Preso em uma Rede
Tradução da Fic "Atrapado en una Red"
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Autoria: Anasazi
Tradução: Inna Puchkin Ievitich
Lembrete:
Para os leitores que não lembrarem do termo, "Wizengamot" é o nome do Supremo Tribunal Bruxo, do qual Dumbledore era Chefe.
Capítulo 10
Um Plano Simples
Harry caminhava sem pressa pelos corredores, suas mãos nos bolsos de sua calça, olhando para o chão sem prestar a menor atenção ao caminho que tomava. Depois de tudo, provavelmente era quem melhor estava familiarizado com o caminho rumo ao aposento de Dumbledore, já que havia visitado o ancião mais vezes do que gostaria de contar.
No que não podia parar de pensar era em Hermione e Roger. Sabia que era estúpido de sua parte dar tanta importância ao fato de que ela estava saindo com alguém que não era exatamente de seu agrado (de acordo, odiava-o até a morte, mas não vamos entrar em tecnicismos.) Depois de tudo, quando encontrasse o antídoto para a poção, tudo voltaria à normalidade. Hermione deveria ter... porque menos que isso não merecia... um rapaz que a ame pela grande pessoa que ela é, que a proteja com todas as suas forças, que daria tudo quanto tem por ela.
"Mas eu sou esse rapaz."
"Não, não é."
Harry se perguntou se seria tão duro com todos os namorados de Hermione, ou se o problema era que esse namorado fosse Roger Davies. Para Harry, Roger nunca lhe agradara. Que não o mal-interpretassem... não era que pensasse que Roger estava trabalhando para Voldemort e que era um Comensal da Morte em desenvolvimento. E não era porque Roger havia saído com Cho Chang antes e depois do fiasco de Harry com a Apanhadora Ravenclaw.
Era porque Roger era o tipo de pessoa que tinha tudo... era rico, bonito, encantador e, para completar, inteligente... e, para Harry, Roger sempre dera a impressão de que utilizava esses atributos para usar os que lhe rodeavam. Queria um copo de suco? Roger tinha apenas que dizer que tinha sede e uns segundos depois teria três copos para escolher. Queria ir para a universidade? Roger teria apenas que dizer a seu querido pai à qual universidade queria ir e seu pai faria uma gorda doação ao instituto, assegurando a entrada de seu filho. Queria uma nova vassoura? Seu pai a enviaria no dia seguinte por Coruja Expresso.
Agora que pensava bem, Harry deu-se conta de que Roger lhe lembrava Malfoy... uma versão menos maligna, mas igual de manipulador. Talvez por isso era que Roger tanto lhe desagradava... porque tinha medo de que manipulasse sua melhor amiga da mesma forma que manipulava tudo o mais em sua vida.
"Isso... e o fato de que você está apaixonado por ela."
"Cale-se!"
Finalmente, Harry encontrou-se parado diante da entrada do aposento de Dumbledore. Não conhecia a senha de acesso (estivera de volta a Hogwarts há três meses e ainda não havia visitado a sala do diretor... isso era um novo recorde), de modo que decidiu chamar o velho bruxo.
- Professor! Professor Dumbledore! Sou eu... Harry Potter. Tenho... tenho que falar com você sobre... sobre algo. – disse Harry com trepidação, seus olhos rastreando o corredor, contrário a ser visto por algum de seus companheiros.
Não houve resposta do outro lado da estátua. Harry chamou pela segunda vez e esperou.
Um minuto.
Dois minutos.
Três minutos.
Dumbledore não estava em sua sala, assim como não estivera no Grande Salão durante o café da manhã. Isso estranhou muito Harry, mas não lhe dedicou muito tempo em sua cabeça. Se Hermione lhe perguntasse se havia falado com Dumbledore, Harry podia ser honesto e dizer-lhe que tentara, mas que não havia encontrado o Diretor, e que intentaria mais tarde.
- Senhor Potter, já está tarde para sua aula. O que está fazendo parado aí? – uma forte voz feminina soou desde o outro lado do corredor. Harry olhou para sua direita, para encontrar-se com a Professora McGonagall caminhando para ele, com passo energético.
- Eu estou? É que... é que queria falar com o Diretor. Sabe onde posso encontra-lo? – Harry perguntou-lhe respeitosamente, enquanto se encontrava com sua professora na metade do corredor.
- Temo que o Professor Dumbledore não se encontra em Hogwarts. Ontem foi chamado pelo Wizengamot por conta de um assunto extremamente urgente. – a professora McGonagall disse, seu desapontamento por encontrar-se com Harry andando pelos corredores em hora de aula substituída pela preocupação.
- Entendo. Sabe quando o Professor Dumbledore vai regressar? – Harry perguntou, surpreendendo-se por lamentar o fato de que teve a oportunidade de falar com Dumbledore ontem e não a aproveitou.
- Temo que não o sei, Senhor Potter. Mas enquanto isso, eu atuarei como Vice-Diretora do colégio. O que seja que tinha que falar com o Diretor, pode falar comigo. Acaso quer retornar ao time de Quadribol? – a Professora McGonagall perguntou.
- Hm... não... é algo mais... mais pessoa. – Harry tartamudeou, sentindo-se nervoso pela maneira com que os olhos de McGonagall pareciam tentar penetrar-lhe os pensamentos. A expressão usualmente severa da professora suavizou-se quando desdobrou-se um incomum rosto de surpresa.
- Oh... entendo. Bom, Senhor Potter... eu sou Diretora de sua Casa. Sabe que pode falar comigo acerca de qualquer coisa... seja pessoal ou não. Estou aqui para ajudá-lo. – a Professora acrescentou suavemente, colocando sua mão sobre o ombro de Harry.
Harry realmente considerou a possibilidade de contar a McGonagall seus pesadelos, mas rapidamente desistiu da idéia. Dumbledore conhecia coisas de Harry que ele duvidava que McGonagall sequer suspeitava, e não se sentia cômodo compartilhando-as com ninguém.
- Obrigado, Professora. Em realidade não é nada grave. São apenas... apenas problemas de homens. Esperarei que o Diretor regresse. – Harry disse com o que esperava parecesse um sorriso sincero em seus lábios.
McGonagall deu um olhar que lembrou-lhe Hermione, e a forma como sua amiga o olhava quando sabia que ele não estava sendo completamente honesto com ela. A Professora finalmente suspirou e disse: - De acordo, Senhor Potter. Estou aqui acaso mude de opinião e deseje falar com alguém. Informarei ao Diretor que deseja vê-lo tão logo retorne. Agora, creio que é hora de ir para sua aula.
Harry assentiu com a cabeça e continuou por seu caminho, esperançoso de que a entediante aula de História da Magia que lhe esperava pudesse tirar de sua cabeça suas imagens mentais sobre Hermione, Roger, e os sonhos que o atormentavam.
11:55h
Hermione não tivera oportunidade durante toda a manhã de perguntar a Harry se pudera falar com Dumbledore. As aulas foram mais agitadas que o normal, e até a própria Hermione havia levado muito tempo para tomar sua notas. Tão logo a última aula da manhã terminou, Hermione seguiu Harry enquanto este saía do salão.
- Harry, você viu Dumbledore? O que ocorreu? O que ele lhe disse? – Hermione perguntou sem fôlego, enquanto tentava colocar seus livros dentro de sua já carregada bolsa.
Harry tomou os livros da mão de Hermione e os carregou para ela, enquanto caminhavam lado a lado para o refeitório. – Não estava em sua sala. Na realidade, Dumbledore não está em Hogwarts.
- É sério? – Hermione perguntou com interesse, seu cenho franzindo. Todos sabiam o quão inusual era o Diretor deixar a escola na metade do término.
- É sério. Segundo McGonagall, Dumbledore foi chamado com urgência por Wizengamot. - Harry respondeu, mudando os livros de mão e aproximando-se um pouco mais de Hermione.
- Ai, que mau. – Hermione disse, decepcionada. Harry sabia por que. Ela se sentia inútil de não poder ajudá-lo com seus pesadelos durante esta estranha semana, e ela estava esperançosa de que o Professor Dumbledore pudesse brindar a ajuda que ela não podia.
Uma idéia repentinamente fixou-se na mente de Hermione, e rapidamente pegou Harry pelo braço e impediu de seguir andando. – Não crê que tenha algo a ver com o que apareceu no jornal de hoje, não é?
- As Weird Sisters? Eu duvido. – Harry murmurou. Todos sabiam que Dumbledore era uma grande fã, mas não para tanto.
- Não estou falando da notícia sobre as Weird Sisters. Estou falando do artefato perdido! – Hermione disse com curiosa excitação. Quando viu a expressão perdida no rosto de Harry, suspirou.
- O artefato mágico de muito valor que, por erro, enviaram para o Museu de Berlim, e que então desapareceu sem deixar rastro. Recorda? – Hermione continuou. Novamente, Harry tinha em seu rosto a mesma expressão que costumava pôr quando Luna lhe perguntava o que pensava da mais recente edição de O Pasquim.
- Francamente! Harry, onde você esteve durante o café da manhã dos dias anteriores? – Hermione disse com um sorriso paciente, dando-lhe uma cotovelada brincalhona nas costelas.
"Estive muito ocupado pensando em você..."
- Bom, o artigo no Profeta falava que as mentes mais brilhantes da comunidade haviam sido chamadas pelo Ministério, para que prestassem assistência na localização do artefato. – Hermione prosseguiu.
- Talvez Dumbledore esteja ajudando com isso... mas os lábios de McGonagall estavam tão fechados como sempre, e não me deu detalhes. – Harry respondeu.
- Perguntaremos a ele quando retornar. A propósito, onde está Ron? – Hermione perguntou, rastreando o corredor à procura de algum sinal de seu ruivo amigo.
Harry lembrou que Ron havia murmurado algo antes de sair do salão de aula, e que saíra correndo do salão antes que Harry pudesse lhe perguntar o que dissera.
- Imagino que ficou de se ver com Luna, porque saiu correndo do salão como se tivesse o próprio diabo correndo às costas, tão logo Binns disse que podíamos ir. – Harry respondeu.
- Isso significa que somente seremos você e eu para o almoço. – Hermione disse com um sorriso algo brincalhão. As mariposas no estômago de Harry começaram a voar como loucas, e suas mãos começaram a suar.
- Imagino. – Harry murmurou, olhando para a frente e vendo se havia algum Gryffindor que se unisse a eles no almoço e o salvasse de fazer ridículo diante de Hermione.
Tropeçou e quase cai ao chão quando sentiu o braço de Hermione cruzando-se com o seu. Olhou para sua direita e viu Hermione com um formoso sorriso, olhando para o chão como se caminhar pelos corredores agarrada ao braço de Harry fosse a coisa mais natural do mundo.
Com cada passo que dava, a ansiedade de Harry diminuía. Esta era, depois de tudo, sua melhor amiga, a pessoa que uma vez após outra se mantivera a seu lado, nas boas e nas más situações.
Harry nunca havia parado para pensar nisso, mas a verdade era que se sentia tão bem em tê-la tão perto! Poderia fechar os olhos, concentrar-se no peso de seu braço sobre o dele, e olvidar-se da posição e de Roger.
Não tão inesperadamente, quase podia imaginar a jovem mulher que caminhava a seu lado não somente como sua melhor amiga, mas sim como sua namorada... sua amante... sua outra metade.
Sua melhor metade.
- Obrigado. – Harry disse suavemente, abrindo os olhos e olhando para Hermione. Ela sorriu-lhe com uma expressão um pouco confusa em seu rosto.
- Por que? – ela perguntou. Harry na realidade considerou dizer-lhe que era porque ela nunca lhe havia abandonado, e porque ele chegara a precisar dela mais que a qualquer outra pessoa no mundo. Mas essa idéia durou apenas um segundo... tinha medo de arruinar o belo momento.
Neste instante, estava feliz de ser simplesmente Harry e Hermione.
- Por dar-me o prazer de escoltar-me ao refeitório. – Harry sorriu. Hermione piscou-lhe um olho.
- Suave, Senhor Potter... muito suave. – brincou. Estavam a um metro da entrada do Salão Principal, quando a voz que Harry havia começado a odiar mais que nenhuma outra, ouviu-se desde as portas do castelo.
- Hermione, onde esteve? – Roger perguntou. Hermione e Harry olharam simultaneamente para a entrada do castelo, para encontrarem Roger com uma cesta em uma mão e um tecido de quadrinhos na outra, com uma expressão estranha em seu rosto.
- Oh... estava... hm... estava falando com Harry... hmm... – Hermione tartamudeou, tirando seu braço de sobre o braço de Harry, suas bochechas ruborizando-se instantaneamente. O estômago de Harry fez um nó quando ela afastou-se, mas ele rapidamente ocultou qualquer expressão de mal-estar detrás de um rosto que era tão genuíno quanto uma máscara.
- Bom, está pronta? – Roger perguntou suavemente, seus olhos movendo-se de Hermione para Harry e de volta, de maneira algo suspeitosa.
- Pronta? Para que? – Hermione perguntou, sua voz mais estridente que o normal. Como resposta, Roger levantou as mãos e sacudiu a cesta e a toalha, dando-lhe um grande sorriso.
- Ai, tem razão! O piquenique... íamos almoçar fora... eu havia... havia esquecido. – Hermione gaguejou, seus olhos pulando de Roger para Harry nervosamente. Harry não sabia interpretar a expressão nos olhos da garota. Acaso, ela estava lhe dizendo que lamentava porque não queria ir com Roger? Ou estava lhe dizendo que lamentava porque o deixaria sozinho para o almoço?
"Farei as coisas mais fáceis para ela."
- Está bem, Hermione. Almoçaremos juntos outro dia. – Harry disse, conseguindo que um sorriso meio sincero surgisse em seu rosto.
- Está seguro? – Hermione sussurrou, dando a impressão de que não queria que Roger a escutasse. Novamente, Harry não soube como decifrar a expressão em seu rosto; havia um rastro de tristeza nesses olhos café que não vira antes.
- Sim, estou seguro. Vá e divirta-se. Cuidado com as formigas. Podem ser um pouco incômodas. – Harry murmurou, obrigando seu sorriso a fazer-se maior e assentindo com sua cabeça. Hermione soltou um suspiro trêmulo, pegou os livros que ele estivera carregando para ela e deu-lhe um pequeno sorriso.
- Eu... o verei mais tarde. – disse em voz baixa, girando e caminhando para Roger. Sempre cavalheiro, Roger tentou tomar os livros de sua mão, para carregá-los para ela. Mas Hermione apenas deu-lhe um sorriso cortês e sacudiu sua cabeça. Finalmente, a jovem Gryffindor seguiu seu acompanhante pelas portas do castelo e para os pátios.
A fome de Harry se desvaneceu, de forma que deu a volta e caminhou para a Biblioteca, com toda a intenção de continuar com sua busca por um antídoto que pudesse curar a um tolo coração roto.
12:13h
Harry e Hermione ignoravam o fato de que Ron e Neville os estiveram seguindo desde que saíram da aula de Binns. Essa manhã, o plano "Vamos-unir-os-dois-bobos" foi formulado, mas Neville ainda sentia-se culpado da parte que lhe competiu executar.
Agora, sendo testemunha do que aconteceu diante das portas do castelo, Neville deu-se conta de que havia chegado a hora de agir, e que deviam tomar medidas extremas.
Quando Ginny e Luna saíram de sua aula e caminharam rumo ao Salão Principal para o almoço, encontraram Ron escondendo-se detrás de uma esquina, olhando para Neville enquanto este conversava com Colin Creevey, um Gryffindor do sexto ano, aficionado em fotografia e atual Apanhador do time de Quadribol. – Já está fazendo? – Ginny perguntou a seu irmão, em um emocionado sussurro. Ron concordou com a cabeça.
- Tinha medo de não ter a valentia para fazê-lo depois. – Ron respondeu. Ginny franziu o cenho.
- Neville tem muita coragem, Ron. O que não tem é malícia nem perversidade. – Ginny retrucou, enquanto os três continuavam olhando para Neville.
- Bom, estou segura de que algumas semanas na Toca com vocês vão dar a ele toda a malícia que necessita. Vejam! – Luna sussurrou emocionada. Ron e Ginny notaram que Neville havia passado um doce em envoltório marrom a Colin. Neville deu um forte apertão de mão em Colin antes de dar a volta e caminhar para eles, o sorriso que havia plasmado em seu rosto, enquanto falava com Colin, convertendo-se em uma expressão de pânico.
- Vou para o inferno. – Neville sussurrou para seus três amigos, quando os alcançou. Ron e Luna lhe deram uma palmada nas costas, enquanto Ginny plantou-lhe um sonoro beijo na bochecha.
- Que bom! Eu teria me sentido sozinha lá embaixo sem você. – Ginny brincou, tomando Neville pela mão. Neville sorriu genuinamente desta vez, ainda quando as imagens do que agora o pobre Colin passaria infestavam sua consciência.
- Estou segura de que será perdoado, Neville. – Luna disse quando Ron tomou-a pela mão. – Depois de tudo, isto é uma missão de amor. – Os quatro companheiros começaram a caminhar para o refeitório.
- Entendo isso. Mas pelas próximas cinco horas, o pobre Colin estará ajoelhado diante do altar de porcelana. – Neville disse, pondo-se ainda mais pálido. Ainda não podia acreditar que havia passado a Colin uma das Pastilhas de Vômito de Fred e George.
- Essa era a única forma de conseguir o nosso propósito, carinho. Lembre-se, estamos fazendo isto por Harry e Hermione. – Ginny disse, achando encantador como as bochechas e as orelhas de Neville se punham vermelhas pelo sentimento de culpa.
Por sua vez, Ron não podia parar de sorrir. – Parabéns, garotos. Começamos por um bom caminho.
16:05h
Luna endireitou o uniforme enquanto observava desde detrás da esquina como Hermione caminhava para ela. Como se os que Olham-de-lá-de-cima estivessem de acordo com "O Plano", Roger finalmente havia deixado Hermione sozinha.
- Bom, os outros fizeram sua parte. Agora compete a você, Loony. – Luna sussurrou enquanto deixava seu esconderijo. Foi tão abrupta sua saída que Hermione quase se choca nela.
- Luna! Você me assustou! – Hermione disse quando parou em seco para não chocar-se contra a namorada de Ron.
- Eu sinto, Hermione, mas estive como louca procurando Harry por todas as partes. Você o viu? – Luna perguntou nesse mesmo tom de voz sonolento que costumava deixar Hermione louca, quando se conheceram.
Hermione suspirou. A última vez que vira Harry foi quando acabou a última aula da tarde. Quase não haviam conversado desde o incidente durante o almoço, e, apesar de Harry ter se mantido bem cortês e respeitoso com ela, Hermione sabia quando estava sendo evitada.
- Não desde que acabou a aula. Por que o procura? – Hermione perguntou a Luna.
- Oh, Colin ficou doente... parece que é um vírus estomacal. Seja como for, Ronald me pediu que viesse buscar Harry, para que ele possa cobrir Colin durante o treino. Todos já estão no campo de Quadribol... estão apenas esperando por Harry. – Luna disse, brincando com um fio de sua formosa cabeleira loira.
- De acordo... eu o buscarei e lhe darei a sua mensagem. Você pode ir ao campo se quiser... sei como Ron se põe quando sua fã número 1 não está ali para cantar Weasley é nosso rei. - Hermione disse com um pequeno sorriso. Disse adeus a Luna com a mão, enquanto girava e caminhava na direção de onde viera.
Porém, Luna ainda não havia terminado com ela.
- Hermione! Espera! - Luna chamou. Hermione se deteve e deu a volta para deparar-se com Luna correndo para ela.
- Me perguntava se... se você poderia descer ao campo comigo? Às vezes me sinto um pouco só lá embaixo. Sou a única que vai vê-los treinar. – Luna disse, com uma expressão esperançosa.
- Verei... verei o que posso fazer. Sabe que o Quadribol não me entusiasma. – Hermione respondeu com cortesia. Na realidade, não lhe importava unir-se a Luna e ver o treino... mas não estava segura se Harry pensava igual.
Com uma estranha voz, cheia de claridade e segurança, Luna retorquiu: - Sim, eu sei. Mas também sei que Harry estará no campo. Ele teve uma semana horrível, e se há algo que lhe alegrará o dia é Quadribol... e você.
As bochechas de Hermione se ruborizaram imediatamente, mas antes que pudesse pensar em responder, Luna piscou-lhe o olho em sinal de adeus e deu a volta, agradecida de que a garota de cabelos castanhos não podia ver o grande sorriso em seu rosto.
16:40h
Hermione já havia tentado o salão comunal dos Gryffindor, seu quarto privativo (de acordo, em verdade não o estava procurando ali, mas aproveitou a oportunidade para trocar o uniforme por uma calça jeans e uma camiseta de mangas cor vinho), o dormitório dos rapazes, o Salão Principal, e até a cozinha, procurando Harry, mas não encontrara nenhum sinal de seu amigo de cabelos azeviche. Por isso, decidiu finalmente procura-lo no lugar onde menos se esperaria vê-lo em um dia normal.
A biblioteca.
Entrou na biblioteca de Hogwarts e cortesmente saudou a Senhora Pince, que sorriu-lhe como se fosse uma velha amiga. Não era de se estranhar... Hermione em verdade passava a maior parte de seu tempo livre ali, explorando as maravilhas que a palavra escrita tinha a oferecer.
Hermione caminhou para a mesa da bibliotecária e sussurrou: - Senhora Pince, viu meu amigo Harry esta tarde? – Os olhos da Senhora Pince se fizeram pequenos ao mencionar o nome de Harry; a mulher definitivamente recordava a destruição que Harry deixou à sua passagem durante sua visita à biblioteca na segunda.
- Sim... Harry "O Homem-Aranha" Potter. Está sentado à mesa detrás da prateleira de Poções. – a Senhora Pince disse, apontando com a cabeça na direção correta, antes de retornar sua atenção aos arquivos que estivera ordenando.
- Obrigado. – Hermione disse e, estando bem familiarizada com a organização da biblioteca como se fosse a palma de sua mão, caminhou diretamente para Harry.
Sem pensar muito no porquê, Hermione parou a uns metros dele e tomou um momento apenas para contempla-lo.
Hermione apenas podia ver seu perfil, mas sabia que jamais poderia confundi-lo com outra pessoa. O cabelo negro e indômito de Harry estava estático na parte detrás e seus óculos estavam de lado sobre seu característico nariz. Tinha um olhar de extrema concentração, e estava mordendo-se o lábio inferior enquanto lia a página do livro que tinha nas mãos. O nó de sua gravata estava solto, a metade de sua camisa estava fora da calça, e suas mangas enroladas mostravam seus braços atléticos.
E pela milésima vez desde que o conheceu naquele dia no trem, Hermione pensou no quão encantador Harry parecia quando achava que ninguém o estava observando... quando não sentia a responsabilidade de ser o Menino-que-Sobreviveu sobre seus ombros, e se atrevia a ser Harry.
Apenas Harry.
Começou a caminhar para a mesa, e agora estava o suficientemente perto para ver que Harry tinha quatro livros diferentes sobre a mesa. Hermione estava felizmente surpresa. Desde quando Harry havia desenvolvido tanto amor pelos livros? E por que não lhe havia dito nada?
- Poções famosas e seus contra elixires? - Hermione leu em voz alta o frontispício do livro de capa dura que Harry tinha em mãos. Foi nesse instante que Harry deu-se conta de seu presença, julgando pelo pequeno grito não muito masculino que soltou, enquanto pulava da cadeira e fechava o livro rapidamente com uma expressão em seu rosto como a de um menino que havia sido pego com a mão no pote de bolachas.
"Não deixe que ela veja os livros! Não deixe que veja os livros!"
- Perdi alguma tarefa? – Hermione perguntou com preocupação, repentinamente pensando na extrema possibilidade de que Snape houvesse assinalado um trabalho e de que ela o tivesse esquecido.
- NÃO! Não... eu apenas... apenas estou lendo algo extra. – mentiu Harry, sua respiração voltando pouco a pouco à normalidade. Imediatamente começou a recolher os livros que havia espalhado pela mesa e juntou-os sob seu braço, esperançoso de que Hermione não houvesse tido tempo de ler os títulos.
- Não está tomando Poções Reparadoras, não é? É isso o que esteve em sua cabeça nestes dias? – Hermione perguntou suavemente, pensando que talvez fosse isso o que Harry estivera escondendo dela durante toda a semana.
- Não, não... estou apenas... Não quero reprovar no EXTASIS de Poções Avançadas. Isso é tudo. – Harry mentiu, dando um pequeno sorriso a Hermione, enquanto caminhava para as prateleiras. Começou a guardar os livros em um ritmo frenético, ainda com medo de que Hermione lesse os títulos, especialmente um que dizia "Apaixone-se pela Poção No. 9".
- Ai, Harry, quanto me alegra que esteja trabalhando tão duro em estudar para os EXTASIS! – Hermione disse com um grande sorriso, o orgulho evidente em sua voz. Harry quase sentiu culpa por mentir-lhe... quase.
- Sim. – Harry disse distraidamente, colocando o último livro em seu lugar correspondente. Harry girou, cruzou seus braços sobre o peito e apoiou-se na prateleira, tratando de aparentar um estado casual. Tarefa que não era fácil, considerando o quão bela se via Hermione essa tarde.
- Então... o que está fazendo aqui? Procurando Davies? – Harry perguntou, tentando soar como o garoto suave e sedutor que nunca fora. Hermione parecia ruborizada momentaneamente pela pergunta, mas pareceu recuperar-se ao pôr as palmas de suas mãos sobre a mesa que Harry estivera usando e inclinando-se para ele.
- Na realidade... estou procurando você... e já o encontrei. – Hermione disse, um sorriso brincalhão brincando em seus lábios. Ah sim... Harry realmente poderia usar uma noite nos ares para relaxar.
- O que? – Harry perguntou, desconcertado e prazerosamente surpreso de que ela lhe estivesse procurando e não a Davies, e, ao mesmo tempo, preocupado com a razão disso.
Acaso Dumbledore havia regressado e pedira para falar com ele? Acaso Ron abrira sua bocarra e contara a Hermione sobre a poção? Acaso ela iria anunciar que havia se comprometido com Davies e que Roger queria que Harry fosse o padrinho de sua boda?
De acordo, Harry já estava um pouquinho paranóico... você também o estaria se fosse ele.
- O que você ouviu, Harry. Ron me pediu que o procurasse. Colin ficou doente e não pode jogar Quadribol hoje. Precisam de um Apanhador substituto para o treino. – Hermione disse, desfrutando ao máximo de como os olhos de Harry brilharam visivelmente ao mencionar a palavra "Quadribol".
Pela primeira vez em sua vida, Harry estava considerando se era melhor permanecer na biblioteca ou ir dar uma volta em sua Firebolt. Sabia que tinha que procurar um antídoto, e que não podia gastar nem mais um dia, e que o último livro que pôs sobre a prateleira prometia ajuda-lo a respeito.
Porém, somente o pensamento de estar lá em cima, quase tocando o céu, distante de todos os problemas, distante das visões e dos pesadelos, distante de seu coração partido... com o vento suave golpeando sua pele enquanto o sol se escondia no Oeste... isso era demasiado tentador para que resistisse.
- Você vai? – Hermione disse com humor, conhecendo bem a resposta à sua pergunta, ao ver como Harry praticamente babava com somente pensar em voar sobre o campo.
- Claro! Creio que já estudei o suficiente por hoje. Você não quer que eu sobrecarregue meu cérebro defeituoso de uma sentada, não? – Harry brincou, agarrando sua capa e sua bolsa de sobre a mesa e jogando-os por cima de seu ombro.
- Definitivamente não queremos isso. – Hermione zombou. Harry estava a ponto de despedir-se dela para ir ao campo de Quadribol, quando deu-se conta de que Hermione não havia se movido. Ela ainda estava sobre a mesa, e agora estava olhando sua superfície com uma expressão ilegível em seu encantador rosto.
O que Harry não sabia é que Hermione estava recordando a conversa que tivera com Luna no corredor.
O silêncio se fez pesado e, por alguns segundos, nada aconteceu. Os olhos de Harry nunca deixaram o contorno de Hermione, e os olhos de Hermione nunca abandonaram a mesa enquanto sua mão distraidamente fazia círculos sobre sua superfície.
"Provavelmente está esperando por Roger. Tentando ter uma curta sessão de beijos antes da janta?"
"Mas, que tal se ela não está esperando por ele? Que tal se está esperando por você?"
"Por que Hermione estaria esperando por mim?"
"Porque é o que ela sempre fez, Harry... esperar... esperar por você."
- Hermione? – Harry chamou, sua voz pequena na grande câmara. Hermione ergueu seus olhos da mesa e fitou-o com um sorriso tímido.
- Sim, Harry? – Hermione respondeu. Harry sentiu como sua garganta se secou, e estava inseguro se o que faria era o procedimento mais sábio.
"Este não é o momento para começar a pensar antes de agir, Potter. Apenas faça-o!"
- Q-q-quer... quer vier co-comigo? – Harry gaguejou, pigarreando sua garganta nervosamente e simultaneamente tratando de aparentar que não mataria Hermione se ela respondia que não. O sorriso de Hermione se fez mais amplo, mas não disse nada.
Harry continuou falando freneticamente: - Quero dizer... é um belo dia lá fora. E creio que você estudou o suficiente para esta semana... O que eu disse?! Você estudou o suficiente para toda a vida... e... e... e...
Hermione salvou-o de mais humilhação quando interrompeu-o: - Talvez um pouco de ar fresco me faça bem. – Então, caminhou para Harry, até tocar-lhe o nariz com a ponta de seu delgado dedo.
- Ademais, eu não perderia a volta triunfal de meu melhor amigo ao esporte que tanto ama. – Hermione acrescentou, piscando seu olho. Harry de um grande e genuíno sorriso.
"Bruxinha travessa! Planejava vir todo este tempo."
Harry não falhara em notar que Hermione havia lhe chamado de "meu melhor amigo", mas viu que não lhe incomodava o título minimamente. Ela escolhera passar a tarde com ele, não Roger... e durante o almoço, ela tentara almoçar com ele, não com Roger.
- Toma isso, seu arrogante grudento! Talvez a guerra não esteja perdida!
- De que demônios está falando? Vá já para o campo, antes que arruíne tudo novamente.
Foi a voz de Hermione quem o trouxe de volta ao mundo real. – Acaso vai ficar aí parado toda a tarde? Vamos buscar sua Firebolt, antes que Ron tenha um ataque cardíaco. – Hermione disse, pegando-o pelo braço e tirando-o da biblioteca, o sorriso de grande felicidade ainda plasmado no rosto de Hermione.
- Tem medo? – Hermione perguntou a Harry com suavidade, quando chegaram à margem do campo. Luna estava sentada nas arquibancadas dos Ravenclaw, aclamando e aplaudindo os jogadores que voavam sobre ela.
Harry sorriu um pouco nervoso, apertando o cabo de sua vassoura com força, e assentiu com a cabeça. Acaso tinha medo de fazer ridículo na frente de Hermione, porque jogaria um jogo que não havia jogado em mais de um ano? Pode apostar que sim.
- Não se preocupe. Estarei aqui... e quando o deixei cair? – Hermione disse com um sorriso. Tocou seu ombro de deu-lhe um apertão reconfortante, antes de ir correndo para Luna, seus cachos cor chocolate rebotando às suas costas.
"Você nunca me deixou cair."
- Já era hora de chegar, amigo! Vamos jogar! – Harry ouviu Ron gritar desde cima. Harry olhou para o céu e sorriu a seu amigo ruivo, enquanto sentava sobre sua vassoura e se impulsionava para o alto.
Os trouxas diriam que voar em uma vassoura era como correr de bicicleta; talvez, você passe anos sem andar nela, mas tão logo se senta e começa a pedalar, você se lembra de toda a técnica como se nunca houvesse deixado de correr em primeiro lugar.
Assim se sentia Harry, enquanto voava pelos céus, gritando alegremente como um menino quando esquivou um balaço que Seamus havia jogado nele. Ainda não vira o pomo. Em verdade, não o havia procurado. Estava divertindo-se muito apenas voando, desfrutando da vista do sol pousando detrás das montanhas, a brisa temperada acariciando sua pele, o rico aroma de outono impregnado no ar.
Depois de 50 minutos dedicando-se a brincar no ar, ao passo que os demais jogadores treinavam, Harry voou para as arquibancadas até que flutuava diante de Hermione e de Luna.
- Está se divertindo? – Hermione lhe perguntou redundantemente e com um grande sorriso; a expressão de felicidade no rosto de Harry era a única resposta que necessitava.
- Pode apostar. – respondeu, sem fôlego.
- Então, poderia fazer-me o favor de deixar de deleitar-se e pegar o pomo? Os mosquitos estão me comendo viva. – Hermione disse, um tom de voz meio jocoso e meio sério.
Harry riu, e inclinou a cabeça para a frente, como se estivesse tirando o chapéu em sinal de reverência a uma dama.
- Seus desejos são ordens. – Harry disse dramaticamente e, piscando o olho, voou para cima e começou a dar voltas no campo, procurando esse pequenino artefato dourado que havia lhe trazido tanta felicidade no passado.
Depois de pouco mais de 4 minutos, Harry o viu. Estava flutuando a um metro da cabeça de Ron, à direita da trave do centro. Guiado por seu instinto, Harry se jogou para a frente, acelerando a uma velocidade incrível em apenas uns quantos segundos. Ron gritou como uma menina pequena, pensando que Harry se chocaria com ele, mas Harry girou no último instante, seguindo o pomo dourado, que aparentemente havia se dado conta de que o tinham visto, e o estava esquivando.
Harry o seguiu, o cabo de sua vassoura a apenas um metro do tesouro dourado. Teve que esquivar Ginny, Seamus, e Neville no caminho, mas em nenhum momento perdeu de vista a pequena bola com asas, ainda quando a noite caíra e não havia luz solar que refletisse em sua superfície.
No último instante, Harry soltou o cabo da vassoura e inclinou-se para a frente. Capturou agilmente o pomo com sua mão direita, sentindo-se tão feliz como quando ganharam o campeonato de Quadribol em seu terceiro ano.
- MUITO BEM, HARRY! – Hermione e Luna gritavam das arquibancadas, enquanto lhe aplaudiam. Harry ergueu no ar o punho onde ainda tinha aprisionado o pomo, em sinal de triunfo.
Seamus voou para Harry e deu-lhe um sorriso agradecido, enquanto dizia: - Você sabe que podia tê-lo pego há uma hora, não é?
- Sim... mas então o treino teria acabado cedo. E eu não faria isso com você, Seamus. – Harry brincou, guiando sua vassoura para o chão. Neville, Ginny, Ron e Alex já estavam esperando-o, e Hermione e Luna vinham correndo das arquibancadas.
Harry recebeu outro aplauso da parte do time, tão logo seus pões tocaram a terra. – Isso foi estupendo, amigo. Que pena que você não estará no time. O campeonato estaria garantido! – Ron disse, com uma amistosa palmada nas costas.
- Colin é muito bom Apanhador. Vocês ganharão o campeonato desde ano, estou seguro disso. – Harry disse, sentindo como o calor lhe subia às bochechas.
- Depois dele se manter afastado dos doces de Fred e George. – Ginny disse, dando um olhar travesso para Neville, cujas bochechas se ruborizaram ao tempo em que jogava seu braço sobre os ombros da ruiva. Harry não sabia como interpretar esse pequeno intercâmbio, mas esqueceu-se por completo deles quando Hermione finalmente chegou a seu lado e abraçou-se fortemente em seu pescoço.
- Isso foi incrível, Harry! Creio que você está em melhor condição que da última vez que esteve no time. – Hermione disse, orgulhosa, soltando-se dele e deixando-o mais envergonhado que antes.
- Err... obrigado, Mione. - Harry respondeu timidamente. Seu cenho se franziu quando viu o sorriso malicioso do ruivo, detrás de Hermione enquanto abraçava Luna pela cintura.
- Você não sente falta, Harry? – Luna perguntou, inclinando-se para trás e descansando sua cabeça sobre o ombro de Ron. Harry não pode pensar em outra coisa que não fosse no fato de que Luna realmente devia amar Ron, porque somente uma pessoa que ama você com toda a alma se aproximaria de tal forma, quando você está suado, pegajoso e fétido.
- Sentir falta de que? – perguntou distraidamente, dizendo adeus a Semus e a Alex, que regressavam ao castelo.
- Jogar Quadribol. – Luna agregou em voz sonolenta, fechando os olhos e respirando profundamente. A qualquer um que não lhe conhecia, pareceria que Luna não se importaria com a resposta. Mas ele havia chegado a conhecer a namorada de seu melhor amigo o bastante para saber que tinha um grande coração.
Harry respirou profundamente e olhou ao redor do campo, antes de responder: - Sim, sinto falta do Quadribol... às vezes... Quero dizer, a sensação que o invade quando está voando em uma vassoura é... é indescritível. É quase como... quase como...
- Quase como estar apaixonado. – Ginny acabou o pensamento por ele. Harry girou para encará-la. Pela primeira vez nessa tarde, havia percebido que Ginny, Neville, Ron e Luna estavam olhando-o com um estranho brilho nos olhos, como se conhecessem algo que ele não soubesse.
"Se Ron disse algo de mim e Hermione, vou arrancar cada um dos cabelos de sua cabeça!"
- Eu costumava pensar que o Quadribol não era para mim. Costumava gostar de ter os pés bem postos sobre a terra. – Neville disse, rompendo o silêncio.
- Na realidade, de acordo com Moodus Brandock do Pasquim, o planeta Terra não é o planeta de origem da comunidade mágica, mas a Quinta Dimensão. – Luna disse em um tom sério. Hermione cobriu a boca com a mão para ocultar seu sorriso, e trocou um olhar cúmplice com Harry.
- Não sei de qual dimensão viemos, mas estou seguro de que Malfoy é um extraterrestre do planeta Pestilento. – Ron acrescentou, firmando seus ombros, fazendo rir a todos pelo comentário de Luna.
- Sabem quem nunca vi jogando Quadribol? Hermione! – Ginny disse, depois que passaram as risadas. Hermione apenas sacudiu sua cabeça com um pouco de vergonha.
- É porque nunca joguei. – Hermione respondeu. Sabia o que vinha, e preparou-se para a descarga que receberia.
- O QUE? – Ron, Ginny e Neville gritaram simultaneamente. Até Luna parecia estar surpresa. Harry somente sacudiu sua cabeça e deu-lhe um pequeno sorriso; estava muito familiarizado com o medo das alturas de Hermione.
- É que sou mais espectadora que jogadora. – Hermione acrescentou em sua defesa, cruzando seus braços sobre seu peito e com um olhar em seu rosto que dizia "Não-se-atrevam-a-zombar-de-mim". Esse olhar sempre havia funcionado com os garotos, mas aparentemente a ameaçava não funcionava com Ginny.
- Não posso acreditar que este seja seu sétimo ano em Hogwarts e que não tenha tentado o Quadribol nem sequer uma vez! – a ruiva disse em forma de censura, sacudindo sua cabeça. Harry não sabia se Ginny o estava dizendo a sério ou somente brincava.
- Deveria ter uma leia contra isso! – Ron disse, sacudindo sua cabeça de maneira idêntica à sua irmã.
- E eu que pensava que todos os Gryffindors eram valentes. – Luna disse, refletindo as ações de Ron.
- Se eu pude faze-lo, você não tem escusa. – Neville disse, concordando com a cabeça.
Acaso era somente a imaginação de Harry ou seus quatro amigos estava se comportando mais estranhos que nunca? Era como se estivesse seguindo o mesmo libreto, um que não haviam se incomodado de compartilhar com Harry.
Hermione não estava dando muita atenção a eles, julgando por como virava os olhos e dizia "Francamente! Não é nenhum pecado!".
Novamente, o "O QUE?!" proveniente de seus quatro amigos soou como um trovão no campo.
Pensando que lhes havia ofendido ao ser desrespeitosa com seu esporte favorito, Hermione agregou rapidamente: - Quero dizer, estou seguro de que é muito divertido. Mas não é para mim.
- Se você tivesse tentando, não diria isso. – Ron disse com tom de voz desafiante. Os outros seguiram a corrente com vários "Tem razão" e "Isso é certo". Harry não entendia o que estava acontecendo, quando viu como se endurecia o rosto de Hermione.
Surpreendentemente, Hermione nunca deu-se conta de que ron, Luna, Ginny e Neville a estavam colocando entre a espada e a parede.
- Sabe o que? Por que não tenta agora? – Ron disse de modo provocativo, soltando-se da cintura de Luna e fazendo mímica da pose de Hermione.
- Estou segura de que Harry não se incomodaria de dar-lhe uma lesão... digo, lição. – Ginny acrescentou com rapidez, com um sorriso desafiante brincando em seus lábios.
"O que diabos está acontecendo aqui? E como acabei envolvido no assunto?"
Ainda quando não havia muita iluminação, Harry viu como as bochechas de Hermione empalideceram.
- O que? Oh... não creio. Está... já está escuro... e até meio nublado... não há muita visibilidade e... bom, eu não sou tão boa voando na vassoura. – Hermione gaguejou de forma pouco característica.
- Você tem medo, Hermione? – Luna perguntou nessa voz odiosamente condescendente.
"Ai, ela não disse isso..."
- Não estou! – Hermione disse defensivamente, todo o nervosismo anterior esfumando-se no ar.
- Então faça-o! – Neville disse, dando-lhe um grande sorriso.
- Sim! Tente, Mione! – Ginny disse com igual entusiasmo.
- Pode montar com Harry em sua vassoura. – Luna agregou com alegria.
Chegou a vez de Harry olhar maliciosamente para seus amigos, porque finalmente entendeu a razão pela qual estava agindo tão diferente.
"Porra!"
Harry Potter deu-se conta de que seus amigos estavam tentando arruma-lo com Hermione.
"Vou mata-lo por contar a eles, Ron!"
Ron apenas piscou um olho para Harry, quando notou a expressão de raiva no rosto de seu amigo.
- Ah, sim... a Firebolt... todo mundo sabe que é uma delícia montar no cabo de Harry. – Ron disse com voz cheia de malícia, ainda olhando para Harry com humor.
"VOCÊ É UM PERVERTIDO! Deixa só eu pôr minhas mãos em você! E deixe de fazer ISSO com o cabo da sua vassoura, POR FAVOR!"
- Podemos soltar o pomo e você pode tentar pega-lo. – Neville disse, pegando a pequena bola dourada da mão de Harry e mostrando-a a Hermione.
- E Harry vai ajudá-la depois de tudo. Não estará sozinha. – Luna acrescentou. Harry tirou forças de onde não tinha para olhar Hermione, e encontrou-a mordendo o lábio inferior, olhando para a pequena bola na mão de Neville com incerteza.
- Não... não estou segura de que deva... – Hermione murmurou, seus olhos pulando do objeto na mão de Neville para a vassoura de Harry.
"Por Merlin! Ela está pensando!"
"Acaso isso seria tão mau?"
"SIM! Montar em uma vassoura com Hermione, sentindo como ela praticamente se senta no meu colo, com essa calça ajustada e essa camisetinha que me deixa ver mais do que deveria ser permitido, enquanto a agarro pela cintura, é uma coisa muito RUIM dentro das circunstâncias."
"Potter, que gay isso ficou."
"Claro que não! Mas é que ela é minha melhor amiga e não posso... não devo... NÃO DEVO PENSAR NELA DESSA FORMA!"
"Ela é uma garota, não?"
"Uma rosa é somente uma flor?"
"Novamente, um pensamento bem gay."
"Ai, cale-se já!"
"Deixe-se levar pelo que deseja seu coração."
- Vamos, Mione! Não quer que ninguém pense que a vencedora do Premio Anual de Hogwarts é uma franguinha, não é? – Harry disse antes de poder pensar duas vezes, Hermione girou sua cabeça violentamente e lançou-lhe um olhar que lhe deu vontade de sair correndo, enquanto que Ron e os demais sorriram de orelha a orelha.
- Você também? – Hermione lhe sussurrou. Tragou forte, sentindo como as gotas de suor começaram a acumular em sua testa.
Talvez havia tomado a decisão pensando com a cabeça errada.
Hermione deu dois passos até que chegou a seu lado e moveu seu braço. Antes que Harry se desse conta, ela já havia lhe tirado a Firebolt e montado em cima.
- Bom, você vem ou não? – Hermione lhe disse em tom sério. Harry arranhou a garganta e, com uma mescla de medo e excitação, subiu na vassoura atrás de Hermione.
Harry secou o suor de sua testa antes de tentativamente pôr seus braços ao redor de Hermione e segurar o cabo da vassoura em suas mãos. Quase dá um pulo quando as mãos da garota deixaram a vassoura e se pousaram sobre seus braços, pele contra pele, suas unhas enterrando-se suavemente em sua carne, um gesto que proclamava o quão nervosa se sentia.
Harry teve muito cuidado de não roçar nela ou aproximar-se dela demasiado, por medo a estimular mais que sua imaginação.
- Pronta? – Harry perguntou, sua voz rouca e trêmula.
- Pronta. – Hermione sussurrou, soando tão temerosa e emocionada quanto ele.
Sem desperdiçar nem um segundo mais, Harry e Hermione se impulsionaram do chão. Lentamente, mas sem parar, começaram a subir. Hermione fechou os olhos e enterrou suas unhas mais fundo na pele de Harry.
Harry nunca havia entendido a frase "dor deliciosa" até agora.
No solo, os quatro amigos compartilharam um olhar e sorriram.
- Somos uns gênios. – Ron sussurrou, seus olhos movendo-se da figura de Harry e Hermione e pousando sobre Ginny, Neville e Luna.
- Pelo verdadeiro amor. – disse Neville, erguendo o punho no alto.
- Pelo verdadeiro amor. – Ginny o seguiu.
- Pelo verdadeiro amor. – Luna respondeu, olhando para seu amado Ronald.
Chegou a vez de Ron falar, enquanto erguia seu punho no ar.
- Pela amizade... porque é dos melhores amigos que saem os melhores amantes.
Notas Finais da Tradutora:
AHAUHAUAHAUAHAUAHAUAHUAHAUAHAU! Momento Tostines PeuR!
Rony-marketeiro-pornô sobre o "cabo" de Harry:
- Ah, sim... a Firebolt... todo mundo sabe que é uma delícia montar no cabo de Harry.
(Frise-se o "todo mundo", mwahuahaua!)
"SEU PERVERTIDO DUMA FIGA!" – esbravejava um Harry escandalizado, em pensamentos.
Enquanto Rony... bem... Rony...
"AHHHHHHHHHHH! E deixe de fazer ISSO com o cabo da sua vassoura, POR FAVOR!"- gritava Harry em pensamentos, para um Rony-marketeiro-pornô fazendo movimentos insinuantes com o cabo de sua vassoura.
Mas no fim, vale a pena quando se trata de um AMOR VERDADEIRO e de AMIZADE. Como disse Rony, o sábio pervão: ... "porque dos melhores amigos saem os melhores amantes". ;-)
Arroubos de leitora: Oh, como eu adoro o Harry de Anasazi! É tão lindamente... tapado! Falando sério, eu acho fascinante o Harry de Anasazi! Gentil, tímido... um homem por trás de um faceta de menino. E o que dizer de Rony-porra-louca e Neville-segundo-Harry-desvelado? Lindos! E as garotas, Hermione, Luna e Ginny? O que dizer delas? Três gracinhas, que em fics como PeuR se tornam verdadeiramente meninas poderosas! Não sei quanto a vocês, meninos e meninas, mas eu adoro histórias românticas que evoluem devagar e sutilmente. Isso também é coisa do meu lado dramático, que se amarra em sofrer esperando, ahauhauahau!
Justificativa sem justa causa:
Pois é, né... eu aventei a hipótese de traduzir mais uma fic "light" HH, só que agora a Preguiça garfieldiana resolveu me fazer uma visitinha, e aí... sabem como é... Quanto a mim, como não tenho o costume de interferir no trabalho bem feito, deixo que a preguiça faça a sua parte. ;-) Então, quando a bichinha arrumar as malas e sair de férias, eu retomo a tradução (oh, sim, eu já havia começado), capice? ;-)
Bueno, bueno, vou-me - quem sabe para ler, quem sabe para assistir algum anime como Honey and Clover (ah, se os pseudo-romances escritos por Rowling tivessem o mesmo toque sutil e marcante que os romances de Honey and Clover... ai, ai...) ou jogar um gamezinho básico -, mas antes de ir deixo beijos, abraços, cheiros e amassos a todos vocês, que acompanham a tradução da singela história de Anasazi; e aos resenhadores, que se incomodaram de deixar reviews: Gabriel R. Griffindor, Jéssy, Monique, Hiorrana e Fernanda, carol, Valson e Mayabi Yoruno.
Respondendo a perguntinha ansiosa da Hiorrana/Fernanda:
- Quando vai acontecer o beijo HH? Hmmmm... quer mesmo que eu responda ISSO? ;-D Vá lendo e lendo e lendo, que lá pra perto do final, quem sabe, ele aconteça. ;-) Obs.: Sim, sim, titia Inna é terrivelmente escrota! Mas ela amadora vocês duas! ;-)
Hasta pronto! E... desculpem os erros de digitação e gramática! Como sempre e para nunca-jamais perder o péssimo hábito, eu não revisei o capítulo traduzido. ;-)
Inna
