Preso em uma Rede

Tradução da Fic "Atrapado en una Red"

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Autoria: Anasazi

Tradução: Inna Puchkin Ievitich


Lembrete: Fiz a opção de não 'traduzir' os nomes próprios para o português, como o fez Lia Wyler (tradutora da série Harry Potter para o nosso idioma). Para os menos familiarizados com os nomes próprios em inglês, segue abaixo a relação daqueles que aparecem neste capítulo, com seus equivalentes em português, de acordo com os livros.

Tio Vernon – Tio Valter

Os feitiços:

Fregoteo – De "Fregotego". Adaptação em espanhol de "Scourgify", feitiço higienizador. Refere-se à "esfregão", ao ato de "esfregar", logo, ato de limpar.

Lumos Solara – Algo como "Luz Solar", isto é, o feitiço Lumos potencializado.


Capítulo 12

Vertigem

"Como quer que eu te esqueça?

Se teu nome está no ar

E sopra entre minhas lembranças,

Se já sei que não és livre,

Se já sei que eu não devo

Reter-te em minha memória.

É assim como eu contemplo

Minha tormenta de tormento.

É assim como eu te quero."

- Amaral, "Te Necesito" -

-------------------------

Ele estava tão perto.

Podia contar cada uma das sardas nas bochechas da garota, e as que adornavam a delicada ponta de seu nariz.

Podia distinguir cada um dos pêlos de seus cílios, tão longos, volumosos e suaves, que não podia deixar de pensar em como ele os sentiria se os roçasse com sua bochecha.

Podia sentir o ardente alento da jovem soprando contra seus lábios.

Podia sentir a perfeita forma com que o pequeno corpo dela se amoldava sob o seu.

"Um. Para. O. Outro."

O tempo não significava nada... este momento podia ter se prolongado por dias, horas, minutos, segundos.

Nada mais importava.

Não havia outro som no mundo que não fosse o som de sua respiração.

Não havia outro cheiro que não fosse o cheiro de sua pele.

Não havia outra visão que não fosse a de seu formoso rosto.

E não havia outra força gravitacional no universo que não fosse a que os lábios de Hermione exerciam sobre ele.

Harry recordava que há pouco havia se perguntado qual seria o sabor do brilho que ela usava nos lábios. Teria sabor de chocolate? Melão? Cereja? Talvez, morango?

"Só há uma forma de saber."

Na realidade, não era tão importante.

Harry sabia, como sabe que o Sol sempre segue a Lua, que seus lábios não seriam nada menos que uma delícia.

Hermione não havia se movido nem um centímetro, seu olhar enfocado intensamente no rosto de Harry, a cor de seus olhos uma mescla de marrom e dourado que ele nunca vira. Por uma fração de segundo, o olhar dela lembrou-lhe a maneira que uma mariposa noturna olha uma chama de fogo.

Hipnotizante.

Perigosa.

Esse momento era o mais aterrador e excitante da vida de Harry. Como era possível sentir tanto por uma pessoa? Harry quase riu ao pensar que um beijo poderia ser a recompensa por dezessete anos de dor, mas não podia deixar de pensar que, com um beijo... com o beijo DELA... todo o horror que lhe competira viver seria esquecido.

E finalmente, quando seus lábios estavam a ponto de tocar...

- HERMIONE!

Hermione girou a cabeça violentamente rumo a origem da voz antes que os lábios de Harry chegassem a seu destino, ocasionando que caíssem torpemente sobre a bochecha da garota.

O jovem soltou uma trêmula exalação ao sentir que as forças lhe abandonavam. Seus braços já não suportaram mais, e Harry deixou que seu corpo caísse por completo sobre o dela, sua testa descansando sobre os cachos espalhados sobre a verde grama.

- HERMIONE! HERMIONE! VOCÊ ESTÁ AQUI?

A realidade golpeou-lhe como um tijolo na cabeça.

Agora podia sentir as gotas de suor que haviam se acumulado em suas costas... podia sentir o cheiro da grama sob suas mãos... e, sobretudo, podia ver a expressão de pavor no rosto de Hermione.

- HERMIONE!

A voz intrusa se aproximava cada vez mais, e, com ela, a realização de que estivera a ponto de cometer o que muito bem podia ter sido o pior erro de sua vida.

- É Roger. – ouviu Hermione sussurrar em uma voz rouca e algo cortada. Novamente, Harry usou seus braços para erguer-se o suficiente para fita-la.

Hermione havia girado a cabeça, e agora olhava-o fixamente. Suas bochechas estavam ruborizadas com uma intensa cor rosa, o suor brilhava em sua pele como gotas de orvalho na manhã, e seus olhos estavam escurecidos e inescrutáveis.

"Está envergonhada."

"Está emocionada."

"Eu a repugno."

"Eu a atraio."

Harry tentou encontrar a valentia para olhar diretamente nesses olhos hipnotizantes.

"Por que ela não me empurra?"

"Por que a assustei..."

- HERMIONE!

"Por que ela não se move?"

"Não... não sei..."

"Diga-lhe o que sente, Harry!"

"Não... não posso."

"Diga-lhe que você a quer!"

"Eu... eu..."

- Eu sinto. – Harry finalmente sussurrou, recusando-se a olhá-la nos olhos. Levantou-se do chão, sentindo de imediato a falta do calor que o suave corpo da jovem lhe provia. Limpou as mãos na calça antes de oferecer à ela sua mão direita, para ajuda-la a levantar-se.

Alguns momentos transcorreram antes que Hermione alcançasse com sua delicada mão a de Harry e a segurasse. Ainda evadindo seu penetrante olhar, ele ajudou-a a incorporar-se.

- Eu... eu sinto. – repetiu Harry torpemente, soltando-lhe a mão. Escutava seu coração trovejando em seus ouvidos enquanto Hermione sacudia a sujeira de seu corpo.

- Não se preocupe. – sussurrou Hermione com uma voz que não se parecia em nada com a sua. – Foi minha culpa. Me... me confundi no passo.

Subitamente, Hermione voltou a perder o equilíbrio. Os reflexos de Harry, bem apurados graças ao Quadribol, ajudaram-lhe a segura-la pelos braços e puxa-la para si a fim de evitar que caísse no chão novamente.

O contato durou apenas um segundo, mas o casto toque foi suficiente para provocar um suor frio na pele do rapaz. Seus olhos conectaram-se momentaneamente antes que Harry se obrigasse a apartar o olhar. Esses olhos que haviam exercido um magnetismo animal sobre ele agora lhe atormentavam, e ele se perguntava se algum dia poderia olhá-la novamente sem sentir que se perdia completamente neles.

Harry soltou-a tão logo ela recuperou o equilíbrio. Mal se perguntou porque ela dera um passo vacilante para trás, sem tirar seus olhos café de cima dele.

Finalmente, Harry viu Roger caminhando para eles.

- Aí está você! Eu já começava a me preocupar. – disse Roger, dando um grande sorriso a Hermione, e simultaneamente enviando um olhar de poucos amigos em direção a Harry. Ele tinha que dar os parabéns a Roger... a forma como podia fazer ambas as coisas ao mesmo tempo fugia do alcance de Harry.

- O q-que ocorre? – tartamudeou a jovem enquanto olhava para o chão. Harry deu a volta antes de dar-se conta de que Hermione evitava cruzar olhares com ambos os garotos. Ele caminhou uns dois metros antes de chegar até onde havia deixado sua Firebolt, levantando-a do solo bruscamente e jogando-a sobre seu ombro, tratando de ignorar a pressão crescente que sentia em seu peito.

- Oh. – disse Roger, seu sorriso diminuindo visivelmente. – Se supunha que nos encontraríamos na biblioteca. Íamos juntos trabalhar em nossa tarefa de Runas Antigas.

Harry pensou que devia sentir-se encantado com o fato de que Hermione houvesse esquecido de seu encontro com Roger, por estar com ele. Mas a única coisa que conseguia sentir era o intenso desejo de que a terra se abrisse e o engolisse.

A expressão no rosto de sua amiga quando ela deu-se conta de que ele a beijaria estava permanentemente gravada em seu cérebro. Acaso o que via em seus olhos era confusão? Surpresa? Repugnância?

- Ah, sim... é que eu estava montando em Harry... digo, a vassoura... montando na vassoura de Harry e... bem... – tentou explicar Hermione, passando suas mãos nervosamente por sua selvagem melena e arrumando a bainha da camisa, assegurando-se de que não houvesse nenhum milímetro de pele exposta à noite.

"Nunca a vi tão nervosa."

"Eu a aterrorizei."

- Não se preocupe, amor. Em outro ocasião, você pode me recompensar por ter me deixado plantado. – respondeu-lhe Roger, regressando seu sorriso vitorioso, ao tempo em que lhe dirigia uma piscada brincalhona.

Os punhos de Harry se cerraram instintivamente quando imaginou que tipo de recompensa Roger tinha em mente.

"Vou matá-lo."

Harry fez o impossível para não olhar o casal parado a seu lado.

- Ademais, vim para informá-la que McGonagall está nos procurando. – continuou Roger, fechando a distância entre ele e Hermione ao pôr seu braço sobre os ombros da jovem.

Por um instante, Harry pensou que Hermione parecia incômoda com as expressões de carinho do Ravenclaw, mas rapidamente descartou o pensamento como sendo a incoerência de um tolo apaixonado.

- Está? – perguntou de modo ausente Hermione. Devia haver algo de muito interessante em seus sapatos, porque seus olhos estavam cravados neles.

- Sim. Flitwick precisa de ajuda com as decorações do Salão Principal. – acrescentou Roger, o qual começou a traçar círculos no ombro de Hermione com seu dedo polegar.

Harry sentiu-se enjoado e sem fôlego, como se todo o oxigênio tivesse sido sugado de seus pulmões.

- Hm... sim... creio que então devemos ir. – murmurou a garota, seu olhar ainda cravado no úmido solo.

Uns instantes de silêncio pesado caíram sobre eles como um manto, até que Hermione perguntou a Harry: - Você vem?

Harry ergueu a cabeça para olhá-la; Hermione ainda olhava seus sapatos com interesse, negando-se a conectar seus olhares.

- Em um minuto. – resmungou Harry. A verdade era que não confiava em que suas pernas funcionassem nesse momento.

Harry mal notou o cenho franzido de Roger enquanto este tomava Hermione pela mão e começava a guiá-la para o castelo.

Permaneceu olhando sem ver o casal, enquanto estes se afastavam dele, Roger praticamente puxando a mão de Hermione, cujas pernas pareciam traí-la.

Perguntou-se se sua amizade voltaria a ser igual a antes.

Provavelmente não.

Hermione provavelmente recordaria sempre a noite em que seu bom amigo havia se aproveitado de sua vulnerável posição para beijá-la, e nunca lograria estar completamente cômoda em sua presença.

E quanto a ele... Poderia sobreviver vendo-a assim? Nos braços de outro homem?

Provavelmente não.

E nesse estado de aceitação silenciosa, Harry deu-se conta de que, provavelmente, a raiva que sentia para com Roger havia desaparecido.

O melhor homem havia ganho.

E Harry amava demasiado Hermione para arruinar-lhe isto.

Queria apenas que ela fosse feliz... embora que não fosse com ele.

- Hermione! – gritou Harry quando ainda podiam lhe ouvir. Ao instante, Hermione se deteve e girou para olhá-lo, seus brilhantes olhos magnéticos ainda na distância.

- O que deseja, Harry? – a jovem perguntou suavemente nessa voz que parecia a de uma estranha. Os olhos de Roger se moviam de Hermione a Harry e vice-versa, em silenciosa interrogação.

- Não esperemos outros sete anos para voltarmos a voar. – disse Harry, conseguindo esboçar um pequeno, mas sincero, sorriso.

Na escuridão, pode ver Hermione devolver-lhe o sorriso. Assentiu com a cabeça e voltou-se, caminhando lentamente de volta ao castelo junto com Roger. O loiro lançou um último olhar de desconcerto para Harry, antes de devolver a atenção à sua formosa acompanhante.

Harry não pode tirar os olhos de cima até que desapareceram pelas portas do castelo.

E com eles, a esperança de que finalmente havia encontrado o que o destino havia lhe negado.


25 minutos depois.

Salão Comunal de Gryffindor

- Por Merlin! Onde, diabos, ele se meteu? – reclamou Ron, recostando sua cabeça sobre as mãos. Luna, Ginny, Neville e Ron observaram Harry e Hermione no campo através de uma das janelas da sala comum, mas os haviam perdido de vista quando eles começaram a caminhar para o castelo.

Trinta minutos depois, ainda não tinham pista deles. Os quatro amigos já se encontravam sozinhos na sala, já que se aproximava meia-noite.

- Talvez, Harry a jogou em um armário e estão se beijando apaixonadamente neste instante. – sugeriu Ginny, com um sorriso sonhador. Neville não pode fazer mais que olha-la e sorrir.

- Tenho que voltar para meu dormitório. – Luna bocejou, apertando o ombro de Ron ao tempo em que acrescentava: - Vai ficar bem, querido?

Soando mais forte do que teria desejado, Ron respondeu? – Ficarei bem quando souber o resultado desse pequeno truque que acabamos de lançar!

A infinitamente paciente, Luna limitou-se a fitá-lo com seus olhos de cristal azulado e uma expressão de compreensão que parecia reservar apenas para ele. Acariciando sua bochecha delicadamente com o polegar, os olhos de Ron pediam-lhe desculpas.

- Perdoe-me, Luna. É que estou bem nervoso. Harry realmente precisa...

Não conseguiu completar a oração quando o quadro da Mulher Gorda se abriu e Harry entrou na sala, com um aspecto que lhes fazia recordar algo que Crookshanks havia vomitado.

- Onde você estava? – perguntou Ron com o cenho franzido, na esperança de que Hermione estivesse prestes a entrar depois de Harry, e sentindo-se infinitamente decepcionado que o quadro se fechasse detrás de seu amigo.

- Por aí. – murmurou Harry sem erguer os olhos do chão, enquanto arrastava seus pés até as escadas rumo a seu dormitório, sua amada Firebolt deixando uma visível marca no tapete ao arrastá-la pelo piso detrás de si.

Os quatro amigos compartilharam um olhar de preocupação. Isto não era exatamente o incrivelmente feliz Harry que eles esperavam encontrar.

- Harry, o que aconteceu? – perguntou Ginny, erguendo-se de seu assento e parando ao lado de seu irmão.

- Como 'o que aconteceu?' – respondeu Harry sem vontade.

- Entre você e 'quem você sabe quem'. Nós os vimos voar juntos. – continuou Neville.

- Com Voldemort? – disse Harry com amargura em sua voz, enquanto continuava seu caminho, rodeando-os e aproximando-se da escada.

Ron ignorou o pequeno tremor que lhe percorria o corpo ao ouvir o nome do Senhor das Trevas; não o deixaria ir assim. Rapidamente levantou-se do sofá e agarrou Harry pelo braço para detê-lo.

- Não esse "Quem-você-sabe-quem"... estamos falando de quem você sabe que o deixa louco ao simplesmente sorrir. – sussurrou Ron com seriedade.

Harry olhou para sua direita para observar Ron, e finalmente soltou um suspiro. Não se podia negar que Ron e os demais esperavam que algo mágico acontecesse entre ele e Hermione nessa noite. Lamentavelmente, apenas lhes aguardava uma grande decepção.

Acaso era ruim que uma pequena parte dele se alegrasse de que não fosse o único cuja bolha explodiria essa noite?

- Sim, fomos dar uma volta. – foi a única coisa que Harry logrou dizer, ao tempo em que soltava seu braço do agarre de ferro de Ron.

- E? – perguntou Luna, sua usualmente voz sonolenta com um estranho tom de gravidade.

- E Roger chegou e a chamou... e ela se foi com ele. – murmurou Harry, enquanto ia subindo as escadas. Não tinha vontade de pensar no que havia acontecido, muito menos de falar sobre isso... e definitivamente não tinha desejos de compartilhar o fato de que Hermione lhe rechaçara o beijo.

- PORRA! Aquele pomposo filho da pu... – disse Ron entre dentes, olhando o homem em pedaços subir as escadas. Ninguém sabia o que dizer para suavizar a situação.

Estavam seguros de que seu "plano" funcionaria, ou ao menos ajudá-los-ia um pouco a aproximar-se... mas parece que explodiu-lhes na cara.

Inesperadamente, foi Neville quem deu em cheio. Antes que Harry chegasse ao oitavo degrau, o rapaz perguntou: - Harry, você disse à ela?

- DIZER O QUE? – falou Harry de maneira cortante, seus olhos brilhando perigosamente. Começava a sentir-se furioso sem nenhum motivo particular.

- O que sente por ela. – adicionou Ron com seriedade, acertando a linha de pensamento de Neville.

Harry sentiu seu sangue fervendo dentro de suas veias, e não conseguiu morder a língua antes de explodir: - QUE CARALHO SE SUPUNHA QUE EU LHE DISSESSE? "Hermione, eu bebi a Poção Número 9 de Ron e agora ESTOU LOUCAMENTE APAIXONADO POR VOCÊ. Mas poderia ser pior... EU PODERIA TER OLHADO PARA RON ENQUANTO A BEBIA!"

- Mas, Harry... – começou a dizer Ginny, porém não conseguiu mais que engolir suas palavras ante o olhar que Harry lhe lançou.

- Mas Harry NADA, Ginny! - gritou Harry.

Não foi até que viu o brilho de lágrimas nos olhos de Ginny, a qual dera um passo para trás, que Harry sentiu algo parecido a vergonha. Não estava sendo justo; eles não eram os culpados de que ele tomasse a poção. As intenções de seus amigos eram boas. Se tivesse que culpar a alguém pelo problema em que estava metido, somente poderia culpar-se a si mesmo.

Harry correu os dedos por seu indomável cabelo azeviche, respirando profundamente antes de dizer: - Olhem... eu sinto. É só que... quero que este maldito dia termine! Quero acordar deste pesadelo fodido que foi toda minha semana! Sei... sei que vocês tinham boas intenções, mas é que... já não posso mais com isto... não posso...

- Eu a desejo... mas não posso tê-la. – sussurrou o rapaz de olhos verdes, com aspecto tão impotente quanto o de um boneco de pano. Começou a subir as escadas com passo lento e pesado, como se levasse o peso do mundo sobre os ombros.

Os quatro amigos ficaram mudos. Não se presumia que acontecesse isso.

- Vou para cama. – foi a última coisa que Harry disse, antes de desaparecer de suas vistas.

Passaram-se vários minutos antes que eles continuassem sua conversa.

- Da próxima vez, seguimos minha sugestão e nos desfazemos de Roger por um par de horas. – murmurou Ron com grande raiva, desejando ter conseguido convencer seus amigos de sua idéia original: aplicar um Desmaius em Roger e joga-lo em um armário.

- Crê que haverá uma próxima vez? – Neville suspirou.

Ginny intercambiou um olhar com seu irmão. Sabia exatamente o que Ron estava pensando.

- Tem que haver uma próxima vez. – respondeu por seu irmão, instintivamente abraçando Neville e colocando a cabeça sobre o ombro do jovem.

Todos esperavam que Luna agregasse algo, mas ela permaneceu em um estranho silêncio, seu cenho franzido como se se encontrasse debatendo algo importante em sua mente.

- O que é, carinho? – Ron perguntou-lhe com suavidade.

- Se Harry tivesse bebido a poção enquanto olhava para você... se converteria em homossexual? – perguntou Luna inesperadamente.

Quando sua namorada começava a debater preferências sexuais, já era hora de ir dormir depois de um longo e tempestuoso dia.

- Acompanho-a até seu quarto... você precisa descansar. – suspirou Ron, passando seu braço por sobre os ombros de Luna e guiando-a até a porta. Com um coração pesado, saiu da sala, pensando em se era muito tarde para seus melhores amigos.

Se tivessem apenas a opinião de Hermione...


Mais tarde...

Harry não sabia quanto tempo levava na cama, quando sentiu o colchão afundar. Abriu os olhos pesadamente; seus arredores eram uma mescla de formas ondulantes e sombras que não podia distinguir. Sentando-se na cama, esteve a ponto de alcançar seus óculos no criado-mudo, quando sentiu uma delicada mão agarra-lo pelo pulso.

- Harry. – uma voz com a qual ele estava bem familiarizado sussurrou próximo a seu ouvido.

- He-He-Hermione? – gaguejou Harry, não necessitando em verdade de uma confirmação. Ele girou sua cabeça para a direita e tentou enfocar sua cansada vista. Efetivamente, sua melhor amiga encontrava-se sentada a seu lado, com a mão ainda envolvendo o pulso de Harry.

"O que ela faz aqui?"

Hermione ainda vestia a calça jeans e a camiseta curta com as quais fora ao campo de Quadribol. Os cachos rodeavam-lhe o rosto de tal forma que Harry mal podia engolir em seco. O reconhecimento de que estava na cama com o objeto de sua obsessão enquanto ele vestia apenas sua boxer, foi o suficiente para que o ardor lhe subisse às bochechas, e, com vergonha tratou de agarrar os lençóis para esconder-se debaixo deles.

"Hermione… em minha cama... Em. Minha. Cama."

Para seu completo assombro, Hermione inclinou-se sobre ele e o empurrou para trás, até que Harry se encontrou novamente deitado sobre a cama. Antes que pudesse perguntá-la que informação incrível ela havia descoberto em sua leitura noturna que não podia esperar até de manhã, viu que Hermione levantava os lençóis de sobre suas pernas, expondo-o à sua vista. E antes que pudesse confirmar que isto não era um plano de Voldemort para levá-lo a um estado catatônico a fim de livrar-se dele, Hermione sentou-se sobre seu colo, os joelhos ladeando o corpo de Harry, efetivamente prendendo-o sob seu delicioso peso.

"Oh. Santo. Deus."

- He-He-Hermione… o q-q-que es-tá fa-ze-ze-zendo? – murmurou Harry, tentando fazer com que seu sangue permanecesse na parte superior de seu corpo. Não era uma tarefa fácil.

- Harry, o que você ia fazer esta noite? – perguntou ela, sua voz apenas um sussurro.

- Qua-qua-quando? – perguntou o garoto. Esta noite? Como se supunha que ele lembrasse do que ia fazer esta noite? Neste momento, mal lembrava seu próprio nome!

- Esta noite... quando dançávamos. – ela respondeu com suavidade. Ele escutava o sorriso em sua voz, e deixava-o louco. Para piorar as coisas, ela se mexeu sobre ele, pondo ainda mais pressão sobre seu regaço, até ao ponto que Harry pensou que não sairia vivo desta.

- Pare. – disse o rapaz por entre os dentes, colocando suas mãos sobre os quadris da garota para detê-la.

- O que? – perguntou ela inocentemente.

- Não se mexa.

- Por quê?

- Porque... - Harry começou, sentindo muitíssima vergonha, mas sendo incapaz de concretizar uma mentira crível. – Porque sou de carne e osso.

Ouviu seu suave riso antes que ela respondesse: - A que se refere?

Não conseguiu responder a pergunta, mas quando finalmente logrou que ela estivesse quieta (ou foi ele quem parou de se mexer?), Harry atreveu-se a olhá-la no rosto e, com voz rouca, perguntou: - Diga-me a verdade, por que está aqui?

Hermione deitou-se sobre ele, até que seu rosto ficou a umas poucas polegadas do dele. Harry mordeu o lábio inferior, seu corpo traindo-o de mil e uma formas ao sentir o tecido da roupa dela roçando-lhe o corpo, torturando-o dos pés à cabeça.

"Não posso... não posso... esta é Hermione... não posso."

- Quero... saber... o que... você... ia... fazer... esta... noite.

- Esta noite? Nã-nã-não se-se-sei... hmmm... de q-que... hmm... fala? – respondeu Harry, fechando os olhos e tentando fazer o impossível para não pensar na garota que o tinha aprisionado à sua cama.

Sentiu que ela diminuiu a distância entre eles, até que podia sentir dentro de sua boca o mesmo ar que ela exalava, até que os cachos cor castanho faziam-lhe cócegas em suas bochechas, formando uma cortina ao redor de seu rosto.

- Creio que você sabe, Harry. – Hermione sussurrou, segurando as mãos do jovem nas suas e movendo-as, até que os nós dos dedos tocassem a cabeceira da cama.

Nunca estivera em uma posição tão vulnerável, e, contudo, tinha medo não porque não confiava nela... mas sim, porque não confiava em si mesmo quando estava junto à ela.

- Hermione... – gemeu em um som primitivo que jamais ouvira sair de seus lábios. Abriu os olhos, e o pouco que podia ver foi suficiente para deixá-lo sem fôlego.

Novamente, não pode deixar de pensar que provaria a própria morte por esses olhos hipnotizantes.

"Diga-lhe."

"... Não posso..."

"Por quê?"

"Porque é minha melhor amiga!"

"Ela está em sua cama! Sentada em seu colo! Tocando-o! Mas acaso você é realmente um idiota ou não se dá conta?"

"Conta de quê?"

"De que ela quer algo MAIS que ser sua melhor amiga!"

Ela se metera em sua cama na escuridão da noite.

Ela o prendera na cama.

Ela o estava tocando... e torturando... e parecia estar contente com os resultados que obtinha.

"Por Merlin! Ela me quer!"

E não era possível para um ser humano sentir-se mais feliz.

- Há algo que você deve saber. – sussurrou Harry com voz rouca, tratando de controlar os tremores de antecipação que corriam por todo o corpo, e combatendo o desejo de erguer os quadris. Tinha suficientes neurônios funcionais para soltar uma de suas mãos do agarre dela e coloca-la sobre a bochecha de sua amiga delicadamente.

- Sim, Harry? – sussurrou ela, seu tom de voz dando a entender que ela estava consciente de que já havia triunfado sobre a vontade do jovem.

O olhar de Hermione não podia ser descrito como algo menos que ardente, e, por uns instantes, não se ouvia nada exceto o som da agitada respiração de Harry. Ele tinha tanta vontade de dizer o que sentia por ela, mas sua voz lhe traía juntamente com o restante de seu corpo.

"Hermione não quer que você lhe diga o que sente."

"Ela quer que lhe ensine."

E, por Merlin, não havia nada que ele quisesse fazer mais em sua vida.

Movendo sua mão até a nuca de Hermione, Harry fechou os olhos e ergueu a cabeça, simultaneamente aplicando uma gentil pressão que ocasionou que ela se aproximasse ainda mais.

Sonhava com o momento em que seus lábios se fundissem com os dela...

Mas seus lábios tocaram apenas o ar.

Harry abriu os olhos subitamente e sentou-se sobre a cama. Seu peito ardia, e os lençóis haviam se enroscado em suas pernas como grilhões. Um gemido brotou em sua garganta quando a procurou na cama.

Estava sozinho.

Fora tudo um sonho.

"Grandioso. Simplesmente grandioso. Você não somente tem que pensar nela a cada minuto em que está acordado, senão agora também sonha com ela. Que felicidade."

Embora, tinha que admitir, fora um sonho incrível. Passou suas mãos por seu despenteado cabelo, que estava empapado do que ele admitiu ser suor. Até sua boxer parecia estar grudada a seu corpo de modo muito incômodo.

"Argh, não me diga que tenho que aplicar Fregoteo! Sou patético." - pensou o garoto, com muitíssima vergonha enquanto limpava uma particularmente grande gota de suor.

Porém, ela parecia estranha... era mais pesada que o suor. Levantou sua mão até o nariz para cheirar melhor. Tinha um aroma diferente... amargo... metálico. Havia cheirado esse aroma antes, mas não podia discernir nem onde nem quando.

Seis anos.

Uma bofetada do Tio Vernon.

Sua boca partida.

Um espesso e amargo líquido enchendo-lhe a boca.

E recordou.

Com um grito sufocado de horror, Harry alcançou com sua mão o criado-mudo e agarrou sua varinha. - Lumos.

Apenas para constatar que estava empapado de sangue.

E não era somente seu corpo... os lençóis... as almofadas... até as cortinas da cama jorravam sangue, tornando-se quase translúcidas sob a suave luz.

Correu as cortinas, pulou da cama, e estava pronto para chamar seus companheiros, quando encontrou-se com algo muito inesperado.

Suas camas... estavam no mesmo estado que a de Harry... ensopadas de sangue e coisas mais nauseantes.

O pânico o invadiu da pior forma. Começou a gritar seus nomes, mas a única resposta que recebia era o eco de sua voz rebotando nas paredes. Rapidamente recobrou o uso de suas pernas e correu para a porta. Abrindo-a de um violento golpe, saiu do quarto para pedir socorro, quando...

Percebeu que não estava na parte superior das escadas... mas na entrada do Salão Principal.

Ou, ao menos, parecia ser o Salão Principal. Mal havia luz o bastante para estar seguro disso.

"O que, diabos, está acontecendo aqui?"

Harry ergueu sua mão e sussurrou "Lumos Solara", e um brilhante raio de luz saiu de sua varinha e iluminou o recinto.

Era uma visão tirada de seus piores pesadelos.

Os joelhos de Harry lhe falharam, e um gemido escapou de sua garganta, sentindo-se como se um gigante lhe houvesse chutado na boca do estômago, deixando-o sem fôlego. Sua varinha caiu no chão com um clink, esquecida e abandonada.

O Salão Principal encontrava-se em um estado similar ao seu quarto, com manchas de sangue nas paredes, no teto e no piso, de uma horripilante cor vermelha.

No entanto, uma cena adicional ao Grande Salão realmente o aterrava.

"Isto não está acontecendo!"

Havia corpos pendendo do teto. Podia reconhecer o alvoroçado cabelo ruivo de seu melhor amigo, Ron, e a face redonda do antes sorridente Neville, e o longo e brilhante cabelo de Ginny, e os cachos loiros de Luna. Reconhecia os outros também: Dean, Seamus, Lavender, Parvati, Susan, Justin, Ernie, Colin, Dennis, até o próprio Roger... estavam todos ali... pendendo de finas fibras com aparência orgânica. Seus rostos estavam tão brancos quanto o papel, sua pele com uma cor enfermiça gris... e tão quietos como os próprios mortos.

Os olhos de Harry se moveram para baixo e sentiu uma onda de pânico como a que lhe invadiu a cabeça naquela noite fatal, no final de seu Quinto Ano. Tentou gritar, mas nenhum som saiu de seus lábios. Tentou mover-se, levantar-se do chão e correr, mas seu corpo não respondia.

"ISTO NÃO ESTÁ ACONTECENDO!"

Seus olhos estavam pousados sobre a figura de Hermione; ela estava presa no que... por falta de uma palavra melhor... era uma gigante teia de aranha. Ia de um lado da câmara ao outro, ela no centro, os braços elevados para o alto, os joelhos unidos, a cabeça pendendo sem força para um lado, seu cabelo caindo sobre seu rosto como uma cortina.

Imobilizado por uma poderosa força que ele não podia descrever, Harry viu como uma esfera de cor vermelha surgiu sobre a cabeça de sua amiga.

Hermione parecia tão pequena... tão vulnerável.

Como a presa que espera o seu predador.

"DEUS, NÃO! CORRA, HERMIONE, SAIA DAQUI!"

A orbe pulsou com mais brilho. Agora podia escutar um estranho silvo proveniente da esfera.

"NÃO! NÃO! ALGUÉM AJUDE-A, POR FAVOR!"

O frio recorreu-lhe o corpo, penetrando sua pele até congelar-lhe os ossos. Uma neblina gris começou a fumegar da esfera, e cresceu até converter-se em um violento tornado que rodeava Hermione.

Harry lutou contra o vento e o frio para manter os olhos abertos, mas duvidava que pudesse tê-los fechado mesmo que quisesse.

"Alguém... alguém, por favor... ajude-a... ajude-a..."

Viu como braços translúcidos apareceram do ar, e começaram a arranhar o corpo de Hermione. Ela alçou um pouco a cabeça, os olhos ainda cerrados. Não lutou contra suas ataduras. Apenas permanecia quieta, fosse porque estava atônita pelo que estava acontecendo ou por estar muito fraca para lutar.

"Vamos, Mione... Acorda, amor... você tem que ir embora... tem que sair daqui..."

O estranho silvo foi substituído pelo som de vozes. Harry não podia entender o que diziam, mas constatou que não precisava entender as palavras para saber que a situação estava progredindo de mal para pior.

Hermione abriu os olhos repentinamente, e Harry sufocou em um silencioso grito. Seus olhos não eram da cor mel que ele vira durante sete anos, mas sim cor prata, metálicos e refletivos.

E então, ela falou... e sua voz era uníssona com as vozes das trevas.

"Tudo está terminado."

A neblina se fechou ao redor do corpo da garota, tragando-a, e um grito que retumbava até nos próprios ossos ouviu-se no salão.

Harry sentiu que algo cálido e pesado caía-lhe sobre o corpo.

E sabia... simplesmente sabia... que esse líquido que agora podia provar em sua boca... que tinha esse cheiro que lhe mareava... que lhe caíra sobre os olhos e havia lhe cegado...

... era o sangue de sua amada.


Notas Finais da Tradutora:

(E depois de 1 minuto de silêncio, em memória ao fim trágico do capítulo)...

MWAHAUAHAUHAUAHAUC! Hermione se "explicando" (eu diria "se complicando") para Roger:

Ah, sim... é que eu estava montando em Harry... digo, a vassoura... montando na vassoura de Harry e... bem...

AHAUAHUAHAUAHAUAHAUHAUA! Confesso a vocês que eu titubeei na hora de traduzir/adaptar o verbo "montar"! Digo, o meu lado pérfido sorriu diabolicamente ante a perspectiva. ;) Bueno, vocês sabem... tanto em português, como em espanhol, "montar" significa "montar" mesmo como também pode ser substituído pelo verbo "trepar" (ahahahauahaua!). ;)

Trocando alho por bugalho, o trecho ficaria assim:

- Ah, sim... é que eu estava TREPANDO em Harry... digo, a vassoura... TREPANDO na vassoura de Harry e... bem...

Melhor seria se Hermione tivesse dito "é que eu estava montando COM Harry". Aí não tinha consciência séria que fizesse eu voltar atrás na idéia de traduzir como: "... é que eu estava trepando com Harry"!, ahauhauahaua!

Ah, sim, antes que me crucifiquem numa imensa teia de aranha, e me ponham de objeto gótico decorativo (ótimo para divertir criancinhas em época de Halloween), lembrem-se: A CULPA DO BEIJO NÃO TER ACONTECIDO, NÃO É MINHA. Culpem-se, antes, a si mesmos por não terem levado a sério o meu aviso deixado em uma nota de rodapé passada, quando eu disse que "o beijo poderá acontecer lá pra perto do final". Bom, ainda estamos no capítulo 12, e a fic tem 18 capítulos, logo... continuem lendo pacientemente e tenham fé (mwhauahauc!).

Culpem também a Anasazi pela pegadinha do sonho erótico!, ahahuahuahauahau! Aposto que muitos de vocês, a exemplo do pobre Harry, pensaram que 'aquilo' estava acontecendo (ou que estava prestes a acontecer) na cama de Harry! ;)

E antes que eu me esqueça... quem daqui ainda não leu a versão original, começou a fazer as relações entre os sonhos de Harry e os últimos eventos que repercutiram nos jornais do mundo mágico? ;)

Oh, eu não podia deixar passar: Pobre Harry tapado e complexado (entrelinhas: "moleque abestado duma figa"), tsc, tsc! Quando ele perceberá e aceitará que a atitude de Hermione, longe de aparentar repugnância, reflete a expectativa de uma mulher apaixonada em relação ao homem de seus sonhos? Ai, ai... E então?! O que vocês acham? Ele se declara para Hermione no próximo capítulo, ou enrola até o penúltimo capítulo? No final, vocês... NÃO DECIDEM NADA! APENAS SE CONTENTARÃO EM ACOMPANHAR O QUE JÁ FOI DECIDIDO POR VOCÊS!, MWAHUAHAUAC!

Bueno, vou-me, mas antes... – Inna pulando em cima dos leitores-leitores e dos leitores-resenhadores (Monique, Renata Kovac, jennifer, edilma, Morenadf, Hiorrana/Fernanda, Jéssy, Valson e Mayabi Yoruno)! Gracias a todos, também em nome da autora! Sobretudo em nome dela!

Um alô para a moça de nick "harryminhavida", que me enviou uma mensagem privativa: "Hello, honey! Eis aí o 12º capítulo! Espero que eu o tenha publicado a tempo de você não enlouquecer! ;) Segure as estribeiras da loucura, que em mais alguns dias chega o 13º capítulo! ;) Beijundão!

Para Morena: Quando eu digo que já li praticamente todas as fics em português e espanhol do FFNET... é porque a coisa é séria. ;-) A TlalGalaxia está no meu rol de autoras de cujas fics gosto. Essa fic, "Sin daños a terceros", e a "Tócame el corazón" (também da TlalGalaxia), estavam na minha mira há um tempo atrás. De fato, elas ainda estão na minha lista de "fics sob análise" (sim, propensas à tradução), só não faça perguntas difíceis do tipo "você vai traduzi-la", ou "quando". Eu até posso pensar em respostas simples para a questão da meta-psicogênese da propedêutica aritimética-trêmis-quântica, mas não para questões tão complexas como estas. ;) Beijo e cheiro, Mô!

Fui! – claro, sem novamente ter me dado ao trabalho de revisar o capítulo. ;)

Hasta!

Inna