Capítulo 7: Ousadia
Na manhã seguinte, Helen sentiu falta de Will ali novamente. O capitão subia ao convés raramente, e na maioria das vezes, ela sequer o via. Ela não sabia o que houvera e sentia seu coração batendo cada vez mais apertado.
Algumas horas mais tarde, porém, Will e Jack conversavam formalmente. Jack, que de besta não tinha nada, tratou de perceber as intenções do rapaz para com a que até ontem havia sido sua garota. Tratou logo de debochar:
"Creio que é bom descobrirmos logo como acabar com sua maldição...Deve estar necessitado de companhia feminina..O mesmo não se aplica a mim."
Will baixou os olhos. Sua vontade no momento era voar no pescoço de Jack e infringir-lhe o máximo possível de dor que pudesse causar. Recobrando-se, levantou a cabeça e disse:
"Jack, tem alguma noção de onde estejam os outros seis pergaminhos?"
"Desconfio que sim... pelo menos três deles..."
"Onde?"
"Com nosso querido, amado, louvado e estimado... Peter Jackson..."
"Quê?! Pretende mesmo pega-los?"
"Quem? Eu?! Não!!!"
"Então quem?"
"Helen..."
"Seria o mesmo que entregá-la a Peter!"
"Creio que ela sabe se defender e...Ei! Pêra aí, porque todo este repentino interesse pela minha garota?"
"Sua garota..sua garota, Jack? Ai pelo amor de Deus! Você deve tanto a tantos que nem as cuecas pode falar que são suas! "
"Que seja, que seja... ela irá, quando for a hora..."
Will calou-se. Jack era um idiota. Entregaria Helen de bandeja a Peter.
O dia se seguiu como de costume, e Will esperou o anoitecer para falar com Helen. Encheu-se de coragem. Respirou fundo e caminhou até ela, que estava na proa do navio.
"Uma bela noite, não?"
"É sim... estava olhando as estrelas e ... pensando em você- ela corou- Por que não apareceu mais, nem sequer falou comigo..."
"Bem, você não falava comigo lembra? E estava pensando na vida..."
"Ah..."
"Helen?"
"Sim?"
"Preciso te dizer algo..."
"Que?"
"Estou sentindo algo muito forte por você..."
Helen puxou o ar e prendeu a respiração, enquanto Will procurava as palavras mais adequadas para dizer o que estava sentindo.
"Eu te amo."
Helen parou um instante. As duvidas ainda inundavam sua mente, e mesmo que gostasse dele, ainda não tinha certeza de que era o suficiente para confirmar sua afirmação.
"Desculpe-me Will...Mas não posso te corresponder..."
Naquele momento, Will estava prestes a desabar. Porém, quando fitou aqueles olhos azuis, pode perceber a grande mentira que ela estava falando. Não resistiu. De súbito, Will tocou-lhe os lábios com um beijo longo, suave e profundo. No instante seguinte, entretanto, Helen lhe dera um tapa na cara e saíra correndo, para a outra parte do convés. O beijo de Will não saia de sua mente, e seu coração já parecia pequeno para tantas confusões.
Logo, Will chegou-lhe perto novamente, no que foi de imediato repelido. Sem protestar, ele foi embora.
Jack desfrutou da ausência de Helen na cabine dela. Já que não estava na cama, onde particularmente ele preferia que ela estivesse, o mesmo fato resolveu também.
Encontrou uma antiga carta endereçada a Helen, enviada por Calypso. Falava sobre o tal selo:
A maldição só é curada quando se está ao lado daquele que possui o selo. O beijo é o inicio. O amor é a consumação.
Aquele trecho já fora mais do que suficiente. Apreensivo, Jack resolveu correr e contar para Will:
"Meu caro, o Caribe o aguarda..."
"Que quer dizer com isto?"
"Sua maldição acabou, ora.."
"E como posso saber disto?"
"Meu caro, eu sei..."
Will ia abrir a boca para falar mas calou-se ao observar a tentadora presença de Helen. Vestida de trajes masculinos, hoje com demasiado calor, usava somente uma velha blusa de Jack, que lhe caia pela metade das coxas douradas e bem torneadas. O espartilho sobre ela, bem marcado. Outrora Will pensava tê-la visto bela. Hoje, estava magnífica. Jack deu um sorrisinho malicioso ao constatar a presença de sua blusa:
"Esperava-mos por você..."
'Pra que?"
"Precisamos que faça uma visita aPeter para buscar certos pergaminhos..."
"De que se tratam?"
"De receitas... Cuide de sua vida..."
"Ótimo! Cuido de minha vida e você busca os tais pergaminhos..."
Jack calou-se, e com um gesto impaciente levou a mão a testa, para então explicar brevemente sobre os pergaminhos. Por fim, Helen concordou em ir busca-los, e ele sabia que ela ficaria bem, afinal, era a pessoa que melhor dominava uma espada em punho.
Chegaram então aos domínios do sul inglês. Deixaram o navio não muito longe da costa, para que Helen pudesse fugir rápido. Estava novamente trajada como um oficial. Caminhou sorrateiramente até a mansão e entrou sem maiores problemas. Entrou no quarto de Peter, na torre mais alta, abriu o cofre e retirou o pedaço de pergaminho que ali encontrou. Guardou o papel consigo. Mas algo inesperado aconteceu.
No próximo capitulo:
"Você está bem? Pensei que..'
Mas Helen não lhe deu resposta. Como um impulso atirou-se nos braços de Will.
Fim de mais um capitulo. Obrigada a Roxanne Norris pela review, e em breve a Lizzie aparecerá. Eu prometi, eu cumprirei... que será a coisa inesperada? Pois é...mal eu sei...o romance começa a empestiar o ar com su perfume, mas não sei eu por quanto tempo...hehe..bjs e ateh a próxima...
