente. Soltou um suave gemido tão logo se deu conta do que havia saído de sua boca.
- QUE PLANOS? – gritou Ginny excitadamente, seus olhos castanhos cheios de surpresa.
- Shh! Abaixe a voz, Gin. Presume-se que ninguém o saiba. – Hermione sussurrou, aproximando-se de Ginny.
- O que se presume que ninguém saiba? – Luna perguntou, sua curiosidade fisgada pela cara de vergonha de Hermione.
- De acordo, vou lhes dizer... mas não podem contar a ninguém, porque é uma surpresa. Trato feito? – Hermione perguntou. Todos, menos Harry, assentiram. Ele estava muito distraído com o cacho café que pendia de Hermione sobre a bochecha, para escutar o que ela dizia.
- As Weird Sisters são o grupo musical surpresa para o baile de amanhã. Foi idéia de Dumbledore... é um grande fã. – Hermione sussurrou. Harry teve que tapar a boca de Ginny com sua mão para reduzir o grito.
- Acalme-se, Ginny. Acho que você explodiu o meu tímpano. – Harry sussurrou, soltando Ginny. Ela se virou ansiosamente para Neville e começou a falar sobre danças que podiam praticar antes da festa. Neville olhou para Harry como um cervo na mira da espingarda.
- Se sente bem? Está muito calado? – Hermione perguntou a Harry, com expressão de preocupação.
- Não se preocupe. – Harry respondeu, tratando de dar-lhe um sorriso, mas ficando na vontade.
- Já tem par, Harry? – Ginny perguntou com abandono juvenil. A súbita mudança no tema da conversa acrescentou mais confusão à já borrenta mente de Harry.
- Par? Para que? – Harry perguntou. Ginny suspirou em voz alta, sua expressão passando de feliz a paciente, como se houvesse se dado conta de que estava falando com um menininho.
- Para o baile de máscaras, Harry. O Baile das Bruxas. Lembra? Amanhã à noite! – Ginny respondeu a Harry, sacudindo sua cabeça em sinal de que estava decepcionada com a óbvia indiferença do rapaz.
- Não penso em ir ao baile, Ginny. Ipso facto, não preciso de um par. – Harry respondeu, tratando de esconder seu incômodo pela pergunta atrás de um tom de voz irritantemente casual.
- Como não vai? Harry, este é seu último ano em Hogwarts! Não creio que queira perder esta oportunidade. – Luna disse, olhando para Ron em busca de apoio. Ron estava muito ocupado mordendo suas panquecas, e não foi até que Luna lhe deu uma palmada na parte de trás da cabeça que ele olhou para Harry e disse algo que soou como "una tem azão".
Mas era a expressão no rosto de Hermione que fez com que seu estômago desse violentos saltos. Era quase... quase como se suspeitasse... que era a causa.
"Merlin, você tem que fazer algo! DIGA ALGO!"
- Quer dizer que vou sair perdendo porque não quero ter que me vestir bem, pedir à uma garota que provavelmente não suporte que vá comigo ao baile, dançar colado toda a noite... quando preferiria fazer qualquer coisa? Porque penso que isto de baile é a coisa mais estúpida que inventaram. – Harry respondeu sem pensar no que estava dizendo, antes que saísse de sua boca.
"Qualquer coisa menos isso, idiota!"
Harry apercebeu-se de seu erro tão logo viu a expressão de espanto nos rostos de seus amigos... especialmente no de Hermione.
- Verei vocês na sala de aula. – Hermione disse rapidamente, levantando-se a tamanha velocidade que a cadeira raspou o piso do salão ruidosamente. Harry não sabia se Hermione estava irritada ou apenas magoada, mas seus olhos café brilhavam de maneira incomum. Começou a caminhar para a entrada antes que algum deles pudesse reagir.
Harry se golpeou a testa com sua mão, enquanto Ron lhe sussurrou enfadado: - Por que, demônios, fez isso? Sabe que ela esteve trabalhando duro neste baile!
- Porque sou um idiota. – Harry respondeu, erguendo-se de sua cadeira e rapidamente seguindo Hermione para a saída. Por sorte, Roger estava tão ocupado relatando sua última vitória de Quadribol, que não notou quando Hermione saiu do salão.
Harry não teve tanta sorte quando se encontrou com Malfoy e seus marionetes parados ao lado da porta. Harry teve a impressão de que Malfoy estava se comportando um tanto estranho nessa manhã, já que mal lhe olhou quando lhe disse: "Brigando com a namorada, Potty?"
- Você já usou essa linha antes, Malfoy. Tente uma nova. – Harry respondeu amargamente, olhando para sua direita para deparar-se com Hermione caminhando no final do corredor.
Hermione já havia desaparecido depois da esquina do corredor rumo à sua primeira aula, quando Harry conseguiu alcança-la. A bem da verdade, essa garota podia caminhar rápido!
– Hermione! Espera! – Harry disse sem fôlego, quando finalmente chegou a seu lado.
Hermione respirou profundamente e girou para olhá-lo, seus olhos pungentes. – O que quer, Harry? – Ela lhe perguntou com evidente impaciência.
- Eu sinto. Não quis dizer que o baile fosse algo estúpido. – Harry balbuciou.
Hermione olhou surpresa e, protestando, disse: - Mas isso é exatamente o que você disse!
- Eu sei! Mas não quis... é que... é que... – Harry tartamudeou nervosamente, enquanto passava suas mãos por seu cabelo azeviche.
- Que O QUE? – Hermione demandou, erguendo as mãos no ar como que pedindo às forças superiores que lhe ajudassem a entender seu amigo.
- Que não quero ir porque... porque não encontro par. – Harry disse, derrotado. Procurou em seu cérebro a lembrança de alguma ocasião em que havia soado tão patético como soava agora. Não encontrou nenhuma.
A expressão no rosto de Hermione se suavizou de imediato.
- Ai, Harry... isso não é tão ruim. Estou segura de que há dezenas de garotas que morreriam para ir com você ao baile. – ela sussurrou, dando um passo em direção a ele e descansando sua mão no antebraço de Harry.
"Por que você não é uma delas?"
Harry tragou forte.
- Há apenas uma garota com a qual quero ir... e ela já tem acompanhante. – Harry disse, antes que pudesse parar, completamente cativo pela maneira possessiva com a qual ela agarrava-lhe o braço. Lembrou da noite anterior, quando ela lhe havia tomado pela camisa, raspando suas unhas contra seu estômago em uma deliciosa tortura, e um tremor correu por todo o corpo de Harry.
Hermione não fez a conexão, julgando pela forma como suspirou antes de dizer: - Bom, ela está perdendo.
- Sim. – Harry disse distraidamente, abaixando sua cabeça até que seus olhos pousaram no chão. Pensamentos contraditórios atacavam sua mente: por um lado, lhe intoxicava o calor que emanava de seu corpo com o casto contato de sua amiga, e por outro, tinha tanto medo de que ela percebesse que desejava estar em qualquer outro lugar, menos na frente dela.
Olhou para cima, quando sentiu os dedos dela roçarem contra sua testa, movendo seu ingovernável cabelo para longe de sua cicatriz. Os olhos de Harry se prenderam aos de Hermione por um momento e seu coração parou de bater. Havia tantas emoções naqueles olhos café... emoções que ele não podia identificar, muito menos entender. Mas se desvaneceram tão logo Hermione deu-se conta de que ele estava observando-a, e sua atenção se enfocou na região em que ela estava tocando.
- Bom, o galo já desapareceu. – Hermione disse, falando da primeira lesão de Harry, quando este caiu na biblioteca.
- O que posso dizer? A Sra. Pomfrey é a melhor. – Harry disse, tratando de soar casual, não querendo trair o fato de que ficava nervoso cada vez que ela o tocava. Hermione deixou de traçar a cicatriz com seu dedo e levou as mãos aos bolsos em um gesto algo ansioso.
- Dormiu bem ontem à noite? – Hermione perguntou, um pouco tímida. Harry sabia que esta era a sua forma de perguntar "Teve mais pesadelos/visões pelos quais devo me preocupar interminavelmente?".
- Como um bebê. – Harry mentiu, dando-lhe um meio sorriso. O sonho lhe atormentara toda a manhã. Agora que havia conseguido tira-lo de sua cabeça e substituí-lo por pensamentos mais apropriados para um garoto de 17 anos (embora igual de perturbadores), não estava procurando voltar a recordá-lo.
Ao menos não, até que falasse com Dumbledore.
Hermione não parecia convencida, mas decidiu que a manhã já fora bastante problemática para que pressionasse Harry a que lhe dissesse a verdade. – Quando vai falar com Dumbledore? – perguntou com curiosidade. Harry sorriu tristemente; somente Hermione podia acertar o que ele estava pensando nesse momento.
- Faltam ainda quinze minutos para que comecem as aulas. Vou esperar por ele na saída do refeitório. – Harry disse, muito consciente da promessa que fizera à Hermione na noite anterior.
- Melhor tentar em sua sala. Dumbledore não estava no Salão Principal esta manhã. – Hermione lhe informou. Harry franziu o cenho. Era verdade que não havia olhado para a mesa dos professores, para ver se Dumbledore estava ali, mas pensou que não tinha porquê faze-lo. Não se lembrava de um só dia normal em que Dumbledore não tomasse o café da manhã com seus alunos.
- Então, irei à sua sala. – Harry disse. Estava a ponto de perguntar "Quer me acompanhar?", mas nunca teve a oportunidade.
- Aí está você! – disse uma voz forte, que se originou desde a outra esquina do corredor. Harry e Hermione se voltaram simultaneamente para ver Roger Davies correndo para eles. Deu um grande sorriso quando alcançou Hermione, e novamente pôs sua mão no baixo dorso de sua amiga.
Harry não se deu conta da expressão de vergonha no rosto de Hermione, já que toda sua energia estava concentrada em tentar aplicar um pouco de magia sem varinha, que fizesse com que o perfeito cabelo loiro de Roger pegasse fogo.
- Estive procurando-a por todas as partes. Peeves acaba de inundar o banheiro de Myrtle. Temos que ir para ajudar Filch. – Roger disse em sua voz açucarada. O rapaz tinha a incomum habilidade de poder falar de latrinas com a mesma doçura com que falava de clássicos da poesia.
- Ah, bom... vejo-o depois, Harry. – Hermione assentiu, seus olhos evitando os de Harry, suas bochechas um pouco ruborizadas. Finalmente deu a volta e, com a mão de Roger ainda firme em suas costas, começou a afastar-se de Harry.
Roger olhou para Harry por sobre seu ombro e piscou o olho, antes de dirigir toda a sua atenção a Hermione. Harry não podia gritar a Roger que fosse para o inferno, não podia pegar sua varinha e lançar-lhe um feitiço com Hermione ainda tão perto, e definitivamente não podia se pôr a chorar como o grande bebê que era.
Conformou-se em dar a Roger o sinal internacional de "espero que seus genitais apodreçam!", mostrando-lhe seu dedo vulgar.
"Às costas dele! Que valente você é, Potter!"
Harry decidiu olvidar-se das mil e uma maneiras de ferir Roger, até depois de sua conversa com Dumbledore.
Enquanto isso...
Luna, Ron, Neville e Ginny olhavam com a boca aberta como Harry corria para fora do refeitório, em um intento de alcançar Hermione.
- E eu que pensava que você era um idiota insensível, quando falava com as garotas... que equivocada estava. – Ginny disse a Ron, com um sarcástico sorriso. Ron olhou para sua irmã com adagas nos olhos, mas Ginny se salvou de todos os palavrões que Ron iria soltar, quando este sentiu os dedos de Luna enroscando-se em seus cabelos. Era seu tendão de Aquiles.
- Creio que devemos fazer algo por Harry. – Neville subitamente falou. Ginny, Ron e Luna se voltaram para olha-lo. Neville parecia perdido em seus pensamentos, seu dedo batendo ligeiramente no copo de cristal a sua frente.
- Obviamente, Harry está sob muito estresse. Quero dizer... não somente com este assunto da poção de amor, mas com o que aconteceu em Transfiguração e na aula de Firenze. E sei... sei que teve outro pesadelo esta manhã. Creio... apenas creio que precisamos fazer algo por ele... algo que lhe ajude a esquecer tudo de negativo que esteve acontecendo ao seu redor e... bom... que lhe permita dar-se conta do que sente por Hermione, com poção ou sem poção. – Neville terminou de falar, ainda golpeando o corpo ritmicamente.
Os três olharam para Neville com as bocas abertas, surpresos com o fato de que o ultra-tímido, ultra-distraído rapaz lhes desse a solução do problema com tanta facilidade. Neville finalmente parou de dar golpezinhos no corpo e olhou para seus amigos, subitamente nervoso de pega-los observando-o assim. – O que... que... que ocorreu? – Neville gaguejou.
- Creio que agora amo você mais do que o amava esta manhã. – Ginny disse com sinceridade, apertando a mão de Neville sob a mesa. As bochechas de Neville se puseram de uma violenta cor rosa, e um sorriso tímido surgiu em seu rosto quando Ginny aproximou-se e roçou seus lábios nos dele. Ron gemeu de seu assento, e Luna teve que beliscar-lhe o traseiro para evitar que este se levantasse e empurrasse Neville para longe de sua irmã.
- Está bem! Antes que vocês dois me façam adoecer! – Ron lhes interrompeu, suas orelhas tão vermelhas quando as bochechas de Neville. – Acho que devemos definir o plano que fará com que a vida de Harry se ponha cor de rosa.
Neville, Ginny e Ron lançaram algumas idéias ao ar. A idéia de Ginny envolvia chocolates... a idéia de Neville mexia com flores... e a idéia de Ron envolvia as revistas de garotas nuas de Dean. Não foi até que Luna fingiu que tossia que eles lhe deram sua atenção.
- O que é, carinho? – Ron perguntou. Luna tinha um sorriso brincalhão em seus lábios ao aproximar-se de seus três conspiradores.
- Creio que estão esquecendo quem é Harry Potter... e o que é que tem a habilidade de faze-lo esquecer de todos os problemas que há no mundo.
Notas Finais da Tradutora:
Ai, ai... eu já disse a vocês que sempre gostei do personagem Neville, e sempre vi potencial no garoto? E já lhes disse que simplesmente adoro o Neville de PeuR, bem como de outras fics que conseguem desenvolve-lo belamente bem? De fato, em DH, Neville foi um dos pouquíssimos personagens que se apresentou coerente. E o que dizer de Harry e Hermione em PeuR, com suas personalidades pós OdF preservadas? E o mimo que é a combinação Neville/Ginny, Rony/Luna? Bem que Rowling poderia ter tomado umas aulinhas com Anasazi e tantas outras fic-autoras de peso, no que concerne ao desenvolvimento de perfis psicológicos de personagens e à sensibilidade para trabalhar romances, não?
Ah sim, antes que eu me esqueça... também já disse a vocês que nunca corrijo os capítulos que traduzo, não? Pois é... mais um para a coleção. ;-)
Beijos, abraços, cheiros e amassos a todos vocês, leitores de PeuR, e mais beijos, abraços, cheiros e amassos a Monique, Gabriel R. Griffindor, Hiorrana e Fernanda, Franci.Granger, Morena, Valson, Sarah Neves, Pati.nha, e Mayabi Yoruno.
Eu continuarei traduzindo, visse? – acenando para a cambada toda: Morena, Franci, Valson, Sarah Neves (Mais uma egressa do Sobresites pelas bandas de cá! Cadê a continuação de "Lost Memories"? Não me vá desistir dela!), Valson, Monique... E, sim, tentarei não me demorar muito a atualizar! – piscando para Gabriel R. Griffindor. Só não prometo traduzir "Una Hermione para Recordar"... aquela "odisséia" magnânima, de espanhol rebuscado, que me deixaria mais doida do que sou... – cruzando os braços e balançando a cabeça negativamente para Hiorrana e Fernanda. – Mas! Quem sabe... quem sabe, não vem por aí outra tradução de uma fic HH 'light', hm? Algo como uma comédia romântica e... patati-patatá... larari-lararurá. – piscando, insinuante.
Bueno, vou-me! Espero que tenham apreciado o capítulo! Pergunta: vocês sabem o que tem o poder de fazer Harry esquecer de todos os problemas do mundo? Se sabem, já devem fazer uma mínima idéia do que aguarda Harry e Hermione. Rony, Neville, Ginny e Luna são quatro 'gênios' cômico-românticos! Mas vale tudo no amor e na guerra, não? "Por um verdadeiro amor!" E por uma grande amizade... "porque dos melhores amigos saem os melhores amantes". ;-) Gravem bem esta última frase e saberão no próximo capítulo quem é o sábio dono dela. ;-)
P.S.: O próximo capítulo, de número 10, é o prelúdio de alguns dos mais belos momentos escritos em PeuR (e de fics do gênero), em seu capítulo 11. Quem tiver paciência para esperar, verá. ;-)
Hasta pronto, entonces!
Inna
