Confie em mim

As notícias posteriores chegaram antes de Agatha à França, em uma manhã de março. Por breves instantes a bruxa se permitiu admirar o local. Uma casa grande e confortável, pintada de branco. Seus olhos correram até ao redor do terreno, onde um pequeno playground dava ao cenário um clima familiar.
Essa era a única vida que ela teria de agora em diante; mãe e esposa. Não sabia se conseguiria desempenhar o papel de forma adequada, por diversas vezes acreditou que aquela vida não parecia pertencer à ela.
Quando atravessou à porta de entrada atrás de Edward e Sarah, notou que alguma coisa estava estranha. Sarah aparecera de mãos dadas com uma babá, que rapidamente tirava ela do aposento, antes mesmo que a bruxa pudesse abraçar e matar as saudades da filha. Só foi entender que alguma coisa terrivelmente errada tinha acontecido quando viu o rosto de Edward que vinha ao seu encontro pelo corredor. Assombrado, assustado e com manchas avermelhadas na face causadas pelo choro.
Agatha ainda acreditava que aquilo era por causa da perda de Lilian e James, mas só foi entender que algo além acontecera quando sentiu-se puxada para um abraço apertado. As costas do marido ondulavam com o choro convulsivo enquanto ele se apertava firmemente a mulher, sussurrando em seu ouvido:
- Sirius matou Peter...
A bruxa sentia-se estranhamente anestesiada, como se nem aquela notícia pudesse despertá-la do torpor em que estava. Era como se um véu cobrisse a realidade, tornando tudo mais nebuloso, menos real. Havia momentos em que chorava de forma convulsiva ao se lembrar do que acontecera e outros em que ela parecia estranhamente dispersa e incapaz de viver o presente, como se não tivesse o controle sobre a sua dor.
Em uma manhã, alguns dias após a sua chegada, Agatha desceu para tomar o café e encontrou Amelia sentada na cozinha. Chegara sem aviso ou convite. Com as mãos apoiadas sobre a mesa recém posta, ela fitava a janela, seus olhos divagando, perdidos na paisagem.
- O que está fazendo aqui? - o tom de voz de Agatha não fora propriamente ríspido, mas curioso.
-Acho que precisamos conversar depois de ler isso - Ela alcançou o jornal para a irmã e ficou observando enquanto a expressão da bruxa passava da incredulidade à raiva:

"Severus Snape assume cargo de Poções em Hogwarts

Divulgado há poucos dias em uma comunicação oficial, Albus Dumbledore concede à Severus Snape a disciplina de Poções. Fontes próximas do novo professor afirmam que Snape é alguém bastante apto para a vaga, com excelentes conhecimentos sobre a matéria.

"Estamos muito agraciados por tê-lo conosco." Declaração de Dumbledore sobre o seu novo professor. "

Incrédula e com um sorriso triste passando pelo rosto, a bruxa se vira para a irmã:
- Dumbledore foi de alguma forma ameaçado para permitir isso? -Os olhos de Agatha buscavam os da irmã, a pergunta saiu em um tom mais ríspido do que o normal.
-Não, mas...- Amélia nem termina a frase, sendo interrompida novamente por Agatha:
-Nesse caso, não temos nada para conversar. Vá embora, deixa essa mágoa que eu sinto por você passar.- E sem esperar por resposta ela se afasta, subindo as escadas até o seu quarto, onde poderia ficar absorta em suas próprias lembranças, que vinham espontaneamente até a sua mente e a torturavam até quase enlouquece-la.

-x-

Sarah teve, na medida do possível, uma infância agradável. Longe da realidade que atormentava o passado de sua família, ela estava sendo criada alheia a tudo que tinha acontecido.
Quando perguntava o porquê de terem se mudado de Londres, a mãe apenas respondia:
-Por causa do trabalho de seu pai
A menina sentia que tinha algo nessa história que não se encaixava direito. Ela entendia viverem na França, ela entendia o trabalho do pai, só não conseguia compreender o porquê dos pedidos de sua tia Amélia para que fossem visitá-la nunca serem atendidos.
Amélia era presença constante nas férias. Sarah gostava muito dela, ela parecia não se incomodar com a aparente má vontade da mãe em permanecer muito tempo na sua presença, parecia fazer vista grossa aos olhares recriminadores e cheios de acusações que direcionava a tia.
Para a menina, o importante era ter a tia por perto. Serena, interessada na garota de uma forma muito mais intensa do que a própria mãe.
Desde muito criança Sarah dava sinais da magia que possuía. Coisas estranhas aconteciam, como a queda de uma escada alta ser misteriosamente atenuada pela garota que parecia flutuar até o chão. A menina não era uma criança queixosa, mas, raras vezes, quando o seu choro era estridente e irritado, lâmpadas tinham explodido, o que a assustava terrivelmente. Com os olhinhos arregalados e o choro preso na garganta, ela via a mãe vindo em sua direção, com um sorriso terno nos lábios.
- Minha bruxinha...- o que fazia Sarah replicar imediatamente:
- Eu não quero ser bruxa, eu quero ser como Van Gogh!
Sarah ainda não sabia o que queria ser quando crescesse, mas queria que fosse algo ligado às Artes. O pai, frequentemente levava a família a exposições e viagens atrás de novas peças e artistas, fazendo com que a menina se deliciasse com tudo aquilo.
Sua ligação era muito mais intensa ao pai do que à mãe. Agatha não se mostrava alguém muito sociável com contato humano, permanecia melancólica por tempo demais trancada em um dos quartos da casa. O casal tinha uma convivência harmoniosa, mas não eram propriamente felizes. Sarah por vezes se pegara imaginando o porquê deles ainda continuarem casados.
Nada era capaz de deixar a mãe verdadeiramente feliz. Agatha não era alguém que gargalhava, não era capaz de irradiar felicidade, vivia uma vida estável, nivelada, nunca mostrando verdadeiramente o que se passava no seu íntimo.
Inúmeras vezes a menina pegou a sua mãe com uma grande caixa de papelão no colo, era a caixa misteriosa, que continha alguma espécie de segredo, que por mais que Sarah insistisse com a mãe para saber do que se tratava, nunca tinha recebido uma resposta positiva.
Por igual número de vezes ela via o pai adentrando o lugar e saindo com a mãe carregada no colo, chorando de forma amedrontadora. Sarah não sabia por que a mãe chorava, mas não gostava do medo que aquilo despertava nela.
Sarah tinha medo de reviver novamente o que havia acontecido em um dos passeios das duas por Paris. Sarah estava feliz, andando de mãos dadas com a mãe pela Passage Poncelet quando foram abordadas por um homem de aspecto estranho, alto, magro, com um rosto aristocrático e bem vestido, cabelo comprido e extremamente loiro, que parou na frente das duas bloqueando a passagem, olhando para elas como se fossem baratas particularmente nojentas.
- Mas que surpresa interessante! Encontrar Bones por aqui...e com a sua filha...filha de um trouxa eu presumo? - ele olhava para Sarah com os olhos faiscando enquanto Agatha puxava a filha com força e colocava atrás de si, usando o próprio corpo como um escudo.
- Por isso que eu saí da Inglaterra, Malfoy, alguém como você, não estar em Azkaban, só mostra o quanto aquilo é decadente.- E eu sou casada, me chamo Clavell agora.
Sarah nunca tinha visto a mãe daquela maneira. Imponente, parecendo mais alta do que era enquanto lançava um olhar de desprezo sobre o outro.
-Me desculpe, mas eu acho pouco digno usar sobrenomes trouxas...é tão...sujo...- ele dava uma ênfase maior na última palavra, acentuando a cara de nojo que fazia.
-Poderia dizer que sujo é o que tem feito para manter essa sua empáfia toda. Quantos galeões pagou para limpar as mãos do sangue que você derramou, Malfoy? - a voz de Agatha era extremamente baixa, sussurrada em um tom letal, enquanto o homem apenas dava de ombros, voltando a andar, sem dar importância ao que sua mãe havia dito. Sarah abraçava a mãe por trás, desejando poder sair da frente dele o mais rápido possível. O homem andou alguns passos antes de se voltar para as duas novamente.
-Bonito medalhão, Bones. Um símbolo da traição do sangue da sua família. Sua família é marcada por ele. Daqui a alguns anos a pequena vai herdá-lo, não vai? Cuidado, seria trágico se algo acontecesse a garotinha. - Agatha apertava mais firmemente Sarah atrás de si, enquanto levava a outra mão ao pescoço, acariciando a jóia de família. Foi apenas quando o homem sumiu de vista que ela se virou em direção a Sarah e se agachou, mantendo os olhos na mesma altura da menina, com o coração partido por ver as lágrimas que afloravam nos pequenos olhos da filha.
-Está tudo bem meu amor, ninguém pode fazer mal a você, aqui você está protegida.- Agatha abraçava firmemente a filha enquanto beijava os seus cabelos, embalando a menina, enquanto lágrimas corriam pela sua face e ela enxugava para a menina não ver.
Os dias corriam lentamente, passavam meses, meses se tornavam anos e bem antes que pudessem se dar conta, Sarah já tinha feito onze anos.
Foi uma alegria o dia do seu aniversário. Acordou pela manhã com a casa cheia de flores e muitos presentes, na maioria ilustrações de grandes artistas renascentistas, bem como um catálogo ilustrado de todas as obras de Van Gogh. Os dedos miúdos da menina acariciavam os presentes enquanto ela olhava para a mãe, com uma cara que irradiava felicidade. Foi então que notou um embrulho que não tinha sido ainda aberto, um pequeno estojo delicado forrado com veludo negro. Sua mão pequenina apanhava a caixinha enquanto os seus olhos iam de encontro ao pescoço de Agatha. A mãe não usava mais o medalhão da família.
- Eu já posso ficar com ele? - os olhos da criança brilhavam, enquanto a mãe se aproximava sorrindo, tomando a jóia da mão da menina e se postando atrás dela para colocar no pescoço da menina.
-Pode sim, eu ganhei esse quando eu fiz 11 anos e você o dará para a sua filha quando ela tiver 11 anos também. - Os olhos da mãe eram cheios de ternura para com a filha, quando, pela janela, entrava uma coruja das torres com uma carta endereçada a "Sarah Bones Clavell".
Aquele brasão no envelope era familiar. Agatha sorriu internamente ao pensar: "Minha filha não.."
-Abra, Sarah, você precisa saber o que está escrito aí dentro. - Ela alcançava a carta para que a filha abrisse, esperando Sarah terminar a leitura.
Quando os olhos da menina se voltaram à mãe, eles irradiavam felicidade.
-Eu vou pra Hogwarts mamãe? Uau...depois eu posso fazer História da Arte na mesma Universidade de papai, não posso? - ela olhava para a mãe de forma suplicante, como se Agatha pudesse ser a única capaz de confirmar todos os seus desejos. A mãe mordeu o lábio antes de continuar.
-Eu e seu pai concordamos que o melhor é você ir para Beauxbatons. Mas depois você vai poder sim fazer História da Arte, que tal? -ela falava com a garotinha com um tom de voz como se estivesse dando uma opção muito melhor e mais digna do que Hogwarts. Sarah parecia confusa ao acrescentar:
- Mas todos da nossa família foram para Hogwarts...por que eu não posso ir para Hogwarts também? - ela não parecia muito conformada com a decisão dos pais, ela gostava tanto do que tinha ouvido falar sobre Londres. E ela sabia que Hogwarts devia ser muito legal, a tia Amelia falava para ela a todo instante sobre isso, sempre que Agatha não estivesse próxima o suficiente para ouvi-las.
-Porque não é apropriado. Quando for maior vai ser capaz de entender as nossas escolhas, mas agora não é o momento de discutirmos isso. - Agatha delicadamente tirava a carta das mãos da filha e jogava na lareira, observando, com um curioso prazer, enquanto a carta era queimada.
-É por causa do que aconteceu com o titio e sua família não é? Tia Amelia diz que todos perderam muitas coisas há alguns anos atrás e não só a senhora. - a menina falava em tom de desafio, como se aquilo fosse um segredo muito bem guardado que só naquele momento ela tivera a audácia de revelar.
-Sua tia Amélia as vezes fala sobre coisas que ela não deveria. Você não tem que se preocupar com isso agora. Você vai ir para Beauxbatons minha menina, e será muito feliz lá, acho que...- a frase ficara perdida pela metade, quando uma nova coruja adentrava pela sala, com mais uma correspondência, dessa vez destinada a Agatha. Ao abrir a carta, um sorriso zombeteiro crispava os seus lábios.

" Agatha

Não permita que a pequena seja privada de estudar aqui.
Não deixe o rancor novamente ofuscar as suas decisões. O que é do passado deve permanecer no passado. Alimentar a raiva apenas trará mais sofrimento.
Pondere sobre isso.
Confie em mim.
Espero a pequena Sarah no dia primeiro de setembro. Confesso que depois de tantos anos estou curioso para voltar a revê-la.
Afetuosamente

Albus "

Agatha mal acreditava na petulância dele em escrever aquilo depois de tantos anos. O deboche a consumia. Albus realmente acreditava que palavras poderiam fazê-la parar de sofrer? Há muito tempo que Agatha deixara de acreditar nele. Há muito tempo que a bruxa deixara de crer nas pessoas. Furiosa, poucos minutos depois, a bruxa mandava a resposta pela mesma coruja que havia trazido a carta dele:

"Albus

Amo minha filha de forma absoluta
Não vejo atrativos para que Sarah vá a Hogwarts.
Um Comensal da Morte professor e um diretor que virou as costas para a Justiça no momento em que mais precisávamos dela não é algo que eu possa suportar.
Não vejo Sarah sendo feliz em um lugar em que o assassino do tio e de sua família lecione.
Não me sentiria em paz deixando-a em contato com uma das pessoas que traiu nossa confiança no momento em que mais precisávamos.
Desculpe, não confio em você

Agatha"

O aniversário daquele ano foi pontilhado de pequenos acontecimentos infelizes que deixaram a sensação em Sarah de que aquele, provavelmente, fora o aniversário mais infeliz que ela tivera. Próximo ao almoço, a campainha tocou. Sarah saiu correndo abrir a porta, já esperava mais presentes. Na verdade, o presente fora melhor do que a menina esperava. Sua tia Amélia estava parada na soleira da porta, com um olhar triste e sério.
-Tia, olha o que eu ganhei? - a menina apontava para o próprio pescoço onde jazia o medalhão, feliz, enquanto se agarrava a tia que a abraçava com vontade, um abraço caloroso e apertado, como todos que vinham dela.
-Parabéns minha menina! Olha o que eu trouxe para você? - A mulher apontava para um grande embrulho enquanto colocava nas mãos da menina, no momento em que Agatha aparecia à porta
-Suba pro seu quarto e abra o presente que eu e a sua mãe precisamos conversar. - Os olhos da tia encaravam a mãe de uma forma preocupada. Sarah sentiu que o clima entre as duas estava pesado e achou melhor que elas conversassem.
Sentada na sua cama, ela acariciava o embrulho bem feito com um papel colorido, quando os gritos começaram a invadir o seu quarto, era impossível para a garota não ouvir o que se passava entre as duas no andar de baixo.
- HOUVE UM JULGAMENTO, ELE FOI INOCENTADO! VOCÊ ESTÁ ENLOUQUECENDO, AGATHA! - Sarah arregalou os olhos por ouvir a voz da tia daquele jeito, algo que jamais tinha presenciado. Nunca tinha visto as duas se tratarem daquela forma, ela via a mágoa que às vezes as duas demonstravam, aquele clima frio e distante, mas não aquela fúria, aquilo era a primeira vez.
-NO JULGAMENTO ELE NEGOU QUE TENHA MATADO, AMÉLIA? ELE NEGOU?- a voz da mãe saía seca e irritada enquanto instintivamente Sarah saía do quarto e se postava próximo às escadas, sua curiosidade pelo que estava acontecendo tomando conta.
-Não negou, Agatha, mas Dumbledore...- a voz da tia agora era triste, baixa e derrotada. Antes que ela pudesse ouvir a tia terminar a frase, sua mãe voltou a bradar, cortando de forma seca a irmã.
-ASSASSINO E TRAIDOR, É ISSO O QUE ELES SÃO. - ela ouvia a voz da mãe arfante, sôfrega, como se aquele desabafo estivesse guardado por muito tempo e precisasse ser revelado. -E VOCÊ, AMÉLIA...VOCÊ ME ENVERGONHA. VOCÊ PODERIA TER PEDIDO UM NOVO JULGAMENTO, ELES TE OUVIRIAM, NÃO A MIM, MAS VOCÊ...TALVEZ NEM LEMBRE QUE EDGAR ERA SEU IRMÃO...NO ENTANTO, VOCÊ VEM AQUI PEDIR QUE EU ACEITE ISSO? VOCÊ ME DÁ NOJO...-Sarah via o corpo da mãe tremendo enquanto se afastava da irmã. Amélia ficou um tempo parada sozinha no meio da sala, enxugando as lágrimas. Sarah, sorrateiramente voltava ao quarto. Momentos depois a sua tia entrou, o rosto vermelho denunciando que tinha chorado. Com um abraço apertado a tia se despediu:
-Se cuide, Sarinha. Tia está muito feliz por você. Preciso ir agora, mas voltamos a nos ver em breve. - A tia dava um último beijo na garota antes de ir embora, deixando a menina confusa por não entender o motivo das duas irmãs terem se tratado daquela maneira.
Naquela noite não houve comemoração. A mãe ficou trancada por várias horas no quarto. Sarah e o pai comemoraram sozinhos, assistindo um filme trouxa e comendo pizza. Mas nenhum dos dois parecia feliz, o pai tinha uma expressão estranha de preocupação e Sarah não conseguia se concentrar em nada. Tudo o que ela queria, era saber quem era o "traidor" e o "assassino" que a sua mãe havia falado. E, mesmo sem saber porquê, a imagem do homem extremamente loiro e grosseiro vinha a sua mente. Será que ele era o assassino que sua mãe falava, o assassino dos seus tios e primos?
O tempo corria de forma veloz e, antes que todos pudessem se dar conta, era a véspera do dia em que Sarah iria para Beaxubatons. Não fora um momento feliz para a família, a única que parecia satisfeita com o que estava acontecendo era a sua mãe. Ela parecia relaxada, como a menina nunca a tinha visto antes. Sarah não podia deixar de pensar em como teria sido se, as compras de livros, vestes e a sua varinha fossem feitas no Beco Diagonal e não em Paris. Ela ouvira tantas histórias sobre como era tudo na Inglaterra, histórias da sua tia, de como fora feliz em Hogwarts. Era impossível não ficar com uma pontinha de tristeza por saber que histórias felizes em Hogwarts não fariam parte de sua vida. Mais de uma vez, na véspera, ela se perguntou o porquê de sua mãe nunca mencionar como tinha sido Hogwarts para ela. Em diversas ocasiões em sua vida, Sarah ficara com a estranha impressão de que a mãe fingia que não havia tido uma vida escolar, como se o que ocorrera em seu passado fosse pouco digno de ser compartilhado com a menina.
E assim Sarah partiu para Beauxbatons. Desapontada e triste, encarando o olhar inexpressivo da mãe por vê-la ir e o jeito esperançoso do pai, que já planejava o próximo fim-de-semana que estariam juntos.