Categoria: Romance Yaoi
N/A Eu não possuo Saint Seiya, infelizmente, garanto que iria ser mais legal vê-los namorando...Pra quê tanta luta? Paz e Amor...Voltando da viagem...Saint Seiya é propriedade de Kurumada, Toei e Bandai e essa fic não tem fins lucrativos.
Os pensamentos e Flashbacks aparecem em itálico.
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Mu tinha acordado cedo no domingo de manhã. Tinha que pensar no que fazer. Era verdade que não queria deixar o loiro, mas tinha que avisar a polícia do ocorrido pois ele ainda não se recordara de nada. Estava sentado no sofá e ouviu um barulho vindo do quarto que indicava que ele havia acordado. Quase não assistia televisão, não gostava muito de noticiários, nem procurava ler jornais e revistas. Era um pouco desligado do mundo.
Após alguns instantes o loiro apareceu na sala, vestido com uma das roupas que Mu havia lhe emprestado.
-Bom dia, Mu. –o loiro disse, sorrindo.
-Bom dia. Vamos tomar café? –perguntou sério, e o outro fez um sinal afirmativo com a cabeça, estranhando o tom de voz do outro.
Enquanto comiam o desjejum nada falaram. O loiro olhava para Mu atentamente, já tinha terminado de comer, assim como Mu, só que o outro ainda tomava uma xícara de café lentamente.
-Mu. –chamou-o sem conseguir mais agüentar aquele clima estranho entre os dois. Quando Mu o olhou, ele perguntou um pouco ansioso: -O que está acontecendo? Eu posso não te conhecer bem, mas sei que está estranho.
-É que... eu acho melhor avisar a polícia de que está aqui. –disse, um pouco hesitante e sem olhá-lo.
-Me deixa ficar mais algum tempo aqui... três dias... se eu não lembrar de nada, você avisa a polícia. Vai, por favor. –pediu.
-Por que está me pedindo isso? –perguntou Mu, olhando-o nos olhos.
-Não sei... eu... acho que não foi uma simples coincidência ter vindo parar aqui. –olhou para Mu e ficou um pouco constrangido, Mu sorriu. –E-eu sei que é besteira, mas é que...
-Eu sei o que você quer dizer, não se preocupe. Minha intuição também me diz que você não veio até mim por acaso e eu... também não quero que vá embora. –disse, sincero.
-Não quer? –perguntou o loiro.
-Não. Mas o certo a fazer é realmente avisar a polícia... Podem me acusar até de seqüestro, sabia?
-Eu sei, mas se te acusarem, eu testemunho a seu favor... e...
-E você... não sabe nem mesmo quem é. Talvez apenas seu testemunho não valha. –O loiro abaixou a cabeça triste. –O que quer fazer hoje?
-Como? –perguntou o outro surpreso.
-Amanhã, eu decido o que fazer... Mas hoje vamos sair para algum lugar. O problema é só que eu não tenho muito dinheiro, mas... Hum... tem um parque a uns 20 minutos daqui que é muito bonito... Não o parque em que te encontrei, um muito mais bonito. Vamos?
-Sim. –respondeu o outro, sorrindo.
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Viu Shaka vindo na sua direção.
-Divertindo-se?-perguntou irônico.
-Sabe que eu não suporto essas festas. –responde o outro, sentando-se ao seu lado.
-Mantenha a classe. –disse Camus, sério.
-Eu sempre "mantenho a classe". –disse o loiro, rindo do conselho do outro.
-Bom, pelo menos a decoração é de bom gosto... Algumas festas são tão extravagantes. Céus! Algumas pessoas parecem achar que quanto mais brilho, mais luxo... –disse pensativo.
-Camus, deseja deixar a empresa pra ser decorador? –perguntou, rindo.
-Não me enche, pentelho! –disse rindo discretamente.
O salão do hotel em que estava ocorrendo a "festa de aniversário" da empresa estava decorado brilhantemente... Vários decoradores importantes tinham vindo, disso Camus sabia, mas não tinha certeza de quem havia sido escolhido para controlar uma das mais importantes festas de negócios do mundo, mas suspeitava devido a um detalhe.
-Afrodite? –perguntou, olhando para as várias rosas distribuídas lindamente pelo salão.
-O próprio. –respondeu Shaka, sorrindo.
-Só podia ser ele...
-Estaria ainda mais bonito se alguém não tivesse se metido na decoração... –disse Shaka, sorrindo de canto.
-Alice?? –perguntou, olhando para o amigo com uma sobrancelha erguida.
Shaka riu. –Já disse para ela não se meter nessas coisas... –Camus disse, um pouco irritado. Sua namorada tinha mania de se meter na sua vida.
-Calma, Camus. Acho que ela só quer participar mais da sua vida, ajudá-lo... –tentou dizer.
-Se ela não atrapalhasse ajudaria muito! –disse irritado, porém sem elevar o tom de voz.
-Camus, por que continua esse namoro? Eu tenho certeza que é só de fachada... Só a usa para comparecer aos eventos acompanhado.
-Ah, Shaka, estou cansado de ficarem tentando arrumar namoradas para mim o tempo todo. E Alice é extravagante, mas aceitável.
-Aceitável... –Shaka disse, balançando a cabeça em negativa. –Isso é coisa que se diga de uma namorada, Camus?
O outro deu de ombros. –A extravagância dela até ajuda... Os flashes se voltam menos para mim. –Namorava a garota também por ela ser filha de um importante empresário, apesar de nem de longe tanto quanto ele. Sabia que ela também não o amava e agradecia por isso.
Shaka balançou a cabeça novamente em desaprovação. Nesse momento, Alice veio na direção dos dois sorrindo e olhando para o namorado, parecendo um pouco ansiosa. Tinha os cabelos castanhos cacheados, belos e brilhantes soltos, chegavam até a cintura. Era apenas um pouco mais baixa do que Camus, tinha um belo tipo físico, um rosto adorável e olhos castanhos expressivos. Usava um vestido cinza de gala, com um corte perfeito que realçava o belo corpo, uma sandália alta prateada e um colar e brincos de brilhante terminavam o visual da moça.
-Gostou da decoração? –perguntou ao namorado. –Eu ajudei.
-Eu sei, e só por isso não ficou perfeita. –respondeu frio.
-Como?
-Já disse para não se meter nos meus assuntos.
-Eu só fiz isso para te agradar! –disse, indignada, chamando um pouco a atenção das pessoas à volta dos três.
-Como se você se importasse! Pensa que eu não sei que o seu querido primo John não é só seu primo? –falou com descaso. Shaka estava um pouco constrangido com a discussão dos dois.
-O que você queria? Olha o jeito que me trata! Eu não suporto isso. –falou, tentando manter a pose, porém um pouco abalada.
-É? Ótimo! Retire-se.
-Como?
-Para quê ficar perto de mim se não me suporta?
-Está tudo acabado. –a moça disse, mas parecendo um pouco em dúvida. Agora vários curiosos já olhavam a cena. Era importante que se casasse com Camus, seu pai dizia que a empresa deles não ia tão bem.
-Mas que ótimo! –disse Camus.
A moça saiu de lá com lágrimas de ódio e humilhação. Por sorte, não tinham ouvido o que Camus dissera sobre o seu primo.
-Parabéns, Camus! –Shaka disse, irônico.
-Você não queria que terminássemos??-perguntou, baixo.
-Mas precisava ser assim? –disse, também baixo. O outro olhou para outro lado, não respondendo. –Eu vou pegar algo para nós bebermos.
-Está bem.
Viu o amigo indo em direção à outra sala, e depois passou a observar ao redor. Vários convidados já tinham ido embora, mas tinha certeza que o término de seu namoro iria ser anunciado por todos as revistas no outro dia. A festa era proibida para a imprensa, porém ela sempre descobria as coisas e inventava outras por meio do que chamava de "uma fonte confiável que estava presente...". Fofoqueiros, era do que Camus os chamava.
Shaka voltou um tempo depois com duas bebidas, uma entregou a Camus e outra colocou em uma mesa do lado da poltrona do amigo. –Tenho que ir lá no jardim. –disse, saindo.
-Por que? –perguntou intrigado.
-Kanon está me chamando. Deve ser para combinar como vamos sair daqui sem sermos seguidos pela imprensa que está de postos em frente ao hotel.
-Ok. –disse Camus. –Mas por que no jardim?
-Não sei, há uma saída por lá, deve ser por isso. –Shaka disse, cansado demais para pensar em qualquer coisa. Camus moveu a cabeça afirmativamente e Shaka seguiu para o elevador que o levaria ao térreo, onde ficava um enorme jardim.
Observou novamente tudo a sua volta... Sentia um pressentimento ruim, um arrepio percorreu sua espinha. Estranho... Não sabia ao certo quantos seguranças estavam na festa, mas achava que naquele andar havia seguranças demais... Será que havia seguranças suficientes nos outros andares... e no jardim?
Devia ser paranóia sua, Kanon e Radamanthys controlavam bem a segurança... e fora o próprio Kanon que chamara Shaka, certo? É claro que ele cuidaria para que Shaka estivesse em segurança. Mesmo assim decidiu ir atrás do amigo, sabia que não ficaria tranqüilo até que tivesse CERTEZA que tudo estava bem. Foi até o elevador e apertou o botão... Esperou... O que estava acontecendo? O elevador estava parado no térreo e não se movia... Viu que o outro elevador também estava parado no térreo... Sim, havia algo estranho. Não... o Shaka também, não... pensou, nervoso.
Correu rapidamente para as escadas e começou a descer alucinadamente... estava no terceiro andar... tinha que correr... Já estava no segundo andar... Corria muito... faltavam ainda 10 degraus para o térreo... as luzes da escada se apagaram sentiu alguém lhe segurar mas conseguiu se soltar após se debater um pouco e sentiu que o outro tinha caído... passou por cima dele e chegou ao térreo. Viu dois seguranças indo em direção a uma cabine com câmeras... Passou pelo outro lado deles e ainda conseguiu ouvir:
-Céus! –gritou um e o outro olhou abalado sem conseguir falar. Camus viu uma mancha de sangue na porta da cabine... olhou mais atentamente e viu um corpo caído de bruços...
-As... as câmeras... –disse outro com a voz falhando. –desligaram as câmeras! –Viu o outro tentar ligar um aparelho sem sucesso.
-Comunicação cortada! –o outro apertou um botão vermelho. –E um apito que alertava a segurança foi ouvido.
Camus correu para o jardim... não havia ninguém. Seus olhos encheram de lágrimas.. viu o elevador descendo ao subsolo... Não... Não podia perder Shaka também!
-O estacionamento! –gritou. Pôde ouvir a voz dos seguranças ao longe, provavelmente tinham lhe ouvido. Desceu as escadas novamente desesperado... tinha certeza que seu coração ia explodir de tão rápido que batia... Ao chegar viu alguns seguranças mortos no chão... e então viu do outro lado do enorme estacionamento...
Dois homens de preto seguravam Shaka... um tentava colocar um pano em seu nariz e outro segurava seus braços firmemente... Camus ficou sem reação, sentiu suas pernas amolecerem... Estavam tentando colocar Shaka em um carro preto da segurança, mas o amigo se debatia... Viu o amigo e conseguiu gritar:
-CAMUS!!! –então, Camus despertou e começou a correr, mas o seguraram... começou a se debater... mas não conseguia se soltar... três homens o seguravam firmemente, também de capuzes... havia vários deles no estacionamento, só agora havia notado. E todos encapuzados.
Mas finalmente o loiro desmaiou devido ao líquido contido no pano e o colocaram no carro.
-SHAKAAA! –gritou, mas colocaram um lenço no seu nariz e ele foi perdendo a consciência... –Sha...ka... –ainda conseguiu dizer com a voz baixa, antes de desmaiar também.
-SHAKA! –gritou, despertando do pesadelo. Suava frio... suas mãos tremiam. O mesmo pesadelo... mas não era pesadelo, como queria que fosse... era uma lembrança... terrível, como várias de suas outras lembranças.
Agarrou o lençol e começou a chorar muito... Antigamente, quando tinha esses pesadelos podia ligar para o amigo ou ia a sua casa. Ele não se importava de consolá-lo. Também buscava ajuda de Camus quando precisava... passaram pelas mesmas coisas horríveis na infância.
Mas e agora? Não podia contar com ninguém! Se dissesse ao pai, provavelmente o seu conselho seria de que tomasse um calmante para dormir, e parasse de atormentar os outros ou procurasse a ajuda de um psicólogo... Você já é um homem! Tem 24 anos e pode se cuidar sozinho. Pare de agir como criança!, já lhe tinha dito ele uma vez. Ele nunca lhe entenderia... ninguém lhe entendia. Só Shaka. Seu melhor amigo, seu porto seguro e, provavelmente, a pessoa que mais lhe importava no mundo. Continuou a chorar tentando não fazer barulho, mas soluçava baixinho. Fazia um mês e meio que havia sido seqüestrado e depois da quarta semana, pararam de pedir resgate, manter contato... A polícia dizia que, infelizmente, havia grandes possibilidades de que Shaka tivesse sido morto... os seqüestradores deviam ter temido serem descobertos e tinham o matado. Essa era a opção mais provável para terem parado as negociações.
Ouviu a porta do seu quarto ser aberta. Pediu a todas as divindades que não fosse seu pai.
-Câ? –ouviu a voz de Hyoga, seu irmão mais novo.
-O que quer? –falou, ríspido, tentando em vão se recompor.
-Por que está chorando?
-Não interessa... Me deixa sozinho. –disse, já soluçando novamente.
-Não! Eu sou seu irmão, me importo com você! –disse, sério, sentando-se na enorme cama. Camus levantou o rosto, olhando o irmão. –Está chorando por causa do Shaka, não é?- respondeu afirmativamente com a cabeça. –Vai dar tudo certo.
Camus finalmente se sentou. Olhou para o irmão, não tentou enxugar as lágrimas... Não conseguiria parar de chorar mesmo. O irmão não tinha culpa de ser preferido pelo pai... aliás, o único que o pai parecia considerar como filho. Também se importava muito com ele, por mais que o pai tentasse afastá-los, pois parecia achar que Camus o contaminaria com algo desprezível...
-Me abraça, Oga? –o irmão se aproximou mais, e Camus se deixou acolher no abraço em que foi envolvido, se acalmando aos poucos.
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O loiro havia adorado o passeio. O parque era realmente lindo, tinha várias fontes espalhadas, brinquedos diversos para as crianças, aliás, havia muitas crianças com os pais, aproveitando o domingo mais ensolarado do que de costume. Mu tinha levado algumas coisas para eles comerem e fizeram um piquenique embaixo de algumas árvores para se protegerem do sol forte. Andaram por todo o parque, ou quase todo, já que era consideravelmente grande e conversaram bastante. O loiro gostava cada vez mais da companhia do outro, ele era inteligente, gentil, adorável e lindo.
Não percebeu que estava olhando para o outro e quando este olhou para si, corou. Mu estranhou a súbita cor no rosto do outro e ficou preocupado.
-Está tudo bem? –perguntou, sério. –Você ficou vermelho de repente.
-Não é nada. –disse, sorrindo. Mancava um pouco, mas Mu tinha lhe dito que não tinha sido nada sério, e ele já estava bem melhor, mas ainda não podia fazer muito esforço.
-Eu... eu queria avisar a polícia também porque quando você chegou, tinha alguns machucados pelo corpo, lembra? –O loiro respondeu afirmativamente. –Podem ter te batido e por isso você perdeu a memória, ou você pode ter sofrido um choque muito grande.
-Então... nós vamos a polícia agora? –perguntou.
-Não... eu vou esperar mais três dias, se você não der nenhum sinal de que está recuperando a memória... Nós vamos a polícia, está bem?
-Sim.
Sentiram pingos de chuva molharem um pouco seus rostos. Mu segurou seu braço e foram andando para uma das saídas do parque, mas como o loiro não podia se mover rapidamente, a chuva forte pegou-os antes que estivessem próximos da saída. O tempo mudar de repente não era novidade.
-Ah, não... Você vai ficar doente. –disse Mu, preocupado.
-Calma, Mu. –disse rindo. –Eu não sou TÃO frágil, assim. –falou, parando de andar.
-Ah, mas está sob minha responsabilidade. –disse, pegando a mão do loiro e voltando a andar para a saída.
-Eu te dou muito trabalho? –perguntou sério. –Se você quiser nós vamos a polícia agora, eu não...
-Não! Desculpe, não foi isso que quis dizer. Eu só fiquei preocupado com você. –disse, sorrindo. –Olha podemos ficar ali embaixo. –disse, apontando para uma pedra que por ter uma forma curva, protegia um pequeno espaço embaixo dela da chuva.
-Vamos. –respondeu.
Ao chegarem lá, o loiro entrou embaixo da pedra e ficou esperando Mu se juntar a ele. Quando isso aconteceu, um teve de ficar de frente pro outro devido ao pequeno espaço, Mu ficou de costas para chuva e o outro encostado à pedra fria. O loiro olhou para Mu e percebeu que ele estava um tanto... desconfortável devido a pouca distância. Percebeu também que a chuva ainda caía em suas costas e o viu estremecer de frio. Abraçou-o, trazendo ele para mais longe da chuva. Mu ficou surpreso.
-Desse jeito você que vai ficar doente. –disse, sorrindo.
Mu olhou para ele ainda abraçados. Aqueles olhos, a boca um pouco vermelha devido à queda de temperatura súbita e molhados pela chuva. Os cabelos loiros agora desalinhados... Ai céus... Dá-me forças..., pensou tentando olhar para outro lugar. O outro também estava constrangido... Tinha ficado um pouco envergonhado com a análise de Mu. Tudo era tão estranho... Não lembrava seu nome, de nada de sua vida, tirando a pequena lembrança que tivera no dia anterior, e não sabia direito o que sentia por uma pessoa que conhecera há dois dias! Dois dias! Encostou a cabeça no ombro de Mu, assim pelo menos eles não tinham que ficar se encarando.
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Na segunda-feira, entrou na repartição em que Saga trabalhava sem cerimônias. Claro que ele não devia simplesmente entrar no local de trabalho de um investigador que estava resolvendo um caso importantíssimo e conhecido, podia-se dizer, mundialmente daquela forma, sem mais nem menos, afinal, Shaka era o herdeiro de uma das maiores empresas do mundo todo, aliás, um dos herdeiros junto com Camus. Continuou andando decididamente até a sala em que Saga ficava. Bateu na porta. Mas, ele tinha todo direito afinal antes de Saga trabalhar na polícia, ele era seu irmão. Pelo menos, era assim que Kanon pensava.
-O que é? –perguntou Saga, distraído, do outro lado da porta.
-Sou eu, Saga.
-Kanon? Entra.
Kanon entrou e sentou em uma cadeira em frente à mesa do irmão, sério.
-Estou surpreso de que tenha vindo aqui falar comigo. Por que bateu na porta? Você nunca faz isso. –disse Saga, falando rapidamente. Só ficava assim quando estava nervoso. –E onde dormiu ontem à noite?
-Vim pra conversar com você. Quero resolver logo esse assunto. –disse, sério. Saga apenas ouvia, esperando que ele continuasse. –Respondendo a primeira das suas perguntas, é que eu acho que um suspeito não pode simplesmente ir entrando na sala de quem está investigando o seu caso, certo? Mesmo que essa pessoa seja seu irmão. –falou, com a voz falhando um pouco e demonstrando um pouco de mágoa. Saga continuou calado. –E, quanto à segunda pergunta... Ela já faz parte do interrogatório? –perguntou irônico.
-Kanon, pare de ironias. Você sabe que só perguntei para o seu bem...
-Eu sei, sempre é pro meu bem! –falou, levantando-se. Pronto, lá vamos nós... pensou Saga. –Eu já tinha te falado que não tinha nada a ver com a história! Você acha mesmo que eu raptei o Shaka?! –andando de um lado a outro, e falando alto.
-Não, não acho... Eu sei que foi errado ter te acusado, me perdoe. –Saga disse, calmo, e Kanon se sentou em sua mesa, olhando para baixo. –Eu estou muito nervoso e há mais pessoas que fazem parte da investigação e acham que você pode ter algo haver... com o seqüestro. E eu fiquei apavorado em pensar que você pudesse ser preso novamente e que dessa vez eu não pudesse fazer nada pra te ajudar. Mas isso não é desculpa. Você já me deu várias provas que eu podia confiar em você... e eu simplesmente joguei tudo pro alto. Mas é que você não sabe o quanto eu sofri... quando pensei que ia te perder. Você pode... Perdoar-me?
Kanon levantou os olhos fitando diretamente os de Saga. –Eu só queria que você entendesse que quando eu disse que... não me envolveria mais com esse tipo de coisa, eu falei sério, Saga. Afinal, eu jurei pra você Saga... e pra você, eu não mentiria nunca sobre algo assim... Você sabe que é sempre o primeiro pra quem conto tudo... peço conselhos, ajuda e... dinheiro emprestado de vez em quando. –disse rindo.
-Quero deixar claro que desse último "privilégio" eu não faço questão. –disse, sério, mas brincando.
Kanon riu novamente, sendo acompanhado pelo irmão depois. Desceu da mesa e deu a volta, aproximando-se do irmão.
-E então, me perdoa? –Saga perguntou.
-U-hum. –disse baixinho, balançando a cabeça em afirmativa e depois abraçou o irmão.
-Ohhh... que bo-ni-ti-nho! –ouviram uma voz atrás deles.
-Tinha que ser o encosto. –Kanon disse, rindo.
-Oi Milo. –Saga disse. –E 'brigado por ter me avisado. -terminou, sorrindo cúmplice.
-Ah, Milo, seu traidor! Você avisou onde eu estava! –disse, pegando uma caneta que havia em cima da mesa e bolinhas de papel amassadas, que eram anotações que Saga não tinha precisado, e jogando em cima de Milo.
-Ei! –Milo disse, revidando com as mesmas bolinhas de papel.
-Parem crianças... –Saga disse, e foi interrompido por um monte de coisa voando na sua cabeça. Olhou de um para o outro com uma cara zangada.
-Não olha assim, não, que você mereceu! –disse Milo, rindo.
-Ah, Sa, esqueci de te contar… -Kanon começou, olhando de relance para Milo e sorrindo de canto.
-O que? –Saga perguntou. E Milo percebeu pela cara de Kanon que sobraria para ele. Aproximou-se dos dois, ficando do lado da mesa onde ele e Saga estavam.
-Sabe, o Milo... –começou baixinho, como se estivesse contando o segredo. Saga já estava com vontade de rir por antecipação. –Disse pra mim... Bom, ele propôs... que a gente fizesse um triângulo, que tal? –disse, já alto. Saga deu um risinho baixo. –Sabe relação a três? –disse, piscando um olho.
-Espera um pouco, que não foi bem assim... –começou o escorpiano, tentando se defender.
-Ah, Milo, nem vem. Sábado você me confessou que tinha um fetiche por gêmeos! Eu me lembro muito bem que você falou pra eu chamar o Saga pra... "brincar" com a gente. -Saga continuava rindo baixo... quando aqueles dois ali se juntavam...
-Ei! Não foi assim... Deixa eu explicar...
-Ah, não se preocupa não Milo. A gente marca um dia lá em casa... –Saga disse despreocupadamente.
-É, quando você quer, Milo? -continuou Kanon, puxando o amigo para perto e dando uma mordida no pescoço dele.
-Kanon!! Larga! –disse Milo, um pouco irritado com a zuação dos amigos. Kanon riu.
-É Ka, vamos parar com essa história de marcar e tal porque isso já 'tá irritando ele... –disse, puxando Milo para perto.
-É, chega.
-Até porque pra quê marcar...–disse, puxando o amigo para mais para perto, encostando-o no apoio da cadeira onde estava sentado. –se pode ser agora, certo? –e dito isso, quando Milo se voltou para olhá-lo surpreso, Saga o puxou pela nuca deixando Milo sem reação... e mexeu a cabeça para o lado ajeitando-se para o "beijo". Aproximou-se rápido, mas deu apenas um selinho nos lábios do amigo e depois começou a rir, acompanhado por Kanon.
Milo afastou-se dos amigos e olhou-os com os braços cruzados, fingindo estar bravo, mas depois começou a rir também. –Puxa Saga, você me assustou agora. –disse, ainda rindo e largando-se em uma poltrona que havia na sala, encostada a parede.
Kanon, depois de parar de rir, perguntou ao irmão, sorrindo de canto novamente. –Saga, você se lembra do seu primeiro beijo? –perguntou, sorrindo enigmático.
-Que é isso, Kanon? 'Tá parecendo um adolescente... Vai começar a contar dos namoradinhos agora? –perguntou Milo, rindo do amigo.
-Não... eu só lembrei por essa história de você ficar com nós dois... –Kanon disse, deixando que Milo adivinhasse o resto.
-Não me digam que o primeiro beijo foi entre vocês dois? –Milo disse, olhando de um para o outro. –Como eu nunca desconfiei... dois pervertidos como vocês na mesma casa só podia dar nisso.
-Mas foi só uma vez, e foi só um beijo! –disse Saga defendendo-se.
-Quantos anos nós tínhamos mesmo, hein? –perguntou Kanon.
-Dez. Você estava curioso com essa história de beijo e tal... –Saga disse, rindo.
-Ó céus... eu tenho que me afastar dessas más companhias. –disse Milo, dramaticamente.
-E você, ô pervertido-mor? –Kanon perguntou. –Aposto que não lembra do seu primeiro beijo.
-Apostou errado, meu caro. Eu me lembro muito bem do meu primeiro beijo... Até porque um beijo como aquele foi inesquecível... –disse, rindo. O beijo tinha sido mesmo inesquecível, o que não significava que tinha sido bom.
-Hum... que jovem misterioso esse. –disse Saga, sorrindo. –Quantos anos?
-Doze.
-Tudo isso? –disse Kanon.
-É, se o meu foi com 10 pensei que o seu tinha sido com 7, Milo. –disse Saga, rindo.
-Engraçadinhos... Agora eu tenho que trabalhar. –disse Milo, levantando-se. –E você também, senhor Saga, porque vão chegar os relatórios do caso lá que você está cuidando. –disse, saindo da sala. –Tchau, pervertidos.
-O caso do Shaka? –perguntou Kanon, após Milo sair.
-Sim, esse mesmo. Nunca tive um caso tão difícil para resolver. –disse Saga. –Quem planejou sabia exatamente o que fazer e como fazer.
-Bom, então, me retiro maninho e boa sorte! –disse Kanon, levantando-se. –Espero que as probabilidades estejam erradas... que encontrem o Shaka vivo. –falou sério e um tanto melancólico.
-Pode acreditar, Kanon, que eu vou fazer de TUDO para descobrir quem está por trás disso e encontrar o nosso amigo. Vivo.
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Entrou no prédio onde corriam as investigações do caso. Por sorte, a imprensa parecia não ter descoberto onde as investigações estavam se passando. Chegou ao terceiro andar, olhou em volta tentando encontrar a sala onde seria o interrogatório. Um segurança estava com ele, sua irmã insistia em seguranças ao seu redor. Havia muitas salas e pessoas trabalhavam em pequenos cubículos por toda a extensão do local. Não queria pedir informação, não gostava de fazer isso. Seguiu por um corredor à direita apenas por intuição.
-Senhor Julian, não acha melhor...
-Não dê opinião, por favor. Eu odeio andar com vocês no meu encalço! Por Deus, eu estou em um departamento da polícia, se você não percebeu.
-Mas é que a senhorita Thetis...
-Não precisa se explicar, eu vou ter uma conversa séria com ela depois. –voltou-se para o homem atrás de si. –Perdão Rubens. Sei que você não tem culpa, mas é que também não queria estar aqui. –o segurança fez um sinal afirmativo com a cabeça. Quando foi virar-se para frente novamente, esbarrou em alguém.
Kanon não entendia porque aquilo sempre acontecia com ele. Segurou a pessoa que tinha se desequilibrado pelo encontrão, e começou a pedir desculpas.
-Sinto muito, eu... –dizia sem olhar para a pessoa a sua frente.
-Hahaha... Não sinta. –ouviu aquela voz e ficou um pouco surpreso com quem estava a sua frente.
-Julian! –disse, abraçando o antigo amigo sem se conter. –Desculpa, eu...
-Não precisa pedir desculpas. Que coincidência nos encontrarmos. –disse, sorrindo. Não importava quando passasse sem vê-lo, nunca confundiria Kanon com Saga. Sempre sabia quem era quem. O olhar era diferente, o jeito, as expressões... Não sabia definir bem.
-É... meus esbarrões da vida! –disse rindo.
-Você continua distraído como sempre. Mas o que está fazendo aqui?
-Vim ver o Saga, e você?
-Tenho que depor... –disse, um tanto chateado.
-Ah, sei, Jú... –o outro riu ao ouvir novamente o apelido após tanto tempo.
-Bom, Ka, me fala onde fica a sala do Saga.
-Seguindo esse corredor, terceira porta a direita.
-Está bem. Tchau. Temos que nos encontrar uma hora para conversar.
-Sim. Outra hora a gente marca. –disse Kanon, acenando e seguindo para o elevador animado por ter reencontrado Julian depois de tanto tempo.
-Ka! –chamou quando o outro entrava no elevador e apertava o botão do térreo. –Senti saudades. –Ainda teve tempo de ver um sorriso passar pelos lábios de Kanon antes da porta do elevador se fechar.
Seguiu para a sala de Saga, agora já muito mais bem humorado.
Continua...
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N/A: Nhá... até que não demorou para sair o capítulo, né? ; D E ficou mais longo. Aliás, o capítulo mais longo que eu já escrevi... O engraçado é que eu estava tentando escrever o capítulo da minha outra fic, que faz um mês que não é atualizada, mas fazer o quê se a inspiração veio para essa, não é? O cap foi escrito em um dia apenas... e, bom, eu revisei mas ainda acho que vai haver vários erros.
Novamente, eu não gostei do cap, mas achei razoável, vai. Até porque eu só dei mais atenção para a cena do seqüestro e tal... E descobri uma coisa: eu tenho uma dificuldade enorme para escrever cenas de ação e coisas do tipo O.o. Espero que não tenha ficado tão ruim.
Eu ainda não contei do passado do Kanon, mas vou contar, só não sei se no próximo cap, ou depois. Ah, e com quem vocês acham que o Ka deve ficar? Rada, Julian ou até mesmo... o Saguinha né? E também tenho que contar a história do passado do Camus e do Shaka. Mas no próximo capítulo, o Camus e o Milo vão se encontrar. Espero que gostem!
Ah, e, novamente, amei as reviews que recebi!!! Obrigada mesmo, mesmo! Sério, amo quando passa de 3 reviews! Fico super feliz! (tá, eu sei que é meio idiota, mas...)
E, novamente, essa fic é dedicada para minha madrinha querida Virgo-chan e ao Shaka, pois foi postada no níver dele e para ele, então não liguem se eu babar muito em cima do coitado, nessa fic.
Agora os agradecimentos às lindas reviews de:
Simon de Escorpião:Oi, suas reviews são sempre fofas, né? Eu lembro de você na minha outra fic : D, e valeu mesmo, mesmo pelo incentivo! O Shaka sofre, mas ao mesmo tempo é sortudo, não? Mil beijos!
Herzkristall:Oi Evinha! Cara, eu sei que seu nick é outro, mas se você visse a dificuldade para escrever seu nick desse site xD. Um dos mistérios já foi revelado, certo? Faltam os outros mistérios e casais, mas aí, mais pra frente! Beijão Evinha de mi core! xD I-G e F&P!
Virgo no Áries: Oiee: D Huahsuaushaush Amei tua review, muito fofa!!! Que bom que você está gostando, espero que continue acompanhando! E o Muzinho tá se segurando. xD Beijos gigantes!
Virgo-chan:Madrinha querida! Espero que continue gostando da fic, viu? Afinal, ela também é sua! Huhasuhahsuah... sempre sobra pro Kan! Nossa, eu me empolguei um pouco com ele nessa fic... Toda hora ele aparece agora! Quanto ao Sha e o Câ, viu como eles são? Mais que simples amigos, né? A expressão "unha e carne" é bem-vinda para eles ; D! Quantos aos milhões de reviews xD, se continuar essa média eu já fico bem contente! Super beijo gigante, madrinha[PS: nunca mais pense em parar de escrever, viu: D A gente adora suas fics, dona Virgo!
Zizi-chan: Olá! Que bom que você está gostando! Sei que é clichê falar isso, mas é verdade, viu? Eu fico muito contente! Espero que goste do cap! Beijão!
Bruna: Oi Bru! Mãe dos meus filhos... hushahsuhauhsu [liguem não, a Annie aki É maluquinha mesmo Que bom que você tá gostando! Agora você já sabe o que houve com o Shaka! Beijo hiper grande Bru!
Gabi: Oi Gabi! Que bom que você tá gostando! Espero que goste do capítulo (ficou muito grande, né? Ô.o)! Beijão! A gente se vê na SS4G!
Álefe Venuah: Oi comadre!!! Fico feliz que esteja gostando! Achei seu comentário muito fofo: D Brigada pelo incentivo, viu??? Mil beijos enormes pra você também!
Agora a todos, um obrigado gigante por acompanharem a fic! Fico realmente feliz em saber que tem gente que se interessa pelo que eu escrevo.
E, mandei reviews, por favor: D
Super beijo para todos,
Annie. °/
