Preso em uma Rede

Tradução da Fic "Atrapado en una Red"

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Autoria: Anasazi

Tradução: Inna Puchkin Ievitich


Capítulo 15

Você é

- Obrigado, Buckbeak... nos vemos logo.

Sentindo-se como se estivesse caminhando por entre a neblina, Harry deu a volta e afastou-se do hipogrifo, descuidadamente pulando a cerca e começando o caminho de volta para o castelo.

Não podia tirar as palavras dela de sua cabeça... nem tampouco podia parar de pensar no que essas palavras implicavam.

A pergunta permanecia... se Hermione, em realidade, estivera apaixonada por ele isso significava que ainda o estava? E se estava, por que saía com Roger?

Sentiu como o coração lhe saía do peito em apenas pensar na possibilidade de que havia perdido sua oportunidade com ela.

Mas, e se ela ainda compartia esses sentimentos por ele? O que esperava? A graduação? O desejo de Voldemort? Acaso esperava que Harry tirasse sua cabeça do traseiro e se desse conta de que a garota de seus sonhos estivera parada na frente dele durante todo esse tempo?

E nesse mundo de incerteza que ele habitava, Harry apenas estava seguro de uma coisa.

Tinha que dizer à ela.

E não era somente porque os efeitos da poção cessariam quando ele confrontasse seus sentimentos. Precisava dizer-lhe, porque sabia que ela merecia saber exatamente porque ele havia agido como um louco esta semana, porque não suportava Roger, e porque a noite de ontem fora a mais mágica em seus dezessete anos de vida.

Precisava dizer-lhe o quanto a amava.

Já desperdiçara muito tempo... não podia deixar passar um momento a mais sem deixa-la saber o que sentia.

O que acontecesse depois... se é que algo iria acontecer... estaria nas mãos de Hermione. Não mudaria o que ele sentia.

Nem agora... nem nunca.

Entrou no castelo, mal notando a música que vinha das portas fechadas do Salão Principal. O Baile da Noite das Bruxas já havia começado.

Brevemente, considerou entrar por essas portas, procurar Hermione entre a multidão e simplesmente dizer-lhe "Te amo", mas sabia que não se encontrava na sua melhor aparência, sem mencionar que, depois de passar um bom tempo com Buckbeak, tinha cheiro de cachorro molhado.

Encontrou os corredores desertos enquanto percorria o caminho para o Salão Comunal dos Gryffindor. Como esperava, encontrou-o vazio, exceto por alguns alunos do segundo e terceiro anos que estavam muito entretidos aplaudindo um jogo de xadrez mágico, para notar o jovem distraído que subia as escadas rumo a seu dormitório.

O quarto que dividia com os garotos estava vazio, embora em um grande estado de desorganização. As camas de Seamus e Dean estavam cheias de roupas, sapatos e outros artigos, como se estivessem aflitos para encontrar algo. No criado-mudo de Neville havia um artigo que Harry nunca antes vira ali... um pote de gel para cabelo. E Ron... que demônios era aquela penugem branca na cama de Ron?

A atenção de Harry foi rapidamente capturada pela estranha caixa que estava sobre sua própria cama. Tirou a gravata e jogou-a num canto, antes de pegar o pedaço de pergaminho que jazia sobre a caixa. Imediatamente reconheceu a enredada letra de Ron.

Ei Harry,

Fred e George me presentearam isso há um par de semanas, antes que Luna escolhesse outro... bom, outro disfarce para que combinássemos. Creio que lhe ficará bem... caso você decida nos acompanhar.

Seu amigo,

Ron

P.S.: Ela te espera, Harry. Não a deixe ir.

- Deus o abençoe, Ron... – sussurrou Harry com um sorriso agradecido, deixando o pergaminho sobre a cama, antes de tirar a roupa e entrar no banheiro.

Foi o banho mais demorado que Harry tomara em sua vida. O ardente líquido não lhe incomodava em absoluto, enquanto repassava uma vez e outra em sua cabeça os diferentes
cenários que poderia encontrar.

Nunca fora bom falando. De fato, apostaria que Ron era a única pessoa em toda Hogwarts que dava mais fora falando que ele.

Então... que palavras poderia utilizar para fazê-la entender o muito que sentia por ela? O que poderia dizer-lhe para fazer com que ela visse através de seus olhos que era a mulher mais maravilhosa do mundo e que seria uma honra para ele se ela lhe desse... lhes desse... uma oportunidade?

E o que diria ele se Hermione lhe confessasse que ela já não sente nada por ele? Sentiu seu peito comprimir-se enquanto recostava sua testa sobre o azulejo frio, deixando que a água lhe escorresse pelas costas. O que aconteceria, então?

Poderiam continuar sendo amigos? De sua parte, a resposta era um absoluto "sim". Seria difícil, seria doloroso, mas ela era uma parte tão importante dele que nunca poderia afastar, e se apenas puder estar a seu lado como Harry Potter, melhor amigo, então assim seria.

Mas... ela poderia aceita-lo como amigo sabendo o quanto ele a desejava?

"É de Hermione que você fala... Ela nunca o abandonará."

- Não há um eu sem você. – o sussurro dela ainda fazia eco em sua cabeça. E apesar da ansiedade, Harry sorriu.

Sabia exatamente como se sente isso.

Saiu da ducha e rapidamente se secou com a toalha ao retornar ao seu quarto. Vestindo-se com sua boxer favorita (uma que ganhou de presente de aniversário da parte dos gêmeos Weasley, com a palavra APANHADOR escrita em grandes letras na parte traseira), Harry abriu a caixa, tirou a fantasia e colocou-a sobre a cama.

Um sorriso surgiu nos cantos de sua boca; reconhecia o disfarce. Vira-o há alguns anos em um especial da BBC, sobre um compositor britânico.

Aqui está... o Fantasma da Ópera.

Harry tratou de não pensar no fato de que O Fantasma era a história de um homem desfigurado cujo amor por uma mulher não era correspondido. Duvidava que os-poderes-supremos usariam uma fantasia para tentar comunicar-se com ele. Ademais, as possibilidades de que Fred e George conhecessem o conto trouxa antes de comprar a fantasia eram quase nulas.

Teve que aplicar um feitiço sobre a calça negra para compensar o fato de que era mais baixo que Ron. A camisa branca ajustou-se perfeitamente em seu corpo, já que Harry tinha o peito e os braços mais largos que seu amigo. O colete com o bordado prateado era uma obra mestra têxtil, e se surpreendeu ao perceber que não lhe importava usar o laço branco que vinha com o disfarce. Meteu-se dentro do colete negro com facilidade antes de olhar seu reflexo no espelho.

Ainda com o caos sobre sua cabeça a que chamava de cabelo, Harry pensou que parecia quase decente.

Tentou arrumar seu cabelo, mas sempre acabava parando na parte de trás. Harry olhou reticente para o pote de gel na mesa de Neville; nunca antes usara isso, mas queria parecer o melhor possível para tentar capturar a atenção de Hermione, especialmente sabendo que teria que competir com Roger.

O gel fixador parecia que estava fazendo seu trabalho porque, pela primeira vez em sua vida, seu cabelo se comportava como o dos demais. Penteou-o para trás antes de pegar a máscara da caixa. Na verdade, queria utilizá-la (pensava que lhe ajudaria saber que Hermione não o veria ruborizar-se), mas ali encontrou um dilema, porque usar os óculos sobre a máscara o faria parecer ridículo. Porém, não usa-los significaria colidir em tudo o que lhe cruzasse o caminho, e provavelmente acabaria a noite visitando novamente a Senhora Pomfrey.

"Você é um bruxo, Harry. Pense como um."

Harry pegou sua varinha dentre as roupas que havia descartado sobre a cama e, tocando seus óculos, aplicou o feitiço Ilusionador. Viu como os óculos fizeram como o camaleão, adquirindo as cores e contornos de seu rosto. Removendo-os cuidadosamente, Harry colocou a máscara em seu rosto antes de pôr os óculos e parar diante do espelho.

Estava pronto.

Harry abandonou a segurança de seu quarto e saiu da sala comum dos Gryffindor, recorrendo o labirinto dos corredores de Hogwarts até o Salão Principal.

No caminho, algo realmente inesperado aconteceu.

Sua cicatriz ardeu.

Sentiu uma dor tão violenta que caiu ajoelhado no chão. Levou ambas as mãos à cabeça, respirando fundo pelo nariz, tentado lembrar das lições de Oclumência que Snape havia lhe dado.

"'Voldemort não pode estar perto... não pode ser... esta é Hogwarts... esta é Hogwarts... estamos seguros."

Harry sentou-se contra a parede enquanto o ardor começava a ceder. Não havia forma de que Voldemort e seus Comensais da Morte estivessem no castelo. Embora enfrentasse uma ameaça todos os anos desde que chegou aqui, sabia que o castelo de Hogwarts era o edifício mais seguro no planeta, com todos os feitiços de proteção aplicados para evitar a entrada daqueles que não eram bem-vindos.

"São apenas os nervos."

Harry pensou que era compreensível. Estava a ponto de ter a conversa mais importante de sua vida, sem incluir a revelação da profecia ao final de seu quinto ano. Suas mãos suavam apesar da temperatura amena, e teve que secar o suor da testa duas vezes antes de levantar-se e recostar-se de encontro a parede.

Sorriu fracamente; parecia que sua mente estava mais disposta a enfrentar o Senhor das Trevas do que dizer a Hermione o que ele sentia.

"Vou fazer isto, goste ou não."

Harry afastou-se da parede, o ardor reduzido a uma picante sensação sobre sua cicatriz, e continuou em seu caminho rumo ao salão.

Dobrando a última esquina, Harry chocou-se contra um inesperado objeto. O impacto foi tão forte que Harry caiu ao chão antes de dar-se conta do que estava ocorrendo.

"Grandioso. Primeiro a cicatriz e agora isto..."

- Ei, você está be... – mas suas palavras morreram em sua boca quando viu que a pessoa que se erguia do chão era nada mais nada menos que Draco Malfoy, vestido de escarlate e negro. A expressão no rosto de Malfoy era uma de total desprezo quando percebeu com quem havia colidido.

Instintivamente, Harry alcançou a varinha que havia colocado no bolso de seu colete enquanto se levantava. Não queria desperdiçar nem um momento mais, porém se Malfoy estava procurando problemas, iria encontrá-los.

- Nojento Gryffindor. – ouviu Malfoy sussurrar. Harry sentiu a raiva correr-lhe pelas veias, mas pensou em Hermione, e o desejo de chegar à ela foi mais forte que o desejo de brigar com este idiota. Mordendo-se a língua, Harry meteu a varinha novamente no bolso antes de passar ao lado de Malfoy.

Não dera dois passos quando ouviu Malfoy sussurrar: - Faça um favor a todos, Potter. Retorne e volte para o buraco de onde saiu.

Harry olhou por sobre seu ombro para ver o Slytherin desaparecer detrás da esquina. Hm... isso foi estranho, pensou Harry. Havia lhe chamado de Potter... não Potty, nem Cara Rachada, nem Santo Potter... não podia lembrar da última vez em que Malfoy havia lhe chamado por seu nome. E sua voz... as palavras foram enunciadas em um tom que Harry nunca ouvira Malfoy usar.

Retorne.

Sacudiu a cabeça... como se fosse dar importância a Draco Malfoy. Se o loiro tinha um problema com o fato de Harry ir ao baile, era problema dele.

Finalmente, Harry encontrou-se diante das massivas portas de carvalho que marcavam a entrada do Salão Principal. Podia ouvir a música de uma orquestra que vinha por debaixo das portas junto com dezenas de conversas alegras.

Por um instante, Harry sentiu tão forte sensação de pânico que considerou dar ouvidos ao conselho de Malfoy: retornar, ir para seu quarto e esconder-se sob os lençóis.

"Não vou retornar... não até que fale com ela."

Harry empurrou as portas e não pode fazer mais que admirar o que havia ante seus olhos.

O Salão Principal estava decorado para parecer-se com uma antiga casa de ópera. A lua cheia podia ser vista detrás de um gigantesco lustre de cristais que pendia do nada no meio do salão, e dezenas e dezenas de candelabros e esferas de luz levitavam sobre suas cabeças. As mesas das Casas haviam sido deslocadas para os lados, e estavam cheias até o topo com os mais deliciosos doces que Harry vira. Haviam erigido sacadas em ambos os lados, com cortinas penduradas de uma forte cor púrpura que chegavam até o chão, formando pequenos esconderijos.

O pouco que podia ver das paredes lhe surpreendeu, porque haviam adquirido vida. Cenas de histórias famosas se reproduziam a seu redor... o Conde Drácula com Mina Harker em seus braços, tocando delicadamente seu rosto apesar da paixão que ardia em seus olhos... o Dr. Frankestein abaixando o interruptor, um raio caindo uma e outra vez sobre a máquina que traria seu trágico monstro à vida... uma múmia egípcia erguendo-se de seu sarcófago e caminhando para um grupo de arqueólogos... um homem transformando-se na versão trouxa de um lobisomem e uivando para a noite... as três bruxas de Macbeth lançando ingredientes em seu borbulhante caldeirão enquanto recitavam seus feitiços, e muitas outras cenas de livros que não reconhecia mas que estava seguro de que Hermione havia lido antes de chegar ao seu nono aniversário.

"Amor, você fez o impossível... superou-se a si mesma."

Havia duas gigantescas escadarias que chegavam até um elevado cenário no qual antes ficava a mesa dos professores, com um grande palco sobre o mesmo. Neste se encontrava um bruxo de pouca estatura movendo sua varinha de lado a lado, dirigindo uma orquestra de fantasmas que tocavam suas flautas, oboés, violinos, trombetas e outros instrumentos que Harry não reconhecia.

No palco encontrava-se um bonito bruxo vestido com um casaco ao estilo trouxa, utilizando um microfone da década de 40 para cantar. Harry soltou uma gargalhada quando viu a Professora McGonagall, a Professora Sprout, a Senhora Pomfrey e a Senhora Pince paradas ao lado do palco, movendo seus copos de vinho ao ritmo da música e olhando para o cantor com óbvia admiração. Até a Professora Sprout se ruborizou quando o bruxo lhe piscou o olho. O Professor Snape parecia verdadeiramente incomodado com seu comportamento infantil, uma expressão de desgosto em seu rosto enquanto tomava de seu cálice, ao tempo em que Hagrid e Flitwick davam a impressão de que a qualquer momento começariam um dueto de canto e dança.

- Harry! Já era hora de chegar!

Harry sentiu uma palmada no ombro e olhou para o lado para encontrar Colin com um grande sorriso e uma formosa garota Hufflepuff a seu lado. Harry devolveu-lhe o sorriso antes de dirigir sua atenção ao grupo de alunos.

Por Merlin! Como queria ter uma câmera nesse momento! Seus companheiros estavam disfarçados de tudo o que é possível... vampiros e demônios... lobisomens e múmias... vermes-cegos e explosivins... mosqueteiros e jedis... mascarados com plumas de pavão real e máscaras de efeito, com chapéus altos e... aquilo era um coelhinho gigante?

Havia muitos alunos conglomerados na pista de baile, sacolejando de lado a lado ao ritmo da música, enquanto outros estavam parados nos cantos, conversando animadamente ao tempo em que se alimentavam com as delícias preparadas pelos elfos domésticos.

Um casal completamente vestido em couro negro estava se aproximando dele, e lhe custou um par de segundos dar-se conta de que a garota das roupas justas e o rapaz da capa que descia até o chão eram seus dois bons amigos, Ginny e Neville, vestidos como os personagens do filme Matrix. Tinha bonitas recordações do dia em que viram o filme todos juntos, quando passaram a noite na casa de Hermione depois de celebrar o aniversário de Harry.

- Uau, Ginny... você está... uau! – disse Harry com sinceridade, recebendo um grande sorriso da ruiva.

- Eu sei. E Neville não parece o suficientemente delicioso para se comer com uma colher? – respondeu Ginny, seus olhos voltando-se para o jovem a seu lado. Neville tossiu com força, suas orelhas pondo-se vermelhas como tomate enquanto murmurava algo que soava como "meu amor, aqui não".

- E Ron? – perguntou Harry, tratando de olhar por cima das cabeças de seus companheiros. Na realidade, estava tentando ver se podia ver Hermione por entre a multidão. Neville e Ginny compartilharam um olhar cúmplice e um sorriso secreto antes de olhar novamente para Harry.

- Quer ver meu irmão? Então procure pela coisa grande, branca e peluda pulando na pista. – sorriu Ginny. Harry franziu o cenho, seus olhos retornando para a pista de dança, onde reconheceu Luna, vestida com um bela túnica branca, seu cabelo trançado com fio dourado, seus grandes olhos brilhantes de alegria. E dançando com Luna estava...

O coelhinho gigante.

Oh, doce, doce Ron... em que você caiu?

Harry olhou novamente para Ginny e Neville com um olhar interrogante, e o casal respondeu sua pergunta silenciosa assentindo com a cabeça e esboçando grandes sorrisos. O rapaz de olhos verdes mordeu o lábio, mas não serviu de nada, e não pode mais que romper em risos. Já lhe doía o estômago quando conseguiu recobrar o controle, e já secava as lágrimas dos olhos antes de arriscar-se a dar outra olhada em seu melhor amigo.

- Não se preocupe... já pedi a Colin que tire uma foto dele... mal posso esperar que os gêmeos a vejam. – brincou Ginny. Viram quando Luna e Ron deixaram de dançar e foram até uma das mesas com bebidas.

- É nossa deixa. – disse Neville, e os três cruzaram o caminho até a grande bola de pêlo branco que era Ron. Luna foi a primeira a vê-los, sorrindo alegremente quando viu quem acompanhava Ginny e Neville.

- HARRY! - Luna disse com pouco característico entusiasmo, abraçando-o com tal força que por pouco o derruba. Ron sorriu de orelha a orelha quando viu seu amigo, dando-lhe uma palmada com sua mão peluda.

- E quem se presume que você seja, bela mulher? – Harry perguntou a Luna quando ela finalmente o soltou.

- Sou Diana, uma famosa bruxa da época greco-romana. Os trouxas chamavam Diana de Deusa da Natureza e... – Luna começou a explicar antes de ser interrompida por seu namorado.

- Amor, Harry não precisa de uma lição agora. – Ron murmurou timidamente.

- E você? O que tem a ver um coelho com Diana? – perguntou Harry, mordendo o lábio para tentar evitar rir de Ron em sua cara.

- Não é um coelho, Harry. É um gryndybuck... o aparentado de Diana, já extinto. Por Merlin, Harry... acaso não leu o editorial de O Pasquim do mês passado? Os restos de um esqueleto de GryndyBuck foram encontrados próximos de umas montanhas na Romênia. Uma criatura verdadeiramente fascinante! – Luna comentou com tal seriedade que fez com que a situação fosse ainda mais engraçada ante os olhos de Harry. Já Ron estava tão ruborizado quanto seu cabelo, mas ainda tentava manter sua dignidade diante de sua namorada.

- Mas é que Ron em realidade parece um coelhinho peludo. – Neville acrescentou, olhando para o ruivo com olho crítico. Para Ron, essa foi a gota d'água.

- Oh, pelo amor de Deus! NÃO sou um coelho! Olhem minha cauda! Acaso é uma cauda de coelho? – Ron disse, dando a volta. Verdadeiramente, sua cauda parecia a de um bebê dragão, incongruente em comparação com a pelugem branca que cobria seu traseiro. Como se a situação já não fosse suficientemente engraçada, Ron remexeu seus quadris, abrindo caminho a que Harry, Neville e Ginny começassem a gargalhar.

- Ah! São todos uns idiotas! – Ron grunhiu antes de voltar-se para sua namorada e dizer: - Amor, vou buscar algo para comer. Dançar tanto me abriu o apetite. – Depositando um beijo na bochecha da bela loira, voltou-se para Harry e ordenou: - Você. Venha comigo.

Harry, que não podia parar de rir, seguiu Ron enquanto atravessavam a multidão de alunos para o outro lado do salão. – Cale-se. – Ron disse entre dentes, quando sabia que haviam se afastado o suficiente para que Luna não os ouvisse.

- Eu sinto. – Harry sorriu, secando as lágrimas que novamente havia chorado. – É que... é que essa cauda é bastante ameaçadora.

- Não me importa o que vocês pensem. Vestir-me de coelho era a única forma de Luna vestir-se assim. Viu as pernas? São esbeltíssimas! E como a pele dela brilha... homem... sou um cara de sorte. – disse Ron com um sorriso bobo no rosto. – Vê-se também que nem Malfoy me incomodou com minha fantasia. Estou seguro de que é porque não pode tirar os olhos de cima dela!

Harry olhou para as portas para averiguar que Malfoy havia regressado. Estava parado à direita das portas, Crabbe e Goyle flanqueando-o. A expressão no rosto do Slytherin era uma inusualmente séria, ignorando completamente Pansy, que lhe estava mordendo a orelha, enquanto seus olhos grises pareciam procurar algo no salão.

Que raios havia fumado?

- Então... ver Luna tão bela faz com que tudo valha a pena? – Harry perguntou a Ron quando finalmente chegaram à mesa das sobremesas.

- Pode apostar que sim. – Ron sorriu antes de dar uma grande mordida na torta de abóbora. – E falando de coisas loucas que fazemos por quem amamos... já que você decidiu nos acompanhar... isso significa que vai falar com Hermione?

Harry esboçou um sorriso bastante nervoso, mas assentiu com segurança.

- Merlin! Mal posso esperar para saber como isso vai ser. – seu amigo disse, seus olhos brilhantes de alegria.

- Acredita que estou agindo certo, Ron? – perguntou Harry, sentindo-se na necessidade de receber a aprovação de seu companheiro.

- Você pode suportar a idéia de que Hermione não saiba o que sente por ela? – perguntou Ron com suavidade.

Harry conseguiu apenas sacudir a cabeça.

- Então, não espere mais. – Ron respondeu animadamente, dando-lhe uma brincalhona palmada no ombro.

Harry aproveitou a oportunidade para fazer a pergunta que temia e esperava fazer.

- Sabe onde ela está?

- Claro. Sempre mantenho o olho posto na garota do meu melhor amigo. – Ron respondeu, mordendo um delicioso bombom de chocolate. Fechou os olhos e sorriu sonhadoramente, saboreando o doce por tanto tempo que fez com que Harry perdesse a paciência.

- E ONDE ESTÁ? – balbuciou Harry. Ron apontou com seu rosto para a área da pista de dança que mais próxima de encontrava do palco. Harry procurou nessa direção, e custou-lhe somente uns segundo achá-la.

- Está linda, não?

Harry tinha apenas os neurônios suficientes trabalhando para acenar positivamente enquanto olhava para o objeto de seu desejo.

As pernas esbeltas e bem feitas de Hermione lhe convidavam a tocá-las graças às aberturas laterais que decoravam o formoso vestido branco, como uma deusa grega em todo seu esplendor. Harry sentiu que um tremor lhe percorreu o corpo quando deu-se conta do sensual decote que revelava mais de sua amiga do que ele vira, com um belo colar dourado que acentuava suas curvas naturais. Seus ombros estavam desnudos, exceto pelas delicadas braçadeiras douradas que mantinham o traje em seu lugar.

Pode observar uma ponta de brilho ouro e prata em seus braços e em seus ombros, e quase conseguiu imaginar como se sentiria se tocasse com as mãos na pele dela, como seria se afastasse as braçadeiras e beijasse seu ombro desnudo.

O rapaz desviou esses pensamentos de sua mente enquanto seus olhos seguiram com seu percurso. Deus. Como adorava esses gloriosos cachos! O cabelo de Hermione resplandecia a luz do salão, cada fio tão belo como seda egípcia. Seu rosto estava emoldurado por duas longas tranças presas na nuca por um broche de pele, exceto por algumas mechas que se rebelaram contra o confinamento. As mãos de Harry tremiam com somente pensar na possibilidade de enredar-se em seus cabelos, sentindo cada suave fio escorrendo por entre seus dedos.

E seu rosto... Deus, tenha piedade dele.

Hermione positivamente brilhava enquanto sorria para seu acompanhante, as mais adoráveis covinhas decorando seu rosto, com apenas um pouco de pó nas bochechas e brilho malva nos lábios. Ao invés de usar máscara, tinha brilho ao redor dos olhos e das bochechas, acentuando ainda mais sua surrealista beleza.

Como pudera estar tão cego? Como pode ter passado tantas noites estudando, falando, ou apenas sentado ao lado desta garota sem conceber a totalidade de sua beleza?

"Porque você a ama por quem ela é... não por como se vê."

- Vá atrás dela, tigre. – incentivou Ron, dando uma palmada no traseiro de seu amigo, que fez com que Harry soltasse um gritinho não muito masculino. O rapaz de olhos verdes olhou mal-humorado enquanto Ron se afastava, antes de alcançar um copo de suco de abóbora que tinha um aluno parado perto dele e tomar um gole. Sentia a boca tão seca e pesada que pensava que havia perdido a capacidade de falar.

Como o Mar Vermelho abrindo caminho para Moisés, os alunos na pista de dança inconscientemente abriram caminho para que Harry chegasse a seu objetivo. Logo reconheceu que o Pretoriano dançando com Hermione era nada mais nada menos que Roger Davies. Não sabia se era por causa dos ciúmes, mas pensava que o Ravenclaw parecia completamente ridículo com saia.

A canção que se ouvia no salão nesse momento chegou a seu fim, ocasionando que Roger e Hermione se separassem para unir-se a seus companheiros em um aplauso. O cantor anunciou uma pausa de cinco minutos, uma pausa que Hermione e seu par aproveitaram para procurar o que beber.

Harry permaneceu ali, parado, a um metro deles, secando as mãos suadas na calça, sentindo-se tão nervoso como quando ela lhe havia convidado a dar um passeio na vassoura, à luz da lua, pensando que depois de tudo talvez isto não fosse muito boa idéia.

Hermione certamente parecia estar desfrutando da companhia de Roger. O casal estava falando e rindo enquanto bebiam as cervejas amanteigadas que haviam pego na mesa.

"Isto é um erro. Quero dizer... se Hermione quer ter algo com Roger, quem sou eu para arruinar isso?"

"Pare! Apenas pare! Você veio aqui para deixa-la saber o que sente... Deixe-a decidir! Você deve muito mais que isso à ela..."

Antes de dar-se conta, Harry encontrou-se parado atrás de Hermione. Estava o suficientemente próximo para sentir o aroma da garota rodeando-o, e novamente encontrou sua boca tão seca que mal podia abri-la. Mas o som de sua voz lhe era tão familiar que se sentiu um pouco reconfortado ao ouvi-la falando com Roger sobre os feitiços nas paredes. Foi o suficiente para fazer com que o cérebro de Harry começasse a trabalhar novamente... embora não de todo.

"De acordo... você nunca esteve nesta situação antes... mas viu filmes sobre o tema. Sabe o que fazer. Apenas comporte-se encantadoramente... sedutor... suave... e ela não poderá resistir."

"Como se Hermione se impressionasse com essas coisas."

"Tem uma idéia melhor?"

"..."

"Foi o que pensei. Agora, que comece o jogo."

Aparentemente, Roger não reconhecia Harry em seu disfarce, julgando pelo fato de que ignorava completamente o rapaz parado atrás de sua acompanhante. Isso provia uma oportunidade de matar dois pássaros com um tiro só: cumprimentar Hermione... e incomodar Roger.

- Com sua permissão. – interrompeu Harry, fazendo o que podia para sorrir sedutoramente. – Estou procurando minha melhor amiga. Sabe? Prometi à ela que lhe concederia a minha primeira dança e... bom, há outras garotas esperando sua vez.

O ombro de Hermione havia se retesado um pouco ao ouvir a voz de seu amigo e, enquanto Roger olhava para Harry com uma expressão de confusão no rosto, a garota girou lentamente.

O sorriso de Harry... junto com seu plano de ser encantador, sedutor, natural e suave... foi por água abaixo.

- Harry? – disse Hermione com um grande sorriso, enquanto olhava para o rosto mascarado de seu melhor amigo. Harry conseguiu apenas assentir; ela parecia ainda mais bela a tão curta distância. Antes que ele pudesse saber o que acontecia, os braços de Hermione o envolveram em um cálido abraço que, timidamente, o rapaz devolveu, abraçando-a pela cintura com o mais suave dos toques.

- Me alegra tanto que tenha vindo! – a garota sussurrou em seu ouvido, antes que seus lábios deixassem sua marca na bochecha do jovem, justo sob a borda da máscara. Estava agradecido pelo disfarce, já que sabia que havia se ruborizado violentamente antes que ela o soltasse e desse um passo para trás.

- Também me alegro de ter vindo. – Harry sussurrou com voz rouca, antes de limpar a garganta nervosamente. Decidiu ser cortês com o acompanhante de Hermione e cumprimenta-lo: - Olá, Davies.

- Olá, Potter. Me alegra ver que você decidiu unir-se à nossa pequena festa. – respondeu Roger com... acaso isso era um sorriso de verdade? O que acontecia com o Monitor?

Harry observou que Hermione deu uma pequena cotovelada em Roger nas costelas, antes de devolver-lhe a atenção. Novamente, Harry experimentou a atração magnética que exerciam esses olhos caramelos sobre ele, e sentiu como se estivesse afogando no turbilhão de cores e sabores refletidos neles.

- Vo-você es-tá-tá linda, Hermione. – gaguejou Harry com nervosismo. Hermione abaixou a cabeça timidamente, suas bochechas enrubescendo levemente.

- Você tampouco não se vê nada mal, Harry. – lhe respondeu, erguendo a cabeça e alcançando com suas mãos o laço no pescoço de seu amigo, acomodando-o em seu lugar com destreza. O rapaz novamente sentiu a necessidade de liberar sua garganta de um obstáculo imaginário, enquanto buscava algo em sua mente – qualquer coisa – que pudesse responder sem soar como um verdadeiro idiota.

Um estranho silêncio prosseguiu, um que Harry usou para procurar seus outros amigos pelo salão, sentindo que precisava do apoio destes. Não os encontrou onde os havia deixado, mas sim encontrou Ron parado no palco, falando com o cantor enquanto apontava para algo ou alguém na parte de baixo. O que estava aprontando?

O plano de ron tornou-se evidente quando o cantor dirigiu a atenção aos alunos que ainda estavam parados na pista de dança e, olhando na direção geral onde se encontravam Harry, Hermione e Roger, disse no microfone: - A seguinte canção é dedicada ao sentimento mais maravilhoso do mundo... o amor... e à duas pessoas no salão que tiveram a sorte de tê-lo descoberto... 4... 3... 2... 1...

Tão logo as primeiras notas da melodia chegaram a seus ouvidos, Hermione esboçou um grande sorriso, o palco captando toda sua atenção enquanto dizia: - Que lindo! É uma de minhas canções favoritas. – Harry viu de soslaio que o olhar de Roger pulava de Hermione a Harry, e já voltava a seu lugar antes que o loiro soltasse um inesperado suspiro.

- Sabe de uma coisa? Estou cansado. Potter, se importaria de dançar com minha acompanhante? Estou seguro de que ela não quer perder a música. – disse Roger, com um pequeno sorriso brincando nos cantos da boca. Hermione parecia tão surpresa pela sugestão quanto estava Harry, julgando pela forma como olhou por sobre seu ombro.

Inesperado ou não, Harry não perderia esta oportunidade.

- Será um prazer. – suspirou Harry de modo solene, enquanto esticava a mão para Hermione. A garota parecia vacilar por um instante antes de colocar sua mão sobre a dele. Dando um último olhar a Roger por cima do ombro, deixou que Harry lhe guiasse para o centro da pista. O jovem não sabia se eram apenas seus nervos, mas lhe pareceu que o bater de seu coração era mais forte que o da bateria que marcava o ritmo da música.

- O que faz o GryndyBuck antes conhecido como Ron no palco? – Hermione inesperadamente perguntou, quando deu-se conta da presença de seu outro amigo. Ron parecia ter problemas caminhando entre a orquestra, porque no presente estava tentando desencaixar sua cauda de uma tumba que, graças a Merlin, não estava sendo soprada nesse momento. Harry murmurou algo que soava como "não faço idéia", antes de encontrar um lugar que lhe permitiria mover-se sem chocar-se com os outros casais.

- Este parece um bom lugar. – sussurrou Harry timidamente, ao tempo em que girava para ficar frente a frente com Hermione. A jovem assentiu imperceptivelmente, enquanto uma de suas mãos deslizava pelo braço de Harry até descansar na parte posterior do ombro. Deliciosos tremores percorreram as costas e a nuca de Harry, enquanto levantava a mão que ainda estava unida a dela e a colocava para o lado, permitindo que a outra mão repousasse sobre a pequena cintura, o que o fez dolorosamente consciente da cálida pele oculta sob a fina tela do belo vestido.

"Lembre-se, Potter... um passo para frente, um para trás... lado a lado. Você pode fazê-lo! Igual ao que você fez ontem... antes de cair sobre ela e tentar devora-la a beijos, claro."

Começaram a mover-se ao ritmo da música precisamente quando o cantor aproximou o microfone de si.

Você é...

O que mais quero neste mundo,

isso você é.

- Vo-vo-você es-tá-tá realmente belíssima, Hermione. Que-que-quem você é? – sussurrou Harry.

"'Excelente, Potter. Como se as mãos empapadas, o tremor e a expressão distanciada em sua cara não fossem o suficiente como para que ela saiba o idiota que é você."

- Você quer dizer, de que estou disfarçada? – ela perguntou, suas bochechas adquirindo uma tonalidade rosa com a confissão do rapaz.

Harry assentiu.

Meu pensamento mais profundo, também é você.

Diga-me tão somente o que fazer, aqui me tem.

- Sou Helena de Tróia. – respondeu Hermione.

- Helena, quem?

- Helena de Tróia. Francamente, Harry! Não se lembra de História da Magia?

A expressão singular no rosto de Harry era a única resposta de que a garota necessitava.

- Uma bruxa da antiga Grécia, de grande beleza e sabedoria, que ficou presa na luta de poder entre dois grandes impérios. – respondeu Hermione. Seus olhos mostravam uma expressão que Harry não pode ler quando acrescentou: - Diz-se que possuía um rosto pelo qual os homens lutavam e morriam.

Você é... quando acordo primeiro,

isso você é.

- Ah. Essa Helena. – respondeu Harry, esboçando um pequeno, mas sincero sorriso. – Agora posso ver a semelhança. – Ela olhou-o nos olhos, seu olhar mostrando tanta satisfação quanto incredulidade.

- Muito engraçado, Harry. Não creio que haja algum homem que lute por mim. – sussurrou ela, rindo enquanto acrescentava: - Eu apenas queria usar um vestido diferente.

O que faz falta à minha vida se você não vem.

A única coisa, preciosa, que em minha mente habita hoje.

Ele não compartilhava sua risada; de fato, a expressão no rosto do jovem mostrava tanta seriedade que a pegou desprevenida.

Como podia duvidar de si mesma? Como podia pensar que não era bela? Porém, em realidade, Hermione sempre fora insegura sobre seu físico.

Se apenas pudesse ver-se através dos olhos de Harry...

Olhando-se nesses poços profundos que ela chamava de olhos, Harry disse a única coisa que pensou que poderia fazê-la pensar duas vezes antes de duvidar de si mesma.

- Eu lutaria por você.

Que mais posso dizer?

Talvez posso mentir-te sem razão.

"E morreria por você."

Para não dizer menos, Hermione se surpreendeu tanto com a simples admissão que temporariamente quedou-se muda. Ele pensou que não somente lhe surpreenderam as palavras, mas também a inconfundível sinceridade em sua voz.

Mas o que hoje sinto é que sem você estou morto,

pois você é... o que mais quero neste mundo,

isso você é.

Seus olhares se conectaram por alguns momentos que pareceram durar uma eternidade, antes que Hermione desviasse o olhar e dissesse: - Obrigado, Harry. É... é muito doce de sua parte dizer isso. - Sorriu antes de acrescentar: - Embora não sei se posso confiar na opinião de um quatro-olhos que não tem seus óculos.

Harry riu suavemente, feliz com a familiaridade da conversa apesar das extraordinárias circunstâncias: - Quem disse que não os tenho?

- Ilusionador? – perguntou a garota, erguendo a sobrancelha em uma expressão incrédula. Quando Harry assentiu orgulhosamente, Hermione respondeu: - Você me impressiona, Senhor Potter.

- Faço o que posso. – respondeu Harry, seu olhar desviando-se para um canto da pista. Quase se engasga quando viu Ron, Luna, Ginny e Neville parados diante do palco, fazendo estranhos gestos com as mãos e gesticulando com a boca palavras que Harry não compreendia. Levou uns instantes para entender que seus amigos lhe diziam que se fixasse nos outros casais na pista do baile.

Harry fez precisamente assim, e se surpreendeu de ver que Hermione e ele eram os únicos que dançavam desapegados. Os braços dos outros casais se rodeavam mutuamente, os cavalheiros pela cintura, as damas pelo pescoço, os corpos tão próximos que se roçavam. Olhando para seus amigos uma última vez, compreendendo que lhe estavam dizendo que se aproximasse mais de Hermione, Harry pensou que não era uma má idéia, já que se sentia a ponto de desmaiar, e ela podia ajudá-lo com o equilíbrio.

Você é... o tempo que comparto...

isso você é.

Com inusual confiança em si mesmo, Harry levou a mão que ainda estava na mão de Hermione, à sua nuca e deixou que a mão da garota descansasse ali. Hermione apenas lhe olhava com uma expressão de curiosidade no rosto. Nesse momento, Harry não confiava em sua habilidade para comunicar-se, de modo que deixou que seus olhos falassem por ele enquanto deixava deslizar suas mãos lentamente pela cintura de sua amiga, até que rodearam por completo a pequena cintura.

- Não queremos chamar a atenção. – sussurrou Harry roucamente, quando apertou o agarre que tinha sobre a garota.

O que a gente promete quando se quer...

minha salvação, minha esperança e minha fé.

- Não... definitivamente não queremos isso. – murmurou Hermione, sua voz soando tão forçada quanto a de Harry. Foi nesse momento que ela fez o impensável e rodeou o pescoço de seu amigo com ambos os braços, reduzindo a distância entre seus corpos até o ponto em que roçavam um no outro.

Sou... aquele que amando-te ama como ninguém.

Sou.

Harry desejava mais que nada sentir esses cachos contra sua pele, esconder o rosto na curva desse formoso pescoço e nunca mais sair.

Hermione fechou os olhos e colocou sua testa sobre a bochecha do rapaz, como o fizeram na noite anterior.

Oh, Deus! Se sentir a tortura fosse assim, Harry desejaria ser torturado pelo resto de sua vida.

- Nunca disse a você... – ela disse a modo de conversa. – Adoro sua fantasia.

Aquele que te levaria o sustento dia a dia.

Aquele que por ti daria a vida,

esse sou eu.

- Reconhece? – perguntou Harry, hipnotizado pela maneira com que ela lhe acariciava o cabelo, com a ponta dos dedos.

- Claro. – ela riu.

Ele não pode fazer mais que rir enquanto dizia em tom brincalhão: - Não me diga... você leu o livro quando tinha dez anos de idade.

- Sete para ser mais exata. – respondeu Hermione, erguendo a cabeça o suficiente para olha-lo nos olhos e brindar-lhe um sorriso.

"Essa é minha Hermione."

- Gostou? – perguntou, sentindo como o alento lhe retornava à boca ao chocar contra a pele da jovem.

Aqui estou a seu lado

e espero aqui sentado

até o final.

- Muito. – ela sussurrou. Com seu olhar perdido em algum lugar de sua memória, ela agregou: - Embora nunca tenha gostado muito do final.

- Por quê? – Harry perguntou com genuíno interesse, sem dar-se conta de que seus próprios dedos estavam traçando figuras nas costas de Hermione.

- Pelo fato de que nunca pude entender porque Christine escolheu o amor de Raul e não o do Fantasma.

Não imagina o que por ti esperei

pois você é o que eu amo neste mundo,

isso você é.

- Você pode imaginar o que é ter alguém que te ama assim? Daria qualquer coisa para saber o que se sente. – concluiu Hermione.

Cada minuto em que penso,

isso você é.

"Eu te amo assim."

O que mais zelo neste mundo,

isso você é.

Harry e Hermione não se deram conta de que havia chegado o fim da música, a julgar pelos seus braços que ainda se envolviam mutuamente enquanto continuavam movendo-se de lado a lado.

Hermione não sabia se era porque não estavam se ocultando atrás dos óculos, ou se porque seu rosto estava emoldurado pela delicada máscara branca, mas pensou que nunca vira essa tonalidade de verde que agora via nos olhos de Harry, como o verde de uma fértil montanha antes de ser açoitada por uma tormenta.

Harry achou que o momento havia chegado. Planejara falar com ela, explicar-lhe seus sentimentos e intenções, e perguntar-lhe sua opinião. Porém, isto... este turbilhão em seus olhos cor caramelo... a forma como seus lábios se entreabriram, o brilho lampejando com o reflexo da luz do salão, tentando-o como o próprio Diabo... seu hálito, com esse aroma tênue e deliciosamente doce... tudo era demasiado.

Não havia homem sensato que pudesse resistir.

Harry não pode fazer mais que começar a diminuir a distância entre ambos.

"Isso você é."

... Apenas para perder o equilíbrio quando alguém chocou-se contra ele.

"MALDIÇÃO! NÃO OUTRA VEZ!"

Harry recobrou o equilíbrio precisamente antes que caíssem ao chão, e ajudou Hermione a fazer o mesmo. Depois de assegurar-se que sua amiga estava bem, rapidamente girou para ajustar contas com a pessoa que o havia interrompido.

Identificou as costas de Goyle ao tempo em que este saía da pista de dança com sua acompanhante de mãos dadas. Harry se viu tentado a sacar a varinha do bolso e amaldiçoar o Slytherin até o quinto dos infernos, mas tudo foi olvidado quando sentiu uma mão muito familiar sobre seu braço.

- Esqueça-o, Harry. – sussurrou Hermione suavemente, enquanto tomava seu lugar ao lado do rapaz. – Não deixe que esse neandertal arruíne a sua noite.

Harry fitou-a, sua mão buscando automaticamente a mão dela, sentindo que ela lhe apertava os dedos candidamente em sinal de apoio.

- Bom, Senhor Potter, você já me presenteou com sua primeira dança da noite. – disse Hermione, olhando por um momento seus dedos entrelaçados antes de erguer o olhar. – Está livre para ir pelo salão e impressionar outras garotas com seus dotes de dançarino.

Piscou-lhe um olho antes de voltar-se e dar dois passos em direção às mesas.

"Oh, não... nem pense que eu a deixarei ir tão facilmente."

Antes que ela pudesse afastar-se, sentiu que Harry apertou o agarre que tinha sobre seus dedos, e pouco a pouco a atraiu novamente para ele. Hermione olhava-o sobre o ombro, uma expressão de estranheza em seu rosto.

- Hermione, tenho... tenho que falar com você... em algum lugar mais... mais privado...

- Agora? - perguntou Hermione, franzindo o cenho levemente.

"Sim... porque sou um covarde com tudo aquilo que diz respeito a você e não sei quando voltarei a ter a coragem de dizer-lhe o que sinto."

Harry limitou-se a dizer que sim.

Sentiu-se visivelmente aliviado quando ela finalmente sorriu e disse: - Certo. Deixe-me dizer a Roger. - Desta vez, Harry permitiu-a que se afastasse rumo às mesas enquanto ele saía da pista. À distância, viu quando ela encontrou Roger, que estava parado falando com três Hufflepuffs muito bonitas, vestidas como as Bruxas de Eastwick, e lhe sussurrou algo ao ouvido.

Aparentemente, o par de Hermione parecia procurar no salão por algo ou por alguém, e Harry sentiu-se um pouco desconcertado quando viu que os olhos de Roger detiveram-se nele. Sentiu-se nervoso sob o agudo olhar, antes que o Ravenclaw devolvesse a atenção a Hermione e, brindando-a com um estranho sorriso, sussurrou-lhe algo ao ouvido antes de dar-lhe um terno beijo na bochecha.

Harry queria sentir ciúmes ao ser testemunha dessa amostra de afeto, mas, inesperadamente, viu que não podia. Havia algo estranho na interação que observara esta noite entre Roger e Hermione, algo que ele nunca antes vira. Roger parecia mais genuíno e relaxado diante de Hermione, e ela certamente parecia desfrutar dessa mudança.

"Isto significa que cheguei tarde?"

Esse único pensamento lhe atormentava enquanto observava Hermione despedir-se de Roger e começar a caminhar para ele. Os olhos lhe ardiam, porque não se atrevia a piscar por medo de perdê-la na multidão, até que encontrou-a parada a seu lado.

Hermione tomou-lhe a mão, apertando-a suavemente, com um sorriso no rosto que fazia com que o coração de Harry começasse a dar saltos.

- Sou toda sua, Harry.

- Q-q-que? – engasgou-se. Graças aos céus não estava bebendo nada nesse momento, ou Hermione teria acabado molhada dos pés à cabeça.

- Você queria conversar... em um lugar mais privado... não? – Hermione mencionou, novamente mostrando desconcerto ante o peculiar comportamento de Harry. - Quer ir à sacada? Você parece um pouco pálido... – ela sugeriu, sua expressão passando de desconcertada à preocupada. – Um pouco de ar fresco não lhe fará mal.

- Sim... vamos... – sussurrou o jovem, permitindo que Hermione lhe guiasse de mãos dadas para as cortinas, que ocultavam as portas para a sacada destas.

Havia chegado o momento da verdade.


Notas Finais da Tradutora:

Momento "recordar é escarnecer outra vez" 1:

Vestindo-se com sua boxer favorita (uma que ganhou de presente de aniversário da parte dos gêmeos Weasley, com a palavra APANHADOR escrita em grandes letras na parte traseira)...

APANHADOR é menos mau. Se fosse a palavra GOLEIRO escrita na parte traseira, eu duvidaria da boa intenção dos gêmeos. ;-)

Momento "recordar é escarnecer outra vez" 2:

Claro, não poderia faltar o GryndyBuck antes conhecido como Ron balançando o popozão:

- Oh, pelo amor de Deus! NÃO sou um coelho! Olhem minha cauda! Acaso é uma cauda de coelho? – Ron disse, dando a volta. (...) Como se a situação já não fosse suficientemente engraçada, Ron remexeu seus quadris...

Sem comentários adicionais (AHAUHAUAHAUAHUAHAUAHAUAHAUHAUA!).

Bueno, bueno, eu estive e estarei viajando a trabalho até dezembro, e isso explica e explicará as possíveis demoras na atualização da fic. Eu sei que é pedir demais, mas conto com sua compreensão. :-)

Felizmente, nas viagens a trabalho eu levo o notebook comigo com muitos dos arquivos que tenho no PC, incluindo esta tradução. Como só faltavam mais alguns parágrafos para concluir a tradução do presente capítulo, eu a terminei no quarto do hotel e usei o serviço de internet disponível para posta-lo. Espero que tenham apreciado o capítulo tanto quanto eu gostei de traduzi-lo - eu disse 'traduzi-lo' e não 'traduzi-lo e revisa-lo'. ;-)

Deixo como sempre os meus muitos beijos e abraços e amassos a todos vocês, leitores desta despretensiosa tradução da fic de Anasazi, e em especial aos resenhadores de plantão (hhgranger, Mayabi, dora, Monique, Hiorrana e Fernanda, Edilma e Jéssy, aquele cheiro!) que, com carinho, dão-se ao trabalho de deixar reviews ainda quando estão desobrigados. Muchas gracias, hermanos y hermanas! Claro, sempre em nome da autora, que merece todos os créditos!

Hasta, entonces! E cuidem-se!

Inna