Preso em uma Rede

Tradução da Fic "Atrapado en una Red"

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Autoria: Anasazi

Tradução: Inna Puchkin Ievitich


Capitulo 11

Sob uma lua de cristal

Sonho ter a pele de cristal.

Nada a ninguém ocultar.

Tão transparente como a água;

Ver-se-á minha verdade.

- Los Aterciopelados,"Transparente" -

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A Firebolt subiu lentamente rumo ao escurecido céu. Ela estava assustada e ele sabia, e por isso se movia com a maior delicadeza possível. Suas unhas ainda estavam enterradas nos braços dele, e ela fechara seus brilhantes olhos ainda quando não estavam nem a dois metros do solo. Seus longos cachos estavam fazendo cócegas no rosto do rapaz, graças ao vento que lhes golpeava os corpos.

O sol quase havia se escondido por completo detrás das montanhas, e somente uns raiozinhos de luz solar penetravam a noite. Harry não se atrevia a olhar a nenhuma parte, exceto para a parte detrás da cabeça de Hermione, mas estava seguro de que a lua já havia surgido sobre eles, e que as estrelas começavam a brilhar no céu azul-escuro.

- Hermione, você está bem? – sussurrou Harry suavemente.

- Sim. – gemeu ela de forma pouco convincente.

- Quer fazer isto ou prefere descer? Não quero pressioná-la a fazer nada. – Harry disse com gentileza, desejando passar seus dedos pela indomável melena castanha da garota, mas decidindo apenas apertar o agarre em torno da vassoura.

- E enfrentar a Inquisição que me espera lá embaixo? Nunca. – respondeu Hermione, algo de sua coragem habitual destilando-se na voz.

- De acordo. Vou dizer a Neville que solte o pomo. Está pronta? – perguntou Harry, respirando profundamente. Não era todos os dias que tinha uma trêmula Hermione em seus braços, e era uma benção saber que ele estava ali para conforta-la. Hermione assentiu com a cabeça.

- Hermione... – Harry começou a dizer, um pequeno sorriso filtrando-se em seus lábios.

- O que? – perguntou Hermione, sem fôlego.

- Talvez queira abrir os olhos. – disse Harry, aumentando seu sorriso. Escutou um pequeno "Oh", e um riso nervoso proveniente da jovem. Então ouviu-a suspirar profundamente, e soube por instinto que ela já tinha seus formosos olhos abertos.

- SOLTE-O!

Harry e Hermione olharam para baixo para ver que Neville deixava o pomo ir. A pequena esfera dourada com asas suspendeu-se no ar por alguns segundos, sobre os quatro amigos que se encontravam no campo, e então saiu disparada com tamanha velocidade que tanto Harry como Hermione a perderam de vista.

- Para onde foi? AONDE? – perguntou Hermione com nervosismo tão logo o pomo desapareceu de sua vista, seus ombros retesando-se de imediato.

- Relaxe, Mione. – sussurrou Harry calmamente. Dava-lhe trabalho manter a vista no campo escuro, quando o cabelo de sua amiga tapava-lhe o rosto, de modo que suspirou nervosamente antes de colocar sua cabeça ao lado da dela, seu queixo tocando ligeiramente o ombro da jovem.

Tratou de ignorar que seu estômago saltou nervosamente ante o casto contato. Graças a Merlin que ele não notou a reação de Hermione, ou caso contrário seu coração teria pulado para fora de sua boca.

Harry pigarreou antes de dizer: - Você tem que ser paciente, Hermione. Essa é a chave. Ser paciente, mas estar alerta. Mantenha seus olhos e seus ouvidos bem abertos. Talvez não o veja, mas ele está aqui, esperando que você o agarre.

- Mas como posso agarrá-lo? Não há luz suficiente! Não posso vê-lo! – sussurrou Hermione, enquanto seus olhos se enfocavam em rastrear o campo.

- Jogar Quadribol não requer somente habilidade, mas sim instinto. Você terá que confiar em seu instinto para isto. – disse Harry alentadoramente, desejando poder soltar o cabo da vassoura para dar-lhe um pequeno abraço.

- Isso não é nada bom, Harry. Meus instintos me dizem que ponha meus pés na terra, onde pertencem. – replicou Hermione, um tom meio brincalhão filtrando-se em sua nervosa voz.

- Essa é sua cabeça falando, Hermione. Desta vez, pense com seu coração. – sussurrou Harry.

Os ombros tensos de Hermione se relaxaram visivelmente, e seu coração tornou-se o suficientemente valente para arriscar-se a olhar por sobre seu ombro para Harry. Por um momento, Harry surpreendeu-se com o quão próximo os lábios da jovem estavam dos dele.

"Não pense nos lábios dela! Não pense nos lábios dela!"

- Desde quando você se tornou tão sábio? – perguntou Hermione, os cantos de sua boca curvando-se em um sorriso, erguendo sua sobrancelha em expressão travessa.

Harry sorriu nervosamente enquanto respondia: - Desde que Luna me presenteou com uma assinatura de O Pasquim em meu último aniversário.

Desta vez, ela riu em voz alta e girou a cabeça para a posição original que ocupava. Harry fechou os olhos e respirou profundamente.

"Você perdeu a oportunidade de beijá-la."

"Cale-se!"

Harry abriu os olhos quando escutou Hermione suspirar nervosamente. – O que ocorre? – perguntou preocupado.

- Creio... creio que o vejo. – Hermione sussurrou, seus olhos enfocados em algum ponto do outro lado do campo.

- Onde? – perguntou Harry, seus olhos automaticamente ajustando-se para explorar a área que Hermione estava olhando. Mas a noite já havia assentado, e a visibilidade havia se reduzido a nada.

- À esquerda do aro do centro, no outro lado do campo. – respondeu Hermione rapidamente. Harry olhou para a área em questão com olhos entreabertos.

Uns segundos mais tarde, Harry quedou-se boquiaberto. Ali estava, o pomo, essa pequena esfera que significa tudo em seu amado jogo, flutuando exatamente onde Hermione disse que estava.

"Como ela pode...?"

Uma nova onda de orgulho por sua melhor amiga brotou em seu interior.

- Certo. Você o viu... agora tem que ir atrás dele. Pronta para tomar o controle da vassoura? – perguntou Harry, sem preocupar-se em esconder as emoções que sentia nesse momento.

- Alguma vez disse a você o quanto odeio voar? – disse Hermione, lutando contra o intenso desejo de fechar seus belos olhos.

- Em mais de trinta ocasiões. Mas creio que você está rogando por uma oportunidade de mudar de opinião. – sussurrou Harry. Hermione não respondeu nada, mas moveu-se um pouco para trás, aproximando-se um pouco mais dele. O rapaz deu-se conta de que estava tão perto que podia perceber o aroma à lavanda que emanava do cabelo dela, seu sabonete de baunilha, e seu suor.

Estava-o fazendo perder a cabeça.

- Segure a vassoura, Mione. – sussurrou ele, seu tom de voz autoritário ocultando os tremores de seu interior. Mordeu o lábio inferior quando ela apertou seus braços ainda mais, sentindo como suas unhas penetravam suavemente em sua pele, perguntando-se se a garota já o havia feito sangrar ou não.

- Harry, não sou boa voando. Não creio que seja boa idéia que... – começou a dizer Hermione, mas rapidamente foi interrompida pelo jovem.

- Você é melhor do que pensa. – sussurrou Harry com voz rouca. – Vamos, Hermione... ele está na sua frente... você quase pode toca-lo. Não o deixe ir.

- Não quero cair. – disse Hermione, sucumbindo ao medo e cerrando seus olhos. Harry suprimiu um suspiro; a trouxera para cima... não deixaria que ela se desse por vencida.

Os lábios de Harry estavam a menos de uma polegada da orelha de Hermione quando ele sussurrou: - Hermione, você confia em mim?

Depois de uns momentos de silêncio, Hermione finalmente concordou com a cabeça.

- Então, confie nisto... eu não a deixarei cair. – sussurrou Harry, afastando-se um pouco para trás, quando o desejo de roçar seu nariz no pescoço de Hermione tornou-se quase irresistível. Ela tremeu visivelmente, mas lentamente seus olhos se abriram.

Hermione olhou por sobre seu ombro, e seus olhares se enlaçaram. Ela podia ler seu rosto na escuridão? Ela podia saber o quanto sentia por ela? O orgulho? A admiração? O amor? Poderia saber que ele queria que ela fizesse isso por ela e por mais ninguém?

- Segure a vassoura. – mandou Harry com voz rouca, apenas mais forte que um sussurro. A garota girou sua cabeça novamente para o pomo do outro lado do campo, e soltou um trêmulo suspiro.

A ansiedade de Hermione começou a diminuir, e ele sentiu como os dedos dela desciam por seus braços, seus pulsos, a parte detrás de suas mãos, os nós dos dedos... as pontas de seus dedos. Ela finalmente o soltou e segurou o cabo da Firebolt entre suas mãos, literalmente agüentando como se sua vida dependesse disso.

Harry sorriu e assentiu com sua cabeça imperceptivelmente. – Certo, tão logo eu solte a vassoura, você ficará no controle dela. Recorde apenas que é uma vassoura muito poderosa, de forma que você deve ser gentil ao guiá-la.

Hermione concordou, sua expressão cheia de determinação. Finalmente, Harry soltou o cabo da vassoura, colocando suas mãos delicadamente em ambos os lados da cintura de Hermione, titubeando se agarrá-la com mais força. Tão logo soltou a vassoura, a Firebolt perdeu poder e caiu um metro antes de recuperar-se. Hermione soltou um pequeno grito, mas se manteve firme, e um segundo depois a Firebolt encontrou-se sob o controle da garota.

Por alguns momentos, nada aconteceu. Hermione continuou com seus olhos grudados no pomo, do outro lado do campo, enquanto Harry olhava-a, desejando que o simples contato de suas mãos em sua cintura fosse o suficiente para transmitir-lhe a confiança e o apoio que ela necessitava para vencer seus medos.

Uma grande surpresa aguardava Harry.

Inesperadamente, Hermione recostou-se sobre a vassoura, e a Firebolt saiu disparada para o outro lado do campo a uma velocidade incrível. Harry esqueceu rapidamente sua vacilação de aproximar-se demasiado da garota, quando seu instinto de sobrevivência se ativou e esse instinto lhe disse que se não se agarrasse à ela com força, terminaria tão destroçado quanto um boneco de pano na boca de um tubarão.

Abraçando-se à ela com força, Harry pode ouvir os gritos dos que lhes observavam do solo, ainda quando o vento rugia em seus ouvidos. Aproximavam-se velozmente da pequena esfera dourada.

Dando-se conta de que haviam detectado sua presença, o pomo moveu-se, voando agilmente para sua direita. Harry recebeu outra grande surpresa quando Hermione não vacilou em fazer o mesmo, girando a vassoura para continuar com a perseguição ao pomo. O controle que Hermione exercia sobre a vassoura não era nada suave, mas o importante era que não havia rastro de dúvida nem vacilação em suas ações.

E certamente não houve indecisão quando ela decidiu seguir o pomo detrás das arquibancadas dos Gryffindor. Harry engoliu o grito que queria sair de sua boca, quando voaram por debaixo das arquibancadas, suas cabeças mal livrando-se de golpear em uma das tábuas de madeira.

No entanto, Hermione continuou seguindo o pomo com a mesma determinação e a mesma paixão que ela empregava quando buscava um segmento de informação, no labirinto de conhecimento que era a Biblioteca de Hogwarts.

- É isso, Hermione! É ISSO! – Harry gritou de alegria, enquanto Ron e os outros no solo faziam coro.

O pomo sobrevoou as arquibancadas antes de mergulhar para o solo, mudando de direção para os aros no último momento antes que batesse no chão. Para o imenso prazer de Harry (e algo de terror também), Hermione fez exatamente o mesmo!

O corpo de Harry chocou-se contra o dela, enquanto Hermione os erguia precisamente antes de dar contra o solo, antes de prosseguir atrás do pomo. Estavam voando tão baixo que Harry teve que erguer seus joelhos para evitar tocar o chão com seus sapatos.

Porém, nem sequer a ameaça de sair ferido foi suficiente para estancar o grande sorriso de Harry, quando o rapaz deu-se conta de que sua amiga estava ganhando velocidade, diminuindo a distância entre a pequena esfera dourada e eles.

Agora estava a meio metro deles. E foi então que Hermione fez o que Harry pensava que era impossível.

Usando suas pernas para agarrar-se com mais força na vassoura, Hermione soltou sua mão direita do cabo e esticou-a para frente, em um intento de alcançar o pomo. A esfera dourada fez uma tentativa de último momento para salvar-se, ao voar com rapidez na direção oposta.

Mas era muita tarde.

Hermione Granger acabava de aprisionar em sua delicada mão o esquivo pomo.

Antes que Harry pudesse fazer com que as palavras coerentes saíssem de sua boca, seus pés já haviam pisado na terra após uma aterrissagem pouco delicada da garota. Ron, Ginny, Neville e Luna corriam para eles, enquanto Hermione girava e olhava-o com a mesma expressão de surpresa e alegria que ele tinha em seu rosto, a pequena esfera dourada ainda segura em sua pequena mão.

Vendo que as palavras lhe faltavam, Harry apenas pode rodear a cintura da jovem com seus braços e abraça-la forte contra si, erguendo-a do chão e dando voltas no ar. O som de suas risadas ressoava forte em seus ouvidos quando seus amigos finalmente se uniram a eles.

Reticentemente, Harry deixou Hermione ir, a qual voltou-se para encarar Ron, que ainda estava boquiaberto, com uma expressão de orgulho em seu rosto. – Creio que isto é seu. – Hermione disse, piscando o olho para seu amigo, ao tempo em que devolvia o pomo a Ron.

Ron piscou duas vezes antes de finalmente dizer: - Droga, Hermione! ISSO FOI INCRÍVEL! Você não duvidou em segura-la fortemente e levantá-la do chão tal como Harry fizera. – O rapaz de olhos verdes não fez mais que sorrir, conhecendo na própria carne o orgulho que Ron sentia nesse momento por sua melhor amiga.

Tão logo Ron soltou Hermione, chegou a vez de Ginny abraça-la, dizendo-lhe: - Estou tão orgulhosa de você!

- De verdade você agiu como uma profissional lá encima. – Neville disse com um grande sorriso, dando uma tímida palmada nas costas de Hermione. Luna levava uma expressão em seu rosto que indicava que a qualquer instante começaria a cantar "Hermione é nossa rainha", mas optou por dar-lhe um pequeno abraço enquanto dizia: - Se eu não soubesse, juraria que você havia jogado antes.

Ron suspirou dramaticamente e sacudiu sua cabeça antes de olhar para Harry e dizer: - Você tem ciência de que agora que Hermione sabe que é boa até no Quadribol, não haverá nada que impeça sua grande cabeçorra de explodir de orgulho.

Hermione mostrou-lhe a língua antes de golpear-lhe jocosamente o braço. Ainda na fria noite, Harry podia sentir o calor que vinha das bochechas ruborizadas da garota. – Se fui boa, foi tudo graças ao meu treinador. – disse Hermione, olhando para Harry por sobre seu ombro.

Chegou a vez de Harry enrubescer.

Ron estirou-se antes de deixar cair sua mão direita sobre o ombro de Luna. – Bom, é melhor que eu me vá para tomar um banho e me pôr a estudar. Tenho uma tarefa de Poções para terminar. – disse, apertando Luna contra si enquanto piscava o olho para o despistado Harry.

- Obrigado por me lembrar. – murmurou Neville, o sorriso desaparecendo de seu rosto.

- Não se ponham tristes, garotos. Depois de tudo, amanhã é o baile. – Ginny disse, seu rosto iluminando-se como árvore de natal em dezembro. Harry olhou para Hermione de soslaio, e se surpreendeu ao ver que o sorriso que ela tinha em seu rosto se via um pouco forçado.

Luna voltou-se para Ron e disse: - Falando do baile, Ronald, estive pensando em nossas fantasias e... – Todos se inclinaram para eles, esperançosos de ouvir finalmente acerca dos misteriosos disfarces. Mas antes que Luna pudesse dizer outra palavra, Ron tapou-lhe a boca com sua mão.

- Carinho meu, eu estarei feliz quando rirem de mim amanhã... mas não quero que ninguém ria de mim esta noite. – disse Ron, com um sorriso brincalhão. Ela tentou olha-lo com raiva, mas não pode fazer mais que soltar um gritinho feliz quando Ron tomou-a em seus braços e ergueu-a do chão.

- Nos vemos logo, garotos. – disse Ron, girando. Luna lhes disse adeus enquanto Ron começou a fazer o caminho de volta para o castelo, com sua namorada nos braços.

- Se meu irmão pensa em carregá-la até o castelo, prognostico uma hérnia em seu futuro. – disse Ginny com bom humor, rodeando com seu braço a cintura de Neville, enquanto olhava para Harry e Hermione com um estranho sorriso.

- Bom, melhor me ponho a trabalhar na tarefa. Nos vemos logo. – Neville disse, colocando a vassoura dele e de Ginny sobre seu ombro e caminhando de volta para o castelo, com seu braço livre ainda sobre os ombros da ruiva.

- Estou tão feliz por eles. – sussurrou Hermione, enquanto ela e Harry os viam afastar-se sob a luz da lua.

- Eu também. Creio que foram feitos um para o outro. – disse Harry distraidamente, lançando um olhar para a garota que estava a seu lado.


- Você acha que esses dois se darão conta algum dia de que esse foi seu primeiro encontro? – sussurrou Ron para sua namorada. Luna olhou por sobre o ombro de Ron para o campo, apenas para dar-se conta de que estavam sozinhos, e que não davam indicação de querer voltar ao castelo.

- Sabe, Ronald? Creio que este encontro ainda não terminou.


Harry se fez consciente de que agora encontrava-se sozinho com Hermione. E não tinham nem a mínima dúvida de que seus quatro amigos assim haviam planejado desde o princípio.

Harry fugazmente se perguntou o que Ginny, Neville, Ron e Luna esperavam que ele fizesse ao tempo em que girava o rosto para olhar a ainda sorridente Hermione.

"O que posso fazer? O que posso dizer? O que eles esperavam que acontecesse? Acaso esperavam que a beijasse e a fizesse esquecer-se do estúpido grudento com o qual ela está saindo? Acaso querem que lhe peça que vá ao baile comigo e não com Roger? Ou esperavam que Hermione decidisse confessar que me amava, me agarrasse pelo braço e me dissesse que subisse ao seu quarto para fazer bebês?"

Mas com somente a recordação das sensações que experimentou ao estar tão perto dela, Harry sentiu que uma descarga elétrica corria por suas extremidades. Teve que fechar os olhos e respirar profundamente antes de confiar em sua habilidade de falar.

- Vo-vo-vo-cê vem? – gaguejou Harry, seus nervos traindo-o, abrindo os olhos, porém não se atrevendo a olha-la. Hermione olhou para o céu e por alguns segundos não disse nada. Harry começava a pensar que Hermione não lhe havia escutado, quando ouviu-a pergunto algo singular.

- Harry, me empresta a sua Firebolt uma vez mais? – Hermione perguntou suavemente. Harry girou sua cabeça rapidamente para fita-la. Havia um sorriso brincalhão nos lábios da jovem, descansando as mãos em seus quadris enquanto desfrutava da expressão de surpresa no rosto do rapaz.

- Há algo que quero tentar... – terminou de dizer. Harry pestanejou duas vezes, mas não pode fazer nada que não fosse olha-la.

Depois que ouviu-a rir em voz alta, Harry finalmente balbuciou: - O que tem em mente?

- Eu sei o que é, mas você terá que averiguar. – disse Hermione com um sorriso. Sua risada era bela, como o som de sinos acariciados por uma cálida brisa tropical.

- Então, o que diz? – perguntou Hermione, desfrutando do conhecimento de que ainda havia coisas sobre ela que podiam surpreender a quem lhe conhecia melhor que ninguém.

- Pegue-a! É sua! – gritou Harry, oferecendo-lhe a vassoura que tinha na mão.

"Grandioso, Potter. Você oferece à ela a segunda posse que mais valoriza? Isso não é suspeito. EM ABSOLUTO, Senhor Suavidade!"

- Obrigado. Mas por esta noite será suficiente. – disse Hermione, sorrindo enquanto sacudia a cabeça, tomando a vassoura das mãos de Harry. Olhou para o campo e deu alguns passos antes de colocar a vassoura entre suas pernas. Girou a cabeça para olhar Harry por cima do ombro, arqueando sua sobrancelha de maneira travessa.

- Você vem ou não? – perguntou ao agora sorridente Harry. Ele mentalmente pesou os prós e os contras dessa particular oferta.

"Tentar averiguar exatamente o que se propõe a fazer sua melhor amiga, que meia hora antes estava aterrorizada com as alturas? PRÓ!"

"O fato de que nunca convidou Roger a subir em uma vassoura com ela? PRÓ!"

"O fato de que, embora suba na vassoura com ela, Roger continuará sendo o bonito, inteligente, rico e cavalheiro filho da mãe que levará Hermione ao baile? CONTRA!"

"O fato de que estará total e completamente a sós com ela? PRÓ!"

"O fato de que você tende a comportar-se como um verdadeiro IDIOTA quanto está total e completamente a sós com ela? CONTRA!"

"O fato de que pode tomar uma longa e demorada ducha fria depois de descer? PRÓ!"

"O fato de que você tem a surpreendente habilidade de dizer o incorreto no pior momento? CONTRA!"

"Ter uma segunda oportunidade de pôr seus braços ao redor da cintura dela? PRÓ! Não... CONTRA! NÃO! PRÓ! Não...!"

"AH, AO DIABO COM ISTO!"

- Pode apostar! – disse Harry, rindo nervosamente enquanto caminhava para ela. Sentando-se sobre a vassoura às costas de sua amiga, o rapaz tentativamente pôs seus braços ao redor da cintura da jovem, sendo muito cuidadoso em deixar espaço entre os dois, por medo de levantar algo mais que os cabelos de sua nuca.

- Está segura de que quer fazer o que quer que queira fazer? Você acaba de conhecer o Quadribol. Não quer se excitar muito. Talvez, deveríamos voltar ao salão comunal para que você possa relaxar lendo pela décima vez 'Hogwarts: Uma História'. – brincou Harry.

Não pode evitar pensamentos pouco apropriados para com sua melhor amiga, quando ouviu sua resposta.

- Segure-se com força e ensinarei a você o quão excitante posso ser.

Olhando-o por cima de seu ombro, Hermione piscou-lhe o olho antes de voltar-se para a frente e puxar o cabo da vassoura, levando-os a voar diretamente para cima.

Depois de uns segundos, Harry percebeu que Hermione não tinha a menor intenção de parar a subida. Agora estavam mais alto do que quando ele a havia acompanhado em sua busca pelo pomo... e continuavam a ascensão.

Enquanto Harry olhava por sobre o ombro da garota o castelo de Hogwarts fazendo-se cada vez mais pequeno na distância, começou a notar a neblina acumulando-se ao seu redor. Olhou para cima para dar-se conta de que estavam entrando nas nuvens... e no que lhes esperava do outro lado.

Finalmente chegaram a um clarão, o tapete de nuvens a seus pés e a brilhante noite escura sobre eles. Nesse momento, Hermione deteve a subida. Foi uma manobra brusca que ocasionou que se fechasse a distância entre seus corpos, a qual Harry tivera tanto cuidado em manter. Harry soltou um pequeno gemido, fechando seus olhos e tomando um pequeno respiro.

- Perdoe-me. Ainda não sei bem frear. – disse Hermione um pouco envergonhada. Harry abriu os olhos e tentou dizer-lhe que não se preocupasse, mas o único que saiu de sua boca foi um gemido.

"Hagrid de biquini mexendo o traseiro! HAGRID DE BIQUINI MEXENDO O TRASEIRO!"

Quando havia conseguido suficiente controle sobre seu corpo e seu coração não corria como potro selvagem em busca de uma égua, Harry decidiu dar uma olhada aos seus arredores.

Era tão belo que Harry ficou mudo.

O céu sobre as nuvens era de um azul escuro meia-noite, e havia centenas de estrelas cintilando, perceptíveis mesmo a olho nu. Uma lua quase cheia estava suspensa diretamente diante deles, grande em tamanho mas ainda mais por sua extrema beleza. Estava tão impactado no momento que pode apenas verbalizar uma palavra.

- Uau.

- Tem toda razão. – disse Hermione com um pequeno riso. Harry imediatamente sentiu-se um pouco sem graça por sua falta de vocabulário.

Inesperadamente, Hermione deitou-se para trás, colocando a cabeça sobre o ombro do rapaz, depositando quase todo seu peso sobre o corpo dele. O coração de Harry por pouco não se derrete dentro de seu peito, e sua respiração tornou-se curta.

Fechou os olhos e tratou de imaginar o que seria enterrar seu rosto no arco do pescoço dela e deixar que seu característico aroma lhe inundasse os sentidos, enquanto lhe dava pequenos beijos em sua pele desnuda.

- Vê essas três estrelas? – perguntou a Harry, soando como uma mestra emocionada pela lição que estava a ponto de ensinar.

Harry obrigou-se a abrir os olhos e olhar na direção que ela apontava. Teve que esquadrinhar por alguns momentos, mas finalmente o viu... ao lado da parte baixa da lua havia três estrelas, aparentemente de uma mesma forma e tamanho, formando uma linha vertical quase perfeita. Ela abaixou seu braço, mas não se desgrudou de Harry.

- Meus pais e eu saímos de férias para a Espanha no verão, antes que eu começasse em Hogwarts. Lá, os ciganos têm uma lenda em torno desta visão... a lua e essas três estrelas. Eles a chamam de O Filho da Lua. – começou Hermione, seus olhos fixos na paisagem diante deles.

- Como? – perguntou Harry distraidamente, girando sua cabeça para olhar o rosto da garota.

- O Filho da Lua. As estrelas... elas são suas lágrimas. – sussurrou Hermione de maneira quase reverente.

- Por quê? – perguntou o rapaz, notando a mudança de humor na garota.

Hermione continuou dizendo: - Bom, de acordo com os ciganos, tudo começou quando uma cigana rogou à Lua um esposo. Rezou e rezou, até que a Lua não teve mais remédio que respondê-la. A cigana então pediu-lhe um cigano que a amasse com louca e eterna paixão. A Lua aceitou dar à mulher um cigano, mas somente se a mulher estivesse disposta a pagar um preço. A Lua pediu-lhe seu filho primogênito em troca de um marido.

- Por que a Lua pediria isso? – perguntou Harry, genuinamente interessado no estranho conto.

Hermione respondeu: - Porque a Lua queria ser mãe com todas as suas forças, e não tinha a ninguém que fosse seu amante, já que o Sol, a quem ela amava com todo seu coração, a queimava com sua intensidade cada vez que se aproximavam.

- E então, o que aconteceu? – sussurrou Harry, hipnotizado pela maneira como a Luz da lua brilhava nos olhos de Hermione.

- A cigana rapidamente concordou com o pedido da Lua. Por isso, a Lua concedeu à mulher o esposo que tanto desejava... forte, bonito, feroz, apaixonada e completamente louco por ela. Casaram-se, e nove meses depois a mulher deu à luz um menino. Mas não era um menino cigano... sua pele era tão branca como a neve, os cachos de sua cabeça eram da cor da prata... igual a seus grandes olhos. – sussurrou a garota.

Harry sentiu que um tremor corria pelo corpo de sua amiga, e impulsivamente abraçou-a forte contra seu corpo, esperançoso de poder transmitir-lhe um pouco do calor que ela produzia nele.

Hermione continuou com o relato: - Quando o homem viu o menino que sua mulher trouxera ao mundo, a intensidade da paixão que ele sentia por ela o fez pensar que ela havia sido infiel. Por isso, pegou um punhal... confrontou sua esposa... e a apunhalou.

Harry tragou forte antes de perguntar: - E o menino?

- Bom, o cigano tomou o menino nos braços com a intenção de matá-lo... porém, viu-se incapaz de machuca-lo. De modo que correu para o campo e deixou o menino na terra, para que a natureza fizesse com ele o que lhe apetecesse. – respondeu Hermione.

- E então? – sussurrou Harry, dando-se conta de que os olhos da garota fizeram-se brilhantes com lágrimas, em algum momento durante o relato.

- A Lua adotou a forma de uma mulher e desceu à terra. Envolveu o menino em seus braços e finalmente regressou ao lugar onde pertence... a noite. – disse Hermione com a voz algo trêmula.

Harry obrigou-se a deixar de olhar para a garota a fim de pousar seus olhos na paisagem que tinham diante de si. Para sua surpresa, pode ver o rosto de uma mulher na superfície da lua, com longos cachos cor café que caíam por sobre seus ombros e titilantes olhos cor caramelo.

De acordo, a vista estava um tanto influenciada pela mulher em seus braços... contudo, a lua que lhe olhava essa noite era um dos panoramas mais belos que seus olhos esmeralda viram.

Com exceção da presente companhia.

Hermione terminou o relato com um sussurro: - A lenda termina dizendo que, quando o menino está feliz, há lua cheia, porque a Lua está feliz. E se o menino chora, a lua mingua, para fazer-se-lhe um berço.

- É um belo conto... amargo, mas belo. – murmurou Harry, um sorriso triste brincando nos cantos de sua boca.

- É. – disse Hermione, rindo suavemente, secando com a palma da mão a solitária lágrima que havia escorrido por sua bochecha. – Não posso acreditar que tenha lembrado de tudo. Faz quase oito anos que não escutava a lenda.

Pela primeira vez desde que haviam começado a sua viagem, Hermione moveu-se para a frente, deixando a comodidade do corpo de Harry contra o seu, enquanto apertava o agarre que exercia na vassoura. Harry suspirou dentro de si, sentindo falta das cócegas que o peso do corpo de Hermione sobre o seu causava em seu estômago.

Hermione ainda olhava para a lua quando acrescentou: - O engraçado é que... quando eu era menina... pensava que era somente um bonito conto, porém sem sentido. Mas agora... agora sei exatamente o que a Lua sentia.

Harry engoliu em seco, seu cenho franzindo-se suavemente: - Quer dizer que... você quer ter um filho?

- Claro que não! – disse Hermione, rindo suavemente. – Digo, ao menos não agora... algum dia.

- Então, por quê? – perguntou Harry com gentileza. Viu como os ombros da garota se encheram de tensão, e outro tremor percorreu-lhe o corpo.

- Porque... porque creio que sei o que é amar alguém... mas não poder aproximar-se dele... porque sua intensidade o queima... tal como o Sol queimava a Lua. – Hermione disse, sua voz mal um sussurro, seus olhos pousando-se nas mãos que agarravam com força a Firebolt.

"Quem… quem é esse a quem Hermione ama? Roger? Roger fez algo para feri-la? É ele quem a queima?"

Harry não respondia por suas ações se alguma vez se inteirava de que alguém havia machucado sua Hermione.

Harry abriu a boca, para em seguida fecha-la sem dizer uma palavra. Sem saber o que fazer ou dizer para fazê-la sentir-se melhor, e debatendo-se entre o desejo de ficar ali encima para sempre e o medo do que poderia acontecer se não descessem logo, Harry finalmente suspirou triste e disse: - Bom, está ficando tarde. É melhor que voltemos.

Sem intercambiar palavras, ambos olharam uma vez mais para a lua. Finalmente, Hermione guiou sua descida através das pesadas nuvens e o gelado frio sobre o campo.

Depois de uma aterrissagem um pouco mais delicada que a primeira, Hermione levantou-se da vassoura. Harry fez o mesmo, carregando sua Firebolt sobre seu ombro. Hermione começou a caminhar para o castelo, e Harry não sabia o que mais fazer ou dizer exceto segui-la, um silêncio cômodo caindo sobre ambos quando o garoto chegou a seu lado.

Uns minutos depois, Hermione rompeu o silêncio: - Harry, você decidiu quem vai ser a garota afortunada que será sua acompanhante para o baile? – Harry obrigou-se a dar-lhe um sorriso.

Em realidade, não queria pensar no Baile da Noite de Bruxas... porque pensar no baile era pensar em Hermione em toda sua magnífica glória... e pensar em Hermione em toda sua magnífica glória fazia-lhe pensar em Roger... e pensar em Roger era pensar em seu odioso hábito de pôr os braços ao redor de Hermione... e pensar no odioso hábito que tinha Roger de pôr seus braços ao redor de Hermione lhe fazia pensar que, talvez, o fato de ser o Menino-que-Sobreviveu faria com que o perdoassem se cometia um assassinato.

Certo, Roger Davies definitivamente não trazia o melhor de Harry à tona. Mas Harry viu, para sua surpresa, que a noite resultara ser tão mágica – primeiro com o jogo e logo com a viagem solitária sob a luz da lua, com a mulher que ama – que não queria perder nem um segundo mais pensando em Roger.

- Não creio que eu vá. – Harry disse com um pequeno sorriso, girando a cabeça o suficiente para olhar-lhe o contorno. – Não quero que ninguém passe pela dor pela qual fiz Parvati passar durante o baile do quarto ano.

- Está falando de seus dotes como dançarino, certo? – disse Hermione, a tristeza distante que se havia pousado em seus olhos café ao terminar de relatar a lenda, desaparecendo quando devolveu-lhe o sorriso.

- Vejo que já são lendários. – respondeu o rapaz, arqueando sua sobrancelha de modo brincalhão.

- Você não é ruim. – respondeu Hermione com rapidez, sacudindo sua cabeça, seus cachos voando por todo lugar. Ele não podia decidir se ela estava sendo honesta ou jogando-lhe uma piada.

Harry parou, observando-a com a boca aberta. Ela deixou de caminhar e deu a volta, dando-lhe um olhar avaliativo antes de acrescentar: - De acordo, você é péssimo... mas apenas porque se põe muito nervoso. Você tem que aprender a relaxar.

- Eu relaxaria se soubesse como dançar. – confessou Harry, perguntando-se como alguém que era tão bom nos esportes fosse tão torpe quando tinha uma garota em seus braços.

- Bom, podemos solucionar isso imediatamente. – disse Hermione, com um brilho resoluto em seus olhos, dando um passo para ele. O sorriso de Harry derreteu, e um súbito nó se formou em sua garganta enquanto as mariposas começaram a voar em seu estômago, tão delicadas quanto um hipogrifo sob os efeitos do Êxtase.

A garota pegou a vassoura da mão de Harry e colocou-a no chão com gentileza. Hermione, então, tomou-lhe com ternura a mão que estivera segurando a vassoura, e colocou-a sobre sua cintura, exatamente encima de seu quadril. Sua camiseta sem mangas havia subido um pouco durante seu jogo de Quadribol, e quando isso se somava ao fato de que estava usando uma calça jeans que lhe ficava abaixo do quadril, permitia a Harry sentir sua pele desnuda sob seus dedos.

Eletricidade corria por seu corpo como se um raio lhe houvesse caído encima. Esta era a garota que fora sua melhor amiga por sete anos... e este era o toque mais íntimo que havia compartilhado com ela.

Harry olhava sem fôlego, ao passo que a garota tomava sua outra mão e a ergui para o lado, entrelaçando seus dedos nos dele. Hermione, então, levantou a mão que tinha livre e situou-a no ombro do jovem.

Somente então ela ergueu a cabeça e encontrou os olhos dele... e somente então, Harry apercebeu-se de que sua melhor amiga estava lhe dando uma improvisada lição de dança. Algo da tensão que havia se acumulado em seus ombros se desvaneceu... mas, rapidamente regressou quando sentiu que a mão que estava descansando sobre seu ombro se movia lentamente para seu pescoço, para finalmente descansar sobre sua nuca.

- Dê um passo para frente com seu pé direito. – ela ordenou com gentileza, seus olhos caramelo conectados com as esferas esmeraldas do rapaz.

- Mas... não... não há música. – Harry tartamudeou torpemente, dolorosamente inteirado do quanto desejava diminuir a distância entre seus corpos.

- Use sua imaginação, Potter. – disse Hermione, dando-lhe um sorriso de apoio. O rapaz engoliu em seco antes de dar um passo para frente com seu pé direito, com a graça de um andróide de primeira geração... antes de pisar forte sobre o pé de Hermione.

- Eu sinto! Perdoe-me! Não queria... – desculpou-se, depois que a viu morder o lábio de dor, seu pé retornando para sua posição inicial.

- Não se preocupe. Você precisa apenas me deixar saber para onde vai e quando. – Hermione explicou pacientemente.

- Quer dizer que tenho que falar enquanto estiver dançando? – perguntou Harry, franzindo o cenho. Vira outros casais dançar anteriormente, nunca percebera que passavam a dança falando.

- Não com palavras, Harry. Mas com esta mão... – disse Hermione com serenidade. Ele deu um pequeno salto quando ela desceu a mão que estivera em sua nuca, para pô-la sobre a sua que estava na cintura dela.

- Relaxe, Harry. Sou eu... sua velha amiga Hermione. – disse com um sorriso reconfortante, seus dedos roçando suavemente sobre os nós de seus dedos.

"Esse é exatamente o problema... que você é Hermione."

Hermione continuou com a lição, com a mesma facilidade que mostrava quando tentava explicar a Neville como trabalhar com as lições de Snape. – Use esta mão para guiar-me... Vê? O homem é o dominante durante a dança. Provavelmente você estava pisando os dedos de Parvati, porque não estava deixando-a saber qual era seu próximo passo. Apenas aperte seu polegar contra minha pele quando quiser dar um passo para frente...

Um suor frio irrompeu sobre a pele de Harry.

"Hagrid e Snape dançando a dança do ventre! E... e... e... esfregando loção um no outro! Oh, meu Deus, isso é asqueroso! E NÃO ESTÁ FUNCIONANDO!"

- Agora, quero que dê um passo para trás, puxando meu corpo suavemente para você com seus dedos... não muito forte... apenas o suficiente para eu saber que tenho que dar um passo para frente. E siga o mesmo princípio quando quiser ir de lado a lado. – continuou dizendo Hermione.

- Agora, feche os olhos... – ela ordenou. Harry obedeceu-a rapidamente, desejando parar a sensação de que estava se afogando em seus olhos. Sentiu que a mão da garota abandonou sua posição sobre a dele, para voltar à sua nuca, roçando a cabeça do rapaz com suas unhas suavemente, fazendo com que outro tremor lhe percorresse as costas.

- Agora... pense em uma canção de que goste... e ouça-a em sua cabeça... e quando estiver pronto... abra os olhos e dê um passo para a frente com seu pé direito... e depois, com seu esquerdo... repita os passos para trás... em seguida, de um lado a outro. – sussurrou Hermione.

Sua voz era tão suave e hipnótica, que Harry sentiu-se como se estivesse de volta ao ar sobre a Firebolt, contente com apenar ter Hermione em seus braços, apreciando como o vento a acariciava como ele desejava fazer, enquanto olhavam a mulher na lua e as três estrelas que eram as lágrimas de sua criança.

Foi a sensação de ter Hermione novamente em seus braços que trouxe uma melodia à sua mente. Abriu os olhos e olhou para baixo, umedecendo os lábios nervosamente quando sentiu seus olhos conectarem com os da garota.

'You look so fine.'

Harry deu um passo para a frente... mas, desta vez, não pisou sobre o pé de Hermione. Conseguira guiá-la com êxito para trás.

'I want to break your heart... and give you mine.'

Ele deu um passo para trás, e ela lhe seguiu com facilidade.

'You're taking me over.'

O sorriso da garota se fez maior, e até ele conseguiu devolver-lhe um enquanto dançavam para os lados.

'It's so insane. You've got me tethered and chained.'

- Vê? Você não é tão mau como achava. – disse Hermione com orgulho, massageando a nuca do rapaz distraidamente.

'I hear your name... and I'm falling over.'

- Posso acrescentar "incrível dançarino" à minha lista de habilidades impressionantes? – Harry brincou, sentindo que um pouco do nervosismo ia desaparecendo de seu corpo. De alguma forma que não podia explicar, ter Hermione em seus braços começava a ser algo natural.

'I'm open wide.

I want to take you home.'

Como se fosse seu destino.

'We'll waste some time.

You're the only one for me.'

Uma memória repentinamente fixou-se em sua mente. Era de Hermione em seu quarto ano, durante o baile de Natal, vestida naquele formoso vestido cor azul, com seus cabelos recolhidos, expondo seu delicado pescoço. Tinha uns brincos de cristal em suas pequenas orelhas, e um colar prateado com um belo pingente de cristal. Usava pouca maquiagem, apenas um pouco de blush nas bochechas e brilho de morango nos lábios, apropriados para uma jovem de quatorze anos.

Porém seus olhos... esses doces olhos cor caramelo brilhavam mais que as jóias que a adornavam. Harry instintivamente sabia que se o baile de Natal fosse um baile de máscaras e Hermione tivesse seu belo rosto oculto detrás de uma máscara, ele a teria reconhecido somente de olhá-la nos olhos.

Harry remotamente se perguntava por que havia guardado uma lembrança tão velha com tanto detalhismo.

'You look so fine.

I'm like the desert tonight'

- Hermione, por que não lhe pedi que fosse ao baile do quarto ano comigo? – perguntou Harry em voz alta. – Você teria salvo Parvati de estar manca por uma semana. – Impulsivamente, aproximou-a um pouco mais de si, a distância entre seus corpos diminuindo consideravelmente.

A garota riu suavemente, não perdendo o passo embora seus corpos agora tocassem suavemente um no outro. – Bom, se minha memória não me falha, foi porque você estava atrás de certa bela Apanhadora Ravenclaw."

'Leave her behind...

If you want to show me.'

- Esquecia disso. – murmurou Harry, seu bom humor decaindo um pouco ao recordar a perda de tempo e esforço que foi sua relação com Cho.

Hermione ergueu a cabeça um pouco até descansar sua testa sobre o queixo de Harry, fazendo com que uma onda de cócegas lhe invadisse as extremidades.

- Sinto muito que não tivesse funcionado com ela, Harry. – disse Hermione com suavidade, sentindo a mudança em seu ânimo, mas atribuindo-a à razões incorretas.

'You're taking me over.'

- Eu não. – sussurrou sem alento o jovem, sentindo que a pele da garota roçava em sua bochecha quando ela moveu a cabeça para trás para fita-lo.

'Over and over.'

- Ela não me fazia feliz, Hermione. E eu definitivamente tampouco a fazia feliz. – disse Harry, sentindo a necessidade de explicar-se. Era engraçado que Hermione fosse a única pessoa que o fazia sentir-se assim.

'I'm falling over.'

- Por quê? Quero dizer... fora o fato de que ela era um pouco... sensível... era bela, inteligente, corajosa... era até boa em Quadribol! Era grandiosa, Harry.

'Over and over.'

- Não, Hermione. VOCÊ é grandiosa. – disse Harry com uma emoção em sua voz pouco característica. Ela novamente apoiou sua testa sobre o queixo do rapaz, e ele aproveitou a oportunidade para fechar os olhos e deixar-se inundar por sua intoxicante fragrância, doce e natural.

'You're taking me over.'

- Obrigado, Harry. Mas duvido que pegar o pomo seja minha contribuição à grandeza. – sussurrou Hermione, com um nervoso sorriso pouco característico, seus olhos descendo para o peito dele.

'Over and over.'

Harry abriu os olhos, moveu a cabeça para trás a fim de olhá-la no rosto. Usando a mão que estivera levantada e cujos dedos ainda estavam entrelaçados nos dela, tomou Hermione pelo queixo e ergueu sua cabeça para olhá-la nos olhos.

- Isto não tem nada a ver com Quadribol, Mione. Apenas quero dizer que... que...

"Faça-o!"

"Drown in me one more time."

- Que acho que você seja estupenda... – sussurrou Harry nervosamente. – Quero dizer, Cho talvez fosse bela e misteriosa... mas você...

"Diga à ela!"

"Hide inside me tonight."

- Você é isso e muito mais, Hermione... isso e muito mais. – concluiu Harry, ficando sem fôlego.

Ainda seguindo esse hipnótico movimento que ela havia lhe pedido que seguisse, Harry deu um passo para frente com seu pé direito... mas desta vez, Hermione não se moveu... o que ocasionou que ele tentasse aprumar seu corpo para evitar pisa-la novamente.

Mas falhou... perdeu por completo o balanço... e acabou colidindo seu corpo contra o dela.

Ambos desabaram no solo, Harry caindo sobre Hermione na terra úmida.

- Você está bem? – perguntou Harry com preocupação, seus olhos fazendo-se maiores, apoiando seu peso nos braços que se encontravam em ambos os lados de Hermione. Hermione, com os olhos ainda fechados, assentiu duas vezes enquanto respirava profundamente.

A jovem abriu os olhos... e soltou uma gargalhada ao ver a expressão no rosto de Harry.

- O que aconteceu? – perguntou nervosamente Harry. Acaso ela havia batido a cabeça ao cair? Não eram os ataques de riso inexplicáveis um sintoma de que tinha uma concussão?

- Você deveria ver sua cara. – Hermione brincou. Agora chegou a vez do garoto rir.

- Bom, não era exatamente assim que eu planejava impressiona-la com minhas habilidades de dançarino recém descobertas. – o rapaz disse, com um sorriso travesso.

- Definitivamente, você não é tão mau, Harry. Mas... – Hermione segurou-o pela camisa, puxando-o um pouco para si, até que seu ouvido estivesse a menos de uma polegada de seus lábios. – Sugiro que diga à sua acompanhante que faça um seguro de vida, antes de convidá-la a dançar.

Harry rio genuinamente, seu corpo ondeando sobre o dela. Ela fez o mesmo sob ele, enquanto soltava outra pouco característica risada.

Mas quando o riso diminuiu, Harry percebeu a posição comprometedora na qual se encontrava.

Seu sorriso se desvaneceu de imediato, e todo o rastro de travessura desapareceu de seus olhos verdes.

Hermione notou a súbita tensão, e ergueu a vista para fitá-lo. Parou de sorrir quando um pequeno grito de assombro escapou de seus lábios entreabertos.

Já vira anteriormente o presente nível de intensidade nesses olhos verdes... mas nunca antes num olhar reservado para ela.

Harry pensou que já não havia nada a ocultar. Não havia forma de que a bruxa mais brilhante de Hogwarts mal-interpretasse o que estava acontecendo com ele.

Não havia forma de que ela não notasse como seu corpo reagia à sua cercania, quando a prova estava roçando contra a perna dela.

Não havia forma de que não sentisse seu coração batendo dentro de seu peito, ameaçando quebrar-lhe as costelas com a força do palpitar.

Não havia forma de que ela não visse o desnudo desejo refletido em seus olhos.

Harry apoiou seu peso sobre um braço, e utilizou o outro para, delicadamente, tocar a mão de Hermione, fazendo com que a jovem tremesse suavemente.

Seus olhos seguiram sua mão enquanto seus dedos traçaram um caminho da mão da jovem para cima, acariciando seu braço... seu ombro... seu pescoço... o lado de seu rosto... até que finalmente pousou sua mão sobre a bochecha ruborizada.

'Do what you want to do.'

Harry começou a traçar círculos na bochecha de Hermione, vendo que ela abria e fechava a boca sem que alguma palavra saísse de seus lábios. Desejou que a mente lógica e racional dela se pusesse a trabalhar, para convencê-la de amaldiçoa-lo se ele desse um passo a mais, para impedi-lo de fazer o que desejava com todas suas forças.

Esses olhos café. Eram escuros, cheios de intensidade... e inescrutáveis.

Provaria até a própria morte por esses olhos.

'Let's pretend... happy end.'

Roçou com o dedo polegar o lábio inferior de Hermione, separando-os com ternura. O tremor que atravessou o corpo da garota era inconfundível.

E, pela primeira vez na vida de Harry, não existia Voldemort... nem seus Comensais... nem Snape... nem Sirius... nem Roger... nem passado... nem futuro... nem dor... nem conseqüência... nem morte... nem profecia... nem culpa... nem vergonha... nem angústia... nem cicatriz... nem poção... nem antídoto.

Nem dúvida.

Para Harry, o único que existia era a jovem cujos olhos haviam-lhe enfeitiçado desde a primeira vez que cruzou seu caminho.

'Let's pretend... happy end.'

Sem atrever-se a perder um segundo mais sem deixá-la saber o que sentia por ela na realidade, os lábios de Harry desceram sobre os dela.

'Let's pretend... happy end.'


Notas Finais da Tradutora:

"Hagrid e Snape dançando a dança do ventre! E... e... e... esfregando loção um no outro! Oh, meu Deus, isso é asqueroso!"

AHAUHAUAHAUAHAUAHUAHAUAHAUAHUA! E essa deve ter sido a homenagem de Anasazi a Cassandra Claire, em Draco Sinister, quando Harry pede a Draco que lhe diga algo comprometedor de Snape, tal como ele ser um jogador amador de sinuca no Três Vassouras, onde é chamado de "Jimbo" (quem não lembra do Jimbo, o avião-falante?, hehehe!). Quando li essa parte pela primeira vez, automaticamente me peguei imaginando Snape fazendo streap-tease em cima da mesa de sinuca com o taco, ao som de Slave to love, do Bryan Ferry, e não me perguntem porque!, ahauhauahaua! Mas vai que se Harry tivesse imaginado Snape cantando "Banho de Espuma" de forma obscenamente insinuante pro Hagrid, teria adiantado! – Snape com seus olhinhos negros apertados e com seu biquinho francês, dançando sensualmente e fazendo movimentos peristálticos em um sabonete de tamanho desproporcional e formato impróprio para menores de 18 anos, cantando com voz rouca: "... que tal nós dois, hmmmm, numa banheira de espuma... el cuerpo caliente, um dolce faniente, sem culpa nenhuma! ... fazendo massagem... relaxando a tensão...", ahuahauahau!). Tá bom, tá bom, chega! (ao menos por enquanto).

Bueno, eis aí o cap. 11 e a promessa de um beijo que... chegará a ser consumado? ;-) Não vale dizer quem já leu o cap. 12 da versão original! ;-)

Em tempo: a música escolhida por Anasazi para servir de fundo musical da dança de Harry e Hermione é a bela "You look so fine", da ótima banda Garbage, na voz da musa camaleônica Shirley Manson. – Inna babujando o teclado só de relembrar que essa mesma música fez parte da trilha sonora da série gay-orgiástica (literalmente) Queer As Folk, numa de suas muitas cenas mais-mais... ai, ai!

Em tempo 2: Acho absolutamente lindos os momentos partilhados por Harry e Hermione nas alturas, sob o 'feitiço da lua'. "Mágicos", é a palavra. Mas os momentos de poesia não param por aí. Lembro de outros tão ou mais poéticos que esses, que transcorreram dentro de um certo quarto em Grimmauld Place, no quinto ano... e o resto... bom, o resto eu deixo com a imaginação de vocês. ;-)

Enfim, vou-me! Despeço-me por enquanto, com a promessa de retornar, trazendo mais um capítulo traduzido de "Atrapado en una red"!

Beijos, cheiros e amassos a todos vocês, leitores e leitores-resenhadores! (Monique, Rhaissa, Jéssy, jennifer, Valson, Mayabi Yoruno, Renata Kovac, Edilma Morais e Franci.Granger)! Gracias a todos!

Para Rhaissa: Não, eu não tenho a presente tradução publicada em outro lugar, apenas aqui.

Para Edilma: Oxe! Só em pensar em traduzir "Uma Hermione para Recordar" me dá urticária! Adoro essa fic de paixão e a acompanhei do início até o fim, mas toda vez que o desejo insano de traduzi-la me acomete eu lembro que a cada capítulo ela vai crescendo que nem baobá, e é então que minha tendinite agradece a relutância. ;-) Quanto a PCU, sossegue Dilmita, a Julie não abandonou a história. Ao menos, até o presente momento.

Para Valson: Pelo dito, Harry não conseguiu segurar seus impulsos hormonais adolescentes, ahauhauaha! Aquele 'objeto duro' tocando a perna de Hermione e o gritinho dela de "Oh meu Deus, não acredito que isso tudo seja pra mim!", são a prova cabal, ahauahuahauahau!

Com isso... fui!

Hasta!

Inna